O processo da Salvação

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4º TRIMESTRE 2017

A OBRA DA SALVAÇÃO

Jesus Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida

COMENTARISTA: Claiton Ivan Pommerening

LIÇÃO 10 – O PROCESSO DA SALVAÇÃO – (Jo 3.1-7)

INTRODUÇÃO

Nesta lição falaremos sobre quais as benesses aplicadas na vida do que pecador, quando este recebe a salvação concedida por Deus por meio de Cristo Jesus; trataremos dos aspectos da salvação, a saber: justificação; regeneração e santificação, mostrando especificamente o que são, como ocorrem, onde ocorrem e quais os seus frutos.

I – ASPECTOS DA SALVAÇÃO

A Bíblia não somente fala da providência da salvação como também da sua aplicação na vida do pecador arrependido. Pensar a respeito desse assunto nos leva a considerar a “ordo salutis” expressão latina que significa “ordem da salvação”, que é uma ordem lógica e não cronológica na qual experimentamos o processo de passar de um estado pecaminoso para o da plena salvação. Segundo o Pr. Antonio Gilberto (2008, p. 340) “a salvação no seu sentido objetivo, diante de Deus, não tem tempos, mas aspectos ou lados. Vejamos cada um destes aspectos separadamente:

  • A justificação. É a mudança de posição externa e legal do pecador diante de Deus: de condenado para justificado. Pela justificação passamos a pertencer aos justos. Justificação é o tempo passado da nossa salvação, mas sempre presente em nossa vida espiritual (1 Co 6.11; Rm 3.24; 5.1; G1 2.16) (GILBERTO, 2008, p. 340).
  • A regeneração. É a mudança de condição do pecador. É o milagre que se dá na vida de quem aceita a Cristo, tornando-o participante da vida e natureza divinas (1 Pe 1.3,23; 2 Pe 1.4; 1 Jo 3.9; 5.18). Através da regeneração, conhecida também como conversão e novo nascimento o homem passa a desfrutar de uma nova realidade espiritual” (ANDRADE, 2006, p. 317 – acréscimo nosso).
  • A santificação. É a mudança de caráter. É um processo presente e contínuo por parte dos crentes, a fim de se tornarem semelhantes a Cristo (1 Co 1.2; 6.11; Hb 10.10; 12.14; 1 Pe 1.15,16; Ap 22.11). A santificação é o processo pelo qual Deus retira de nós o pecado de forma real (GEISLER, 2010, pp. 149,211).

II – A JUSTIFICAÇÃO DO PECADOR

Deus criou o homem justo, no entanto, quando Adão caiu tornou-se injusto, bem como todos os homens (Ec 7.20; Sl 51.5; 14.3; 143.2; Rm 5.18,19). Nessa condição, o ser humano não tinha condições de preencher os requisitos perfeitos da justiça divina, estabelecidos na Lei, visto que se tornou carnal (Rm 7.14). No entanto, Deus providenciou uma forma de tornar o homem justo aos Seus olhos, mediante o sacrifício de Cristo (2 Co 5.18-21).

  • Como se recebe. Jesus ensinou que o homem é declarado justo diante de Deus não por obras, mas por fé (Lc 18.10- 14). Na prática absolveu o ladrão que estava a sua direita, que embora estivesse naquela condição porque seus feitos mereciam (Lc 23.41), professou arrependimento e fé na Pessoa de Jesus (Lc 23.42), e foi absolvido imediatamente (Lc 23.43). Depois de Jesus, Paulo foi o maior divulgador desta verdade. Ele ensinou que é no evangelho que se revela a justiça de Deus pela fé (Rm 1.17). Para o apóstolo, se constitui numa “boa nova” tanto para o judeu quanto para o grego saber que o homem pode ser declarado justo pela fé depositada em Jesus Cristo (Rm 3.21-24,28; 5.1; Gl 2.16; 3.24). Portanto, o homem é justificado pela fé e pela fé somente “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei” (Rm 28).
  • Como ocorre. A Bíblia apresenta Deus como justo, mas também como justificador (Rm 3.26). A base da justificação só pode ser encontrada na justiça perfeita de Cristo, imputada ao pecador na justificação e apropriada pela fé (Rm 3.24; 5.9,19; 8.1; 10.4; 1Co 1.30; 6.11; Fp 3.9). Na justificação, Cristo não apenas tira de nós a nossa iniquidade, mas também nos reveste com a sua própria justiça (At 26.18; Rm 5.1-2; 1 Co 1.30; 2 Co 5.18-21; Gl 4.5). A justificação é uma necessidade para que o pecador arrependido tenha certeza absoluta de que está salvo, seguro, aceito por
  • Onde ocorre. A justificação do pecador não se dá diante de tribunais humanos, pois estes não oferecem perdão. Ela ocorre diante de Deus que declara justo, um pecador arrependido, considerando que a justiça de Cristo lhe foi imputada (Rm 8.33,34). Jesus disse: “[…] quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24). Paulo também afirmou isso (Rm 8.1-a). Por isso, o julgamento que os crentes redimidos irão passar se refere ao Tribunal de Cristo onde serão avaliadas as nossas obras praticadas depois de salvos (Rm 14.10; 2 Co 5.10). Estamos livres de estarmos no Juízo do Trono Branco, pois nele só comparecerão os ímpios para serem condenados por causa dos seus pecados (Ap 11-15).
  • Quais os frutos. O apóstolo Paulo descreve os frutos da justificação (Rm 5.1-12), os quais são: (a) paz com Deus (Rm 5.1); (b) acesso a graça (Rm 5.2); (c) esperança da glória (Rm 5.2-b); (d) salvo da ira (Rm 5.9); (e) reconciliação (Rm 5.10,11); e, (f) glorificação (Rm 5.10-a).

III – A REGENERAÇÃO DO PECADOR

Dentre as consequências que o pecado trouxe ao homem, a principal delas, foi a morte espiritual (Gn 2.16,17; 3.2,3; Rm 6.23). A morte espiritual é a separação espiritual de Deus (Is 59.2). Todo descendente de Adão, ou seja, toda pessoa nascida de forma natural desde o tempo da Queda, também está espiritualmente morto. Diante de tal situação espiritual de morte, faz-se necessário o homem nascer espiritualmente de novo. Portanto, a regeneração é uma necessidade universal (Jo 3.3,5). É por meio do novo nascimento que a imagem de Deus é restaurada no homem, o Espírito Santo passa a residir nele, produzindo as virtudes de Cristo, a medida que este se deixa conduzir pelo Espírito (Gl 5.22).

  • Como se recebe. Paulo diz que o homem não regenerado “está morto em delitos e pecados” (Ef 2.1,5). Vale salientar que essa “morte” não é a incapacidade de corresponder ao chamado de Deus, mas a separação espiritual da presença dEle (Rm 3.23). Paulo disse que o homem nessa condição não compreende as coisas de Deus (1 Co 2.14). O pecador só pode ser vivificado, quando exposto a pregação da Palavra que ilumina o seu entendimento (Ef 1.18; 6.4; 2 Co 6.4), até então obscurecido pelo pecado (Ef 4.18) e pelo diabo (2 Co 4.4). No entanto, mesmo sendo iluminado, a pessoa pode optar por aceitar ou rejeitar o plano da salvação (Mt 16.24; Jo 7.37; Ap 17).
  • Como ocorre. A palavra regeneração no grego é “palinginesia” formada da expressão pálin”, “novamente”, e “génesis”, “nascimento”, significa portanto “novo nascimento”. Segundo Beacon (2006, p. 49 – acréscimo nosso) a palavra traduzida como “de novo” é “anothen”, que tem vários significados e um deles é: “de cima”. Portanto, este nascimento é de cima e não de baixo, não é físico, mas espiritual (Jo 1.13; 1 Pe 1.23). Esta operação é realizada por meio de dois instrumentos: (a) a Palavra de Deus (Jo 3.5; 1 Pe 1.23; Tg 1.18); e, (b) o Espírito Santo (Jo 3.8; Tt 5).
  • Onde ocorre. A regeneração é um ato interno, ela acontece no interior do pecador. Segundo Macgrath (2010, p. 525) “a regeneração altera a natureza interior do pecador”. A Bíblia emprega várias figuras de linguagem para descrever o que acontece no novo nascimento (Dt 30.6; Jr 24.7; Ez 11.19; 36.26,27). Nestas passagens bíblicas o novo nascimento é comparado a uma “cirurgia interior”. Deixando claro que a regeneração é um ato divino operado pelo Espírito Santo no espírito do homem (Gl 5.16,17; Cl 3.5; 1 Pe 2.11; 2 Pe 1.4; 1Jo 3.9; 18).
  • Quais os frutos. Embora a regeneração seja um ato interno, esta mudança interior, gera uma notável e visível mudança exterior. Eis alguns resultados do novo nascimento, segundo a Bíblia Sagrada: (a) o crente agora é nova criatura em Cristo e tudo se fez novo (2 Co 5.17); (b) o crente agora pratica atos de justiça (1 Jo 2.29); (c) o crente já não pratica o pecado como estilo de vida (1 Jo 3.9; 5.18); e, (d) O crente agora ama a Deus e ao homem (1 Jo 4.7; 18).

IV – A SANTIFICAÇÃO DO PECADOR

Quando caiu, Adão, perdeu a santidade que lhe foi comunicada por Deus (Gn 1.26; Ec 7.20). Seu caráter foi manchado pelo pecado. Todavia, a nova natureza implantada por ocasião do novo nascimento, leva o homem a agir, pensar, falar, e andar em santidade, não de forma mecânica, mas em cooperação com a sua vontade (Gl 5.16).

  • Como se recebe. Assim como as demais etapas da salvação, a santificação também é recebida pela fé (At 26.18). Jesus compartilhou a Sua santificação para os seus (Jo 17.19). Paulo, por sua vez, asseverou também que a santificação de Cristo nos foi concedida (1 Co 30).
  • Como ocorre. Como o pecado atingiu o homem em todas as áreas: espírito, alma e corpo, se fazia necessário também que a santificação atingisse todo o seu ser (1 Ts 5.23). Biblicamente esta santificação ocorre de duas formas:
    • Santificação posicional (imputação). Deus nos conferiu santificação de forma posicional: “em Cristo” (1 Co 1.2; 6.11; Ef 1.4; Fp 1.1; 4.21; Cl 1.2). A santificação sob este aspecto é perfeita, completa e instantânea “em Cristo”, mediante a fé (At 18). Ela ocorre por ocasião do novo nascimento, sendo simultânea com a justificação (1 Co 6.11; G1 2.17-a).
    • Santificação progressiva (cooperação). A santificação também faz parte de um processo, que envolve a participação humana (Ap 22.11). Por isso, diversas vezes encontramos o verbo santificar no imperativo, indicando uma ordem divina ao homem (Lv 20.7,26; 2 Tm 2.21; Hb 12.14; Tg 4.8; 1 Jo 3.3). Esta santificação é possível mediante o sangue de Cristo (1 Jo 1.7); o Espírito Santo (Rm 8.1; 1 Co 6.11; 1 Pe 1.22); e, a Palavra de Deus (Sl 119.9; Jo 17.17).
  • Onde ocorre. A santificação deve ocorrer em “todo o vosso espírito, e alma, e corpo” (1 Ts 5.23). Isso significa que devemos ser santos em nosso viver, e em nossa conduta — isto é, em nosso caráter, internamente —, e em nosso proceder, externamente (1 Pe 1.15).

CONCLUSÃO

A salvação é uma dádiva divina que quando aplicada ao pecador lhe proporciona a justificação (mudança de posição); a regeneração (mudança de condição); e, a santificação (mudança de caráter).

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. CPAD.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

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A obra salvífica de Jesus Cristo

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4º TRIMESTRE 2017

A OBRA DA SALVAÇÃO

Jesus Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida

 

COMENTARISTA: Claiton Ivan Pommerening

LIÇÃO 05 – A OBRA SALVÍFICA DE JESUS CRISTO – (Jo 19.23-30)

INTRODUÇÃO

Estudaremos nesta lição os quatro aspectos da obra salvífica de Jesus, a saber: substitutiva, redentora, reconciliadora e propiciatória; pontuaremos também os resultados desta grande obra salvadora; e por fim, veremos quais as condições para obra salvífica de Jesus na vida do homem apontando a “ordem da salvação” a partir do sinergismo bíblico.

I – ASPECTOS DA OBRA SALVÍFICA DE JESUS

A palavra “salvação” vem da tradução da expressão grega “soterion” que significa: “ser tirado de um perigo; livrar-se; escapar”. A Bíblia fala da salvação como libertação do perigo de uma vida sem Deus (At 26.18; Cl 1.13). A palavra “salvação”, também tem o sentido de “tornar ao estado perfeito”, ou “restaurar o que a Queda causou”. A salvação, portanto, é um dom de Deus (Rm 6.23) concedido por sua graça (Rm 5.15), e que se destina a todos os homens (Jo 3.16,17; Tt 2.11). Podemos considerar quatro significados principais para essa obra salvífica de Jesus. Notemos:

  • A obra salvífica de Jesus foi substitutiva. Quando o homem caiu e se afastou de Deus, ficou em débito eterno para com Deus. O homem, por si só não poderia resolver seu problema ou pagar sua dívida diante de Deus, a não ser que um “substituto” fosse providenciado, o que está fora do alcance do homem conseguir. Essa atividade, dentro da Teologia, é chamada de “expiação vicária”, que pode ser entendida como “substituição penal” (2Co 5.14, 15,21). A Bíblia ensina que os sofrimentos e a morte de Cristo foram vicários por todos os homens, pois Ele tomou o lugar dos pecadores, e que a culpa deles lhes foi “imputada” e a punição que mereciam foi transferida para Ele (Lv 1.2-4; 16.20-22; 17.11; Is 53.6,12; Mt 20.28; Mc 10.45; Jo 1.29; 11.50; Rm 5.6-8; 8.32; 2Co 5.14, 15, 21; Gl 2.20; 3.13; 1Tm 2.6; Hb 9.28; 1Pd 2.24) (RYRIE, 2017, p. 331).
  • A obra salvífica de Jesus foi redentora. A redenção é um aspecto da morte de Cristo sobre a cruz, que é ligado ao pecado e restrito em seu significado. Como substituição tem o sentido de assumir a culpa, a redenção tem sentido de pagar essa culpa assumida. Ou seja, a redenção é aplicada no que diz respeito ao pecado e o débito que ele causa, que pode apenas ser pago com sangue (Hb 9.22 cf. Lv 17.11). Logo, para que o preço de pecado pudesse ser pago, era necessário derramamento de sangue de um cordeiro sem máculas (Jo 1.29; cf. Is 53.9; 1Pd 2.21-22). A ideia expressa nesse contexto é de prover liberdade através do pagamento de um resgate (Rt 3.9; Os 3.15; Is 43.3,10-14). Cristo é o Redentor da Raça humana e a ideia expressa é de comprar (Mt 13.44, 46; 14.15; Mc 6.36; Lc 9.13; cf. Gn 41.57, 42.5,7; Dt 2.6). “Por que fostes comprados por preço”. A ideia presente neste texto aponta para uma compra de alto valor (1Co 7.23). Assim, podemos concluir que essa compra implicou no pagamento de um preço alto (2Pd 2.1), que é o sangue do próprio Messias (Ap 5.9,10). Assim, por meio do pagamento, o redimido é desatado e está livre (CHAFER, 2010, vol.3, p. 99).
  • A obra salvífica de Jesus foi propiciatória. Deus demonstra sua justa ira para com o pecado (Jo 3.36; Rm 1.18-32; Ef 2.3; 1Ts 2.16; Ap 6.16; 14.10,19; 15.1,7; 16.1; 19.15), de forma que, qualquer que seja a atitude desse Deus absolutamente Santo contra o pecado, é completamente justo e aceitável, pois, devido a seu caráter Santo, não pode deixar impune o mal, nem tão pouco fingir que ele não existe, ou que não tem importância. Contudo, em Cristo é providenciada uma oferta “propiciatória” e assim a ira de Deus contra o pecado é apaziguada (Rm 3.25; 1Jo 2.1-2; 4.10 cf. Êx 25.17-22; Lv 16.14.15) (CHAFER, 2010, p. 99).
  • A obra salvífica de Jesus foi reconciliadora. A ideia de reconciliação é completamente neotestamentária, e só pode ser real por meio da Obra de Cristo. A reconciliação é necessária pelo fato de que o homem sem salvação vive em uma relação de inimizade e hostilidade com Deus (Rm 5.9,10; 2Co 5.18-21), e, como inimigo de Deus está plenamente passível de sofrer a manifestação de sua Ira. Vemos que Deus propõe uma resolução para esse problema por meio da morte do Senhor Jesus. Assim, fomos aproximados a Deus, pois Cristo mudou completamente nosso estado anterior de inimizade e substituiu por um de Justiça e de completa harmonia com Deus (Rm 11.15; 2Co 5.18-21; Ef 2.16; Cl 1.20-21).

II – RESULTADOS DA OBRA SALVÍFICA DE JESUS

Diante dos principais significados da Obra de Cristo a nosso favor é necessário demonstrar que tal Obra tem consequências diretas àqueles que são beneficiados por ela. Vejamos:

  • Justificação. Do grego “dikaiosis”, significa “declarar justo”. A expressão “justificar” carrega o sentido de declarar justo diante de Deus o pecador. Isso não significa que uma pessoa, ao ser declarada justa, seja absolutamente sem falhas, mas que a partir desse momento ela é posicionalmente justa, ou livre de culpa do pecado. “A justificação é o pronunciamento do juiz justo de que o homem em Cristo é justificado; mas esta justiça é uma questão de relacionamento, e não de caráter ético”. A Justificação é um empreendimento do próprio Deus, e aparece como um ato da livre graça de Deus, pela qual Ele perdoa todos os nossos pecados, e nos aceita como justos à sua vista, somente pela justiça de Cristo, imputada a nós, e recebida pela fé somente. É notório que existe uma ligação entre a Justificação e a Lei, por conseguinte com um Juiz, pois Deus não é apenas o legislador, mas o Justo Juiz (2Tm 4.8; Tg 5.9). Logo, o sentido forense da expressão está completo. Diante do Juiz, o justificado tem acesso pela fé a esta graça (Rm 5.2; 9.30), desfruta de um relacionamento de paz com Deus (Rm 5.1) e implica na demonstração de uma conduta concernente com a Nova Posição (Rm 6.7; Tg 2.24) (LADD, 2000, p. 414).
  • Regeneração. Deriva-se do grego “palingenesia” e significa: “gerar novamente” ou “nascer de novo”. É o milagre que acontece na vida daquele que recebe a Cristo, tornando-se participante da vida e da natureza divina. Através da regeneração, ou novo nascimento como também é conhecida, o homem passa a desfrutar de uma nova vida espiritual (Jo 3.1-8; Tt 3.5; 2Pd 1.4; 1Jo 5.11) e torna-se uma nova criatura (2Co 5.17; Cl 3.10). O resultado da regeneração é a mudança de condição – de servo do pecado e do Diabo para filho de Deus (Jo 1.12,13; 3.3; Tt 3.5).
  • Santificação. Santificação é a obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, habilitados a morrer cada vez mais para o pecado e a viver para a retidão. Santificação é o estado de ser separado permanentemente para Deus, e aflora desde a cruz, onde Deus, em Cristo, nos comprou e nos conduziu para Ele (At 20.28; 26.18; Hb 10.10). Santificação implica em renovação moral (Rm 8.13; 12.1-2; 1Co 6.11, 19-20; 2Co 3.18; Ef 4.22-24; 1Ts 5.23; 2Ts 2.13; Hb 13.20-21). O conceito correto de santificação repousa sobre uma tensão muito grande: É uma obra da graça de Deus, mas exige busca pessoal do cristão. Uma ênfase demasiada no primeiro lado dessa tensão, conclui-se que a santificação é passiva. Da mesma sorte, uma ênfase demasiada no segundo lado dessa tensão, a santificação passa a ser encarada com um grau meritório, e fruto apenas do esforço humano, o que é impossível. Por isso, deve-se admitir que a santificação é uma obra sobrenatural (1Ts 5.23; Ef 26; Tt 2.14; Hb 13.20, 21) da qual o cristão participa ativamente (Gl 5.16,25; Fp 2.12,13; Rm 8.13; 12.1,2,9,16,17).
  • Adoção. Adoção era ordinariamente de homens jovens de bom caráter, que se tornavam os herdeiros e mantinham o sobrenome dos ricos sem filhos. Porém, o NT proclama a adoção corteza de Deus a pessoas de mal caráter para se tornar os herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo (Rm 15,17; Gl 3.26, 27; 4.5,6; 1Jo 3.1). Em uma cerimônia legal, ao filho adotado era concedido todos os direitos de um filho natural. Não existe dignidade suficiente no homem que o faça merecer tão graciosa obra da salvação (Ef 1.5; Gl 4.5; Rm 8.15) (ENNS, 1998, p. 35). Segundo Hendriksen, a adoção vai ainda um pouco além, pois: “ela outorga não apenas um novo nome, um novo status legal e uma nova relação familiar, mas também uma nova imagem, a imagem de Cristo (Rm 8.29)”. O adotado não tem nenhum mérito pela escolha do “adotador”, pois a soberania divina exclui com eficácia qualquer mérito (Gl 3.26; 4.4-7). O status de adotado pertence a todos que recebem o Cristo por livre escolha (Jo 1.12). Adoção e regeneração acompanham um ao outro como dois aspectos da salvação (Jo 1.12-13) (FOULKES, sd, p. 41).
  • Glorificação. Do grego “endoxazo” significa: “ato ou efeito de glorificar”. No plano da salvação, a glorificação é a etapa final a ser atingida por aquele que recebe a Cristo como Salvador e Senhor de sua alma (Rm 8.17). No plano da salvação, a glorificação é a etapa final a ser atingida por aquele que recebe a Cristo como Salvador e Senhor de sua alma. O texto de ouro de nossa glorificação encontra-se em 1 João 3.2, que diz: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos”. A Glorificação é o estágio final da salvação e é aplicado a todos os salvos incondicionalmente (1 Co 15.51-54).

III – ETAPAS PARA A OBRA SALVÍFICA DE JESUS

A salvação é um processo de sinergismo, do grego “syn” (união, junção) e “ergía” (unidade de trabalho), que significa um trabalho realizado em conjunto. Da perspectiva da doutrina da salvação é a afirmação de que Deus e o homem “cooperam” para a salvação. Existe um amplo fundamento bíblico em favor do sinergismo, ou seja, de que Deus e homem cooperam para a salvação pessoal, ou seja, que dádiva (Deus) e esforço (homem) estão presentes. As Escrituras apresentam a fé, o arrependimento e a conversão como condições da salvação (Mc 16.16; At 2.38; 3.19; 16.31; 22.16). A “ordo salutis” (ordem de salvação) é o nome latino que se dá a organização lógica e cronológica. Vejamos o significado de cada uma delas:

  • Fé. No hebraico significa “buscar refúgio”, é um ato de crer e confiar (Rt 2.12), se apoiar (Sl 56.3), esperar (Jó 35.14). Já no Novo Testamento, a fé é a “condição estabelecida por Deus a todos aqueles que se aproximam de Deus”. “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6). Fé é um dom de Deus (Rm 12.3, 2Pd 1.1), e no lado humano a fé é produzida pela Palavra de Deus (Rm 14,17; Jo 5.47; At 4.4). “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8).
  • Arrependimento. É a forma de perceber e depois mudar de mente ou propósito. No grego “metanóia” significa uma mudança de ideia, é ter a tristeza pelo ato de pecar, buscando arrepender-se e com o esforço de não mais praticá-lo. Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento(Lc 5.32). Arrependimento era a mensagem dos profetas no AT (Dt 30.10; 2Rs 17.13), também foi o ponto alto da pregação de João Batista (Mt 3.2; 4.17; Mc 1.15), de Jesus Cristo (Mt 4.17; Lc 13. 3,5), dos apóstolos (Mc 6.12; At 2.38; 3.19). O arrependimento é definitivamente uma ordem a todos os homens (At 2.38; 3.19; 17.30).
  • Conversão. É o ato de abandonar o pecado, buscando viver uma vida de regeneração e transformação pelo Poder de Deus. “Testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (At 20.21). A Salvação foi planejada por Deus Pai (Ap 13.8 e 1Pd 1.18-20), o Filho consumou-a (Jo 19.30 e Hb 5.9), e o Espírito Santo aplicou ao pecador (Jo 3.5; Tt 3.5 e Rm 8.2), e tudo por graça (Ef 2.8).

CONCLUSÃO

A obra salvífica de Cristo custou um alto preço ao nosso Senhor – seu próprio sangue derramado na cruz. Sua obra nos garante a salvação porque foi uma oferta completa, perfeita e definitiva. Por causa dessa entrega de amor, temos a garantia da vida eterna e, antecipadamente, podemos desfrutar, neste mundo, dos benefícios dessa salvação.

REFERÊNCIAS

  • GILBERTO, ,    et    al.     Teologia    Sistemática Pentecostal. CPAD.
  • HORTON     M.    Teologia    Sistemática:    Uma Perspectiva Pentecostal. CPAD.
  • STAMPS, D. C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • RYRIE, Charles. Teologia Básica. Mundo Cristão.
  • CHAFER, Lewis Sperry, Teologia Sistmática.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

A necessidade do novo nascimento

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 07 – A NECESSIDADE DO NOVO NASCIMENTO – (Jo 3.1-12)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição definiremos o termo bíblico “novo nascimento”; destacaremos porque se faz necessário que o pecador seja regenerado; pontuaremos que este ato espiritual só pode ser experimentado por meio da Palavra de Deus e da ação do Espírito Santo; e, por fim, elencaremos alguns resultados práticos na vida daquele que teve esta experiência.

I – O QUE É O NOVO NASCIMENTO

Teologicamente o “novo nascimento” ou “regeneração” é “o milagre que se dá na vida de quem aceita a Cristo, tornando-o participante da vida e da natureza divinas. Através da regeneração o homem passa a desfrutar de um nova realidade espiritual” (ANDRADE, 2006, p. 317 – acréscimo nosso). A palavra regeneração no grego é “palinginesia” formada da expressão pálin”, ‘novamente’, e “génesis”, ‘nascimento’, significa portanto: “novo nascimento”. O Pastor Eurico Bergstén (2016, p. 174) diz que “a regeneração ou novo nascimento significa o ato sobrenatural em que o homem é gerado por Deus (1 Jo 5.18) para ser seu filho (Jo 1.12) e participante da natureza divina (2 Pe 1.4)”. A doutrina da regeneração é bíblica e foi  ensinada por  Jesus e pelos seus santos apóstolos (Jo 3.3,7; 2 Co 5.17; Gl  6.15; Jo 1.12.13;     Ef 2.1,5; Cl 2.13; Tt 3.5; Tg 1.18; 1 Pe 1.23). A Bíblia destaca algumas verdades sobre isso. Vejamos:

  • Um ato A desobediência humana recebeu como sentença a morte, tanto física quanto espiritual (Gn 2.16,17; Ez 18.4; Rm 6.23; Ef 2.1,5). Essa morte espiritual implica na separação da presença de Deus (Rm 3.23). Portanto, “morto espiritualmente” o homem necessita “nascer de novo” espiritualmente para ter comunhão com Deus. Por isso, no discurso de Jesus com Nicodemos o Mestre lhe diz: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.5). Segundo Beacon (2006, p. 49 – acréscimo nosso) a palavra traduzida como “de novo” é “anothen”, que tem vários significados e um deles é: “de cima”. Acerca disso Wilmington (2015, pp. 362,363) diz que: “o Messias estaria, então, dizendo que o único requisito para viver nesta terra é ter um nascimento físico; igualmente, o único requisito para viver um dia nos céus é ter um nascimento espiritual”. Esse “nascer do Espírito” em nada tem a ver com a reencarnação, que é um ensinamento que não encontra apoio nas Escrituras (2 Sm 12.21-23; Hb 9.27). Aliás, Nicodemos perguntou se a regeneração era vir de novo a vida fisicamente, voltando ao ventre materno (Jo 3.4). Jesus respondeu dizendo “o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6).
  • Um ato Os profetas predisseram este ato sobrenatural (Dt 30.6; Jr 24.7; Ez 11.19; 36.26,27). Embora o Antigo Testamento tenha em vista a nação de Israel, a Bíblia emprega várias figuras de linguagem para descrever o que acontece no novo nascimento. Nestas passagens bíblicas o novo nascimento é comparado a uma “cirurgia interior”. Deixando claro que a regeneração é um ato divino operado pelo Espírito Santo no espírito do homem. Segundo Macgrath (2010, p. 525) “a regeneração altera a natureza interior do pecador”.
  • Um ato instantâneo e distinto. Diferente da santificação que é um processo, a regeneração é um ato instantâneo. A palavra “instantâneo” segundo o Aurélio significa: “que se dá num instante; rápido; súbito” (2004, p. 1113). O apóstolo Paulo nos diz: “assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é […]” (2 Co 5.17). É bom destacar também que a regeneração é uma etapa da salvação distinta da justificação, da santificação e da glorificação. A ordem segue-se assim: primeiro “o pecador é declarado justo” (justificação); em seguida “ele é feito justo” (regeneração); depois “ele vai se tornando justo” (santificação); e, por fim, ele “será perfeitamente justo” (glorificação).

II – A NECESSIDADE DO NOVO NASCIMENTO

Deus criou os seres humanos em um estado de perfeição: “Deus fez ao homem reto” (Ec 7.29-a). Uma das perfeições que Deus concedeu ao homem foi o poder do livre arbítrio (Gn 2.16). O primeiro casal fez uso da liberdade que desobedecer a Deus (Gn 3.1-6). O que seguiu-se a este mau uso da liberdade humana foi um estado de pecaminosidade, do qual não podemos escapar e reverter sem o auxílio divino. Dentre as consequências que o pecado trouxe ao homem, a principal delas, foi a morte espiritual (Gn 2.16,17; 3.2,3; Rm 6.23). A morte espiritual é a separação espiritual de Deus    (Is 59.2). Como toda a humanidade estava representada em Adão, quando ele caiu em transgressão, também toda a humanidade caiu com ele. O apóstolo Paulo deixa isso bem claro quando assevera: “por um homem entrou o pecado […] por isso que todos pecaram” (Rm 5.12). Confira também: (Rm 2.10-12; 3.23; 5.13-16). Geisler (2010, p. 104) acrescenta dizendo: “todo descendente de Adão — toda pessoa nascida de pais naturais desde o tempo da Queda — também está espiritualmente morto”. Diante de tal situação espiritual de morte, faz-se necessário o homem nascer espiritualmente de novo. Portanto, a regeneração é um imperativo (Jo 3.3,5).

  • Sem o novo nascimento o homem permanece morto espiritualmente. Paulo diz que o homem não regenerado “está morto em delitos e pecados” (Ef 2.1,5). Vale salientar que essa “morte” não é a incapacidade de corresponder ao chamado de Deus, mas a separação espiritual da presença dEle (Rm 23). Paulo disse que o homem nessa condição não compreende as coisas de Deus (1 Co 2.14). O pecador só pode ser vivificado, quando exposto a pregação da Palavra que ilumina o seu entendimento (Ef 1.18; 6.4; 2 Co 6.4), até então obscurecido pelo pecado (Ef 4.18) e pelo diabo (2 Co 4.4). No entanto, mesmo sendo iluminado, a pessoa pode optar por aceitar ou rejeitar o plano da salvação (Mt 16.24; Jo 7.37; Ap 22.17).
  • Sem o novo nascimento, o homem não tem acesso ao Reino de Deus. Por melhor que seja uma pessoa, ela não pode produzir sua salvação (Is 64.6; Tt 3.5). Jesus declarou ao religioso Nicodemos três vezes que “é necessário nascer de novo” (Jo 3.3,5,7). Moody (sd, p. 18) diz que esta “não é simplesmente uma exigência pessoal, mas universal”. Segundo o Mestre, o novo nascimento é necessário porque: (a) sem ele o homem não pode ver o Reino de Deus (Jo 3.3); e, (b) tampouco entrar nele (Jo 3.5). O homem do jeito que está não pode ter acesso ao Reino de Deus, pois é “filho da ira por natureza” (Ef 2.3); e andando na carne não pode agradar a Deus (Rm 8.8). Somente quando nasce de novo, este homem é criado em verdadeira justiça e santidade requeridas por Deus para que tenha acesso ao Reino (Ef 24).

III – COMO SE DÁ O NOVO NASCIMENTO

O novo nascimento não é produzido pelo próprio homem, nem pela religião, centros de ressocialização ou  qualquer outro meio terreno. Abaixo destacaremos os meios pelos quais o homem pode ser regenerado:

  • Pela Palavra de Deus. O Mestre Jesus ensinou que o novo nascimento é operado através da Palavra de Deus “Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água […], não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3.5). A água de que fala o Senhor é meramente um símbolo de purificação, como ensinava o Logo, esta água aqui é símbolo da Palavra (Jo 15.3; Ef 5.26) e não as águas do batismo. O batismo em si não pode lavar pecados nem regenerar o pecador. Na verdade a Palavra de Deus é a divina semente (1 Pe 1.23) e o agente purificador (Jo 15.3; 17.17). Quando ela é aplicada em nosso coração pelo Espírito Santo, acontece o milagre do novo nascimento. É o que Tiago nos diz: “[…] ele nos gerou pela palavra da verdade […]” (Tg 1.18). A expressão “palavra da verdade” refere-se ao Evangelho (2 Co 6.7; Cl 1.5; 2 Tm 2.15). Normalmente no NT, o vocábulo “palavra” indica a mensagem cristã. O uso mais comum é “palavra de Deus” (At 6.2; 8.14; 13.46; Rm 9.6; 1 Co 14.36; Ef 6.17; 2 Tm 2.9).
  • Pelo Espírito Santo. A regeneração é mencionada nas Escrituras como uma ação do Espírito. No AT os profetas falaram dessa atividade do Espírito Santo (Is 32.15; Ez 36.27; 37.14; 39.29; Zc 12.10). Jesus disse a Nicodemos que o homem precisa “nascer da água e do Espírito” (Jo 3.5). O apóstolo Paulo também ensinou isto (Ef 4.24; Tt 3.5). O Espírito Santo esteve presente na criação do homem (Gn 2.7; Jó 33.4); de igual modo está presente na recriação deste homem (Jo 3.5; 20.22). A menção ao vento, aludindo a atividade do Espírito mostra que se trata de algo sobrenatural (Jo 3.8). Veja também (Ez 37.9; At 2.2). Zuck (2008, p. 220) é categórico ao afirmar que “alcança-se a regeneração apenas por intermédio da obra do Espírito Santo, não por meio de qualquer esforço humano”.

IV – RESULTADOS DO NOVO NASCIMENTO

Embora a regeneração seja um ato interno, esta mudança interior, gera uma notável e visível mudança exterior. Acerca disso afirmou Pastor Antônio Gilberto (2008, p. 186): “o novo nascimento abrange a regeneração e a conversão, que são dois lados de uma só realidade. Enquanto a regeneração enfatiza o nosso interior, a conversão, o nosso exterior. Quem diz ser nascido de novo deve demonstrar isso no seu dia-a-dia”. Vejamos alguns resultados do novo nascimento, segundo a Bíblia Sagrada:

  1. O crente agora é nova criatura em Cristo e tudo se fez novo (2 Co 17);
  2. O crente agora pratica atos de justiça (1 Jo 29);
  3. O crente já não pratica o pecado como estilo de vida (1 Jo 3.9; 18);
  4. O crente agora ama a Deus e ao homem (1 Jo 4.7; 18);
  5. O crente agora afirma corretamente a divindade de Jesus Cristo (1 Jo 1);
  6. O crente agora é protegido contra o maligno (1 Jo 18);
  7. O crente agora pode vencer este mundo perverso (1 Jo 4).

CONCLUSÃO

O pecado atingiu o homem e o destituiu da glória de Deus. Todavia, Deus tomou a iniciativa de restaurar a comunhão outrora perdida com o homem, através do evangelho, que iluminando o entendimento humano, pode vivificá-lo, transformar o seu interior e levá-lo a ser participante da natureza divina.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Novo Dicionário da Língua Portuguesa. POSITIVO.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.
  • MCGRATH, Alister E. Teologia sistemática, Histórica e Filosófica.
  • MOODY, L. Comentário Bíblico de João. PDF.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

Gerados pela palavra da verdade

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TERCEIRO TRIMESTRE DE 2014

Fé e obras

Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica

 

COMENTARISTA: Pr. Eliezer de Lira e Silva

LIÇÃO 04 GERADOS PELA PALAVRA DA VERDADE – (Tg 1.9-11,16-18)

INTRODUÇÃO
O evangelho tem o poder de fazer o pecador ser transformado em uma nova criatura (II Co 5.17). Em Tiago 1.18 vemos o apóstolo, ensinar que a Palavra de Deus é o instrumento usado para promover essa transformação radical no homem. Nesta lição, traremos uma definição da palavra “regeneração” e quais os instrumentos que a produz; destacaremos qual a importância dessa intervenção divina na vida humana; e também sobre qual deve ser o comportamento daqueles que passaram por essa experiência sobrenatural.

I – A DOUTRINA DA REGENERAÇÃO
Em Tiago 1.18 o apóstolo nos fala sobre uma das doutrinas que compõe a soteriologia (doutrina da salvação) que é a regeneração. A palavra regeneração no grego é “palinginesia” formada da expressão “pálin”, “novamente”, e “génesis”, “nascimento”, significa portanto “novo nascimento”. É o “milagre que se dá na vida de quem aceita a Cristo, tornando-o participante da vida e natureza divinas. Através da regeneração, conhecida também como conversão e novo nascimento o homem passa a desfrutar de uma nova realidade espiritual” (ANDRADE, 2006, p. 317 – acréscimo nosso). “A regeneração transfere o individuo de sua condição de pecado e morte espirituais para um estado renovado de santidade e de vida. É nessa mesma linha que a Bíblia fala sobre o individuo regenerado como “nova criatura” (II Co 5.17). De acordo com Paulo (Gl 6.15), o que realmente importa é ser uma nova criação. Por isso, o crente é exortado a se revestir “do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.24). O novo nascimento também é descrito como uma “geração” (Tg 1.18), e como uma “vivificação” (Jo 5.21 e Ef 2.5). Do crente é dito que ele é um “ressurreto dentre os mortos” (Rm 6.13), e também que ele é “feitura de Deus” (Ef 2.10)” (CHAMPLIN, 2004, p. 613). Abaixo destacaremos quais os dois instrumentos divinos que promovem o novo nascimento:
1.1 A Palavra de Deus. O Mestre Jesus ensinou que o novo nascimento é operado através da Palavra de Deus “Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não NASCER DA ÁGUA […], não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3.5). A água a que Jesus se refere aqui é símbolo da Palavra (Jo 15.3; Ef 5.26). A Palavra de Deus é a divina semente (I Pe 1.23). Quando ela é aplicada em nosso coração pelo Espírito Santo, acontece o milagre do novo nascimento. É o que Tiago nos diz: “Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas” (Tg 1.18). A expressão “palavra da verdade” refere-se ao evangelho (II Co 6.7; Cl 1.5; II Tm 2.15). Normalmente no NT, o vocábulo “palavra” indica a mensagem cristã. O uso mais comum é “palavra de Deus” (At 6.2; 8.14; 13.46; 18.11; Rm 9.6; I Co 14.36; Ef 6.17; II Tm 2.9).
1.2 O Espírito Santo. “Quando se referia à regeneração, João, o apóstolo, sempre a descreveu como um nascimento da parte de Deus (Jo 1.13). Destaca-se nisso a origem do novo nascimento, na atividade do Espirito Santo. E a menção ao vento mostra que se trata de algo sobrenatural (Jo 3.8). As ideias de “novidade”, de “regeneração” e da “origem sobrenatural do Espírito” aparecem em Tito 3.5, onde se lê que a salvação ocorre “mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo”. Tendo estado morta em suas transgressões e pecados (Ef 2.1,5), cega e indiferente para com as realidades do Espirito de Deus (I Co 2.14), incapaz de fazer OBRAS MERITÓRIAS da salvação (II Tm 1.9; Tt 3.5), a pessoa, embora até então corrompida pelo pecado, é recriada em Cristo Jesus” (CHAMPLIN, 2004, p. 613 – acréscimo nosso).

II – A IMPORTÂNCIA DO NOVO NASCIMENTO
“O pecador, antes, escravizado pela própria carne, agora, pelo novo nascimento, tornou-se um filho de Deus (Jo 1.12), um ser liberto, súdito do Reino de Deus (Jo 3.5; Ef 2.19). Tudo aconteceu porque o Espírito Santo agora habita nele (I Co 3.16; 6.19; Rm 8.9), e exerce domínio sobre ele, o que deu origem à transformação do seu caráter. O homem recebe, pois, pela regeneração, tanto uma nova direção sobre sua vida, como poder de Deus para seguir essa direção. O homem regenerado sente que agora: (a) seu pensamento mudou; ele pensa diferentemente de conformidade com a vontade de Deus (Cl 3.10; Fp 4.8); (b) seu entendimento se abriu para as coisas de Deus, pois antes não as entendia (I Co 2.15; II Co 4.6) e Deus o renova para o conhecimento (Cl 3.10); (c) o seu sentimento registra o gozo pela presença de Deus (Sl 16.11). Agora ele ama a Deus (I Jo 4.19) e aos irmãos (I Jo 3.14); (d) a sua vontade, que antes era escravizada pela carne (Ef 2.2,3; Is 53.6), conforma-se com a vontade de Deus (Mt 6.10; I Pe 1.22; 4.2; At 13.22); e (e) a sua consciência, agora purificada (Hb 9.14), torna-se sensível a direção de Deus (Rm 2.15)” (BERGSTÉN, 2007, p. 178 – acréscimo nosso).

III – O COMPORTAMENTO DOS QUE NASCERAM DE NOVO
Predominava entre os judeus a ideia de que as riquezas eram um sinal do favor especial de Deus. Em Tiago 1.9-11 encontramos o apóstolo exortando os cristãos ricos e os pobres contra essa ideia errônea, visto que agora eram novas criaturas (Tg 1.18). A igreja do primeiro século, tal qual nos dias atuais, era composta de pessoas de diferentes classes sociais, conforme nos relata Lucas (At 2.44,45; At 6; I Co 16.1-3). A orientação apostólica nos faz entender que, como cristãos, pobres e ricos, apesar de sua condição financeira, sua alegria deveria estar no Senhor (Tg 1.9-11).
3.1 O evangelho dá ao pobre um novo sentido de seu próprio valor (Tg 1.9). O apóstolo adverte os cristãos pobres que não se achem inferiores aos irmãos ricos por causa das suas necessidade, pois ainda que padeça por não usufruir de prosperidade material, possuem uma riqueza nos céus “Mas o irmão de condição humilde glorie-se na sua exaltação” (Tg 1.9 – ARA – Almeida Revista e Atualizada). A expressão “condição humilde” usada no referido texto alude a condição financeira fraca, à sua pobreza; e isso, naturalmente obriga-o a ajustar-se a um nível inferior da escala social, devido ao tipo de sociedade em que vivemos, tornando-se menos bem quisto como pessoa. O crente pobre tem sua “exaltação” apesar de sua “humildade” em recursos financeiros e em posição social. A dignidade de tal crente consiste nas riquezas morais de sua presente experiência espiritual (Ef 1.3-7; I Pe 2.9,10); e no que ele espera receber no porvir (Lc 10.20; Fp 3.20; II Tm 4.8).
3.2 O evangelho dá ao rico um sentido novo de humildade (Tg 1.10,11). Tiago ensina que o cristão rico, por sua vez, não deveria gloriar-se de sua riqueza material, porque ela é tão efêmera quanto a durabilidade de uma flor (Tg 1.10,11). Na referida passagem “Tiago traça um quadro vívido, muito familiar para o povo da Palestina. Nos lugares desertos, se houver chuva, os magros caules de erva surgem com rapidez, mas um dia, repentinamente, o ardente sol os faz desvanecer-se como se nunca tivessem existido. Este calor abrasador é o vento do Sudeste. Vem diretamente dos desertos e estala sobre a Palestina como uma explosão de ar quente, como quando se abre a porta de um forno. Em apenas uma hora pode varrer toda a vegetação com seu tremendo calor” (BARCLAY, sd, p. 58 – acréscimo nosso). Logo, os ricos “têm como se não tivessem” (I Co 7.29-31); não devem prender a tudo isso o coração (Mt 6.19-24). Com o que possuem são administradores de Deus, pois os bens lhes foram confiados (Mt 25.14). Levam a sério sua administração e têm o propósito de ser fiéis. Alegram-se quando os recebem, e estão dispostos a devolvê-los novamente (Jó 1.21b).

IV – CONCEPÇÕES ERRADAS ACERCA DA POBREZA E DA RIQUEZA

CONCEPÇÃO

EXPLICAÇÃO

Pobreza é sinal de piedade

O monasticismo (um movimento religioso surgido do cristianismo), difundiu a ideia de que um cristão para ser considerado piedoso, para agradar a Deus, devia viver isolado da sociedade e abrir mão de tudo o que possuía, vivendo em pobreza. Esta visão encontra-se totalmente distorcida da Palavra de Deus, visto que a pobreza não pode aferir o caráter de um servo de Deus. Um autêntico homem de Deus é conhecido por sua fé e por suas obras (Mt 7.17,18; Lc 6.43,44; Gl 5.22).

Pobreza é sinal de pecado

Como podemos ver, este pensamento é antagônico ao primeiro. Se pobreza não pode ser evidência de uma vida piedosa, tampouco de uma vida de pecado. Estaria porventura em pecado o mendigo Lázaro que morreu e foi ao Seio de Abraão? (Lc 16.20-22); ou estaria debaixo de maldição o apóstolo Paulo que passou fome, frio e nudez? (II Co 11.27); teria o Filho de Deus pecado por ter preferido ser pobre para que pudesse enriquecer a outros? (II Co 8.9). É evidente que não.

Riqueza é sinal de comunhão

Este é um pensamento defendido pela Teologia da Prosperidade. No entanto, é um ponto de vista totalmente contrário ao Cristianismo, que ensina a prioridade pelas coisas que são do céu (Mt 6.33); que condena veementemente a riqueza mal adquirida (I Co 6.10) e a avareza, que é idolatria (Cl 3.5).

Riqueza é sinal de pecado

Se não encontramos base bíblica para a Teologia da Prosperidade, também não encontraremos para a Teologia da Miséria, que procura demonizar (atribuir características demoníacas) a posse de bens materiais. Não esqueçamos de Jó, um homem riquíssimo de bens materiais, e que era justo (Jó 1.1); ou de Abraão, o pai da fé, que de igual modo era possuidor de grandes riquezas (Gn 13.5,6).

CONCLUSÃO
Aqueles que passaram pelo novo nascimento tem a natureza divina. E, como tal, deve agir de forma diferente ao comportamento que tinham antes de serem transformados. Na epístola de Tiago, vemos o apóstolo ensinando que embora no seio da igreja existissem cristãos de diferentes classes sociais, em Cristo ambos tem o mesmo valor e devem se respeitar mutuamente.

REFERÊNCIAS
• STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
• ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.
• CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
• CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. HAGNOS.

 

Fonte: Rede Brasil

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