A pecaminosidade humana e a sua restauração a Deus

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO Nº 6 – A PECAMINOSIDADE HUMANA E A SUA RESTAURAÇÃO A DEUS

INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos a origem do pecado à luz da Bíblia no mundo espiritual e físico; falaremos sobre o pecado herdado, onde será pontuado que ele afetou todo o ser do homem, mas não destruiu completamente a imagem de Deus, e nem anulou a capacidade de escolha humana; estudaremos que a salvação é uma iniciativa divina, mas, exige a responsabilidade do homem, e que ela está acessível a todos sem distinção. E por fim, relataremos algumas bençãos provenientes da restauração a Deus com sendo a paz com Ele, o acesso ao pai e a filiação divina.

I – A ORIGEM DO PECADO À LUZ DA BÍBLIA

A palavra hebraica “hatah” e a grega “hamartia” originalmente significam: “errar o alvo, falhar no dever” (Rm 3.23).

Existem outras várias designações bíblicas para o pecado, muito mais do que há para o bem. Cada palavra apresenta a sua contribuição para formar a descrição completa desta ação horrenda contra um Deus santo. Em um sentido básico pecado é: “a falta de conformidade com a lei moral de Deus, quer em ato, disposição ou estado” (CHAVES, 2015, p. 128). Quanto a origem do pecado, devemos fazer algumas considerações:

1.1 Deus não é o autor do pecado. Precisamos destacar que de modo algum Deus pode ser responsabilizado pela entrada do pecado no universo. Atribuir a culpa a Deus, torna-se uma blasfêmia contra o seu caráter moral, que é absolutamente perfeito (Dt 32.4; 2Sm 22.31; Jó 34.10; Sl 18.30), sendo um erro gravíssimo afirmar como fazem alguns, que o Senhor decretou o pecado.

Pois afirma Tiago: “Ninguém ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta” (Tg 1.13-ARA).

1.2 O pecado no mundo espiritual. De acordo com a Bíblia um número incontável de anjos foram criados por Deus (Hb 12.22), e estes eram bons por natureza, assim como tudo o que Senhor criou (Gn 1.31). Mas ocorreu uma Queda no mundo angélico, no qual, vários anjos se apartaram de Deus (Jd 6). Pouco se diz sobre o que ocasionou essa Queda, mas pelo que encontramos em alguns textos, podemos concluir que foi o orgulho e a cobiça de desejar ser semelhante a Deus, fez com que Lúcifer ( nome tradicional dado a este arcanjo tirado de Is 14.12, da expressão ‘estrela da manhã’, na tradução latina da Bíblia – Vulgata Latina) fosse banido e destinado ao inferno (1Tm 3.6; Is 14.11-23; Ez 28.11-19). Como alguém acertadamente ressalta: “Deus criou Lúcifer, mas, Lúcifer fez-se Satanás” (CHAVES, 2015, p. 133).

3 O pecado no mundo físico. No que diz respeito à origem do pecado na história da humanidade, a Bíblia nos informa que se deu pelo ato deliberado, perfeitamente voluntário de Adão e Eva (Gn 3; Rm 5.12,19). Sobre a causa que levou ao pecado, diz Geisler: “[…] Deus não fez com que Adão pecasse, pois, como já analisamos, Deus não pode pecar, nem tentar ninguém nessa direção. Tampouco Satanás fez com que Adão pecasse, pois o tentador fez somente aquilo que o seu nome sugere, ele não o forçou, nem fez nada no seu lugar […] Deus criou criaturas livres, e se é bom que sejamos livres, então a origem do mal é o mau-uso da liberdade” (2010, p. 70,75). A resposta real é que Adão pecou porque escolheu pecar. No entanto, não se pode afirmar que Satanás não teve nenhuma participação na Queda do homem, tanto é que, ele também foi alvo da punição divina porque teve sua participação (Gn 3.14,15).

II – O PECADO NO HOMEM

Tudo o que Deus criou, o fez perfeitamente (Gn 1.31; Ec 7.9). Contudo, por causa do mal uso do livre-arbítrio, o pecado teve o seu lugar na humanidade, manchando (não destruindo) a imagem de Deus (imago Dei) no homem. Sobre alguns efeitos ou consequências do pecado no homem, podemos destacar:

2.1 O pecado herdado. Uma controvérsia gerada no século V, foi a que a raça humana não teria sido afetada pela transgressão de Adão, ou seja, que o homem não herda o pecado original de seu primeiro pai. No entanto, o que a Bíblia afirma é que, pelo fato de Adão ser o cabeça e o representante de toda a raça humana, seu pecado afetou a todos (Rm 3.23; 5.12-19), por isso que todos possuímos a “natureza pecaminosa”, herança que recebemos de nossos pais Adão e Eva (Rm 6.6,12, 19; 7.5,18; 2 Co 1.17; Gl 5.13; Ef 2.3; Cl 2.11,18), dessa forma todos somos por natureza, culpados diante de Deus (Ef 2.1-3). Até um bebê recém-nascido (Sl 51.5), antes mesmo de cometer o seu primeiro pecado, já é pecador (Sl 58.3; Pv 22.15); no entanto, as crianças apesar de nascerem com natureza pecaminosa ainda não conhecem experimentalmente o pecado. Elas não são responsabilizadas por seus atos antes de terem condições morais e intelectuais para discernir entre o bem e o mal, o certo e o errado (Is 7.15; Jn 4.11; Rm 9.11). O sacrifício de Jesus proveu salvação a todas as pessoas, até mesmo às crianças que falecerem na fase da inocência (SOARES, 2017, p. 92 – grifo nosso).

2.2 O pecado afetou todo o ser do homem. O pecado no homem não é meramente um hábito adquirido, ele é uma inclinação natural do ser humano, ninguém precisa ser ensinado a pecar, mas, o faz naturalmente (Rm 3.10; Gl 5.19-21; Ef 2.3). A relação com Deus e com o próximo foram afetadas pelo pecado (Gn 3.7-10), além de trazer a morte física, espiritual, e eterna (Gn 2.16,17; Rm 6.23; Ef 2.1-3; Ap 20.14,15). Os efeitos do pecado nos seres humanos são vastos, afetando-os em toda sua extensão, ou seja, estendendo-se a todas as dimensões do seu ser; isso significa que nada há no ser humano que não tenha sido contaminado pelo pecado, da cabeça à planta do pé (Is 1.5,6)” (SOARES, 2017, p. 90).

2.3 O pecado não destruiu a imagem de Deus. Embora o homem tenha sido afetado extensivamente pelo pecado, isto não significa dizer que a imagem de Deus no homem tenha sido destruída completamente (Rm 2.12-14). Encontramos um mandamento para não amaldiçoar outras pessoas, pois elas também foram criadas a imagem de Deus, e isto seria o mesmo que amaldiçoar a representação do próprio Deus (Tg 3.9,10) (GEISLER, 2010, p. 125).

2.4 O pecado não anulou a capacidade de escolha. Embora tenha pecado e se tornado espiritualmente morto (Gn 2.17; Ef 2.1), passando a ter a natureza pecaminosa (Ef 2.3), Adão não perdeu totalmente a capacidade de ouvir a voz de Deus e também de responder (Gn 3.9-10); a imagem de Deus, que inclui o livre arbítrio permanece nos seres humanos. As Escrituras afirmam claramente que mesmo o homem tendo sua volição (vontade) afetada pelo pecado, não foi anulada (Dt 30.19; Js 24.15; Rm 1.18-20; 2.14,15).

III – A RESTAURAÇÃO DO HOMEM A DEUS

Devido à pecaminosidade do homem, este estava destinado a condenação eterna (Jo 3.18; Rm 3.23; Ef 2.3). Mas, apesar dessa condição, Deus por sua graça e misericórdia (Ef 2.4,5) estabeleceu um projeto salvífico para restaurar o homem (Jo 3.16).

Segundo Houaiss, restauração é: “ato ou efeito de restaurar; conserto de coisa desgastada pelo uso; recomposição de algo”(2001, p. 2442). Vejamos algumas verdades sobre a restauração do homem a Deus:

3.1 Uma iniciativa divina. O projeto de restauração do homem, tem como fonte a pessoa de Deus (Is 45.22; Jn 2.9; Tt 2.11). Na condição de pecador, o homem jamais por si só produziria a sua salvação (Rm 3.10,11; Tt 3.5), por essa razão vemos partindo sempre de Deus a iniciativa de restauração humana (Gn 3.9;15,21). A Bíblia diz que “Deus amou”; “Deus deu”; “Deus enviou” (Jo 3.16). Paulo diz ainda que “[…] a graça de Deus se manifestou […] (Tt 2.11); e que: “tudo isto provém de Deus” (2Co 5.18-a); e ainda: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo […]” (2Co 5.19).

3.2 Exige a responsabilidade humana. No plano da salvação, Deus em sua soberania incluiu a responsabilidade do homem em crer no seu Filho (Mc 16.15,16; Jo 3.16-18; Rm 10.11-14). De acordo com Hunt: “há uma confusão que surge por meio da falha em reconhecer a distinção óbvia entre a incapacidade do homem de fazer qualquer coisa para sua salvação (o que é bíblico) e uma suposta incapacidade de crer no evangelho (o que não é bíblico)” (2015, p. 218). Fé e arrependimento são necessários para a salvação, precedendo a regeneração, ou seja, cremos para ser regenerados e não o inverso (Mc 1.15; Jo 20.31; At 2.38; 10.43; Rm 1.16; 10.9; 1Co 1.21; Ef 1.13,14). A fonte da salvação humana é a graça de Deus e o meio de recebê-la é a fé nele, como afirma o apóstolo Paulo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; isto não vem de vós (salvação), é dom de Deus” (Ef 2.8 – acréscimo nosso).

3.3 Possível a todos os homens. Assim como a extensão do pecado (Rm 5.12), a Bíblia também trata sobre o alcance da graça divina “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” (Rm 5.18). A graça salvífica não é apresentada de forma limitada nas Escrituras, mas sim, que se revela a todos os homens “[…] para exercer misericórdia para com todos” (Rm 11.32; ver Is 45.22; Mt 11.28; Tt 2.11; Jo 1.7,9; 1Jo 2.2), até mesmo àqueles que a rejeitam “Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam” (Jo 1.11). A Bíblia nos mostra que o homem pode por seu livre arbítrio aceitar ou rejeitar o plano divino para a sua salvação (At 4.4; 9.42; 17.4; Hb 3.15; 4.7). Jesus declarou: “Jerusalém, Jerusalém, […] quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos […] e tu não quiseste!” (Mt 23.37 ver ainda At 7.51; 18.6).

IV – ALGUMAS BENÇÃOS PROVENIENTES DA RESTAURAÇÃO A DEUS

4.1 Paz com Deus. Em pecado o homem encontra-se na condição de inimigo de Deus: “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus […]” (Rm 8.7); mas através da fé na morte de Cristo, temos paz com Deus, como resultado da justificação: “[…] justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1; ver Ef 2.14-17).

4.2 Acesso ao Pai. O homem caído em pecado encontra-se distante de Deus (Ef 2.13-a), devido a parede de separação que é resultado da transgressão humana: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” (Is 59.2). Mas Cristo, ao se oferecer como sacrífico expiatório, nos garante acesso a presença de Deus (Jo 14.6; Ef 2.18; Hb 10.19-22).

4.3 Filiação divina. Após a queda, todos por natureza são filhos da ira (Ef 2.3), sob a influência do mundo e escravos dos desejos da carne (Ef 2.2), tendo como pai o diabo (Jo 8.40,41,44). No entanto, no momento em que cremos no Evangelho e confessamos a Cristo como Senhor das nossas vidas, fomos selados com o Espírito Santo (Ef 1.13,14), e esse nos introduziu à família de Deus (Ef 2.19), testificando com nosso espírito que somos filhos de Deus e co herdeiro com Cristo (Rm 8.14-17).

CONCLUSÃO

Apesar da queda da raça humana, Deus, por sua maravilhosa graça decidiu soberanamente salvar o homem caído em pecado, por meio de Jesus Cristo. Esta graça alcança a todos os homens indistintamente, e que apesar de nos salvar independente das obras, nos impele a uma vida de santificação que é a evidência visível da salvação. Tendo sido justificados pela graça, mediante a fé, experimentamos grandes benefícios de agora em diante: “temos paz com Deus” (Rm 5.1) e temos a certeza da “glorificação final” (Rm 8.30) e a libertação presente e futura da “condenação” (Rm 8.1,33,34).

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • CHAVES, Gilmar, Vieira. Temas Centrais da Fé Cristã. CENTRAL GOSPEL.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. CPAD.
  • GILBERTO, Antônio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

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O impiedoso mundo de Lameque

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4º TRIMESTRE 2015

O COMEÇO DE TODAS AS COISAS

Estudo sobre o livro de Gênesis

COMENTARISTA: Pr. Claudionor de Andrade

LIÇÃO 06 – O IMPIEDOSO MUNDO DE LAMEQUE – (Gn 6.1-8)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos uma breve biografia de Lameque descendente de Caim, considerado por alguns como um dos personagens mais depravado da Bíblia Sagrada. Faremos uma rápida comparação entre a geração ímpia de Lameque e a geração piedosa de Sete. Estudaremos os maus exemplos deixados pela semente lamequiana, e por fim, concluiremos pontuando que não devemos seguir os maus hábitos da linhagem impura de Lameque.

I – BREVE BIOGRAFIA DE LAMEQUE

Lameque filho de Metusael, um descendente de Caim, foi o primeiro polígamo manchando a instituição divina do casamento tendo-se unido com Ada do hebraico “beleza” e Zilá significa “sombra” (Gn 4.18-24). Seus filhos foram Jabal (pai dos que habitam em tendas e têm gado), Jubal (pai de todos que tocam harpa e órgão), e Tubalcaim (mestre de toda a obra de cobre e de ferro). Sua impiedade chegou ao auge quando se vangloriou de sua violência no cântico da espada (Gn 4.23,24), assim, em conexão com Lameque, temos o primeiro exemplo de poesia na Bíblia (Gn 4.23,24), e exibe o paralelismo que caracterizava a poesia dos hebreus. Essa vanglória é geralmente entendida como sendo a confiança nas armas de metal de seu filho, em oposição à confiança em Deus. Estes filhos parecem torná-lo o pai dos nômades, músicos e artífices em metal (WYCLIFFE, 2006, p. 1130). Donald Stamps (1995, p. 39), diz que Lameque foi o primeiro a rejeitar o princípio do casamento monogâmico ordenado por Deus (Ml 2.15; Mt 19.5), que um homem cruel e bárbaro, e foi o primeiro a cometer um duplo homicídio, e ainda fez um poema em sua própria homenagem (Gn 4.23,24).

II – LAMEQUE E A SEMELHANÇA DA DESCENDÊNCIA DE CAIM E SETE

Quanto aos três filhos de Lameque descendente de Caim, Jabal o primeiro, foi um famoso pastor de ovelhas e construtor de tendas (Gn 4.20); Jubal, o segundo, foi um músico e harpista (Gn 4.21); e o terceiro filho Tubalcaim foi artífice de metais (Gn 4.22). É interessante observar um ponto de comparação entre a linhagem de Caim e a linhagem de Sete. O sétimo depois de Caim foi Lameque, que era o epítome (exemplo) da hostilidade furiosa, embora seus três filhos fossem gênios criativos. O sétimo na linhagem de Sete foi o piedoso Enoque, que Deus para si o tomou e seus três filhos começaram uma nova população depois do dilúvio (HENRY, 2010, p. 41). Ao comparar a árvore genealógica de Caim com a de Sete é impossível não observar a semelhança entre os nomes. Vejamos:

2.1 Apenas uma aparente semelhança genealógica. Há um Enoque e um Lameque descendentes de Caim (Gn 4.18) e um Enoque e um Lameque descendentes de Sete (Gn 5.18, 25). O Enoque descendente de Caim não andou com Deus como o de Sete, e nem o Lameque descendente de Caim foi obediente como o de Sete (Gn 4.26; 5.21-32). O mais triste, porém, é que essas duas linhagens, a descendência perversa de Caim e a piedosa de Sete, convergiram e uniram-se (Gn 6.1,2), criando assim, uma sociedade depravada cujos pecados trouxeram o juízo do dilúvio. A árvore genealógica de Caim termina com a família de Lameque (Gn 4.19-24), um homicida arrogante cujos três filhos produziam coisas para este mundo. A linhagem de Sete termina com Noé, cujos três filhos deram ao mundo um recomeço depois do dilúvio (HENRY, 2010, p. 46 – acréscimo nosso). Assim, na linhagem de Caim temos o começo da vida urbana; na linhagem de Sete, o começo de uma vida de santificação; e o cainita Lameque, regozijando-se nas armas inventadas por seu filho, mostrou ser o oposto mesmo do Lameque descendente de Sete (CHAMPLIN, 2001, p. 48).

III – A GERAÇÃO ÍMPIA DE LAMEQUE E SEUS MAUS EXEMPLOS

A geração atual em nada se difere dos tempos antediluvianos a não ser em questão de espaço temporal. Notemos pois o que diz o texto: “E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra… O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência… (Gn 6.12,13). O mundo de Lameque era ingrato e cruel e voltando-se contra o Senhor, seus descendentes cometeram os pecados mais hediondos e abomináveis. Vejamos:

3.1 Corromperam a terra com prostituições (Gn 4.19). Os pecados sexuais, agora, eram cometidos como se nada fosse proibido; não havia limites à fornicação nem ao adultério. A maldade aumentava a todo instante e os descendentes de Caim e Lameque ficaram excessivamente ímpios e pagãos. Com o transcorrer do tempo, a separação entre os descendentes de Sete e os de Caim cessou por causa do casamento das duas linhagens (Gn 6.2). A união dos piedosos com mulheres incrédulas foi motivada pela “atração física de tais mulheres”. Sem mães piedosas, a descendência de Sete degenerou-se espiritualmente.

3.2 Corromperam a terra com imoralidades (Gn 6.5). Chegou o momento quando a família de Noé foi a única que cumpria as normas morais e espirituais de Deus. Parece que Satanás, ao ver que não pôde destruir a linha messiânica pela força bruta no caso de Abel, agora procura extingui-la mediante casamentos mistos; e por pouco não teve êxito. Outra característica daquela geração era a corrupção (Gn 6.11). O homem deixou de fazer o bem e, aquela geração vivia mergulhada em práticas pecaminosas e imorais.

3.3 Corromperam a terra com violência (Gn 4.23; 6.11). Os descendentes de Caim deixaram um legado de iniquidade e maldade. Tornaram-se auto-suficientes e a violência cada vez mais se multiplicava gerando uma sociedade hostil e competitiva. Os excessos daquela gente redundaram numa geração truculenta e implacável. O primeiro poema da Bíblia (Gn 4.23,24) serve de ilustração da amargura feroz que envenenou o espírito destes homens. Há quem diga que o significado do versículo 23 é: “Matei um homem [meramente] por me machucar e um jovem [só] por me pisar o pé”.A maldade e a corrupção daquela geração abriram as portas para a violência. Os homens viviam agredindo-se mutuamente, pois as Escrituras afirmam que “… encheu-se a terra de violência” (Gn 6.11 b).

3.4 Corromperam a terra com resistência à graça divina (Gn 6.3). Como se não bastasse a maldade, a corrupção e a violência, aquela geração também era caracterizada pela incredulidade. Por muito tempo, o Espírito de Deus instou junto àquela geração para que se convertesse e deixasse seus maus caminhos. Chegou, porém, o dia em que Deus deu um basta em tudo aquilo. Declarou o Senhor: “Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem, porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos”. A graça de Deus, ainda que perfeita e infalível, pode ser resistida, haja vista a geração que saíra do Egito rumo a Canaã. Não obstante os milagres que presenciara, endureceu o seu coração de tal forma, que veio a ser rejeitada pelo Senhor (Hb 3.8; 15).

3.5 Corromperam a terra com desprezo pela moral (Gn 6.5). A geração lamequiana e antediluviana foi marcada pela violência, corrupção, maldade e satisfação carnal. Os homens daquela época viviam circunscritos a benefícios próprios. “… Pois nos dias anteriores ao Dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento (…) e eles nada perceberam, até que veio o Dilúvio e os levou a todos. Assim acontecerá na vinda do Filho do homem” (Mt 24.37-39). As marcas da violência são vistas por todos os lados; abusos contra crianças e adolescentes, abusos contra a mulher e racismo de toda natureza.

3.6 Corromperam a terra com o hedonismo (Gn 4.24). A palavra hedonismo vem do filósofo grego Epicuro e significa o “prazer pelo prazer”. Os antediluvianos pensavam somente em “comer e beber; casar-se e se dar em casamentos”. Todas estas expressões revelam a maneira que aquela sociedade encarava a vida; pois para eles tudo girava em torno do prazer, ou seja da satisfação pessoal. Esta geração precisa urgentemente ouvir a voz de Deus ou será submersa pelo dilúvio do juízo divino. Observe o que diz a Bíblia: “E eles nada perceberam, até que veio o Dilúvio e os levou a todos”. Crendo os homens ou não Jesus virá para arrebatar os salvos e punir os ímpios.

IV – LAMEQUE – UM EXEMPLO A NÃO SER SEGUIDO

Lameque é um exemplo a não ser seguido por algumas razões. Vejamos:

4.1 Lameque se vangloria de ser um homem violento. Lameque tem prazer em alardear sua violência e apresenta-se como o segundo homicida da história. Ele não conhecia que a violência não é força, mas fraqueza, nem nunca poderá ser criadora de coisa alguma, apenas destruidora. “E disse Lameque a suas mulheres Ada e Zilá: Ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai as minhas palavras (…) ” (Gn 4.23-a).

4.2 Lameque banaliza a vida humana. Para Lameque as pessoas não valiam nada. A violência é a demonstração mais vil de que a vida humana não tem valor. Matar um jovem por causa de uma pisada no pé é não ter nenhum respeito á vida humana. “E disse Lameque (…) eu matei um homem por me ferir (…)” (Gn 4.23-b).

4.3 Lameque não demonstrou o mínimo de amor. Lameque não gostou de ser pisado, mas pisou as pessoas. Lameque tipifica aquelas pessoas que não gostam de ser machucadas, mas têm prazer em machucar os outros. “… eu matei (…)” (Gn 4.23-c). Além de amar nossos familiares e irmãos, a Palavra de Deus nos ensina a amar a todas as pessoas, inclusive, os nosso inimigos (Mt 5.44; Lc 6.35). Jesus disse que se amarmos a quem nos ama, não teremos nenhuma recompensa, pois os pecadores amam aos que os amam (Lc 6.32). É bem verdade que não é fácil amar a quem nos persegue, mas a Bíblia nos diz que o amor de Deus está derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5.5).

4.4 Lameque é avesso ao perdão. Lameque não conhecia a palavra perdão. Perdão é uma palavra desconhecida no vocabulário de algumas pessoas. Infelizmente, muitos à semelhança de Lameque preferem retribuir a ofensa na mesma intensidade ou em grau superior do que liberar perdão. Seguimos o exemplo de Lameque quando não perdoamos, antes odiamos ao nosso irmão. “… eu matei um homem por me ferir, e um jovem por me pisar” (Gn 4.23-d; Sl 130.4; Mt 5.43,44; Lc 6.27;35; Rm 12.14, 20).

CONCLUSÃO

Concluímos esta lição, aprendendo que apesar de sempre existir as gerações ímpias e impuras, Deus sempre contou com as gerações puras e obedientes como a de Sete e Noé.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  • HOWARD, R.E et al. Comentário Bíblico. CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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Caim era do maligno

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4º TRIMESTRE 2015

O COMEÇO DE TODAS AS COISAS

Estudo sobre o livro de Gênesis

COMENTARISTA: Pr. Claudionor de Andrade

LIÇÃO 05 – CAIM ERA DO MALIGNO – (Gn 4.1-10)

INTRODUÇÃO

Nesta lição, estaremos estudando o capítulo 4 do Livro de Gênesis, que relata-nos o incidente que houve com os irmãos Caim e Abel, os primeiros filhos de Adão e Eva. Após ver que a sua oferta a Deus foi rejeitada e a de seu irmão aceita, Caim, por inveja e ardendo em ira executou Abel. Este ato horrendo não ficou impune, pois Deus o castigou severamente. Os escritores do NT, referiram-se a esta história, a fim de alertar aos cristãos que não devemos entrar pelo caminho de Caim, nem imitarmos as suas más obras.

I – OS FILHOS DE ADÃO E EVA SEGUNDO O RELATO DO GÊNESIS

Após terem sido lançados fora do Éden por causa do pecado, a narrativa bíblica nos diz que Adão conheceu Eva (Gn 4.1). Segundo Stamps (1995, p. 38) “a palavra conhecer é muito empregada na Bíblia para significar vida íntima conjugal”. Confira (Gn 4.17; I Sm 1.19; Mt 1.25; Lc 1.34). Eis os filhos de Adão e Eva:

1.1 Caim (Gn 4.1). Primeiro filho de Adão e Eva. O nome é relacionado com a exclamação feita por Eva, de gratidão ao Senhor. Esse nome tem o significado de ‘adquirido’ (do hebraico “qana”, Gn 4,1), porém a forma exata “qayin” também pode significar “lança” ou “ferreiro” (WYCLIFFE, 2007, p. 335 – acréscimo nosso).

1.2 Abel (Gn 4.2). “Foi o segundo filho de Adão e Eva. Ele se tornou pastor de ovelhas (Gn 4.2). “Abel” poder ser um derivado do vocábulo hebraico que significa “sopro” ou “vaidade”, para prefigurar assim que sua vida seria curta. (GARDNER, 1999, p. 11).

1.3 Sete (Gn 4.25). “Terceiro filho de Adão e Eva, quando Adão tinha 130 anos de idade. Nasceu depois que Caim matou Abel. Gênesis 4.25 diz que Eva lhe deu esse nome porque: “Deus me deu outro filho em lugar de Abel; porquanto Caim o matou”. Devido ao pecado de Caim e a morte de Abel, a linhagem de Adão foi estabelecida por meio de Sete, gerado à semelhança e conforme a imagem de Adão (Gn 5.3-8). Sete teve um filho chamado Enos (Gn 4.26; I Cr 1.1) e foi nessa época “que os homens começaram a invocar o nome do Senhor”. Esse fato provavelmente é citado para enfatizar que foi por meio de Sete que a linhagem piedosa teve continuidade. Essa tornou-se a linhagem messiânica através de Noé, Abraão, Davi e finalmente Jesus (Lc 3.38)” (GARDNER, 1999, p. 63).

1.4 Filhos e filhas (Gn 5.4). O registro de Moisés nos informa que além de Caim, Abel e Sete, Adão e Eva também tiveram filhos e filhas. “Nossos antepassados geraram um grande número de filhos e filhas. Presumimos que houve casamento entre estes, é claro. Os problemas associados com o incesto, citados em Levítico 18, provavelmente ainda não aconteciam na época” (RADMACHER, et al, 2010, p. 24).

II – A OFERTA DA CAIM E A OFERTA DE ABEL

Segundo Gênesis capítulo 4, os dois irmãos, Caim e Abel, aparentemente agindo de forma espontânea, trazem uma oferta ao Senhor. Caim oferece parte de sua produção agrícola (Gn 4.3). Abel, o segundo filho, apresenta um dos primogênitos do rebanho (Gn 4.4). Deus aceita a oferta de Abel, mas rejeita a de Caim (Gn 4.4,5). O texto bíblico não explica diretamente o porquê da rejeição. O autor da epístola aos Hebreus dá-nos uma explicação inspirada da diferença entre as duas ofertas: “Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim […] dando Deus testemunho dos seus dons” (Hb 11.4). Esta explicação centraliza-se sobre a diferença do espírito manifestado pelos dois homens. Sendo Abel um homem de fé, veio com o espírito correto e adorou de maneira agradável a Deus. Pelas aparências, ambas as ofertas expressavam ação de graças e devoção a Deus. Mas, o homem que tinha falta de fé genuína no seu coração não podia agradar a Deus, embora sua oferta material fosse imaculada. Deus não se agradou de Caim porque já olhara para ele e vira o que havia no seu coração. Abel veio a Deus com a atitude certa de um coração disposto a adorar e pela única maneira em que os homens pecadores podem se aproximar de um Deus santo. Caim não. Logo: “o sacrifício de Caim foi inferior porque a motivação deste não era boa, e a de Abel sim”. O que podemos aprender com este fato:

2.1 É possível fazer coisas boas com motivações ruins (Gn 4.3,4). Caim e Abel trouxeram ofertas ao Senhor, todavia, enquanto a motivação de Abel era boa, a motivação de Caim não era, como nos revela o próprio Deus (Gn 4.7). A palavra motivação alude a intenção, propósito ou objetivo com que fazemos as coisas. Jesus exortou seus seguidores a não fazerem as coisas certas com motivações erradas (Mt 6.2,5,16).

2.2 Antes de atentar para a oferta, Deus atenta para o ofertante (Gn 4.3-5). Sob a análise divina a oferta tem valor secundário, enquanto que o ofertante tem valor primário. Por diversas vezes, principalmente na literatura profética, verificamos que Deus rejeita um sacrifício ou uma oferta quando a obediência e a vida em santidade são substituídos por rituais religiosos (Is 1.11-17; Mq 6.6-8; Ml 1.6-14). Semelhante princípio foi ensinado por Jesus (Lc 21.1-4; 18.10-14).

III – A INVEJA DE CAIM E OS MALES QUE A ACOMPANHARAM

Caim sentiu inveja de seu irmão Abel, porque este alcançara o favor de Deus e ele não (Gn 4.5). A i nveja é um misto de ódio, desgosto e pesar pelo bem e felicidade de outrem. A inveja é perniciosa para qualquer pessoa, pois, ela está ligada diretamente com a carnalidade e é uma das maiores demonstrações de mesquinharia humana, causada pelo pecado (Gl 5.19-20). Podemos dizer que a inveja sempre envolve um sentimento maléfico de ressentimento pelo sucesso do outro e ninguém é beneficiado por ela. Abaixo destacaremos algumas outras obras da carne decorrentes da inveja:

3.1 Ira (Gn 4.5,6). Após ter a sua oferta reprovada por Deus, Caim se irou fortemente (Gn 4.5-b). “Diz o original hebraico, literalmente, “Caim incendiou-se muito”. Por muitas vezes, a ira do homem é o começo da cadeia que termina em algum ato precipitado. Com frequência, os homens se iram por causa de seus fracassos, mas não mostram nenhum interesse em se corrigirem quanto a seus erros” (CHAMPLIN, 2001, p. 43). Quando o homem não domina o seu sentimento de ira por alguém, poderá cometer as piores crueldades com os seus semelhantes (Gn 4.7). Paulo ensinou que não devemos deixar o sol se pôr sobre a nossa ira, do contrário, o diabo encontrará espaço no coração (Ef 4.26,27).

3.2 Homicídio premeditado (Gn 4.8). Caim resolveu dar fim a vida do seu próprio irmão Abel. Isto se deu, quando ele convidou seu irmão para ir ao campo, criando o ambiente propício para cometer o crime. “Caim já tinha o homicídio em seu coração, e convidou propositadamente a Abel para que fosse com ele a um lugar onde lhe convinha executar seu maligno propósito. Nesse caso, o primeiro homicídio foi premeditado (CHAMPLIN, 2001, p. 45). É estarrecedor ver que o primeiro homicídio ocorrido na Terra, foi de um irmão contra o outro. Caim não se deu por satisfeito, ao ver que seu sacrifício não fora recebido e o de seu irmão sim, projetou em seu coração executar Abel e do jeito que pensou fez. A Bíblia condena o homicídio e também o ódio que poderá levar alguém a assinar outrem (Êx 20.13; Dt 5.17; Mt 5.21; I Jo 3.15).

3.3 Mentira (Gn 4.9). Quando interpelado por Deus acerca de onde estava seu irmão, Caim respondeu com aspereza “Não sei; sou eu guardador do meu irmão?”. “O assassino mostrou que também era um mentiroso, tal como Jesus disse acerca de Satanás (Jo 8.44,45). A perversão humana é como as raízes espinhentas que espalham os seus tentáculos por toda parte e sobre tudo, estragando assim a personalidade inteira. A mente criminosa quase sempre ofende em várias áreas” (CHAMPLIN, 2001, pp. 45,66). O verdadeiro servo de Deus tem compromisso com a verdade (Lv 19.11; Cl 3.9).

IV – A PUNIÇÃO DIVINA PELO CRIME DE CAIM

Após consumado o ato de violência contra o próprio irmão, Caim foi confrontado por Deus. O Senhor o questionou onde estava Abel e o que havia feito com ele. O transgressor, prontamente e rispidamente negou saber (Gn 4.9,10). Pensou talvez que por perguntar, Deus não estava sabendo, mas ninguém pode esconder suas intenções e atitudes daquele que é Onisciente (Gn 4.11; Sl 139.1-6; Pv 21.2; Hb 4.13; Ap 2.23). A Bíblia nos revela que Deus puniu-o pelo seu crime hediondo, da seguinte forma: (a) Amaldiçoando-o (Gn 4.11). Como sempre a maldição está vinculada a desobediência aos mandamentos divinos, assim como a benção ligada a obediência (Dt 11.26-28); e, (b) Dificultando a fertilidade da terra (Gn 4.12). Caim era agricultor, ou seja, tirava seu sustento daquilo que plantava (Gn 4.2). Todavia, após o seu pecado foi punido por Deus também nesta área. “O solo, empapado com o sangue de Abel, perpetraria vingança contra Caim. Recusar-se-ia a produzir com abundância. Caim haveria de trabalhar e suar, mas a terra mostrar-se-ia relutante. Essa maldição repete aquela que fora lançada contra Adão (Gn 3.18,19). Seu destino agora seria caminhar errante pelo deserto, visto que não demonstrou arrependimento pelos erros que cometeu (Gn 4.12,14,16). É assim que se encontram todos aqueles que se distanciam de Deus (Jz 21.25; Pv 4.19; Is 53.6).

V – ADVERTÊNCIA PARA QUE NÃO SEJAMOS COMO CAIM

5.1 O caminho de Caim (Jd 1.11). Judas, o irmão do Senhor, escreveu em sua epístola, exortações aos cristãos genuínos que se mantivessem longe dos falsos cristãos, cujos ensinos eram pervertidos e podiam afastá-los do caminho certo. Judas assevera de forma contundente que estes hereges entraram pelo caminho de Caim, ou seja, como Caim matou Abel, estes podiam trazer morte espiritual aos servos de Senhor.

5.2 As obras de Caim (I Jo 3.12-b). Destacando o amor ao próximo como evidência de uma verdadeira espiritualidade e comunhão com Deus, o apóstolo João, exorta aos cristãos a não imitarem as obras de Caim, visto que, pela inveja e egoísmo praticou coisas más, trazendo malefícios para seu próprio irmão, sua família e para si mesmo. Para João, quem não ama seu irmão pertence ao Maligno e é imitador das obras de Caim.

CONCLUSÃO

Quando o pecado foi introduzido no mundo afetou diretamente a natureza humana, levando os homens a cometerem atrocidades inimagináveis, contra Deus, contra si mesmos e contra o próximo. Somos advertidos pelo mau exemplo de Caim, a não trilharmos o seu caminho de inveja, nem imitarmos as suas obras injustas.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Vol 1. HAGNOS.
  • GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada. VIDA.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  • PFEIFFER, Charles, et al. Wycliffe: Dicionário Bíblico. CPAD.
  • RADMACHER, Earl D. Et al. O Novo Comentário Bíblico: AT. CENTRAL GOSPEL.

Fonte: REDE BRASIL

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A queda da raça humana

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4º TRIMESTRE 2015

O COMEÇO DE TODAS AS COISAS

Estudo sobre o livro de Gênesis

COMENTARISTA: Pr. Claudionor de Andrade

LIÇÃO 04 – A QUEDA DA RAÇA HUMANA – 4º TRIMESTRE DE 2015 (Rm 5.12-19)

 INTRODUÇÃO

A queda do homem resultou na sua separação com Deus (Is 59.2); na destituição da glória de Deus (Rm 3.23), e consequentemente trouxe morte ao invés de vida (Rm 6.23). Na narrativa mais trágica e infeliz da raça humana é necessário ainda dizer que esta Queda não foi só local, pessoal e destinada aquele tempo, mas, que o pecado cometido por Adão teve abrangência total e universal (Rm 5.12).

I – DEFINIÇÃO DA PALAVRA PECADO

Pecado é a falta de conformidade com a Lei moral de Deus, quer seja em ato, disposição ou estado; é a rebelião contra a vontade de Deus (1Jo 3.4). O termo “hamartiologia” deriva de dois vocábulos da língua grega: “hamartia” e “logos”, os quais significam “estudo acerca do pecado”. O termo “hamartia” sugere a ideia de “fracassar”, “errar o alvo” ou “desviar-se do rumo”. Porém, o termo também sugere alguém que erra o alvo propositadamente; ou seja, que atinge outro alvo intencionalmente. Em síntese, o homem não foi criado para o pecado; se pecou, foi por seu livre-arbítrio, sua livre escolha (Gn 3.1-6; Lv 16.21; SI I.I; 51.4; 103.10; Is 1. 18; Is 48.8; Dn 9.16; Os 12.8; Rm 1.18-32; Rm 3.10) (CABRAL, 2008, p. 302).

II – DEUS NÃO É O AUTOR DO PECADO

A Bíblia apresenta o homem como transgressor por natureza. Mas, como adquiriu o homem essa natureza pecaminosa? O que a Bíblia nos diz acerca disso? Podemos afirmar categoricamente que Deus não é o autor do pecado. Evidentemente Deus, na sua presciência e onisciência, já vira a entrada do pecado no mundo, bem antes da criação do homem. Porém, deve-se ter o cuidado para que ao se utilizar esta interpretação, não venha fazer de Deus a causa ou o autor do pecado (Jó 34.10; confira ainda Dt 32.4; Sl 92.16; Tg 1.13). Deus odeia o pecado (Dt 25.16; Sl 5.4, 11.5; Zc 8.17; Lc 16.15). Assim sendo, as Escrituras rechaçam todas aquelas ideias deterministas, segundo as quais, Deus é autor e responsável pela entrada do pecado no mundo. O pecado é o resultado de uma escolha livre porém má, do homem (Ec 7.29; Lm 3.39).

III – O HOMEM, A QUEDA E A IMAGEM DE DEUS

A Bíblia é a única fonte segura concernente a criação do homem e seu estado original. De forma simples e objetiva o Gênesis declara que, depois de tudo feito especialmente, o homem, “viu Deus que era muito bom” (Gn 1.31). Contudo, a Bíblia não só revela o primeiro estado do homem, como relata a história da perda do seu primeiro estado de santidade, pela Queda, e também a possibilidade de sua restauração (Cl 3.10; Ef 4.24). O primeiro homem possuía um corpo, alma e um espírito perfeitamente adequados um ao outro. Não havia conflito entre os impulsos pessoais e os espirituais no homem, pois isso era um tipo de perfeição física e espiritual (Gn 3.22). Vejamos as consequências da Queda:

3.1 Criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26,27). Em que consiste esta imagem de Deus? Ao longo da história, os teólogos vêm discutindo sobre as diferenças entre “imagem e semelhança”. Porém, a distinção entre as duas características quase se confunde com a diferença entre personalidade (ou pessoalidade) e espiritualidade. No hebraico, as palavras imagem tselem” e semelhança “demut” exprimem a ideia de algo similar, mas não idêntico à coisa que representa ou de que é uma “imagem”. A imagem de Deus no homem com a presença do pecado está deturpada, afetada, mas, não totalmente como afirmam alguns que terminam com isso atribuindo a falta de livre escolha no homem por essa total depravação.

3.2 Há uma distância infinita entre Deus o homem. Só Cristo é a imagem expressa da Pessoa de Deus, como o Filho de Deus, que possui a mesma natureza. Na verdade, a imagem divina no homem é como a “sombra no espelho”. O homem, como imagem de Deus, foi dotado de atributo moral, isto é, de justiça original. Porém, essa justiça não era imutável; havia a possibilidade de pecado, pois ele foi dotado de livre-arbítrio (Dt 30.15-19). O homem foi criado com uma natureza santa, voltada naturalmente para Deus e sua vontade. Essa imagem divina no homem revela seu caráter e sua natureza religiosa, haja vista ter sido dotado de “espírito”, para manter comunhão com o seu Criador.

IV – O PECADOA DISTORCEU A IMAGEM DE DEUS NO HOMEM

Na teologia cristã, a doutrina do pecado ocupa grande espaço porque o cristianismo é a religião da redenção da raça humana. De todas as doutrinas bíblicas, três delas são de vasta amplitude porque tratam de Deus, do pecado e da redenção. Existe uma inter-relação entre essas três doutrinas. É impossível tratar do pecado sem mencionar a redenção do pecador e, naturalmente, a sua relação com a sua fonte: Deus (CABRAL, 2008, p. 302). A Bíblia nos revela que no Jardim do Éden o homem manifestou algumas atitudes que contribuíram para a sua Queda. Por isso, analisemos:

4.1 A Queda distorceu e avariou a imagem divina no homem. O destaque maior no relato da criação está na palavra “imagem”: “E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou” (Gn 1.27). Existem alguns ensinamentos de que o ser humano na Queda perdeu totalmente a imagem de Deus inclusive o livre-arbítrio, estando assim totalmente depravado. Essa teoria é incoerente e anti-biblica, pois a imagem e a semelhança, de fato, se referem aos aspectos moral e espiritual de Deus que foi colocado no homem, os quais ainda persistem mesmo depois do pecado no ser humano, apesar de desfigurados e transtornados pela Queda e os efeitos subsequente. Quanto à imagem moral, o homem é constituído de intelecto, vontade e sentimento; isto. Quanto à imagem espiritual, ele possui espírito e alma.

V – AS CONSEQUÊNCIAS DA QUEDA DO HOMEM

Indiscutivelmente, o pecado trouxe graves consequências ao Universo, especialmente á vida na Terra. A Bíblia faz várias declarações a respeito da universalidade do pecado (I Rs 8.46; Rm 1.18; Rm 3.10-12, 23; 6.23). Portanto, vejamos algumas consequências que o pecado trouxe ao homem depois da Queda.

CONSEQUÊNCIAS DO PECADO NA CRIAÇÃO

REFERÊNCIAS

O pecado fez com que a terra fosse amaldiçoada

(Gn 3.17.18)

O pecado trouxe ao homem a punição da morte física e espiritual

(Gn 3.19; Rm 5.12; 6.23; Tg 2.26)

O pecado acarretou punições naturais e físicas na vida do homem

(Gn 3.16; Rm 8.20-23)

O pecado deu origem a lei da morte atuante sobre a totalidade da raça humana

(1Co 15.21,22; Ef 2.1,2)

O pecado trouxe inquietação e aflige o pecador

(Jr 2.19)

O pecado escravizou o homem e interrompeu a comunhão com Deus

(Jo 8.34; Rm 3.23)

O pecado exclui o homem do céu

(Ap 22.15)

VI – O PECADO FEZ O HOMEM REBELAR-SE CONTRA DEUS

As Escrituras afirmam que o pecado trouxe rebelião e separação do homem em relação a Deus. Vejamos:

6.1 A Queda trouxe rebelião contra Deus. Satanás, que já havia se rebelado contra Deus e caído, veio tentar o homem para que este também desobedecesse e se rebelasse contra Deus. Então, por intermédio de uma serpente, ele esperou uma oportunidade em que a mulher estivesse a sós, lançou em dúvidas a bondade e a fidelidade de Deus e enganou a mulher para que ela comesse do fruto que Deus havia dito que não comessem (Gn 2.16,17; 3.1-5). A mulher, então, comeu do fruto e deu também a seu marido (Gn 3.6). Dessa maneira, então, o pecado entrou no mundo (Rm 5.12) e o homem rebelou-se contra o criador.

6.2 A Queda trouxe separação contra Deus. Desde a queda do homem que Satanás tem promovido meios de separar ainda mais o homem de Deus. Seu maior desejo é que toda criatura venha se rebelar contra o criador. Por isso, ele tem se utilizado da educação, da filosofia, dos meios de comunicação, de movimentos filosóficos, humanistas e ateístas, com o intuito de separar o homem de Deus e conduzi-lo ao ateísmo (2Co 4.4).

VII – A HEREDITARIEDADE E UNIVERSALIDADE DO PECADO

Todos os atos pecaminosos das pessoas são frutos de sua natureza pecaminosa (Rm 5.12; 19). A morte, como punição do pecado, tem um caráter universal. Por causa do pecado de Adão, todos os seus descendentes tomaram-se pecadores e culpados (Rm 5.8). Portanto, o pecado é hereditário e a sua universalidade deve-se à corrupção da natureza humana. A tendência má que se revela numa criança por exemplo, se percebe na semente dessa tendência má. A criança até certa idade é despida de consciência moral, mas congenitamente possui a natureza pecaminosa herdada. Nesse sentido, toda criança até alcançar a idade da consciência do bem o do mal é pecadora por natureza, conquanto não tenha a culpa pessoal (SI 51.5). No Juízo Final, as pessoas serão julgadas mediante o teste da conduta pessoal, enquanto estas crianças, nesta faixa etária, mesmo tendo uma natureza para mal, são incapazes de transgressão pessoal; por isso, cremos que elas estarão entre os salvos (Mt 19.14; 21.16; 25.45,46; Lc 10.21).

VIII – A SALVAÇÃO EM RELAÇÃO AO PECADO

A palavra salvação significa, em primeiro lugar, “ser tirado de um perigo, livrar-se, escapar” (At 26.18; Cl 1.13). A tradução da palavra grega “soterion”, tem o sentido de “tornar ao estado perfeito”, ou “restaurar o que a queda causou”. Vejamos as bênçãos que acompanham a salvação:

  • O homem é salvo dos seus pecados (Mt 1.21; Lc 7.50), que lhe são perdoados (Lc 7.48; Tg 5.20). A salvação também o livra da culpa (Ef 1.7; Cl 1.14) e do poder do pecado (Rm 7.17, 20, 23, 25). O homem é salvo do juízo (I Tm 5.24; Rm 8.1), da ira de Deus (Rm 5.9) e da morte eterna (Tg 5.20; Ap 20.6);
  • O homem entra em comunhão com Deus (Ef 2.13,18; Lc 1.74,75), recebe entrada na sua graça (Rm 5.2) e torna-se cidadão do céu (Ef 2.19). O homem é salvo desta geração perversa (At 2.40), isto é, recebeu uma nova posição em relação ao mundo (Fp 2.15); ele é salvo do poder de Satanás (At 26.18; Cl 1.13-15; Hb 2.14);
  • O homem torna-se templo e morada do Espírito Santo (Jo 14.17; I Co 6.19), que passa a agir em sua vida (Ef 1.13; 2.16-18). A salvação lhe dá viva esperança (I Pe 1.3) e direito à glória eterna (II Tm 2.10; 4.18), e assim, é salvo da ira de Deus (I Ts 1.10; 5.9; II Pe 2.9).

CONCLUSÃO

O pecado causou a separação entre Deus e o homem (Rm 5.12; 6.23), mas, Cristo trouxe de volta a possibilidade da comunhão com Deus.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • KELLY, J.N.D. Introdução e Comentário. MUNDO CRISTÃO.
  • · STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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Advertencias contra o adulterio

        

sabedQUARTO TRIMESTRE DE 2013ensinador

SABEDORIA DE DEUS PARA UMA VIDA VITOROSA

COMENTARISTA: JOSE GONÇALVES

adulterio

LIÇÃO 02 – Advertencias contra o adulterio – (Pv 5.1-6)

Bebe a água da tua cisterna e das correntes do teu poço. […] Seja bendito o teu manancial e alegra-te com a mulher da tua mocidade” (Pv 5.15, 18)

A infidelidade conjugal (adultério), do hebraico na’aph é uma das práticas condenadas nos Dez Mandamentos: “Não adulterarás” (Êx 20.14).

 Um caso de infidelidade conjugal no Antigo Testamento bastante conhecido é o de Davi:

E enviou Davi e perguntou por aquela mulher; e disseram: Porventura, não é esta Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o heteu? Então, enviou Davi mensageiros e a mandou trazer; e, entrando ela a ele, se deitou com ela (e já ela se tinha purificado da sua imundície); então, voltou ela para sua casa. (2 Sm 11.3-4)

As consequências deste episódio foram trágicas, pois culminou na trama da morte do marido de Bate-Seba, Uriaz (2 Sm 11.14-17). Davi pagou um alto preço por isso (2 Sm 12.14-19). Apesar do grande erro cometido, ao assumir seu pecado e demonstrar sincero arrependimento, a graça e a misericórdia de Deus se manifestaram em forma de perdão absoluto (2 Sm 12.13), isentando Davi das consequências legais de sua inflação:

Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera. (Lv 20.10)

Em soberania e graça Deus concedeu o seu perdão a Davi. Quem pode contestá-lo? Quem é o legalista que confrontará o Senhor por ministrar em graça o seu perdão?

 No Novo Testamento o tema infidelidade conjugal (adultério) é tratado por Jesus:

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela. (Mt 5.27-28)

O termo grego para “adultério” é moicheúseis, e para “cobiçar” epithumesai, que no contexto implica em ansiar, desejar possuir. Jesus foi para além da letra da Lei e dos comportamentos aparentes, enfatizando o “espírito” da Lei e as intenções do coração (homem interior). Conforme A. T. Robertson:

Jesus situa o adultério nos olhos e no coração antes do ato externo. Wunsche (Beitrage) cita duas declarações rabínicas pertinentes ao tema traduzidas por Bruce: “Os olhos e o coração são dois corretores do pecado”. (Comentário Mateus & Marcos: à luz do Novo Testamento Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 73)

Dessa forma, mais uma vez os legalistas sofreram um duro golpe, pois com certeza, muitos dos que condenavam e apontavam os pecados alheios “concretizados” se viram incluídos no rol de adúlteros.

 Outro episódio bastante conhecido no Novo Testamento é o da mulher pega em fragrante adultério:

E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério. E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando, e, na lei, nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? Isso diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se e disse-lhes: Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isso, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficaram só Jesus e a mulher, que estava no meio. E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais. (Jo 8.3-11)

Mais uma vez a graça é manifesta em forma de atenção, compaixão, perdão e responsabilização. Sim, a graça perdoa, mas responsabiliza: “Vai-te em paz e não peques mais”.

INFIDELIDADE CONJUGAL E PERDÃO

A infidelidade conjugal (adultério) na vida do cristão geralmente é resultado de uma associação de fatores, dentre os quais: Acomodação com a vida espiritual (negligência na vida de oração e falta de vigilância), vida carnal, conflitos no casamento, etc.

 A infidelidade promove na vida dos cônjuges e dos familiares dores, frustrações, angústias e tantos outros males (espirituais, sociais, morais e emocionais), podendo inclusive destruir o casamento e a harmonia familiar.

 Diante de toda essa realidade é preciso deixar claro que a infidelidade conjugal se enquadra na categoria de pecado, e nesta condição é possível de ser perdoado. Essa possibilidade é geralmente negligenciada por cônjuges que aguardam a mínima (ou máxima) falha do outro, no sentido de ver nisso oportunidade e causa para o divórcio e novo casamento (em algumas situações a ideia já está maquinada em mentes perversas, pervertidas ou sem temor a Deus). Entre os textos que fundamentam a necessidade de perdoar os nossos ofensores destacamos:

Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. (Mt 6.12)

Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão. (Mt 18.15)

Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia. Assim vos fará também meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas. (Mt 18.33-35)

Temos uma grande dificuldade em aplicar os textos acima no contexto da infidelidade conjugal. Geralmente duas posições extremas são adotadas. A primeira é a legalista, que exige em todos os casos a exposição e a punição eclesiástica pública (mesmo em casos que não ganharam tal dimensão), o castigo severo, a exclusão arbitrária, a impossibilidade do perdão e da reconciliação conjugal. A segunda é extremamente liberal, e trata a infidelidade conjugal de maneira banal, como algo comum, inclusive podendo ser vivenciada e tolerada em nome de uma “graça” que não é a graça bíblica, racionalizando o fato, e usando a liberdade cristã para dar ocasião a carne, privando do Reino de Deus os que assim agem (Gl 5.13, 16-21). É preciso buscar o equilíbrio nos posicionamentos.

 Não tenho dúvida alguma que a vontade do Pai celestial nos casos de infidelidade conjugal, onde o arrependimento da parte infiel é notório e verdadeiro, é a liberação do perdão. O próprio Deus foi vitimado pela infidelidade de Israel:

O relacionamento entre Deus e Israel é frequentemente comparado a um contrato matrimonial (e.g. Is 54.5; Jr 3.14; cf. Ef 5.22-32). “Desviando-se do Senhor”, a fim de adorar aos ídolos, Israel foi considerado por Deus como um caso de infidelidade ou prostituição espiritual. O casamento de Oséias deveria ser, portanto, uma lição prática para o infiel Reino do Norte. (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 1273)

O perdão do Senhor para com a infidelidade de Israel é descrito da seguinte forma:

E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias. E desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás o SENHOR. E acontecerá, naquele dia, que eu responderei, diz o SENHOR, eu responderei aos céus, e estes responderão à terra. E a terra responderá ao trigo, e ao mosto, e ao óleo; e estes responderão a Jezreel. E semeá-la-ei para mim na terra e compadecer-me-ei de Lo-Ruama; e a Lo-Ami direi: Tu és meu povo! E ele dirá: Tu és o meu Deus! (Os 2.19-23)

Algumas palavras quero destacar no texto bíblico acima. São elas: benignidade, misericórdia e fidelidade. Israel sofreu por sua  infidelidade, mas o Senhor retribuiu a infidelidade de Israel com fidelidade, bondade e misericórdia.

 Há muitos livros que tratam sobre o tema “perdão”, que mostram os benefícios do mesmo.

 Lendo a biografia de Davi, escrita por Charles R. Swindoll, me deparei com a seguinte narrativa que exemplifica bem o que acabamos de colocar:

As palavras de perdão e graça ditas são maravilhosamente terapêuticas para o ofensor, não importa quão pequena ou quão grande seja a ofensa. Expressar nossos sentimentos remove toda a dúvida. Stuart Briscoe escreve:

Há alguns anos, uma mulher muito bem vestida me procurou no escritório, muito aflita. Ela havia aceitado o Senhor alguns dias antes, mas pedira para ver-me porque algo a perturbava. A mulher contou-me uma história desagradável de um caso que estava tendo com um dos amigos do marido. A seguir, ela insistiu que o marido tinha de saber e que eu devia contar-lhe! Essa foi uma experiência nova para mim!

Depois de alguma discussão com a mulher, telefonei para o marido. Quando chegou em meu escritório, contei-lhe o que tinha acontecido. A reação dele foi algo notável e belo de se ver. Voltando-se para a esposa em lágrimas e com medo, ele disse:- Amo você e a perdôo. Vamos começar de novo.

Muitas coisas tiveram de ser esclarecidas e muitas feridas curadas; mas a resposta dele mostrando perdão, por compreender o perdão de Deus, tornou-se a base de uma nova alegria e uma nova vida. (Davi: um homem segundo o coração de Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 1998, p. 317)

 Por ser, na dimensão humana, o mais íntimo dos relacionamentos (Gn 2.24), o casamento é o que mais sofre com a infidelidade.

 Ninguém está livre de cair no pecado de adultério. Nos dias atuais o mal uso as redes sociais, como por exemplo o facebook, tem cooperado para o aumento de casos de infidelidade conjugal. É preciso estar vigilante para não cair neste pecado que tanto males causa à família. Casais que enfrentam crises no casamento precisam buscar o diálogo, ou recorrer a busca por ajuda, pois as crises deixam os cônjuges vulneráveis ao adultério.

 Na condição de pastor, já tratei de vários casos envolvendo a infidelidade conjugal, e sempre trabalhei no sentido da manutenção dos casamentos, incentivando o perdão e a restauração dos mesmos. Cada caso é um caso, e implica em uma série de considerações, de acompanhamento, e de muito diálogo, sempre tendo a Bíblia como fundamento no processo do aconselhamento pastoral, buscando acima de tudo a glória de Deus.

Fonte: altairgermano.net

A morte de Eliseu

        

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LIÇÃO 13 – A MORTE DE ELISEU – 1º TRIMESTRE 2013

INTRODUÇÃOrevista EBD I 2013
Nesta última lição do trimestre, estudaremos sobre o fim do ministério profético de Eliseu e sobre a sua morte. Eliseu foi foi um homem íntegro, que teve um ministério próspero por cerca de cinquenta anos e foi poderosamente usado por Deus, não apenas para transmitir a Sua mensagem, mas, também, para realizar grandes milagres. Porém, como qualquer ser humano, ele estava sujeito a doença e a morte. Veremos também que, tal qual o profeta Elias, ele nos deixou um grande legado moral, ministerial e espiritual. Seu exemplo de vida, caráter e ministério se constitui numa herança, não somente para os seus contemporâneos, mas também para todos aqueles que são chamados por Deus para uma obra específica.
I – A ÚLTIMA PROFECIA DE ELISEU
Como disse o salmista“Os que estão plantados na casa do SENHOR florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos…” (Sl 92.13,14). O profeta Eliseu, mesmo doente e idoso, profetizou para o rei Jeoás (II Rs 13.14-19). Ao chegar à casa do profeta, o rei Jeoás disse: “Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros” (II Rs 13.14). Com esta expressão, o rei estava temendo a morte do profeta, pois sabia que ele era um homem de Deus e que, por meio dele, o Senhor havia dado grandes livramentos ao seu povo (II Rs 3.-27; 6.8-23; 7.1-20). Mas, quando ele pensava em consolar, foi consolado. Eliseu lhe disse que ele pegasse um arco e flechas e que atirasse em direção ao Oriente. Esta atitude representava o livramento contra os sírios (II Rs 13.17). Como o rei feriu a terra apenas três vezes, o profeta lhe disse que ele não iria os consumir por completo, mas, três vezes os feriria. Esta profecia cumpriu-se na íntegra, como havia predito o homem de Deus: “E Jeoás, filho de Jeoacaz, tornou a tomar as cidades das mãos de Ben-Hadade, que ele tinha tomado das mãos de Jeoacaz, seu pai, na guerra; três vezes Jeoás o feriu, e recuperou as cidades de Israel” (II Rs 13.25).
II – A DOENÇA DE ELISEU
O profeta Eliseu, apesar de ter um ministério marcado por muitos milagres (II Rs 2.13,14; 2.19-22; 4.1-7; 18-37; 38-41; 42-44; 5.1-27; 6.1-23), em sua velhice, ele adoeceu. Embora os seguidores da Teologia da Prosperidade ensinem que o servo de Deus não pode adoecer, e, caso ele adoeça, dizem eles, que é por falta de fé, por estar em pecado, ou estar sendo afligido por Satanás. Mas, ao lermos a Bíblia, encontramos diversos exemplos de servos de Deus que estiveram doentes, tais como: o rei Ezequias (II Rs 20.1; Is 38.1); o profeta Daniel (Dn 8.27); Epafrodito, Timóteo e Trófimo, companheiros de Paulo (Fp 2.25-27; I Tm 5.23; II Tm 4.20). Estes e outros exemplos demonstram claramente que um servo de Deus poder adoecer.
III – A MORTE DE ELISEU
A morte é a separação da alma e espírito do corpo (Tg 2.26), pela qual o homem é introduzido no mundo invisível. Essa experiência descreve-se simbolicamente como: “dormir” (Jo 11.11; Dt 31.16); “o desfazer da casa terrestre” (II Co 5.1); “deixar este tabernáculo” (II Pe 1.14);“descer ao silêncio” (Sl 115.17); “expirar” (At 5.10); “tornar-se em pó” (Gn 3.19); e “partir” (Fp 1.23). Nas Sagradas Escrituras, a morte é descrita como consequência do pecado (Gn. 2.17), por conseguinte, todos os homens estão sujeitos a morte, inclusive os servos de Deus (Rm 3.23; 6.23). Mas, para os justos, a morte não é o fim de tudo; pelo contrário, é o início de uma vida eterna com Deus. Por isso, os justos, até na morte tem esperança, como veremos a seguir:
• “O justo até na sua morte tem esperança.” (Pv 14:32);
• “Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá.” (Sl 49:15);
• “Eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim Se levantará sobre a Terra.” (Jó 19:25);
• “Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção” (Sl 16.10);
• “Quanto a mim, contemplarei a Tua face na justiça; satisfar-me-ei da Tua semelhança quando acordar.” (Sl 17:15).
Para o verdadeiro cristão, a morte é lucro, pois é partindo para a eternidade que podemos estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor (Fp 1.21-23). Portanto, a morte é o momento no qual o cristão é recolhido ao celeiro celestial como trigo maduro (Mt 3.12). A Bíblia nos ensina que não devemos enxergar a morte como uma derrota, pois o evangelho ressalta a esperança da ressurreição em Cristo quando a morte será vencida (I Co 15.51-54).
IV – O ÚLTIMO MILAGRE “DE ELISEU”
Mesmo depois de morto e sepultado, o Senhor Deus manifestou o seu poder através dos ossos do profeta. Quando os moabitas invadiram as terras de Israel, um grupo de homens iam sepultar um morto. Ao verem os soldados do exército de Moabe, eles lançaram o defunto na sepultura de Eliseu. Ao cair nela o homem que havia morrido, tocando os ossos de Eliseu, ele reviveu e se levantou (II Rs 13.20,21). Sem dúvida, O Senhor Deus estava ensinando uma grande lição para os contemporâneos do profeta: Eliseu morreu, mas o EU SOU estava vivo! Por isso, Israel deveria continuar confiando no cuidado e provisão divina, pois Ele é Eterno, ou seja, “não teve começo e nunca terá fim” (Sl 45.6; 90.2; 93.2; Is 40.28; 57.15).
V – O LEGADO DE ELISEU
Como já vimos em lições anteriores, legado diz respeito a um valor, objeto ou herança que alguém deixa para outros através de testamento. Aurélio traduz a palavra “legado” como “dádiva deixada em testamento; valor previamente determinado, ou objeto previamente endividado, que alguém deixa a outrem por meio de testamento”. Tal qual Elias, o profeta Eliseu nos deixou um grande legado, como veremos a seguir:
5.1 Moral. Eliseu era um homemíntegro. Ele jamais se deixou corromper.
• Quando o general Naamã foi curado, ofereceu ao profeta um presente, mas ele recusou (II Rs 5.15-17). Ele entendeu que não deveria receber pagamento pela bênção que graciosamente Deus havia outorgado, e disse:“Vive o SENHOR, em cuja presença estou, que não a aceitarei. E instou com ele para que a aceitasse, mas ele recusou” (II Rs 5.15);
• O profeta Eliseu foi reconhecido como sendo um homem de Deus (II Rs 4.7,9,16,21,22,25; 5.8,14,15; 6.6,9,10). A mulher sunamita disse acerca dele: “Eis que tenho observado que este que sempre passa por nós é um santo homem de Deus” (II Rs 4.9).
5.2 Espiritual. O legado espiritual que o profeta Eliseu nos deixou não se restringe aos milagres que Deus operou por intermédio dele (2 Rs 2.13,14, 19-22; 4.1-7, 8-37, 38-44; 6.1-7, 11-23; 13.21), mas, também, pela mensagem divina que ele transmitiu, quando:
• Anunciou que Deus enviaria água e que daria vitória a Israel sobre os moabitas (II Rs 3.17-20);
• Revelou os planos do rei da Síria, quando este preparava emboscada contra o exército de Israel (II Rs 6.8-10,12);
• Predisse que haveria abundância de víveres, em meio a fome e escassez em Samaria (II Rs 7.1);
• Anunciou a morte de Ben-Hadade, rei da Síria, e que Hazael reinaria em seu lugar (II Rs 8.7-15);
• Revelou que o rei Jeoás iria ferir os sírios por três vezes (II Rs 13.14-19).
5.3 Ministerial. Deus havia ordenado a Elias que ungisse Eliseu como profeta em seu lugar: “A Eliseu, filho de Safate ungirás profeta em teu lugar” (I Rs 19.16). Quando Elias lançou-lhe a capa, ele o seguiu, demonstrando estar disposto a renunciar o trabalho e até mesmo o convívio familiar para atender ao chamado divino (I Rs 19.20,21). Dali em diante ele passou a servir a Elias (II Rs 3.11). Quando Elias foi transladado (II Rs 2.1-11), Eliseu iniciou o seu ministério que durou cerca de cinquênta anos (II Rs 2.12-13.25). Por intermédio dele, o Senhor Deus abriu o rio Jordão (2 Rs 2.13,14); multiplicou o azeite da viúva (2 Rs 4.1-7); ressuscitou o filho da sunamita (2 Rs 4.8-37); curou o general Naamã (2 Rs 5); fez o machado flutuar (2 RS 6.1-7); dentre outros milagres.
CONCLUSÃO
O profeta Eliseu foi chamado por Deus para o ministério profético, aprendeu com o profeta Elias, e tornou-se um dos personagens mais notáveis da Bíblia. Sua história está registrada em (I Rs 19-16 – II Rs 13.20), onde a Bíblia registra não apenas suas profecias, mas, também, sua vida e suas obras. Ele foi reconhecido como um santo homem de Deus! Sem dúvida, ele nos deixou um grande legado, moral, ministerial e espiritual, e, até mesmo o registro de sua doença na velhice, bem como a sua morte, nos ensina grandes lições de vida.
REFERÊNCIAS
• CHAMPLIN, R.N. Enciclopedia de Bíblia Teologia e Filosofia. HAGNOS.
• ELISSEN, Stanley. Conheça melhor o Antigo Testamento. VIDA.
• GONÇALVES, José. Porção Dobrada. CPAD.
• STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

PROF. PAULO AVELINO p/ http://www.portalebd.org.br

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PRÓXIMA LIÇÃO –  > Lições Bíblicas: 2º Trimestre de 2013 – “A Família Cristã no Século XXI: Protegendo seu Lar dos Ataques do Inimigo”Revista-EBD-2-trimestre

Lição 1 – Família, Criação de Deus

Lição 2 – O Casamento Bíblico

Lição 3 – As Bases do Casamento Cristão

Lição 4 – A Família Sob Ataque

Lição 5 – Conflitos na Família

Lição 6 – A Infidelidade Conjugal

Lição 7 – O Divórcio

Lição 8 – Educação Cristã, Responsabilidade dos Pais

Lição 9 – A Família e a Sexualidade

Lição 10 – A Necessidade e a Urgência do Culto Doméstico

Lição 11 – A Família e a Escola Dominical

Lição 12 – A Família e a Igreja

Lição 13 – Eu e Minha Casa Serviremos ao Senhor