O único Deus verdadeiro e a criação

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 02 – O ÚNICO DEUS VERDADEIRO E A CRIAÇÃO – (Dt 6.4; Gn 1.1)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos as definições das palavras “Deus” e “verdadeiro”; estudaremos que o fato Dele existir é um postulado, e que por isso, não precisamos provar sua existência; analisaremos a limitação humana diante de Deus; pontuaremos a diferença entre teísmo e deísmo; citaremos as principais teorias acerca da origem do universo, e por fim, elencaremos a diferença entre o Deus da Bíblia e os falsos deuses.

  1.  – DEFINIÇÕES
    1. Do hebraico “Elohim”; do grego “Theos” e do latim “Deus”. Ser Supremo, Absoluto e Infinito por excelência. Criador dos céus e da terra (Gn 1.1). Eterno e imutável (Is 26.4). Onipotente, onisciente e onipresente (Jó 42.2; Sl 139). Ser incriado, é a razão primeira e última de tudo quanto existe (Jo 1.1-4). Ele é um ser dotado de personalidade e a Bíblia atribui a Deus características de personalidade: Ele é zeloso (Dt 6.15), ira-se (1Rs 11.9), ama (Ap 3.19) e se aborrece (Pv 6.16) (ANDRADE, 2006, p. 137).
    2. Segundo Aurélio (2004, p. 2049) esta palavra significa: “Em que há verdade, alguém real, exato, autêntico, genuíno, legítimo, que não é fingido, sincero, que não é fictício, imaginário ou enganoso”. É bom destacar que só existe um Deus verdadeiro sendo os demais falsos (Dt 6.4; Is 42.8; 43.11; 44.6,8; 45.5,6; Mc 12.29,32; Jo 17.3).
  2.  – A EXISTÊNCIA DE DEUS
    1. A existência de Deus é um postulado. Os argumentos a favor da existência de Deus são: (a) a crença universal na existência de Deus é intuitiva (Sl 42.2; 63.1); (b) a existência de Deus é assumida nas Escrituras e este fato é aceito sem ser questionado (Gn 1.1; Jo 1.1); (c) A crença na existência de Deus é corroborada pelos argumentos cosmológico que diz que a criação não é eterna e não surgiu sem causa, mas Deus é o Criador de tudo (Sl 19; Rm 1.20); teleológico que afirma que a ordem em que a criação se encontra demonstra um Criador Inteligente (Jó 38; Hb 1.3); ontológico que apresenta Deus como autoexistente (Êx 3.14; Cl 1.17); e o moral Deus implantou no homem uma consciência de certo e errado (Rm 2.14,15) (THIESSEN, 2006, p. 27).
    2. A existência de Deus não precisa ser provada. Deus é real e não precisa ser demonstrado com base na lógica humana. A existência de Deus é um fato consumado, uma verdade primária que não necessita ser provada, pois Ele transcende à existência. Deus é a garantia da lógica do Universo e sem Ele, o universo não poderia existir. Se o “kosmo” é uma realidade, e somos testemunhas disso, então a ordem e a harmonia que permeiam toda a criação pressupõem a existência de um Criador. A mente humana, limitada e falível, jamais conseguirá provar a existência de Deus à parte da fé (Hb 11.3). Há na criação inumeráveis evidências da existência de Deus (1Co 14,15; Hb 11.1) (SOARES, 2008, p. 61).
  3. – A LIMITAÇÃO HUMANA DIANTE DE DEUS
    1. O homem natural não alcança a mente divina. Deus, em sua infinitude, é incompreensível à mente humana (Jó 11.7; Is 40.18). O ser humano pode até conhecer a Deus através da revelação natural (Sl 19.1; Rm 1.19-21), mas de modo limitado, pois o finito não pode abarcar o Infinito (Is 40.28). Entretanto, o Eterno, em sua bondade, revelou-se ao homem através de Cristo e de sua Palavra (Jo 1.18; 17.3). A incognoscibilidade divina (aquilo que não se pode conhecer) é oriunda dos seus atributos incomunicáveis como a infinitude e a imensidão (Sl 145.3; 147.5). Deus revelou-se a si mesmo na Bíblia, mas pode ser considerado incognoscível quando se trata do conhecimento pleno do seu Ser e de sua essência. O homem jamais poderá esquadrinhá-lo e compreendê-lo como é em essência e glória (Jó 14; 36.26; 37.5; 139.6; Is 40.28; 46.5; Rm 11.33).
    2. O homem natural compreende as coisas de Deus porque Ele se auto revelou. O ser humano, em razão do pecado, tem dificuldade de crer em Deus (1Co 2.14; Sl 10.4). Contudo, a existência de Deus independe da incredulidade dos homens. O néscio, em sua ignorância ou orgulho, diz: “Não há Deus”, mas, “os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19.1). O Deus verdadeiro e incognoscível revelou-se a si mesmo, assim, o homem pode conhecê-lo, haja vista ser Ele também imanente o suficiente para que exista um relacionamento entre ambos. Em virtude da infinita grandeza do Criador, esse conhecimento acerca dEle é comparável ao reflexo de um espelho (1Co 13.12), pois “em parte, conhecemos […]” (1Co 13.9) (SOARES, 2008, p. 61).
  4.  – A DIFERENÇA ENTRE DEÍSMO E TEÍSMO
    1. Deísmo. É conhecido como a cosmovisão do Deus ausente. Embora creia na existência de Deus, o deísmo difere do cristianismo ortodoxo por apresentar a visão onde Deus fez o mundo, mas que não interfere e interage na criação, ou seja, Ele não estar interessado no curso que a história toma ou venha a tomar. Noutras palavras, Deus limitou-se tão somente a criar-nos, abandonando-nos a seguir à própria sorte, ou seja, Ele não intervém no curso da história. (ANDRADE, 2006, p. 133). No entanto, a Bíblia ensina que Deus preserva todas as coisas (Hb 1.1-3; Ne 9.6; Sl 145.15-16; Sl 104.27-29; Mt 6.26; Mt 10.29-30), age em to- das as coisas (At 27, 28; 1Co 15.10; Is 45.1-2; Gn 45.8; Lc 22.21-22), e governa todas as coisas (Ef 1.5; Rm 12.2; Rm 8.28).
    2. Teísmo. No Teísmo cremos que o Senhor interfere na criação. “Doutrina que admite a existência de um Deus pessoal, Criador e Preservador de tudo quanto existe, e que, em sua inquestionável sabedoria e poder, intervém nos negócios humanos relacionando-se com sua criação”. Denomina-se teísmo ao reconhecimento da existência de um Deus que criou o universo e que ainda se envolve na sua conservação. Este é o ponto de vista teológico que cremos (Jó 39; Mt 6.26) (ANDRADE, 2006, p. 338 – acréscimo nosso).
  5.  – PRINCIPAIS TEORIAS ACERCA DA ORIGEM DO UNIVERSO
    1. Teoria evolucionista. “Teoria formulada pelo inglês Charles Darwin que, em 1859, lançou o livro ‘A Origem das Espécies’, na qual ensina que as atuais espécies de vida são resultados de uma lenta e gradativa evolução […]” (ANDRADE, 2006, p. 178). Essa teoria ensina que a matéria é eterna e preexistente e mediante processos naturais e por transformação gradual, os seres passaram a existir. É chamada também de a grande explosão (Big-Bang), onde tudo resultou de uma grande explosão aleatória sem uma causa primária a bilhões de anos (evolução espontânea), e que, a partir daí, surgiram tudo que existe sem a participação de um Ser criador (Deus). Mas, a Bíblia declara que todas as coisas foram criadas por Deus (Gn 1.1; Jo 1.1-3; 1.10; Cl 1.16,17; Hb 11.2).
    2. Teoria ateísta. Nega a existência de Deus e afirma que o universo é fruto do acaso, e que existe por necessidade e por toda eternidade. Entretanto, a geologia e a astronomia tem demonstrado que houve grandes mudanças na Terra e no espaço sideral, mostrando com isso que a ordem presente não é eterna, ou seja, houve um tempo em que o Universo não existia (Hb 3.4; Rm 1.19,20; Sl 1-10). A Bíblia denomina a descrença em Deus como insensatez, estupidez e absurdo (Sl 53.1; 10.4).
    3. Teoria panteísta. Declara que Deus e a natureza são a mesma coisa e estão inseparavelmente ligados. O Senhor nada criou, mas tudo emana e faz parte dele, ou seja, Deus é tudo e tudo é Deus. Porém, a Bíblia afirma que o Criador não é parte do universo, e sim, este foi criado por Ele (Gn 1.1; At 17.24).
    4. Teoria criacionista. Doutrina segundo a qual tudo quanto existe foi criado por Deus (ANDRADE, 2006, p. 119). O criacionismo bíblico é a doutrina segundo a qual Deus criou, a partir de sua Palavra, tudo quanto existe (Sl 33.6; Jo 1.1-3; Ef 3.9; Cl 1.16; Hb 1.2; 11.3; Ap 4.11). A Bíblia nos mostra Deus como criador do céu, da Terra e do Universo (Is 40.26; 45.18; Is 43.5; 45.18; Jo 1.3; At 17.24; Rm 11.36), e de todos os homens (Sl 102.18; 139.13-16; Is 43.1,7). O criacionismo fundamenta-se na Bíblia Sagrada (Rm 1.20; Sl 119.1-6).
  6.  – A DIFERENÇA ENTRE O DEUS DA BÍBLIA E OS FALSOS DEUSES
    1. O Deus da Bíblia é o Criador. De acordo com as Escrituras, Deus criou todas as coisas (Gn 1.1). Já os falsos deuses, foram inventados pela imaginação humana (At 17.29). O AT apresenta-nos uma variedade de falsos deuses. Alguns deles, inclusive, de caráter demoníaco, tais como Baal, Moloque e Asera (Dt 32.17; 1Rs 15.13; 18.28; Lv 18.21; 2Rs 23.10). A Palavra de Deus nos ensina que: “Só tu és Senhor; tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há[…]” (Ne 9.6).
    2. O Deus da Bíblia é Eterno. Nas Escrituras, temos várias referências à eternidade de Deus (Dt 33.27; Is 40.28). O profeta disse: “Mas o Senhor Deus é a verdade ele mesmo é o Deus vivo e o Rei eterno” (Jr 10.10). Os deuses falsos são temporais e destrutíveis. Segundo a mitologia grega os deuses morriam no inverno e ressurgiam na primavera.
    3. O Deus da Bíblia é Santo. Os deuses mitológicos nivelam-se às baixezas morais dos seus seguidores. Muitos rituais dedicados a esses falsos deuses são cultos aos demônios, movidos por orgias sexuais, alucinógenos e sacrifícios humanos (1Co 10.14-21). A santidade de Deus, é um atributo inerente à sua majestade, pureza e perfeição (Hc 13; Lv 11.44; Jó 34.10; Sl 99.9; Ap 4.8).
    4. O Deus da Bíblia é o Deus Salvador. No Salmo 115, versículos de 1 a 8, o salmista demonstra claramente a diferença entre o Deus da Bíblia e os falsos deuses, obras “das mãos dos homens”. Na Índia, são catalogados muitos milhões de deuses. O rio, a vaca, e até o rato, são considerados divinos (Rm 1.23). São falsos deuses que não têm poder para salvar o homem de seus pecados, garantindo-lhe vida eterna como o Deus verdadeiro (Gn 30; Sl 7.10; Is 45.20; Jr 2.28).
    5. O Deus da Bíblia é o único Deus verdadeiro. Jesus ensinou o monoteísmo como parte do primeiro de todos os mandamentos: “[…[ Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Mc 12.29). A declaração aqui é reveladora porque não deixa dúvida de que o Deus dos cristãos é o mesmo Deus de Israel, pois Jesus citou as palavras diretamente do AT (Dt 6.4-6 ver Is 45.5). Jesus ainda diz: “[…] com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dele” (Mc 12.32 ver Jo 17.3). O apóstolo Paulo declara: “Todavia para nós há um só Deus” (1Co 8.6); “Ora o medianeiro não é de um só, mas Deus é um” (Gl 3.20 ver Ef 4.6). “Porque há um só Deus” (1Tm 2.5) (SOARES, 2017, p. 29).

CONCLUSÃO

Concluímos que a Bíblia diz que há um ser pessoal autoconsciente, autoexistente, que é a origem de todas as coisas e que está acima da criação inteira, mas ao mesmo tempo está em cada parte da criação. A Bíblia Sagrada dá o crédito da  existência de todas as coisas a Deus, e não a uma combinação de fatores aleatórios que acidentalmente se juntaram e deram origem à vida. Por isso, é preciso ter mais fé para acreditar no evolucionismo do que no criacionismo.

REFERÊNCIAS

  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • E. Manual de Apologética Cristã. RJ: CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

Alegria, fruto do Espírito; inveja, hábito da velha natureza

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1º TRIMESTRE 2017

AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO

Como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente

COMENTARISTA: Osiel Gomes

LIÇÃO 04 – ALEGRIA, FRUTO DO ESPÍRITO; INVEJA, HÁBITO DA VELHA NATUREZA – (Jo 16.20-24)

 INTRODUÇÃO

Na lição de hoje, falaremos sobre a alegria – uma das virtudes do fruto do Espírito contrastando com a inveja como obra da carne; iniciaremos trazendo a definição da palavra alegria; destacaremos quais os seus aspectos; e, quais os resultados desta virtude na vida do crente. Veremos também o significado da palavra inveja; quais os efeitos desta obra da carne; e, por fim, quais os contrastes entre a inveja e a alegria.

I  – DEFINIÇÃO DE ALEGRIA

De acordo com o Dicionário Exegético Vine (2002, p. 385) a palavra equivalente para alegria no grego é “chará” que significa: “gozo, deleite, prazer, alegria” (Mc 4.16; At 12.14; Fp 2.29). Também no texto grego aparece a palavra “agalliasis” indica uma alegria mais exultante e diz respeito a: “exultação, alegria exuberante” (Lc 1.14,44; At 2.6; Hb 1.9; Jd 24). Existe ainda a expressão grega “euphrainôque fala sobre: “alegrar, ficar contente, estar feliz, regozijar-se, tornar-se alegre” (Lc 12.19; 15.23,24,29,32). A alegria é a segunda virtude que está classificada entre as que o Espírito produz em nós em relação a Deus “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo […]” (Gl 5.22-a). A fonte da alegria do cristão é Cristo (Fp 3.1). Ele a concede aos seus seguidores (Jo 15.11) pelo Espírito (Rm 14.17; I Ts 1.6). A alegria e o Espírito Santo andam juntos (Sl 16.11; At 13.52; I Ts 1.6).

II  – CARACTERÍSTICA DA ALEGRIA COMO FRUTO DO ESPÍRITO

  • Alegria espiritual. A alegria do Espírito contrasta com a alegria natural. Portanto, é uma alegria decorrente das coisas espirituais, não A Bíblia mostra que essa alegria é: (a) fruto da salvação (Sl 51.12; Is 12.3; 61.10; Lc 1.47); (b) da esperança da ressurreição (Sl 16.9); (c) de possuir o nome escrito no Livro da Vida (Lc 10.20); (d) por sofrer pelo nome de Cristo (I Pe 4.13); (e) pelo retorno de Cristo (Ap 19.7). Beacon (2006, p. 75) afirma que “a alegria é a manifestação externa da paz interna”.
  • Alegria constante. Diferente da alegria natural, a alegria como fruto do Espírito é permanente, duradoura, não circunstancial. Jesus disse isso aos seus discípulos: “[…] vossa alegria ninguém vo-la tirará” (Jo 16.20-22). O apóstolo Paulo que enfrentou diversas dificuldades durante o exercício do seu ministério asseverou: “como contristados, mas sempre alegres” (II Co 6.10). Por isso, mesmo tendo sido açoitado e aprisionado junto com Silas em Filipos, o apóstolo orava e louvava ao Senhor (At 16.22-25). Estando também encarcerado em Roma, Paulo exortou aos cristãos filipenses: “Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos” (Fp 4.4). Paulo estava cheio de alegria por saber que, a despeito daquilo que lhe viesse acontecer, Jesus Cristo estava ao seu lado (Fp 11-13).
  • Alegria abundante. A alegria como fruto além de ser espiritual e constante é também abundante. O Espírito Santo produz alegria abundante no coração do salvo. No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos Lucas descrevendo que os convertidos gentios alegram-se grandemente (At 13.52), a mesma intensidade de alegria sentiram os que ouviram a notícia da conversão dos gentios (At 15.3). Paulo diz que os cristãos da Macedônia: “no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria” (II Co 8.2). Isto se deu quando os macedônios desejaram contribuir na assistência aos santos de Jerusalém (II Co 3-5).

III  – DEFINIÇÃO DO TERMO INVEJA

Segundo Champlin (2004, p. 355), a palavra portuguesa “inveja” vem do latim, “invidere”, que significa “em” (contra) e “olhar para”, ou seja, olhar para alguém com maus olhos, de modo contrário, com base no ódio sentido contra esse alguém. O Dicionário Vine a define como sendo: “um princípio ativo de hostilidade dirigido maliciosamente a outra pessoa”. Inveja é um misto de ódio, desgosto e pesar pelo bem e felicidade de outrem; é o desejo violento de possuir o  bem do próximo. No hebraico a palavra “qinah” significa “inveja”. Essa expressão é aplicada por quarenta e duas vezes no AT (Jó 5.2; Pv 14.30; Ec 4.4; Is 11.13; Ez 35.11). No grego é a palavra “phithónos”. Esse vocábulo ocorre por nove vezes (Mt 27.18; Mc 15.10; Rm 1.29; Gl 5.21; Fl 1.15; 1Tm 6.4; Tt 3.3; Tg 4.5; 1 Pe 2.1).

IV  – OS EFEITOS DA INVEJA

Nos Dez Mandamentos, a Bíblia usa o termo “cobiçar”, que é um sinônimo para “invejar” (Êx 20.17). Deus elencou a inveja como um dos pecados mais graves por saber do seu efeito destrutivo (Dt 5.21). A inveja está entre as obras da carne que atingem o nosso próximo (Gl 5.22). Segundo Champlin, (2004, p. 355) “a inveja é uma das maiores demonstrações de mesquinharia humana, causada pela queda no pecado. Os invejosos chegam a fazer campanhas de perseguição contra suas vítimas, as quais, na maioria das vezes, não têm qualquer culpa por haverem despertado tal sentimento nos invejosos. Geralmente os mal-sucedidos têm inveja dos bem-sucedidos. Essa é uma tentativa distorcida para compensar pelo fracasso, glorificando ao próprio “eu” e procurando enxovalhar a pessoa invejada”. Analisemos  alguns efeitos destruidores deste malígno sentimento:

  • A inveja pode adoecer. A respeito da inveja, o escritor de Provérbios nos faz diversas exortações (Pv 3.31; 24.1,19; 27.4). A mais severa dela nos diz que: “a inveja é podridão para os ossos” (Pv 14.30). Dentre as muitas atribuições dos ossos, uma delas é a de sustentação do corpo. Quando o proverbista afirma que a inveja é a “podridão dos ossos” significa que ela é uma espécie de câncer que começa sutilmente destruindo o homem por dentro. Segundo Aurélio (2004, p. 165), o verbo “apodrecer” quer dizer: “putrefazer”, palavra geralmente usada para descrever um corpo morto em estado de decomposição. Portanto, a inveja é um sentimento nocivo que faz mal principalmente aquele que o abriga em seu coração.
  • A inveja pode matar. Caim, foi a primeira pessoa descrita na Bíblia que foi atingida pela inveja e por suas consequências. O homicídio cometido por ele nasceu deste sentimento que nutria por seu irmão Abel (Gn 3.4,5). Saul quando viu que Davi era melhor guerreiro que ele, intentou algumas vezes matá-lo (I Sm 18.7-11). Os irmãos de José, por muito pouco, não o executaram (Gn 37.11,18). Ainda assim o venderam para o Egito e lá ele poderia ter morrido (Gn 37.28,28; 39.19-20). Jesus também foi vítima da inveja dos grupos religiosos de sua época, que não satisfeitos com a graça que Jesus tinha das multidões, eles procuraram matá-lo (Mt 27.18; Mc 10).
  • A inveja pode impedir o homem de entrar no céu. Dentre os muitos males que a inveja pode causar, o pior deles é o de banir o homem para sempre da presença de Deus. Na lista de vícios elencados por Paulo em Gálatas 5.22, a inveja está entre aqueles que o apóstolo diz: “os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus” (Gl 5.21). Evidentemente que Paulo está falando para aqueles que vivem na prática deste pecado e não estão dispostos a arrepender-se e abandoná-lo.

V  – O CONTRASTE ENTRE A INVEJA E A ALEGRIA

INVEJA

ALEGRIA

Obra da carne (Gl 5.21) Fruto do Espírito (Gl 5.20)
Tem origem em Satanás (Is 14.12-15; Ez 28.12-19) Tem origem em Deus (Sl 16.11; Hb 1.9)
Se entristece com a alegria alheia (Gn 26.14) Alegra-se com os que se alegram (Rm 12.15)
Adoece (Pv 14.30; Sl 73.21) É teurapêutica (Pv 17.22)
Reclama pelo que não tem (I Sm 8.5,6; Sl 73.1-20) Agradece pelo que tem (Fp 4.11-13)
Pode levar a morte (Rm 1.32; Gl 5.21-a) Leva à vida (Rm 14.17)
É temporária (I Jo 2.16) É permanente (Jo 16.22; Jd 1.24)

VI – RESULTADOS DA ALEGRIA

  • Um rosto radiante. O proverbista nos diz que: “o coração alegre aformoseia o rosto […]” (Pv 15.13). Isto significa dizer que os sentimentos interiores da pessoa são expressos no rosto ou pelas atitudes. O cristão cheio de alegria do Senhor exibirá e comunicará essa alegria na aparência exterior. Beacon (2006, p. 75) diz que “o cristão basicamente infeliz é uma contradição. O Reino de Deus é caracterizado por alegria, junto com justiça e paz” (Rm 17).
  • Um cântico de louvor. Quando o Espírito Santo produz no crente a virtude da alegria, seu coração se enche de gratidão e sua boca de intenso louvor (Sl 45.1; Ef 5.19; Cl 3.16; Tg 5.13). Zacarias louvou a Deus pelo cumprimento da promessa de Deus em sua vida (Lc 1.64-79); Maria alegrou-se pelo fato de ter sido escolhida para ser a mãe do Salvador e agradeceu com cântico (Lc 46-55); Simeão e Ana louvaram a Deus pela vinda do Messias (Lc 2.29-32).
  • A força divina. As tribulações da vida tendem a nos trazer desânimo e tristeza (Jo 16.33), no entanto, a alegria como fruto do Espírito traz ânimo e renova as forças do crente (Ne 8.10). Quando Jesus anunciou aos seus discípulos que iria dexá-los a reação foi de imensa tristeza (Jo 16.16-20). No entanto, Ele prometeu que o Pai enviaria outro Consolador e não o deixaria órfãos (Jo 14.16). A palavra “Consolador” (“parácleto”, no grego) significa alguém chamado para ficar ao lado de outrem, com o propósito de ajudá-lo em qualquer Ele nos assiste nas nossas fraquezas (Rm 8.26).

CONCLUSÃO

Como cristãos, devemos diariamente nos despir das práticas pertencentes a velha vida e nos vestirmos da nova vida, do novo homem, criado em justiça e santidade. Evitemos a inveja e conservemos a alegria do Espírito que é espiritual, constante e abundante.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • HOWARD, R.E et al. Comentário Bíblico.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • VINE, W.E et al. Dicionário Vine. CPAD.

Fonte: https://ieadpe.org.br/

O perigo das obras da carne

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1º TRIMESTRE 2017

AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO

Como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente

COMENTARISTA: Osiel Gomes

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LIÇÃO 3 – O PERIGO DAS OBRAS DA CARNE – (Lc 6.39-49)

INTRODUÇÃO

Nessa lição teremos a oportunidade de definir alguns termos importantes para compreender melhor o ensinamento paulino sobre as obras da carne, faremos uma rápida descrição dos pecados citados na lista aos gálatas, e por fim, pontuaremos qual deve ser a conduta do verdadeiro cristão para vencer a natureza pecaminosa.

I – DEFININDO ALGUNS TERMOS 

1.1 Concupiscência. Do grego “epithumia”, que denota “desejo forte, desordenado” de qualquer tipo seja bom ou ruim, sendo frequentemente especificado por algum adjetivo. A palavra é usada em referência a um desejo bom somente em (Lc 22.15; Fp 1.23; 1 Ts 2.17), em todos os outros lugares têm um sentido negativo referindo-se aos maus desejos que estão prontos para se expressar (Rm 13.14; Gl 5.16,24; Ef 2.3; 2 Pe 2.18; 1 Jo 2.16) (VINE, 2002, p.487 – acréscimo nosso).

1.2 Carne. A palavra grega “sarx”, “carne”, tem vários significados na Bíblia, principalmente nas epístolas. Pode significar fraqueza física (Gl 4.13), o ser humano (Rm 1.3), o pecado (Gl 5. 24), os desejos pecaminosos (Rm 8.8). O contexto quando corretamente interpretado determina o significado da palavra. No texto aos gálatas significa o conjunto de impulsos pecaminosos que dominam o homem natural; também é frequentemente usado para se referir à “natureza pecaminosa” do homem; a “velha natureza”, a inclinação natural para o que desagrada a Deus; herança do pecado que recebemos de nossos pais Adão e Eva (Sl 51.5; Rm 6.6,12, 19; 7.5,18; 2 Co 1.17; Gl 5.13; Ef 2.3; Cl 2.11,18) (GOMES, 2016, p.9). “Por ser derivada de Adão, esta natureza caída é corretamente chamada de natureza adâmica” (CHAFFER, 2003, p.519).

1.3 Corpo. Do grego “soma”, que indica tanto o corpo humano, bem como os corpos dos animais (Tg 3.3; Hb 13.11), e até mesmo, corpos celestiais (1 Co 15.35-44). Sobre o corpo ainda podemos destacar: (a) Jesus ensinou a importância secundária do corpo (Mt 6.25-34); e (b) Paulo fala que o corpo do crente é habitação do Espírito Santo (1 Co 6.19) (NORMAN, 2007, p.734 – acréscimo nosso).

II – AS OBRAS DA CARNE E SEUS RESULTADOS

Paulo diz: “Porque as obras da carne são manifestas […]” (Gl 5.19). A palavra traduzida por “conhecidas”, significa “claro e manifesto”. “A carne propriamente dita, ou seja, a natureza pecaminosa é secreta e invisível; mas as suas obras, as palavras e atos pelos quais se manifesta, são públicos e evidentes” (STOTT, 2007, p.134). Por mais que alguém tente negar a pecaminosidade do homem, as obras da carne é a clara evidência da sua existência. Há várias listas de pecados semelhantes ao que o apóstolo faz referência na epístola aos gálatas (Rm 1.18-32; 1 Co 5.9-11; 6.9; 2 Co 12.20,21; Ef 4.19; 5.3-5; Cl 3.5-9; l Ts 2.3; 4.3-7; l Tm 1.9,10; 6.4,5; 2 Tm 3.2-5; Tt 3.3,9,10). Essa lista, embora extensa, não é exaustiva, uma vez que Paulo conclui dizendo: “[…] e coisas semelhantes a estas” (Gl 5.21). Por uma questão didática, os pecados dessa lista são classificados em algumas áreas, vejamos uma rápida descrição das obras da carne à luz da epístola de Paulo aos gálatas 5.19-21:

2.1 Pecados de ordem moral

Prostituição – a palavra grega usada é “pornéia”, que abrange todo o tipo de impureza sexual. Aqui estão incluídos todo tipo de pornografia, como quadros, filmes, produções pornográficas. Verifique ainda outros textos que apresentam a mesma expressão: (Mt 5.32, 19.9, At 15.20,29, 21.25, 1 Co 5.1).

Impureza – a palavra grega “akatharsia” se refere aos pecados sexuais, atos pecaminosos, vícios e também pensamentos e desejos impuros. Outros textos que usam a mesma expressão são: Efésios 5.3, Colossenses 3.5.

Lascívia – é a palavra grega “aselgeia”, que é a sensualidade. É seguir as próprias paixões a ponto de perder a vergonha. É a porta aberta para uma vida de dissolução completa, controlada totalmente pelas paixões carnais.

2.2 Pecados de ordem religiosa

Idolatria – do grego “eidolatria”, é a adoração a espíritos, pessoas ou ídolos, ou a confiança em pessoas, instituições ou pessoas, atribuindo-lhe força e poder.

Feitiçarias – o termo grego é “pharmakeia”, que envolve a dominação de espíritos, magia negra, adoração de demônios e o uso de drogas e outros materiais, na prática da feitiçaria. (Êx 7.11,22; 8.18; Ap 9.21; 18.23).

Heresias – do grego “hairesis”, significa introduzir ensinos cismáticos na congregação sem qualquer respaldo na Palavra de Deus, como em Rm 16.17.

2.3 Pecados de ordem social

Inimizades – a palavra grega “echthra” envolve intenções e ações fortemente hostis; antipatia e inimizade extremas.

Porfias – do grego “eris”, abrange as brigas, oposição, luta por superioridade e pode ser encontrado também em Rm 1.29; 1 Co 1.11; 3.3.

Emulações – no grego “zelos” fala de ressentimento, inveja amargurada do sucesso dos outros. Outros textos: Rm 13.13; 1Co 3.3.

Iras – do grego “thumos” é a palavra grega que significa a ira ou fúria explosiva que irrompe através de palavras e ações extremamente violentas.  Cl 3.8.

Pelejas – do grego “eritheia” é a ambição egoísta e a cobiça do poder, que pode ser encontrada também em 2 Co 12.20; Fp 1.16,17.

Dissensões – do grego “dichostasia”, diz respeito aos grupos divididos dentro da congregação, formando conluios egoístas que destroem a unidade da igreja Deus sempre se preocupou com a unidade do seu povo (1Co 11.19).

Invejas – aqui encontramos o termo “fthonos”, significando a antipatia ressentida contra outra pessoa que possui algo que não temos e queremos. É a inconformidade pois “ele tem e eu não!”.

Homicídios – o termo grego “phonos” significa matar o próximo por perversidade. A tradução do termo “phonos” na Bíblia Almeida Revista e Atualizada (ARA), está embutida na tradução de “methe”, a seguir, por tratar-se de práticas conexas.

Bebedices – continuando a ideia anterior, “methe” faz referência ao descontrole das faculdades físicas e mentais por meio de bebida embriagante.

Glutonarias – do grego, “komos” diz respeito às diversões, festas com comida e bebida de modo extravagante e desenfreado, envolvendo drogas, sexo e coisas semelhantes.

III – A CONDUTA CRISTÃ VERSUS AS OBRAS DA CARNE

Embora tendo nascido de novo e regenerados por meio da ação do Espírito Santo (1 Pe 1.23; Tg 1.18), e possuindo uma nova natureza, precisamos entender que há um conflito interior que é comum a todo salvo em Cristo Jesus (Gl 5.17); fomos salvos da condenação do pecado (Rm 8.1) do poder do pecado (Rm 8.2), mas não da presença do pecado (Rm 7.17-20). No entanto, temos recursos suficientes para vencer a inclinação da velha natureza.

COMO VENCER A CARNE
Orando e vigiando (Mt 26.41) Renunciando a si mesmo (Gn 39.7-12)
Tomando toda a armadura de Deus (Ef 6.10-18) Refugiando-se em Jesus (Hb 2.18)
Evitando a ociosidade (2 Sm 11.1; 2 Pe 1.8) Sujeitando-se a Deus (Tg 4.7a)
Evitando tudo que possa levar a tentação (Pv 27.12) Resistindo ao Diabo (Tg 4.7b)
Lendo e meditando na Palavra de Deus (Js 1.7,8) Sendo controlado pelo Espírito Santo (Gl 16,18,25)

CONCLUSÃO

Quem anda no Espírito, não necessita satisfazer a concupiscência da carne. Age como um cidadão dos céus e investe no céu (Cl 3.1), não necessitando da lei (Gl 5.16). Carne e espírito são dois extremos existentes em nós, e satisfazer a carne significa egoísmo, satisfazer o espírito é altruísmo (Gl 5.17). Guiar-se pelo Espírito é desfrutar da plena liberdade, é esquecer-se que há lei (Gl 5.18).

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • GOMES, Oziel. As obras da Carne e o Fruto do Espírito Santo. CPAD.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  • STOTT, John. A Mensagem aos Gálatas.
  • VINE, W.E et al. Dicionário Vine. CPAD.

Fonte: https://ieadpe.org.br/

As consequências das escolhas precipitadas

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4º TRIMESTRE 2016

O DEUS DE TODA PROVISÃO

Esperança e sabedoria divina para a Igreja em meio às Crises

COMENTARISTA: Pr. Elienai Cabral

LIÇÃO 05 – AS CONSEQUÊNCIAS DAS ESCOLHAS PRECIPITADAS – (Gn 13.7-18)

INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos sobre a escolha que Ló fez baseada na aparência e riqueza da cidade de Sodoma; pontuaremos que esta atitude foi baseada em sua inexperiência e precipitação; e por fim, veremos o contraste entre as escolhas de Ló e Abraão.

I – A ESCOLHA DE LÓ BASEADA NA APARÊNCIA

Segundo o Aurélio a palavra escolha significa: “ato ou efeito de escolher, preferência, eleger, opção, discernimento, capacidade de avaliar, selecionar uma coisa entre duas ou mais opções” (FERREIRA, 2004, p. 792). A partir do momento em que somos responsáveis por nossas vidas, devemos tomar muito cuidado com o que decidimos. Decisões são escolhas que fazemos, porém, jamais poderemos escolher as consequências dessas decisões. As escolhas que tomamos ontem refletem diretamente no que enfrentamos hoje e amanhã.

1.1 As escolhas que fazemos não devem ser baseadas apenas na aparência (Gn 13.10-11). Quando olhamos para este texto bíblico, percebemos que o único critério que Ló usou para fazer a escolha de onde ele passaria morar, foi exatamente o que os olhos dele conseguiram ver: “E levantou Ló os seus olhos, e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada […] era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito […]” (v. 10). Sobre a riqueza de Sodoma ver Ezequiel 16.49,50. Ló não usou o recurso da oração para ser orientado por Deus (Jr 33.3).

1.2 Quando escolhemos baseado apenas na aparência corremos o risco de escolher o que Deus rejeita para nós (Gn 13.13). Sendo Abrão seu tio, e muito mais velho do que Ló, ele se quer passou a oportunidade de fazer a escolha primeiro para ele, mas, de forma precipitada achou que a terra que ele estava prestes a escolher era propícia para seu gado, devido a campina verde e também o rio Jordão que serviria de pasto e água para seu gado; ele escolheu baseado única e exclusivamente na vista dos seus olhos (Tg 1.14,15). Infelizmente a maioria dos seres humanos quando precisam escolher alguma coisa, quase sempre o único recurso usado são os olhos (1Sm 16.6-7; 2Co 10.7-a).

1.3 Quando erramos em nossas escolhas não sofremos sozinhos (Gn 14.11-12). Foi exatamente isso que aconteceu com Ló; o texto mostra que ele foi raptado com toda sua família, seus criados e tudo que tinha. Toda sua família estava pagando por uma decisão que Ló tomou sozinho. A lei da semeadura não falha, colhemos exatamente o que plantamos. A lei da semeadura e da colheita rege tudo o que fazemos em nossa vida. O conceito bíblico de semear e colher se refere às consequências de nossos atos (Jó 4.8; Os 10.13; Gl 6.8), pois: “o que semear a perversidade colherá males” (Pv 22.8), e “o que semeia justiça recebe galardão seguro” (Pv 11.18). Por mais simples que seja a escolha, não devemos fazê-la com base apenas na aparência do que estamos vendo, mas devemos pedir orientação a Deus (Mt 7.7-11).

II – A ESCOLHA DE LÓ BASEADA EM SUA AMBIÇÃO

Em nossas decisões nos deparamos diante de dois pontos importantíssimos: a) agradar a Deus, escolhendo aquilo que Ele tem de melhor para nossas vidas ou, b) simplesmente, agradar a nós mesmos, nossa carne, nosso desejo e escolher aquilo que achamos ser bom para nossa vida. Por isso, são as nossas escolhas e nunca a sorte que determinam nosso destino. “A cobiça e ambição foi o motivo da contenda entre Abrão e Ló […] Ló, sua família e seus trabalhadores queriam muito mais do que haviam conquistado até então […] a contenda tinha sua raiz na ambição e cobiça de Ló”. (CABRAL, 2002, p. 52). Notemos:

2.1 O materialismo de Ló fez com que escolhesse Sodoma (Gn 13.10,11). Uma cidade próspera e muito rica, com sistema de irrigação já estabelecido, situada próximo a uma grande campina, fértil em vegetação, no entanto, essa escolha, aparentemente boa, levou Ló a ficar exposto à impiedade dessa cidade por causa do seu materialismo. Abraão e Ló tinham a mesma raça (Gn 11.31), estavam sujeitos ao mesmo ambiente, mas com caráter bem diferente e escolhas totalmente opostas (Gn 13.8,9).

2.2 A ganância de Ló fez com que ele ganhasse influência, mas perdesse seus familiares (Gn 19.1,26). Além disso, ele perdeu o principal, que é o contato e a intimidade com Deus. Há escolhas que deixam resultados negativos na vida de nossa família. Quando os pais escolhem errado a tendência dos filhos é fazer o mesmo, e é aqui onde entra a mordomia da influência. “Então a primogênita disse a mais nova: Nosso pai está velho, e não há homem na terra que venha unir-se conosco […] demos a nosso pai vinho a beber, e deitemo-nos com ele […]” (Gn 19.31).

III – A ESCOLHA DE LÓ BASEADA EM SUA PRECIPITAÇÃO

Observando os perigos das más escolhas, podemos ter base que nos ajudam a perguntar o que Deus quer ou o que Ele não quer que façamos. Vejamos as escolhas precipitadas de Ló:

3.1 Aproximou-se do pecado. “… e Ló habitou nas cidades da campina, e armou as suas tendas até Sodoma” (Gn 13.12). Ló não se apercebeu que seus objetivos o estavam aproximando do pecado estabelecido em Sodoma. O cristão precisa ter sabedoria para não fazer negócios que o aproxime do pecado (1Jo 2.15-17). Ló foi terrivelmente influenciado pelos costumes de Sodoma e Gomorra e toda sua família foi prejudicada. “A escolha de Ló é típica do crente carnal, cuja concupiscência o envolve […]. A escolha materialista e egoísta converteu-se em morte e destruição.” (CABRAL, 2002, p. 53).

3.2 Aproximou-se de homens ímpios e maus. “Ora, eram maus os homens de Sodoma, e grandes pecadores contra o Senhor” (Gn 13.13). É lamentável o número de crentes que se encontram em situações delicadas e deprimentes por haverem-se aliado a pessoas totalmente avessas aos princípios divinos. O coração de Ló já estava em Sodoma muito antes de seu corpo mudar-se para lá. Sem dúvida, ele se apaixonou pelo mundo quando foi para o Egito com Abraão (Gn 13.1, 10), e jamais superou essa paixão mundana, pois, seu coração estava em Sodoma (Tg 4.4). (WIERSBE, vol. 1, 2010, p. 120 – grifo nosso).

3.3 Tornou-se indolente quanto ao obedecer à voz de Deus. “[…] os anjos apertaram com Ló, dizendo: levanta-te […], para que não pereças na iniquidade desta cidade. Ele, porém demorava-se […]” (Gn 19.15,16). Deus estava querendo salvar Ló mas ele demorava-se em atender à voz do Senhor. Muita gente está brincando com Deus e zombando Dele. Deus adverte, mostra o caminho, mas as pessoas por acomodação, acabam demorando em obedecer e às vezes quando despertam é tarde demais.

3.4 Tornou-se pessimista diante da vontade de Deus. “[…] disse um deles: Escapa-te, salva a tua vida; não olhes para trás de ti, nem te detenhas em toda esta planície; escapa-te lá para o monte, para que não pereças. Respondeu-lhes Ló: Ah, assim não, meu Senhor!” (Gn 19.17,18). Deus estava salvando a vida de Ló, mas ele estava reclamando.

IV – O CONTRASTE ENTRE AS ESCOLHAS DE LÓ E ABRAÃO

Os capítulos 13 e 19 de Gênesis relatam as tristes consequências do declínio espiritual e moral do sobrinho de Abraão que entrou em Sodoma rico e abastado (Gn 13.5,6; 19.30), e saiu pobre e miserável tendo que morar em uma caverna. Não é difícil visualizar o contraste entre esses dois homens, Abraão e Ló (WIERSBE, vol. 1, 2010, p. 120). Vejamos:

4.1 A terra e o lugar das escolhas de Abraão e Ló. Abraão estava a porta da sua tenda e Ló por sua vez, estava sentado a porta de uma cidade perversa (Gn 13.12; 19.1). Abraão era um peregrino e um estrangeiro apenas de passagem neste mundo. Ló havia, gradativamente, abandonado sua tenda e se assentado em Sodoma. Em vez de manter seu olhar fixo na cidade celestial como fez Abraão (Hb 11.8-10), Ló olhou para Sodoma e começou a andar pelas aparências (Gn 13.10-12). E, por fim, foi para dentro da cidade e se conformou alí (Gn 14.12) (WIERSBE, vol. 1, 2010, p. 120).

4.2 Ló sabia que a terra de Sodoma era má e mesmo assim voltou pra lá (Gn 13.10-12; 19.1). Ló começou a se aproximar cada vez mais da cidade, mesmo sabendo da sua pecaminosidade, maldade e perversidade (Gn 13.12-13). Na primeira vez em que Deus o salvou, ele era um prisioneiro de guerra (Gn 14.12,16). Ao se ver livre, ele voltou direto a Sodoma. Aquela experiência dolorosa deveria ter servido para adverti-lo. Deus precisou tomar Ló pela mão e arrastá-lo a força para fora de Sodoma. Primeiro, Ló demorou-se; depois, discutiu; e por último, implorou para que o deixassem seguir seu caminho (Gn 19.15-18).

4.3 Ló e a sua preferência por Sodoma. O lugar onde Ló se encontrava na porta da cidade indica que ele era um homem de uma certa autoridade e influência, uma vez que era ali que se realizavam os negócios (Gn 19.1; Rt 4.1). A razão de todo problema foi o coração de Ló que estava nas riquezas e realizações do mundo. “De acordo com 1 Coríntios 2.14 até 3.3, existem apenas três tipos de pessoa no mundo: a) as naturais (não salvas); b) as carnais (salvas, mas vivem no mundo e na carne); e, c) as espirituais (dedicadas a Deus). Encontramos esses três tipos em Gênesis 13: a natural são os homens de Sodoma; a carnal que é Ló, e a espiritual representada por Abraão” (WIERSBE, vol. 1, 2010, p. 94 – negrito nosso).

4.4 A mensagem de Deus a Abraão e a Ló. A mensagem de Deus para Abraão era uma mensagem de alegria: dentro de um ano, ele e Sara teriam o filho prometido (Gn 18.10). A mensagem para Ló, por outro lado, era assustadora: Deus iria destruir Sodoma e tudo o que havia na cidade (Gn 18.20,21). Sodoma tipifica o mundo e seus valores efêmeros (CABRAL, 200, p. 74)

4.5 Ló perdeu os valores éticos e morais (Gn 19.6-8). Ló estava disposto a sacrificar suas duas filhas virgens a luxúria daquela multidão (Gn 19.8), mas os anjos intervieram. Estranha-nos ver o que aconteceu com os valores pessoais e morais de Ló a ponto de oferecer as filhas para satisfazer a sensualidade carnal de um bando de homens pecadores. Abraão, pelo contrário, ofereceu o filho em sacrifício ao Senhor (WIERSBE, vol. 1, 2011, p. 121). Enquanto Ló “levantou os olhos…” (Gn 13.10-a), com Abrão foi o Senhor quem disse: “… levante agora os teus olhos” (Gn 13.14-b).

4.6 Ló perdeu a autoridade na família (Gn 19.14). Ló deixou-se envolver pela ambição e materialismo e com isto, perdeu o domínio e autoridade sobre sua mulher e sobre suas filhas que se corromperam. Por causa de seu apego as coisas do mundo, Ló não teve influência espiritual nem sobre sua cidade, nem sobre seu próprio lar. Suas filhas casadas com ímpios, e seus genros zombaram dele e recusaram-se a deixar a cidade (Gn 19.14). Até mesmo a esposa amava tanto Sodoma que precisou virar-se e olhar para a cidade uma última vez e por olhar para trás (Gn 19.26; Lc 17.32). As duas filhas solteiras fugiram da cidade com ele, mas acabaram numa caverna, embriagando o pai e cometendo incesto e deram a luz dois filhos, cujos descendentes seriam os grandes inimigos do povo judeu, os moabitas e os amonitas (Gn 19.37,38; Sf 2.9) (CABRAL, 2002, p. 58).

CONCLUSÃO

Concluímos a partir da vida de Ló, que nossas escolhas precisam estar debaixo do nosso livre arbítrio. Ló sofreu como resultado de sua escolha, e as consequências que enfrentou por sua escolhas foram: Guerra (Gn 14.11); sequestro (Gn 14.12); opressão e castigo por parte dos homens de Sodoma (2Pe 2.7-8); perda de toda a riqueza material (Gn 19.15-16,24-25); a morte de sua esposa (Gn 19.17,26); a vergonha do incesto com suas filhas (Gn 19.30-36). Todas estas coisas aconteceram apesar do fato de que o próprio Ló era um homem justo (2 Pe 2.7-8). Perdeu totalmente seu testemunho, ao passo que nem sua própria família aceitava um conselho seu, pois suas filhas aceitaram o padrão moral de Sodoma (Gn 19.14).

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor Correa de. Dicionário Teológico. CPAD.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  • CABRAL, Elienai. Abraão: as experiências de nosso pai na fé. CPAD.

Fonte: https://ieadpe.org.br/

Apostasia, fidelidade e diligencia no ministerio

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3º TRIMESTRE 2015

A IGREJA E SEU TESTEMUNHO

As ordenanças de Cristo nas cartas Pastorais

COMENTARISTA: Pr. Elinaldo Renovato de Lima 

LIÇÃO 05 APOSTASIA, FIDELIDADE E DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO (I Tm 4.1,2; 58;12,16).

INTRODUÇÃO

Nesta lição, iniciaremos trazendo as definições das palavras: apostasia, fidelidade, diligência e ministério. Analisaremos os passos que levam uma pessoa à apostasia e em seguida, mostraremos alguns exemplos de maus obreiros que trouxeram grandes prejuízos na obra, como também, analisaremos os bons exemplos de obreiros que foram muito úteis ao apóstolo dos gentios.

 I DEFINIÇÕES DE APOSTASIA, FIDELIDADE, DILIGÊNCIA E MINISTÉRIO.

1.1 Apostasia. O termo apostasia vem do grego apostásis e significa o abandono premeditado e consciente da fé cristã”. O termo grego aphistemi é definido por: apartar, decair, desertar, retirar, rebelião, abandonar, afastar-se daquilo que antes se estava ligado (STAMPS, 1995, p. 1903).

1.2 Fidelidade. O dicionário Aurélio diz que esta palavra significa: qualidade de fiel; lealdade; constância, firmeza nas afeições, nos sentimentos; perseverança. Observância rigorosa da verdade; exatidão. O termo em hebraico é ‘ emunah’ cujo significado básico é certeza e fidelidade (VINE, 2002, p. 128 – grifo nosso).

1.3 Diligência. Segundo Ferreira (2004, p. 679) a palavra diligência significa: ter cuidado, zelo, aplicação, presteza.

1.4 Ministério. Andrade (2006, p. 265) ao falar sobre a palavra ministério afirma que é: um ofício, cargo, função, incumbência do grego ministerium. A principal característica do ministério cristão é o serviço. O dicionário Vine (2002, p.791) falando sobre o exercício ministerial diz que: “vem da expressão ‘leitourgos, ao qual corresponde no NT aos ministros sacros” (Lc 1.23; Hb 8.6; 9.21 – grifo nosso).

II CARACTERÍSTICAS DOS MAUS COOPERADORES NAS CARTAS PASTORAIS

Paulo cita alguns exemplos específicos de obreiros que apostataram e naufragaram na fé. Vejamos:

2.1 Himeneu, um exemplo daqueles que blasfemam à obra (I Tm 1.20a). A passagem de I Timóteo 1.20 e II Timóteo 2.17 mostram-nos uma repreensão severa a três “cooperadores” da obra que tinham blasfemado contra a Igreja, entristecendo a Paulo e afundado suas próprias vidas. Inevitavelmente tinham caído em más práticas. Pontuemos:

2.2 Fileto, um exemplo daqueles que apostatam da obra (I Tm 6.21; II Tm 2.17). Não sabemos muita coisa alguma sobre este homem, Fileto. Os dois (Fileto e Himeneu) se desviaram da verdade” ao ensinar que a ressurreição já havia ocorrido. Talvez ensinassem que a salvação é a ressurreição em sentido espiritual, de modo que o cristão não deveria esperar uma ressurreição física. Mas a negação da ressurreição física é algo extremamente sério (I Co 15.12), pois envolve a ressurreição de Cristo e a consumação do plano de Deus para a salvação de seu povo. Não é de se admirar que esses falsos mestres estivessem “pervertendo a fé a alguns” (II Tm 2.18) (WIERSBE, 2007, 320).

2.1.1 … os quais entreguei a Satanás para que aprendam a não blasfemar (I Tm 1.20b). A expressão os quais entreguei a Satanás” deixa implícita que Paulo estivesse pensando na prática judia da excomunhão, pois, de acordo com o praticado nas sinagogas, se um homem fizesse o mal, em primeiro lugar, era repreendido publicamente. Se isso fosse ineficaz, era expulso da sinagoga por trinta dias. Se ainda continuasse obstinado em não arrepender-se, era considerado uma pessoa maldita, desterrada da sociedade dos homens e da comunhão com Deus. Em tal caso, era bem possível dizer que o homem era entregue a Satanás… Outra possibilidade, era que Paulo queria dizer que os expulsou da igreja, deixando-os livres no mundo para sofrerem suas consequências. Para Paulo, o castigo nunca era uma vingança reivindicativa; era sempre uma disciplina que remediava. Seu fim nunca era ferir; sempre buscava curar (BARCLAY, sd, p. 65).

2.3 Alexandre, um exemplo daqueles que perturbam à obra (II Tm 4.14). Alexandre era um nome comum naquele tempo (ITm 1.20), de modo que não temos como saber, ao certo, se é o mesmo homem citado na segunda carta de Paulo a Timóteo (II Tm 4.14); mas, caso seja, fica claro que resistiu a Paulo e continuou ensinado doutrinas falsas. Alexandre mostrou-se reprovado para com Paulo no sentido de ter-lhe revelado um coração mau em sua oposição ao Evangelho. O apóstolo Paulo usa a expressão: Guarda-te também dele…. Paulo ordena a Timóteo que evite Alexandre, pois ele atacou a verdade abertamente …porque resistiu muito às nossas palavras. 2.4 Demas, um exemplo daqueles que abandonam à obra (2Tm 4.10). D emas é citado apenas três vezes no NT e, no entanto, essas três citações contam uma triste história de fracasso. Paulo refere-se a Demas, ao lado de Marcos e de Lucas, como meus cooperadores” (Fm 1.24). Na próxima referência, o chama apenas de Demas” (Cl 4.14). Aqui (II Tm 4.10) diz: “Demas […] me abandonou. O apóstolo dá o motivo: “tendo amado o presente século” (WIERSBE, 2007, p. 333).

III TIPOS DE APOSTASIAS E SEUS RESULTADOS

Como já vimos, a palavra apostasia significa: ato de desviar-se ou afastar-se do relacionamento com Deus. Vejamos as consequências da apostasia:

3.1 A apostasia pessoal (Hb 3.12). Apostatar significa cortar o relacionamento salvífico com Cristo, ou apartar-se da união vital com Ele e da verdadeira fé nEle. Sendo assim, a apostasia individual é possível somente para quem já experimentou a salvação, a regeneração e a renovação pelo Espírito Santo (Lc 8.13; Hb 6.4,5); não é simples negação das doutrinas do NT pelos inconversos dentro da igreja visível. A apostasia pode envolver dois aspectos distintos, embora relacionados entre si.

3.1.1 A apostasia teológica. É o desvio de parte ou totalidade dos ensinos de Cristo e dos apóstolos (1Tm 4.1; 2Tm 4.3). Os falsos obreiros apresentam uma salvação fácil e uma graça divina sem valor, desprezando as exigências do arrependimento, à separação da imoralidade, e à lealdade a Deus e seus padrões (2Pe 2.13,1219). Os falsos evangelhos, voltados a interesses humanos, necessidades e alvos egoístas, gozam de popularidade por sua mensagem fácil e agradável.

3.1.2 A apostasia moral. É o abandono da comunhão salvífica com Cristo e o envolvimento com o pecado e a imoralidade. Esses apóstatas podem até anunciar a sã doutrina bíblica, e mesmo assim nada terem com os padrões morais de Deus (Is 29.13; Mt 23.2528). São aqueles que eram crentes e deixaram de permanecer em Cristo e voltaram a ser escravos do pecado e da imoralidade (Is 29.13; Mt 23.2528; Rm 6.1523; 8.613). Existem muitas que igrejas permitem tudo para terem muitos membros, dinheiro, sucesso e prestígio (1 Tm 4.1). O evangelho da cruz, com o desafio de sofrer por Jesus (Fp 1.29), de renunciar todo tipo de pecado (Rm 8.13), de sacrificar-se pelo reino do Senhor e de renunciar a si mesmo será algo raro (Mt 24.12; 2Tm 3.15; 4.3). No dia do Senhor, cairá a ira de DEUS contra os que rejeitarem a sua verdade (1Ts 5.29).

3.2 Passos que levam à apostasia. Podemos elencar alguns passos que levam uma pessoas à apostasia: (1) Quando o crente, por sua falta de fé, deixa de levar plenamente a sério as verdades, exortações, advertências, promessas e ensinos da Bíblia (Mc 1.15; Lc 8.13; Jo 5.44,47; 8.46); (2) Quando as realidades do mundo chegam a ser maiores do que as do reino celestial, e o crente deixa paulatinamente de aproximar-se do Senhor (4.16; 7.19,25; 11.6); (3) Por causa da aparência enganosa do pecado, a pessoa se torna cada vez mais tolerante do pecado na sua própria vida (1Co 6.9,10; Ef 5.5; Hb 3.13). (4) Quando o crente já não ama a retidão nem odeia a iniquidade, e, (5) Por causa da dureza do seu coração e da sua rejeição dos caminhos do Senhor, não faz caso da repetida voz e repreensão do Espírito Santo (Ef 4.30; 1Ts 5.1922; Hb 3.711).

IV CARACTERÍSTICAS DOS BONS COOPERADORES NAS CARTAS PASTORAIS

Vejamos alguns desses grandes exemplos de bons obreiros mencionados por Paulo em suas cartas pastorais:

4.1 Lucas, um exemplo daqueles que amam a obra (II Tm 4.11). Paulo diz que este obreiro é o médico amado” que viajava com Paulo (Cl 4.14). É o autor do Evangelho de Lucas e do Livro de Atos (convém observar a seção de Atos escrita na primeira pessoa do plural, indicando que Lucas foi testemunha ocular dos acontecimentos). É provável que Paulo tenha ditado a carta de 2Timóteo a Lucas, pois, ele serviu a Paulo como um amanuente (aquele que escreve o que é ditado) . Uma vez que Lucas era médico, deve ter apreciado a referência que Paulo faz ao câncer (II Tm 2.17).

4.2 Timóteo, um exemplo daqueles que são fiéis na obra (II Tm 4.11). Nenhum outro líder cristão, dentre os companheiros de trabalho de Paulo, foi tão recomendado por ele como Timóteo, especialmente em face de sua lealdade (I Co 16.10; Fp 2.19; II Tm 3.10). Acerca de Timóteo, o apóstolo destaca ainda que ele era: (1) um estudante zeloso e obediente a Palavra de Deus (II Tm 3.15); (2) um servo perseverante (I Ts 3.2); (3) um homem de boa reputação (At 16.2); (4) amado e fiel (I Co 4.17); e (5) companheiro dedicado a Paulo e ao evangelho (Rm 16.21; II Tm 4.9,2122).

4.3 Tito, um exemplo daqueles que são dedicados na obra (Tt 1.4). T to aparece no NT como um excelente líder. Ele é descrito por Paulo como … verdadeiro filho, segundo a fé comum… (Tt 1.4). O apóstolo deixou transparecer a devoção genuína e a preocupação pastoral deste cooperador (II Co 8.16,17). A alegria cristã e a dedicação de Tito serviam de inspiração para Paulo (II Co 7.1315). Foi enviado com Timóteo para tratar dos problemas mais sérios nas igrejas (Tt 1.5).

4.4 Tíquico, um exemplo daqueles que são disponíveis na obra (2 Tm 4.12) Ficou com Paulo durante seu primeiro período na prisão (Ef 6.21, 22; Cl 4.7,8). Paulo enviou Tíquico a Creta para substituir Tito (Tt 3.12). Depois, o envia a Éfeso para assumir o lugar de Timóteo. Ainda podemos citar: Priscila e Áquila, um exemplo daqueles que dão a sua vida na obra (2 Tm 4.19). Era um casal que ajudou Paulo de várias maneiras (At 18.13,2428; Rm 16.3,4; 1 Co 16.19). Agora, estavam em Éfeso auxiliando Timóteo em seu ministério.

CONCLUSÃO

O apóstolo Paulo tinha em sua companhia homens de Deus sinceros, com os quais ele podia contar na administração do trabalho do Senhor em Éfeso. Timóteo e outros obreiros cujas virtudes são louváveis, constituem-se para nós hoje, verdadeiros exemplos de como devemos agir no serviço de Deus fielmente. 

REFERÊNCIAS

  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Editora Positivo.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • BARCLAY, William. Comentário Bíblico do Novo Testamento: 1 Timóteo.__

Fonte: REDE BRASIL

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A igreja e a lei de Deus

 

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1º TRIMESTRE 2015

A LEI DE DEUS

Valores imutáveis para uma sociedade em constante mudança

COMENTARISTA: Pr. Ezequias Soares

LIÇÃO 13 – A IGREJA E A LEI DE DEUS – (Mt 5.17-20; Rm 7.7-12)

 INTRODUÇÃO

A Lei e os profetas duraram até João Batista e tiveram seu cumprimento pleno em Jesus Cristo. Todavia, os princípios morais nela contidos devem ser praticados pelos cristãos, com exceção do sábado como nos ensina o NT. Nesta lição destacaremos as diferenças entre Israel e a Igreja pois ambos encontram-se sob alianças diferentes. Destacaremos ainda se a Igreja necessita guardar a lei ou não; e por fim, veremos que o amor é o cumprimento da Lei.

I  – A LEI, SUA TRÍPLICE DIVISÃO E SEU CUMPRIMENTO EM CRISTO

“A Lei de Deus contida no Pentateuco, é a expressão máxima da vontade Divina quanto a condução dos negócios, interesses e necessidades humanas na família, na sociedade e no Estado. Embora entregue a Israel, a parte ética da Lei de Deus é aplicável aos demais povos, tendo em vista a sua universalidade e reivindicações eternas (ANDRADE, 2006, p. 252). Segundo Stamps (1995, p, 146) a Lei de Moisés, do hebraico Torah” que significa “ensino ou instrução” admite uma tríplice divisão: (a) a lei moral, que trata das regras determinadas por Deus para um santo viver (Êx 20.1-17); (b) a lei civil, que trata da vida jurídica e social de Israel como nação (Êx 21.1 – 23.33); e, (c) a lei cerimonial, que trata da forma e do ritual da adoração ao Senhor por Israel, inclusive o sistema sacrificial (Êx 24.12 – 31.18). Toda esta lei durou até João Batista (Mt 11.13) e foi cumprida completamente por Cristo (Mt 5.17).

II  – A LEI MORAL É IRREVOGÁVEL

As leis morais de Deus são aquelas leis que são baseadas na natureza de Deus. O próprio Deus é o padrão absoluto de justiça. Visto que as leis morais refletem sua natureza e caráter, elas são “imutáveis e irrevogáveis, mesmo pelo próprio Deus. Visto que a natureza moral de Deus não muda e não pode mudar (Êx 3.14; Is 41.4; Hb 1.11, 12), as leis que são baseadas nessa natureza são absolutas. Elas são perfeitas, universalmente obrigatórias, e eternas. A lei moral de Deus é resumida nos Dez Mandamentos (o Decálogo). O número dez na Escritura indica plenitude ou completude. Assim, os Dez Mandamentos representam o padrão ético inteiro dado à humanidade por toda a Bíblia. Diante dessa afirmação nos perguntamos: se os dez mandamentos dados na Antiga Aliança já passaram, vivem então os cristãos sem eles? Podem tomar o nome de Deus em vão, matar, roubar etc.? Por certo que não, pois que o Novo Testamento proíbe tais pecados (Êx 20.3; Mt 4.10; Êx 20.4; Lc 16.13; Êx 20.7; Mt 5.34; Êx 20.8; At 15.28,29; Êx 20.12; Mt 10.37; Êx 20.13; Mt 5.22; Êx 20.14; Mt 5.28; Êx 20.15; Mt 5.40; Êx 20.16; Mt 12.36; Êx 20.17; Lc 12.15). Somente a guarda do sábado é que não encontramos referência no NT para que o cristão guarde (At 15.28,29; Cl 2.16).

III  – AS DIFERENÇAS ENTRE A ANTIGA E A NOVA ALIANÇA

O termo pacto ou aliança em hebraico é de berit, e berit karat que significa “fazer (lit. ‘cortar’ ou ‘lapidar’) uma aliança”. Em grego o termo é diatheke (que pode significar tanto um “pacto” como “último desejo e testamento”), e o verbo diatithemi (At 3.25; Hb 8.10; 9.16; 10.16). Uma aliança é um acordo feito entre duas ou mais pessoas. A Antiga Aliança foi feita no deserto do Sinai entre Deus e a nação de Israel (Êx 19; 24). Já a Nova Aliança foi feita por Cristo na cruz do Calvário entre Deus e a Igreja (Mt 26.28). Vejamos as diferenças entre ambas alianças, a fim de que possamos entender a superioridade de uma em relação a outra.

ANTIGA ALIANÇA NOVA ALIANÇA
Antiga (Êx 34.27-28) Nova (Jr 31.31-34; Hb 12.24)
Ratificada com sangue de animais (Êx 24.6-8) Ratificada com o sangue do Filho de Deus (Hb 9.14; Lc 22.20)
Mediador: Moisés (II Co 3.7-b) Mediador: Cristo (II Co 3.3-14; Hb 8.6- 9,15)
Alcance: Israel (Êx 24.7,8) Alcance: Povos, tribos, línguas e nações (Mt 26.28; Ap 5.9)
Gravada em pedras (II Co 3.7-a) Escrita no coração (II Co 3.2,3)
Veio em glória (II Co 3.7-a) Tem excelente glória (II Co 3.10)
Ministério da condenação (II Co 3.9) Ministério da justificação (At 13.38,39)
É um jugo de servidão (At 15.10) Traz liberdade (II Co 3.17)
Acaba com morte (II Co 3.6,7) Vivifica (II Co 3.6)
Era transitória (II Co 3.7,11) É permanente (II Co 3.11; Hb 13.20)

IV  – A IGREJA DEVE GUARDAR OU NÃO A LEI

A palavra “lei”, nas quatrocentas vezes em que ocorre na Bíblia, nunca se refere apenas ao decálogo como sendo este a lei moral, nem aos demais preceitos como sendo lei cerimonial. Toda vez que o Novo Testamento fala de lei refere- se à lei contida no Pentateuco como um todo. Cristo nos libertou da maldição da lei fazendo-se maldição por nós (Gl 3.13). Pelo fato de, como cristãos, estarmos libertos da lei, não significa que estamos sem lei, pois estamos debaixo da lei de Cristo (I Co 9.21).

 Neolegalismo. O legalismo é a “tendência a se reduzir a fé cristã aos aspectos puramente materiais e formais das observâncias práticas e obrigações eclesiásticas. No Novo Testamento, o legalismo foi introduzido na Igreja Cristã pelos crentes oriundos do Judaísmo que, interpretando erroneamente o evangelho de Cristo, queriam forçar os gentios a guardarem a Lei de Moisés afim de serem salvos” (ANDRADE, 2006, p. 251). Os modernos defensores do neolegalismo procuram enganar os incautos com citação de textos bíblicos isolados, os quais eles torcem em favor de seus pontos de vista. Mas a Bíblia, inspirada pelo Espírito Santo, constitui um todo em si mesma. “Só podemos aceitar como doutrina bíblica aquelas que estão respaldadas em todo o contexto bíblico. É errado considerar toda palavra “mandamento” como uma referência ao Decálogo, e é errado ensinar que Jesus cumpriu na cruz somente os mandamentos “cerimoniais”, ele cumpriu toda a Lei em si mesmo” (ALMEIDA, 1996, p. 09).

 Antinomismo (contra lei). “Doutrina que assevera não haver mais necessidade de se observar as leis morais do Antigo Testamento. Alegam os antinomistas que, salvos pela fé em Cristo Jesus, já estamos livres da tutela de Moisés. Ignoram, porém, serem as ordenanças morais do Antigo Testamento pertencentes ao elenco do direito natural que o Criador incrustara na alma de Adão. Todo crente piedoso os observa; pois o Cristo não veio ab rogá-los; veio cumpri-los e sublimá-los” (ANDRADE, 2006, p. 51). Certos grupos libertinos que vieram depois de Paulo, levaram seus ensinamentos ao extremo. Estes afirmavam que, desde que uma pessoa tivesse fé em Cristo (isto é, cresse nas coisas certas a respeito de sua divindade e em sua obra realizada para conceder perdão), não importaria se os atos dela fossem bons ou maus. O próprio Paulo havia previsto este abuso, repudiando-o completamente (Rm 6.1,2).

 V – O AMOR É O CUMPRIMENTO DA LEI

A obediência aos mandamentos somente por obediência, trata-se de puro legalismo. O intuito divino é que o mandamento fosse obedecido por amor. Esse padrão está delineado tanto no Antigo quanto no Novo Testamento (Dt 6.5; 11.1; Mt 22.37-39; Lc 10.27).

  1. O amor a motivação certa para a obediência da Lei. Deus esperou de Israel que a Lei entregue por Ele, fosse obedecida tendo como motivação o amor e não por medo, interesses pessoais ou por obrigação ( Dt 6.5; 11.1), embora a sujeição a Lei tinha como implicações o temor, as bençãos materiais e o compromisso assumido na aliança (Êx 20.20; 24.7; Is 1.19; Dt 28.1-2; Lv 26.15). A palavra motivação diz respeito a intenção, propósito ou objetivo com que se faz as coisas. Foi justamente nesse ponto que o povo de Israel tropeçou (Is 29.13; Mt 15.8). A mesma motivação se exige dos cristãos no NT (Jo 14.15,21;23-24; I Jo 5.2).
  2. O amor é o cumprimento da Lei. Ao ser indagado sobre qual os dois maiores mandamentos da Lei, Jesus respondeu: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração […] este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12.30,31). Como podemos ver, o amor é o cumprimento da Lei (Mt 22.35-40). Essa mesma perspectiva nos ensinou o apóstolo Paulo (Rm 13.8,10).
  3. O amor a capacidade para a cumprimento da Lei. No ato da conversão, o Espírito Santo passa a habitar no crente e a produzir o fruto do Espírito, que são qualidades morais e espirituais cultivadas na personalidade cristã dentre eles o amor (Gl 5.22). A Bíblia diz que Deus é amor (Ef 5.2; I Jo 4.8) e ele nos confere o seu amor, pela operação do Espírito na alma. O amor é a virtude que pré dispõe alguém desejar o bem de outrem. Do grego “ágape”, é o maior de todos os sentimentos e o fundamento sobre o qual os dons e as as outras virtudes do Espírito Santo estão edificados (I Co 13.1-3). “O amor é uma planta tenra da qual o Espírito cuida. Se o amor estiver ausente, então é que o Espírito não habita em nós” Assim sendo, é impossível amar a Deus e odiar a um ser humano. Só ama verdadeiramente aquele que nasceu de Deus, porquanto o “amor cristão” é uma qualidade eminentemente espiritual. Outrossim, aquele que não ama também não conhece a Deus (I Jo 4.8), porque Deus é a própria essência do amor, sendo altruísmo puro. Por semelhante modo, não amar é andar nas trevas (I Jo 2.11)” (CHAMPLIN, 2004, vol. 1, p. 141).

CONCLUSÃO

A Lei não foi concedida a Israel como um fim em si mesma, pois o homem por si só não tem condições de cumpri-la, fazendo-se necessário ser salvo pela graça independente das obras. Todavia, este homem depois de salvo, passa a produzir, pelo Espírito a virtude do amor que lhe dá condições de andar nos princípios da Lei.

REFERÊNCIAS

  • ALMEIDA, Abraão de. O Sábado, a Lei e a Graça. CPAD.
  • ANDRADE, Claudionor Correia de. Dicionário Teológico.CPAD
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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 PRÓXIMA LIÇÃO:
2º trimestre capa

No 2º Trimestre de 2015 a Casa Publicadora das Assembleias de Deus disponibilizará a revista Lições Bíblicas com o tema Jesus. o Homem Perfeito – O Evangelho de Lucas, o Médico Amado, cuja autoria dos comentários é do Pastor José Gonçalves.
Lucas, o médico amado, não foi um apóstolo nem tampouco foi uma testemunha ocular da vida de Jesus, todavia deixou uma das mais belas obras literárias já escritas sobre os feitos do Salvador e os primeiros anos da comunidade cristã. Este livro de natureza devocional-teológica analisa o Evangelho de Lucas e nele encontrar a presença de Jesus, o Homem Perfeito. As lições são:
Lição 01: O Evangelho Segundo Lucas
Lição 02: O Nascimento de Jesus
Lição 03: A Infância de Jesus
Lição 04: A Tentação de Jesus
Lição 05: Jesus Escolhe seus Discípulos
Lição 06: Mulheres que Ajudaram Jesus
Lição 07: Poder sobre as Doenças e Morte
Lição 08: O Poder de Jesus sobre a Natureza e os Demônios
Lição 09: As Limitações dos Discípulos
Lição 10: Jesus e o Dinheiro
Lição 11: A Última Ceia
Lição 12: A Morte de Jesus
Lição 13: A Ressureição de Jesus

Não cobiçarás

 

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1º TRIMESTRE 2015

A LEI DE DEUS

Valores imutáveis para uma sociedade em constante mudança

COMENTARISTA: Pr. Ezequias Soares

LIÇÃO 12 ­ NÃO COBIÇARÁS ­ (Êx 20.17; 1 Rs 21.1­5, 9, 10, 15,16).

 

INTRODUÇÃO

O décimo mandamento “Não cobiçarás” (Êx 20.17), foi instituído por Deus para que a nação de Israel não violasse nenhum dos mandamentos anteriores do Decálogo. Se o oitavo mandamento, por exemplo, proibia o roubo, o décimo mandamento proibia o desejo de roubar. Nesta lição, iremos analisar exegeticamente este preceito; teremos uma visão geral sobre a cobiça no AT e no NT; veremos ainda alguns exemplos bíblicos de pessoas que caíram neste terrível pecado; e, por fim, destacaremos como vencer a avareza, uma prática nociva tão comum em nossos dias.

I  –  A EXEGESE DO DÉCIMO MANDAMENTO

“O verbo hebraico que aparece no texto de (Êx 20.17) é “hãmad”, que significa “desejar, ter prazer em, cobiçar, ter concupiscência de”; já em (Dt 5.21) podemos notar a presença de um outro verbo hebraico “ãwãh”, que significa “desejar ardentemente, ansiar, cobiçar, anelar” (SOARES, 2014, p. 133 – acréscimo nosso). A Septuaginta, que é a tradução do AT em hebraico para o grego, traduz estes dois termos, pelo verbo grego “epithyméo”. Logo, o substantivo grego que expressa um desejo é “epithymia” (Mt 5.28; Lc 15.16; Rm 7.7).

 1.1. “Epithymia”, desejos bons ou maus. “O verbo “epithyméo” significa literalmente “desejar apaixonadamente”. O vocábulo grego é neutro, podendo fazer referência a qualquer apetite legítimo ou ilegítimo. Portanto, os desejos podem ser positivos ou negativos. Um desejo pode ser apenas isso, porém, quando não se estabelece limites, este sentimento primário evolui para a paixão. A paixão por sua vez, é um “sentimento ou uma emoção levados a um alto grau de intensidade, sobrepondo­se à lucidez e à razão” (FERREIRA, 2004, p. 1468); quando ela domina o coração do homem, o sentimento primário eleva­se ao extremo e, esse extremo é exatamente o que a Bíblia chama de cobiça. Existem desejos (cobiças) tão intensos que envolvem a própria alma (Dt 14.26)” (CHAMPLIN, 2004, vol. 2, pp. 79­80 – acréscimo nosso).

II  – A COBIÇA NA PERSPECTIVA DO ANTIGO TESTAMENTO

“A cobiça é definida como o desejo desordenado de adquirir coisas, posição social, fama, proeminência secular ou religiosa, etc. Pode incluir a tentativa de apossar-­se do que pertence ao próximo. Ela geralmente aumenta com a idade, ao invés de diminuir, dando origem a certos números de males. Esta obra da carne promove a alienação de Deus, a opressão e a crueldade contra o próximo, a traição e as manipulações e desonestidades de toda espécie. Quase sempre, o desejo desordenado da cobiça provoca alguma ação para que o cobiçoso adquira o que quer, ou para que persiga o possuidor do objeto ou da pessoa cobiçada” (CHAMPLIN, 2004, vol. 1, p. 774 – acréscimo nosso).

Significado do décimo mandamento. “Não cobiçarás”, não significa que uma pessoa não possa ADMIRAR bens e aptidões de outros indivíduos. O mandamento proíbe o desejo corrompido que destrói os relacionamentos e pode levar um indivíduo a desejar o sofrimento daquele que têm a aptidão ou objeto cobiçado” (ADEYEMO, 2010, p. 114 – grifo nosso).

  1. Objetivo do décimo mandamento. “A posição desse mandamento no final da lista indica que ele trata de qualquer pendência que ainda resta no âmbito relacional, pois abrange todas as formas possíveis de relacionamento – com Deus, com a família e com a sociedade mais ampla. A confiabilidade e o respeito por outros são elementos essenciais, pois nenhuma sociedade construída com base em relacionamentos falsos pode sobreviver à instabilidade e aos problemas resultantes. Se pessoas e nações tivessem obedecido aos Dez Mandamentos, muitos traumas poderiam ter sido evitados” (ADEYEMO 2010, p. 114).
  2. O que não cobiçar. “O mandamento proíbe cobiçar a casa, a mulher, os servos, os animais ou qualquer coisa do próximo (Êx 20.17; Dt 5.21). A casa aqui indicava a família, no sentido antigo da palavra, e a ideia de esposa é primária. Isto é explicitamente demonstrado em Deuteronômio 5.21, onde a esposa é mencionada em primeiro lugar. Boi e jumento são a riqueza típica do camponês ou seminômade da Idade do Bronze, para quem as perplexidades da sociedade desenvolvida ainda não haviam surgido. Os servos ou os “escravos” eram por sua vez, a única outra forma de propriedade móvel” (COLE, 1981, p. 155).
  3. A abrangência do cobiçar. A ideia central é não desejar aquilo que pertence ao próximo, contudo, como Deus não só vê a ação concreta, mas a motivação que leva a ação, podemos identificar nesta verdade, o lado espiritual do Decálogo, mostrando que nem tudo é jurídico, e com isto, entendemos que o décimo mandamento é a ponte que leva ao cumprimento dos demais, isto é, não cobiçar outros deuses, outras formas de culto, a mulher e os bens do próximo (Êx 20.17).

III  – ENTENDENDO A COBIÇA NA PRÁTICA

Todos nós externamos vontades e biblicamente há implicações. Existem vontades ou desejos lícitos e ilícitos e, o décimo mandamento previne o coração exatamente dos desejos ilícitos, isto é, da cobiça.

DESEJOS LÍCITOS

REFERÊNCIAS DESEJOS ILÍCITOS REFERÊNCIAS
Jesus desejou comer a Páscoa “… Desejei muito…”

(Lc 22.15).

Ananias e Safira desejaram prestígio “Porque   formaste este designo…” (At 4.34­37; 5).
 

Daniel desejou conhecer os desígnios de Deus

“Então tive desejo de conhecer a verdade…” (Lc 15.16).  

Diótrefes desejou a primazia da igreja

 

“Procura ter entre eles o primado…” (3 Jo 9).

IV   – A COBIÇA NA PERSPECTIVA DO NOVO TESTAMENTO 

  1. Na perspectiva de Cristo. “Não cobiçarás…” se distingue dos outros nove mandamentos por se tratar da motivação, e não do ato. Assim, é possível violar esse preceito sem que haja comprovação concreta. É o décimo mandamento que golpeia a própria raiz do pecado, o coração pecaminoso e o desejo perverso. Cristo aborda a responsabilidade sobre o pecado do pensamento, pois toda ação humana começa no seu coração, inclusive comparou o desejo de pecar (a cobiça) ao próprio ato em si” (Mt 5.28; Mc 7.21­23;) (SOARES, 2014, p. 134 – acréscimo nosso).
  2. Na perspectiva do apóstolo Paulo. O apóstolo Paulo trata esta obra carnal se utilizando de um sinônimo. Ele destaca a avareza, o apego demasiado e sórdido ao dinheiro, ou seja, a vontade de adquirir riquezas; os cobiçosos anelam por ter mais dinheiro (At 20.33; 1 Tm 6.9; Rm 7.7). Este pecado é alistado entre os pecados frisados por Paulo, em Ef 4.19; aparece na lista dos vícios dos povos pagãos, em Rm 1.29. Apesar da cobiça não ser especificamente alistada entre as obras da carne em Gl 5.19­21, ela é uma das causas de várias daquelas obras carnais, como o adultério, o ódio, as dissensões, a beligerância que é a pessoa que suscita guerras, etc., devendo ser incluída entre as “tais coisas” que Paulo mencionou, e que não permitem que uma pessoa chegue ao Reino de Deus (Gl 5.21).” (CHAMPLIN, 2004, vol. 1, p. 774 – acréscimo nosso).

V   – PERSONAGENS BÍBLICOS QUE CAÍRAM NESTE PECADO

Na tabela abaixo, destacamos alguns exemplos práticos de personagens que caíram neste pecado.

 

PERSONAGENS

REFERÊNCIAS DESCRIÇÃO DA COBIÇA
Lúcifer “… E serei semelhante ao Altíssimo…” (Is 14.12­15). Cobiçou ser igual a Deus
Adão e Eva “… Desejável para dar entendimento…” (Gn 3.6). Cobiçou saber como Deus
Acã “… Cobicei­os e tomei­os…” (Js 7.21). Cobiçou os despojos de Jericó
Davi “… mandou trazer…” (2 Sm 11.2­4 ). Cobiçou a mulher de Urias
Absalão “… Furtava Absalão o coração…” (2 Sm 15.1­16). Cobiçou o trono de Davi seu pai
Geazi “Tomar dele alguma coisa” (2 Rs 5.20). Cobiçou os pertences de Naamã
Acabe “… Dá­me a tua vinha…” (1 Rs 21.2). Cobiçou a propriedade de Nabote

VI   – VENCENDO A AVAREZA

Nas Escrituras encontramos o antídoto para este veneno mortal. Vejamos: (1) Jesus nos ensina que não precisamos andar ansiosos com as coisas desta vida, Ele supre toda as nossas necessidades (Mt 6.25,26); (2) o apóstolo Paulo por sua vez, nos ensina que devemos aprender a nos contentarmos com o que temos, desejar apaixonadamente a riqueza é uma laço que nos leva a perdição e a ruína (Fp 4.11,12; 1 Tm 6.9); e por fim (3) o escritor anônimo da carta aos Hebreus nos consola com as palavra de Cristo: “Não te deixarei, nem te desampararei” (Hb 13.5).

 

CONCLUSÃO

A cobiça é uma obra da carne que dá origem a todos os outros pecados. Por meio deste pecado o mal se introduziu na criação. O mandamento “não cobiçarás” nos protege das ambições erradas, levando-­nos a um nível de relacionamento piedoso para com Deus, com a nossa família e com a sociedade.

 

REFERÊNCIAS

    • TOKUNBOH, Adeyemo. Comentário Bíblico Africano. MUNDO CRISTÃO.
    • ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
    • CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblias, Teologia e Filosofia, HAGNOS.
    • COLE, R. Alan. Êxodo Introdução e Comentário. MUNDO CRISTÃO.
    • SOARES, Esequias. Os Dez Mandamentos. CPAD.Fonte: REDE BRASIL

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