Os ministros do culto levítico

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3º TRIMESTRE 2018

ADORAÇÃO, SANTIDADE E SERVIÇO

Os princípios de Deus para sua igreja em Levítico

COMENTARISTA: Pr. Douglas Baptista

LIÇÃO 03 – OS MINISTROS DO CULTO LEVÍTICO – (Lv 8.1-13)

INTRODUÇÃO

Nesta presente lição veremos que Deus escolheu a tribo de Levi, para exercer o serviço sagrado na Antiga Aliança; destacaremos também, fatos importantes relacionados a consagração de Arão e seus filhos, para o ofício do culto levítico, e por fim, descreveremos suas principais funções como ministros de Deus e a devida aplicação para a vida cristã.

I – A NOMEAÇÃO DA TRIBO DE LEVI PARA O MINISTÉRIO DO CULTO LEVÍTICO

De acordo com Houaiss (2001, p. 1928) ministros são: “aqueles que executam os desígnios de outrem; aqueles que, na religião exercem um ofício, uma função, como administrar os sacramentos”. Os filhos de Levi antes de serem santificados para o ministério levítico eram uma tribo secular; mas, foram separados pelo Senhor para exercer as funções no Tabernáculo (Nm 1.50,51,53; 18.2-4,6; 1 Cr 15.2). Vejamos quais foram as funções que o Senhor delegou:

  • Levitas. Por haverem sido resgatados da morte na noite da Páscoa, os primogênitos das famílias hebraicas pertenciam a Deus (Êx 13.1,2), mas os levitas, por seu zelo espiritual, foram escolhidos divinamente como substitutos dos filhos mais velhos de cada família (Nm 8.17-19; ver 3.5-13). Deus separou para isto os três filhos de Levi: Gérson, Coate e Merari (Nm 26.57).
  • Sacerdotes. A palavra sacerdote que no hebraico é “kohen”, e de acordo com Champlin (2004, p.13), esse termo em português, vem do latim “sacer”, e que quer dizer: “sagrado, consagrado”, e se refere ao ministro divinamente designado na Antiga Aliança, cuja função principal era representar o homem diante de Deus (Êx 28.38; 30.8). Antes do êxodo, o chefe de cada família ou o primogênito, desempenhava o papel de sacerdote familiar; mas, os ritos do tabernáculo e a exigência de observá-los com exatidão tornaram necessária a instituição de um sacerdócio dedicado ao culto divino. Para esta importante função, Deus escolheu Arão e seus filhos (Êx 28.1). A vocação sacerdotal era hereditária, de modo que os sacerdotes podiam transmitir a seus filhos as leis detalhadas relacionadas com o culto e com as numerosas regras às quais os sacerdotes viviam sujeitos a fim de manterem a pureza legal que lhes permitisse aproximar-se de Deus (Nm 18.2,7,8).
  • Sumo sacerdote. O primeiro sumo sacerdote escolhido por Deus em favor de Israel foi Arão (Hb 5.1-4). Ele era o filho mais velho do levita Anrão e de Joquebede (Êx 6.20; Nm 26.59), e irmão de Moisés e Miriã, sendo três anos mais velho que o Legislador (Êx 7.7). Sua esposa era chamada Eliseba (Êx 6.23). Com ela Arão teve quatro filhos, Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar (1 Cr 24.1). O sumo sacerdote era o principal entre os sacerdotes. Em hebraico ele é chamado de “kohen gadol”, que quer dizer: “grande sacerdote”. Somente ele entrava uma vez por ano no Lugar Santíssimo para expiar os pecados da nação israelita, no Dia da Expiação (Êx 30.10; Lv 16.34).

II – A CERIMÔNIA DE CONSAGRAÇÃO SACERDOTAL

Três coisas importantes ocorreram nesta consagração: sacrifícios de animais, purificação e unção dos sacerdotes, como veremos a seguir:

  • Os animais que foram sacrificados (Lv 8.2). Três animais foram sacrificados durante a cerimônia de consagração:
    • O novilho. Arão e seus filhos colocaram as mãos sobre a cabeça do novilho que foi degolado à porta da tenda, como oferta pelo pecado (Lv 8.14-17; cf. Êx 29.10-14). Esse sacrifício purificava o sacerdote no caso de haver cometido algum pecado involuntário que poderia desqualificá-lo para representar o povo diante de Deus (Lv 4.3- 12). A imposição de mãos apontava para a transferência dos pecados do sacerdote para o novilho (Lv 4.4,15,24,29,33; 16.21,22). Este ato e oferta já apontavam para o sacrifício substitutivo de Cristo (Is 53.5; Jo 1.29; Gl 3.13; Hb 13.11-13).
    • O primeiro carneiro. Esta oferta simbolizava consagração total ao Senhor, e não um sacrifício pelo pecado (Lv 8.18-21; cf. Êx 29.15-18). Arão e seus filhos impuseram as mãos sobre a cabeça do carneiro, não para transferência de pecado, pois já foi realizada na ocasião da morte do novilho (Êx 29.10-14), e sim, para oferecerem a si mesmo, como oferta agradável ao Senhor (Lv 8.21). Depois que o animal foi degolado, seu sangue foi espalhado sobre o altar, então ele foi partido e suas entranhas e suas pernas lavadas (Êx 29.16,17; Lv 8.21). Esta lavagem apontava para a pureza daquele que estava sendo representado, ou seja, Arão e seus filhos.
    • O segundo carneiro. Era chamado de “carneiro da consagração” (Lv 8.22; cf. Êx 29.22). Neste sacrifício, também teve imposição de mãos sobre o carneiro (Êx 29.19). Depois que o carneiro foi degolado, o sangue foi colocado: (a) sobre a ponta da orelha direita de Arão e seus filhos, simbolizando que o sacerdote era alguém que deveria estar preparado para ouvir tudo que o Senhor ordenasse, a fim de cumprir suas ordens; (b) sobre o dedo polegar da mão direita. Tendo em vista que as mãos são instrumentos de ação, simbolizava que o sacerdote deveria estar pronto a realizar tudo que Deus lhe ordenasse; e, (c) sobre o dedo polegar do pé direito, mostrando que o sacerdote deveria andar pelos caminhos que o Senhor lhe ordenasse. O resto do sangue era espalhado sobre o altar (Êx 29.19-23).
  • Arão e seus filhos foram lavados com água (Lv 8.6). Esta lavagem cerimonial dos sacerdotes com água simbolizava a pureza que devia caracterizar o serviço sacerdotal, bem como a Palavra de Deus, como fonte de purificação (Sl 119.9,11; Jo 13.10; 17.17). Como Deus é santo (Lv 11.44,45; 19.2; 20.7; Is 48.17; 1 Pe 1.16), os sacerdotes deveriam estar limpos tanto no ato da consagração como no exercício do seu ofício (Êx 30.19-21). Caso contrário, eles estariam impuros para cumprir suas obrigações diante do Senhor. Semelhantemente, todos nós, como reino sacerdotal e nação santa (1 Pe 2.9), necessitamos estar limpos, para nos achegar a Deus (Jo 15.3; 2 Co 7.1; Ef 5.26). O escritor aos hebreus diz: “Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa(Hb 10.22).
  • Arão e seus filhos ungidos por Moisés (Lv 8.12,30). No AT, reis e sacerdotes recebiam a unção com óleo antes de exercerem suas respectivas funções (Êx 28.41; Nm 35.25; 1 Sm 10.1; 12.3,5; 2 Sm 1.14,16; 1 Rs 1.39,46; 19.16). A unção de um sacerdote lhe conferia um ofício vitalício (Lv 7.3; 4.3; 8.12-30; 10.7). Além dos sacerdotes, o tabernáculo e seus utensílios também foram ungidos (Êx 30.26-29; 40.9; Lv 8.10). O azeite simboliza o Espírito Santo; pois, ninguém pode realizar um serviço espiritual para Deus, sem a unção do Espírito. O próprio Jesus foi ungido pelo Espírito (Is 60.1-3; Lc 4.18,19; Hb 1.9).

III – ATIVIDADES DOS MINISTROS DO CULTO LEVÍTICO E SUA APLICAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

Mais de um terço das referências feitas aos sacerdotes do AT são encontradas no Pentateuco. Com aproximadamente 185 referências, o livro de Levítico pode, de forma muito acertada, ser chamado de manual dos sacerdotes (WYCLIFFE, 2010, p. 1714 – grifo nosso). Vejamos algumas das principais atividades dos ministros da Antiga Aliança:

  • Levitas. No sentido mais estrito, o termo levitas designa todos os descendentes de Levi que ocuparam ofícios subordinados ao sacerdócio, a fim de distingui-los dos descendentes de Arão, que eram os sacerdotes (Êx 6.25; Lv 25.32; Js 21.3,41.); assim, destacamos que todos os sacerdotes eram levitas; mas nem todos os levitas eram sacerdotes (Nm 8.24-26) (CHAMPLIN, 2004, p. 793). Todavia, em um outro sentido, o termo levitas aponta para aquele segmento da tribo de Levi, que foi separado para o serviço do santuário, e que atuava subordinado aos sacerdotes (Nm 8.6; Ed 2.70; Jo 1.19). Os levitas eram portanto, ajudantes no ministério sacerdotal (Nm 3.5-9). Suas obrigações eram as mais variadas, algumas até manuais, como de limpeza, arranjo e arrumação no templo (Nm 4.1-19). Semelhantemente, o cristão como membro do corpo de Cristo, tem a sua devida utilidade, desenvolvendo os mais variados trabalhos na obra do Senhor (1Co 12.14-18), e ainda, que da mesma forma que Israel sendo chamado por Deus de reino sacerdotal (Êx 19.6); mas, dentre os hebreus separou uma tribo para exercer o sacerdócio, a Igreja também é chamada de sacerdócio real (1Pd 2.9), e que dentre os crentes o Senhor separou uns para a obra do ministério (Ef 4.11,12).
  • Sacerdotes. Os sacerdotes deviam queimar incenso, cuidar do castiçal e da mesa dos pães da proposição, oferecer sacrifícios no altar e abençoar o povo (Nm 5.5-31); bem como ensinavam a Lei de Deus (Lv 10.11; Ne 8.7,8; Ez 44.23). Eles ministravam sobretudo, como mediadores entre o povo e Deus (Êx 12.12,29,30), fazendo expiação pelos seus próprios pecados e pelo pecado da nação (Êx 29.33; Hb 9.7,8). Essas muitas atribuições apontavam para a pessoa e obra de Cristo (Hb 2.17,18; 4.14-16; 5.1-4; 7.11), como também, por meio dele, todo crente é constituído sacerdote para o serviço de Deus (1Pd 2.9; Ap 1.6; 5.10; 20.6). Esse sacerdócio de todos os crentes abrange o seguinte: (a) todos os crentes têm acesso direto a Deus, através de Cristo (Jo 14.6; At 4.12; Ef 2.18); (b) todos os crentes têm a obrigação de viver uma vida santa (1Pe 1.14-17; 2.5,9); (c) todos os crentes devem oferecer “sacrifícios espirituais” a Deus (Cl 3.16; Hb 13.15; 1 Pe 2.5); (d) todos os crentes devem interceder e orar uns pelos outros (Cl 4.12; 1 Tm 2.1; Ap 8.3); e, (e) todos os crentes devem proclamar a Palavra e orar pelo bom andamento dela (At 4.31; 1 Co 14.26; 2 Ts 3.1).
  • Sumo sacerdote. O sumo sacerdote estava encarregado de certos deveres especiais, que só ele podia cumprir, como oficiar no dia da expiação, entrando no Santo dos Santos com esse propósito uma vez no ano: “[…] só o sumo sacerdote, uma vez no ano, não sem sangue, que oferecia por si mesmo e pelas culpas do povo” (Hb 9.7). Também estava obrigado a observar regras, acima dos israelitas comuns (Lv 22.8); como também, oferecia sacrifícios pelos pecados de ignorância do povo (Lv 22.12-16). No NT todos os crentes, têm acesso ao trono celeste por meio de seu Sumo Sacerdote, Jesus Cristo (Hb 8.1). Visto haver acesso pessoal a Deus, por meio de Cristo, não há necessidade da intermediação de nenhuma casta sacerdotal (Hb 10.19-22).

CONCLUSÃO

O Senhor nomeou Arão e seus descendentes para exercerem o sacerdócio, o que na verdade é uma figura do eterno e perfeito sacerdócio de Cristo, o qual através do seu sacrifício nos abriu o caminho de acesso a Deus tornando cada salvo um sacerdote.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • HOFF, Paul. O Pentateuco.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • Dicionário Bíblico. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

Levítico, adoração e serviço ao Senhor

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3º TRIMESTRE 2018

ADORAÇÃO, SANTIDADE E SERVIÇO

Os princípios de Deus para sua igreja em Levítico

COMENTARISTA: Pr. Douglas Baptista

LIÇÃO 01 – LEVÍTICO, ADORAÇÃO E SERVIÇO AO SENHOR – (Lv 27.28-34)

 INTRODUÇÃO

Neste terceiro trimestre de 2018, estudaremos o tema: “Adoração, Santidade e Serviço – os princípios de Deus para a sua Igreja em Levítico”. Nesta primeira lição introduziremos o assunto trazendo importantes informações sobre este importante livro do AT, destacando suas características e quais ensinamentos podemos extrair dele sob a perspectiva da Nova Aliança.

I – INFORMAÇÕES A RESPEITO DO LIVRO DE LEVÍTICO

  • Levítico é o terceiro livro do Pentateuco, chamado em hebraico “Wayyiqra”, que é a palavra inicial do livro e significa “E chamou […]” (Lv 1.1) segundo o costume judeu de intitular muitos dos livros do AT por sua primeira ou primeiras palavras (Gn 1.1; Êx 1.1). O título “Levítico” que significa: “relativo aos levitas”, derivou-se da Vulgata Latina (Tradução da Bíblia do grego para o Latim), que por sua vez pegou emprestado o vocábulo da Septuaginta (Tradução do AT para o grego). O nome Levítico foi atribuído ao livro devido ao fato de que nele é descrito o sistema de adoração e conduta levítica (CHAMPLIN, 2001, p. 477 – acréscimo nosso).
  • A autoria de Moisés é confirmada no próprio livro pelo fato de o texto declarar cinquenta e seis vezes: “Disse o Senhor a Moisés” (Lv 16.2; 21.1; Dt 1.1). Portanto, nenhum outro livro da Bíblia tem uma confirmação tão acentuada da autoria mosaica como este. Os cinco primeiros livros da Bíblia são citados nos livros do AT como obra de Moisés (Js 1.7,8; 23.6; 1Rs 2.3; 2Rs 14.6; Ed 3.2; 6.18; Ne 8.1; Dn 9.11-13). Após curar o leproso, Jesus orientou que este fosse ao sacerdote e apresentasse a oferta que Moisés havia determinado (Mt 8.1-4). Tal procedimento encontra-se no Livro de Levitíco (Lv 14.3,10). Os escritores do NT estão de pleno acordo com os do AT. Falam dos cinco livros em geral como “a lei de Moisés” (At 13.39; 15.5; Hb 10.28).
  • Data e assunto. Levítico é o terceiro livro do AT. Ele foi escrito aproximadamente em 1440 a.C. (ELISSEN, 1984, p. 25). Levítico apresenta o plano de Deus para ensinar o Seu povo escolhido a se aproximar dEle de maneira santa. Destaque especial foi dado às funções sacerdotais, tomando reverente e santa esta aproximação a Deus. Assim, este livro apresenta o ofício sacerdotal ou “levítico”, ao qual foram feitas referências no Novo Testamento em Hebreus 7.11, onde o termo “sacerdócio levítico” se encontra (MOODY, sd, p. 01).
  • Sua relação com os outros livros do Pentateuco. É importante verificar a mensagem de Levítico para acompanharmos a progressão do Pentateuco. Gênesis nos conta o chamado do patriarca Abraão e a eleição de sua família para exercer a função de concerto na história humana. Êxodo narra a grandiosa libertação dos descendentes de Abraão, os israelitas, da escravidão do Egito e o estabelecimento do concerto de Deus com este povo no Sinai. Êxodo também expõe o caráter legal deste concerto e o testemunho do concerto no Tabernáculo e o culto a ser administrado ali. Levítico é um tipo de manual dado aos sacerdotes e ao povo de Israel para que soubessem fazer a adoração exigida pelo concerto de maneira eficaz e aceitável ao Deus de Israel (BEACON, 2006, p. 254).
  • Seu cumprimento no Novo Testamento. Citado por cerca de quarenta vezes no Novo Testamento, Levítico, era o primeiro livro estudado pelas crianças judias; no entanto, com frequência, é o último dos livros da Bíblia a ser estudado pelos cristãos. Muitas passagens do Novo Testamento, incluindo alguns conceitos-chaves da epístola aos Hebreus, não podem ser devidamente avaliadas se não tivermos um claro entendimento de suas contrapartidas no livro de Levítico. A afinidade entre Levítico e o Novo Testamento se torna óbvia no livro de Hebreus, considerado por alguns um comentário sobre Levítico no Novo Testamento (CHAMPLIN, 2001, p. 479).
  • A importância de Levítico. Quando Jesus falou o segundo mandamento que resume toda a Lei, Ele citou Levítico 19.18 que diz: “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR” (Mc 12.31; Lc 10.27). Paulo também fez citação desta parte de Levítico em suas epístolas (Rm 13.9; Gl 5.14). O apóstolo Pedro por sua vez, quando exorta aos cristãos sobre andar em santidade faz uma clara citação do Livro de Levítico. Compare (Lv 11.44; 20.26; 1Pe 1.16). Levítico 19 costuma ser chamado de o “Sermão do Monte” do Antigo Testamento (ELISSEN, 1993, p. 41).

II – CARACTERÍSTICAS DO LIVRO DE LEVÍTICO

  • O livro dos sacrifícios. Em Levítico estão listados os cinco principais sacrifícios que os israelitas faziam para Deus a fim de terem os pecados perdoados e o relacionamento com Deus restaurado. Vejamos:

OFERTA

PROPÓSITO

SIGNIFICADO

Holocausto (Lv 1)

Expiar os pecados em geral

Mostrava devoção a Deus

Oferta de manjares (Lv 2)

Demonstrar honra e respeito a Deus

Reconhecia que todos pertencemos a Deus

Sacrifício pacífico (Lv 3)

Expressar gratidão a Deus

Simbolizava paz e comunhão com Deus

 

Oferta pelo pecado (Lv 4)

Pagar pelo pecado cometido, involuntariamente por ignorância, negligência ou imprudência

Restabelecia a comunhão do pecador com Deus; mostrava a gravidade do pecado

Oferta pela culpa (Lv 5)

Pagar pelos pecados cometidos contra Deus e as pessoas

Provia compensações para as partes lesadas

  • O livro da santidade. A palavra “santo” consta setenta e três vezes no livro. O tabernáculo e seus móveis eram santos (Lv 8.10,11), santos os sacerdotes (Lv 8.12,13), santas as suas vestimentas (Lv 16.4,32), santas as ofertas (Lv 22.12), santas as festas (Lv 23.2,4), e tudo era santo para que Israel fosse santo (Lv 20.26). A santidade de Deus impõe leis concernentes às ofertas, ao alimento, à purificação, à castidade, às festividades e outras cerimônias (Lv 1-5; 11-14,18). Somente por seus mediadores, os sacerdotes, pode um povo pecaminoso aproximar-se do Deus santo. Tudo isto ensinou aos hebreus que o pecado é que afasta o homem de Deus, que Deus exige a santidade e que só o sangue espargido sobre o altar pode expiar a culpa (Lv 17.11). De modo que Levítico fala de santidade, mas, ao mesmo tempo, fala da graça, ou possibilidade de obter perdão por meio de sacrifícios (HOFF, 1995, p. 77 – acréscimo nosso).
  • O livro da vocação sacerdotal. Os filhos de Levi, eram antes uma tribo comum, mas que foi separada pelo Senhor para exercer as funções no Tabernáculo (Nm 8.14-17; 18.2-4,6). As obrigações menores, algumas até manuais, como de limpeza, arranjo e arrumação no templo, cabiam aos levitas não sacerdotais (1Cr 15.2). Deus separou para esta função os três filhos de Levi: Gérson, Coate e Merari (Nm 26.57). Desta tribo também Deus separou Arão e seus filhos para oficiarem o sacerdócio (Êx 28.1-3; Lv 8-10; Dt 18.5,7).

III – O QUE APRENDEMOS COM O LIVRO DE LEVÍTICO

O teor do livro revela os princípios básicos da religião do Antigo Testamento. E, para quem conhece o Novo Testamento, não é difícil identificar nele as raízes da teologia cristã. Talvez a expressão não esteja tão desenvolvida quanto a encontrada no Novo Testamento, mas os princípios são notavelmente os mesmos. Vejamos:

  • O pecador só pode ser absolvido de forma substitutiva. Deus ordenou que nos sacrifícios pelo pecado um animal deveria morrer no lugar do pecador (Lv 1.4). Embora os sacrifícios realizados no sistema levítico desempenharam importante papel no AT, eram insuficientes para redimir o homem, representando apenas a “sombra dos bens vindouros” (Hb 10.1). Os profetas do AT já haviam vaticinado sobre isso (Is 1.11-15; Jr 7.21-23; Mq 6.6-8). Deus falou sobre a necessidade de um sacrifício superior que teve seu cumprimento cabal em Cristo (Sl 40.6-8; Hb 10.5-10). Jesus Cristo morreu de forma substituta pelo pecador a fim de que este fosse aceito por Deus (Is 53.4,5; 2 Co 5.21; 1Pe 2.24).
  • A expiação da alma só pode acontecer com sangue. No livro de Levítico está escrito que o sangue faz expiação pela alma (Lv 17.11). O escritor aos hebreus asseverou também que “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9.22). O sangue dos sacrifícios do Antigo Concerto apenas cobriam os pecados, enquanto que o sangue do sacrifício do Novo Concerto, o de Cristo, purifica de todo pecado (Mt 26.28; Hb 9.13,14; 10.4,10; 1Jo 1.7; Ap 1.5; 7.14).
  • A provisão do sacrifício pelo pecador é feita por Deus. O que o pecador oferecia para ser sacrificado em seu lugar, era um ato providencial da parte de Deus. Tal atitude é ensinada claramente em toda Bíblia que o sacrifício pelos pecados do homem foi suprido pelo próprio Deus, o Seu Filho Unigênito (Is 7.14; 53.4,5; Jo 3.16; 6.51).
  • Exige-se do povo de Deus uma vida santificada. Levítico também nos ensina que Deus exige do Seu povo santificação em todas as áreas da vida (Lv 11.44; 20.26). Tal ensinamento também está bem presente no NT, que exige um comportamento santo daqueles que professam a sua fé em Cristo (1Ts 4.7; Tt 2.12; Hb 12.14; 1Pe 1.15,16).

CONCLUSÃO

O Livro de Levítico revela em seu conteúdo princípios que também são ensinados no NT. Logo, devemos nos dedicar a sua leitura, meditação e prática, a fim de que possamos progredir agradando a Deus.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
  • APLICAÇÃO        Comentário        do       Novo Testamento.CPAD.
  • CHAMPLIN, R. N. O Antigo Testamento Interpretado – Gênesis a Números.
  • ELISSEN, Stanley. Conheça melhor o Antigo.VIDA.
  • HOFF, Paul. O Pentateuco.
  • HOWARD, R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon.
  • MOODY, D. L. Comentário Bíblico de Levítico.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

Melquisedeque abençoa Abraão

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4º TRIMESTRE 2015

O COMEÇO DE TODAS AS COISAS

Estudo sobre o livro de Gênesis

COMENTARISTA: Pr. Claudionor de Andrade

LIÇÃO 11 – MELQUISEDEQUE ABENÇOA ABRAÃO – (Gn 14.12-20)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos a ocasião em que Abraão junto com os seus servos, entrou numa guerra com o intuito de libertar seu sobrinho Ló, que havia sido levado cativo. Ao retornar da peleja, ele encontrou-se com Melquisedeque, que era rei de Salém, a antiga Jerusalém, e que também exercia o sacerdócio antes mesmo da instituição da Lei. Abraão, recebeu dele pão e vinho, foi abençoado por ele e deu-lhe os dízimos dos despojos. O sacerdócio de Melquisedeque é uma figura ou tipologia do sacerdócio de Cristo.

I – QUEM FOI MELQUISEDEQUE

“Melquisedeque é a transliteração, para o português, do termo hebraico “Malkisedeq”, que significa “rei da justiça”. Ele era rei de Salém (a antiga Jerusalém) e sacerdote de El Elion (Deus Altíssimo), o que o tornava um rei-sacerdote, o que serviu mui apropriadamente para ilustrar o mesmo oficio, ocupado em forma muito mais significativa, pelo Senhor Jesus Cristo” (CHAMPLIN, 2001, p. 210). A história de Melquisedeque é mencionada nas Escrituras na ocasião em que ele encontrou-se com o patriarca Abraão (Gn 14.18-20); no Salmo 110; e também na Epístola aos Hebreus (caps. 5-7). Vejamos, ainda, outras informações sobre ele:

1.1 Rei de Salém (Gn 14.18-a). Salém é a forma abreviada de Jerusalém e é encontrada pelo menos cinco vezes nas Escrituras (Gn 14.18; 33.18; Sl 76.2; Hb 7.1,2). Este título dado a Melquisedeque significa “rei de paz”. A cidade de Jerusalém recebeu no passado diversos outros nomes, tais como: Sião (II Sm 5.7); a cidade de Davi (I Rs 2.10); Santa Cidade (Ne 11.1); a cidade de Deus (Sl 46.4); A cidade do Grande Rei (Sl 48.2), dentre outros. Esta cidade tinha um significado especial para o povo de Deus no AT, pois era o lugar onde o Senhor reinava sobre Israel (Sl 99.1,2; 48.1-3,12- 14). Nela, reinou Melquisedeque (Gn 14.18) e Davi (I Rs 2.11) no passado, e dela Cristo reinará sobre o mundo, no futuro (Is 2.3; Mq 4.2).

1.2 Sacerdote do Deus Altíssimo (Gn 14.18-b). Esta é a primeira menção do termo “sacerdote” na Bíblia. “Melquisedeque era cananeu, e, como Jó, é um exemplo de um não israelita, servo de Deus. Melquisedeque é um tipo ou figura da realeza e sacerdócio eternos de Jesus Cristo, que é sacerdote e rei (Sl 110.4; Hb 7.1,3)” (STAMPS, 1995, p. 54). O sacerdócio de Cristo é “segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 6.20), porque é anterior ao sacerdócio de Arão e da tribo de Levi, que só foi instituído na Lei (Êx 28.1-29). Abraão não só reconheceu a autoridade desse sacerdote, a ponto de lhe entregar o dízimo (Gn 14.20), como também foi abençoado por ele (Gn 14.19).

II – QUEM FOI ABRAÃO

Abraão é um dos personagens mais marcantes da história bíblica. Ele foi chamado por Deus para ser o pai dos judeus (Gn 12.1,2), povo de onde viria o Messias (Gn 12.3; Mt 1.1). Sua vida de fé (Hb 11.8-10), obediência (Gn 12.4), fidelidade (Gn 14.14; 23.2), compaixão (Gn 18.23) e coragem (Gn 14.14-16), fez com que ele alcançasse, não só o título de “pai dos judeus” (Sl 105.6) e “pai da fé” (Rm 4.16); como também, se tornasse o único personagem da Bíblia denominado de “amigo de Deus” (Is 41.8; Tg 2.23). Vejamos o que a Bíblia diz sobre a sua chamada:

2.1 A chamada de Abraão e seus propósitos. “A chamada de Abraão, conforme a narrativa de Gênesis 12 dá início a um novo capitulo na revelação do AT sobre o propósito divino de redimir e salvar a raça humana. A intenção de Deus era que houvesse um homem que o conhecesse e guardasse os seus caminhos. Dessa família surgiria uma nação escolhida, de pessoas que se separassem das práticas ímpias doutras nações, para fazerem à vontade de Deus. Dessa nação viria Jesus Cristo, o Salvador do mundo, o prometido descendente da mulher (Gn 3.15; Gl 3.8,16,18). Vários princípios importantes podem ser deduzidos da chamada de Abraão” (STAMPS, 1995, p 50). Analisemos abaixo:

  • A chamada de Abraão levou-o a separar-se da sua pátria, do seu povo e dos seus familiares (Gn 12.1,2), para tornar-se estrangeiro e peregrino na terra (Hb 11.13);
  • Deus prometeu a Abraão uma terra, uma grande nação através dos seus descendentes e uma bênção que alcançariam todas as nações da terra (Gn 12.2,3);
  • A chamada de Abraão envolvia, não somente uma pátria terrestre, mas, também, uma celestial (Hb 11.9-16);
  • A chamada de Abraão continha não somente promessas, como também compromissos. Deus requeria de Abraão obediência para receber aquilo que lhe fora prometido (Gn 15.1-6; 18.10-14);
  • A promessa de Deus a Abraão, estende-se, não somente aos seus descendentes físicos (os judeus), pois, todos os que são da fé como Abraão, são “filhos de Abraão” (Gl 3.7) e são abençoados juntamente com ele (Gl 3.9);
  • Por Abraão possuir uma fé em Deus, expressa pela obediência, dele se diz que é o principal exemplo da verdadeira fé salvífica (Gn 15.6; Rm 4.1-5,16-24; Gl 3.6-9; Hb 11.8-19; Tg 2.21-23).

 III – O ENCONTRO DE ABRAÃO COM MELQUISEDEQUE

O capítulo 14 de Gênesis registra uma guerra envolvendo nove reis (Gn 14.1-17). Nessa batalha, Ló, sobrinho de Abraão, foi levado cativo (Gn 14.12). Ao saber disso, Abraão, então, armou seus criados e entrou na peleja para libertar seu sobrinho. Ao retornar da batalha, ele encontrou-se com Melquisedeque.

3.1 Melquisedeque trouxe pão e vinho (Gn 14.18). Ao retornar da batalha, o patriarca Abraão recebeu do rei de Salém pão e vinho. Sem dúvida, este alimento serviu não só como uma refeição para o patriarca, mas, também, uma figura da Santa Ceia, que foi instituída por Cristo, milênios depois (Mt 26.26-30; Mc 14.22-26; Lc 22.16-20). “Melquisedeque traz pão e vinho a Abraão na qualidade de sacerdote, e não como rei de Salém. Era, pois, uma refeição sacramental, não um banquete oficial” (ANDRADE, 2015, p. 118,119).

3.2 Melquisedeque abençoou Abraão (Gn 14.19). Quando Melquisedeque abençoou Abraão demonstrou ocupar uma posição superior ao patriarca (Hb 7.6,7). “A bênção aqui referida não é a simples expressão de um desejo relativo a outrem, o que pode ser feito de um inferior para um superior. Mas, é a ação de uma pessoa ‘autorizada’ a declarar intenções de Deus, conferindo boas dádivas de prosperidade a outrem. E, tal ação somente tem validade quando é feita por alguém que é superior” (SILVA, 2002, pp. 122,123). Nesta ocasião, Melquisedeque, que também adorava ao Deus de Abraão, declarou que o Deus Altíssimo é o possuidor dos céus e da terra, e que foi Ele quem entregou os adversários nas mãos de Abraão (Gn 14.19).

3.3 Abraão dá os dízimos a Melquisedeque (Gn 14.20). O patriarca Abraão deu os dízimos ao sacerdote Melquisedeque dos despojos da guerra. “Os despojos eram repartidos entre os guerreiros vitoriosos, e em ocasiões especiais repartia-se também com aqueles cuja autoridade era considerada superior. Em alguns casos, estes eram compostos não só de bens materiais, mas também de pessoas (Is 42.24). Mas, neste episódio, somente está em foco os despojos dos bens materiais” (SILVA, 2002, p. 120). Esta é a primeira menção de dízimo na Bíblia, o que nos leva a crer que já existia esta prática entre os servos de Deus (Gn 28.22), antes mesmo da instituição e formalização da Lei (Lv 27.32; Nm 18.21,24,26,28; Dt 12.6,11,17; 14.22,23,28).

IV – O SIGNIFICADO PROFÉTICO DE MELQUISEDEQUE

O escritor da epístola aos Hebreus declara que o sacerdócio de Melquisedeque era uma figura do sacerdócio eterno de Cristo, como veremos a seguir:

  • Jesus é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Hb 5.6,10; 6.20). O que significa que Cristo é anterior e superior a Abraão, a Levi e aos sacerdotes do Antigo Pacto (Jo 8.56-58);
  • Melquisedeque, como protótipo de Cristo, estava revestido de grande dignidade. Por isso, abençoou Abraão e recebeu dele o dízimo (Hb 7.1,2). Melquisedeque é superior a Abraão, pois recebeu dízimo até mesmo de Levi, representado figuradamente pelo patriarca (Hb 7.4-10).;
  • Melquisedeque é descrito como não tendo genealogia, não que ele não tivesse, mas sim, que ele não foi registrado nas Escrituras (Hb 7.6). Serve como um tipo de Cristo, que é eterno (Jo 1.1; Hb 13.8);
  • Melquisedeque era mais importante que Levi e seus descendentes, cujo sacerdócio era temporário (Hb 7.4-10). Mas, o sacerdócio de Cristo é eterno (Hb 7.3,17);
  • A superioridade de Melquisedeque é vista no fato que ele apresenta uma ordem sumo sacerdotal mais elevada que a do sacerdócio levítico, que era imperfeito (Hb 7.11-14);
  • Cristo, tipificado no AT por Melquisedeque é o nosso sumo sacerdote santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime que os céus não precisou oferecer sacrifícios por si mesmo (Hb 7.26-28).

CONCLUSÃO

O encontro de Abraão com Melquisedeque não foi um fato comum, e sim, um evento de um profundo significado profético, pois demonstra que já existia homens que desempenhavam o ofício sacerdotal antes mesmo da instituição da Lei e da escolha de Arão e seus filhos para exercerem o ministério sacerdotal, prefigurando o sacerdócio eterno de Cristo.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. O Começo de Todas as Coisas. CPAD.
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • _______________. O AT Interpretado Versículo por Versículo. HAGNOS.
  • HOFF Paul. O Pentateuco. VIDA.
  • OLSON, Laurence. O Plano Divino Através dos Séculos. CPAD.
  • SILVA, Severino Pedro da. Epístola aos Hebreus. CPAD.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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Apostasia, fidelidade e diligencia no ministerio

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3º TRIMESTRE 2015

A IGREJA E SEU TESTEMUNHO

As ordenanças de Cristo nas cartas Pastorais

COMENTARISTA: Pr. Elinaldo Renovato de Lima 

LIÇÃO 05 APOSTASIA, FIDELIDADE E DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO (I Tm 4.1,2; 58;12,16).

INTRODUÇÃO

Nesta lição, iniciaremos trazendo as definições das palavras: apostasia, fidelidade, diligência e ministério. Analisaremos os passos que levam uma pessoa à apostasia e em seguida, mostraremos alguns exemplos de maus obreiros que trouxeram grandes prejuízos na obra, como também, analisaremos os bons exemplos de obreiros que foram muito úteis ao apóstolo dos gentios.

 I DEFINIÇÕES DE APOSTASIA, FIDELIDADE, DILIGÊNCIA E MINISTÉRIO.

1.1 Apostasia. O termo apostasia vem do grego apostásis e significa o abandono premeditado e consciente da fé cristã”. O termo grego aphistemi é definido por: apartar, decair, desertar, retirar, rebelião, abandonar, afastar-se daquilo que antes se estava ligado (STAMPS, 1995, p. 1903).

1.2 Fidelidade. O dicionário Aurélio diz que esta palavra significa: qualidade de fiel; lealdade; constância, firmeza nas afeições, nos sentimentos; perseverança. Observância rigorosa da verdade; exatidão. O termo em hebraico é ‘ emunah’ cujo significado básico é certeza e fidelidade (VINE, 2002, p. 128 – grifo nosso).

1.3 Diligência. Segundo Ferreira (2004, p. 679) a palavra diligência significa: ter cuidado, zelo, aplicação, presteza.

1.4 Ministério. Andrade (2006, p. 265) ao falar sobre a palavra ministério afirma que é: um ofício, cargo, função, incumbência do grego ministerium. A principal característica do ministério cristão é o serviço. O dicionário Vine (2002, p.791) falando sobre o exercício ministerial diz que: “vem da expressão ‘leitourgos, ao qual corresponde no NT aos ministros sacros” (Lc 1.23; Hb 8.6; 9.21 – grifo nosso).

II CARACTERÍSTICAS DOS MAUS COOPERADORES NAS CARTAS PASTORAIS

Paulo cita alguns exemplos específicos de obreiros que apostataram e naufragaram na fé. Vejamos:

2.1 Himeneu, um exemplo daqueles que blasfemam à obra (I Tm 1.20a). A passagem de I Timóteo 1.20 e II Timóteo 2.17 mostram-nos uma repreensão severa a três “cooperadores” da obra que tinham blasfemado contra a Igreja, entristecendo a Paulo e afundado suas próprias vidas. Inevitavelmente tinham caído em más práticas. Pontuemos:

2.2 Fileto, um exemplo daqueles que apostatam da obra (I Tm 6.21; II Tm 2.17). Não sabemos muita coisa alguma sobre este homem, Fileto. Os dois (Fileto e Himeneu) se desviaram da verdade” ao ensinar que a ressurreição já havia ocorrido. Talvez ensinassem que a salvação é a ressurreição em sentido espiritual, de modo que o cristão não deveria esperar uma ressurreição física. Mas a negação da ressurreição física é algo extremamente sério (I Co 15.12), pois envolve a ressurreição de Cristo e a consumação do plano de Deus para a salvação de seu povo. Não é de se admirar que esses falsos mestres estivessem “pervertendo a fé a alguns” (II Tm 2.18) (WIERSBE, 2007, 320).

2.1.1 … os quais entreguei a Satanás para que aprendam a não blasfemar (I Tm 1.20b). A expressão os quais entreguei a Satanás” deixa implícita que Paulo estivesse pensando na prática judia da excomunhão, pois, de acordo com o praticado nas sinagogas, se um homem fizesse o mal, em primeiro lugar, era repreendido publicamente. Se isso fosse ineficaz, era expulso da sinagoga por trinta dias. Se ainda continuasse obstinado em não arrepender-se, era considerado uma pessoa maldita, desterrada da sociedade dos homens e da comunhão com Deus. Em tal caso, era bem possível dizer que o homem era entregue a Satanás… Outra possibilidade, era que Paulo queria dizer que os expulsou da igreja, deixando-os livres no mundo para sofrerem suas consequências. Para Paulo, o castigo nunca era uma vingança reivindicativa; era sempre uma disciplina que remediava. Seu fim nunca era ferir; sempre buscava curar (BARCLAY, sd, p. 65).

2.3 Alexandre, um exemplo daqueles que perturbam à obra (II Tm 4.14). Alexandre era um nome comum naquele tempo (ITm 1.20), de modo que não temos como saber, ao certo, se é o mesmo homem citado na segunda carta de Paulo a Timóteo (II Tm 4.14); mas, caso seja, fica claro que resistiu a Paulo e continuou ensinado doutrinas falsas. Alexandre mostrou-se reprovado para com Paulo no sentido de ter-lhe revelado um coração mau em sua oposição ao Evangelho. O apóstolo Paulo usa a expressão: Guarda-te também dele…. Paulo ordena a Timóteo que evite Alexandre, pois ele atacou a verdade abertamente …porque resistiu muito às nossas palavras. 2.4 Demas, um exemplo daqueles que abandonam à obra (2Tm 4.10). D emas é citado apenas três vezes no NT e, no entanto, essas três citações contam uma triste história de fracasso. Paulo refere-se a Demas, ao lado de Marcos e de Lucas, como meus cooperadores” (Fm 1.24). Na próxima referência, o chama apenas de Demas” (Cl 4.14). Aqui (II Tm 4.10) diz: “Demas […] me abandonou. O apóstolo dá o motivo: “tendo amado o presente século” (WIERSBE, 2007, p. 333).

III TIPOS DE APOSTASIAS E SEUS RESULTADOS

Como já vimos, a palavra apostasia significa: ato de desviar-se ou afastar-se do relacionamento com Deus. Vejamos as consequências da apostasia:

3.1 A apostasia pessoal (Hb 3.12). Apostatar significa cortar o relacionamento salvífico com Cristo, ou apartar-se da união vital com Ele e da verdadeira fé nEle. Sendo assim, a apostasia individual é possível somente para quem já experimentou a salvação, a regeneração e a renovação pelo Espírito Santo (Lc 8.13; Hb 6.4,5); não é simples negação das doutrinas do NT pelos inconversos dentro da igreja visível. A apostasia pode envolver dois aspectos distintos, embora relacionados entre si.

3.1.1 A apostasia teológica. É o desvio de parte ou totalidade dos ensinos de Cristo e dos apóstolos (1Tm 4.1; 2Tm 4.3). Os falsos obreiros apresentam uma salvação fácil e uma graça divina sem valor, desprezando as exigências do arrependimento, à separação da imoralidade, e à lealdade a Deus e seus padrões (2Pe 2.13,1219). Os falsos evangelhos, voltados a interesses humanos, necessidades e alvos egoístas, gozam de popularidade por sua mensagem fácil e agradável.

3.1.2 A apostasia moral. É o abandono da comunhão salvífica com Cristo e o envolvimento com o pecado e a imoralidade. Esses apóstatas podem até anunciar a sã doutrina bíblica, e mesmo assim nada terem com os padrões morais de Deus (Is 29.13; Mt 23.2528). São aqueles que eram crentes e deixaram de permanecer em Cristo e voltaram a ser escravos do pecado e da imoralidade (Is 29.13; Mt 23.2528; Rm 6.1523; 8.613). Existem muitas que igrejas permitem tudo para terem muitos membros, dinheiro, sucesso e prestígio (1 Tm 4.1). O evangelho da cruz, com o desafio de sofrer por Jesus (Fp 1.29), de renunciar todo tipo de pecado (Rm 8.13), de sacrificar-se pelo reino do Senhor e de renunciar a si mesmo será algo raro (Mt 24.12; 2Tm 3.15; 4.3). No dia do Senhor, cairá a ira de DEUS contra os que rejeitarem a sua verdade (1Ts 5.29).

3.2 Passos que levam à apostasia. Podemos elencar alguns passos que levam uma pessoas à apostasia: (1) Quando o crente, por sua falta de fé, deixa de levar plenamente a sério as verdades, exortações, advertências, promessas e ensinos da Bíblia (Mc 1.15; Lc 8.13; Jo 5.44,47; 8.46); (2) Quando as realidades do mundo chegam a ser maiores do que as do reino celestial, e o crente deixa paulatinamente de aproximar-se do Senhor (4.16; 7.19,25; 11.6); (3) Por causa da aparência enganosa do pecado, a pessoa se torna cada vez mais tolerante do pecado na sua própria vida (1Co 6.9,10; Ef 5.5; Hb 3.13). (4) Quando o crente já não ama a retidão nem odeia a iniquidade, e, (5) Por causa da dureza do seu coração e da sua rejeição dos caminhos do Senhor, não faz caso da repetida voz e repreensão do Espírito Santo (Ef 4.30; 1Ts 5.1922; Hb 3.711).

IV CARACTERÍSTICAS DOS BONS COOPERADORES NAS CARTAS PASTORAIS

Vejamos alguns desses grandes exemplos de bons obreiros mencionados por Paulo em suas cartas pastorais:

4.1 Lucas, um exemplo daqueles que amam a obra (II Tm 4.11). Paulo diz que este obreiro é o médico amado” que viajava com Paulo (Cl 4.14). É o autor do Evangelho de Lucas e do Livro de Atos (convém observar a seção de Atos escrita na primeira pessoa do plural, indicando que Lucas foi testemunha ocular dos acontecimentos). É provável que Paulo tenha ditado a carta de 2Timóteo a Lucas, pois, ele serviu a Paulo como um amanuente (aquele que escreve o que é ditado) . Uma vez que Lucas era médico, deve ter apreciado a referência que Paulo faz ao câncer (II Tm 2.17).

4.2 Timóteo, um exemplo daqueles que são fiéis na obra (II Tm 4.11). Nenhum outro líder cristão, dentre os companheiros de trabalho de Paulo, foi tão recomendado por ele como Timóteo, especialmente em face de sua lealdade (I Co 16.10; Fp 2.19; II Tm 3.10). Acerca de Timóteo, o apóstolo destaca ainda que ele era: (1) um estudante zeloso e obediente a Palavra de Deus (II Tm 3.15); (2) um servo perseverante (I Ts 3.2); (3) um homem de boa reputação (At 16.2); (4) amado e fiel (I Co 4.17); e (5) companheiro dedicado a Paulo e ao evangelho (Rm 16.21; II Tm 4.9,2122).

4.3 Tito, um exemplo daqueles que são dedicados na obra (Tt 1.4). T to aparece no NT como um excelente líder. Ele é descrito por Paulo como … verdadeiro filho, segundo a fé comum… (Tt 1.4). O apóstolo deixou transparecer a devoção genuína e a preocupação pastoral deste cooperador (II Co 8.16,17). A alegria cristã e a dedicação de Tito serviam de inspiração para Paulo (II Co 7.1315). Foi enviado com Timóteo para tratar dos problemas mais sérios nas igrejas (Tt 1.5).

4.4 Tíquico, um exemplo daqueles que são disponíveis na obra (2 Tm 4.12) Ficou com Paulo durante seu primeiro período na prisão (Ef 6.21, 22; Cl 4.7,8). Paulo enviou Tíquico a Creta para substituir Tito (Tt 3.12). Depois, o envia a Éfeso para assumir o lugar de Timóteo. Ainda podemos citar: Priscila e Áquila, um exemplo daqueles que dão a sua vida na obra (2 Tm 4.19). Era um casal que ajudou Paulo de várias maneiras (At 18.13,2428; Rm 16.3,4; 1 Co 16.19). Agora, estavam em Éfeso auxiliando Timóteo em seu ministério.

CONCLUSÃO

O apóstolo Paulo tinha em sua companhia homens de Deus sinceros, com os quais ele podia contar na administração do trabalho do Senhor em Éfeso. Timóteo e outros obreiros cujas virtudes são louváveis, constituem-se para nós hoje, verdadeiros exemplos de como devemos agir no serviço de Deus fielmente. 

REFERÊNCIAS

  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Editora Positivo.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • BARCLAY, William. Comentário Bíblico do Novo Testamento: 1 Timóteo.__

Fonte: REDE BRASIL

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O legado de Elias

        

1º Trim. 2013 – Lição 8 – O legado de Elias V

Escrito por  Superintendência das EBD’s da Assembleia de Deus em Recife/PE

1º Trim. 2013 - Lição 8 - O legado de Elias V

COMENTARISTA: JOSÉ GONÇALVES

INTRODUÇÃO

Nesta lição definiremos o que significa o termo legado. Destacaremos qual foi o legado que Elias deixou. Veremos ainda que, apesar de Elias pensar que estava sozinho o Senhor lhe dirigiu a palavra dizendo que havia ainda sete mil adoradores verdadeiros que não se curvaram diante de Baal. Pontuaremos como se deu a chamada, formação e capacitação do profeta Eliseu como substituto de Elias. E, por fim, elencaremos quais as lições que podemos extrair do chamado de Eliseu.

I – O QUE SIGNIFICA LEGADO

O dicionário Aurélio traduz a palavra “legado” da seguinte forma: “dádiva deixada em testamento; valor previamente determinado, ou objeto previamente endividado, que alguém deixa a outrem por meio de testamento”. No contexto da nossa lição, a palavra legado diz respeito a herança moral, ministerial e espiritual que o profeta Elias, deixou para o seu sucessor Eliseu, bem como também para todos os servos de Deus em todas as épocas.

II – QUAL FOI O LEGADO DE ELIAS

Elias como um profeta de Deus, deixou como legado seu exemplo de vida, seu caráter. O Aurélio define a palavra “caráter” como: “o conjunto de traços particulares, o modo de ser de um indivíduo; índole; natureza”. A Bíblia nos revela o caráter moral, ministerial e espiritual deste homem de Deus. Vejamos cada um deles detalhadamente:

2.1 Moral. Esta expressão diz respeito aos “princípios que regem a vida do ser humano, mostrando o que é certo e o que é errado” (ANDRADE, 2006, p. 270). Elias manteve-se íntegro num período de tanta apostasia sob o governo de ímpio rei Acabe e da maldosa Jezabel (I Rs 16.30,31). Ele mesmo descreve-se como um servo muito zeloso pelo Senhor (I Rs 19.10).

2.2 Ministerial. Já vimos que, Elias recebera de Deus o chamado para ser profeta (I Rs 17.1). O registro bíblico nos mostra que ele exerceu seu ministério como um verdadeiro mensageiro de Deus, pois anunciou que haveria seca sobre Israel, apoiado na Escritura, como sentença pela indiferença espiritual (Dt 28.23,24; II Cr 7.13); denunciou a idolatria de Acabe (I Rs 18.18); confrontou Acabe e os profetas de Baal e Aserá no Monte Carmelo a fim de erradicar a adoração ao ídolo e mostrar para Israel quem era o verdadeiro Deus (I Rs 18.19-40); e fez conhecida a injustiça cometida contra Nabote, pronunciando a sentença por este pecado (I Rs 21.17-24).

2.3 Espiritual. O profeta Elias se tornou uma referência espiritual. Ele é chamado diversas vezes de “homem de Deus”    (I Rs 17.18,24; II Rs 1.6,9,11,13). Isto também porque as palavras proféticas que saiam da sua boca vinham da parte de Deus, porque tinha real cumprimento, eis algumas: (1) Elias profetizou que não choveria e não choveu(I Rs 17.1-b);(2) Em seguida anunciou que choveria e realmente choveu (I Rs 18.41,45); (3) falou a viúva de Sarepta que a farinha e o azeite da botija não faltaria e não faltou (I Rs 17.14-16); (4) Orou a Deus pela ressurreição do filho desta mesma viúva e ela asseverou: “…nisto conheço agora que tu és homem de Deus, e que a palavra do Senhor na tua boca é verdade” (I Rs 18.24); (5) No monte Carmelo clamou por fogo e o fogo caiu sobre o altar (I Rs 18.36,38).

III – O REMANESCENTE FIEL NO TEMPO DE ELIAS

A grande apostasia no Reino do Norte durante o reinado de Acabe e as ameaças de Jezabel aos profetas de Deus, levou o profeta Elias, em sua fragilidade, algumas vezes, fazer declarações precipitadas, pensando ele que era o único servo de Deus que restara “…só eu fiquei por profeta do Senhor…” (I Rs 18.22). Confira também (I Rs 19.10,14). No entanto, a voz divina assegura ao profeta que havia um remanescente que não tinha se corrompido com a adoração a Baal (I Rs 19.18). Entre os sete mil adoradores verdadeiros, podemos citar o nome de alguns, vejamos:

  • Micaías.Havia no palácio de Acabe profetas falsos que comiam da mesa de Jezabel, e profetizavam apenas o que lhe agradava (II Cro 18.5; I Re 18.19). No entanto, existia também um profeta do Senhor, o seu nome é Micaias que significa: “quem é como Deus”. Ele era um mensageiro de Jeová que se opunha severamente a práticas do rei Acabe  como este mesmo declara (I Rs 22.8). Ele se manteve fiel ao que Deus lhe mandava dizer (II Rs 22.14,28), apesar de lhe custar  prisão, espancamento e privações (I Rs 22.24, 27).
  • Obadias.Seu nome significa “servo de Jeová”. Apesar de ser um “mordomo” do monarca Acabe (I Rs 18.3,5). Este homem, temia muito a Deus e aos homens de Deus (I Rs 18.7).  Ele ajudou a ocultar os servos do Senhor a fim de que não fossem mortos por Jezabel (I Rs 18.13).
  • Eliseu.Seu nome quer dizer“Deus é salvação”.Sem dúvida alguma,para que Deus escolhesse Eliseu para ser sucessor do profeta Elias, ele deveria ser um servo fiel. Observa-se isso também pela sua atitude ao receber o chamado divino, quando obedeceu sem hesitar, despedindo-se deu seu pai e mãe, mostrando assim ser um bom filho                               (I Rs 19.20,21).

IV – A ESCOLHA, A FORMAÇÃO E A CAPACITAÇÃO DE ELISEU PARA PROFETA

Não resta dúvidas de que Elias exerceu um ministério extraordinário no Reino do Norte, pois ele foi responsável por ajudar o povo de Deus a manter a sua identidade espiritual, fazendo com que Israel pudesse testemunhar que só o Senhor é Deus. Contudo, assim como todos os homens levantados por Deus, seu ministério estava chegando ao final, por isso necessitava de um substituto. Para isso, Elias não agiu por conta própria, ele só o fez quando e como a voz divina lhe orientou a fazer, quando lhe disse: “…e também a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar (I Rs 19.16). Diante da da ordem divina, Elias prontamente se dispôs a cumprir (I Rs 19.19). A maneira como Deus utiliza-se de Elias para separar Eliseu está registrada em (I Rs 19.19-21), este texto nos mostra pelo menos três aspectos da vocação divina, vejamos quais são:

4.1 Chamada. A palavra “chamar” no hebraico é “qãrã” que significa “chamar alguém, convidar, convocar”. O Senhor chama quem Ele quer, inclusive pessoas simples (Am 7.14; I Sm 16.11). Eliseu, por exemplo, trabalhava arando terra (I Rs 19.19-a). A escolha de Eliseu foi uma expressão da soberania do Senhor (I Rs 19.16), e ele a fez através de Elias (I Rs 19.19). A Bíblia registra que ao aproximar de Eliseu “…Elias passou por ele, e lançou a sua capa sobre ele” (I Rs 19.19-b). O manto de Elias era feito de peles de animais recobertas de pêlos. Usualmente era empregado o couro de cabra, com os pêlos do lado de fora. Esse manto era parte distintiva das vestes de um profeta e o identificava como vidente (II Rs 1.8; Zc 13.4; Mt 3.4). Acreditava-se que o poder espiritual era transferido ao profeta por meio do seu manto (II Rs 2.13,14). Naturalmente pensamos que isso era um ato meramente simbólico, mas nos tempos antigos as mantas dos profetas eram consideradas seriamente objetos de poder.  (CHAMPLIN, 2001, p. 1445).

4.2 Formação. Apesar de receber a chamada de Deus, Eliseu não estava pronto. Ele precisava ser formado por Elias. A expressão “formar” do hebraico “yatsar” significa: “formar, moldar, modelar”. Como podemos ver, Eliseu não demorou para entender isso pois receber o chamado prontificou-se a seguir e servir o homem de Deus “…então se levantou e seguiu a Elias, e o servia (I Re 19.21-b). Eliseu se tornou um servo e aprendiz de Elias. Ele tinha servido bem à sua família. Agora seria fiel e útil ao profeta. Daquele dia em diante Eliseu passou a andar junto de Elias, acompanhando passo a passo sua maneira de proceder (II Re 2.1-6) e servindo-o naquilo que era necessário, de maneira que quando alguém se referiu a Eliseu disse: “…aqui está Eliseu, filho de Safate, que derramava água sobre as mãos de Elias (II Rs 3.11-b).

4.3 Capacitação. Ao andar junto de Elias, Eliseu percebeu que além da chamada que havia recebido e da formação que estava recebendo do profeta, era necessário algo mais: a capacitação. Por isso antes de ser tomado, num redemoinho aos céus, o profeta Elias perguntou-lhe o que ele queria que lhe fosse dado, e Eliseu respondeu: “…peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim (II Re 2.9-b). Elias então disse a Eliseu que isto fora um pedido difícil, no entanto, seria concedido se ele o visse subir ao céu, o que aconteceu em seguida (II Re 2.10-12). Agora, o profeta Eliseu, ao pegar a capa de Elias, foi conferir se a capacidade divina de fato estava sobre ele, então deu com a capa no rio Jordão, que abriu ao meio imediatamente                       (II Re 2.14). Não foi necessário Eliseu dizer que estava capacitado, os filhos dos profetas reconheceram isso:“Vendo-o, pois, os filhos dos profetas que estavam defronte em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu. (II Re 2.15-a).

V – O QUE PODEMOS APRENDER COM O CHAMADO DE ELISEU

5.1 Disponibilidade. Eliseu não recusou o chamado divino. Quando Elias lhe lançou a capa, ele se mostrou disponível                      “e correu após Elias” (I Rs 19.20-a). Ao recebermos o chamado divino devemos estar disponíveis seja para o que for. Tal qual o profeta Isaías diante do clamor divino, devemos responder: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6.8-b).

5.2 Renúncia. Apesar de ter um trabalho e de amar a sua família, Eliseu demonstrou estar disposto a renunciar o que fosse preciso para atender a convocação divina “Então deixou ele os bois, e correu após Elias; e disse: Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe, e então te seguirei”(I Rs 19.20-a). Tal como os discípulos de Jesus abandonaram suas redes de pescar e puseram-se a segui-lo (Mt 4.20). Esta deve ser uma característica de todo aquele que de modo semelhante recebe o chamado divino. Eliseu se desfez completamente daquilo que exercia antes de receber o chamado divino, mostrando-nos claramente que dali por diante sua tarefa era outra (I Rs 19.21).

5.3 Serviço.  O chamado de Eliseu nos ensina que ao sermos chamados por Deus devemos estar dispostos a servir. Eliseu como aprendiz aprenderia a exercer o seu chamado servindo a Elias (I Rs 19.21). Deus prepara o homem que vai usar através de um homem que já é usado por Ele. A Bíblia cita exemplos dessa verdade, eis alguns exemplos: Josué foi preparado por Deus servindo Moisés (Êx 24.13; 33.11; Nm 11.28; Js 1.1); Samuel serviu a Eli (I Sm 2.11; 3.1); Timóteo servia a Paulo, a quem ele chama de filho (I Co 4.17; I Tm 1.2,18; II Tm 1.2; 3.14).

CONCLUSÃO

Elias, sem dúvida alguma, foi um homem extraordinariamente usado por Deus. Seu exemplo de vida, caráter e ministério se constitui numa herança que o servo do Senhor deixou não somente para os seus contemporâneos, mas também para todos aqueles que são chamados por Deus para uma obra específica. A chamada de Eliseu por sua vez, nos ensina como devemos proceder ante o chamado divino.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R.N. Enciclopedia de Bíblia Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.  CPAD.
  • GARNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada. VIDA.
  • COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL – PROF. PAULO AVELINO