A igreja e a lei de Deus

 

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1º TRIMESTRE 2015

A LEI DE DEUS

Valores imutáveis para uma sociedade em constante mudança

COMENTARISTA: Pr. Ezequias Soares

LIÇÃO 13 – A IGREJA E A LEI DE DEUS – (Mt 5.17-20; Rm 7.7-12)

 INTRODUÇÃO

A Lei e os profetas duraram até João Batista e tiveram seu cumprimento pleno em Jesus Cristo. Todavia, os princípios morais nela contidos devem ser praticados pelos cristãos, com exceção do sábado como nos ensina o NT. Nesta lição destacaremos as diferenças entre Israel e a Igreja pois ambos encontram-se sob alianças diferentes. Destacaremos ainda se a Igreja necessita guardar a lei ou não; e por fim, veremos que o amor é o cumprimento da Lei.

I  – A LEI, SUA TRÍPLICE DIVISÃO E SEU CUMPRIMENTO EM CRISTO

“A Lei de Deus contida no Pentateuco, é a expressão máxima da vontade Divina quanto a condução dos negócios, interesses e necessidades humanas na família, na sociedade e no Estado. Embora entregue a Israel, a parte ética da Lei de Deus é aplicável aos demais povos, tendo em vista a sua universalidade e reivindicações eternas (ANDRADE, 2006, p. 252). Segundo Stamps (1995, p, 146) a Lei de Moisés, do hebraico Torah” que significa “ensino ou instrução” admite uma tríplice divisão: (a) a lei moral, que trata das regras determinadas por Deus para um santo viver (Êx 20.1-17); (b) a lei civil, que trata da vida jurídica e social de Israel como nação (Êx 21.1 – 23.33); e, (c) a lei cerimonial, que trata da forma e do ritual da adoração ao Senhor por Israel, inclusive o sistema sacrificial (Êx 24.12 – 31.18). Toda esta lei durou até João Batista (Mt 11.13) e foi cumprida completamente por Cristo (Mt 5.17).

II  – A LEI MORAL É IRREVOGÁVEL

As leis morais de Deus são aquelas leis que são baseadas na natureza de Deus. O próprio Deus é o padrão absoluto de justiça. Visto que as leis morais refletem sua natureza e caráter, elas são “imutáveis e irrevogáveis, mesmo pelo próprio Deus. Visto que a natureza moral de Deus não muda e não pode mudar (Êx 3.14; Is 41.4; Hb 1.11, 12), as leis que são baseadas nessa natureza são absolutas. Elas são perfeitas, universalmente obrigatórias, e eternas. A lei moral de Deus é resumida nos Dez Mandamentos (o Decálogo). O número dez na Escritura indica plenitude ou completude. Assim, os Dez Mandamentos representam o padrão ético inteiro dado à humanidade por toda a Bíblia. Diante dessa afirmação nos perguntamos: se os dez mandamentos dados na Antiga Aliança já passaram, vivem então os cristãos sem eles? Podem tomar o nome de Deus em vão, matar, roubar etc.? Por certo que não, pois que o Novo Testamento proíbe tais pecados (Êx 20.3; Mt 4.10; Êx 20.4; Lc 16.13; Êx 20.7; Mt 5.34; Êx 20.8; At 15.28,29; Êx 20.12; Mt 10.37; Êx 20.13; Mt 5.22; Êx 20.14; Mt 5.28; Êx 20.15; Mt 5.40; Êx 20.16; Mt 12.36; Êx 20.17; Lc 12.15). Somente a guarda do sábado é que não encontramos referência no NT para que o cristão guarde (At 15.28,29; Cl 2.16).

III  – AS DIFERENÇAS ENTRE A ANTIGA E A NOVA ALIANÇA

O termo pacto ou aliança em hebraico é de berit, e berit karat que significa “fazer (lit. ‘cortar’ ou ‘lapidar’) uma aliança”. Em grego o termo é diatheke (que pode significar tanto um “pacto” como “último desejo e testamento”), e o verbo diatithemi (At 3.25; Hb 8.10; 9.16; 10.16). Uma aliança é um acordo feito entre duas ou mais pessoas. A Antiga Aliança foi feita no deserto do Sinai entre Deus e a nação de Israel (Êx 19; 24). Já a Nova Aliança foi feita por Cristo na cruz do Calvário entre Deus e a Igreja (Mt 26.28). Vejamos as diferenças entre ambas alianças, a fim de que possamos entender a superioridade de uma em relação a outra.

ANTIGA ALIANÇA NOVA ALIANÇA
Antiga (Êx 34.27-28) Nova (Jr 31.31-34; Hb 12.24)
Ratificada com sangue de animais (Êx 24.6-8) Ratificada com o sangue do Filho de Deus (Hb 9.14; Lc 22.20)
Mediador: Moisés (II Co 3.7-b) Mediador: Cristo (II Co 3.3-14; Hb 8.6- 9,15)
Alcance: Israel (Êx 24.7,8) Alcance: Povos, tribos, línguas e nações (Mt 26.28; Ap 5.9)
Gravada em pedras (II Co 3.7-a) Escrita no coração (II Co 3.2,3)
Veio em glória (II Co 3.7-a) Tem excelente glória (II Co 3.10)
Ministério da condenação (II Co 3.9) Ministério da justificação (At 13.38,39)
É um jugo de servidão (At 15.10) Traz liberdade (II Co 3.17)
Acaba com morte (II Co 3.6,7) Vivifica (II Co 3.6)
Era transitória (II Co 3.7,11) É permanente (II Co 3.11; Hb 13.20)

IV  – A IGREJA DEVE GUARDAR OU NÃO A LEI

A palavra “lei”, nas quatrocentas vezes em que ocorre na Bíblia, nunca se refere apenas ao decálogo como sendo este a lei moral, nem aos demais preceitos como sendo lei cerimonial. Toda vez que o Novo Testamento fala de lei refere- se à lei contida no Pentateuco como um todo. Cristo nos libertou da maldição da lei fazendo-se maldição por nós (Gl 3.13). Pelo fato de, como cristãos, estarmos libertos da lei, não significa que estamos sem lei, pois estamos debaixo da lei de Cristo (I Co 9.21).

 Neolegalismo. O legalismo é a “tendência a se reduzir a fé cristã aos aspectos puramente materiais e formais das observâncias práticas e obrigações eclesiásticas. No Novo Testamento, o legalismo foi introduzido na Igreja Cristã pelos crentes oriundos do Judaísmo que, interpretando erroneamente o evangelho de Cristo, queriam forçar os gentios a guardarem a Lei de Moisés afim de serem salvos” (ANDRADE, 2006, p. 251). Os modernos defensores do neolegalismo procuram enganar os incautos com citação de textos bíblicos isolados, os quais eles torcem em favor de seus pontos de vista. Mas a Bíblia, inspirada pelo Espírito Santo, constitui um todo em si mesma. “Só podemos aceitar como doutrina bíblica aquelas que estão respaldadas em todo o contexto bíblico. É errado considerar toda palavra “mandamento” como uma referência ao Decálogo, e é errado ensinar que Jesus cumpriu na cruz somente os mandamentos “cerimoniais”, ele cumpriu toda a Lei em si mesmo” (ALMEIDA, 1996, p. 09).

 Antinomismo (contra lei). “Doutrina que assevera não haver mais necessidade de se observar as leis morais do Antigo Testamento. Alegam os antinomistas que, salvos pela fé em Cristo Jesus, já estamos livres da tutela de Moisés. Ignoram, porém, serem as ordenanças morais do Antigo Testamento pertencentes ao elenco do direito natural que o Criador incrustara na alma de Adão. Todo crente piedoso os observa; pois o Cristo não veio ab rogá-los; veio cumpri-los e sublimá-los” (ANDRADE, 2006, p. 51). Certos grupos libertinos que vieram depois de Paulo, levaram seus ensinamentos ao extremo. Estes afirmavam que, desde que uma pessoa tivesse fé em Cristo (isto é, cresse nas coisas certas a respeito de sua divindade e em sua obra realizada para conceder perdão), não importaria se os atos dela fossem bons ou maus. O próprio Paulo havia previsto este abuso, repudiando-o completamente (Rm 6.1,2).

 V – O AMOR É O CUMPRIMENTO DA LEI

A obediência aos mandamentos somente por obediência, trata-se de puro legalismo. O intuito divino é que o mandamento fosse obedecido por amor. Esse padrão está delineado tanto no Antigo quanto no Novo Testamento (Dt 6.5; 11.1; Mt 22.37-39; Lc 10.27).

  1. O amor a motivação certa para a obediência da Lei. Deus esperou de Israel que a Lei entregue por Ele, fosse obedecida tendo como motivação o amor e não por medo, interesses pessoais ou por obrigação ( Dt 6.5; 11.1), embora a sujeição a Lei tinha como implicações o temor, as bençãos materiais e o compromisso assumido na aliança (Êx 20.20; 24.7; Is 1.19; Dt 28.1-2; Lv 26.15). A palavra motivação diz respeito a intenção, propósito ou objetivo com que se faz as coisas. Foi justamente nesse ponto que o povo de Israel tropeçou (Is 29.13; Mt 15.8). A mesma motivação se exige dos cristãos no NT (Jo 14.15,21;23-24; I Jo 5.2).
  2. O amor é o cumprimento da Lei. Ao ser indagado sobre qual os dois maiores mandamentos da Lei, Jesus respondeu: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração […] este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12.30,31). Como podemos ver, o amor é o cumprimento da Lei (Mt 22.35-40). Essa mesma perspectiva nos ensinou o apóstolo Paulo (Rm 13.8,10).
  3. O amor a capacidade para a cumprimento da Lei. No ato da conversão, o Espírito Santo passa a habitar no crente e a produzir o fruto do Espírito, que são qualidades morais e espirituais cultivadas na personalidade cristã dentre eles o amor (Gl 5.22). A Bíblia diz que Deus é amor (Ef 5.2; I Jo 4.8) e ele nos confere o seu amor, pela operação do Espírito na alma. O amor é a virtude que pré dispõe alguém desejar o bem de outrem. Do grego “ágape”, é o maior de todos os sentimentos e o fundamento sobre o qual os dons e as as outras virtudes do Espírito Santo estão edificados (I Co 13.1-3). “O amor é uma planta tenra da qual o Espírito cuida. Se o amor estiver ausente, então é que o Espírito não habita em nós” Assim sendo, é impossível amar a Deus e odiar a um ser humano. Só ama verdadeiramente aquele que nasceu de Deus, porquanto o “amor cristão” é uma qualidade eminentemente espiritual. Outrossim, aquele que não ama também não conhece a Deus (I Jo 4.8), porque Deus é a própria essência do amor, sendo altruísmo puro. Por semelhante modo, não amar é andar nas trevas (I Jo 2.11)” (CHAMPLIN, 2004, vol. 1, p. 141).

CONCLUSÃO

A Lei não foi concedida a Israel como um fim em si mesma, pois o homem por si só não tem condições de cumpri-la, fazendo-se necessário ser salvo pela graça independente das obras. Todavia, este homem depois de salvo, passa a produzir, pelo Espírito a virtude do amor que lhe dá condições de andar nos princípios da Lei.

REFERÊNCIAS

  • ALMEIDA, Abraão de. O Sábado, a Lei e a Graça. CPAD.
  • ANDRADE, Claudionor Correia de. Dicionário Teológico.CPAD
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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 PRÓXIMA LIÇÃO:
2º trimestre capa

No 2º Trimestre de 2015 a Casa Publicadora das Assembleias de Deus disponibilizará a revista Lições Bíblicas com o tema Jesus. o Homem Perfeito – O Evangelho de Lucas, o Médico Amado, cuja autoria dos comentários é do Pastor José Gonçalves.
Lucas, o médico amado, não foi um apóstolo nem tampouco foi uma testemunha ocular da vida de Jesus, todavia deixou uma das mais belas obras literárias já escritas sobre os feitos do Salvador e os primeiros anos da comunidade cristã. Este livro de natureza devocional-teológica analisa o Evangelho de Lucas e nele encontrar a presença de Jesus, o Homem Perfeito. As lições são:
Lição 01: O Evangelho Segundo Lucas
Lição 02: O Nascimento de Jesus
Lição 03: A Infância de Jesus
Lição 04: A Tentação de Jesus
Lição 05: Jesus Escolhe seus Discípulos
Lição 06: Mulheres que Ajudaram Jesus
Lição 07: Poder sobre as Doenças e Morte
Lição 08: O Poder de Jesus sobre a Natureza e os Demônios
Lição 09: As Limitações dos Discípulos
Lição 10: Jesus e o Dinheiro
Lição 11: A Última Ceia
Lição 12: A Morte de Jesus
Lição 13: A Ressureição de Jesus

Não cobiçarás

 

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1º TRIMESTRE 2015

A LEI DE DEUS

Valores imutáveis para uma sociedade em constante mudança

COMENTARISTA: Pr. Ezequias Soares

LIÇÃO 12 ­ NÃO COBIÇARÁS ­ (Êx 20.17; 1 Rs 21.1­5, 9, 10, 15,16).

 

INTRODUÇÃO

O décimo mandamento “Não cobiçarás” (Êx 20.17), foi instituído por Deus para que a nação de Israel não violasse nenhum dos mandamentos anteriores do Decálogo. Se o oitavo mandamento, por exemplo, proibia o roubo, o décimo mandamento proibia o desejo de roubar. Nesta lição, iremos analisar exegeticamente este preceito; teremos uma visão geral sobre a cobiça no AT e no NT; veremos ainda alguns exemplos bíblicos de pessoas que caíram neste terrível pecado; e, por fim, destacaremos como vencer a avareza, uma prática nociva tão comum em nossos dias.

I  –  A EXEGESE DO DÉCIMO MANDAMENTO

“O verbo hebraico que aparece no texto de (Êx 20.17) é “hãmad”, que significa “desejar, ter prazer em, cobiçar, ter concupiscência de”; já em (Dt 5.21) podemos notar a presença de um outro verbo hebraico “ãwãh”, que significa “desejar ardentemente, ansiar, cobiçar, anelar” (SOARES, 2014, p. 133 – acréscimo nosso). A Septuaginta, que é a tradução do AT em hebraico para o grego, traduz estes dois termos, pelo verbo grego “epithyméo”. Logo, o substantivo grego que expressa um desejo é “epithymia” (Mt 5.28; Lc 15.16; Rm 7.7).

 1.1. “Epithymia”, desejos bons ou maus. “O verbo “epithyméo” significa literalmente “desejar apaixonadamente”. O vocábulo grego é neutro, podendo fazer referência a qualquer apetite legítimo ou ilegítimo. Portanto, os desejos podem ser positivos ou negativos. Um desejo pode ser apenas isso, porém, quando não se estabelece limites, este sentimento primário evolui para a paixão. A paixão por sua vez, é um “sentimento ou uma emoção levados a um alto grau de intensidade, sobrepondo­se à lucidez e à razão” (FERREIRA, 2004, p. 1468); quando ela domina o coração do homem, o sentimento primário eleva­se ao extremo e, esse extremo é exatamente o que a Bíblia chama de cobiça. Existem desejos (cobiças) tão intensos que envolvem a própria alma (Dt 14.26)” (CHAMPLIN, 2004, vol. 2, pp. 79­80 – acréscimo nosso).

II  – A COBIÇA NA PERSPECTIVA DO ANTIGO TESTAMENTO

“A cobiça é definida como o desejo desordenado de adquirir coisas, posição social, fama, proeminência secular ou religiosa, etc. Pode incluir a tentativa de apossar-­se do que pertence ao próximo. Ela geralmente aumenta com a idade, ao invés de diminuir, dando origem a certos números de males. Esta obra da carne promove a alienação de Deus, a opressão e a crueldade contra o próximo, a traição e as manipulações e desonestidades de toda espécie. Quase sempre, o desejo desordenado da cobiça provoca alguma ação para que o cobiçoso adquira o que quer, ou para que persiga o possuidor do objeto ou da pessoa cobiçada” (CHAMPLIN, 2004, vol. 1, p. 774 – acréscimo nosso).

Significado do décimo mandamento. “Não cobiçarás”, não significa que uma pessoa não possa ADMIRAR bens e aptidões de outros indivíduos. O mandamento proíbe o desejo corrompido que destrói os relacionamentos e pode levar um indivíduo a desejar o sofrimento daquele que têm a aptidão ou objeto cobiçado” (ADEYEMO, 2010, p. 114 – grifo nosso).

  1. Objetivo do décimo mandamento. “A posição desse mandamento no final da lista indica que ele trata de qualquer pendência que ainda resta no âmbito relacional, pois abrange todas as formas possíveis de relacionamento – com Deus, com a família e com a sociedade mais ampla. A confiabilidade e o respeito por outros são elementos essenciais, pois nenhuma sociedade construída com base em relacionamentos falsos pode sobreviver à instabilidade e aos problemas resultantes. Se pessoas e nações tivessem obedecido aos Dez Mandamentos, muitos traumas poderiam ter sido evitados” (ADEYEMO 2010, p. 114).
  2. O que não cobiçar. “O mandamento proíbe cobiçar a casa, a mulher, os servos, os animais ou qualquer coisa do próximo (Êx 20.17; Dt 5.21). A casa aqui indicava a família, no sentido antigo da palavra, e a ideia de esposa é primária. Isto é explicitamente demonstrado em Deuteronômio 5.21, onde a esposa é mencionada em primeiro lugar. Boi e jumento são a riqueza típica do camponês ou seminômade da Idade do Bronze, para quem as perplexidades da sociedade desenvolvida ainda não haviam surgido. Os servos ou os “escravos” eram por sua vez, a única outra forma de propriedade móvel” (COLE, 1981, p. 155).
  3. A abrangência do cobiçar. A ideia central é não desejar aquilo que pertence ao próximo, contudo, como Deus não só vê a ação concreta, mas a motivação que leva a ação, podemos identificar nesta verdade, o lado espiritual do Decálogo, mostrando que nem tudo é jurídico, e com isto, entendemos que o décimo mandamento é a ponte que leva ao cumprimento dos demais, isto é, não cobiçar outros deuses, outras formas de culto, a mulher e os bens do próximo (Êx 20.17).

III  – ENTENDENDO A COBIÇA NA PRÁTICA

Todos nós externamos vontades e biblicamente há implicações. Existem vontades ou desejos lícitos e ilícitos e, o décimo mandamento previne o coração exatamente dos desejos ilícitos, isto é, da cobiça.

DESEJOS LÍCITOS

REFERÊNCIAS DESEJOS ILÍCITOS REFERÊNCIAS
Jesus desejou comer a Páscoa “… Desejei muito…”

(Lc 22.15).

Ananias e Safira desejaram prestígio “Porque   formaste este designo…” (At 4.34­37; 5).
 

Daniel desejou conhecer os desígnios de Deus

“Então tive desejo de conhecer a verdade…” (Lc 15.16).  

Diótrefes desejou a primazia da igreja

 

“Procura ter entre eles o primado…” (3 Jo 9).

IV   – A COBIÇA NA PERSPECTIVA DO NOVO TESTAMENTO 

  1. Na perspectiva de Cristo. “Não cobiçarás…” se distingue dos outros nove mandamentos por se tratar da motivação, e não do ato. Assim, é possível violar esse preceito sem que haja comprovação concreta. É o décimo mandamento que golpeia a própria raiz do pecado, o coração pecaminoso e o desejo perverso. Cristo aborda a responsabilidade sobre o pecado do pensamento, pois toda ação humana começa no seu coração, inclusive comparou o desejo de pecar (a cobiça) ao próprio ato em si” (Mt 5.28; Mc 7.21­23;) (SOARES, 2014, p. 134 – acréscimo nosso).
  2. Na perspectiva do apóstolo Paulo. O apóstolo Paulo trata esta obra carnal se utilizando de um sinônimo. Ele destaca a avareza, o apego demasiado e sórdido ao dinheiro, ou seja, a vontade de adquirir riquezas; os cobiçosos anelam por ter mais dinheiro (At 20.33; 1 Tm 6.9; Rm 7.7). Este pecado é alistado entre os pecados frisados por Paulo, em Ef 4.19; aparece na lista dos vícios dos povos pagãos, em Rm 1.29. Apesar da cobiça não ser especificamente alistada entre as obras da carne em Gl 5.19­21, ela é uma das causas de várias daquelas obras carnais, como o adultério, o ódio, as dissensões, a beligerância que é a pessoa que suscita guerras, etc., devendo ser incluída entre as “tais coisas” que Paulo mencionou, e que não permitem que uma pessoa chegue ao Reino de Deus (Gl 5.21).” (CHAMPLIN, 2004, vol. 1, p. 774 – acréscimo nosso).

V   – PERSONAGENS BÍBLICOS QUE CAÍRAM NESTE PECADO

Na tabela abaixo, destacamos alguns exemplos práticos de personagens que caíram neste pecado.

 

PERSONAGENS

REFERÊNCIAS DESCRIÇÃO DA COBIÇA
Lúcifer “… E serei semelhante ao Altíssimo…” (Is 14.12­15). Cobiçou ser igual a Deus
Adão e Eva “… Desejável para dar entendimento…” (Gn 3.6). Cobiçou saber como Deus
Acã “… Cobicei­os e tomei­os…” (Js 7.21). Cobiçou os despojos de Jericó
Davi “… mandou trazer…” (2 Sm 11.2­4 ). Cobiçou a mulher de Urias
Absalão “… Furtava Absalão o coração…” (2 Sm 15.1­16). Cobiçou o trono de Davi seu pai
Geazi “Tomar dele alguma coisa” (2 Rs 5.20). Cobiçou os pertences de Naamã
Acabe “… Dá­me a tua vinha…” (1 Rs 21.2). Cobiçou a propriedade de Nabote

VI   – VENCENDO A AVAREZA

Nas Escrituras encontramos o antídoto para este veneno mortal. Vejamos: (1) Jesus nos ensina que não precisamos andar ansiosos com as coisas desta vida, Ele supre toda as nossas necessidades (Mt 6.25,26); (2) o apóstolo Paulo por sua vez, nos ensina que devemos aprender a nos contentarmos com o que temos, desejar apaixonadamente a riqueza é uma laço que nos leva a perdição e a ruína (Fp 4.11,12; 1 Tm 6.9); e por fim (3) o escritor anônimo da carta aos Hebreus nos consola com as palavra de Cristo: “Não te deixarei, nem te desampararei” (Hb 13.5).

 

CONCLUSÃO

A cobiça é uma obra da carne que dá origem a todos os outros pecados. Por meio deste pecado o mal se introduziu na criação. O mandamento “não cobiçarás” nos protege das ambições erradas, levando-­nos a um nível de relacionamento piedoso para com Deus, com a nossa família e com a sociedade.

 

REFERÊNCIAS

    • TOKUNBOH, Adeyemo. Comentário Bíblico Africano. MUNDO CRISTÃO.
    • ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
    • CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblias, Teologia e Filosofia, HAGNOS.
    • COLE, R. Alan. Êxodo Introdução e Comentário. MUNDO CRISTÃO.
    • SOARES, Esequias. Os Dez Mandamentos. CPAD.Fonte: REDE BRASIL

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Lança o teu pão sobre as águas

        

sabedQUARTO TRIMESTRE DE 2013ensinador

SABEDORIA DE DEUS PARA UMA VIDA VITOROSA

COMENTARISTA: JOSE GONÇALVES

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 LIÇÃO 12 – LANÇA O TEU PÃO SOBRE AS ÁGUAS – (Ec 11.1-10)

INTRODUÇÃO

Eclesiastes 11.1-10 apresenta reflexões a respeito do excesso de cautela em nossa vida e naquilo que faz parte dela. Salomão trabalha questões como as incertezas da natureza (v. 3), as incertezas a respeito dos desígnios de Deus (v.5), as incertezas do nosso trabalho (v.6) e outras. Todas essas incertezas não devem nos fazer apelar para um excesso de cautela que busque concretizar o que queremos, antes, devemos trabalhar e viver a nossa vida com sabedoria e fé, sem ansiedades prejudiciais e que não resolvem nada. É nesse contexto que esta lição está inserida.

I – ANALISANDO O TEXTO DE ECLESIASTES

Esta citação está em Eclesiastes 11.1: “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás.” Não há uma interpretação precisa a respeito do significado dessa expressão. Assim, precisamos observar um pouco o contexto e as hipóteses que se levantam a respeito do que o autor através do escrito quis comunicar. Vejamos o que podemos aprender de alguns versículos de Eclesiastes 11:

1.1 “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás” (Ec 11.1). Precisamos semear com fé .Este verso faz referência a maneira de como era plantado o trigo naquela época, que consistia em semear os grãos sobre a água na época da cheia dos rios e que quando as águas baixassem haveria uma grande plantação. Isso demonstra uma confiança de que mesmo sem saber qual semente vai germinar, a certeza é que a colheita será abundante. A lei da semeadura pode ser aplicada a todas as áreas da nossa vida, “porque tudo o que o homem semear…” (Gl 6.7b).

1.2 “Reparte com sete, e ainda até com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra” (Ec 11.2). Podemos aplicar isso a nossa vida; tomando uma atitude de generosidade com as pessoas, pois talvez algum dia vamos precisar da generosidade de alguém (Pv 21.13; Mt7.12; At 20.35; Gl 6.9).

1.3 “Estando as nuvens cheias, derramam a chuva sobre a terra, e caindo a árvore para o sul, ou para o norte, no lugar em que a árvore cair ali ficará ” (Ec 11.3). O homem é limitado e com toda tecnologia existente, e todo conhecimento adquirido, não pode prever com exatidão o que pode acontecer. Se Deus determinar uma coisa, quem é o homem para impedir .“agindo Eu, quem o impedirá?” (Is 43.13-b).

1.4 “Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará.” (Ec 11.4). Olhar para os acontecimentos ao nosso redor, esperando melhorar, só vai atrasar o que temos que fazer, ou talvez não faremos nada. Muitas pessoas esperam ganhar um salário maior, para passar a ser dizimista e ofertante na casa de Deus. A palavra de Deus nos diz que devemos “ser fieis no pouco e sobre o muito Ele nos colocará”. (Mt 25.23).

1.5 “Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas.” (Ec 11.5). Hoje nós já até sabemos como muitas coisas funcionam, mas não sabemos na essência como Deus fez tudo o que fez .“Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente” (Hb 11.3)

1.6 “Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual prosperará , se esta, se aquela, ou se ambas serão igualmente boas” (Ec 11.6). Nós devemos semear em tempo oportuno, pela manhã e pela tarde, pois não sabemos qual semente dará bom fruto. Vale a pena lembrar que ao nosso redor existem muitas pessoas que precisam que lancemos a boa semente sobre suas vidas, a começar dentro da sua casa com seus filhos, marido ou esposa “Pois o que o homem semear certamente ceifará” (Gl 6.7). “E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará.” (II Co 9.6).

II – POSSÍVEIS INTERPRETAÇÕES DO SIGNIFICADO DO TEXTO DE ECLESIASTES 11.1

“Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás” O que será que Bíblia está nos ensinando aqui? Vejamos algumas opiniões:

  • Alguns estudiosos afirmam que esse texto possa se referir à caridade, ou seja, devemos “lançar” o pão para abençoar vidas que precisam dele. Ajudando os outros, a bênção voltaria às nossas vidas mais cedo ou mais tarde como consequência da nossa liberalidade e amor ao próximo.
  • Outros estudiosos apresentam a interpretação de que mesmo uma atitude que não parece tão sábia – nesse caso lançar o pão sobre as águas – tem as suas recompensas ou consequências em nossa vida. Assim, temos que ter cuidado com nossas atitudes, principalmente aquelas absurdas, pois acharemos os frutos delas.
  • Outra interpretação diz que a alusão aqui possa ser a respeito do comércio marítimo de trigo. Salomão estaria apresentando essa modalidade de comércio como algo sábio e recompensador, apesar de arriscado. Esse comércio seria o lançar o pão (trigo) sobre as águas e, depois da viagem longa e perigosa por mar, obter o seu lucro. Apesar da demora de muitos dias, o lucro seria achado (recebido), bastando que houvesse tranquilidade para fazer o investimento no tempo certo e a paciência de esperar.
  • Outros estudiosos do AT declaram que esse versículo é uma alusão a um antigo costume egípcio. AS CHEIAS DO RIO NILO – Os egípcios jogavam as sementes quando a enchente estava baixando, no final da baixa, as sementes do trigo e da cevada, floresciam abundantemente por onde estivesse sementes. “Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados” ( Lm 3.39).

III – A LEI DA SEMEADURA NA AJUDA AO PRÓXIMO

As Escrituras descrevem diversas promessas para quem exerce a semeadura no socorro ao necessitado. Citamos apenas algumas:

3.1 Jesus equiparou as dádivas repassadas aos irmãos na fé, como se fossem a ele próprio: “E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25.40,45).

3.2 Quem se compadece do pobre é recompensado pelo próprio Deus: “Ao Senhor empresta o que se compadece do pobre, ele lhe pagará o seu benefício” (Pv 19.17).

3.3 Jesus disse que aquele que dá esmola, será recompensado por Deus: “Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; Para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente” (Mt 6.3,4).

IV – A LEI DA SEMEADURA NA CONTRIBUIÇÃO DAS OFERTAS

É preciso investir no AMOR, na CARIDADE, no RESPEITO, lançar sobre as águas da vida sementes que produzam frutos saudáveis que dão sustentação a uma vida abençoada. Vejamos alguns exemplos:

4.1 A contribuição deve ser proporcional ao que ganhamos: “No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade” (I Co 16.2);

4.2 A contribuição deve ser realizada de forma voluntária, e com alegria: “Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (II Co 9.7);

4.3 Quando Deus nos dá em abundância, é para que multipliquemos as boas obras: “E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra” (II Co 9.8);

4.4 A colheita é proporcional ao plantio. “E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará.” (II Co 9.6).

V – A LEI DA SEMEADURA NA CONTRIBUIÇÃO DOS DÍZIMOS

“Os dízimos, ofertas e votos que eram feitos a Deus no AT jamais devem ser interpretados como uma prática de barganha. A ideia de que Deus nos dará algo em troca ou que Ele agora é devedor, ficando na obrigação de pagar tudo que nos deve, porque como dizimistas nos candidatamos a receber as bênçãos sem medida, caracteriza sem dúvida alguma a prática da barganha”. (GONÇALVES, 2011, p. 148). No entanto, devemos entender que existem diversas promessas nas Sagradas Escrituras para os semeadores dizimistas. Vejamos algumas:

5.1 A promessa da multiplicação. O Senhor prometeu multiplicar os bens: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança” (Ml 3.10).

5.2 A promessa da proteção. Quando entregamos ao Senhor aquilo que Lhe pertence, O devorador é repreendido: “E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos” (Ml 3.11). O “devorador” significa circunstâncias adversativas, que podem nos sobrevir; mas, se formos fiéis na entrega dos dízimos, ele será repreendido pelo Senhor.

5.3 A promessa da prosperidade material . Quando obedecemos a Deus, e Lhe entregamos parte dos nossos bens, Ele nos fará prosperar materialmente: “Todas as nações vos chamarão felizes, porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exércitos” (Ml 3.12).

CONCLUSÃO

A lei da semeadura é um princípio maravilhoso de Deus para a nossa prosperidade, porém, os seus princípios precisam ser obedecidos e praticados!

REFERÊNCIAS

  • GONÇALVES, José. Prosperidade à Luz da Bíblia. CPAD.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  • VINE, W. E, et al. Dicionário Vine. CPAD.

Fonte: Rede Brasil