As manifestações do Espírito Santo

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 10 – AS MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO – (At 2.1-6; 1 Co 12.1-7)

 INTRODUÇÃO

Na lição de hoje, trataremos de uma importante doutrina “o Batismo com o Espírito Santo e os dons espirituais”. Esclareceremos, a princípio, o que não é o batismo com o Espírito Santo; veremos como a Bíblia classifica essa importante dádiva espiritual; e, por fim abordaremos qual o sinal físico inicial que evidencia o recebimento do poder do alto.

I – O QUE NÃO É O BATISMO COM O ESPÍRITO

  •  O batismo pelo Espírito. Embora a Bíblia chame de “batismo” tanto a inserção do crente no corpo de Cristo (1 Co 12.13), quanto o revestimento de poder (At 1.5), existem diferenças claras entre ambas as experiências, evidenciando que são ministrações distintas uma da outra. “No batismo pelo Espírito Santo, o batizador é o Espírito de Deus (1 Co 12.13); o batizando é o novo convertido; e o elemento em que o recém-convertido é imerso, a Igreja, como corpo místico de Cristo (1 Co 12.27; Ef 1.22, 23). Portanto, o Espírito Santo realiza esse batismo espiritual no momento da nossa conversão, inserindo o crente na Igreja (Mt 16.18)” (GILBERTO, 2008, p. 187).
  • Não é o selo. O selo, a que se refere o NT, não é o batismo com o Espírito Santo, mas a habitação do Espírito no crente, como prova de que o mesmo é propriedade particular de Deus (Ef 1.13,14; 4.30). Embora algumas vezes o batismo com o Espírito Santo seja chamado apenas de “Espírito Santo” (At 8.15,17-19; 10.44,47; 11.15; 19.2), não podemos confundir a habitação do Espírito que se dá na regeneração; com o revestimento do Espírito que se dá após a regeneração com a evidência física inicial do falar em línguas. O Espírito Santo veio para habitar (Jo 14.17), encher (At 13.52; Ef 5.18); e, batizar os crentes (At 2.38). Como podemos ver, estas três atuações são distintas uma da outra. Portanto, todo crente salvo tem o Espírito Santo (Rm 5.5; 8.9; 1 Co 6.19; 2 Tm 1.14).
  • Não é uma língua aprendida. Alguns estudiosos defendem que as línguas prometidas por Jesus como sinais para os que creem seriam línguas humanas naturais ou idiomas, tais como o grego, latim que os apóstolos aprenderiam. Tal opinião é descabida, pois que, todos os sinais descritos em Marcos 16.17 são sobrenaturais. Até porque a palavra “sinal” usada no referido texto refere-se a atos milagrosos, e todos nós sabemos que não há nada milagroso em estudar um idioma e falá-lo, mas, sim, falar algum idioma sem nunca ter aprendido, como aconteceu no Dia de Pentecostes, evidenciando a sobrenaturalidade desta manifestação (At 2.7,12).
  • Não é a regeneração. A regeneração diz respeito há uma mudança no interior do pecador (Ez 36.26; Jo 3.5,6; Tt 3.5; 1 Jo 5.18); já o batismo com o Espírito Santo há um revestimento para capacitação (Lc 24.49). A Bíblia deixa claro que   os discípulos já eram regenerados quando foram batizados com o Espírito Santo (Jo 10; 15.3; 17.12). Portanto, a regeneração não é o batismo com o Espírito Santo; este deve seguir-se à regeneração (At 2.38,39; 19.1-6).

II – O QUE É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

  •  Uma promessa divina. No AT os profetas anunciaram que Deus daria esta bênção ao Seu povo (Pv 1.23; Is 44.3; Jl 2.28). No NT, João Batista disse que batizava com água, mas o Messias batizaria com o Espírito Santo (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16). Jesus, antes de ascender aos céus, anunciou de que esta promessa do Pai viria sobre os seus seguidores (Lc 49; At 1.4). No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre os discípulos, eles começaram a falar em línguas, as pessoas se espantaram, e ao mesmo tempo acusaram os servos do Senhor de embriaguez (At 2.7,12,13). Pedro os respondeu mostrando que aquela manifestação era o cumprimento de uma promessa bíblica (At 2.16-21; Jl 2.28,29). Paulo fez semelhante declaração (1 Co 14.21). Joel anunciou que tal promessa se estende a todo povo: “toda carne”, independente do sexo: “filhos e filhas”; faixa etária: “jovens e velhos”; e, status social: “servos e servos” (Jl 2.28).
  • Um revestimento de Poder. Em uma das vezes que Jesus fez alusão ao batismo com o Espírito Santo o chamou de revestimento de poder (Lc 24.49). Tal capacitação viria sobre os seus discípulos a fim de que executassem a tarefa de evangelização dos povos (At 1.8). Portanto, esse “revestimento” tem como finalidade conceder poder para o serviço, resultando em uma expressão externa de caráter sobrenatural” (PEARLMAN, 2006, p. 311).
  • Um dom do Espírito. O apóstolo Pedro diz que o batismo com o Espírito Santo é um dom (At 2.38; 10.45). A palavra “dom” no grego “charisma”, é usada para indicar os dons do Espírito conferidos para a obra (1 Co 12.4,9,28,30,31). “Dons são capacitações especiais e sobrenaturais concedidas pelo Espírito de Deus ao crente para serviço especial na execução dos propósitos divinos por meio da Igreja” (SOARES, 2017, p. 121).
  • Uma experiência válida para a era da igreja. Embora haja quem advogue que os dons espirituais ficaram restritos ao período apostólico o texto bíblico atesta claramente que tanto o batismo com o Espírito Santo como os demais dons são válidos para toda a era da igreja. O apóstolo Pedro afirmou: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar(At 2.38). Asseverar que os dons só eram necessários enquanto o Cânon não estava fechado é um grave erro, por pelo menos dois motivos: (a) os dons não visam substituir a autoridade e supremacia das Escrituras, visto que seu uso deve estar subordinado ao crivo da Palavra (1 Co 14.37); (b) o texto usado pelos cessacionistas para justificar a “descontinuidade” das manifestações do Espírito (1 Co 13.10), na verdade, não tem este sentido, senão que Paulo está dizendo que os dons só terão utilidade até o retorno de Cristo, afinal de contas, quando formos ao céu teremos deixado o conhecimento imperfeito, pelo conhecimento perfeito. O testemunho bíblico e histórico, confirma que os dons espirituais são vigentes para todo o período da Igreja.
  • Uma porta que dá acesso aos demais dons espirituais. É bom destacar que o batismo com o Espírito Santo é a porta por meio da qual o crente tem acesso aos demais dons listados por Paulo em 1 Coríntios 12.1-8. Isto podemos afirmar pelos seguintes motivos: (a) a “dispensação do Espírito” teve o seu início em Atos 2, quando o Espírito desceu sobre a igreja para ficar com ela como havia sido prometido (Jo 15.26; 16.13); (b) a primeira manifestação do Espírito na Sua vinda sobre a igreja foi com o batismo com o Espírito Santo (At 2.1-4); (c) o livro de Atos nos mostra que os servos de Deus só foram usados nos outros dons a partir do momento em que foram batizados (At 3.6-8; 5.1-16; 6.8; 8.5-7; 9.40,41; 14.10; 11,12). Os dons espirituais são nove e podem ser classificados da seguinte forma:

Dons de Revelação

Dons de Poder

Dons de Elocução Verbal

A Palavra da Sabedoria (1 Co 12.8-a)

O Dom da Fé (1 Co 12.9-a)

O Dom de Profecia (1 Co 12.10-b)

A Palavra da Ciência (1 Co 12.8-b)

Dons de Curar (1 Co 12.8-b)

Variedades de Línguas (1 Co 12.10-d)

Discernimento de espíritos (1 Co 12.10-c)

Operação de Maravilhas (1 Co 12.10-a)

Interpretação das Línguas (1 Co 12.10-e)

III – FALAR EM LÍNGUAS: A EVIDÊNCIA FÍSICA DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

Alguns sinais manifestados no Dia de Pentecostes foram específicos para aquela ocasião (At 2.1-4). No entanto, o sinal fônico: o “falar em outras línguas” (At 2.4), foi o sinal visível e audível que sempre se manifestou quando houve a manifestação do batismo com o Espírito Santo, como podemos ver nas seguintes passagens: (a) em Jerusalém: entre os judeus (At 2.1-4); (b) em Samaria: entre os samaritanos de forma implícita (At 8.17,18); e, (c) em Cesareia e Éfeso: entre os gentios (At 10.44-46; 19.1-7). Portanto, Lucas descreve a dádiva do Espírito Santo, sendo acompanhada e comprovada pelo falar em línguas. A Bíblia nos mostra uma dupla forma da manifestação das línguas. Vejamos:

  • Línguas conhecidas. Os quase cento e vinte discípulos, no Dia de Pentecostes, receberam o batismo com o Espírito Santo e uma manifestação do falar em línguas conhecidas, ou seja, “línguas diferentes da sua língua materna” (At 2.8). Apesar de serem todos galileus (At 2.7), eles de forma sobrenatural começaram a falar das grandezas de Deus nos idiomas conhecidos dos judeus que tinham vindo de várias partes do mundo para a comemoração do Pentecostes em Jerusalém(At 2.5; 9-11). “O termo grego traduzido por língua em Atos 2.6 e 8 é ‘dialektos’ e refere-se à linguagem ou dialeto de um país ou região” (LOPES, 2012, p. 56 – acréscimo nosso). Além do batismo com o Espírito Santo os discípulos nessa ocasião também foram agraciados com a manifestação da xenolalía – “idiomas humanos, reais nunca antes aprendidos por aqueles que falavam” (CARSON, 2013, p. 140). Confira: (At 2.4-11).
  • Línguas desconhecidas. Paulo disse que nem sempre as línguas que se manifestam no batismo são compreensíveis (1 Co 14.2). O falar em línguas não identificáveis é chamado de glossolalía. A Bíblia mostra que existem diferenças entre as línguas faladas no Dia de Pentecostes e as que são manifestadas em outras ocasiões e em nossos dias. Esta diferença não ocorre na fonte das línguas, pois todas “são concedidas pelo Espírito Santo” (At 2.4), no entanto: “a forma” como se manifestam são distintas. Vejamos: as primeiras eram entendidas: inteligíveis (At 2.4,8); a segunda não são entendidas, senão houver interpretação: ininteligíveis (1 Co 14.2,9,14,16,23); a primeira pode ser traduzida (At 2.11); a segunda pode ser interpretada (1 Co 14.5); a primeira acontece esporadicamente (At 2.4); a segunda acontece frequentemente (At 10.44-46; 19.1-7). Sobre as línguas, a Bíblia assevera que o batizado pode: orar em línguas (1 Co 14.15-a); cantar em línguas (1 Co 15-b); falar em línguas de forma equilibrada (1 Co 14.28); e, buscar o dom de interpretação (1 Co 14.13).

CONCLUSÃO

Cremos à luz das Escrituras que o batismo com o Espírito Santo e os demais dons espirituais, foram concedidos pelo Espírito Santo, a Igreja, por ocasião do Dia de Pentecostes e estão disponíveis durante toda a sua trajetória aqui na terra. O termo “pentecostal” evoca as manifestações dos carismas “dons” do Espírito enviado à igreja.

REFERÊNCIAS

  • BRUNELLI,      Teologia    para     Pentecostais. CENTRAL GOSPEL.
  • CARSON, D.A. A manifestação do Espírito. VIDA
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Novo Dicionário da Língua Portuguesa. POSITIVO.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.
  • PEARLMAN, Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. VIDA.
  • STAMPS, Donald      Bíblia   de   Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

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A Santíssima Trindade: Um só Deus em três pessoas

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 03 – A SANTÍSSIMA TRINDADE: UM SÓ DEUS EM TRÊS PESSOAS  (1 Co 12.4-6; 2 Co 13.13)

INTRODUÇÃO

Nesta lição aprenderemos sobre a conhecida doutrina da Trindade; destacaremos também o conceito desse ensino à luz da Bíblia; pontuaremos as bases dessa doutrina a partir do AT e NT; e por fim, ressaltaremos atributos divinos em cada pessoa da Trindade.

I  – DEFININDO O TERMO TRINDADE

A palavra Trindade em si não ocorre na Bíblia, essa expressão é teológica usada para descrever na perspectiva humana a divindade. Sua forma grega “trias”, parece ter sido usada primeiro por Teófilo de Antioquia (181 d.C.), e sua forma latina “trinitas”, por Tertuliano (220 d.C.). Entretanto, a crença na Trindade é muito mais antiga que isso como será visto mais à frente (THIESSEN, 2006, p. 87 – acréscimo nosso).

II  – O CONCEITO BÍBLICO DA TRINDADE

Segundo Andrade, Trindade é: “Doutrina segundo a qual a Divindade, embora una em sua essência, subsiste nas Pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo. As Três Pessoas são iguais na substância e nos atributos absolutos, metafísicos e morais” (2006, p. 349). Sobre esta doutrina podemos ainda fazer algumas considerações:

  1. Não contradiz a unidade de Deus. As Escrituras ensinam que Deus é um (Dt 4.35; 6.4; Is 37.16), contudo, a unidade divina é uma unidade composta de três pessoas, que são: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo (Mt 19; 1 Co 12.4- 6), que cooperam unidos em um mesmo propósito, onde não existe nenhum tipo de hierarquia ou superioridade entre eles; não se tratando também de três deuses (triteísmo) e nem três modos ou máscaras de manifestações divinas (unicismo), antes, são três pessoas, mas um só Deus. “Eu e o Pai somos um(Jo 10.30), “[…] se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (Jo 14.23).
  2. Não é invenção humana. Uma das objeções à doutrina da Trindade é que teria sido produzida pela mente humana, que é de origem pagã e foi imposta por um imperador pagão (Constantino) no Concílio de Nicéia em 325 d.C., que supostamente teria se tornado cristão, estabelecendo o Cristianismo como religião oficial do império. De acordo com Soares: “Esses argumentos das organizações contrárias à fé trinitária são falsos. O Concílio de Nicéia não tratou da Trindade; a controvérsia foi em torno da identidade Jesus de Nazaré”. A Trindade é uma doutrina com sólidos fundamentos bíblicos e, mesmo sem conhecer essa terminologia, os cristãos do período apostólico reconheciam essa verdade ( 2 Co 13.13; Ef 1.1-14; 1 Pd 1.2) (2017, pp. 37, 50).
  3. Não é irracional. A doutrina da unidade composta não é incoerente (Gn 2.24; 1 Co 6.17), ainda que seja chamada de um mistério porque vai além da razão, mas não é contra a razão, como foi dito acertadamente: “É conhecida apenas pela revelação divina, portanto não é assunto da teologia natural, mas da revelação” (GEISLER apude SOARES, 2017, 36). Sobre a possibilidade de entendermos a doutrina da Trindade, Grudem afirma: “[…] não é correto dizer que não podemos de forma alguma entender a doutrina da Trindade. Certamente podemos compreender e saber que Deus é três pessoas, que cada uma delas é plenamente Deus e que há somente um Deus. Podemos saber essas coisas porque a Bíblia as ensina” (2007, p. 126 – grifo nosso).

III – A SANTÍSSIMA TRINDADE NO ANTIGO TESTAMENTO

Embora a doutrina da Trindade não se encontre de forma desenvolvida no AT, acha-se implícita na revelação divina desde o início (DOUGLAS, 2006, p. 1356). Uma boa justificativa para que tal doutrina não seja claramente ensinada no AT, é dada por Pearlman (2009, p. 80) quando afirma: “num mundo em que o culto de muitos deuses era comum, tornava-se necessário acentuar para Israel a verdade de que Deus é um e que não havia outro além dele. Se no princípio a doutrina da Trindade fosse ensinada diretamente, ela poderia não ser bem compreendida nem bem interpretada”. Ainda que implicitamente no AT pode ser visto indícios dessa doutrina. Vejamos alguns exemplos:

  1. Na criação do Universo. Se levarmos em conta que a palavra hebraica “Elohim” (Gn 1.1) é um substantivo plural, concluiremos: a Santíssima Trindade encontrava-se ativa na criação do universo. Por conseguinte, quando a Bíblia afirma que no princípio Deus criou os céus e a terra, atesta: no ato da criação, estiveram presentes Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. O Pai criou o universo por intermédio do Filho (Jo 1.3), enquanto o Espírito Santo transmitia vida a tudo quanto era criado (Gn 1.2).
  2. Na aparição do Anjo do Senhor. A manifestação no Antigo Testamento do “Anjo do Senhor” (ou de Yahweh), é uma forte evidência a respeito da Trindade. “Vemos que esse Anjo, dependendo do contexto, não apenas se identifica com o próprio Senhor, como também é assim identificado por outros” (GUSTAVO, 2014, p. 22 – acréscimo nosso). Dentre tantas aparições destacamos ainda (Gn 16.9,13; 22.11,15,16; 31.11,13; Êx 3.2,4,6; Jz 13.20-22; Ml 3.1). Sendo sua identificação como divino ressaltada, por aceitar adoração que é destinada a Deus (Êx 3.2,4,5; Jz 13.21,22) (LANGSTON, 2007, p. 114).
  3. Na expectativa messiânica. A expectativa messiânica, que sempre foi um fator de consolação à alma hebreia, também revela a presença da Santíssima Trindade no AT (Sl 110.1,4). Em ambas as passagens, o autor sagrado, inspirado pelo Espírito Santo, mostra o Pai referindo-se ao Filho – Jesus Cristo (Mc 12.36; Hb 5.6). Um trecho que mostra, de maneira explícita e clara, a presença da Santíssima Trindade no AT é Daniel 7.13-14. Podemos ainda pontuar algumas passagens alusivas a referências proféticas sobre o Messias: “E, agora o Soberano, o SENHOR, me [o Messias] enviou, com seu Espírito” (Is 48.16). “O Espírito do Soberano, o SENHOR, está sobre mim [o Messias], porque o SENHOR ungiu-me para levar boas notícias aos pobres” (Is 61.1 ver Lc 4.18-21). Embora essas passagens não retratem especificamente um Deus em três pessoas, apontam nessa direção (RODMAN, 2011, p. 73).
  4. Na pluralidade de pessoas na Divindade. Já no Livro do Gênesis existe a indicação da pluralidade de pessoas no próprio Deus (Gn 1.1; 3.22; 11.7), podemos ainda encontrar uma série de passagens além dessas, que apontam para a mesma verdade (Is 6.8; 63.10), textos em que uma pessoa é chamada “Deus ou Senhor”, e ela se distingue de outra pessoa que também é identificada como “Deus” (Sl 45.6,7). De modo semelhante o salmista registra: Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés” (Sl 110.1). Jesus atesta que Davi está se referindo a duas pessoas separadas chamando-as “Senhor” (Mt 22.41-46), mas quem é o Senhor de Davi se não o próprio Deus? Da perspectiva do NT, podemos parafrasear esse versículo do seguinte modo: “Deus Pai disse a Deus Filho: Assenta-te à minha direita”. Diante disso, mesmo sem o ensino do Novo Testamento sobre a Trindade, fica claro que Davi estava consciente da pluralidade de pessoas em Deus (GRUDEM, 2007, 110).

IV – A SANTÍSSIMA TRINDADE NO NOVO TESTAMENTO

É  no  Novo  Testamento  que  encontramos  as  mais  claras  e  explícitas  manifestações  da  Santíssima Trindade. Notemos alguns registros onde se evidencia tão importante doutrina:

  1. No batismo e ministério de Jesus. Nessa clássica manifestação da Trindade (Mt 3.16,17), vemos uma das Pessoas (o Filho) submeter-se ao batismo, o Espírito Santo descer como pomba sobre Ele, e a Pessoa do Pai declarar o seu amor a Cristo atestando sua filiação. No monte da transfiguração vemos com clareza mais uma vez a pluralidade de pessoas (Mt 17.5; Mc 9.7,8).
  2. Na ascensão de Jesus. Já prestes a ser assunto ao céu, o Senhor Jesus Cristo, ao dar últimas instruções aos discípulos, declarou: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo(Mt 28.19). Pode ainda restar mais alguma dúvida acerca da Trindade?
  3. Na vida da Igreja Primitiva. Nos Atos dos Apóstolos, a Santíssima Trindade aparece operando ativamente, desde os primeiros versículos (At 1.1,2). Nesse livro, encontramos a Trindade na proclamação do Evangelho (At 5.32; At 10.38); no testemunho eficaz da fé cristã (At 7.55); no chamamento de obreiros (At 9.17); no Concílio de Jerusalém (At 15.1-35). Nas epístolas (Rm 14.17; 15.16; 2 Co 13.13; Ef 4.30; Hb 2.3,4; 2 Pd 1.16-21; 1 Jo 5.7) e também no livro do Apocalipse (Ap 1.1,2; 8,11).

V – ATRIBUTOS DIVINOS NAS PESSOAS DA TRINDADE

A Bíblia categoricamente específica que todas as pessoas da Trindade possuem a mesma essência possuindo os mesmos atributos. Vejamos alguns:

Atributos

Pai Filho Espírito Santo

Eternidade

Sl 90.2 Cl 1.17

Hb 9.14

Onipotência

Gn 17.1 Mt 28.18

1 Co 12.11

Onipresença

Jr 23.24 Mt 28.19

Sl 139.7

Onisciência

1 Jo 5.20 Jo 21.17

1 Co 2.10

Criador Gn 1.1 Jo 1.3,10

Jó 33.4

CONCLUSÃO

A doutrina da Santíssima Trindade é puramente bíblica, embora seja um mistério jamais será uma contradição. Como alguém sabiamente disse: “Se tentássemos entender Deus por completo, podemos perder a razão [mente], mas se não acreditarmos sinceramente na Trindade perderemos nossa alma!” (RAVI; GEISLER, 2014, p. 28).

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor Correia de. Dicionário Teológico.
  • GUSTAVO, Walber; GOMES, Leonardo. Doutrina da Trindade: desenvolvimento bíblico e histórico.
  • GRUDEM, Manual de Doutrinas Cristãs: Teologia Sistemática ao alcance de todos. VIDA.
  • LANGSTON, A.b. Esboço de Teologia Sistemática.
  • PERLMAN, Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. VIDA.
  • RAVI Zacharias; GEISLER, Norman. Quem criou Deus? REFLEXÃO.
  • THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

Deus, o primeiro Evangelista

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3º TRIMESTRE 2016

O DESAFIO DA EVANGELIZAÇÃO

Obedecendo o ide do Senhor Jesus de levar as Boas-Novas a toda criatura

COMENTARISTA: Pr. Jose Gonçalves

LIÇÃO 02 – DEUS, O PRIMEIRO EVANGELISTA – (Gn 12.1-8)

INTRODUÇÃO

Nesta lição, destacaremos que o Deus verdadeiro se auto revela de forma dúplice: natural e sobrenatural. A revelação natural se dá através da criação, da consciência e da história. Já a revelação sobrenatural se deu através da Bíblia – a Palavra escrita e de Jesus – a Palavra viva. O Registro Sagrado nos mostra que antes mesmo da Queda do homem, Deus, na sua presciência já havia criado o meio pelo qual o redimiria. Em seguida, no Éden, Ele fez a primeira proclamação profética evangelística anunciando a vinda do Redentor. Na ocasião em que se auto revelou a Abraão, proclamou-lhe o evangelho, preanunciando que através da sua semente abençoaria todas as famílias da terra. Esta profecia cumpriu-se quando da descendência abraâmica suscitou Jesus, o Messias, o Salvador dos judeus e dos gentios.

I – A AUTO REVELAÇÃO DIVINA

Deus transmite o conhecimento de Si próprio ao homem, ou seja, Ele se auto revela (Rm 1.20; I Co 2.10). O homem só pode conhecer a Deus na medida em que Este ativamente se faz conhecido. Deus é, antes de tudo, o sujeito que transmite conhecimento ao homem, e só pode tornar-se objeto de estudo do homem na medida em que este assimila e reflete o conhecimento a ele transmitido na revelação. Sem a revelação, o homem nunca seria capaz de adquirir qualquer conhecimento de Deus. A revelação divina se dá pelo menos de duas formas:

1.1 De forma natural. O método de revelação é natural quando esta é comunicada por meio da natureza, isto é, por meio da criação visível com suas leis e poderes ordinários. A revelação geral está arraigada na criação, é dirigida ao homem na qualidade de homem, e mais particularmente à razão humana, e acha seu propósito na concretização do fim da sua criação, conhecer a Deus e assim desfrutar comunhão com Ele (Sl 19; At 14.17; Rm 1.19,20; 2.14,15; I Co 2.10; Gn 6.1-17; 11.1-8; Dn 2.20,21).

1.1.1 Na criação.A existência do universo e do homem não pode ser obra do acaso e provam claramente a evidência de um Criador, dotado de inteligência e sabedoria. A própria natureza revela Deus (Sl 19; At 14.17; Rm 1.19,20).

1.1.2 Na consciência.O homem dispõe de natureza moral, isto é, sua vida é regulada por conceitos do bem e do mal. Ele é capaz de discernir entre o certo e o errado e Deus se revela na consciência aprovando ou reprovando seus atos. Quem criou, então, esses conceitos do bem e do mal? Deus, o Justo Legislador (Rm 2.14,15). Podemos, portanto, concluir que o próprio Criador, que também é Legislador, idealizou uma norma de conduta para o homem e deu-lhe condições de compreender esse padrão.

1.1.3 Na história. A história da humanidade, o surgimento e o declínio de povos e nações, o estabelecimento e a remoção dos reis e dos imperadores, demonstram claramente a revelação de um Rei Soberano, que governa o homem e o universo (Gn 6.1-17; 11.1-8; Dn 2.20,21).

1.2 De forma sobrenatural. O método de revelação é sobrenatural quando é comunicada ao homem de maneira mais elevada, sobrenatural, como quando Deus fala, quer diretamente, que por meio de mensageiros sobrenaturalmente dotados (Jr 1.4-8; Jz 6.12). A revelação especial está arraigada no plano de redenção de Deus, é dirigida ao homem na qualidade de pecador, pode ser adequadamente compreendida e assimilada somente pela fé, e serve ao propósito de assegurar o fim para o qual o homem foi criado a despeito de toda a perturbação produzida pelo pecado. Em vista do plano eterno de revelação, deve-se dizer que esta revelação especial não apareceu como um pensamento posterior, mas estava na mente de Deus desde o princípio (Ap 13.8).

1.2.1 Pela Palavra escrita: a Bíblia. A Bíblia é a revelação escrita de Deus ao homem, pois através dela Deus se fez conhecido (Jo 3.16). O conhecimento divino preservado nas Sagradas Escrituras, é posto à disposição da humanidade (Dt 8.3; Is 55.11; II Tm 3.16; Hb 4.12). Por ela, conhecemos seus atributos comunicáveis e incomunicáveis, dentre outras coisas (Sl 139.1-10; I Jo 4.8). Segundo o pastor Antônio Gilberto (2004, p. 06), “pela Bíblia, Deus fala em linguagem humana, para que o homem possa entendê-lo. Isto é, Deus, para fazer-se compreender, vestiu a Bíblia da nossa linguagem, bem como do nosso modo de pensar”.

1.2.2 Pela Palavra viva: Jesus. A mais completa forma da revelação especial de Deus encontra-se na encarnação de Jesus Cristo. A encarnação significa que Deus veio plena e pessoalmente a esfera humana, tomando-se acessível a percepção dos homens (Is 7.14; Jo 1.14). Jesus não era um mero mensageiro trazendo uma mensagem sobre Deus. Ele era o próprio Deus em forma humana. Na encarnação, Ele acrescentou a humanidade a sua divindade, sem deixar de ser Deus (Fp 2.5-9). A Bíblia mostra que Jesus Cristo é: (a) a maior revelação de Deus (Hb 1.1); (b) a expressa imagem de Deus (Hb 1.3; Cl 1.15); e, (c) nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Cl 1.19).

II – A REVELAÇÃO DIVINA A ABRAÃO

Abraão é um dos personagens mais marcantes da história bíblica. Era nativo da Caldeia. Por meio de Éber, estava na nona geração depois de Sem, filho de Noé. Seu pai foi Terá que teve dois outros filhos, Naor e Harã (Gn 11.11-32). Ele foi chamado por Deus para ser o pai dos judeus (Gn 12.1,2), povo de onde viria o Messias (Gn 12.3; Mt 1.1). A revelação divina ao patriarca se deu de forma dúplice, em palavra e ato, como veremos abaixo:

2.1 Deus falou com Abraão (Gn 12.1). A primeira forma da revelação divina a Abraão se deu de forma audível, como nos mostra a Escritura: “Ora, o SENHOR disse a Abrão[…]”. Deus é um ser que se comunica com o homem (Gn 1.29; 3.3; 6.13; 12.1-3; Êx 3.14). A expressão comunicar segundo o Aurélio significa: “Transmitir informação, dar conhecimento de; fazer saber” (FERREIRA, 2008, p. 513). Deus comunicou o que faria a Abraão e através dele. O Senhor prometeu-lhe uma terra, uma grande nação através dos seus descendentes, e uma bênção tal que alcançaria todas as nações da terra (Gn 12.2,3).

2.2 Deus apareceu a Abraão (Gn 12.7). A segunda forma da revelação divina a Abraão se de forma visível: “E apareceu o SENHOR a Abrão […]”. Confira também (Gn 17.1; 18.1). Houve nesta aparição o que os teólogos chamam de Teofania, que é a “manifestação de Deus, desde a voz até a imagem, perceptível pelos sentidos humanos” (CABRAL, 2006, p. 339). Segundo Merril (2009, p. 89), no chamado de Abraão pode-se ver algum indício da revelação por meio de visões e sonhos. O Senhor, após ordenar que Abraão deixasse Ur e, depois Harã por uma terra que mostraria a ele, apareceu para Abraão pela primeira vez em Siquém (Gn 12.7). A raiz “niphal” do verbo usado aqui “rã’ãh” sugere ao pé da letra que Deus se fez visível. Não é declarado como ele é visto e, talvez, por visto queira-se apenas dizer que ele falou como em tempos anteriores. No entanto, contra essa possibilidade está a ocorrência da mesma forma verbal em Gênesis 18.1, passagem na qual o Senhor aparece de forma tangível na pessoa do anjo do Senhor que, na verdade, é igualado ao Senhor mesmo (Gn 18.10,13,17,20).

III – COMO DEUS SE REVELA ATRAVÉS DE ABRAÃO

A importância do personagem histórico Abraão, se dá pelo fato de que é com ele que se inicia o grande projeto divino. O estudo da vida de Abraão reflete a história da existência da igreja, porque todos os fatos relacionados com o patriarca e seu povo revelam as nossas origens (Gl 3.6,7). O chamado de Abraão é o acontecimento mais importante do AT. Aqui tem início a obra da redenção, pensada e profetizada pelo próprio Deus (Ap 13.8; Gn 3.15).

3.1 Deus revela-se como único e verdadeiro Deus (Gn 12.1). Deus chamou Abrão do politeísmo (adoração a vários deuses) para o monoteísmo (adoração a um único Deus). “Ur dos Caldeus, a terra onde Abrão nasceu, foi uma das cidades-estados mais ricas já desenterradas das culturas mais antigas do vale da Mesopotâmia. O deus-lua Nanar era adorado ali, e um dos mais famosos reis de Ur foi Ur-Namu. Josué 24.2 declara que a família de Terá adorava ídolos” (BEACON, 2006, p. 57 – acréscimo nosso). Portanto, Abraão não conhecia o verdadeiro Deus e não havia feito nada para merecer conhecê-lo, mas, em sua graça, Deus o chamou.

3.2 Deus revela-se como aquele com o qual nos relacionamos pela fé (Hb 11.8-12). O relacionamento do patriarca Abraão com Deus se deu pela fé. O apóstolo Paulo diz que ele é: “[…] pai de todos os que creem […]”  (Rm 4.11). Portanto aqueles que mantêm sua fé em Cristo, o descendente de Abraão (Gl 3.16), tornam-se filhos de Abraão (Gl 3.6-9), assim como a multidão dos salvos pela fé tem Abraão como seu pai (Rm 4.17-18).

3.3 Deus revela-se como o Deus que não faz acepção de pessoas (Gn 12.2). A promessa feita a Abraão estende-se a judeus e gentios. Esta promessa não se estende apenas aos descendentes naturais de Abraão representados pelo “pó da terra” (Gn 22.17-b), mas também aos descendentes espirituais representados pelas “estrelas do céu” (Gn 15.5).

3.4 Deus revela-se como aquele que justifica o homem pela fé (Gn 15.6). A justificação aparece pela primeira vez na Bíblia num episódio com Abraão, quando ele acreditou nas promessas que Deus lhe fez e sua fé foi-lhe imputada como justiça. Se apenas o cumprimento pessoal da Lei fosse necessário para a justificação do ser humano perante Deus, ninguém seria salvo. No entanto, aqueles que creem no Senhor são justificados pela fé em Cristo, que foi o sacrifício perfeito oferecido a Deus pelo perdão dos pecados e resgate da humanidade. Esse sacrifício trouxe justificação e satisfez as justas exigências de Deus. Assim, para aquele que confia em Cristo, a fé lhe é imputada como justiça (Rm 3.23; 4.12; Gl 3.6).

CONCLUSÃO

Deus é o Deus que se auto revela. Sua revelação foi progressiva e teve o seu ponto culminante em Cristo Jesus. Ele que veio da semente da mulher, e da descendência de Abraão, foi manifestado para redimir a todos os homens independente de sua nacionalidade.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor Correa de. Dicionário Teológico. CPAD.
  • CABRAL, Elienai. Abraão: as experiências de nosso pai  na fé. CPAD.
  • HOWARD, R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon. Vol 01. CPAD.
  • MERRILL, Eugene H. Teologia do Antigo Testamento. SHEDD.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.  CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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A Criação dos Céus e da Terra

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4º TRIMESTRE 2015

O COMEÇO DE TODAS AS COISAS

Estudo sobre o livro de Gênesis

COMENTARISTA: Pr. Claudionor de Andrade

LIÇÃO 02 – A CRIAÇÃO DOS CÉUS E DA TERRA – (Sl 104.1-14)

 INTRODUÇÃO

A origem do Universo é um tema bastante discutido na sociedade hodierna. E como sempre, sua discussão se restringe apenas à algumas tentativas em vão de se explicar a origem através de teorias “blindadas” e repassadas como ciências exatas. Porém, a Bíblia é clara e taxativa em mostrar que tudo começou quando o Deus de amor iniciou a criação.

I – DEFINIÇÃO DE DEÍSMO E TEÍSMO

Na Bíblia o termo criar tem dois sentidos, no sentido de criação imediata e no sentido de criação mediata. Como criação imediata de Deus, entendemos o ato livre do Deus Trino pelo qual no princípio e para Sua glória, criou o universo sem usar material preexistentes, ou seja, criou do nada (do hebraico “barah”). Enquanto que a criação mediata nos fala da ação criadora a partir de material já existentes. A Bíblia nos mostra Deus na criação original do céu e da Terra (Is 40.26; 45.18; Is 43.5; 45.18; Jo 1.3; At 17.24; Rm 11.36) e de todos os homens (Sl 102.18; 139.13-16; Is 43.1,7). Em relação a ação criadora de Deus, temos duas posições diferentes. Vejamos:

1.1 Deísmo. “Doutrina que, apesar de admitir a existência do Supremo Ser (Deus), ensina não estar Ele interessado no curso que a história toma ou venha a tomar. Noutras palavras, de acordo com o deísmo, Deus limitou-se tão somente a criar-nos, abandonando-nos a seguir à própria sorte” (ANDRADE, 2006, p. 133).

1.2 Teísmo. “Doutrina que admite a existência de um Deus pessoal, Criador e Preservador de tudo quanto existe, e que, em sua inquestionável sabedoria, intervém nos negócios humanos relacionando-se com sua criação” (ANDRADE, 2006, p. 338). Este é o ponto de vista teológico que cremos (Jó 39; Mt 6.26). Nenhuma verdade científica da Bíblia jamais foi contraditada.

II – PRINCIPAIS TEORIAS ACERCA DA ORIGEM DO UNIVERSO

Há dois tipos principais de evolucionistas a saber: a) O evolucionista ateísta, é aquele que acredita que a criação é obra do acaso sem nenhuma participação de Deus, e b) O evolucionista teísta, é aquele que acredita que Deus criou todas as coisas, e a criação passou por um processo de evolução. Todavia, tanto o evolucionismo ateísta como o teísta, são confrontados com a verdade das Escrituras que diz que Deus criou o Universo, a Terra, as plantas, os animais e o homem que é a coroa da criação em seis dias (Gn 1 e 2). (ANDRADE, 2006, p. 185). Vejamos algumas teorias quanto a criação:

2.1 Big-Bang (teoria da grande explosão). Defende que tudo resultou de uma grande explosão aleatória e sem causa primária a bilhões de anos (evolução espontânea), e que, a partir daí, surgiram os mundos, as galáxias e tudo que existe sem a participação de um Ser criador. Mas, a Bíblia declara que todas as coisas foram criadas por Deus (Gn 1.1; Jo 1.10; Cl 1.16,17; Hb 11.2).

2.2 Teoria ateísta. Nega a existência de Deus e afirma que o universo é a totalidade de existência, e que existe por necessidade e por toda eternidade. Entretanto, a geologia e a astronomia tem demonstrado que houve grandes mudanças na Terra e no espaço sideral, mostrando com isso que a ordem presente não é eterna, ou seja, houve um tempo em que o Universo não existia (Hb 3.4). Vejamos ainda (Rm 1.19,20; Sl 19.1-10).

2.3 Teoria panteísta. Declara que Deus e a natureza são a mesma coisa e estão inseparavelmente ligados. O Senhor nada criou, mas tudo emana e faz parte dele, ou seja, Deus é tudo e tudo é Deus. Porém, a Bíblia afirma que o Criador não é parte do universo, e sim, este foi criado por Ele (Gn 1.1; At 17.24)

2.4 Teoria evolucionista. Ensina que a matéria é eterna e preexistente. A partir daí, mediante processos naturais e por transformação gradual, os seres passam a existir. Todavia, a Bíblia afirma que Deus criou todas as coisas (Jo 1.1-3).

III – PORQUE O CRIACIONISMO É BÍBLICO

O criacionismo é a doutrina segundo a qual tudo quanto existe foi criado unicamente por Deus. Vejamos porque o criacionismo é bíblico e deve ser aceito:

3.1 Porque é a única doutrina que explica a criação como um ato divino. O Trino Deus é o autor da criação (Gn 1.1; Is 40.12; 44.24; 45.12). A participação do Filho na criação é indicada pelos seguintes textos (Jo 1.3; 1Co 8.6; Cl 1.15-17); bem como a atividade do Espírito Santo (Gn 1.2; Jó 26.13; 33.4; Sl 104.8).

3.2 Porque é a única doutrina que explica a criação como um ato livre de Deus. A Bíblia nos ensina que Deus criou todas as coisas segundo o conselho de Sua vontade (Ef 1.11, Ap 4.11) e que Ele é auto-suficiente e não depende de Suas criaturas para exercer sua vontade criadora (Jó 22.2,3; At 17.24).

3.3 Porque é a única doutrina que defende a criação como um ato temporal de Deus. Deus criou o mundo “no princípio” da criação, o tempo passa a existir dentro da eternidade a partir da criação do mundo. Na Bíblia, aprendemos que o mundo teve um começo, ou seja, um início (Mt 19.4,5; Mc 10.6; Hb 1.10).

3.4 Porque é a única doutrina que defende a criação como um ato pelo qual o universo é produzido do nada . A Bíblia Sagrada declara que o universo foi criado a partir do nada (Gn 1.1) do hebraico “barah”, ou seja, o universo não foi criado a partir de material pré-existente, e esta verdade é ensinada nas passagens (Sl 33.6,9; e 148.5; Hb 11.3).

IV – A IMPORTÂNCIA DO CRIACIONISMO BIBLICO

A importância do criacionismo bíblico é que ele responde às perguntas fundamentais da existência humana. Como chegamos aqui? De onde viemos? Por que estamos aqui? Gênesis é o alicerce para o resto da Escritura, onde encontramos as respostas a estas questões. Gênesis tem sido comparado à raiz de uma árvore por ser a âncora da Escritura.

4.1 O criacionismo bíblico responde à questão da criação da raça humana. O texto de Gênesis 1.1 nos dá três grandes verdades que são os fundamentos do criacionismo bíblico e da fé cristã. Em primeiro lugar, Deus é um só. Isto está em contraste com o politeísmo dos pagãos e o dualismo da filosofia humanista moderna. Em segundo lugar, Deus é pessoal e existe fora da criação. Isso está em contraste com o panteísmo, onde Deus é visto como imanente, mas não transcendente. Em terceiro lugar, Deus é onipotente e eterno. Isto está em contraste com os ídolos que algumas pessoas adoram. Deus existia antes, agora, e sempre existirá – O Deus trino criou tudo o que existe a partir do nada (Gn 1.3; Jo 1.1-3; Rm 4.17).

4.2 O criacionismo bíblico responde à questão da condição da raça humana. Trata da queda do homem, mas também deixa-nos com a esperança de redenção (Gn 3.15; Rm 6.23). É importante que entendamos que estamos unidos em um homem – Adão, uma pessoa que realmente existiu. Se Adão não for uma verdadeira pessoa, então não temos nenhuma explicação plausível de como o pecado entrou no mundo (1Co 15.22). Adão é o cabeça da raça caída, e Cristo é o cabeça de uma raça redimida (Rm 5.18-19).

4.3 O criacionismo bíblico responde à questão da condição da raça humana após a morte. A última questão fundamental para a humanidade é o que acontece conosco quando morremos (Jó 14.1,2; Hb 9.27; Tg 4.13-15). Se o homem for apenas parte do universo evoluído e retornar ao pó quando morre, temos de afirmar que não temos alma ou espírito e que esta vida é tudo que existe. A moralidade de Deus define um padrão imutável que não só promove uma vida melhor para nós pessoalmente, mas também nos ensina a amar os outros e, por último, a trazer glória ao nosso Criador. Este padrão é exemplificado por Cristo. É através da Sua vida, morte e ressurreição que encontramos um propósito para esta vida e esperança de uma vida futura com Deus no céu (I Co 6.14; 15.20-22,52; II Co 4.14; I Ts 4.16).

V – A CRIAÇÃO DO UNIVERSO SEGUNDO A BÍBLIA

A Bíblia não discute o tema “evolução”, pois inicia afirmando que “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). O que evoluiria seria a ciência, as pesquisas, o saber (Dn 12.4). Ela não entra em detalhes sobre os assuntos postos acima. Apenas afirma. Não se preocupa em explicar, por exemplo, se os seis (6) dias da criação foram de vinte e quatro (24) horas como os de hoje. A seguir, vejamos alguns argumentos que reforçam a criação como é descrita na Bíblia:

5.1 A formação das espécies. A evolução prega que as espécies foram aparecendo de acordo com mutações nos seres iniciais, de acordo com a necessidade ambiental de sobrevivência. Hoje em dia, sabemos que existem variações dentro da mesma espécie. Por exemplo: vários cruzamentos genéticos em cães têm propiciado o aparecimento de novas raças. Mas continuam sendo cães. Não se conhece nenhum animal que devido a mutações mudou de espécie, simplesmente porque isso é impossível e a maioria das mutações leva seres vivos à morte (Gn 1.12 20-22).

5.2 As leis da Natureza. Todas as leis da física e da biologia têm total compatibilidade com o relato bíblico da criação, se houver o pressuposto de que num determinado momento todo o universo estava criado e maduro, e começou a validade das leis da natureza (Sl 19.1-4).

5.3 O Universo apareceu todo na semana da criação. Não existe nenhuma evidência de que esteja havendo evolução em todo tempo registrado. Os fósseis encontrados anteriormente, e ainda em nossos dias, indicam que os seres de outrora eram exatamente como os de hoje, ou seja, não existe nada sobre as espécies transitórias defendidas pela teoria da evolução.

5.4 A Origem da Vida. Conforme a teoria da evolução, o primeiro ser vivente surgiu da combinação de vários acontecimentos físicos e químicos. Pelo conhecimento atual a respeito deste assunto, sabe-se que o mecanismo necessário para proporcionar a vida desencadearia um processo de desintegração da célula criada logo a seguir. Isto está de acordo com a lei da Termodinâmica que explica sobre a tendência de desorganização dos sistemas organizados. Os evolucionistas pensam mais ou menos assim: Coloque todas peças de um relógio dentro de uma caixa e sacuda até que o mesmo seja completamente montado.

 CONCLUSÃO

A Bíblia Sagrada, a inerrante Palavra de Deus, e somente ela, tem a única, e mais lógica, explicação para a origem do Universo. Negar a existência de um Projeto inteligente, e de um Criador inteligente, é negar a própria lógica do Universo constatadas pela astronomia, física, pela química e por outras ciências. Cumpre-se o que diz, de modo eloquente, a Palavra de Deus: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anunciam as obras de suas mãos” (Sl 19.1).

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • KELLY, J.N.D. Introdução e Comentário. MUNDO CRISTÃO.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  • HOWARD, R.E et al. Comentário Bíblico. CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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Gênesis o Livro da criação Divina

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4º TRIMESTRE 2015

O COMEÇO DE TODAS AS COISAS

Estudo sobre o livro de Gênesis

COMENTARISTA: Pr. Claudionor de Andrade  

 LIÇÃO 01 – GÊNESIS, O LIVRO DA CRIAÇÃO DIVINA – (Gn 1.1-10,14,26)

INTRODUÇÃO

A lição do último trimestre de 2015 tem como título: O Começo de Todas as Coisas – Estudos sobre o livro de Gênesis, onde teremos a oportunidade de estudar treze lições baseadas no Gênesis – o primeiro livro da Bíblia. Nesta primeira lição, destacaremos informações importantes acerca deste livro, tais como: nome, autoria, data, estrutura, propósito, dentre outras coisas; veremos ainda qual a sua importância do ponto de vista: teológico, literário e histórico; e, por fim, pontuaremos a perfeita harmonia dos seus assuntos com o último livro da Bíblia – o Apocalipse.

I – INFORMAÇÕES SOBRE O LIVRO DO GÊNESIS

1.1 Nome. “No AT, a primeira palavra do texto, “bereshit”, “no princípio”, serve de título para o livro de Gênesis. Tomar a primeira frase ou palavra de uma obra literária para denominá-la era prática comum no antigo Oriente Próximo. A tradução grega chamada Septuaginta (Tradução do Antigo Testamento para o grego) igualou este termo de abertura com a palavra “gênesis”, que significa “origem ou fonte”. A palavra grega permaneceu em nossas versões bíblicas, porque descreve notavelmente bem o conteúdo do livro. É o livro dos começos: o começo do universo, do homem, do pecado, da salvação, da nação hebraica, da aliança com os homens” (BEACON, 2006, vol. 01, p. 25 – acréscimo nosso).

1.2 Autoria. “O AT afirma que o Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia) é de autoria de Moisés, o grande libertador no Êxodo que comunicou aos israelitas a revelação de Deus concernente a si mesmo e aos propósitos para o povo recentemente resgatado (Êx 17.14; 24.4; Nm 33.1,2; Dt 31.9; Js 1.8; 2 Rs 21.8). Embora não haja dúvida de que houvera uma tradição oral (e talvez escrita) contínua acerca das suas origens, história e propósito, foi Moisés que reuniu estas tradições e as integrou ao corpo conhecido por Torá, desta forma surgindo uma síntese abrangente e oficial” (ZUCK, p. 20 – acréscimo nosso). Sobre a autoria mosaica podemos acrescentar ainda que os escritores do NT estão de pleno acordo com os do AT. Falam dos cinco livros em geral como “a lei de Moisés” (At 13.39; 15.5; Hb 10.28). Para eles, “ler Moisés” equivale a ler o Pentateuco (II Co 3.15). Finalmente, as palavras do próprio Jesus dão testemunho de que Moisés é o autor (Jo 5.46; Mt 8.4; 19.8; Mc 7.10; Lc 16.31; 24.27,44).

1.3 Data e Estrutura. O livro do Gênesis foi escrito provavelmente por volta de 1445-1405 a.C. Ele se divide em duas partes: a primeira, do capítulo 1 ao 11, conta como Deus criou tudo o que existe, incluindo a raça humana. Encontram-se aqui as histórias de Adão e Eva, Caim e Abel, Noé e o dilúvio e a torre de Babel. A segunda parte, do capítulo 12 ao 50, conta a história dos patriarcas hebreus: Abraão, Isaque, Jacó e seus doze filhos que foram o começo das doze tribos de Israel. E o livro termina com a história de José, um dos filhos de Jacó, que fez com que os seus irmãos e o seu pai fossem morar no Egito.

1.4 Assunto. “O assunto geral é “o princípio de todas as coisas”. Porém à luz do tema da Bíblia toda, seu tema é: “Deus começa a redenção escolhendo um povo”. O livro do Gênesis abrange uma época muito longa; desde as primeiras origens das coisas até ao estabelecimento de Israel no Egito. O esquema do livro é o seguinte: (a) a criação (1-2); (b) a queda e suas consequências (3-4); (c) o dilúvio (5-9); (d) a dispersão das nações (10-11); e, (e) história patriarcal (12-50)” (HOFF, 1995, p. 13).

1.5 Propósitos. “O livro do Gênesis é a introdução à Bíblia toda. É o livro dos princípios, pois narra os começos da criação, do homem, do pecado, da redenção e da raça eleita. Tem sido chamado de “viveiro ou sementeiro da Bíblia” porque nele estão as sementes de todas as grandes doutrinas. Conquanto o Gênesis esteja estreitamente ligado aos demais livros do Antigo Testamento, relaciona-se mais ainda, em certo sentido, com o Novo Testamento. Alguns temas do Gênesis mal voltam a aparecer até que sejam tratados e interpretados no Novo Testamento. Incluem-se aí a queda do homem, a instituição do casamento, o juízo do dilúvio, a justiça que Deus imputa ao crente, o contraste entre o filho da promessa e o filho da carne, e o povo de Deus como estrangeiros e peregrinos” (HOFF, 1995, p. 13).

1.6 Cristologia em Gênesis. Esse livro dos princípios também anuncia a vinda de Cristo. Mesmo veladas a mente secular, essas referências sutis alertam os crentes para aquele que cumprirá a promessa final. Essas referências cristológicas aparecem na forma de profecias ou de tipos velados, tais como: (a) A semente da mulher (Gn 3.15). Um Filho de Eva (ou Maria) viria fatalmente ferir e ser temporariamente ferido pela “serpente” ou Satanás (Gl 4.4); (b) A semente de Abraão (Gn 12.3). Um descendente de Abraão viria abençoar todas as nações com a oferta da justificação pela fé (At 3.25; Gl 3.7-9); e, (c) O descendente de Judá (Gn 49.9,10). Um “Leão” da tribo de Judá seria levantado como o Soberano do mundo (Gn 49.9-10; Ap 5.5).

II – A IMPORTÂNCIA DO LIVRO DO GÊNESIS

2.1 Do ponto de vista Teológico. “O livro de Gênesis contém grande teologia e deve ser considerado o “começo de toda teologia”. Os principais conceitos de Deus como um ser supremo, onipotente e extremamente sábio são introduzidos neste livro. Gênesis oferece também um tratamento teológico às questões da origem do mundo, do homem, do pecado, e aos problemas da queda do homem do estado de graça, do plano de redenção, do julgamento e da providência divina. O livro narra como um remanescente da raça humana foi providencialmente poupado e preparado de maneira tal para permitir o crescimento do plano de redenção, sob a direção do Pai, para toda a humanidade” (CHAMPLIN, 2004, p. 05 – acréscimo nosso). Abaixo destacaremos algumas doutrinas que podemos encontrar neste livro:

ASSUNTOS TEOLÓGICOS

DEFINIÇÃO

REFERÊNCIAS

Teologia ou Teontologia

Doutrina de Deus

Gn 1.1; 1.11; 14-24

Antropologia

Doutrina do Homem

Gn 1.26,27

Hamartiologia

Doutrina do Pecado

Gn 3.6; 12-13; 23-24

Soteriologia

Doutrina da Salvação

Gn 3.15; 6.17-22; 19.17-21

Cristologia

Doutrina de Cristo

Gn 3.15; 12.3; 49.9-10

Escatologia

Doutrina das Últimas Coisas

Gn 3.15; 6.7; 19.13-26

2.2 Do ponto de vista Literário. “O livro de Gênesis é considerado uma das grandes obras literárias de todas as épocas. Seu autor descreve de maneira vigorosa as atividades de Deus como guia da criação e da história. As histórias individuais, verdadeiras obras-primas de narrativas interessantes e intensas, são entrelaçados inteligentemente, não prejudicando assim a unidade do tema. O livro segue um plano lógico e em geral evita detalhes desnecessários. Seus personagens são apresentadas não como figuras mitológicas, mas como seres humanos reais, passíveis de faltas e de virtudes. Quem escreveu Gênesis observou a vida de duas perspectivas: exterior e interior. Do lado exterior considerou as coisas materiais; do lado interior considerou os desejos, as ambições, as alegrias, as tristezas, o amor e o ódio” (CHAMPLIN, 2004, p. 05).

2.3 Do ponto de vista Histórico. A história jamais poderá ter sentido no seu meio e fim senão tiver um começo, uma gênese. Partindo dessa premissa podemos calcular a importância do livro do Gênesis para compreensão de toda a Bíblia. Negar a literalidade e a historicidade do que está escrito neste livro, desencadeará na completa demolição de todo o restante das Escrituras. Disse certo teólogo: “A maneira mais rápida de demolir um edifício é atingir sua fundação. Se esta pode ser destruída a estrutura cairá. Não é surpreendente que alguns dos ataques mais acirrados que a Bíblia já, sofreu tenham sido contra os seus primeiros capítulos. Se alguém pode ser persuadido a tirar páginas da Bíblia, pode-se dizer que, não demorará muito, o mesmo sucederá em relação as últimas” (HALLEY, 1998, p. 560). As referências no NT aos personagens e eventos do Gênesis autenticam a sua veracidade. Por exemplo: Adão foi um pessoa real (Gn 1.26; Mc 10.6; At 17.26; Rm 5.12); como também: Enoque (Jd 1.14); e, Noé (Mt 24.37; Hb 11.7; I Pe 3.20). O dilúvio e a destruição de Sodoma e Gomorra também são fatos confirmados (Mt 24.38,38; II Pe 2.5; 3.6; Lc 17.28; II Pe 2.8).

III – A PERFEITA HARMONIA ENTRE O LIVRO DE GÊNESIS E O DE APOCALIPSE

No livro do Gênesis (o primeiro livro da Bíblia) encontramos o início de muitos assuntos e no livro do Apocalipse (o último livro da Bíblia), em particular, narra o cumprimento destes. Abaixo destacaremos alguns destes assuntos:

GÊNESIS

APOCALIPSE

A serpente enganou o homem (Gn 3.13)

A serpente será condenada (Ap 20.2,10)

A terra foi amaldiçoada (Gn 3.17)

A terra será restaurada (Ap 21.1)

O caminho da árvore da vida foi vedado (Gn 3.24)

Será aberto o caminho a árvore da vida (Ap 2.7; 22.14)

CONCLUSÃO

O Senhor Deus, em sua excelente e inescrutável sabedoria, nos forneceu através de Moisés, o registro do início de todas as coisas a fim de nos revelar que Ele é o Criador e que tudo o que foi feito, se constitui numa amostra da Sua grande bondade e incompreensível amor.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. O Antigo Testamento Interpretado – Gênesis a Números. HAGNOS.
  • HALLEY, Henry H. Manual Bíblico. VIDA NOVA.
  • HOFF, Paul. O Pentateuco. VIDA.
  • ZUCK, Roy B. Teologia do Novo Testamento. CPAD.

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O Homem vestido de linho

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QUARTO TRIMESTRE DE 2014

INTEGRIDADE MORAL E ESPIRITUAL

O legado do livro de Daniel para a Igreja hoje

COMENTARISTA: Pr. Elienai Cabral

LIÇÃO 11 – O HOMEM VESTIDO DE LINHO – (Dn 10.1-6; 9,10,14)

INTRODUÇÃO
Veremos que os três últimos capítulos de Daniel constituem “uma unidade profética”, pois, não anunciam novos oráculos. Estes últimos capítulos (Dn 10 a 12), preenche os detalhes do futuro de Israel, concentrando-se no período do Anticristo e na questão relacionada com “as últimas coisas” a saber: a Grande Tribulação, a ressurreição dos mortos, as recompensas e os castigos finais. Estudaremos também a visão do homem vestido de linho, que é uma aparição de Cristo no Antigo Testamento.

I – INFORMAÇÕES SOBRE A VISÃO DE DANIEL CAPÍTULO 10
Os capítulos 10, 11 e 12 de Daniel faz parte da “última visão” do profeta Daniel. Como vimos em lições passadas, Daniel viveu tempo suficiente para ver a profecia de Jeremias se cumprir e o primeiro grupo de judeus exilados voltar para a terra e começar a reconstruir o templo. Se o profeta, como já estudamos em lições passadas, estava entre 14 a 17 anos quando foi levado para a Babilônia. Então na época desta visão, ele estava entre seus 80 e 87 anos, alguns sugerem 90. A visão foi dada no ano terceiro de Ciro (Dn 10.1), “dois anos após o retorno dos judeus à Palestina”. Ora, Ciro decretou o regresso dos judeus do Exílio no “primeiro ano do seu reinado” (Ed 1.1-5). Então o “terceiro ano de Ciro”, rei da Pérsia era (c. 536 a.C.). A restauração e a reconstrução do templo já começara (Ed caps. 1 ao 3), mas foi interrompido por pressão dos inimigos (Ed 4.4-5). Tais notícias devem ter ferido o coração de Daniel estimulando-o a buscar a face de Deus uma vez mais. “Naqueles dias eu, Daniel, estive triste por três semanas…” (Dn 10.2,3) (ADEYEMO et al, 2012, p. 1034).

II – ANALISANDO A REVELAÇÃO DE DANIEL
O fato de Daniel estar junto ao rio Hidéquel (rio Tigre) oferece-nos a razão dele não ter voltado a Jerusalém com os demais peregrinos. Aparentemente, esse retorno era impossível para Daniel, primeiro devido à sua idade, segundo por causa de suas ocupações como um dos administradores do império (Dn 6.1-3). É possível que sua presença no rio Tigre se devesse a negócios do governo, e aí o profeta vê em visão o próprio Filho de Deus na sua preencarnação (GILBERTO, 1984, p. 53), através de uma teofania, do grego “theos” Deus e “phania” manifestação em forma humana (cap. 10) (ANDRADE, 2006, p. 339). Daniel registrou o momento em que recebeu esta visão: “No dia vinte e quatro do primeiro mês, estando eu à borda do grande rio Tigre” (Dn 10.4). Analisemos esta visão:
2.1 A preocupação do profeta Daniel (Dn 10.1-3). Daniel havia jejuado, orado e não se ungiu com óleo durante três semanas enquanto buscava o Senhor. Um dos motivos para isso era, provavelmente, sua preocupação com os quase cinquenta mil judeus que haviam saído da Babilônia e viajado para sua terra natal a fim reconstruir o templo. Uma vez que Daniel tinha acesso a relatórios oficiais, sem dúvida ficou sabendo que o remanescente havia chegado em segurança em Jerusalém e que todos os tesouros do templo estavam intactos. Também deve ter ouvido que os homens haviam lançado os alicerces do templo, mas que o trabalho havia sofrido oposição e, por fim, parado (Ed 4). Sabia que seu povo estava sofrendo privações na cidade arruinada de Jerusalém e perguntou-se se Deus iria deixar de cumprir as promessas que havia feito a Jeremias (Jr 25.11, 12; 29.10-14) (WIERSBE, 2010, p. 368).
2.2 O duplo sentido dos 70 anos. É possível que Daniel não tivesse compreendido que a profecia dos setenta anos tinha uma aplicação dupla, primeiro para o povo e depois para o templo. Os primeiros judeus foram deportados para a Babilônia em 605 a.C., e os primeiros cativos voltaram em 535 a.C., exatamente setenta anos depois. O templo foi destruído pelo exército babilônio em 586 a.C., e o segundo templo foi completado e consagrado em 516 a.C., outro período de exatamente setenta anos. Daniel estava aflito para que a Casa do Senhor fosse reconstruída o quanto antes, mas não percebeu que Deus estava realizando seus planos com perfeição. As obras foram interrompidas em 536 a.C., continuaram em 520 a.C. e foram completadas em 516 a.C. Esse adiamento de dezesseis anos manteve tudo dentro do cronograma. (WIERSBE, 2010, p. 368).

III – UMA VISÃO EXTRAORDINÁRIA

3.1 O MOTIVO DO JEJUM DE DANIEL. “Naqueles dias eu, Daniel, estive triste por três semanas completas” (Dn 10.2). A razão do seu lamento e tristeza acompanhada de jejum é certamente explicada pela data mencionada no versículo 1: “No terceiro ano de Ciro”. É que por volta do terceiro ano de Ciro, a obra iniciada da reconstrução do templo, fora embargada (Ed 1-3; 4.4,5). Daniel, como patriota e membro da nação eleita, preocupava-se com o futuro de sua nação; como já vimos este exemplo na sua oração do capítulo 9. Contudo, havia ainda outro motivo para Daniel jejuar e orar: desejava entender melhor as visões e profecias que já havia recebido e ansiava por mais revelações do Senhor sobre o futuro de israel.

3.2 A DURAÇÃO DO JEJUM DE DANIEL. “Alimento desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca… até que se cumpriram as três semanas” (Dn 10.3). O presente versículo apresenta um jejum intensivo feito por Daniel por 21 dias. A perseverança do profeta na oração e no jejum por três semanas pela situação do povo em Jerusalém ocasionou a resposta divina (Dn 10.12). O israelita jejua quando está de luto (1Sm 31.13; 2Sm 1.12; 3.35), ou quando está em graves dificuldades e espera de Deus o auxílio de que necessita (2Sm 12.16; 1Rs 21.27; Sl 35.13). Também se jejua em preparação para receber a revelação de Deus, como bem pode ser depreendido do texto de Êx 34.28 e do presente texto, ou antes de um empreendimento difícil (Ed 8.21-23; Et 4.16) (SILVA, 1986, p. 187).

3.3 O TEMPO DO JEJUM DE DANIEL. “E no dia vinte e quatro do primeiro mês…” (Dn 10.4). Alguns pesquisadores defendem que três dias depois do fim de seu jejum de três semanas, Daniel teve uma visão assustadora quando estava à beira do rio. Já outros dizem que a expressão “no dia vinte e quatro do primeiro mês” quer dizer que Daniel iniciou esta abstinência no terceiro dia do mês e concluiu no 24º dia. O rio Hidéquel traz este nome que em assírio e grego corresponde ao rio Tigre. Era um dos rios que assinalavam a localização do jardim do Éden (Gn 4.2,14) (SILVA, 1986, p. 187).

3.4 A RESPOSTA DO JEJUM. “[…] o príncipe do reino da Pérsia”. (Dn 10.13). Esse “príncipe” não era de origem terrena, tratava-se de um anjo diabólico tão forte, que a vitória só foi decidida quando Miguel, o poderoso arcanjo, entrou em ação e assim a resposta da oração chegou a Daniel (Dn 10.13). Assim como Deus tem anjos que protegem nações, Satanás também tem os dele, que operam, mas a seu modo. Ao que parece, há anjos perversos específicos incumbidos nas diversas nações; que alguns estudiosos de angelologia chamam esses seres de “espíritos territoriais”. Esse anjo mau da Pérsia controlava os destinos desse país, mas foi desbancado pelos anjos de Deus. “E eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia” (v. 13) (GILBERTO, 1984, p. 55).

3.5 GABRIEL E MIGUEL: DOIS MENSAGEIROS DO SENHOR. “[…] e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me…” (v.13). A expressão “primeiros” é literalmente “principais”. Isto mostra que os anjos dividem-se em categorias, já a palavra “príncipe”, no hebraico “sor”, corresponde a “chefe; aquele que domina”. O arcanjo Miguel é anjo guardião de Israel (Dn 10.21; 12.1). A palavra “arcanjo” do grego “archangelos” significa “anjo principal”. O prefixo “arch” sugere tratar-se de um anjo chefe, principal ou poderoso. Na Bíblia Sagrada, mais precisamente em Judas v.9 e I Tessalonicenses 4.16, aparece a menção de apenas um arcanjo: Miguel. Seu nome em hebraico significa: “Quem é como Deus”. Nas Escrituras, Miguel é descrito como: o arcanjo (Jd v.9); o líder das hostes angélicas no conflito com Satanás e os seus anjos maus (Ap 12.7); um dos primeiros príncipes (Dn 10.13); “vosso Príncipe” (Dn 10.21); e o grande príncipe, “defensor dos filhos do teu povo” (Dn I2.I). Gabriel, cujo nome quer dizer “homem de Deus” ou “herói de Deus”. Significa, também, “o poderoso”, evidenciando o que o nome sugere (GILBERTO et al, 2008, p. 454,455).

IV – A DESCRIÇÃO DO HOMEM VESTIDO DE LINHO
Se considerarmos como dizem alguns teólogos que esse “homem vestido de linho” dos versículos 5 ao 9 é o mesmo ser que tocou e falou com Daniel nos versículos 10 a 15, então, teríamos de optar por Gabriel ou algum outro anjo, pois é impossível que Jesus precisasse da ajuda de Miguel para derrotar um anjo perverso como está escrito no versículo 13. Contudo, o ser que tocou Daniel e que falou com ele nos versos 10 a 15, não foi o mesmo “homem vestido de linho” que lhe apareceu na visão anterior. A descrição do “homem vestido de linho” assemelha-se a descrição do Cristo glorificado que encontramos em (Ap 1.12-16), e a reação de João frente a este homem “E, eu, quando vi, caí a seus pés como morto…” (Ap. 1.17) foi a mesma de Daniel “… e não ficou força em mim; e transmudou-se em mim a minha formosura em desmaio, e não retive força alguma” (Dn 10.5). Esse homem em ambas referências era o Cristo pré-encarmado, pois a linguagem é semelhante nestes dois livros e as características também são as mesmas (Dn 10.5-9; comparar com (Ap 1.12-20). O ponto de vista da maioria dos estudiosos da escatologia bíblica, é que de fato, é a pessoa de Jesus no livro de Daniel. A vestimenta de linho fino, a veste celeste, os lombos cingidos de ouro puro, o seu corpo luzente como berilo, o rosto como um relâmpago, os olhos como tochas de fogo, os braços e os pés luzentes e como se fossem de bronze polido, e a voz como a voz de muitas águas, são características INERENTES EXCLUSIVAMENTE ao Filho de Deus e não de algum anjo seu.

CONCLUSÃO
Vimos que apesar de ter vivido durante oito décadas numa terra pagã, Daniel manteve seu coração e sua vida puros diante de Deus. Orava para que o remanescente que habitava em Jerusalém fosse um povo santo para o Senhor, a fim de que fossem abençoados em seu trabalho.

REFERÊNCIAS

ADEYEMO, Tokunboh. Comentário Bíblico Africano. Mundo Cristão.
GILBERTO, Antonio. Daniel & Apocalipse. CPAD.
_______________. et al. Teologia Sistemática. CPAD.
SILVA, Severino Pedro da. Daniel versículo por versículo. CPAD.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento. Vol. IV. Geográfica.

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As setenta semanas

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QUARTO TRIMESTRE DE 2014

INTEGRIDADE MORAL E ESPIRITUAL

O legado do livro de Daniel para a Igreja hoje

COMENTARISTA: Pr. Elienai Cabral

LIÇÃO 10 – AS SETENTA SEMANAS – (Dn 9.20-27)

INTRODUÇÃO
Em Daniel 9.3-27 vemos a oração do profeta, para que Deus desse inicio ao regresso de seu povo, do cativeiro Babilônico. Diante do clamor insistente de Daniel, Deus lhe envia um mensageiro angélico com a resposta da sua petição, mostrando-lhe o panorama profético, por Deus estabelecido para restaurar completamente a nação de Israel.

I – O CENÁRIO HISTÓRICO DA PROFECIA
“No ano primeiro de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus” (Dn 9.2). “A expressão “No primeiro ano de Dario […] constituído sobre o reino dos caldeus”, nos mostra que Daniel não o confunde com Ciro. Ele (Dario) não era constituído rei sobre o império medo-persa, mas apenas sobre a Babilônia. Este registro histórico data aproximadamente de 539-538 a.C. sessenta e sete anos depois de Daniel ter sido levado no verão de 605 a.C.; cerca de cinquenta e nove anos do começo do cativeiro do Rei Jeoaquim (II Cr 36.9,10; Ez 1.1); um pouco menos que cinquenta anos a partir da destruição final de Jerusalém em 586 a.C. Isto explica o interesse de Daniel em Jerusalém (Dn 9.2). Ele imaginou que o tempo já estava sendo contado” (MOODY, sd, p. 57).

II – A ATITUDE DE DANIEL ANTE O TÉRMINO DO CATIVEIRO DE JUDÁ
O texto de Daniel capítulo 9 nos mostra que o profeta desejou compreender melhor a vontade de Deus a cerca do povo de Israel. Para tanto, ele resolveu tomar duas sábias decisões:
2.1 Examinou a profecia a cerca da restauração do povo (Dn 9.2). “Daniel possuía uma biblioteca, cujos livros ele estudava. Ele menciona aqui, no versículo 2, as profecias de Jeremias. A profecia de Jeremias, em apreço, diz: “Toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto; estas nações servirão ao rei de Babilônia setenta anos. Acontecerá, porém, que, quando se cumprirem os setenta anos, castigarei a iniquidade do rei de Babilônia…” (Jr 25.11,12). Esse rei de que fala a profecia já fora castigado (Dn 5). Daniel considerava então que já estava no tempo para terminarem as “assolações de Jerusalém”, a qual continuava destruída” (GILBERTO, 2010, p. 45 – acréscimo nosso) .
2.2 Daniel intercedeu pela restauração do seu povo (Dn 9.3). A oração, na vida de Daniel, era um costume regular. No seu aposento de janelas abertas, na direção de Jerusalém, ele podia ser encontrado orando três vezes por dia (Dn 6.10). “Nesse tempo desta oração, quase setenta anos que Daniel fora levado para o cativeiro. Ele tinha mais de oitenta anos de idade, e breve iria “pelo caminho de toda terra”. Mas o coração ainda ardia pela revificação espiritual da obra do Senhor, pelo retorno do povo de Deus à terra da promessa, pela reedificação da cidade querida e pela reconstrução do seu Templo em ruínas” (BOYER, p. 73, 2009).

III – CONSIDERAÇÕES ACERCA DAS SETENTA SEMANAS REVELADAS A DANIEL
3.1 O sentido da profecia. A profecia das setenta semanas foi dada a Daniel, esta diz respeito ao futuro IMEDIATO e ESCATOLÓGICO de Israel. Enquanto Daniel, orava, no período de três da tarde (Dn 9.21), um anjo, chamado Gabriel, foi enviado por Deus para lhe entregar uma mensagem explicativa “Daniel, agora saí para fazer-te entender o sentido” (Dn 9.22-b). “O anjo apresenta a profecia no sentido completo, e depois mostra a Daniel as suas divisões (Dn 9.24), que são vistas nos versos 25 a 27. A recomendação a Daniel feita pelo anjo “considera, pois, a palavra, e entende a visão” (Dn 9.23-b), foi, sem dúvida, por tratar-se de uma profecia cujo tema era de alcance muito vasto; ela alcança séculos e milênios. Entre os hebreus, em lugar da palavra “semana” usava-se a palavra “shabua”. Em hebraico “shabua” significa, literalmente, um “sete”. Pode ter o sentido de um “sete” de dias como também um “sete” de anos. Precisamente nesta profecia tem o sentido profético de anos e não de dias (Nm 14.34; Ez 4.6) Assim sendo, estas “setenta semanas” são setenta “grupos de sete anos”, ou seja, 490 anos (SILVA, 1986, p. 178 – acréscimo nosso).
3.2 O porque deste tempo de castigo. A Bíblia nos mostra que Deus puniu o seu povo com o cativeiro por pelo menos dois motivos: (1) eles haviam dado as costas ao Senhor e serviram aos ídolos (Jr 3.13; 18.11; 19.13; 25.5,6; 35.15); e, (2) os setenta anos de cativeiro sobre a nação foi para “que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da desolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram” (2 Cr 36.21). “Deus ordenou a Israel, no deserto, que trabalhasse seis dias em sete e, semelhantemente, seis anos em sete (Êx 20.9,10; Lv 25.1-7). A guarda do sábado a risca foi observada por Israel logo no deserto, e um homem foi morto porque o violou (Nm 15.32-36). A segunda ordem de Deus para que se guardasse o ano sabático só entraria em vigor com a entrada da nação na terra prometida (Lv 25.2-4) Isto significa que todo o “tempo pertence a Deus”. Durante esse ano de repouso, a terra não era lavrada, o fruto era livre, e a confiança do povo em Deus era provada. Aprendemos de Deuteronômio 31.10-13, que este ano era empregado para dar instrução religiosa ao povo. Durante os 490 anos da monarquia, esta lei não foi observada, como devia ter sido por 70 vezes. Por isso, foram dados ao povo 70 anos de cativeiro” (SILVA, 1986, p. 166).

IV – CRONOGRAMA JUDAICO DOS ACONTECIMENTOS PROFÉTICOS ACERCA DE ISRAEL
Além do cronograma gentio (Dn 2;7;8), Daniel também recebeu um cronograma judaico dos acontecimentos proféticos sobre Israel (Dn 9). Essas profecias são muito mais exatas quanto aos anos e dias, e localizam os acontecimentos principais da redenção e restauração de Israel. Esta profecia é o futuro de Israel no plano de Deus.

70 SEMANASV – O QUE ACONTECERÁ COM ISRAEL DURANTE A ÚLTIMA SEMANA DE 7 ANOS
“Essas semanas tratam das provações e sofrimentos pelos quais Israel terá de passar antes que o seu Libertador apareça, para que, como diz o final do versículo 24 da profecia em estudo, os pecados de Israel tenham fim, e para trazer a justiça eterna. Estas “semanas” não se referem à Igreja, mas a Israel. “Sobre o teu povo [o povo de Daniel], e sobre a tua santa cidade” (a cidade de Jerusalém – v. 24)” (GILBERTO, 2010, pp. 48,49). Nesse período seriam realizados os seguintes seis importantes eventos (Dn 9.24): (a) “fazer cessar a transgressão”. Esta declaração indica por fim à rebelião secular de Israel contra Deus. Israel crucificou o Messias quando Ele chegou ao mundo, e consequentemente foi castigado. Sua incredulidade será transformada em fé à Segunda Vinda de Cristo, quando essa nação aceitará Jesus como Messias. Toda a nação “nascerá de novo” (Rm 11.25-29; Is 66.7-10; Ez 36.24-30); (b) “dar fim aos pecados”. Isto é, por um ponto final aos muitos pecados e à rebelião de Israel, evento que se realizará depois da Tribulação (Ez 36.24-30; 37.24-27; 43.7; Zc 14.1-21); (c) “expiar a iniquidade”. Realizar a expiação em favor desse povo espiritualmente perverso. Isso aconteceu na cruz do Calvário em favor do mundo todo, mas Israel, como nação, até hoje não se valeu dessa maravilhosa providência divina. Mas à vinda de Cristo, Israel se arrependerá dessa atitude (Zc 13.1-7; Rm 11.25-27); (d) “trazer a justiça eterna”. Isto é, a justiça que Cristo proveu pela morte na cruz (Is 9.6,7; 12.1-6; Dn 7.13,14,18,27; Mt 25.31-46; Rm 11.25-27); (e) “selar a visão e a profecia”. Isto é, chegar ao cumprimento das profecias concernentes a Israel e Jerusalém. Todos conhecerão ao Senhor, desde o menor até ao maior deles (Jr 31.34; Is 11.9); e, (f) “ungir o Santo dos Santos”. Está claro que isto significa a purificação do lugar santíssimo do templo dos judeus e a cidade de Jerusalém dos efeitos da “abominação da desolação” e demais sacrilégios praticados pelos gentios durante a Tribulação. Incluirá também a consagração do templo milenial previsto em (Ez 40-43; Zc 6.12,13).

CONCLUSÃO
Através das visões concedidas a Daniel, aprendemos que Deus não desistiu de Israel. Pelo contrário, ele tem estabelecido um plano onde irá restaurar física, moral e espiritualmente o seu povo escolhido, cumprindo assim as suas palavras anunciadas através dos seus santos profetas.

REFERÊNCIAS
· ANDRADE, Claudionor Correia de. Dicionário de Escatologia Bíblica. CPAD.
· GILBERTO, Antonio. Daniel & Apocalipse. CPAD.
· OLSON, Nels Laurence. O plano divino através dos séculos. CPAD.
· PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody: Daniel. Editora Batista Regular.
· SILVA, Severino Pedro da. Daniel versículo por versículo. CPAD.
· STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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