Salvação e livre-arbítrio

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4º TRIMESTRE 2017

A OBRA DA SALVAÇÃO

Jesus Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida

COMENTARISTA: Claiton Ivan Pommerening

LIÇÃO 08 – SALVAÇÃO E LIVRE-ARBÍTRIO – (Jo 3.14-21)

INTRODUÇÃO

Nesta lição iniciaremos vendo a definição do termo livre-arbítrio; estudaremos esta doutrina nas Escrituras Sagradas; pontuaremos a soberania de Deus e a livre escolha humana; e finalizaremos analisando a salvação e a eleição divina, bem como a livre-vontade do homem.

I – DEFINIÇÃO DE LIVRE-ARBÍTRIO

  • Definição etimológica do termo. O dicionário Vine (2010, pp. 608,756) diz que livre-arbítrio vem do termo grego “eklego”, “escolher, selecionar, eleger” e “eleutheros”, “liberdade de ir onde quer”. O dicionário Houaiss define como: “possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante”. A palavra livre vem do latim “liber”, que significa “livre” e o termo arbítrio “arbiter”, que é “uma pessoa escolhida para decidir sobre uma questão” (2001, p. 1774).
  • Definição teológica do termo. “Entende-se por livre-arbítrio a liberdade que o ser humano tem de fazer escolhas, tornando-se, consequentemente, responsável por elas e por seus respectivos resultados […]. O poder humano de fazer escolhas é o primeiro assunto de que trata a Bíblia Sagrada […]. O livre-arbítrio é inerente ao homem, o qual não poderia ser julgado, jamais, se as suas decisões fossem involuntárias, e ele fizesse o que não desejasse pelo fato de ser movido por uma força estranha, alheia à sua consciência e vontade” (BRUNELLI, 2016, pp. 293,295). A Declaração de Fé das AD diz: CREMOS, professamos e ensinamos que o homem é uma criação de Deus […], dotado por Deus de livre-arbítrio, ou seja, com liberdade de escolher entre o bem e o mal […] essa escolha continua mesmo depois da queda no Éden (Jo 7.17). Deus dotou Adão do livre-arbítrio com o qual ele era capaz tanto de obedecer quanto de desobedecer ao Criador (SOARES, 2017, pp. 77,99).

II – O LIVRE-ARBÍTRIO NA BÍBLIA

  • O livre-arbítrio nas Escrituras. Tanto no AT quanto no NT a doutrina do livre-arbítrio é claramente defendida, e apesar da expressão “livre-arbítrio” não estar na Bíblia de maneira explícita em diversas passagens do AT podemos ver que Deus dá o poder de escolha ao ser humano (Gn 2.17,16; 4.7; Dt 28.1; 30.15,19; Js 24.15; 2Sm 24.12; Jz 5.2; 1Cr 28.9; Ed 7.13; Ne 11.2; Sl 119.30; Is 1.19,20; Jr 4.1). Também podemos encontrar várias referências que demonstra-nos o livre-arbítrio no NT (Mt 3.2; 4.17; 16.24; 23.37; Mc 8.35; Lc 7.30; Jo 5.40; 6.37; 7.17; 15.7; At 3.19; 17.30; Rm 10.13; 1Tm 1.19; 1Co 10.12; 2Co 8.3,4; 1Jo 3.23; Ap 3.20).
  • O livre-arbítrio antes da Queda. O poder da livre-escolha faz parte do desígnio de Deus para a humanidade, como sendo a sua imagem e semelhança (Gn 1.27). Adão e Eva receberam o mandamento para multiplicarem a espécie humana (Gn 1.28) e se absterem de comer do fruto proibido (Gn 2.16-17). Estas duas responsabilidades implicam na capacidade de respostas. O fato deles deverem fazer estas coisas, implicava que eles poderiam fazê-las (Gn 3.6). A condenação de Deus para a atitude deles deixa claro que ambos eram moralmente livres para tomar a sua decisão (Gn 3.11,13) (GEISLER, 2010, p. 108).
  • O livre-arbítrio depois da Queda. Mesmo depois de haver pecado e se tornado espiritualmente “morto” (Gn 2.17; cf. Ef 2.1) e, portanto, um pecador, em função da sua natureza pecaminosa (Ef 2.3), Adão não se tornou tão completamente depravado a ponto de não mais ouvir a voz de Deus e poder responder de maneira livre (Gn 3.9-10). A imagem de Deus foi obscurecida, mas não completamente erradicada pela Queda; ela foi corrompida (afetada), mas não eliminada (aniquilada). Na verdade, a imagem de Deus (que inclui o livre-arbítrio) ainda permanece nos seres humanos (Gn 9.6; Tg 3.9). Até mesmo a nossa cegueira espiritual é resultado da nossa decisão de não acreditar (Rm 6.16) (GEISLER, 2010, p. 109).

III – A VONTADE DE DEUS E O LIVRE-ARBÍTRIO

  • A vontade permissiva e livre arbítrio. O que faz o homem um ser moralmente semelhante ao Criador, é justamente a capacidade de fazer suas próprias escolhas; e é isto o que se entende por vontade permissiva. Deus tem poder para impedir que o homem faça o mal ou bem, entretanto, lhe dá o direito de escolha mesmo discordando dela (Gn 2.15-17; 3; 4.7; Dt 30.15-20; Gl 6.7-10). Na vontade permissiva, a soberania e a onipotência de Deus não violam o livre-arbítrio humano. No âmbito da salvação, Deus sabe perfeitamente quem o rejeitará, embora jamais interfira nesta decisão. Todavia, o homem pode rejeitar a salvação (Is 1.19,20; Dt 30.19; Js 24.15; Mt 23.37,38; Lc 7.30; 1Tm 1.19; 1Co 10.12). A Bíblia ensina que Deus é todo- poderoso; ninguém pode impor limites ao seu poder (Jó 37.23; Is 40.26). No entanto, ele não usa seu poder para controlar tudo arbitrariamente (Is 42.13,14), ele tolera aqueles que fazem mau uso do livre-arbítrio, mas não para sempre (Sl 10).
  • A vontade diretiva e predestinação. A vontade diretiva de Deus opera em conformidade com a sua sabedoria e soberania. Ele rege o curso da história, e controla o universo de acordo com seus eternos propósitos (Sl 33.11; At 2.23; Ef 1.4-9). Tudo o que planejou certamente será executado (Is 43.13; 14.26,27). É nesse ponto que nos deparamos com a doutrina da predestinação. O Eterno, em seu profundo e inigualável amor, predestinou todos os seres humanos em Cristo à vida eterna . Ninguém foi predestinado ao lago de fogo que fora preparado para o Diabo e seus anjos (Mt 25.41). Mas o fato de o homem ser predestinado à vida eterna não lhe garante essa bem-aventurança. É necessário que creia no Evangelho, e assim será considerado eleito (Rm 8.29; Ef 5).

IV – A SALVAÇÃO E O LIVRE-ARBÍTRIO

  • A salvação e o livre-arbítrio. A Bíblia enfatiza o ensinamento do livre-arbítrio humano (Mt 11.28; Lc 9.23; 13.3; 16.16; Jo 1.12; At 2.21; 17.31; Rm 1.16; 10.13,14; 1Tm 2.3,4; 4.1; 2Pd 2.1,20,21; 3.9; Ap 2.20,21; 3.11). No NT os pecadores são repetidamente ordenados a “arrepender-se” e “crer” (Mt 3.2; 4:17, Jo 5.40; At 3.19, 1Jo 3.23). A ordem “arrepende-te” foi transmitida à maioria das Igrejas da Ásia (Ap 2.5,16; 3.3,19) e, o Senhor disse que deveriam “guardar, reter, conservar” o que tinham, até a morte, para que não perdessem a coroa (Ap 2.10,25; 3.11). Conquanto o Senhor Jesus tenha feito a sua parte, ao nos resgatar, temos de “operar” ou “desenvolver”, a nossa salvação (Fp 2.12; Ef 2.10; 2Tm 2.10; Hb 6.9). Se negarmos o Senhor, Ele também nos negará (Mt 10.32,33; 2Tm 2.12; Ap 3.5) (SILVA, 1989, p. 60).
  • A salvação e a predestinação fatalista. Predestinação fatalista é o ensino antibíblico da determinação antecipada do destino dos homens: uns para salvação outros para condenação. Este ensino só considera a soberania de Deus, e não sua graça e justiça (Rm 11.5; 3.21; 1Tm 2.4; Tt 2.11; 2Pd 3.9). Em Ezequiel 18.23,32; 33.11, Deus assevera o seu desejo de que o ímpio se converta, e não apenas os “eleitos” e “predestinados” (Jo 3.16). Deus jamais predestinará alguém para o inferno, sem lhe dar oportunidade de salvação, pois isso aviltaria a natureza moral de Deus. Se todos já estão predestinados quanto ao seu destino eterno, então não há lugar para escolha, decisão, ou livre-arbítrio por parte do homem, o que contradiz a Bíblia (Dt 30.16-19; Js 24.15; 1 Rs 18.21; Sl 119.30,173; Lc 13.34; Ap 22.17). Não há segurança salvífica fora de Jesus e de seu aprisco, como também não há segurança espiritual para alguém que vive em pecado (Jo 15.1-6; 1Pd 1.5; Rm 1.17) (DANIEL, 2017, p. 402).

V – A ELEIÇÃO DIVINA E O LIVRE-ARBÍTRIO

A escolha de Deus daqueles que creem em Cristo é uma doutrina importante (Rm 8.29-33; 9.6-26; 11.5, 7, 28; Cl 3.12; 1Ts 1.4; 2Ts 2.13; Tt 1.1). A eleição do grego “eklegoe” refere-se à escolha feita por Deus, em Cristo, de um povo para si mesmo, a fim de que sejam santos e inculpáveis diante dEle (2Ts 2.13). Essa eleição é uma expressão do amor de Deus, que recebe como seus, todos os que recebem Jesus condicionalmente (Jo 1.12). A doutrina da eleição abarca as seguintes verdades:

  • A eleição é baseada na presciência divina. A Bíblia assevera tanto a realidade do livre-arbítrio humano como a realidade da presciência divina (ter conhecimento do futuro). A despeito de Deus conhecer antecipadamente, os que rejeitarão seu plano salvífico, sua presciência não interfere nem viola o livre direito de escolha do homem (2Tm 2.10). Deus é onisciente, e para Ele nada está oculto. Ele sabe o futuro desde o passado (Is 46.10; 1Pd 1.2), conhece os nossos dias, sabe quem será salvo mediante a fé, sabe cada pensamento nosso por antecipação. Mas presciência não é preordenação. Deus não decide o nosso futuro, não determina nossas escolhas, Ele apenas sabe o que acontecerá (Sl 139.16; Rm 8.29,30; 1Pd 1.1-2). Paulo alertou os crentes de Corinto a respeito da manutenção da salvação em Cristo (1Co 15.1-2). Notemos que a manutenção da salvação está condicionada à obediência ao evangelho verdadeiro (2Co 11.3,4; Gl 1.8; 1Tm 4.16). E a obediência deve ser voluntária, visto que não somos seres autômatos (DANIEL, 2017, p. 390). A predestinação fatalista contradiz dois atributos divinos: a justiça e o amor. Primeiro, porque torce a justiça divina, pois, nesse caso, Deus destinaria as pessoas antes mesmo de seu nascimento à perdição eterna. E segundo, porque põe em dúvida o ilimitado amor de Deus, por ensinar que o Senhor destinou os pecadores ao inferno sem lhes dar o direito e a oportunidade de arrependerem-se (THIESSEN, 2000, p. 246).
  • A eleição é cristocêntrica. A eleição de pessoas ocorre somente em união com Jesus Cristo. Deus nos elegeu em Cristo para a salvação (Ef 1.4) e, o próprio Cristo é o primeiro de todos os eleitos de Deus: “Eis aqui o meu servo, que escolhi” (Mt 12.18; cf. Is 42.1,6; 1Pe 2.4). Ninguém é eleito sem estar unido a Cristo pela fé, pois esta eleição é feita em Cristo (Ef 1.7). O propósito de Deus, já antes da criação era ter um povo para si mediante a morte redentora de Cristo na cruz. Sendo assim, a eleição é fundamentada na morte sacrificial de Cristo, no Calvário (At 20.28; Rm 3.24-26) (STAMPS, 1995, p. 1808).
  • A eleição é corporativa. Os eleitos são chamados “o seu corpo” (Ef 1.23; 4.12), “minha igreja” (Mt 16.18), o “povo adquirido” por Deus (1Pe 2.9) e a “noiva de Cristo” (Ap 21.9). Logo, a eleição é coletiva (Ef 1.4,5, 7, 9; 1Pe 1.1; 2.9), somente à medida que este indivíduo se identifica e se une ao corpo de Cristo, a igreja verdadeira (Ef 1.22,23). É uma eleição como a de Israel no AT (Dt 29.18-21; 2Rs 21.14). O cumprimento desse propósito para o crente como indivíduo dentro da igreja é condicional. Cristo nos apresentará “santos e irrepreensíveis diante dele” (Ef 1.4), somente se continuarmos na fé. A Bíblia mostra isso claramente (Cl 1.22,23) (STAMPS, 1995, p. 1808).
  • A eleição é universal. Segundo a doutrina da predestinação fatalista, Jesus morreu somente por aqueles que o Pai já havia predestinado desde a fundação do mundo. No entanto, a Bíblia afirma sem deixar dúvidas, que Cristo morreu por todos (At 17.30; Rm 5.18; 1Tm 2.4-6; 2Pd 3.9; Hb 2.9; 1Jo 2.2; Jo 3.16,17; Tt 2.11). Isto torna-se uma realidade para cada pessoa consoante seu prévio arrependimento e fé, ao aceitar o dom da salvação em Cristo (Ef 2.8; 3.17; At 20.21; Rm 1.16; 4.16). Mediante a fé, o Espírito Santo admite o crente ao corpo eleito de Cristo (a igreja) (1Co 12.13), e assim ele torna-se um dos eleitos. Daí, tanto Deus quanto o homem têm responsabilidade na eleição (Rm 8.29; 2Pe 1.1-11). A Bíblia afirma categoricamente que Deus não faz acepção de pessoas, e deseja que todos sejam salvos (At17.30; Rm 2.11; 2 Pd 3.9; 1Tm 2.4; Jo 3.16; Mc 16.15) (STAMPS, 1995, p. 1808).

CONCLUSÃO

Concluímos que o livre-arbítrio é o poder que temos de tomar uma decisão, sem sermos obrigados a escolher uma determinada opção por interferência externa. Também entendemos que por causa do livre-arbítrio, cada pessoa é responsável por suas ações e responderão diante de Deus por suas escolhas livres.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • DANIEL, Silas. Arminianismo e a mecânica da salvação.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.
  • HORTON, S. Teologia Sistemática.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

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A necessidade de termos uma vida santa

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 09 – A NECESSIDADE DE TERMOS UMA VIDA SANTA – (1 Pe 1.13-22)

INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos à luz da Bíblia, a definição e conceito da doutrina da santidade; destacaremos a necessidade de vivermos uma vida santa como verdadeiros servos de Deus; pontuaremos também algumas motivações bíblicas para viver em santidade; e finalmente, algumas características de uma vida santa.

  1. I – A SANTIDADE À LUZ DA BÍBLIA
    1. Definição do termo. O substantivo “qodesh”, que se traduz como “santidade”, bem como a palavra grega “hagiosyne”, significam basicamente: “estado de separação do que é comum ou impuro; é a característica do que é consagrado exclusivamente a Deus” (Lv 20.24-26; At 6.13; 21.28; 1 Ts 13) (WYCLIFFE, 2012, p. 1760 – acréscimo nosso). Segundo Jones (2015, p. 76): o substantivo “qodesh” é usado como raiz das demais formas, incluindo a forma verbal, “qodash”, normalmente traduzida por “ser santo”, “santificar” ou “consagrar”. Santidade e o adjetivo santo ocorrem mais de 900 vezes na Bíblia (TYNDALE, 2015, p. 1656), ficando clara a importância dada pelas Escrituras a tal doutrina.
    2. O Conceito de santidade. O princípio de separação no AT é aplicado em termos gerais, a Deus (Lv 19.2), a objetos (Êx 30.28,29; 40.9), e a pessoas (Lv 8.12; Nm 6.1-11). Deus separou os israelitas para serem uma nação santa (Lv 20.26; Dt 7.6; Dt 14.2). Esse chamado à santidade se fundamentava no fato de agora terem se tornado possessão de Deus, que é santo, e por isso os israelitas deviam estar separados de tudo aquilo que é profano ou comum, tudo o que contamina (SOARES, 2017, p. 117). De acordo com Andrade (2006, p. 326), santidade nas Escrituras tem dois sentidos básicos: “separação do mal e do pecado; e ainda, a dedicação completa ao serviço do Reino de Deus” . Basicamente, santidade é um “corte” ou seja, a “separação” daquilo que é impuro e uma consagração ao que é puro (TYNDALE, 2015, p. 1656). Viver em santidade é uma necessidade para quem quer viver separado da corrupção do pecado e deseja viver única e exclusivamente para Deus, como o fez o apóstolo Paulo (At 27.23).
  2. II  – A NECESSIDADE DE UMA VIDA SANTA A Bíblia mostra claramente a necessidade de vivermos uma vida santa por meio de várias exortações  (Rm 13.13,14; Ef 4.17-24; Fp 4.8,9; Cl 3.5-10). No processo da santificação progressiva o homem não é de todo passivo como na regeneração, antes, os cristãos recebem a ordem de mortificar os desejos da carne (Rm 8.13), nesse texto, Paulo indica que é pelo Espírito que fazemos isso, porém, diz que a atitude é nossa (Cl 3.5). A responsabilidade do crente quanto à santificação, é destacada pelo escritor aos Hebreus (Hb 12.14-a), ao usar o termo “segui”, do grego “dioko”, que significa: “perseguir, pressionar, correr após, esforçar-se por”, palavra usada figuradamente para indicar uma busca moral e espiritual bem definida, tendo um alvo em vista (CHAMPLIN, 2002, p. 647). Sobretudo, a necessidade de uma vida santa é vista ao afirmar que: “[…] sem a santificação ninguém verá ao Senhor” (Hb 12.14-b), ficando claro que os que se moldam às paixões da carne e do mundo, tornam-se reprováveis diante de Deus, não podendo está em sua presença (Sl 15.1-5; 24.1-3; Mt 5.8; Gl 5.19-21; Ap 21.8; 22.14,15). A vontade de Deus tem sido sempre de que seus filhos reflitam seu caráter (Tt 2.14), revelando sua identificação com Cristo (Rm 8.29-30; 2 Co 3.18; 7.1; Gl 4.19; Ef 1.4; 2.10; 4.13; 1 Ts 3.13; 4.3,7; 5.23).
  3. III  – A ABRANGÊNCIA DA SANTIDADE Para um cristão cuja vida é consagrada a Deus, a divisão entre “secular” e “sagrado”, em certo sentido não são duas coisas diferentes. Ao viver para a glória de Deus, a vida do servo de Deus em todos os aspectos deve ser marcada pela santidade, como exorta o apóstolo Pedro: “[…] em toda a vossa maneira de viver” (1 Pd 1.15; ver Sl 103.1; 1 Ts 5.23). Nenhum aspecto da nossa vida está excluído desse imperativo divino, até mesmo atividades comuns, como comer e beber, devem ser realizadas para a glória de Deus, como afirma o Apóstolo Paulo: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1 Co 10.31). Semelhantemente o apóstolo Paulo nos encoraja a nos manter puros no corpo e no espírito (2 Co 7.1; ver 1 Co 7.34). Sendo assim, nosso procedimento deve resplandecer o caráter de Deus, a santidade daquele que nos chamou por Seu Filho para a salvação (Rm 8.29; Ef 1.4) (LOPES, 2012, p.  50 – acréscimo nosso).
  4. IV  – MOTIVAÇÕES PARA UMA VIDA SANTA
    1. A santidade de Deus (1 Pd 1.16). Santidade tanto no AT como no NT, é atributo que no seu sentido mais elevado e absoluto, se aplica a Deus. O Senhor é descrito como “o Santo de Israel”. Esse título aparece cerca de vinte e quatro vezes no livro do profeta Isaías (Is 10.20; 12.6; 17.7; 29.19; 30.11,12,15; 31.1; etc), aparecendo também em outras partes das Escrituras (2 Rs 19.22; Jó 6.10; Sl 71.22; 78.41; 89.18; Pv 9.10; 30.3; Jr 50.29; 51.5; Ez 39.7; Hc 1.12; 3.3), tal título indica entre outras coisas, o fato de Deus estar separado da criação e de estar elevado acima da mesma (At 24,25), como também alude ao contraste com os deuses falsos (Êx 15.11). Santidade é expressamente atribuída nas Escrituras, a cada pessoa da Trindade, ao Pai (Jo 17.11), ao Filho (At 4.30), e ao Espírito Santo (Sl 51.11; Is 63.10; Jo 14.26). O Senhor nos chamou para si, e uma vez que ele é Santo (Lv 11.44; Is 6.3; 1 Pd 1.15,16), devemos ser santos: “Como também nos elegeu nele [em Cristo] antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef 1.14).
    2. A Salvação em Cristo Jesus (1 Pd 1.14,15). O apóstolo Pedro lembra a seus leitores de como eles viviam antes de crerem em Cristo: “[…] não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância(1 Pd 14) e destaca o que eles passaram a ser pela revelação da graça divina em suas vidas (1 Pd 1.13), por meio da fé em Deus (1 Pd 1.21), como Pedro declara (1 Pd 2.9,10). O fato de terem sido resgatados da vã maneira de viver (1 Pd 1.18), pelo precioso, imaculado e incontaminado sangue do Cordeiro, Jesus Cristo (1 Pd 1.18,19), tendo a purificação e regeneração pela ação do Espirito Santo por meio da Palavra (1 Pd 1.22,23). Portanto, a exigência divina é: “[…] como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos […]” (1 Pd 1.15). Lembrando ainda que: a santidade não é o meio para se obter a salvação, mas, podemos afirmar que é a consequência dela.
    3. Característica do autêntico filho de Deus (1 Pd 1.17). A santidade é a marca característica de um verdadeiro servo de Deus, tanto no AT, pois, o caráter santo de Deus deveria ser refletido na vida de Israel (Lv 11.44; Nm 15.40), como no NT, onde nos é dito que a nossa santificação é a vontade direta e perfeita de Deus para nós (1 Ts 3). A afirmativa bíblica é que os salvos são filhos de Deus (Rm 8.16), sendo assim, temos aqui um argumento lógico e simples, os filhos herdam a natureza dos pais, logo, sendo Deus Santo, como seus filhos, devemos ter uma vida santa. Somos participantes da natureza divina e devemos revelar essa natureza em uma vida piedosa (2 Pd 1.4).
  5. V – CARACTERÍSTICAS DE UMA VIDA SANTAO sangue de Cristo (Hb 10.10,14; 13.12; 1Jo 1.7), o Espírito Santo (1 Co 6.11; 2 Ts 2.13; 1 Pd 1.1,2; Rm 15.16) e a Palavra de Deus (Sl 119.9; Jo 17.17; 15.3; Ef 5.26; Tg 1.23-25; 1 Pd 1.23), segundo Pearlman (2009, pp. 255,256 – acréscimo nosso), são meios divinamente estabelecidos para a santificação do homem, interna e externamente, demonstrada por algumas características, entre as quais, destacamos:
    1. Desprendimento (1 Pd 1.13-a). Os povos do oriente usavam túnicas longas, e quando desejavam andar mais rápido ou sem impedimento, prendiam a túnica com um cinto (Êx 12.11). A imagem é a de um homem que prende as pontas do manto a seu cinto, ficando livre, assim, para Aos que desejam viver uma vida piedosa, devem se abster de tudo que sirva de atrapalho em sua caminhada: “[…] deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta” (Hb 12.1), evitando qualquer distração que impeça a sua conduta (2 Tm 2.4), ocupando a mente com o que de fato é puro (Fp 4.8).
    2. Obediência e reverência (1 Pd 1.14,17). Antes da conversão a Cristo o homem por natureza, é filho da desobediência (Ef 2.2). O apóstolo Pedro ressalta que agora, após a experiência da salvação, não podemos mais viver nas práticas do passado que determinavam o nosso modelo de vida (1 Pd 1.14,15), “não vos amoldeis” significa não entrar no esquema, no modelo. Originalmente, a palavra significava assumir a forma de alguma coisa, a partir de um molde de encaixe, os cristãos são chamados a “mudar de forma”, e a assumir o padrão de Deus (Rm 12.2), vivendo respectivamente de maneira reverente, ou seja, tendo a atitude de quem fala cada palavra, cumpre cada ação e vive cada momento consciente de Deus tendo consciência de que nossas atitudes serão julgadas pelo justo juiz (Dt 17; Rm 2.11; 1 Pd 4.17).
    3. Amor sincero (1 Pd 1.22). A vida santa também tem como marca a prática do amor sincero, e isto Pedro afirma como resultado da regeneração: “[…] amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente, pois fostes regenerados […]” (1 Pd 1.22,23 – ARA). Esse amor esperado é o que evidencia que passamos da morte para a vida (1 Jo 3.14), e caracteriza o verdadeiro discípulo de Jesus (Jo 13.35; ver Rm 12.9; 1 Jo 3.18). O amor é a marca do cristão, pois é a evidência mais eloquente da nossa salvação (LOPES, 2012, p. 58).

CONCLUSÃO

A Palavra de Deus, como regra de fé e prática do cristão, descreve os princípios divinos que direcionam e guiam a vida do verdadeiro servo de Deus, independente de sua cultura, status social e época. Para os que desejam agradar a Deus, devem entender a necessidade de ter como estilo de vida, a santidade.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • JONES, O Deus de Israel: na teologia do Antigo Testamento. HAGNOS.
  • LOPES, Hernandes Comentário Expositivo 1 Pedro: Com os pés no vale e o coração no céu. HAGNOS.
  • PEARLMAN, Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. VIDA.
  • WYCLIFFE. Dicionário Bíblico. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

A Santíssima Trindade: Um só Deus em três pessoas

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 03 – A SANTÍSSIMA TRINDADE: UM SÓ DEUS EM TRÊS PESSOAS  (1 Co 12.4-6; 2 Co 13.13)

INTRODUÇÃO

Nesta lição aprenderemos sobre a conhecida doutrina da Trindade; destacaremos também o conceito desse ensino à luz da Bíblia; pontuaremos as bases dessa doutrina a partir do AT e NT; e por fim, ressaltaremos atributos divinos em cada pessoa da Trindade.

I  – DEFININDO O TERMO TRINDADE

A palavra Trindade em si não ocorre na Bíblia, essa expressão é teológica usada para descrever na perspectiva humana a divindade. Sua forma grega “trias”, parece ter sido usada primeiro por Teófilo de Antioquia (181 d.C.), e sua forma latina “trinitas”, por Tertuliano (220 d.C.). Entretanto, a crença na Trindade é muito mais antiga que isso como será visto mais à frente (THIESSEN, 2006, p. 87 – acréscimo nosso).

II  – O CONCEITO BÍBLICO DA TRINDADE

Segundo Andrade, Trindade é: “Doutrina segundo a qual a Divindade, embora una em sua essência, subsiste nas Pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo. As Três Pessoas são iguais na substância e nos atributos absolutos, metafísicos e morais” (2006, p. 349). Sobre esta doutrina podemos ainda fazer algumas considerações:

  1. Não contradiz a unidade de Deus. As Escrituras ensinam que Deus é um (Dt 4.35; 6.4; Is 37.16), contudo, a unidade divina é uma unidade composta de três pessoas, que são: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo (Mt 19; 1 Co 12.4- 6), que cooperam unidos em um mesmo propósito, onde não existe nenhum tipo de hierarquia ou superioridade entre eles; não se tratando também de três deuses (triteísmo) e nem três modos ou máscaras de manifestações divinas (unicismo), antes, são três pessoas, mas um só Deus. “Eu e o Pai somos um(Jo 10.30), “[…] se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (Jo 14.23).
  2. Não é invenção humana. Uma das objeções à doutrina da Trindade é que teria sido produzida pela mente humana, que é de origem pagã e foi imposta por um imperador pagão (Constantino) no Concílio de Nicéia em 325 d.C., que supostamente teria se tornado cristão, estabelecendo o Cristianismo como religião oficial do império. De acordo com Soares: “Esses argumentos das organizações contrárias à fé trinitária são falsos. O Concílio de Nicéia não tratou da Trindade; a controvérsia foi em torno da identidade Jesus de Nazaré”. A Trindade é uma doutrina com sólidos fundamentos bíblicos e, mesmo sem conhecer essa terminologia, os cristãos do período apostólico reconheciam essa verdade ( 2 Co 13.13; Ef 1.1-14; 1 Pd 1.2) (2017, pp. 37, 50).
  3. Não é irracional. A doutrina da unidade composta não é incoerente (Gn 2.24; 1 Co 6.17), ainda que seja chamada de um mistério porque vai além da razão, mas não é contra a razão, como foi dito acertadamente: “É conhecida apenas pela revelação divina, portanto não é assunto da teologia natural, mas da revelação” (GEISLER apude SOARES, 2017, 36). Sobre a possibilidade de entendermos a doutrina da Trindade, Grudem afirma: “[…] não é correto dizer que não podemos de forma alguma entender a doutrina da Trindade. Certamente podemos compreender e saber que Deus é três pessoas, que cada uma delas é plenamente Deus e que há somente um Deus. Podemos saber essas coisas porque a Bíblia as ensina” (2007, p. 126 – grifo nosso).

III – A SANTÍSSIMA TRINDADE NO ANTIGO TESTAMENTO

Embora a doutrina da Trindade não se encontre de forma desenvolvida no AT, acha-se implícita na revelação divina desde o início (DOUGLAS, 2006, p. 1356). Uma boa justificativa para que tal doutrina não seja claramente ensinada no AT, é dada por Pearlman (2009, p. 80) quando afirma: “num mundo em que o culto de muitos deuses era comum, tornava-se necessário acentuar para Israel a verdade de que Deus é um e que não havia outro além dele. Se no princípio a doutrina da Trindade fosse ensinada diretamente, ela poderia não ser bem compreendida nem bem interpretada”. Ainda que implicitamente no AT pode ser visto indícios dessa doutrina. Vejamos alguns exemplos:

  1. Na criação do Universo. Se levarmos em conta que a palavra hebraica “Elohim” (Gn 1.1) é um substantivo plural, concluiremos: a Santíssima Trindade encontrava-se ativa na criação do universo. Por conseguinte, quando a Bíblia afirma que no princípio Deus criou os céus e a terra, atesta: no ato da criação, estiveram presentes Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. O Pai criou o universo por intermédio do Filho (Jo 1.3), enquanto o Espírito Santo transmitia vida a tudo quanto era criado (Gn 1.2).
  2. Na aparição do Anjo do Senhor. A manifestação no Antigo Testamento do “Anjo do Senhor” (ou de Yahweh), é uma forte evidência a respeito da Trindade. “Vemos que esse Anjo, dependendo do contexto, não apenas se identifica com o próprio Senhor, como também é assim identificado por outros” (GUSTAVO, 2014, p. 22 – acréscimo nosso). Dentre tantas aparições destacamos ainda (Gn 16.9,13; 22.11,15,16; 31.11,13; Êx 3.2,4,6; Jz 13.20-22; Ml 3.1). Sendo sua identificação como divino ressaltada, por aceitar adoração que é destinada a Deus (Êx 3.2,4,5; Jz 13.21,22) (LANGSTON, 2007, p. 114).
  3. Na expectativa messiânica. A expectativa messiânica, que sempre foi um fator de consolação à alma hebreia, também revela a presença da Santíssima Trindade no AT (Sl 110.1,4). Em ambas as passagens, o autor sagrado, inspirado pelo Espírito Santo, mostra o Pai referindo-se ao Filho – Jesus Cristo (Mc 12.36; Hb 5.6). Um trecho que mostra, de maneira explícita e clara, a presença da Santíssima Trindade no AT é Daniel 7.13-14. Podemos ainda pontuar algumas passagens alusivas a referências proféticas sobre o Messias: “E, agora o Soberano, o SENHOR, me [o Messias] enviou, com seu Espírito” (Is 48.16). “O Espírito do Soberano, o SENHOR, está sobre mim [o Messias], porque o SENHOR ungiu-me para levar boas notícias aos pobres” (Is 61.1 ver Lc 4.18-21). Embora essas passagens não retratem especificamente um Deus em três pessoas, apontam nessa direção (RODMAN, 2011, p. 73).
  4. Na pluralidade de pessoas na Divindade. Já no Livro do Gênesis existe a indicação da pluralidade de pessoas no próprio Deus (Gn 1.1; 3.22; 11.7), podemos ainda encontrar uma série de passagens além dessas, que apontam para a mesma verdade (Is 6.8; 63.10), textos em que uma pessoa é chamada “Deus ou Senhor”, e ela se distingue de outra pessoa que também é identificada como “Deus” (Sl 45.6,7). De modo semelhante o salmista registra: Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés” (Sl 110.1). Jesus atesta que Davi está se referindo a duas pessoas separadas chamando-as “Senhor” (Mt 22.41-46), mas quem é o Senhor de Davi se não o próprio Deus? Da perspectiva do NT, podemos parafrasear esse versículo do seguinte modo: “Deus Pai disse a Deus Filho: Assenta-te à minha direita”. Diante disso, mesmo sem o ensino do Novo Testamento sobre a Trindade, fica claro que Davi estava consciente da pluralidade de pessoas em Deus (GRUDEM, 2007, 110).

IV – A SANTÍSSIMA TRINDADE NO NOVO TESTAMENTO

É  no  Novo  Testamento  que  encontramos  as  mais  claras  e  explícitas  manifestações  da  Santíssima Trindade. Notemos alguns registros onde se evidencia tão importante doutrina:

  1. No batismo e ministério de Jesus. Nessa clássica manifestação da Trindade (Mt 3.16,17), vemos uma das Pessoas (o Filho) submeter-se ao batismo, o Espírito Santo descer como pomba sobre Ele, e a Pessoa do Pai declarar o seu amor a Cristo atestando sua filiação. No monte da transfiguração vemos com clareza mais uma vez a pluralidade de pessoas (Mt 17.5; Mc 9.7,8).
  2. Na ascensão de Jesus. Já prestes a ser assunto ao céu, o Senhor Jesus Cristo, ao dar últimas instruções aos discípulos, declarou: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo(Mt 28.19). Pode ainda restar mais alguma dúvida acerca da Trindade?
  3. Na vida da Igreja Primitiva. Nos Atos dos Apóstolos, a Santíssima Trindade aparece operando ativamente, desde os primeiros versículos (At 1.1,2). Nesse livro, encontramos a Trindade na proclamação do Evangelho (At 5.32; At 10.38); no testemunho eficaz da fé cristã (At 7.55); no chamamento de obreiros (At 9.17); no Concílio de Jerusalém (At 15.1-35). Nas epístolas (Rm 14.17; 15.16; 2 Co 13.13; Ef 4.30; Hb 2.3,4; 2 Pd 1.16-21; 1 Jo 5.7) e também no livro do Apocalipse (Ap 1.1,2; 8,11).

V – ATRIBUTOS DIVINOS NAS PESSOAS DA TRINDADE

A Bíblia categoricamente específica que todas as pessoas da Trindade possuem a mesma essência possuindo os mesmos atributos. Vejamos alguns:

Atributos

Pai Filho Espírito Santo

Eternidade

Sl 90.2 Cl 1.17

Hb 9.14

Onipotência

Gn 17.1 Mt 28.18

1 Co 12.11

Onipresença

Jr 23.24 Mt 28.19

Sl 139.7

Onisciência

1 Jo 5.20 Jo 21.17

1 Co 2.10

Criador Gn 1.1 Jo 1.3,10

Jó 33.4

CONCLUSÃO

A doutrina da Santíssima Trindade é puramente bíblica, embora seja um mistério jamais será uma contradição. Como alguém sabiamente disse: “Se tentássemos entender Deus por completo, podemos perder a razão [mente], mas se não acreditarmos sinceramente na Trindade perderemos nossa alma!” (RAVI; GEISLER, 2014, p. 28).

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor Correia de. Dicionário Teológico.
  • GUSTAVO, Walber; GOMES, Leonardo. Doutrina da Trindade: desenvolvimento bíblico e histórico.
  • GRUDEM, Manual de Doutrinas Cristãs: Teologia Sistemática ao alcance de todos. VIDA.
  • LANGSTON, A.b. Esboço de Teologia Sistemática.
  • PERLMAN, Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. VIDA.
  • RAVI Zacharias; GEISLER, Norman. Quem criou Deus? REFLEXÃO.
  • THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

A nova vida em Cristo

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2º TRIMESTRE 2016

MARAVILHOSA GRAÇA

O evangelho de Jesus Cristo revelado na carta aos romanos

COMENTARISTA: Pr. Jose Gonçalves

LIÇÃO 09 – A NOVA VIDA EM CRISTO – (Rm 12.1-12)

INTRODUÇÃO

A partir do capítulo 12 da Epístola aos Romanos, Paulo passa de uma exposição doutrinária para uma exposição prática, a fim de transformar a doutrina cristã em ação. Quando uma pessoa é alcançada pelo poder do evangelho, ela deve ter uma vida consagrada diante de Deus; e, como consequência seu relacionamento diante do mundo, da igreja e dos seus opositores devem ser condizentes com a nova vida em Cristo.

I – A POSTURA DO CRISTÃO EM RELAÇÃO A DEUS

O apóstolo roga aos cristãos romanos que se consagrem ao Senhor, apoiando o seu pedido no amor que Ele tem por nós. Paulo utiliza-se aqui da linguagem do “sacrifício” remetendo-nos ao AT. Em Levítico, são listados quatro tipos de sacrifícios (Lv 1.3-17; 2.1-16; 3.1-17; 4.1-5; 5.14-16). Todos estes sacrifícios podem ser reduzidos a somente dois: (a) o primeiro, abrangendo aqueles sacrifícios oferecidos antes da reconciliação e os que visavam obtê-la; e, (b) o segundo, os sacrifícios oferecidos depois da reconciliação e para celebrá-la. Isto aponta para uma verdade bem clara no NT. O sacrifício pelo pecado foi efetuado por Cristo (Gl 1.4; 2.20; Ef 5.2,25; I Tm 2.6; Tt 2.14; Hb 9.14); o sacrifício por gratidão pela absolvição é feita pelo pecador redimido. “O sacrifício da expiação oferecido por Deus na pessoa do seu Filho agora deveria encontrar a sua resposta no crente no sacrifício de uma completa consagração e de uma íntima comunhão” (BEACON apud GODET, 2006, p. 158).

  • O cristão a oferta de gratidão (Rm 12.1). Paulo apela aos cristãos Romanos, que tenham a consciência que, antes seus corpos que eram servos do pecado para a morte, agora, que foram comprados por Cristo, devem ser consagrados a Ele “[…]apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” . “O termo grego para apresentar usado por Paulo em Romanos 12 é ‘parastesai’. Em Rm 6.13,16,19, ele é traduzido como entregar e também apresentar, e é usado para expressar a ideia de colocar o corpo à disposição de Deus ou do pecado dependendo da nossa escolha (2 Co 4.14; 11.2; Ef 5.27; Cl 1.22, 28)” (BEACON, 2006, p. 159 – acréscimo nosso).

ASPECTOS DO SACRIFÍCIO DO CRENTE

DEFINIÇÃO E EXPLICAÇÃO

Vivo

O sacrifício do corpo do cristão é descrito como “vivo” em contraste com os sacrifícios realizados na Antiga Aliança cuja vida era tirada antes de ser apresentada sobre o altar (Lv 1.5-9). Antes da nossa conversão oferecíamos os membros do nosso corpo ao pecado (Rm 6.12-14). Agora, na Nova Aliança, oferecemos nosso corpo como sacrifício vivo a Deus (Rm 12.13-b).

Santo

A palavra “santo” quer dizer “separado”. Em suas epístolas, o apóstolo Paulo sempre exortou as igrejas sobre a necessidade e o dever de terem uma vida santificada, ou seja, separada do pecado e consagrada a Deus (Rm 6.19,22; 12.1; I Co 1.30; 6.11; I Ts 4.3-7; II Ts 2.13; I Tm 2.15; II Tm 2.21).

Agradável

Segundo Aurélio (2004, p. 71) a palavra “agradável” quer dizer: “aprazível, deleitável”. A Bíblia nos orienta a agradarmos a Deus (Ef 5.10; Cl 1.10; I Ts 4.1; II Tm 2.4). “Nenhum culto é agradável a Deus quando é unicamente interior, abstrato e místico; nossa adoração deve expressar-se em atos concretos de serviço manifestados em nosso corpo” (LOPES apud STOTT, 2010, p. 399). Confira: (Mt 5.16; Hb 13.16).

II – A POSTURA DO CRISTÃO EM RELAÇÃO AO MUNDO

Depois de rogar aos cristãos de Roma sobre qual deveria ser a postura do servo de Deus diante dEle (Rm 12.1). Paulo orienta-os também quanto ao procedimento destes diante do mundo (Rm 12.2). Para o apóstolo, não bastava ser consagrado a Deus, senão houvesse demonstração pública desta consagração. Precisamos manifestar a fé que abraçamos diante do mundo. Mas, segundo Paulo, qual deveria ser a postura do cristão diante desta era:

2.1 O cristão não deve conformar-se (Rm 12.2-a). A palavra “conformar” segundo o Aurélio (2004, p.522) significa: “adequar, moldar”. Segundo a Bíblia de Palavra Chave (2009, p. 2416) a palavra conformar no grego “syschematidzo” significa: “moldar de modo semelhante, isto é, em conformidade com o mesmo padrão”. O apóstolo está exortando aos cristãos romanos a não se ajustarem ao modo corrupto de viver do mundo. O termo mundo aqui refere-se ao mundo dos homens em rebelião contra Deus, e assim caracterizado por tudo o que está em oposição a Ele. Envolve os valores do mundo, seus prazeres, suas atividades e aspirações. “O mundo tem uma fôrma. Essa fôrma é elástica e flácida. A fôrma do mundo é a fôrma do relativismo moral, da ética situacional e do desbarrancamento da virtude. O crente é alguém que não põe o pé nessa fôrma” (LOPES, 2010, p. 401).

2.2 O cristão deve transformar-se (Rm 12.2-b). A Bíblia não só mostra o que devemos evitar “não vos conformeis”, mas o que devemos praticar “mas, transformai-vos”. A palavra “transformar” segundo Aurélio (2004, p. 3338) significa: “dar nova forma, feição ou caráter”. Segundo a Bíblia de Palavra Chave (2009, p. 2416) a palavra transformar no grego “metamorphoõ” significa: “mudar, transfigurar, transformar”. A ideia do apóstolo é que ao invés de nos moldarmos ao mundo, devemos nos transformar pela renovação da mente. Enquanto o diabo age cegando a mente dos incrédulos (II Co 4.4) e o pecado obscurecendo (Ef 4.18). O Espírito Santo age renovando o entendimento (Rm 12.2).

III – A POSTURA DO CRISTÃO EM RELAÇÃO A IGREJA

Quando um homem é transformado pela ação do evangelho seus relacionamento são também transformados. Segundo Lopes (2010, p. 398) “não podemos ter um relacionamento vertical correto se os relacionamentos horizontais estão errados”. Paulo diz como deve ser o comportamento dos salvos entre si, como veremos abaixo:

3.1 Humildade (Rm 12.3). Segundo Aurélio, humildade significa: ausência completa de orgulho, rebaixamento voluntário por um sentimento de fraqueza ou respeito”. No presente versículo Paulo orienta os cristãos a serem humildes, combatendo abertamente o sentimento nocivo de complexo da superioridade “não pense de si mesmo além do que convém”. O próprio apóstolo diz que o que ele possui é pela graça “Porque pela graça que me é dada”. A humildade está associada a uma consciência de que tudo que temos ou somos vem do Senhor (Sl 24.1; I Cr 29.14). Por isso, a Bíblia nos exorta a trilhar o caminho da humildade (Pv 15.33; 18.12; 22.4; Ef 4.2; Fp 2.3; Cl 3.12; I Pe 5.5).

3.2 Equilíbrio (Rm 12.3; 4-8). Paulo aconselha os cristãos a serem equilibrados no conceito que tem de si mesmos “antes, pense com moderação”, combatendo tanto o complexo de superioridade quanto de inferioridade quando mostra que, embora tenhamos diferentes dons, cada membro tem a sua importância no corpo de Cristo (Rm 12.4,5). Se faz necessário entender que pertencemos uns aos outros, ministramos uns aos outros e precisamos uns dos outros. Pois, no corpo de Cristo há: (a) individualidade (Rm 12.5); (b) diversidade (Rm 12.4-6-a); (c) mutualidade (Rm 12.5); e, (e) utilidade (Rm 12.6-b; 8). “Os dons espirituais são instrumentos que devem ser usados para a edificação, não brinquedos para a recreação nem armas de destruição” (LOPES apud WIERSBE, 2010, p. 402).

3.3 Amor (Rm 12.9-10). O amor é uma virtude que predispõe alguém desejar o bem de outrem. É a palavra que representa o Cristianismo (Jo 13.35). É uma das virtudes do fruto do Espírito (Gl 5.22). Portanto, deve estar presente em nosso relacionamento com Deus e com o nosso próximo (Lc 10.27; Rm 13.9; Gl 5.14), como evidência de que o Espírito Santo está em nós (Rm 5.5).

3.4 Hospitalidade (Rm 10.13). O Aurélio diz que a palavra hospitaleiro “é a pessoa que dá hospedagem por bondade ou caridade”. As Escrituras revelam que a hospitalidade deve se estender aos crentes e também aqueles que ainda estão no mundo (Gl 6.10; Hb 13.2). “A hospitalidade é o amor expressado” (ZUCK, 2008, p. 402). Portanto, quem afirma ser cristão, mas tem o coração insensível diante do sofrimento e da necessidade dos outros, demonstra cabalmente que não tem o amor de Deus (Mt 25.41-46; I Jo 3.16-20).

IV – A POSTURA DO CRISTÃO EM RELAÇÃO AOS INIMIGOS

Seguindo o mesmo ensinamento do Senhor Jesus Cristo, Paulo ensina que o evangelho produz uma transformação tão grande na vida do pecador, ao ponto de orientá-lo a agir diferente até mesmo com os seus opositores (Mt 5.44; Lc 6.27,35; Rm 12.14,17-20). Vejamos detalhadamente o que nos diz o apóstolo:

4.1 Abençoai os que perseguem (Rm 12.14). Os cristãos do primeiro século sofreram grandes perseguições por causa da fé que abraçaram. Parece ser incoerente que Paulo no presente versículo oriente os servos do Senhor a abençoar aqueles que lhe fizeram agravo. Todavia, a orientação é abençoar até mesmo aqueles que nos querem o mal (Mt 5.44).

4.2 A ninguém torneis o mal com o mal (Rm 12.17; 18-20). Jesus ensinou que devemos dar a outra face, ou seja, não retribuirmos as afrontas ou os males que sofremos (Mt 5.39). Pagar o mal com o mal, devolver a agressão na mesma moeda, não expressam a graça de Deus (Mt 5.46,47). O cristão não deve vingar-se porque esta é uma atribuição exclusivamente divina (Rm 12.19). Segundo Lopes (2010, p. 414), “pagar o bem com o mal é demoníaco. Pagar o mal com o mal é retribuição humana. Pagar o mal com o bem é graça divina”.

4.3 Tenham paz com todos quando possível (Rm 12.18). Neste presente versículo vemos que a paz é imperativa, ou seja, a Escritura ordena que no que depender de nós devemos ter paz com todos. Segundo o escritor aos hebreus, essa paz é tão importante quanto a santidade (Hb 12.14).

CONCLUSÃO

Cada cristão deve seguir a recomendação apostólica de Paulo, quanto a entrega do corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Tal devoção deve resultar numa postura consagrada em todas as áreas da nossa vida.

REFERÊNCIAS

  • APLICAÇÃO PESSOAL, Comentário do Novo Testamento. Vol. 02. CPAD.
  • HOWARD, R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon. Vol 08. CPAD.
  • LOPES, Hernandes dias. Comentário Exegético de Romanos. HAGNOS.
  • ZUCK, Roy. Teologia do Novo Testamento. CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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Os benefícios da justificação

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2º TRIMESTRE 2016

MARAVILHOSA GRAÇA

O evangelho de Jesus Cristo revelado na carta aos romanos

COMENTARISTA: Pr. Jose Gonçalves

LIÇÃO 04 – OS BENEFÍCIOS DA JUSTIFICAÇÃO – (Rm 5.1-12)

INTRODUÇÃO

Nesta lição, destacaremos que o ato da justificação concedida por Deus ao homem por meio de Cristo Jesus, trás consigo muitos benefícios, tais como: paz com Deus, acesso a graça, esperança, reconciliação e glorificação. Veremos ainda que por causa de um homem, Adão, todos se fizeram pecadores; todavia, por causa também de um homem, Cristo Jesus, todos poderão ser salvos. Por fim, pontuaremos que a motivação que impulsionou Deus a declarar justo o pecador foi o seu grande e incomparável amor revelado na Pessoa de Seu Bendito Filho.

I – O QUE SIGNIFICA A PALAVRA BENEFÍCIO

Segundo o Aurélio (2004, p. 285) a palavra “benefício” significa: “serviço ou bem que se faz gratuitamente; favor; mercê, graça”. A Bíblia nos mostra que Deus graciosamente dispensa benefícios aos seres humanos, no sentido de prover os meios de subsistência a todos, sem distinção (Mt 5.45; At 17.25). Todavia, dispensa também de forma especial, favores espirituais e eternos, exigindo-lhes fé em seu Bendito Filho Jesus Cristo (Jo 3.16 Rm 5.20).

II – QUAIS OS BENEFÍCIOS DA JUSTIFICAÇÃO

Depois de falar sobre a necessidade da justificação (Rm 1.18; 3.20) e do meio pelo qual fomos justificados (Rm 3.21; 4.25), o apóstolo Paulo descreve os frutos da justificação (Rm 5.1-12), como veremos a seguir:

2.1 Paz com Deus (Rm 5.1). O termo grego para paz é “eirene” que nos dá a ideia de “harmonia”, “acordo”, “descanso” e “quietude”. A paz com Deus só é possível mediante a justificação pela fé. Pois o pecador, em seu estado de pecado, encontra-se em inimizade com Deus, visto que o pecado é uma violação da vontade de Deus (Os 4.1; Tg 4.4). “Ter paz com Deus significa que não há mais hostilidade entre nós e Deus e que o pecado não bloqueia o nosso relacionamento com Ele. Mais do que isso, um novo relacionamento foi estabelecido e assim não mais tememos o resultado do julgamento, mas vivemos sob a proteção estabelecida por Deus” (APLICAÇÃO PESSOAL, 2010, vol. 02, p. 40).

2.2 Acesso a graça (Rm 5.2). Além da paz, Paulo nos diz que em Cristo pela fé temos “acesso a graça”. “No grego a expressão usada por Paulo é “ten prosagogen” que significa “nossa entrada”. A ideia é a entrada na câmera de audiências de um monarca. É bom destacar que não vamos até ali por nossos próprios esforços, mas precisamos de um ‘introdutor’ – que é Cristo” (BEACON, 2006, p. 80 – acréscimo nosso). Diversos textos da Bíblia, nos mostram que a nossa entrada a presença de Deus encontrava-se bloqueada por causa do pecado (Gn 3.22-24; Is 59.2; Rm 3.23). Todavia, justificados por Jesus Cristo, as barreiras foram tiradas, para que tivéssemos acesso a graça de Deus (Ef 2.13; I Pe 2.10). Portanto, “Jesus nos abre as portas à presença do Rei dos reis; e quando essas portas se abrem o que achamos é graça; não condenação, nem juízo, nem vingança, mas a pura, imerecida, incrível bondade de Deus” (BARCLAY, sd, p. 81 – acréscimo nosso).

2.3 Esperança da glória (Rm 5.2-b). No estado de pecado o homem vive sem paz, sem esperança e sem Deus no mundo (Ef 2.12). A Bíblia diz que “a humanidade foi criada para a glória de Deus, mas por causa do pecado, “todos foram destituídos da glória de Deus” (Rm 3.23). É o propósito de Deus recriar a sua imagem e a sua glória de forma completa em nós, de modo que possamos estar firmes; e nos gloriarmos na esperança da glória de Deus” (APLICAÇÃO PESSOAL, 2010, vol. 02, p. 40).

2.4 Salvo da ira (Rm 5.9). A expressão “ira” segundo Vine (2002, p. 723) que dizer: “raiva ardente”, “indignação” e “furor”. Na condição de pecador o homem está sobre a ira de Deus, já no presente (Jo 3.36; Rm 1.18), e irá experimentar desta ira plenamente no futuro, quando todos os pecadores serão julgados e sentenciados a condenação eterna (Rm 2.5,16; Ap 20.11-15). Mas, quando justificado, este pecador remido é salvo desta ira presente e futura, pois para ele já não há mais condenação, visto que este creu que Cristo assumiu a sua culpa quando morreu na cruz (Jo 5.24; I Ts 1.10; Ap 3.10).

2.5 Reconciliação (Rm 5.10,11). No grego a expressão reconciliar “katallage” significa: “restauração à benevolência divina, conciliação” (PALAVRA- CHAVE, 2009, p. 2257). Segundo Champlin (2004, p. 574), a reconciliação “consiste da mudança da relação de hostilidade que existiu entre dois indivíduos, passando eles a serem amigos entre si. Essa relação de hostilidade é alterada para a relação de paz”. Por causa do pecado, o homem quebrou a sua comunhão com Deus (Gn 3.23- 24; Rm 3.23). Porém, apesar de o primeiro Adão ter criado o abismo, o segundo Adão, Cristo, construiu a ponte, nos reconciliando com Deus (II Co 5.18,19; Cl 1.20,21).

2.6 Glorificação (Rm 5.10-a). Paulo ainda diz que uma das bençãos subsequentes a justificação é a glorificação. No plano da salvação, a glorificação é a etapa final a ser atingida por aquele que recebe a Cristo como Salvador e Senhor de sua alma. A glória de Cristo será partilhada plenamente com seus santos no arrebatamento da igreja (I Co 15.53,54; Cl 3.4; I Jo 3.2).

III – AS DIFERENÇAS ENTRE ADÃO E CRISTO

“O contraste entre Adão e Jesus Cristo é que um único ato de Adão determinou a natureza do mundo; um único ato de Cristo determinou a natureza da eternidade. Em terminologia moderna, podemos dizer que Adão foi um protótipo imperfeito, mas Cristo é o original perfeito. Assim como Adão era um representante da humanidade original. Cristo é o representante da nova humanidade espiritual” (APLICAÇÃO PESSOAL, 2010, p. 42). Na tabela abaixo veremos qual o estado ou condição do homem que está em Adão e do que está em Cristo:

ADÃO

CRISTO

Seu nome significa: homem ou humanidade

Seu nome significa: Deus salva

Pecou contra Deus (Gn 3.6; Os 6.7; Rm 5.12-a)

Obedeceu a Deus (Mt 5.17; Fp 2.8; Hb 5.8)

Nos fez pecadores (Rm 5.19-a)

Nos faz justos (Rm 5.19-b)

Prejudicou toda a humanidade (Rm 5.12)

Beneficiou toda a humanidade (Rm 5.12-b; 17-b)

Fomos afastados de Deus (Gn 3.24; Rm 3.23)

Fomos reconciliados com Deus (Rm 5.10-11; II Co 5.18)

Nele morremos (Rm 5.12,15-a; 17-a; 6.23-a)

Nele vivemos (Rm 5.17-b; 6.23-b)

Trouxe a condenação (Rm 5.16-a; 18-a)

Trouxe a salvação (Rm 5.16-b; 18-b)

IV – A GRANDEZA DO AMOR DE DEUS

Após falar da justificação como um ato divino de declarar inocente o culpado, o apóstolo Paulo nos fala sobre o incomparável amor divino, pois este foi a motivação que impulsionou Deus a graciosamente nos conceder graciosamente a salvação. “O amor pode ser definido como o “sentimento que constrange a buscar, desinteressadamente e sacrificialmente, o bem de outrem. O amor é o mais alto e sublime atributo comunicável de Deus. João diz que Deus é amor (I Jo 4.8). Somente o amor seria capaz de predispor a Deus a buscar o bem de uma humanidade corrompida, e que só se ocupava em quebrantar-lhe as leis” (ANDRADE, 2006, p. 42 – acréscimo nosso). Vejamos o que nos diz Paulo sobre isso:

4.1 O amor de Deus foi aplicado (Rm 5.5). O apóstolo Paulo nos ensina que a razão da confiança por parte dos que tem fé é que o amor de Deus esta derramado em nosso coração. Quando a pessoa confia em Cristo e o recebe, ela recebe o Espírito Santo (Rm 8.9), que constantemente a encoraja a manter sua esperança em Deus. “A presença do Espírito Santo em nossa vida nos torna cientes do amor de Deus, e esse amor nos dá esperança inabalável no porvir. Logo, o cristão nunca deve desistir diante do sofrimento, pois Deus certamente cumprira suas promessas” (TOKUMBOH, 2010, p. 1394)

4.2 O amor de Deus foi imerecido (Rm 5.6,7). Paulo nos diz que Deus nos amou quando éramos “fracos” (Rm 5.6-a); “ímpios” (Rm 5.6-b); “pecadores” (Rm 5.8-b); e, “inimigos de Deus” (Rm 5.10), ou seja, não merecíamos tão grande e excelente amor. Paulo diz que é possível que alguém se encoraje a morrer por um justo, ou seja, por um homem íntegro e honesto, um cidadão respeitável e bom, uma pessoa útil ou benevolente. Porém, Cristo morreu por nós, sendo nos ainda pecadores. “Essa é uma demonstração clara do amor de Deus. Ele nos recebe do jeito que estamos e, a partir daí, começa a fazer algo novo e belo” (RADMACHER, 2010, p. 373).

4.3 O amor de Deus foi provado (Rm 5.7,8). Sem sombra de dúvida, a maior revelação do amor Deus para com a humanidade está na Pessoa de Cristo Jesus. Em João 3.16, o Senhor Jesus afirmou isso: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito[…]”. Confira também: (Is 9.6; Mt 20.28; Jo 15.13; Rm 8.32). Jesus veio ao mundo para mostrar qual é e sempre foi a atitude de Deus para com os homens. Ele veio para provar aos homens incontestavelmente que Deus é amor. “A morte de Cristo é a mais alta manifestação do amor de Deus por nós. Embora fôssemos rebeldes e desprezíveis. Cristo morreu por nós para que assim pudéssemos chegar a Deus, ter paz com Ele e nos tornarmos herdeiros de suas promessas. Cristo não morreu para que nos tornássemos pessoas amadas; Cristo morreu porque Deus já nos amava e queria nos levar para junto de si” (APLICAÇÃO PESSOAL, 2010, p. 41).

CONCLUSÃO

Por causa do seu grande amor pela humanidade, Deus enviou Jesus Cristo ao mundo para que, por meio dele, o pecador pudesse ser justificado. Essa justificação trás consigo grandes benefícios espirituais, e sem dúvida, o maior deles é a possibilidade que o homem tem de reatar a sua comunhão com Deus outrora perdida no Éden.

REFERÊNCIAS

  • ADEYEMO, Tokumboh. Comentário Bíblico Africano. CPAD.
  • APLICAÇÃO PESSOAL, Comentário do Novo Testamento. Vol. 02. CPAD.
  • BARCLAY, William. Comentário do Novo Testamento. PDF.
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • CLAUDIONOR, Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
  • HOWARD, R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon. Vol 08. CPAD.
  • LOPES, Hernandes dias. Comentário Exegético de Romanos. HAGNOS.
  • RADMACHER, Earl D. O Novo Comentário Bíblico: Novo Testamento. CENTRAL GOSPEL.

 

Fonte: REDE BRASIL

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Justificação, somente pela fé em Jesus Cristo

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2º TRIMESTRE 2016

MARAVILHOSA GRAÇA

O evangelho de Jesus Cristo revelado na carta aos romanos

COMENTARISTA: Pr. Jose Gonçalves

LIÇÃO 03 – JUSTIFICAÇÃO, SOMENTE PELA FÉ EM JESUS CRISTO (Rm 4.17-22)

INTRODUÇÃO

Nesta lição, traremos a definição da palavra justificação; estudaremos a doutrina da justificação pela fé; analisaremos a insuficiência da Lei para a justificação; pontuaremos Abraão e a doutrina da justificação; e concluiremos vendo os elementos da justificação.

I – DEFINIÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO NA BÍBLIA

O sentido de “justiça” no AT procede de dois termos hebraicos: “tsedeq”, cujo sentido primário é “ser retilíneo”, “ser reto”, “retidão”; e, “mishpat”, traduzido por “justiça” e “juízo” (2Cr 12.6; Ec 12.14; Sl 1.5; Sl 11.7). O NT emprega a palavra “dikaiosyne” para designar os termos “justiça”, “retidão”, “justo”, “reto” e “justificação”. No AT embora o termo “justificar” tenha, às vezes, uma conotação moral ou ética, grande parte de sua ocorrência deixa evidente o aspecto forense (jurídico) do termo, onde uma pessoa é declarada judicialmente justa por ter uma vida coerente com as exigências da Lei (Êx 23.7; Is 5.23; Dt 25.1; Pv 17.15). Já o sentido no NT do termo “justificar” é mais amplo, pois se trata de uma pessoa declarada justa ante o tribunal de Deus, com base na justiça de Cristo (VINE, 2006, p. 733).

II – A DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ

Podemos definir a justificação como um ato judicial de Deus, no qual ele declara, com base na justiça de Cristo, que todas as reivindicações da Lei são satisfeitas com vistas ao pecador (Rm 5.1-10; At 26.18). A justificação traz a absolvição da culpa por sermos declarados justos, e, está claramente associada à expiação dos nossos pecados (Rm 4.25).

2.1 A doutrina da justificação pela fé. A doutrina da justificação pela fé é o cerne da teologia paulina, utilizada especialmente quando em confronto direto com o ensino judaico ou dos judeus cristãos, que defendiam que o homem encontra a graça de Deus quando cumpre a vontade divina por meio da Lei judaica (legalismo). Paulo contra-argumenta que basta ao ser humano ter fé na eficácia do sacrifício de Cristo na cruz para Deus o declarar justo (Gl 1.6,9). A Escritura nos ensina que somos justificados pela fé (At 13.39; Rm 3.26,28,30; 4.3,5; 5.1; Gl 2.16; 3.8) ou mediante a fé (Rm 5.1; Gl 2.16; Fp 3.9), mostrando, assim, que existe uma estreita relação entre a justificação e a fé (GILBERTO, 2004, p.147).

2.2 O aspecto forense da doutrina da justificação pela fé. O termo forense está relacionado ao “sistema e práticas judiciais”. Neste caso, a justificação tem como base a justiça de Cristo. Sendo o homem incapaz de se auto justificar, Deus o justifica. Surge então a questão: como Deus, sendo absolutamente justo, pode justificar o homem injusto e pecador? Paulo responde e deixa claro que Cristo se fez justiça por nós (Rm 3.24-26; 4.5; 1Co 1.30). Portanto, Deus não é injusto ao justificar o injusto, pois o fundamento é a justiça de Cristo e Deus considera a justiça dEle pertencente ao homem.

2.3 Jesus e a doutrina da justificação pela fé. A doutrina da justificação pela fé está presente na mensagem propagada por Jesus, como pode ser constatada em diversas parábolas e também no seu próprio estilo de vida. Paulo apresenta uma compreensão da mensagem de Jesus maior do que qualquer outro autor do NT. Um ensinamento tão crucial como a doutrina da justificação não poderia estar ausente nos ensinamentos do “Mestre dos mestres”, o Senhor Jesus Cristo (Lc 23.43; Lc 18.9-14). O pecador é justificado gratuitamente pela graça de Deus (Rm 3.4) e não há nenhuma possibilidade de justificação pelas obras da lei (Rm 3.28; Gl 2.16; 3.11). A base da justificação só pode ser encontrada na justiça perfeita de Cristo, imputada ao pecador na justificação e apropriada pela fé (Rm 3.24; 5.9,19; 8.1; 10.4; 1Co 1.30; 6.11; Fp 3.9).

III – A INSUFICIÊNCIA DA LEI PARA A JUSTIFICAÇÃO

A justificação é uma providência tomada por Deus de nos declarar justificados em Cristo Jesus para todo o sempre. Éramos pecadores, filhos da ira e condenados. Agora, passamos à posição de filhos de Deus (Jo 1.11-12; Fl. 3.20-21).

3.1 A justiça do homem é como trapo de imundícia. Como poderia um pecador, um ser humano decaído e miserável, sobreviver diante do tribunal de um Deus absolutamente santo e justo? A justiça inerente do homem é insuficiente para a justificação, considerada como trapos de imundícia (Is 64.6; Fp 3.8,9), sendo necessária uma justiça superior que está fora do homem e que lhe seja atribuída. A essência da justificação é de que o homem é perdoado com justiça, entretanto, é preciso entender que tal justiça é alcançada por Cristo por sua perfeita obediência e o sacrifício de si mesmo, sendo posteriormente atribuída ao crente. Essa justificação traz como efeito o perdão, a paz com Deus e a certeza da salvação. As boas obras não são consideradas como causa, mas como consequências da justificação (Rm 5.19; 1Co 1.30; 2Co 5.21).

3.2 A justificação pela fé e a santificação. A justificação pela fé não significa que uma vez justificado, o crente pode fazer o que bem entender. Precisa-se tomar cuidado com algumas afirmações teológicas, como por exemplo, a que ensina que “uma vez salvo, salvo para sempre”. A justificação, como já vimos, é imediata, instantânea. No entanto, uma vez justificado, o crente deve manter sua vida de comunhão com Deus e desenvolver a santificação, que é progressiva. Na verdade, na justificação, Deus realmente remove de nós a culpa pelo pecado, isto é, a sujeição do pecador à punição eterna, mas não a culpabilidade inerente a qualquer pecado que seja praticado (Sl 25.7; 51.5-9).

IV – ABRAÃO E A DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO

Paulo inicia o tema da Justificação em Romanos 1.18 e só o conclui em Romanos 4.25. Estes capítulos incluem: a necessidade da justificação (Rm 1.18-20), o meio da justificação (Rm 3.21-31) e, exemplos da justificação (Rm 4.1-25). O assunto principal dos quatro primeiros capítulos de Romanos é a Revelação da Justiça Salvífica de Deus. A fim de provar a universalidade do pecado (Rm 3.9-20,23), e a necessidade de justificação geral (Rm 3.22) (GILBERTO, 2004, p.148).

4.1 A justificação de Abraão não foi por obras meritórias. Os judaizantes do passado pregavam que a justiça provinha das obras (At 15.1; Gl 2.21). O apóstolo Paulo diz pela inspiração que somos salvos pela fé e não pelas obras (Ef 2.8-10). Paulo retrocede no tempo, para além de Moisés, e toma Abraão como exemplo de fé. Abraão tinha fé em Deus, isto é, cultivava um dedicado e leal relacionamento com seu Deus, cria nas suas promessas (Rm 4.20,21; Gn 12.1-3; 15.5,6) e vivia em obediência ao Senhor (Gn 12.1-4; 22.1-19; Hb 11.8-19; Tg 2.21,22;). A fé de Abraão foi “imputada” por justiça. A expressão “imputar” significa creditar na conta da pessoa. A Escritura nos ensina que somos justificados pela fé (Rm 3.28,30) ou mediante a fé (Rm 5.1; Gl 2.16; Fp 3.9), mostrando, assim, que existe uma estreita relação entre a justificação e a fé.

4.2 A justificação de Abraão não foi por meio da circuncisão. Um dos argumentos mais fortes utilizados pela epístola aos Romanos é da paternidade de Abraão de todos aqueles que creem (Rm 4.9-12). O período em que Abraão foi declarado justo pela sua fé na Palavra de Deus, conforme descrito em Gênesis 15.6, correspondia a uma época bem anterior à sua circuncisão. Se a fé e a justificação de Abraão ocorrem antes da circuncisão, ele também é pai dos gentios, que creem independentes de circuncisão. A lei mosaica foi estabelecida depois da promessa e justificação de Abraão pela fé (430 anos depois). Portanto, não influenciou na justificação. Dessa forma, Abraão foi justificado antes da circuncisão e do estabelecimento da Lei (Rm 4.12; Ef 2.8) (GILBERTO, 2004, p.148).

V – ELEMENTOS DA JUSTIFICAÇÃO

A justificação é uma das mais importantes doutrinas da salvação, pois sem ela não haveria salvação. Tanto o arrependimento como a fé, o perdão e a regeneração conduzem à justificação. Há quatro elementos da obra de justificação que são: (a) a remissão dos pecados; (b) a imputação da justiça de Cristo; (c) a adoção de filhos; e, (d) o direito a vida eterna ao pecador. Vejamos:

5.1 A remissão dos pecados. A remissão dos pecados está baseada na obediência completa e absoluta de Cristo, isto é, em seu perfeito cumprimento da Lei (Sl 32.1; Is 43.25; 44.22; Jr 31.34). O perdão concedido por Deus na justificação aplica-se a todos os pecados, passados, presentes e futuros, e, por isso, envolve a remoção da culpa e de toda a penalidade. Passagens como Romanos 5.21; 8.1,32-34; Hebreus 10.14; Salmos 103.12; Isaías 44.22 nos asseguram que ninguém pode lançar nada na conta da pessoa justificada, que está isenta de condenação e é herdeira da vida eterna.

5.2 A imputação da justiça de Cristo. Na justificação, Cristo não apenas tira de nós a nossa iniquidade, mas também nos nos reveste com a sua própria santidade (At 26.18; Rm 5.1-2; Gl 4.5). A justificação é uma necessidade para que o crente tenha certeza absoluta de que está salvo, seguro, aceito por Deus e para criar uma relação de Pai para filho e filho para Pai entre o crente e Deus. A salvação e a justificação são só pela graça mediante a fé (Rm. 3.20,28; 11.6; Ef. 2.8-9).

5.3 Adoção de filhos. Os crentes são, antes de tudo, filhos de Deus por adoção. Por intermédio dessa adoção, Deus coloca o pecador no estado de filho e passa a tratá-lo como filho. Em virtude de sua adoção, os crentes são inseridos na família de Deus, ficam sob a lei da obediência filial e passam a ter direito a todos os privilégios da filiação. A adoção como filhos e a filiação moral dos crentes andam de mãos dadas. Por um lado, eles são adotados por Deus como filhos. Por outro, eles passam a se comportar como filhos de Deus (Gl 4.4-6).

5.4 O direito à vida eterna. Quando os pecadores são adotados por Deus, eles passam a ter todos os direitos de filhos e, por isso, tornam-se herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (Rm 8.17). Isso significa, antes de tudo, que eles se tornam herdeiros de todas as bênçãos da salvação nesta vida. A justificação é a mudança de posição externa e legal do pecador diante de Deus: de condenado para justificado. Pela justificação passamos a pertencer aos justos (1Co 6.11; Rm 8.30,33b; 5.1; 3.24; G1 2.16).

CONCLUSÃO

Tendo sido justificados pela graça, mediante a fé, experimentamos grandes benefícios de agora em diante: “temos paz com Deus” (Rm 5.1) e estamos “preservados da ira de Deus” (Rm 5.9). Temos a certeza da “glorificação final” (Rm 8.30) e a libertação presente e futura da “condenação” (Rm 8.1,33,34). A justificação nos toma “herdeiros, segundo a esperança da vida eterna” (Tt 3.7).

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
  • GILBERTO, et al. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  • VINE, E. W; et al. Dicionário Vine: o significado exegético e expositivo das palavras do AT e NT. CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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A necessidade universal da salvação em Cristo

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2º TRIMESTRE 2016

MARAVILHOSA GRAÇA

O evangelho de Jesus Cristo revelado na carta aos romanos

COMENTARISTA: Pr. Jose Gonçalves

LIÇÃO 02 – A NECESSIDADE UNIVERSAL DA SALVAÇÃO EM CRISTO (Rm 1.18-20, 25-27; 2.1, 17-21)

INTRODUÇÃO

Dentre tantas promessas descritas nas Escrituras, a promessa da salvação é, semMaravilhosa Graça - mestre dúvidas, uma das mais gloriosas. Isto porque, ela não está restrita ou predestinadas à algumas pessoas, mas sim, para toda a humanidade (Jo 3.16; 1Tm 1.15; 2.3,4; Tt 2.11). Nesta lição, veremos o que significa o termo salvação; estudaremos a universalidade do pecado fazendo uma comparação entre o pecado original e o pessoal; apontaremos esta doutrina quanto ao tempo, ao espaço e as barreiras culturais; debruçaremos sobre os três aspectos da salvação; verificaremos a promessa da salvação tanto no AT como NT; e, finalizaremos observando as suas etapas tanto no lado divino quanto no humano.

I – A UNIVERSALIDADE DO PECADO

Há inequívocas declarações nas Escrituras que indicam a pecaminosidade universal do homem (1Rs 8.46; Sl 14.3; 143.2; Ec 7.20; Rm 3.1-12, 19, 20, 23; Gl 3.22; Tg 3.2; 1Jo 1.8, 10). Várias passagens ensinam que o pecado é uma “herança” do homem desde a hora do seu nascimento, e, portanto, está presente na natureza humana. A Bíblia é muito explícita relativamente à extensão (universalidade) do pecado (Sl 51.5; Jó 14.4; Jo 3.6; Rm 5.12). Em Ef 2.3 diz o apóstolo Paulo que os efésios eram “por natureza” filhos da ira, como também os demais”. Nesta passagem a expressão “por natureza” indica uma coisa inata e original, em distinção daquilo que é adquirido (Is 53.6). Então, o pecado é uma coisa da própria natureza humana, da qual participam todos os homens e que os fazem culpados diante de Deus (Rm 5.12-14), por isso, que todos os homens se acham sob condenação do pecado e necessitam da redenção (BERKHOF, 2000, p. 235).

1.1 O pecado original ou universal. Pecado original não é uma expressão que vamos encontrar na Bíblia, mas é uma expressão teológica (Rm 3.10, 23). Originou-se num ato totalmente livre de Adão como o “representante da raça humana” numa transgressão da Lei de Deus e numa corrupção da natureza humana, tornando-se sujeito à punição de Deus (Rm 5.14- 19). A raça humana fazia parte de Adão em forma de semente; portanto, quando Adão pecou, pecamos nele, pois,“todos os homens nascem por natureza” (Ec 7.20; Sl 51.5; 143.2). O pecado não ficou restrito somente a Adão e Eva, mas estendeu-se a toda a raça humana, é o que chamamos de “culpa herdada” (Rm 5.12). Sendo assim, toda a raça humana passou a ser pecadora por natureza a partir de Adão. Aos olhos de Deus, o pecado de Adão foi o pecado de todos os seus descendentes, de modo que eles nascem como pecadores (Rm 3.23; 7.23; Ef 2.1-2; Mt 15.18-19; Hb 6.1; 9.14). Devemos estar vigilantes contra o erro de pensar que Deus criou o homem já na condição de pecador e culpar a Deus do mal. Esta ideia é claramente excluída pela Escritura (Jó 34.10; Dt 32.4; Sl 92.16; Tg 1.13), ou como alguns afirmam, que os homens não nascem pecadores, mas sim, apenas com a tendência ao pecado (isso é uma heresia chamada de pelagianismo). O único ser cuja natureza humana não se mostrou corruptível (pecadora) desde a sua concepção e nascimento foi o Senhor Jesus Cristo (Hb 4.15; 7.26).

1.2 O pecado pessoal ou factual. Com respeito à origem do pecado na história da humanidade, a Bíblia ensina que ele teve início com a transgressão de Adão no paraíso, e, portanto, com um ato perfeitamente voluntário da parte do homem. A expressão “pecados fatuais” ou “culpa pessoal” não indica apenas as ações externas praticadas por meio do corpo, mas também todos os pensamentos e volições conscientes que decorrem do pecado original, ou seja, da natureza pecaminosa (Ec 7.20; Rm 7.18). São os pecados individuais expressos em atitudes da natureza e inclinação herdada (Rm 5.18,19). O pecado original é somente um, o de Adão; já o pecado factual é múltiplo, que são os pessoais, e são por estes pecados que prestaremos contas diante de Deus, ou seja, não somos responsáveis pelo pecado de Adão, apenas pelos nossos (1Rs 8.46; Pv 20.9; Gl 5.19-21; Ef 2.3).

II – O QUE SIGNIFICA SALVAÇÃO?

A palavra “salvação” do grego “soteria” significa: “libertação, ser tirado de um perigo, livrar-se, escapar”. A salvação é o livramento espiritual eterno concedido imediatamente por Deus aos que aceitam as condições estabelecidas por Ele referentes ao arrependimento e fé no Senhor Jesus e sob confissão dEle como Senhor. “segundo a sua misericórdia nos salvou” (Tt 3.5, ver também At 4.12; Rm 10.10). A Salvação é uma milagrosa transformação espiritual, operada na alma, na vida e no caráter de toda a pessoa que, pela fé, recebe Jesus Cristo como seu único Salvador pessoal (Ef 2.8,9; 2 Co 5.17; Jo 1.12; 3.5) (VINE, 2002, p. 967). Trata-se da redenção do ser humano do poder do pecado (1Pe 1.18,19), da libertação do cativeiro espiritual (Rm 8.2), e a saída do pecador dentre o poder das trevas do pecado (Cl 1.13). E, finalmente, é o retorno do exílio espiritual do pecador para Deus (Ef 2.13) (CABRAL, 2009, p. 338).

III – OS TRÊS ASPECTOS DA SALVAÇÃO

3.1 Justificação. É a mudança de posição externa e legal do pecador diante de Deus de condenado para justificado. Pela justificação passamos a pertencer aos justos. Justificação é o tempo passado da nossa salvação, mas sempre presente em nossa vida espiritual (1Co 6.11; Rm 8.30,33b; 5.1; 3.24; G1 2.16).

3.2 Regeneração. É a mudança de condição do pecador de servo do pecado para filho de Deus. A regeneração é tão séria diante de Deus, que a Bíblia chama-a de “batismo em Jesus” (1Co 12.13; G1 3.27; Rm 6.3). Trata-se de um ato interior, dentro do indivíduo, abrangendo também todo o seu ser. É um termo ligado a família, filhos: “gerar”; é o novo nascimento (Jo 3.5). Mediante a regeneração somos chamados “filhos de Deus” (Gn 2.7; Jo 20.22; 15.5).

3.3 Santificação. É a mudança de caráter (mudança subjetiva); é a mudança de serviço (mudança objetiva), “em Cristo” (posicional), como lemos em João 15.4 e 17.26.

IV – AS ETAPAS DA SALVAÇÃO

A salvação nos é concedida mediante a graça de Deus manifesta em Cristo Jesus (Rm 3.24,25; 5.8,10, Hb 7.25). Ela é recebida de graça, e mediante a fé em Cristo (Rm 3.22, 24, 25, 28). Isto é, ela resulta da graça de Deus (Jo 1.16), mas, há a resposta humana também (At 16.31; Rm 1.17; Ef 1.15; 2.8). A salvação é manifesta pelo menos tem três etapas: passado, presente e futuro. Vejamos cada uma delas:

4.1 A etapa passada da salvação. É o que Deus fez por nós livrando-nos da pena do pecado (1Co 6.11; Rm 5.1; 8.30,33). Ela é referida na Bíblia como ocorrida no passado e inclui a experiência pessoal mediante a qual nós, como crentes, recebemos o perdão dos pecados (At 10.43; Rm 4.6-8) e passamos da morte espiritual para a vida espiritual (1Jo 3.14); do poder do pecado para o poder do Senhor (Rm 6.17-23), do domínio de Satanás para o domínio de Deus (At 26.18).

4.2 A etapa presente da salvação. É aquilo que Deus faz em nós agora livrado-nos do domínio do pecado (2Co 7.1; 1Ts 5.23; Fp 2.12; 1Jo 2.6). É a santificação em conduta, diante do mundo e a salvação do poder do pecado. É aquilo que Deus faz em nós agora. Ela abrange: (a) o privilégio de um relacionamento pessoal com Deus e com Jesus como nosso Senhor e Salvador (Mt 6.9; Jo 14.18-23; Gl 4.6); (b) a conclamação para nos considerarmos mortos para o pecado (Rm 6.1-14); (c) o convite para sermos cheios do Espírito Santo (At 2.33-39; Ef 5.18); (e) a exigência para nos separarmos do pecado (Rm 6.1-14; At 2.40; 2Co 6.17); e (f) a chamada para travar uma batalha constante em prol do reino de Deus contra Satanás e suas hostes demoníacas (2Co 10.4,5; Ef 6.11,16; 1Pe 5.8).

4.3 A etapa futura da salvação. É o que Deus fará conosco na glória celestial (1Pe 1.5; 1Jo 3.2; Rm 8.23; 13.11). Abrange:

(a) nosso livramento da ira vindoura de Deus (Rm 5.9; 1Co 3.15; 5.5; 1Ts 1.10; 5.9); (b) nossa participação da glória divina (Rm 8.29; 2Ts 2.13,14) e nosso recebimento de um corpo ressurreto, transformado (1Co 15.49-52); e (c) os galardões que receberemos como vencedores fiéis (Ap 2.7; 1Co 9.24-27; Fp 3.8-14).

V – O LADO DIVINO E HUMANO DA SALVAÇÃO

A salvação tem um lado objetivo (o lado divino), e um, subjetivo (o humano). O primeiro refere-se a Deus como o doador da salvação; e o segundo refere-se ao homem como o recebedor. (CABRAL, 2009, p. 335). Vejamos a salvação quanto ao tempo:

O LADO DIVINO DA SALVAÇÃO

O LADO HUMANO DA SALVAÇÃO

A salvação é eterna (Jo 6.37; 15,16; Rm 9.11-13; Ef 1.4; Mt 25.34; Ef 1.4; Ap 13.8) A salvação é preciso que o homem queira (Mt 16.24-25).
A salvação é livre e gratuita (Ef 2.8-9; Jo 3.16; Mc 16.15; Mt 28.18-20; Lc 9.23). A salvação é responsiva (Dt 30.15,17,19; Is 55.7; Jo 5.40; 8.24; Ap 3.20; 22.17; Rm 14.12; 2Co 5.10)
A salvação é soberana (Mt 20.1-16; Rm 9.14,29). A salvação exige esforço (Mt 11.12; Lc 13.24; 16.16).
A salvação é completa e instantânea (Lc 23.39-43; 19.9; Fp 2.13). A salvação é progressiva (Fp 2.13; 2 Pe 1.10; 1Pd 1.14-16;).
A salvação é para todos. (Jo 3.16; 12:.32; 17.21; 1Jo 2.2; 1Co 15.22; 1Tm 2.3-4; Hb 2.9; 2Pe 3.9; 1Jo 2.2). A salvação é santificante (Mt 18.3; Rm 6.4; 1Pd 2.2).

CONCLUSÃO

Jesus é o autor da salvação (Lc 2.11; 2Tm 1.10; Lc 2.30; Hb 5.9), e como Salvador, Ele têm poder de perdoar os nosso pecados (Mc 2.10), a todos quanto O receberam, Ele deu o poder para serem filhos de Deus, aos que creem em seu nome (Jo 1.11-12). Porque Ele recebeu todo o poder nos céus e na terra (Mt 28.18). Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade (1Tm 2.3-5).

REFERÊNCIAS

  • GILBERTO, et al. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD.
  • CHAFER, Lewis Sperry. Teologia Sistemática. CPAD.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  • BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Editora Cultura Cristã.

 

Fonte: REDE BRASIL

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