A Santíssima Trindade: Um só Deus em três pessoas

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 03 – A SANTÍSSIMA TRINDADE: UM SÓ DEUS EM TRÊS PESSOAS  (1 Co 12.4-6; 2 Co 13.13)

INTRODUÇÃO

Nesta lição aprenderemos sobre a conhecida doutrina da Trindade; destacaremos também o conceito desse ensino à luz da Bíblia; pontuaremos as bases dessa doutrina a partir do AT e NT; e por fim, ressaltaremos atributos divinos em cada pessoa da Trindade.

I  – DEFININDO O TERMO TRINDADE

A palavra Trindade em si não ocorre na Bíblia, essa expressão é teológica usada para descrever na perspectiva humana a divindade. Sua forma grega “trias”, parece ter sido usada primeiro por Teófilo de Antioquia (181 d.C.), e sua forma latina “trinitas”, por Tertuliano (220 d.C.). Entretanto, a crença na Trindade é muito mais antiga que isso como será visto mais à frente (THIESSEN, 2006, p. 87 – acréscimo nosso).

II  – O CONCEITO BÍBLICO DA TRINDADE

Segundo Andrade, Trindade é: “Doutrina segundo a qual a Divindade, embora una em sua essência, subsiste nas Pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo. As Três Pessoas são iguais na substância e nos atributos absolutos, metafísicos e morais” (2006, p. 349). Sobre esta doutrina podemos ainda fazer algumas considerações:

  1. Não contradiz a unidade de Deus. As Escrituras ensinam que Deus é um (Dt 4.35; 6.4; Is 37.16), contudo, a unidade divina é uma unidade composta de três pessoas, que são: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo (Mt 19; 1 Co 12.4- 6), que cooperam unidos em um mesmo propósito, onde não existe nenhum tipo de hierarquia ou superioridade entre eles; não se tratando também de três deuses (triteísmo) e nem três modos ou máscaras de manifestações divinas (unicismo), antes, são três pessoas, mas um só Deus. “Eu e o Pai somos um(Jo 10.30), “[…] se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (Jo 14.23).
  2. Não é invenção humana. Uma das objeções à doutrina da Trindade é que teria sido produzida pela mente humana, que é de origem pagã e foi imposta por um imperador pagão (Constantino) no Concílio de Nicéia em 325 d.C., que supostamente teria se tornado cristão, estabelecendo o Cristianismo como religião oficial do império. De acordo com Soares: “Esses argumentos das organizações contrárias à fé trinitária são falsos. O Concílio de Nicéia não tratou da Trindade; a controvérsia foi em torno da identidade Jesus de Nazaré”. A Trindade é uma doutrina com sólidos fundamentos bíblicos e, mesmo sem conhecer essa terminologia, os cristãos do período apostólico reconheciam essa verdade ( 2 Co 13.13; Ef 1.1-14; 1 Pd 1.2) (2017, pp. 37, 50).
  3. Não é irracional. A doutrina da unidade composta não é incoerente (Gn 2.24; 1 Co 6.17), ainda que seja chamada de um mistério porque vai além da razão, mas não é contra a razão, como foi dito acertadamente: “É conhecida apenas pela revelação divina, portanto não é assunto da teologia natural, mas da revelação” (GEISLER apude SOARES, 2017, 36). Sobre a possibilidade de entendermos a doutrina da Trindade, Grudem afirma: “[…] não é correto dizer que não podemos de forma alguma entender a doutrina da Trindade. Certamente podemos compreender e saber que Deus é três pessoas, que cada uma delas é plenamente Deus e que há somente um Deus. Podemos saber essas coisas porque a Bíblia as ensina” (2007, p. 126 – grifo nosso).

III – A SANTÍSSIMA TRINDADE NO ANTIGO TESTAMENTO

Embora a doutrina da Trindade não se encontre de forma desenvolvida no AT, acha-se implícita na revelação divina desde o início (DOUGLAS, 2006, p. 1356). Uma boa justificativa para que tal doutrina não seja claramente ensinada no AT, é dada por Pearlman (2009, p. 80) quando afirma: “num mundo em que o culto de muitos deuses era comum, tornava-se necessário acentuar para Israel a verdade de que Deus é um e que não havia outro além dele. Se no princípio a doutrina da Trindade fosse ensinada diretamente, ela poderia não ser bem compreendida nem bem interpretada”. Ainda que implicitamente no AT pode ser visto indícios dessa doutrina. Vejamos alguns exemplos:

  1. Na criação do Universo. Se levarmos em conta que a palavra hebraica “Elohim” (Gn 1.1) é um substantivo plural, concluiremos: a Santíssima Trindade encontrava-se ativa na criação do universo. Por conseguinte, quando a Bíblia afirma que no princípio Deus criou os céus e a terra, atesta: no ato da criação, estiveram presentes Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. O Pai criou o universo por intermédio do Filho (Jo 1.3), enquanto o Espírito Santo transmitia vida a tudo quanto era criado (Gn 1.2).
  2. Na aparição do Anjo do Senhor. A manifestação no Antigo Testamento do “Anjo do Senhor” (ou de Yahweh), é uma forte evidência a respeito da Trindade. “Vemos que esse Anjo, dependendo do contexto, não apenas se identifica com o próprio Senhor, como também é assim identificado por outros” (GUSTAVO, 2014, p. 22 – acréscimo nosso). Dentre tantas aparições destacamos ainda (Gn 16.9,13; 22.11,15,16; 31.11,13; Êx 3.2,4,6; Jz 13.20-22; Ml 3.1). Sendo sua identificação como divino ressaltada, por aceitar adoração que é destinada a Deus (Êx 3.2,4,5; Jz 13.21,22) (LANGSTON, 2007, p. 114).
  3. Na expectativa messiânica. A expectativa messiânica, que sempre foi um fator de consolação à alma hebreia, também revela a presença da Santíssima Trindade no AT (Sl 110.1,4). Em ambas as passagens, o autor sagrado, inspirado pelo Espírito Santo, mostra o Pai referindo-se ao Filho – Jesus Cristo (Mc 12.36; Hb 5.6). Um trecho que mostra, de maneira explícita e clara, a presença da Santíssima Trindade no AT é Daniel 7.13-14. Podemos ainda pontuar algumas passagens alusivas a referências proféticas sobre o Messias: “E, agora o Soberano, o SENHOR, me [o Messias] enviou, com seu Espírito” (Is 48.16). “O Espírito do Soberano, o SENHOR, está sobre mim [o Messias], porque o SENHOR ungiu-me para levar boas notícias aos pobres” (Is 61.1 ver Lc 4.18-21). Embora essas passagens não retratem especificamente um Deus em três pessoas, apontam nessa direção (RODMAN, 2011, p. 73).
  4. Na pluralidade de pessoas na Divindade. Já no Livro do Gênesis existe a indicação da pluralidade de pessoas no próprio Deus (Gn 1.1; 3.22; 11.7), podemos ainda encontrar uma série de passagens além dessas, que apontam para a mesma verdade (Is 6.8; 63.10), textos em que uma pessoa é chamada “Deus ou Senhor”, e ela se distingue de outra pessoa que também é identificada como “Deus” (Sl 45.6,7). De modo semelhante o salmista registra: Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés” (Sl 110.1). Jesus atesta que Davi está se referindo a duas pessoas separadas chamando-as “Senhor” (Mt 22.41-46), mas quem é o Senhor de Davi se não o próprio Deus? Da perspectiva do NT, podemos parafrasear esse versículo do seguinte modo: “Deus Pai disse a Deus Filho: Assenta-te à minha direita”. Diante disso, mesmo sem o ensino do Novo Testamento sobre a Trindade, fica claro que Davi estava consciente da pluralidade de pessoas em Deus (GRUDEM, 2007, 110).

IV – A SANTÍSSIMA TRINDADE NO NOVO TESTAMENTO

É  no  Novo  Testamento  que  encontramos  as  mais  claras  e  explícitas  manifestações  da  Santíssima Trindade. Notemos alguns registros onde se evidencia tão importante doutrina:

  1. No batismo e ministério de Jesus. Nessa clássica manifestação da Trindade (Mt 3.16,17), vemos uma das Pessoas (o Filho) submeter-se ao batismo, o Espírito Santo descer como pomba sobre Ele, e a Pessoa do Pai declarar o seu amor a Cristo atestando sua filiação. No monte da transfiguração vemos com clareza mais uma vez a pluralidade de pessoas (Mt 17.5; Mc 9.7,8).
  2. Na ascensão de Jesus. Já prestes a ser assunto ao céu, o Senhor Jesus Cristo, ao dar últimas instruções aos discípulos, declarou: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo(Mt 28.19). Pode ainda restar mais alguma dúvida acerca da Trindade?
  3. Na vida da Igreja Primitiva. Nos Atos dos Apóstolos, a Santíssima Trindade aparece operando ativamente, desde os primeiros versículos (At 1.1,2). Nesse livro, encontramos a Trindade na proclamação do Evangelho (At 5.32; At 10.38); no testemunho eficaz da fé cristã (At 7.55); no chamamento de obreiros (At 9.17); no Concílio de Jerusalém (At 15.1-35). Nas epístolas (Rm 14.17; 15.16; 2 Co 13.13; Ef 4.30; Hb 2.3,4; 2 Pd 1.16-21; 1 Jo 5.7) e também no livro do Apocalipse (Ap 1.1,2; 8,11).

V – ATRIBUTOS DIVINOS NAS PESSOAS DA TRINDADE

A Bíblia categoricamente específica que todas as pessoas da Trindade possuem a mesma essência possuindo os mesmos atributos. Vejamos alguns:

Atributos

Pai Filho Espírito Santo

Eternidade

Sl 90.2 Cl 1.17

Hb 9.14

Onipotência

Gn 17.1 Mt 28.18

1 Co 12.11

Onipresença

Jr 23.24 Mt 28.19

Sl 139.7

Onisciência

1 Jo 5.20 Jo 21.17

1 Co 2.10

Criador Gn 1.1 Jo 1.3,10

Jó 33.4

CONCLUSÃO

A doutrina da Santíssima Trindade é puramente bíblica, embora seja um mistério jamais será uma contradição. Como alguém sabiamente disse: “Se tentássemos entender Deus por completo, podemos perder a razão [mente], mas se não acreditarmos sinceramente na Trindade perderemos nossa alma!” (RAVI; GEISLER, 2014, p. 28).

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor Correia de. Dicionário Teológico.
  • GUSTAVO, Walber; GOMES, Leonardo. Doutrina da Trindade: desenvolvimento bíblico e histórico.
  • GRUDEM, Manual de Doutrinas Cristãs: Teologia Sistemática ao alcance de todos. VIDA.
  • LANGSTON, A.b. Esboço de Teologia Sistemática.
  • PERLMAN, Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. VIDA.
  • RAVI Zacharias; GEISLER, Norman. Quem criou Deus? REFLEXÃO.
  • THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

A multiforme sabedoria de Deus

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SEGUNDO TRIMESTRE DE 2014

DONS ESPIRITUAIS E MINISTERIAIS

Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário

COMENTARISTA: Pr. Elinaldo Renovato

LIÇÃO 13 – A MULTIFORME SABEDORIA DE DEUS (Ef 3.8-10; I Pe 4.7-10)

INTRODUÇÃO
Nesta última lição do trimestre veremos como Deus, em sua multiforme sabedoria, distribui os dons espirituais, ministeriais e de serviço para que a Igreja possa cumprir a sua missão aqui na terra. Veremos também que cada um de nós, como despenseiros dos mistérios divinos devemos administrar os dons, visando a edificação do Corpo de Cristo; e também, sobre o Fruto do Espírito.
I – A MULTIFORME SABEDORIA DE DEUS
O termo multiforme deriva-se do grego “polupoikilos” e significa “muito variado” ou “multilateral” e tem o sentido de “variados modos de interpretação”. Em Ef 3.10 o termo refere-se a sabedoria de Deus, que é um dos atributos divinos (I Sm 2.3; Jó 12.13; Sl 104.24) e é perfeita (Jó 36.4; 37.16); poderosa (Jó 36.5); infinita (Sl 147.5; Rm 11.3); insondável (Is 40.28; Rm 11.33); maravilhosa (Sl 139.6); ultrapassa a compreensão humana (Sl 139.6); e é incomparável (Is 44.7; Jr 10.7). Toda sabedoria humana é derivada da sabedoria divina (Ed 7.25; Dn 2.2). Jesus é a personificação da sabedoria de Deus (I Co 1.24,30) e o evangelho contém os tesouros da sabedoria divina (I Co 2.7). Já a palavra sabedoria é oriunda do termo grego “sophia” (lê-se sofia) e é usada com referência a Deus (Rm 11.33; I Co 1.21,24; 2.7; Ef 3.10; Ap 7.12); a Jesus (Mt 13.54; Mc 6.2; Lc 2.40,52; I Co 1.30; Cl 2.3; Ap 5.12); e aos homens (Mt 12.42; Lc 11.31; At 7.22; I Co 1.17,19,20,21). A multiforme sabedoria de Deus pode ser vista em Suas palavras e também em Suas obras (Sl 19.7; 104.24; Pv 2.6; 8.14; 3.19). Em Sua eterna sabedoria, visando a edificação, santificação e capacitação para a Igreja cumprir a sua missão aqui na terra, colocou à sua disposição os dons sobrenaturais, a saber: espirituais (I Co 12.7-11); ministeriais (Ef 4.11) e de serviço (Rm 12.7,8).
II – OS BONS DESPENSEIROS DOS MISTÉRIOS DIVINOS
O termo despenseiro deriva-se do grego “oikonómos” e significa “mordomo da casa” (Lc 12.42; 16.1,3,8; Rm 16.23; I Co 4.1,2; Gl 4.2; Tt 1.7; I Pe 4.10). O despenseiro ou mordomo era alguém que administrava uma casa, propriedade, ou negócio de outrem. Assim, como despenseiro dos mistérios divinos, devemos conhecer (I Co 12.1); buscar (I Co 12.31); e zelar pelos dons (I Co 12.31) para que sejamos úteis e eficazes no Corpo de Cristo. Vejamos algumas características dos bons despenseiros:
* Humildes (At 20.19); * Abnegados (I Cor 9.27);
* Santos (Êx 28.36; Lv 21.6; Tt 1.8); * Sóbrios, justos e temperantes (Lv 10.19; Tt 1.8);
* Puros (Is 52.11; I Tm 3.9); * Hospitaleiros (I Tm 3.2; Tt 1.8);
* Pacientes ( I Tm 3.2; Tt 1.7); * Aptos a ensinar (I Tm 3.2; II Tm 2.24);
* Voluntários (Is 6.8; I Pe 5.2); * Estudiosos da Palavra de Deus ( I Tm 4.13,15);
* Vigilantes (II Tm 4.5); * Não cobiçosos (II Co 12.14; I Ts 2.6);
* Imparciais ( I Tm 5.21); * Dedicados à oração (Ef 3.14; Fp 1.4);
* Gentis ( I Ts 2.7; II Tm 2.24); * Bons governantes de suas famílias ( I Tm 3.4,12);
* Dedicados (At 20.24; Fp 1.20,21); * Afetuosos com o rebanho (Fp 1.7; I Ts 2.8,11);
* Fortes na fé ( II Tm 2.1); * Bons exemplos para o rebanho (Fp 3.17; II Ts 3.9; I Tm 4.12; I Pe 5.3).
III – OS DONS ESPIRITUAIS E O FRUTO DO ESPÍRITO
Os Dons Espirituais são de extrema relevância para que a Igreja cumpra a sua missão aqui na terra. Mas, eles não são mais importantes do que o Fruto do Espírito (Gl 5.22). Em Mt 7.21-23 o Senhor Jesus falou acerca de pessoas que iriam profetizar, expulsar demônios e fazer maravilhas, mas, Ele não as conhecia: “Nunca vos conheci” (Mt 7.23). Logo, devemos ser abundante nos dons (ICo 14.12); mas, acima de tudo, devemos ser frutíferos (Mt 3.8; Jo 15.1-16).
3.1 O que é o fruto do Espírito. São virtudes e qualidades manifestadas pelo Espírito Santo na personalidade do crente. O Fruto do Espírito é a verdadeira característica da vida cristã. É o resultado na vida dos que participam da natureza divina, ou seja, dos que estão ligados à Cristo, a “videira verdadeira” (Jo 15.1-5). Assim, passamos a obter uma nova natureza, porque fomos “gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre” (1 Pe 1.23). Pelo fruto do Espírito manifestado em sua vida diária, é que o cristão dá evidência da vida de Cristo em seu interior (Mt 7.16-20). Analisemos cada uma de suas virtudes:

  • Caridade (amor). Do grego “agape”, é o maior de todos os sentimentos e o fundamento sobre o qual os demais dons e virtudes do Espírito Santo estão edificados (Gl 5.22). O amor é o solo onde são cultivadas as demais virtudes e é a base onde todos os dons espirituais são implantados (I Co 13.1-3). O amor é o sentimento que busca o bem maior de outra pessoa sem nada querer em troca (Rm 5.5; I Co 13.1-13; Ef 5.2; Cl 3.14); e é a principal virtude do cristão (Jo 13.35).
  • Gozo. O termo deriva-se do grego “chara”, e refere-se a felicidade que o crente desfruta no Espírito Santo, independente das circunstâncias: “Grande é a ousadia da minha fala para convosco, e grande a minha jactância a respeito de vós; estou cheio de consolação; transbordo de gozo em todas as nossas tribulações” (II Co 7.4). “Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja” (Cl 1.24). A Epístola aos Filipenses, por exemplo, foi escrita quando Paulo estava preso em Roma (Fp 1.12,14). No entanto, nesta carta ele demonstra o seu regozijo e alegria (Fp 1.4,18; 2.2,17; 3.1; 4.1,4,10).
  • Paz. Do grego “eirene” significa “estado ou condição de tranquilidade ou quietude”. A Bíblia diz que Cristo é a nossa paz (Ef 2.14) e Nele o crente desfruta a paz (Jo 14.17; 16.33). A paz como fruto do Espírito Santo é, primeiramente, ascendente, para Deus (Rm 5.1,2); depois, interior, para nós mesmos (Cl 3.15); e, finalmente, exterior, para nosso semelhante (Rm 12.18). Esta característica do fruto do Espírito excede todo entendimento: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Fp 4.7).
  • Longanimidade. Do grego “makrothumia”, significa “perseverança”, “paciência”, “tardio para irar-se” (Ef 4.2; 2 Tm 3.10; Hb 12.1). Deus é o exemplo supremo que devemos seguir: “Jeová, o Senhor, Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade” (Êx 34.6). A paciência como fruto do Espírito opera exteriormente, em direção ao nosso semelhante; e intimamente, em direção a nós mesmos (Hb 12.7-11; I Ts 5.14).
  • Benignidade. Deriva-se do grego “chrestotes” e significa “ternura”, “compaixão”, “brandura” e tem o sentido de “sentimento de não querer magoar ninguém, nem lhe provocar dor” (Ef 4.32; Cl 3.12; IPe 2.3). Se Deus é benigno (Sl 5.7; 6.4; Is 63.7; Jr 31.3); Jesus é benigno (II Co 10.1; Tt 3.4); o crente não pode ser diferente (II Co 6.6; Cl 3.12). Por isso, Paulo diz: “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4.32).
  • Bondade. Deriva-se do grego “agathosune” e significa “zelo pela verdade e pela retidão, e repulsa ao mal”. É a prática do bem ou daquilo que é bom. Pode ser expressa em atos de bondade (Lc 7.37-50) ou na repreensão e na correção do mal (Mt 21.12,13). Nas Escrituras, o homem bom é retratado como sendo acompanhado por Deus: “Os passos de um homem bom são confirmados pelo Senhor, e ele deleita-se no seu caminho” (Sl 37.23).
  • . A fé como fruto do Espírito não é a fé natural (Hb 11.3); nem a fé como dom espiritual (I Co 12.9); nem a fé salvífica (Ef 2.8,9). Trata-se da “lealdade constante e inabalável a Cristo e à Sua Palavra”. Ela tem o sentido de “compromisso, fidedignidade e honestidade” (Mt 23.23; Rm 3.3; 1Tm 6.12; 2Tm 2.2; 4.7; Tt 2.10). A fé como dom opera no crente momentaneamente. Mas, como fruto do Espírito, opera permanentemente na vida do salvo (Ap 2.10).
  • Mansidão. O termo grego para mansidão é “prautes” e significa “moderação associada à força e à coragem”. Descreve alguém que pode irar-se com equilíbrio quando for necessário, e também humildemente submeter-se quando for preciso (II Tm 2.25; 1Pe 3.15). Jesus Cristo foi o maior exemplo da mansidão: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11.29; 21.5; IICo 10.1). A mansidão deve estar presente em cada detalhe da vida espiritual, nas obras e no viver (1 Co 4.21; 1 Pe 3.4; Tg 3.13; Tt 3.2). Esta virtude é considerada uma grande qualidade espiritual, e deve ser desejada e buscada pelos santos (Mt 5.5; 1 Co 4.21; 2 Co 10.1; Gl 5.22; 6.1; Ef 4.2; Cl 3.12; 2 Tm 2.25).
  • Temperança. No grego, a palavra traduzida por temperança é “egkrateis” e significa: “autocontrole”, “domínio próprio”, “estado ou qualidade de ser controlado” ou “moderação habitual” e diz respeito ao controle ou domínio sobre os próprios desejos e paixões, inclusive a fidelidade aos votos conjugais (1Co 7.9; Tt 1.8; 2.5). Quando o Espírito do Senhor implanta em nosso ser esta virtude espiritual, nossas ações e palavras passam a ser diretamente controladas por Ele (Gl 5.16,25). Se permitirmos ao Espírito encher nossa vida, seremos também por Ele controlados.
CONCLUSÃO
Como pudemos ver, a multiforme sabedoria de Deus pode ser vista na manifestação dos dons assistenciais, espirituais e ministeriais para que a Igreja seja edificada e possa cumprir eficazmente a sua missão. Mas, cada crente individualmente, deve ser um bom despenseiro dos mistérios divinos, fazendo bom uso dos dons para a edificação do corpo de Cristo. Embora os dons espirituais sejam extremamente necessários à Igreja, eles não devem ser visto como mais importantes do que o fruto; pois, enquanto os dons “falam” de serviço, o fruto “fala” de caráter. Por isso, devemos buscar os dons, mas, acima de tudo, manifestar as virtudes do fruto do Espírito no dia a dia.
REFERÊNCIAS
*Bíblia de Estudo Palavras Chave Hebraico e Grego. CPAD.
*GILBERTO, Antônio. O Fruto do Espírito. CPAD.
*CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
*STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
*RENOVATO, Elinaldo. Dons Espirituais & Ministeriais. CPAD.
*VINE, W. E. Dicionário Vine. CPAD.

Fonte: Rede Brasil

Este será o tema e assunto das Lições Bíblicas CPAD  3º Trimestre de 2014

Capa 3o trimestre 2014

LEIA OU BAIXE AQUI

Fé e obras

Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica


Lição 1 – Tiago — Fé que se Mostra pelas Obras
Lição 2 – O Propósito da Tentação
Lição 3 – A Importância da Sabedoria Humilde
Lição 4 – Gerados pela Palavra da Verdade
Lição 5 – O Cuidado ao Falar e a Religião Pura
Lição 6 – A Verdadeira Fé não Faz Acepção de Pessoas
Lição 7 – A Fé se Manifesta em Obras
Lição 8 – O Cuidado com a Língua
Lição 9 – A Verdadeira Sabedoria se Manifesta na Prática
Lição 10 – O Perigo da Busca pela Autorrealização Humana
Lição 11 – O Julgamento e a Soberania Pertencem a Deus
Lição 12 – Os Pecados de Omissão e de Opressão
Lição 13 – A Atualidade dos Últimos Conselhos de Tiago