A função social dos sacerdotes

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3º TRIMESTRE 2018

ADORAÇÃO, SANTIDADE E SERVIÇO

Os princípios de Deus para sua igreja em Levítico

COMENTARISTA: Pr. Claudionor Correa de Andrade

LIÇÃO 04 – A FUNÇÃO SOCIAL DOS SACERDOTES – (Lv 13.1-6)

INTRODUÇÃO

A presente lição falará sobre o sacerdote, uma importante figura do AT; pontuaremos detalhadamente suas múltiplas tarefas; veremos que o sacerdote levítico é uma figura do ministério pastoral na função de liderança e das atribuições que lhe foram dadas por Deus.

I – QUEM ERA O SACERDOTE

Em português, “sacerdote” vem do latim sacer, “sagrado”, “consagrado” (CHAMPLIN, 2004, p. 13). Eram os descendentes diretos de Arão que, normalmente, desempenhavam o ofício superior do sacerdócio. Os sacerdotes eram ordenados a seu ofício e às suas funções mediante um elaborado ritual (Êx 29; Lv 8). Era preciso ser homem sem defeito físico (Lv 21.16-21). Devia casar-se com uma mulher de caráter exemplar (Lv 21.7). Não devia contaminar-se com costumes pagãos nem tocar coisas imundas (Lv 21.1; 22.5). Eles usavam vestimentas especiais, em sinal de seu ofício, e cada peça de seu vestuário ao que se presume, tinha significados simbólicos (Êx 29; Lv 8). Eram sustentados mediante dízimos, primícias do campo, primogênito dos animais e porções de vários sacrifícios (Nm 18).

II – AS MÚLTIPLAS TAREFAS DO SACERDOTE LEVÍTICO

O sacerdote levítico tinha diversas funções. Vejamos algumas:

2.1 Função docente. A função original de um sacerdote era dar instruções por inspiração divina (Ne 8.1-8; Ez 44.23). Ele devia ensinar com a Lei: “A lei da verdade esteve na sua boca”; com a sua própria vida: “e a iniquidade não se achou nos seus lábios; andou comigo em paz e em retidão”; e, conduzir o povo no caminho do Senhor: “e da iniquidade converteu a muitos” (Ml 2.6). As pessoas deveriam buscar o conhecimento da Lei, pela boca do sacerdote “porque ele é o mensageiro do SENHOR dos Exércitos” (Ml 2.7). Em seus dias, o rei Josafá, restituiu aos sacerdotes e levitas a função docente de ensinar ao povo a Lei do Senhor (2 Cr 17.8-9).

2.2 Função cerimonial. Eles queimavam o incenso sobre o altar de ouro, no lugar santo, o que era mesmo um símbolo das funções sacerdotais. Também cuidavam das lâmpadas, acendendo-as a cada novo começo de noite; e arrumavam os pães da proposição a cada sábado (Êx 27.21; 30.7,8; Lv 24.5-8). Eles mantinham a chama sempre acesa no altar dos holocaustos (Lv 6.9,12); limpavam as cinzas desse altar (Lv 6.10,11); ofereciam sacrifícios matinais e vespertinos (Êx 29.38-44); abençoavam o povo após os sacrifícios diários (Lv 9.22; Nm 6.23-27); aspergiam o sangue e depositavam sobre o altar as várias porções da vítima sacrificial; sopravam as trombetas de prata e o chifre do jubileu, por ocasião de festividades especiais (Lv 25.9).

2.3 Função clínica. Inspecionavam os imundos quanto à lepra (Lv 13 e 14). Era dever do sacerdote determinar a presença de lepra e dar instruções relativas ao tratamento da impureza. Esta seção apresenta informação sobre a forma de o sacerdote identificar a lepra no corpo humano (Lv 13.1-46), numa peça de roupa (Lv 13.47-59) e numa casa (Lv 14.33-48).Pelo visto, a lepra na roupa era um tipo de mofo ou fungo. Se o sacerdote diagnosticasse prontamente que o caso é lepra, o indivíduo é de imediato declarado imundo (Lv 13.3). Se o sacerdote tem dúvidas, ele fecha o indivíduo por sete dias (Lv 13.4). Se a praga não se espalhasse nos sete dias, o indivíduo ficaria fechado por outros sete dias (Lv 13.5). Se a doença não se espalhasse, o sacerdote o declararia limpo. O homem lavaria as suas vestes e seria limpo (Lv 13.6). Se a pústula na pele se estendesse grandemente, o sacerdote o declararia leproso (Lv 13.7,8). Se houvesse alguma vivificação da carne viva, o sacerdote o declararia leproso (Lv 13.10,11). Tornando a carne viva e mudando-se em branca, ou se a praga se tornasse branca, seria declarado limpo (Lv 13.16,17). Quando curou o leproso, Jesus ordenou-lhe que se apresentasse ao sacerdote (Mt 8.1-4) orientando a cumprir a exigência de Levítico (Lv 14.3,10).

2.4 Função cível. Administravam o juramento que uma mulher deveria fazer quando acusada de adultério (Nm 5.15-31). A questão aqui não se tratava de adultério comprovado, pois leis concernentes a esta condição eram claras e prescreviam a pena de morte (Lv 20.10). Este regulamento relacionava-se com situações em que não se podia comprovar a infidelidade (Nm 5.13,29) ou em que a conduta da esposa despertava suspeitas (Nm 5.14). O sacerdote não poderia julgar precipitadamente, mas orientado por Deus procurar a solução para este problema (Nm 5.16).

2.5 Função penal. O sacerdote agia como juiz, uma consequência de suas respostas a questões legais (Êx 33.7-11). Agiam como juízes quanto às queixas do povo, tomando decisões válidas quanto aos casos apresentados (Dt 17.8-12; 19.17). Os sacerdotes eram reconhecidos como os principais servidores judiciais: “Então se achegarão os sacerdotes, filhos de Levi; pois o SENHOR teu Deus os escolheu para o servirem, e para abençoarem em nome do SENHOR; e pela sua palavra se decidirá toda a demanda e todo o ferimento” (Dt 21.5).

2.6 Função mediadora. O sacerdote tinha como função principal representar o homem diante de Deus, com dons e sacrifícios (Êx 28.38; 30.8; Hb 5.1; 8;3). Isto ele fazia continuamente por meio dos sacrifícios matinais e vespertinos (Êx 29.38-44), e no Dia da Expiação (Lv 16.1-34; Nm 29.7-11). Ele também representava Deus diante do povo, quando este queria consultar ao Senhor, deveriam ir ao sacerdote que usando Urim e Tumim lhes fazia saber a vontade divina (Nm 27.21; Dt 33.8). Esses objetos eram pequenos seixos, guardados no peitoral das vestes sumo sacerdotais de Israel. Um deles indicava “sim”, e o outro, “não”. Ao que se presume, o sumo sacerdote metia a mão no peitoral, e tirava uma das pedras. Isso determinava o “sim”, e outro, “não” a qualquer pergunta importante que se fizesse (Js 7.14; 14.2; 18.6; 1 Sm 14.42; 1 Cr 6.54; 1 Cr 35.7,8; 26.13) (CHAMPLIN, 2004, p. 271).

III – O SACERDOTE LEVÍTICO UMA FIGURA DO MINISTÉRIO PASTORAL

No hebraico, “raah”, palavra que figura por setenta e sete vezes, tem o sentido de pastor (Gn 49.24; Êx 2.17,19; Nm 27.17; 1 Sm 17.40; Sl 23.1; Is 13.20; Jr 6.3; 23.4; 25.34-36; 31.10; Ez 34.2-10,12,23; Am 1.2; 3.1; Zc 10.2,3; 11.3,5,8,15,16; 13.7) (CHAMPLIN, 2004, p. 104). Muitas passagens, no AT, se referem aos líderes do povo de Deus como pastores que agem sob a supervisão de Deus (Nm 27.17; 1 Rs 22.17). No NT, o pastor é o responsável pela direção e pelo apascentamento do rebanho. Assim como o sacerdote é “o anjo do Senhor” (Ml 2.7) para Israel; o pastor é “o anjo da igreja” (Ap 2.1). Cabe ao pastor velar pelas ovelhas, como quem tem de dar conta delas (Hb 13.17).

3.1 A necessidade de um pastor para a igreja. Assim como era necessário na Antiga Aliança um sacerdote sobre o povo de Israel, o pastor é essencial ao propósito de Deus para sua igreja (At 20.28). O NT nos ensina que embora a igreja seja chamada de “sacerdócio real”, dentre o povo, Deus escolheu pessoas e lhes deu dons de liderança: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores” (Ef 4.11). A igreja que deixar de ter pastores piedosos e fiéis não será pastoreada segundo a mente do Espírito (1 Tm 3.1-7). Será uma igreja vulnerável às forças destrutivas de Satanás e do mundo (At 20.28-31). Haverá distorção da Palavra de Deus, e os padrões do evangelho serão abandonados (2 Tm 1.13,14). Membros da igreja e seus familiares não serão doutrinados conforme o propósito de Deus (1 Tm 4.6,14-16; 6.20,21). Muitos se desviarão da verdade e se voltarão às fábulas (2 Tm 4.4). Se, por outro lado, os pastores forem piedosos, os crentes serão nutridos com as palavras da fé e da sã doutrina, e também disciplinados segundo o propósito da piedade (1 Tm 4.6,7).

3.2 O pastor e as suas muitas atribuições. Sua missão é múltipla e polivalente. Um pastor de verdade tem que agir como ensinador (2 Tm 4.2), conselheiro (2 Co 8.10), pregador (1 Co 2.2), evangelizador (Mt 28.19), missionário (At 15.35), profeta (1 Tm 4.1), juiz de causas complexas (At 15.1-31), fazer às vezes de psicólogo, conciliador (Fp 4.2; Fl 1.10-19), administrador eclesiástico dos bens espirituais e de recursos humanos sob seus cuidados, na igreja local (1 Co 4.1; Tt 1.3; Tt 1.5); é administrador de bens materiais ou patrimoniais; gestor de finanças e recursos monetários, da igreja local (1 Co 16.1-7; 2 Co 9.1-14). Algumas outras atribuições do pastor são:

a) Cuidar da sã doutrina e refutar a heresia (Tt 1.9-11);

b) Ensinar a Palavra de Deus e exercer a direção da igreja local (1 Ts 5.12; 1 Tm 3.1-5);

c) Ser um exemplo da pureza e da sã doutrina (Tt 2.7,8); e,

d) Esforçar-se no sentido de que todos os crentes permaneçam na graça divina (Hb 12.15; 13.17; 1Pe 5.2). Sua tarefa é assim descrita em At 20.28-31: salvaguardar a verdade apostólica e o rebanho de Deus contra as falsas doutrinas e os falsos mestres que surgem dentro da igreja. Pastores são ministros que cuidam do rebanho, tendo como modelo Jesus, o Bom Pastor (Jo 10.11-16; 1 Pe 2.25; 5.2-4).

3.3 Os pastores mestres. O ensino, acompanhado do evangelismo, faz parte da original Grande Comissão de Cristo à sua igreja (Mt 28.20). Tanto os apóstolos como os profetas eram mestres, e nenhum pastor pode ser um verdadeiro pastor se não for apto para ensinar (1 Tm 3.2,11). É interessante destacar que a frase “pastores e mestres” em Efésios 4.11 no original grego não consta o artigo “e”, razão pela qual alguns supõem que isso salienta uma única “categoria” – pastores e mestres seriam aspectos da mesma função. Inferimos que o pastor também deve ser mestre, pois boa parte do seu trabalho é o ensino (CHAMPLIN, 2005, p. 601 – grifo nosso).

CONCLUSÃO

Deus separou a tribo de Levi para as tarefas no templo. E, dessa tribo separou a família de Arão para exercer o sacerdócio, função esta que tinha diversas atribuições e que prefigura o ministério pastoral no NT. Deus, por meio de Cristo, providenciou pastores a fim de liderar, instruir e edificar a Sua igreja aqui na terra.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. O Antigo Testamento Interpretado – Gênesis a Números. HAGNOS.
  • ELISSEN, Stanley. Conheça melhor o Antigo Testamento. VIDA.
  • HOFF, Paul. O Pentateuco. VIDA.
  • HOWARD, R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
  • RENOVATO, Elinaldo. Dons espirituais e ministeriais: servindo a Deus e aos homens com o poder extraordinário. CPAD.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

Sobre a família e a sua natureza

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

 LIÇÃO 13 – SOBRE A FAMÍLIA E A SUA NATUREZA – (Gn 2.18-24)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição traremos a definição de família; veremos o que a Bíblia nos diz acerca da gênese da família; falaremos ainda dos propósitos de Deus com a família; pontuaremos os ataques que esta instituição tem sofrido e o que devemos fazer para proteger a nossa família contra os ataques de Satanás.

I  – DEFINIÇÃO DE FAMÍLIA

A nossa confissão de fé (2017, p. 203) diz que: a família é uma instituição criada por Deus, imprescindível à existência, formação e realização integral do ser humano, sendo composta de pai, mãe e filho (s) – quando houver – pois o Criador, ao formar o homem e a mulher, declarou solenemente: “Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2.24). Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança e os fez macho e fêmea: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.27), demonstrando a sua conformação heterossexual. A diferenciação dos sexos visa à complementaridade mútua na união conjugal (1Co 11.11), essa complementariedade mútua necessária à formação do casal e à procriação. Reconhecemos preservada a família, quando, na ausência do pai e da mãe, os filhos permanecerem sob os cuidados de parentes próximos (Et 2.7,15; 1 Tm 5.16). Rejeitamos o comportamento pecaminoso da homossexualidade por ser condenada por Deus nas Escrituras, bem como qualquer configuração social, que se denomine família, cuja existência se fundamente em prática, união ou qualquer conduta que atente contra a monogamia e a heterossexualidade consoante o modelo estabelecido pelo Criador e ensinado por Jesus (Mt 19.6).

II  – A GÊNESE DA FAMÍLIA

O livro do Gênesis além de falar do início de várias coisas, dentre elas a gênese (início) da família (Gn 1.26,27). Vejamos algumas considerações sobre isto:

  • Deus fez o homem e a mulher A Bíblia é clara em dizer que tanto o homem quanto a mulher foram feitos por Deus (Gn 1.27); que ambos tem a “imagem e semelhança de Deus”; e, que a ambos foi dada a mesma ordem em relação a terra “e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra” (Gn 1.28).
  • Deus abençoou, os casou e ordenou que se multiplicassem. Ao criar a mulher, Deus trouxe-a a Adão e fez o casamento (Gn 2.22-24). Portanto, “o casamento é uma criação de Deus”. É dito também que Deus os abençoou (Gn 1.28-a). A palavra “abençoou” do verbo “abençoar” no hebraico é “beraka” que significa: “o ato de conceder verbalmente boas coisas” (HARRIS, 2001, p. 221). Esta bênção sobre o casal significa: “Deus voltar inteiramente o Seu rosto de modo favorável para o beneficiário” (KIDNER, 2001, p. 49). Em seguida o Senhor ordenou que eles se multiplicassem: “E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra” (Gn 1.28).
  • Distinções entre o homem e a mulher. Além de diferenças genéticas, fisiológicas e emocionais, existem distinções de papéis e diferenças funcionais entre o homem e a mulher, que foram estabelecidas pelo próprio Criador (Gn 2.15,18). Deus estabeleceu que no casamento o homem fosse o cabeça da relação. A confirmação específica pelo Senhor da liderança de Adão se pode ver claramente no fato de: o homem ter sido feito primeiro (Gn 1.26); porque lhe foi dada a tarefa de lavrar a terra (Gn 2.15); de nomear os animais (Gn 2.19,20); ele próprio nomeou a esposa (Gn 2.23); e, foi chamado a responsabilidade quando pecou (Gn 3.9-12). Geisler (2010, p. 940) diz: “a ordem de autoridade no lar e na Igreja está baseada no fato e ordem da criação”. Quanto a mulher, a Bíblia destaca que ela foi criada por causa do homem (1Co 11.8,9). O ideal divino ao criá-la era de que por meio dela: (a) proporcionar companhia (Gn 2.18); (b) ajudá-lo nas suas tarefas (Gn 1.28); e, (c) gerasse filhos (Gn 1.27,28). Provérbios descreve a mulher virtuosa como uma dona de casa inteligente, sob a autoridade de seu marido (Pv 31.10-31). Paulo e Pedro ensinam que a mulher deve reconhecer a liderança do marido em submissão (Ef 5.22; Cl 3.18; 1Pe 3.1), e, exigem dos maridos amor sacrificial e respeito para com a sua esposa (Ef 5.25; Cl 3.19; 1 Pe 3.7). Os indivíduos que abandonaram de modo claro e específico os papéis estabelecidos por Deus para cada sexo tiveram resultados desastrosos, que culminaram na ruína da família. “Igualdade, distinção, complementaridade e submissão precisam ser mantidos em equilíbrio delicado” (KOSTENBERGER, 2011, p. 32).

III – OS PROPÓSITOS DE DEUS COM A FAMÍLIA

Deus criou a família com propósitos sublimes, para o indivíduo e para toda a humanidade. O Pr. Elinaldo Renovato no livro: “A família cristã e os ataques do inimigo” (2013, p. 08) pontua pelo menos quatro propósitos. Vejamos:

  • Evitar a solidão. Quando Deus se propôs a criar a mulher, fez pensando em oferecer-lhe uma companhia (Gn 18.22; Pv 18.22). A mulher foi criada para ser a amável companheira do homem e sua ajudadora. Daí ela ser participante da responsabilidade de Adão e com ele cooperar no plano de Deus para a vida dele e da família por meio do casamento.
  • Bem-estar social. O homem é um ser gregário por natureza. A palavra “gregário” significa: “que vive em bando” (AURÉLIO, 2004, p. 1004). Ele sente a necessidade de viver em grupo, de socializar-se. Desde o princípio, Deus fez uma comunidade de “macho e fêmea” e lhes disse que multiplicassem a sua espécie em uma comunidade maior (Gn 1.27,28).
  • Bem-estar emocional. Marido e mulher complementam-se em suas necessidades emocionais (Gn 2.23). Nos momentos alegres, compartilham seus sentimentos de felicidade (Pv 5.18). Nos momentos tristes ou difíceis, ajudam-se mutuamente, impulsionados pelo amor conjugal. Pais e filhos, vivendo em família, sentem-se mais seguros do que pessoas que vivem solitárias: “Deus faz que o solitário viva em família […]” (Sl 68.6).
  • A multiplicação da espécie. Quando os fez macho e fêmea, Deus tinha o propósito de tornar possível a reprodução do gênero humano (Gn 1.28-a), visto que dois iguais não se reproduzem, por isso a prática homossexual é vista na Bíblia como uma abominação (Lv 18.22); e, algo antinatural (Rm 1.26,27). Portanto, “o princípio da heterossexualidade estabelecido na criação, continua a ser parte integrante do plano de Deus para o casamento” (KOSTENBERGER, 2011, 40 – acréscimo nosso).

IV – OS ATAQUES PÓS MODERNOS A FAMÍLIA

A palavra ataque refere-se a todo o investimento de Satanás por meio da educação, do sistema político, da sociedade sem Deus e etc, contra a família (2 Co 10.4-5; Cl 2.8; Tg 3.15). Vejamos alguns:

  • Incentivo ao divórcio. A mídia tem dado grande incentivo a prática do divórcio, consequentemente tornando-o prática comum na sociedade. O princípio da “indissolubilidade do casamento” tem sido quebrado em grande escala a cada ano, evidenciando a falta de temor a Deus e do verdadeiro amor e respeito que deve existir entre os casais. A natureza indissolúvel do casamento vem desde a sua origem (Gn 2.24). Jesus disse que esse registro bíblico fala da indissolubilidade do casamento (Mt 19.5,6). O Mestre disse que somente a infidelidade pode legitimar um segundo casamento, o contrário configura em adultério (Mt 19.9). É bom destacar que Jesus nunca estimulou ou encorajou o divórcio. Portanto, o divórcio não deve ser a primeira opção no caso de infidelidade conjugal, mas o perdão (Mt 18.21-35; Lc 17.4).
  • A impureza no leito conjugal. Desde a Queda, o sexo e a sexualidade têm sido deturpados. Por meio da mídia escrita, televisiva e até de alguns ensinadores que se levantaram no cenário nacional, têm havido um ensinamento deturpado do ato conjugal com práticas impuras e inconvenientes, sob o lema de que “dentro de quatro paredes vale tudo”. A Escritura, porém, nos mostra que o sexo foi criado por Deus com propósitos elevados, saudáveis e benéficos para o ser humano, e por isso reprova severamente práticas sexuais corrompidas, tais como: (a) adultério (Êx 20.14; Dt 5.18; Mt 5.27; Rm 13.9); e, (b) outras perversões, que são próprias daqueles que não temem a Deus (Êx 20.17; 1 Co 6.19,20; 1 Pe 3.7; Hb 13.4).
  • A falta de espiritualidade. Em alguns lares a espiritualidade da família está entrando em crise (Mt 24.12). A frieza e a mornidão espiritual têm impedido que os membros da família vivam em comunhão com Deus (Ap 3.15,16). Isto se dá pelo fato de alguns lares, darem pouca importância a oração, adoração e a leitura bíblica no seio Todavia, a Bíblia nos mostra o que devemos priorizar (Mt 6.33; Cl 3.1).

V – PROTEGENDO A FAMÍLIA CONTRA OS ATAQUES DE SATANÁS

Não podemos evitar que nossa família sofra investidas do diabo, mas podemos proteger a nossa família das suas astutas ciladas (Ef 6.10,11). Vejamos como podemos proteger nossa família:

  • Santificando o lar (Lv 20.26; 2 Co 7.1; 1 Ts 7);
  • Praticando o culto doméstico regularmente (Dt 7-9);
  • Mantendo uma vida de oração e jejum (Rm 12.12; Cl 4.2; 1 Ts 17);
  • Ensinando a Palavra de Deus no lar (Pv 22.6; At 42);
  • Frequentando os cultos no templo assiduamente (2 Cr 7.15,16; Sl 1);
  • Vigiando em todo tempo (At 20.31; 1 Co 16.13; Cl 4.2; 1 Ts 6.10; 1 Pe 5.8).

CONCLUSÃO

Deus fez o homem e a mulher e os casou formando a família. Portanto, a família é a primeira instituição divina e a célula-mãe da sociedade. Ela foi criada por Deus para o bem-estar emocional, social e reprodução da espécie humana.

REFERÊNCIAS

  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa.
  • KOSTENBERGER, Andreas J. com JONES,
    • Deus Casamento e Família. VIDA NOVA.
  • KIDNER, Derek. Gênesis: introdução e comentário. CULTURA BÍBLICA.
  • RENOVATO, A Família Cristã e os ataques do inimigo.
  • SILVA, Esequias Soares da (Org.). Declaração de Fé das Assembleias de Deus.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Proxima Lição

Tema: A Obra da Salvação – Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida

Comentarista: Pr. Claiton Ivan Pommerening

SUMÁRIO:
Lição 01 – Uma Promessa de Salvação
Lição 02 – A Salvação na Páscoa Judaica
Lição 03 – A Salvação e o Advento do Salvador
Lição 04 – Salvação: O Amor e a Misericórdia de Deus
Lição 05 – A Obra Salvífica de Jesus Cristo
Lição 06 – A Abrangência Universal da Salvação
Lição 07 – A Salvação pela Graça
Lição 08 – Salvação e Livre-Arbítrio
Lição 09 – Arrependimento e Fé para a Salvação
Lição 10 – O Processo da Salvação
Lição 11 – Adotados por Deus
Lição 12 – Perseverando na Fé
Lição 13 – Glorificados em Cristo
Lição 14 – Vivendo com a Mente de Cristo

Aprovados por Deus em Cristo Jesus

 

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3º TRIMESTRE 2015

A IGREJA E SEU TESTEMUNHO

As ordenanças de Cristo nas cartas Pastorais

COMENTARISTA: Pr. Elinaldo Renovato de Lima 

LIÇÃO 08 – APROVADOS POR DEUS EM CRISTO JESUS – (II Tm 2.1-18)

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos a definição da palavra “aprovado”; em seguida, analisaremos algumas qualidades do servo aprovado, e ainda, estudaremos algumas virtudes do obreiro Timóteo como um verdadeiro exemplo a ser seguido, e por fim, terminaremos vendo algumas lições de como servir a Deus e ser um crente aprovado.

I – DEFINIÇÕES

1.1 Aprovado. O termo no grego “dokimazo” significa: “ser aprovado verdadeiramente”. Já a expressão “dokimos” descreve a “tudo o que foi provado e purificado e que está preparado para o serviço” (BARCLAY, sd, p. 57). O dicionário da língua portuguesa define a palavra aprovado como: “aquele que teve aprovação, admitido, julgado apto, aquele que é julgado verdadeiramente bom” (FERREIRA, 2004, p. 171).

II – QUALIDADES DO SALVO QUE É APROVADO DIANTE DE DEUS

2.1 Fidelidade (1Tm 4.12,13, 15). A fidelidade é indispensável na vida de um salvo, pois, envolve todas as áreas da sua vida. Fidelidade com Deus, com o cônjuge e filhos, com a igreja, nos negócios, enfim, em todas as coisas. “… além disso, requer-se… que cada um se ache fiel” (1Co 4.1,2).

2.2 Vigilância (1Tm 4.16). O crente que não é vigilante pode tornar a sua vida numa tragédia. É preciso ser vigilante em todas as áreas, para que os nossos adversários, inclusive o diabo, não tenha de que nos acusar. O crente deve ficar sempre de prontidão e nunca dormir em relação ao seu testemunho pessoal; pois o inimigo não dorme, ele trabalha de dia e de noite, procurando uma brecha para entrar e destruí-lo (1Pe 5.8; 1Ts 5.6).

2.3 Resiliência (2Tm 2.3-5). Hoje muitos não querem mais sofrer por amor a Cristo. O crente não foi chamado só para viver um evangelho de conforto, mais também de sofrimento e provação. O apóstolo Paulo escrevendo aos filipenses, diz: “Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele, tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e, agora, ouvis estar em mim” (Fp 1.29,30; vejamos ainda 2Tm. 2.11-13).

2.4 Verdade (2Tm 4.1-5; Tt 2.1). O crente aprovado é verdadeiro porque vive na verdade e prega a palavra da verdade. Só pode pregar a palavra da verdade, aquele que é verdadeiro; quando o apóstolo Paulo disse: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”; isto significa dizer que, para se apresentar a Deus aprovado, é preciso estar vivendo a verdade. Quem vive a verdade tem aprovação de Deus, não é envergonhado por ninguém e tem autoridade de manejar bem a Palavra da verdade.

2.5 Humildade (1Tm 6.3,4, 11). A humildade é uma virtude que identifica o verdadeiro homem de Deus. O servo aprovado ele não deve ser orgulhoso, soberbo e de olhar altivo; e sim amigo, comunicativo, amável, generoso e humilde (Ef 4.1,2). A palavra de Deus nos diz: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (Pv 16.18). “… diante da honra, vai a humildade” (Pv 18.12).

2.6 Disposição (2Tm 2.15a). Quando Paulo disse ao seu discípulo Timóteo: “Procura apresentar-te a Deus aprovado”, significa “procura estar sempre disponível pra Deus”. Nenhuma ocupação terrena pode privar-nos desta disponibilidade (2Tm 2.4). É claro que há crentes que têm suas atividades profissionais, e que delas depende sua sobrevivência. Estes devem buscar se organizar de tal maneira o seu tempo, para que haja maior disponibilidade possível para trabalhar na Obra de Deus.

III – EXORTAÇÕES AO CRENTE TIMÓTEO

A expressão “procura apresentar-te” (2Tm 2.15) significa: “sê diligente, zeloso”. Ê traduzida por “depressa” e “apressa-te”, em 2Timóteo 4.9, 21 e Tito 3.12, respectivamente. A ênfase desse texto é sobre o fato de que o crente precisa ser diligente em seus trabalhos de modo a não ficar envergonhado quando sua obra for inspecionada. “Manejar bem” também pode ser traduzido por “dividir corretamente” ou “cortar em linha reta” e se aplica a várias tarefas diferentes: arar um sulco reto, cortar uma tábua reta, costurar uma emenda reta (WIERSBE, 2007, p.320). Vejamos:

3.1 Apresentar-se aprovado (II Tm 2.15-a). A palavra que Paulo emprega para dizer “apresentar-se” é a palavra grega “parastesai”, que significa caracteristicamente “apresentar-se apto para o serviço”, isso desenvolve a ideia de utilidade para e no serviço. Como já vimos, a palavra grega para aprovado é “dokimos” e descreve a tudo o que foi provado e purificado e que está preparado para o serviço. Descreve o ouro ou a prata que foram purificados e limpos de toda liga no fogo. Também é a palavra que se usa para referir-se a uma pedra que foi cortada, lapidada e provada e estar pronta para ser localizada exatamente em seu lugar num edifício. Se existisse uma pedra com uma imperfeição marcava-se com a letra “A” maiúsculo, que representava a palavra grega “adokimastos”, que significava que aquela pedra foi provada e encontrada com falhas. Assim, Timóteo devia ser purificado e provado para que pudesse ser um instrumento adequado para a tarefa de Cristo, e portanto, um trabalhador que não tivesse do que envergonhar-se (BARCLAY, sd, p. 57). Assim, todo crente fiel e aprovado, deve buscar, apresentar-se diante de Deus julgado apto.

3.2 Manejar bem a Palavra (II Tm 2.15-b). O apóstolo Paulo, orienta Timóteo que: “maneje bem a palavra de verdade”. A palavra grega que corresponde a esta tradução é a expressão “orthotomein”, que literalmente significa “cortar bem”. Relaciona-se com um pai que divide os mantimentos para seus filhos durante a refeição, cortando-os de tal maneira que cada membro da família receba a porção correta, necessária e adaptada e que nenhum fica sem sua porção. Os próprios gregos usavam esta palavra com significados distintos, a saber: primeiramente usavam-na para referir-se a traçar um caminho reto e sem curvas no campo e, em segundo lugar, ao referir-se à tarefa de um pedreiro ao cortar e dar forma a uma pedra de modo que se encaixasse perfeitamente em seu lugar de maneira correta na estrutura de um edifício (BARCLAY, sd, p. 57). Todo servo de Cristo, deve procurar ter intimidade com a Palavra do Senhor, tendo condições de ser apresentado como digno de toda aceitação.

IV – COMO SERVIR A DEUS SENDO UM COOPERADOR APROVADO

4.1 Bom caráter. O testemunho de Timóteo influenciou os seus conterrâneos de Atenas e Macedônia. Ver Atos 17.15,34; 18:7 e 8. A expressão “caráter” significa: “o conjunto das qualidades boas ou más de um indivíduo que lhe determina a conduta – como a pessoa age” . Paulo escreve a Timóteo dizendo que aquele que almeja cooperar na obra do Senhor, excelente obra almeja (1Tm 3.1). No entanto, estará apto para esse serviço se além de ter a chamada divina, seja irrepreensível no seu caráter “Convém, pois, que… seja irrepreensível” (1Tm 3.2-a). No texto de Atos 16.2 vê-se que ele era reconhecido em sua cidade Listra, e também em Icônio. É muito animador ver que existem pessoas que são capazes de causar uma boa impressão. Porém, no caso de Timóteo, o seu testemunho falava alto, a ponto de pessoas de outra cidade reconhecer a sua fé. Portanto, é imprescindível para aquele que coopera na obra de Deus possuir as qualificações morais que ela exige (At 6.3; I Tm 3.1-16; Tt 1.5-9).

4.2 Irrepreensível. Paulo mencionou à Timóteo o exemplo de Jesus diante de Pôncio Pilatos “Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza.” (1Tm 4.12; 6.13-16). Ter um bom testemunho perante as pessoas obedecer aos mandamentos de Cristo e guardá-los sem mácula, com um coração puro, íntegro e sincero perante Deus. Que as pessoas ao nosso redor reconheçam em nós o caráter de Jesus. Ser sal e luz, fazer toda a diferença. Timóteo imitou o modo de vida de Paulo. Escolheu alguém que agradava à Deus e seguia os passos de Cristo. Tirou para si tudo o que havia de bom na figura de Paulo. Todos aqueles que irão viver a eternidade deverão ser encontrados irrepreensíveis antes da volta de Cristo (1Tm 6.6-7; 2Pd 3.14; Mt 5.8).

4.3 Responsável. O Aurélio define a palavra “responsável” como: “que tem noção exata de responsabilidade; que se responsabiliza pelos seus atos; que não é irresponsável”. O serviço ao Senhor precisa ser feito com muita responsabilidade, visto que aquilo que fazemos e a maneira como realizamos será submetido a análise no Tribunal de Cristo, onde as obras dos salvos serão julgadas (Rm 14.10; 1Co 3.13-15; 1Co 5.10).

4.4 Conhecedor e pregador da Palavra de Deus. Paulo nos aconselha a pregar Palavra de Deus. Não podemos perder as oportunidades de ministrar a Palavra aos nossos amigos e familiares, mesmo quando sabemos que os confrontaremos. Devemos atender a este mandamento do Senhor e pregar. Não calar os nossos lábios e dizer aquilo que o Senhor tem colocado em nosso coração, é um dever cristão (2Tm 4.1-2; 1Tm 6.17-21). “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, e que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (2Tm 3.14-15).

CONCLUSÃO

Concluímos que, ser aprovado diante de Deus, é servi-lo fielmente, sendo um exemplo para os que nos rodeiam, e testemunharmos as virtudes de Cristo. Aprendemos também com esta lição, que como servos de Cristo, devemos manter nossa vida plenamente pautada em sua Palavra para sermos tidos como aquele que “maneja bem a Palavra da verdade”.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento. CULTURA CRISTÃ.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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Eu sei em quem tenho crido

 

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3º TRIMESTRE 2015

A IGREJA E SEU TESTEMUNHO

As ordenanças de Cristo nas cartas Pastorais

COMENTARISTA: Pr. Elinaldo Renovato de Lima 

LIÇÃO 07 – EU SEI EM QUEM TENHO CRIDO – (II Tm 1.3-8; 2.1-4)

INTRODUÇÃO

Nesta lição estaremos comentando de forma introdutória a segunda carta que Paulo escreveu a Timóteo. Destacaremos autoria, data e contexto histórico desta epístola; bem como, pontuaremos a grande afeição que o apóstolo sentia por este jovem cooperador; e, por fim, destacaremos algumas admoestações dadas por Paulo a este obreiro a fim de que continuasse a progredir no exercício do seu ministério.

I – INFORMAÇÕES SOBRE A SEGUNDA EPÍSTOLA DE PAULO A TIMÓTEO

“Essa carta foi escrita de Roma para instruir mais ainda Timóteo e explicar os seus deveres pessoais. É a última carta escrita por Paulo, um tipo de último desejo e testamento, e é de grande importância por nos mostrar como ele era profundamente equilibrado e espiritual mesmo prestes a morrer. Tem um tom mais pessoal do que Primeiro Timóteo. Ele deseja ver Timóteo mais uma vez e diz-lhe para que venha encontrar-se com ele depressa (II Tm 4.9). No caso dele não conseguir chegar em tempo, Paulo o aconselha a ser corajoso e operante na obra (II Tm 1.5,7; 2.4-6), e o adverte dos tempos maus que virão (II Tm 3.1-7). Pela sua própria situação todos os seus companheiros, exceto Lucas, o haviam abandonado (II Tm 4.11). Ele agora se encontra numa fria e úmida masmorra e pede a sua capa (II Tm 4.13), e almeja ter companhia (II Tm 4.9,21). Em tudo isso ele encara a morte com triunfo (II Tm 4.7,8)” (TIDWELL, 1991, p. 204 – acréscimo nosso). Abaixo elencaremos algumas informações sobre esta epístola:

1.1 Autoria. As epístolas pastorais reivindicam a autoria paulina, fato declarado abertamente na saudação de ambas as cartas (I Tm 1.1; II Tm 1.1; Tt 1.1) e as observações autobiográficas se encaixam na vida de Paulo conforme registradas em outros lugares, como por exemplo (I Tm 1.12,13; II Tm 3.10,11; 4.10-11,19-20).

1.2 Data. “Esta segunda carta de Paulo a Timóteo foi escrita provavelmente no ano 67 d.C.” (STAMPS, 1995, p. 1875). “O livro de Atos termina com Paulo na prisão em Roma, por volta de 64 d.C. (At 28.16). A crença comum é que ele foi absolvido, voltou a Grécia e a Ásia Menor, mais adiante foi novamente preso, levado de regresso a Roma e executado lá por 66 ou 67 d.C. Esta Epístola foi escrita quando ele aguardava martírio” (HALLEY, 1998, p. 560 – acréscimo nosso).

1.3 Contexto histórico. “Nero foi o imperador que governava o império, em 64 d.C., quando grande parte da cidade de Roma foi destruída por um incêndio. Nessa ocasião, a fim de afastar as suspeitas populares de sua pessoa, como provocador da catástrofe, que ele realmente iniciara com a finalidade exclusiva de divertir-se, lançou a culpa sobre os cristãos. Nero ordenou aprisionamentos em massa, e muitos cristãos foram queimados vivos em público” (CHAMPLIN, 2004, p. 488). “Foi ao irromper desta perseguição que Paulo novamente preso, na Grécia ou Ásia Menor, provavelmente em Trôade (II Tm 4.13), é levado de volta a Roma. Desta vez pelos agentes do imperador e não, como da primeira vez, pelos judeus. Agora, como criminoso (II Tm 2.9), não como antes, por alguma violação técnica da lei judaica. Tudo leva a crer que pode ter sido em relação com o incêndio de Roma. Pois não era Paulo o líder mundial do povo que estava sendo castigo por aquele crime? E não estivera Paulo em Roma, por dois anos, antes do incêndio? Seria muito fácil atirar-lhe a responsabilidade desse crime” (HALLEY, 1998, p. 561).

II – O AFETO QUE PAULO DEMONSTRA POR TIMÓTEO NESTA CARTA

2.1 Tratando-o com amor (II Tm 1.2-a). “Era muito apropriado que Paulo chamasse a Timóteo de ‘seu filho’. A passagem de Atos 16 mostra-nos que Timóteo já era um discípulo quando Paulo o conheceu; ou, pelo menos, isso fica subentendido. Algum erudito tem suposto, portanto, que Timóteo realmente não se convertera pela instrumentalidade de Paulo, mas antes, tendo sido instruído por ele, como seu discípulo especial, com razão pode ser chamado de seu filho, conforme era o costume dos rabinos, em relação aos seus discípulos mais chegados” (CHAMPLIN, 1995, p. 66).

2.2 Desejando seu bem estar (II Tm 1.2-b; 3). As cartas antigas começavam comumente, imediatamente após a saudação, com uma asseveração cortês de oração, ou alternativamente, uma expressão de gratidão, pela saúde e a prosperidade do endereçado. Paulo seguia este procedimento, adaptando os sentimentos à sua linguagem cristã, na maioria das suas cartas. O apóstolo deseja que a “graça” (favor imerecido); a “misericórdia” (compaixão) e a “paz” (quietude interior) sejam sobre Timóteo. Acerca disso asseverou Mathew Henry (2008, p. 705): “estas são as melhores bênçãos que podemos pedir para nossos mui amados amigos, para que possam ter graça para ajudá-los em tempo de necessidade, e misericórdia para perdoar o que esta errado, e dessa forma tenham paz com Deus, o Pai, e Cristo Jesus, nosso Senhor”.

2.3 Destacando suas virtudes e herança espiritual (II Tm 1.5). Segundo Champlin (1995, p. 362), ao falar da fé não fingida de Timóteo, Paulo usa o termo “anupokritos”, que significa “não hipócrita”. Timóteo não fazia o papel de um “ator”. Sua fé não tinha qualquer mácula de hipocrisia – era pura, clara, genuína. “Esta mesma reação caracterizou a atitude da mãe e da avó do jovem. Talvez isso queira dizer que a avó Lóide foi o primeiro membro da família a aceitar Cristo como Salvador e Senhor, e que ela foi instrumento para levar os demais membros a aceitar a fé cristã. Ou, como é mais provável, Paulo está se referindo à atitude de fidelidade e devoção religiosa que vinham caracterizando a família de Timóteo por, no mínimo, três gerações, começando no judaísmo e atingindo sua plenitude e desenvolvimento no reconhecimento de Cristo Jesus como Messias e Senhor” (BEACON, 2006, vol. 09. p. 509).

III – ADMOESTAÇÕES DE PAULO AO JOVEM COOPERADOR TIMÓTEO

A palavra “admoestar” segundo Ferreira (2004, p. 53) significa: “reprender com brandura”; aconselhar, exortar”. No grego é “anamimnesko”, “relembrar”, “pôr na memória”. Trata-se de um “piedoso lembrete”. Todos nós precisamos ser lembrados da nossa herança e responsabilidade cristãs” (CHAMPLIN, 1995, p. 363). Vejamos quais as admoestações que Paulo deu ao jovem cooperador Timóteo no princípio desta segunda carta:

3.1 Avivar o dom que recebeu (II Tm 1.6,7). Timóteo, como qualquer ser humano estava se abalando diante das oposições em Éfeso. Sabedor disto, o apóstolo Paulo procura animar o jovem cooperador dizendo: “Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição das minhas mãos”. “A expressão ‘despertes’ na (ARA – Almeida Revista e Atualizada) é ‘reavives’ que no original é ‘anadzopureo’, ‘reacender’, ‘reinflamar’. O fogo do zelo visto nos dons espirituais pode apagar-se, ou pode tornar-se embotado e ineficaz, se alguém não tem cuidado no exercício apropriado dos mesmos, renovando-os sempre na dedicação a Cristo. Todos os meios espirituais deveriam ser utilizados nesse constante “reavivamento”. Coisa alguma e automática, na vida espiritual. Precisamos “abanar as brasas”, isto é, despertar o dom, mediante o serviço ativo e espiritual, com base na comunhão com o Espirito de Deus. Não será fácil ao cooperador manter seu fervor, conservando acesa a chama eterna, considerando-se os vários tipos de oposição que ele é forçado a enfrentar. Terá de enfrentar lutas internas e externas; tendências pecaminosas de sua própria natureza, além das oposições dos hereges. Mas isso não é causa de temor e covardia, pois a provisão de Deus é adequada para todos” (CHAMPLIN, 1995, p. 362 – acréscimo nosso).

3.2 Não ter vergonha do testemunho de Cristo (II Tm 1.8,9). Nesta época o cristianismo estava vivendo sob condições novas e perigosas. Já não era tolerado como antes, mas era considerado como inimigo do Estado. Dar testemunho franco e aberto da fé que alguém tivesse em Cristo poderia pôr sua vida em risco. Testemunhar destemidamente exigia coragem de determinado tipo. Por isso, Paulo exortou Timóteo a não se envergonhar do testemunho de Cristo e nem dele que estava preso por causa disso. “No grego, o verbo ‘vergonha’ é “epaischunomai”, que significa ‘envergonhar-se’. Sua raiz e ‘aischune’, que quer dizer ‘desgraça’, ‘opróbrio’, ‘vergonha’. Em outras palavras, o ministro da Palavra jamais deveria ter o senso de ‘desonra’ e de ‘timidez’, em face da oposição de qualquer sorte que seja” (CHAMPLIN, 1995, p. 362 – acréscimo nosso). Timóteo foi uma fiel testemunha durante toda a sua vida, dando testemunho da sua fé com seu próprio sangue. Acerca disso asseverou Fox (2006, p. 09) “Timóteo célebre discípulo de Paulo, foi bispo de Éfeso, onde pastoreou a igreja até 97 d.C. Nesse tempo, quando os pagãos estavam para celebrar a festa chamada Catagogião. Timóteo repreendeu-os severamente por sua ridícula idolatria. Exasperado, o povo caiu sobre ele, armado de paus. Terrivelmente espancado, o discípulo de Paulo expirou dois dias depois”.

3.3 Conservar o modelo do que recebeu (II Tm 1.13,14). No presente texto, o apóstolo Paulo exorta veementemente a Timóteo que conserve o evangelho do modo que recebeu: “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido”. No grego a palavra modelo é ‘upotuposis’, que significa ‘modelo‘, ‘exemplo’, ‘protótipo’, padrão’. Tal expressão indica o cristianismo apostólico ‘ortodoxo’, quer em ‘palavras’, na ‘fé’ ou na ‘doutrina’. Tais palavras foram proferidas pelo apóstolo dos gentios, e devem ser diligentemente preservadas por todos os ministros do evangelho, em oposição aos falsos mestres e suas doutrinas. Na perspectiva neotestámentaria, somente aqueles mestres e líderes cristãos que seguem o modelo apostólico, podem ser reputados verdadeiros crentes e ministros dotados de autoridade espiritual (Ef 2.20; 3.1-5; II Pe 3.2)” (CHAMPLIN, 1995, p. 368 – acréscimo nosso).

CONCLUSÃO

As recomendações paulinas transmitidas a Timóteo nas epístolas pastorais são extremamente aplicáveis para todo e qualquer líder cristão. Logo, devemos estar atentos as exortações transmitidas pelo apóstolo a fim de que possamos continuar firmes na fé conservando o modelo do evangelho tal qual nos foi transmitido. Não nos deixemos desviar jamais pelas seduções das heresias contemporâneas.

REFERÊNCIAS

  • HOWARD, R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon. Vol 09. CPAD.
  • CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Vol 5. HAGNOS.
  • FOX, John. O Livro dos Mártires. CPAD.
  • HALLEY, Henry H. Manual Bíblico. VIDA NOVA.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  • TIDWELL, J.B. Visão Panorâmica da Bíblia. VIDA NOVA.

Fonte: REDE BRASIL

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Conselhos gerais

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3º TRIMESTRE 2015

A IGREJA E SEU TESTEMUNHO

As ordenanças de Cristo nas cartas Pastorais

COMENTARISTA: Pr. Elinaldo Renovato de Lima 

LIÇÃO 06 CONSELHOS GERAIS (1 Tm 5.17,22;6.9,10)

INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos acerca de alguns conselhos gerais que o apóstolo Paulo passou ao seu filho na fé, Timóteo, o jovem ministro da igreja que estava em Éfeso. Os capítulos de número cinco e seis são riquíssimos em orientações. Destacaremos aqui algumas destes conselhos quanto ao trato com os irmãos; quanto aos falsos mestres; no que diz respeito a ilusão das riquezas e o que realmente devemos como cristãos priorizar, pois, onde estiver o nosso tesouro, ai estará o nosso coração (Mt 6.20,21).

I DEFINIÇÃO DE CONSELHO

O Aurélio define conselho como advertência que se emite; aviso; admoestação; censurar ou repreender com brandura (FERREIRA, 2004, p. 528). Já o Houaiss define a palavra conselho como opinião, parecer, sabedoria, bom senso. O dicionário Vine diz que do grego gnome relacionado a gnosko, quer dizer: opinião sobre algo que deve ser feito, saber, conhecer, perceber, julgamento, conselho (VINE, 2002, p. 495).

II CONSELHOS QUANTO AO TRATO COM OS IRMÃOS

No capítulo cinco de sua primeira carta, o apóstolo Paulo orienta ao jovem pastor Timóteo que a igreja, como uma grande família de Deus (Ef 2.19), possui membros de diversas faixas etárias, e que na relação interpessoal essa diferença deveria ser considerada com relação ao trato, porém, sempre alicerçada no amor, respeito e consideração (Lv 19.17,18; Mt 22.39; Mc 12.31; Gl 5.14; Fp 2.3).

2.1 Tratamento com pessoas idosas (I Tm 5.1,2a). Não repreendas asperamente os anciãos (idosos), mas admoesta-os como a pais, (…) mulheres idosas com a mães. O apóstolo ensina que devemos tratar as pessoas idosas com amor e ternura. A palavra admoesta-os no grego parakalei significa: chame-o a parte, console-o, exorte-o O AT orientava o respeito aos idosos: Fiquem de pé na presença de pessoas idosas e os tratem com todo respeito (Lv 19.32 – Nova Tradução na Linguagem de Hoje). A honra, consideração e amor aos idosos sempre foi um ensino no AT (Lv 19.32; Sl 71; Pv 16.31; 23.22), ratificado por Jesus (Mt 15.39; Jo 19.26,27), e propagado por Paulo (I Tm 5.1,2).

2.2 Tratamento com os mais jovens (I Tm 5.1b). (…) a jovens, como a irmãos;” aos de menos idade, Paulo orienta que o relacionamento com esses irmãos deveria ser com amor, respeito e consideração (Jo 13.34; 15.17; 1 Co 14.1; 16.14; Fp 2.3; 1 Pe 1.22).

2.3 Tratamento com os de sexo oposto (I Tm 5.2). (…) às moças, como a irmãs, com toda pureza (). O apóstolo ressalta que no que tange ao relacionamento com sexo oposto, além do amor, respeito e consideração, abordado no tópico acima, o cristão deve enxerga-las como filhas de Deus, noiva do Cordeiro, tendo zelo por elas com (…) zelo de Deus (…) (II Co 11.2), com a finalidade de prepara-las, ajuda-las, incentivá-las na Igreja, a constituírem família, a amarem os maridos, terem filhos, serem sensatas, honestas e boas donas de casa (Tt 2.4,5).

2.4. Trato com as viúvas (I Tm 5.316).

Honra as viúvas que verdadeiramente são viúvas… Nestes versículos, o apóstolo aborda sobre dois tipos de viúvas: as idosas e as jovens. Às viúvas idosas obedeceriam a um critério de inscrição na lista dos necessitados da igreja (vs. 4, 5, 9,10). Se ela, mesmo tendo sessenta anos, tivesse filhos, netos, ou até mesmo algum parente crente, tal viúva deveria ser sustentada por sua família (v. 4,16), para não ser pesada à igreja (v. 16). Já para às viúvas novas, o apóstolo recomenda que (…) Se casem, criem filhos, sejam boas donas de casa e não deem ao adversário ocasião favorável de maledicência (v. 14). A Igreja em Pernambuco, por meio do PROAT – Programa de Apoio a Terceira Idade, tem procurado identificar e ajudar as necessidades dos viúvas idosas.

2.5 Trato com os obreiros (I Tm 5.1725). Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina… Não aceites acusação contra o presbítero. Com relação aos obreiros, Paulo orienta a Timóteo a não aceitar qualquer acusação contra ele; deveria se observar um critério (v.19), pois não há quem seja mais exposto a calúnia e a ultraje do que os líderes da igreja. Isto porque no exercício de seu ofício, sempre haverá pessoas insatisfeitas com a doutrina, inimigos do Evangelho que procurarão “se vingar” dos obreiros da Igreja (Dt 13.13; At 15.24; II Co 11.13; Gl 2.4; Fp 3.2,18,19; 1 Jo 2.9). Uma vez cometido uma falta, o obreiro é disciplinado como qualquer outro membro, pois ele só é obreiro, porque é membro da Igreja. Sua disciplina é realizada pela igreja, como ensina o apóstolo Paulo: (…) já determinei (…) que o que tal ato praticou, em nome do Senhor Jesus Cristo, junto vós e o meu espírito (…) seja entregue a Satanás (…) (1 Co 5.35). A Igreja é quem disciplina, reconcilia, aclama e exclui qualquer membro da igreja (II Co 2.511; Hb 12.11).

2.6 Trato com os senhores (I Tm 6.12).  “Todos os servos que estão debaixo do jugo estimem a seus senhores por dignos de toda a honra, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados Nas relações de trabalho, as recomendações paulinas é que os servos “empregados” obedeçam aos empregadores, respeitando-o, cumprindo com os compromissos de seu trabalho (Fp 4.8), para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. Pois a rebeldia, preguiça, ineficiência no trabalho são atitudes que vão de encontro ao princípio estabelecido por Deus para a vida humana, que criou o trabalho (Gn 2.15; Dt 8.1118), e que o mesmo deveria ser utilizado para a glória de Deus (Rm 11.36; I Co 10.31; Cl 1.15,16; Hb 2.10,13, 20,21).

III CONSELHOS GERAIS QUANTO A FALSOS MESTRES

Paulo orienta a Timóteo a tomar cuidado com os falsos mestres, e elenca algumas características desses falsos obreiros. Vejamos:

3.1 Traz outra doutrina (I Tm 6.3). Se alguém ensina alguma outra doutrina (…). Uma das grandes características do falso mestre é a difusão de outra doutrina. Algumas pessoas tem se desviado da fé por não observarem os conselhos paulinos com relação a preservação doutrinária (Gl 1.7,8, 9; 1 Tm 1.57,18, 20; 4.1,6, 7,1416; 6.1116,20; 2 Tm 1.13; 2.14; 3.1417).

3.2 Não concorda com a doutrina (I Tm 6.3). (…) e não concorda com as sãs palavras (Almeida Revista Atualizada). No NT, temos homens como Himeneu e Alexandre (1 Tm 1.20; 2 Tm 4.14,15); Fileto (1 Tm 6.21; 2 Tm 2.17); Demas (2 Tm 4.10); Diótrefes (3 Jo 911), que são exemplos de maus obreiros que procuravam desestabilizar a unidade da igreja.

3.3 Seu ensino busca apenas sua autopromoção (I Tm 6.4). (…) É soberbo, nada sabe (…). O estrelismo sempre será o objetivo do falso mestre. Para ele, os que estão ao seu redor, sabem menos que ele, são ignorantes, desinformados, e por isso, caem na armadilha da soberba que foi o pecado de Satanás (Is 14.1315; Ez. 28.1318). Entretanto, toda soberba sempre precederá uma ruína (Pv 16.18; 29.23; Sl 101.5; Jr. 13.9; 48.2947).

3.4 Gosta de discussões e debates da doutrina (I Tm 6.4). (…) mas tem mania por questões e contendas de palavras (…). Esses falsos mestres gostam promover discussões infrutíferas (1 Tm 1.6,7); (…) que produzem de invejas, provocações, difamações, suspeitas malignas. Altercações sem fim, por homens cuja mente são privados da verdade (…) (1 Tm 6.4,5 – Almeida Revista Atualizada). Acerca destes, Paulo recomenda a Timóteo: Tu, ó homem de Deus, foge destas coisas (…) (v. 11). O cristão deve ler a Bíblia para sua edificação, e não para promover debates que não promovem edificação alguma.

IV CONSELHOS GERAIS QUANTO A BUSCA DESENFREADA DAS RIQUEZAS

Paulo passa, agora, a orientar Timóteo quanto ao perigo de se adquirir riquezas, e adquiri-las a qualquer custo. Ele Mostra que o cristão que assim procede está ignorando que a vida não consiste em riquezas: Nada trouxemos para este mundo, é manifesto que nada podemos levar dele. (1 Tm 6.7), que Deus é o dono de tudo (Dt. 8.1118; Sl 24.1; Rm 11.36) e que o contentamento deve estar presente em nossa vida: ”Tendo, porém, com o que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes (1 Tm 6.8). (As consequências para os que buscam as riquezas de forma desenfreada (I Tm 6.9,10). Porém, os que desprezam tais verdades diz Paulo: (a) Caem em tentação; (b) Em laços; e, (c) Em muitas concupiscências loucas e nocivas, levando a perdição e ruína (1 Tm 6.9). Mas Timóteo deveria seguir: a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, e a mansidão (1 Tm 6.11).

CONCLUSÃO

Nestes dois últimos capítulos de primeira carta a Timóteo, pudemos perceber o cuidado pastoral de Paulo ao orientar, não só o pastor Timóteo, mas a Igreja em Éfeso, sobre os mais diversos assuntos relacionados à vida cristã e ao bom desenvolvimento do relacionamento interpessoal dos membros na Igreja, demonstrando assim, como pastor e apascentador, o seu amor pelo rebanho.

REFERÊNCIAS

  • BARCLAY, William. Comentário Bíblico do Novo Testamento: 1 Timóteo.
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Editora Positivo.
  • KELLY, J.N.D. I II Timóteo e Tito: Introdução e comentário. CULTURA BÍBLICA.
  • PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody: Daniel. Editora Batista Regular.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  • VINE, W.E, et al. Dicionário Vine . CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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Apostasia, fidelidade e diligencia no ministerio

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3º TRIMESTRE 2015

A IGREJA E SEU TESTEMUNHO

As ordenanças de Cristo nas cartas Pastorais

COMENTARISTA: Pr. Elinaldo Renovato de Lima 

LIÇÃO 05 APOSTASIA, FIDELIDADE E DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO (I Tm 4.1,2; 58;12,16).

INTRODUÇÃO

Nesta lição, iniciaremos trazendo as definições das palavras: apostasia, fidelidade, diligência e ministério. Analisaremos os passos que levam uma pessoa à apostasia e em seguida, mostraremos alguns exemplos de maus obreiros que trouxeram grandes prejuízos na obra, como também, analisaremos os bons exemplos de obreiros que foram muito úteis ao apóstolo dos gentios.

 I DEFINIÇÕES DE APOSTASIA, FIDELIDADE, DILIGÊNCIA E MINISTÉRIO.

1.1 Apostasia. O termo apostasia vem do grego apostásis e significa o abandono premeditado e consciente da fé cristã”. O termo grego aphistemi é definido por: apartar, decair, desertar, retirar, rebelião, abandonar, afastar-se daquilo que antes se estava ligado (STAMPS, 1995, p. 1903).

1.2 Fidelidade. O dicionário Aurélio diz que esta palavra significa: qualidade de fiel; lealdade; constância, firmeza nas afeições, nos sentimentos; perseverança. Observância rigorosa da verdade; exatidão. O termo em hebraico é ‘ emunah’ cujo significado básico é certeza e fidelidade (VINE, 2002, p. 128 – grifo nosso).

1.3 Diligência. Segundo Ferreira (2004, p. 679) a palavra diligência significa: ter cuidado, zelo, aplicação, presteza.

1.4 Ministério. Andrade (2006, p. 265) ao falar sobre a palavra ministério afirma que é: um ofício, cargo, função, incumbência do grego ministerium. A principal característica do ministério cristão é o serviço. O dicionário Vine (2002, p.791) falando sobre o exercício ministerial diz que: “vem da expressão ‘leitourgos, ao qual corresponde no NT aos ministros sacros” (Lc 1.23; Hb 8.6; 9.21 – grifo nosso).

II CARACTERÍSTICAS DOS MAUS COOPERADORES NAS CARTAS PASTORAIS

Paulo cita alguns exemplos específicos de obreiros que apostataram e naufragaram na fé. Vejamos:

2.1 Himeneu, um exemplo daqueles que blasfemam à obra (I Tm 1.20a). A passagem de I Timóteo 1.20 e II Timóteo 2.17 mostram-nos uma repreensão severa a três “cooperadores” da obra que tinham blasfemado contra a Igreja, entristecendo a Paulo e afundado suas próprias vidas. Inevitavelmente tinham caído em más práticas. Pontuemos:

2.2 Fileto, um exemplo daqueles que apostatam da obra (I Tm 6.21; II Tm 2.17). Não sabemos muita coisa alguma sobre este homem, Fileto. Os dois (Fileto e Himeneu) se desviaram da verdade” ao ensinar que a ressurreição já havia ocorrido. Talvez ensinassem que a salvação é a ressurreição em sentido espiritual, de modo que o cristão não deveria esperar uma ressurreição física. Mas a negação da ressurreição física é algo extremamente sério (I Co 15.12), pois envolve a ressurreição de Cristo e a consumação do plano de Deus para a salvação de seu povo. Não é de se admirar que esses falsos mestres estivessem “pervertendo a fé a alguns” (II Tm 2.18) (WIERSBE, 2007, 320).

2.1.1 … os quais entreguei a Satanás para que aprendam a não blasfemar (I Tm 1.20b). A expressão os quais entreguei a Satanás” deixa implícita que Paulo estivesse pensando na prática judia da excomunhão, pois, de acordo com o praticado nas sinagogas, se um homem fizesse o mal, em primeiro lugar, era repreendido publicamente. Se isso fosse ineficaz, era expulso da sinagoga por trinta dias. Se ainda continuasse obstinado em não arrepender-se, era considerado uma pessoa maldita, desterrada da sociedade dos homens e da comunhão com Deus. Em tal caso, era bem possível dizer que o homem era entregue a Satanás… Outra possibilidade, era que Paulo queria dizer que os expulsou da igreja, deixando-os livres no mundo para sofrerem suas consequências. Para Paulo, o castigo nunca era uma vingança reivindicativa; era sempre uma disciplina que remediava. Seu fim nunca era ferir; sempre buscava curar (BARCLAY, sd, p. 65).

2.3 Alexandre, um exemplo daqueles que perturbam à obra (II Tm 4.14). Alexandre era um nome comum naquele tempo (ITm 1.20), de modo que não temos como saber, ao certo, se é o mesmo homem citado na segunda carta de Paulo a Timóteo (II Tm 4.14); mas, caso seja, fica claro que resistiu a Paulo e continuou ensinado doutrinas falsas. Alexandre mostrou-se reprovado para com Paulo no sentido de ter-lhe revelado um coração mau em sua oposição ao Evangelho. O apóstolo Paulo usa a expressão: Guarda-te também dele…. Paulo ordena a Timóteo que evite Alexandre, pois ele atacou a verdade abertamente …porque resistiu muito às nossas palavras. 2.4 Demas, um exemplo daqueles que abandonam à obra (2Tm 4.10). D emas é citado apenas três vezes no NT e, no entanto, essas três citações contam uma triste história de fracasso. Paulo refere-se a Demas, ao lado de Marcos e de Lucas, como meus cooperadores” (Fm 1.24). Na próxima referência, o chama apenas de Demas” (Cl 4.14). Aqui (II Tm 4.10) diz: “Demas […] me abandonou. O apóstolo dá o motivo: “tendo amado o presente século” (WIERSBE, 2007, p. 333).

III TIPOS DE APOSTASIAS E SEUS RESULTADOS

Como já vimos, a palavra apostasia significa: ato de desviar-se ou afastar-se do relacionamento com Deus. Vejamos as consequências da apostasia:

3.1 A apostasia pessoal (Hb 3.12). Apostatar significa cortar o relacionamento salvífico com Cristo, ou apartar-se da união vital com Ele e da verdadeira fé nEle. Sendo assim, a apostasia individual é possível somente para quem já experimentou a salvação, a regeneração e a renovação pelo Espírito Santo (Lc 8.13; Hb 6.4,5); não é simples negação das doutrinas do NT pelos inconversos dentro da igreja visível. A apostasia pode envolver dois aspectos distintos, embora relacionados entre si.

3.1.1 A apostasia teológica. É o desvio de parte ou totalidade dos ensinos de Cristo e dos apóstolos (1Tm 4.1; 2Tm 4.3). Os falsos obreiros apresentam uma salvação fácil e uma graça divina sem valor, desprezando as exigências do arrependimento, à separação da imoralidade, e à lealdade a Deus e seus padrões (2Pe 2.13,1219). Os falsos evangelhos, voltados a interesses humanos, necessidades e alvos egoístas, gozam de popularidade por sua mensagem fácil e agradável.

3.1.2 A apostasia moral. É o abandono da comunhão salvífica com Cristo e o envolvimento com o pecado e a imoralidade. Esses apóstatas podem até anunciar a sã doutrina bíblica, e mesmo assim nada terem com os padrões morais de Deus (Is 29.13; Mt 23.2528). São aqueles que eram crentes e deixaram de permanecer em Cristo e voltaram a ser escravos do pecado e da imoralidade (Is 29.13; Mt 23.2528; Rm 6.1523; 8.613). Existem muitas que igrejas permitem tudo para terem muitos membros, dinheiro, sucesso e prestígio (1 Tm 4.1). O evangelho da cruz, com o desafio de sofrer por Jesus (Fp 1.29), de renunciar todo tipo de pecado (Rm 8.13), de sacrificar-se pelo reino do Senhor e de renunciar a si mesmo será algo raro (Mt 24.12; 2Tm 3.15; 4.3). No dia do Senhor, cairá a ira de DEUS contra os que rejeitarem a sua verdade (1Ts 5.29).

3.2 Passos que levam à apostasia. Podemos elencar alguns passos que levam uma pessoas à apostasia: (1) Quando o crente, por sua falta de fé, deixa de levar plenamente a sério as verdades, exortações, advertências, promessas e ensinos da Bíblia (Mc 1.15; Lc 8.13; Jo 5.44,47; 8.46); (2) Quando as realidades do mundo chegam a ser maiores do que as do reino celestial, e o crente deixa paulatinamente de aproximar-se do Senhor (4.16; 7.19,25; 11.6); (3) Por causa da aparência enganosa do pecado, a pessoa se torna cada vez mais tolerante do pecado na sua própria vida (1Co 6.9,10; Ef 5.5; Hb 3.13). (4) Quando o crente já não ama a retidão nem odeia a iniquidade, e, (5) Por causa da dureza do seu coração e da sua rejeição dos caminhos do Senhor, não faz caso da repetida voz e repreensão do Espírito Santo (Ef 4.30; 1Ts 5.1922; Hb 3.711).

IV CARACTERÍSTICAS DOS BONS COOPERADORES NAS CARTAS PASTORAIS

Vejamos alguns desses grandes exemplos de bons obreiros mencionados por Paulo em suas cartas pastorais:

4.1 Lucas, um exemplo daqueles que amam a obra (II Tm 4.11). Paulo diz que este obreiro é o médico amado” que viajava com Paulo (Cl 4.14). É o autor do Evangelho de Lucas e do Livro de Atos (convém observar a seção de Atos escrita na primeira pessoa do plural, indicando que Lucas foi testemunha ocular dos acontecimentos). É provável que Paulo tenha ditado a carta de 2Timóteo a Lucas, pois, ele serviu a Paulo como um amanuente (aquele que escreve o que é ditado) . Uma vez que Lucas era médico, deve ter apreciado a referência que Paulo faz ao câncer (II Tm 2.17).

4.2 Timóteo, um exemplo daqueles que são fiéis na obra (II Tm 4.11). Nenhum outro líder cristão, dentre os companheiros de trabalho de Paulo, foi tão recomendado por ele como Timóteo, especialmente em face de sua lealdade (I Co 16.10; Fp 2.19; II Tm 3.10). Acerca de Timóteo, o apóstolo destaca ainda que ele era: (1) um estudante zeloso e obediente a Palavra de Deus (II Tm 3.15); (2) um servo perseverante (I Ts 3.2); (3) um homem de boa reputação (At 16.2); (4) amado e fiel (I Co 4.17); e (5) companheiro dedicado a Paulo e ao evangelho (Rm 16.21; II Tm 4.9,2122).

4.3 Tito, um exemplo daqueles que são dedicados na obra (Tt 1.4). T to aparece no NT como um excelente líder. Ele é descrito por Paulo como … verdadeiro filho, segundo a fé comum… (Tt 1.4). O apóstolo deixou transparecer a devoção genuína e a preocupação pastoral deste cooperador (II Co 8.16,17). A alegria cristã e a dedicação de Tito serviam de inspiração para Paulo (II Co 7.1315). Foi enviado com Timóteo para tratar dos problemas mais sérios nas igrejas (Tt 1.5).

4.4 Tíquico, um exemplo daqueles que são disponíveis na obra (2 Tm 4.12) Ficou com Paulo durante seu primeiro período na prisão (Ef 6.21, 22; Cl 4.7,8). Paulo enviou Tíquico a Creta para substituir Tito (Tt 3.12). Depois, o envia a Éfeso para assumir o lugar de Timóteo. Ainda podemos citar: Priscila e Áquila, um exemplo daqueles que dão a sua vida na obra (2 Tm 4.19). Era um casal que ajudou Paulo de várias maneiras (At 18.13,2428; Rm 16.3,4; 1 Co 16.19). Agora, estavam em Éfeso auxiliando Timóteo em seu ministério.

CONCLUSÃO

O apóstolo Paulo tinha em sua companhia homens de Deus sinceros, com os quais ele podia contar na administração do trabalho do Senhor em Éfeso. Timóteo e outros obreiros cujas virtudes são louváveis, constituem-se para nós hoje, verdadeiros exemplos de como devemos agir no serviço de Deus fielmente. 

REFERÊNCIAS

  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Editora Positivo.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • BARCLAY, William. Comentário Bíblico do Novo Testamento: 1 Timóteo.__

Fonte: REDE BRASIL

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Pastores e Diáconos

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3º TRIMESTRE 2015

A IGREJA E SEU TESTEMUNHO

As ordenanças de Cristo nas cartas Pastorais

COMENTARISTA: Pr. Elinaldo Renovato de Lima 

LIÇÃO 04 PASTORES E DIÁCONOS – (I Tm 3.14;813)

INTRODUÇÃO

A igreja de Éfeso, fundada por Paulo, estava enfrentando ataques de hereges: os judaizantes e os gnósticos. Preocupado com a saúde espiritual do povo de Deus e sua organização, o apóstolo envia o jovem cooperador Timóteo, obreiro de sua alta confiança. Em I Tm 3 o apóstolo dá orientações a Timóteo quanto a separação de obreiros, deixando clara a necessidade que a obra tem destes cooperadores; bem como destaca as qualificações morais que estes devem possuir para exercer liderança na congregação; e, por fim, qual a postura da igreja em relação a estes servos do Senhor.

I TIMÓTEO: O PASTOR DA IGREJA DE ÉFESO

As cartas de Paulo a Timóteo e a Tito são conhecidas como epístolas pastorais porque tratam especificamente de orientações dadas a dois obreiros acerca da organização e saúde da igreja. Na ocasião em que foram escritas, a igreja já existia há cerca de trinta anos. O apóstolo Paulo escreve estas epístolas no intuito não só de instruir Timóteo e Tito acerca do combate aos falsos ensinos na igreja, mas também a de trazer instruções pessoais quanto a responsabilidade dos cooperadores na igreja, bem como, orientações acerca da vida cristã.

1.1 A igreja na cidade de Éfeso. “ Éfeso era uma antiga cidade grega no território da Lídia, na Ásia Menor. Ficava localizada na desembocadura do rio Caister, cerca de cinquenta e seis quilômetros a suleste de Izmir (a antiga Esmirna mencionada no Novo Testamento). Era uma das mais importantes cidades da Ásia Menor, no que atualmente é a Turquia” (CHAMPLIN, 2004, p. 287). O ministério de Paulo em Éfeso foi singularmente eficaz. Ele estava nesta cidade na sua segunda viagem missionária (At 18.1921), porém só obteve maior êxito na terceira viagem (At 19). Durante mais de dois anos (At 19.8,10) pôde pregar sem impedimentos, primeiro na sinagoga e mais tarde na escola de Tirano (At 19.9). Operou milagres especiais (At 19.11) e travou um contato mais direto com a população de Éfeso e da província em geral do que com a de qualquer outro lugar. Lucas nota que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, assim judeus como gregos (At 19.10), e que assim a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia (At 19.20), e que o número dos que creram foi tão grande que a idolatria sofreu perdas econômicas (At 19.26,27). A igreja de Éfeso tornou-se um centro missionário, e durante séculos foi um dos baluartes do cristianismo na Ásia Menor.

1.2 A ação pastoral de Timóteo em Éfeso. A primeira epístola a Timóteo o apresenta dirigindo uma florescente comunidade cristã na cidade de Éfeso (I Tm 1.3a). Era uma igreja mista, composta por anciãos e jovens (I Tm 5.1); mulheres solteiras e viúvas (I Tm 5.2); servos e senhores (I Tm 6.1); ricos e pobres (I Tm 6.1719). Paulo lhe dá diversas orientações quanto ao que deveria ser feito naquela igreja (I Tm 1.1820; 2.13; 3.116). Mas havia uma necessidade urgentíssima. A comunidade de Éfeso estava sendo atacada por ensinos falsos. Dados os desafios, a tarefa de Timóteo não seria fácil (I Tm 1.34). Este nobre cooperador fora enviado pelo apóstolo a Éfeso para solucionar estes problemas (I Tm 1.3)

II ORIENTAÇÕES PAULINAS QUANTO A SEPARAÇÃO DE PESSOAS PARA A OBRA

A necessidade de cooperadores no desenvolvimento da Obra de Deus, sempre foi uma realidade tanto no AT como no NT. Isso pode ser bem exemplificado em Moisés (Ex. 18.1327). Seguindo o modelo veterotestamentário, o apóstolo Paulo procura deixa claro, nas epístolas pastorais, que na direção das igrejas locais, o pastor seria auxiliado por presbíteros e diáconos, que cooperariam para o bom desenvolvimento da igreja local (1 Tm 1.3; 3.13; 5.17; Tt 1.5).

2.1 A necessidade de líderes para a igreja (I Tm 3.1). O povo de Deus sempre precisou de líderes para orientá-lo. Foi assim no A.T. onde Deus sempre atuou por meio de uma pessoa que liderava o povo na execução de Sua vontade. Podemos citar diversos exemplos: Abraão (Gn 12.13); Moisés (Ex. 3.110); Josué (Nm. 27.1823; Js 1.19), etc. Esses líderes eram instrumentos de Deus, chamados por Deus de “pastores” cuja finalidade era apascentar o povo de Deus com “conhecimento e inteligência” (Jr. 3.15ARA). Por isso, Jesus instituiu líderes para estarem a frente do seu povo. A princípio, os doze apóstolos (Lc 6.13) e Paulo (I Tm 2.7). Estes, por sua vez, orientados por Deus escolheram e prepararam homens para as mais diversas necessidades que surgiram no meio do povo de Deus (At 6.16; Fp 4.3; Cl 4.11; Fm 1.24; Tt 1.5). É por isso que toda Igreja precisa de pastor, e não existe pastor sem Igreja (Jr 3.15; Ef. 4.11,12).

2.2 As qualificações dos líderes para a igreja (I Tm 3.213). Orientando Timóteo, Paulo apontou quais as qualificações morais que o cooperador deve possuir, a fim de auxiliar o pastor nas diversas atividades da igreja. Quando o apóstolo diz: convém, pois, que o bispo seja […] está se enfatizando o caráter, já que a palavra seja aponta para virtudes que o indivíduo já tem, antes de ser chamado para algum trabalho especifico. Paulo examina de um jeito ordenado: ( a) pessoalmente (I Tm 3.23); ( b) quanto à família (I Tm 3.45); ( c) quanto à igreja (I Tm 3.56); e, ( d) quanto ao mundo pagão (I Tm 3.7). V ale salientar que estas exigências morais são exigidas de todos os crentes e não apenas daqueles que exercem liderança (Ef 1.4; Fp 2.15; Cl 1.22; I Ts 3.13; 5.23; I Tm 5.7; I Pe 1.15,16).

2.3 A postura dos crentes em relação aos líderes (I Tm 5.17). Sabendo da importância que os cooperadores tem para o bom andamento da obra de Deus, Paulo aconselha a igreja a tê-los “(…) e m grande estima, e amá-los (I Ts 5.13); Reconhecê-los ( 1Cor 16.18); imitá-los (Hb 13.7); obedecê-los ( Hb 13.17) Compreendê-los (Hb 13.17); orar por eles (Hb 13.18) pois (…) velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas ( Hb 13.17b) e por causa (…) do trabalho que realizam (…) (1 Ts 5.13b – ARA).

III A IMPORTÂNCIA DO PASTOR, DO PRESBÍTERO E DO DIÁCONO PARA A IGREJA

Com o crescimento da igreja, houve a necessidade de se estabelecer mais cooperadores que estivessem cooperando com os apóstolos. Foi assim a instituição do diaconato (At. 6) e demais ofícios na Igreja (At. 13.15; Gl 2.9,10; Tt 1.5). Abaixo definiremos a função de pastor, presbítero e diácono e suas atribuições:

DONS MINISTERIAIS

DEFINIÇÃO

ATRIBUIÇÕES

PASTOR

Pastor (gr. Poimen ) Dom ministerial dado por Cristo, que tem como finalidade o aperfeiçoamento do rebanho para a obra do serviço cristão. São aqueles que “cuidam de rebanhos” (Ef. 4.11). Guiam como também alimentam o rebanho (At. 20.28; 1 Pe 5.1,2). O próprio termo indica a pessoa que dirige. Sua missão é múltipla e polivalente: ( a) cuidar da sã doutrina, refutar a heresia (Tt 1.911); ( b) ensinar a Palavra de Deus e exercer a direção da igreja local (1Ts 5.12; 1Tm 3.15); ( c) ser um exemplo da pureza e da sã doutrina (Tt 2.7,8) e ( d) esforçar-se no sentido de que todos os crentes permaneçam na graça divina (Hb 12.15; 13.17; 1Pe 5.2). Sua tarefa é assim descrita em At 20.2831: salvaguardar a verdade apostólica e o rebanho de Deus contra as falsas doutrinas e os falsos mestres que surgem dentro da igreja. Pastores são ministros que cuidam do rebanho, tendo como modelo Jesus, o Bom Pastor (Jo 10.1116; I Pe 2.25; 5.24).

PRESBÍTERO

O presbítero (gr. Presbuteros), ancião, supervisor. É um ofício.O presbítero é o obreiro que coopera com o pastor no apascentamento do rebanho, no ensino e orientação da igreja local (At. 15.6; 16.4;1 Pe 5.13). De acordo com o NT, os presbíteros são responsáveis por: ( a) Administrar e supervisionar uma igreja local, pois são líderes na igreja (1Tm 5.17; Tt 1.7; 1 Pe 5.12); ( b) Ensinar e pregar a Palavra (1Tm 3.2; 5.17; 2 Tm 4.2; Tt 1.9); ( c) Proteger a igreja de falsos mestres (At 20.17, 2831; 1Tm 4.1; Tt 1.9); ( d) Exortar e admoestar os santos na sã doutrina (1Tm 4.13; 2Tm 3.1317; Tt 1.9); ( e) Visitar e orar pelos doentes ungindo-os com óleo (Tg 5.14; At 20.35); ( f) Julgar questões doutrinárias (At 15.16); ( g) Dirigir igrejas (1Pe 5.2; 1Tm 5.17); e, ( h) Apascentar e cuidar da igreja (1Pe 5.2; Hb 13.17).

DIÁCONO

Diácono (gr. Diakonos ) “criado, servo.” Serviço ou encargo específico” “É aquele que serve” É um ofício. Um cooperador que coopera com o pastor da igreja, nas atividades relacionadas com os serviços de ordem material e social. O ofício e a função dos diáconos teve começo no tempo dos apóstolos (At 6.15); Há registros que identificam como um grupo de cooperadores específicos nos dias dos apóstolos (Fl. 1.1; I Tm 3.813). A própria palavra diácono é usada de várias maneiras, nas páginas do NT, subentendendo serviço espiritual ou material.

CONCLUSÃO

Vimos nesta lição, quão importante é que a igreja tenha pastores, presbíteros e diáconos para o seu bom funcionamento e para que o rebanho do Senhor possa ser conduzido pelos trilhos da sã doutrina. Como igreja, devemos ter grande respeito por estes servos do Senhor, orando sempre por eles para que Deus continue ajudando-os neste importante serviço em prol do Reino de Deus.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • KELLY, J.N.D. I, II Timóteo e Tito: Introdução e comentário . CULTURA BÍBLICA.
  • PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody: Daniel. Editora Batista Regular.
  • RENOVATO, Elinaldo. Dons espirituais e ministeriais . CPAD.
  • WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento. Vol. II. Geográfica.

Fonte: REDE BRASIL

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