A Igreja de Cristo

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 08 – A IGREJA DE CRISTO – (1 Co 12.12-20,25-27)

INTRODUÇÃO

Nesta lição traremos a definição da palavra “Igreja”; analisaremos as prerrogativas dadas a ela; pontuaremos a diferença entre a Igreja universal e a local; estudaremos sobre a Igreja militante e triunfante; e por fim, falaremos sobre a nova tendência dos desigrejados pontuando seus postulados heréticos refutando-os à luz da Bíblia Sagrada.

I  – DEFINIÇÃO DA PALAVRA IGREJA

Eclesiologia é a disciplina da Teologia que estuda a igreja, sua fundação, símbolos e missão, conforme as Escrituras. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus (2017, p. 120) define que: “A palavra ‘igreja’ significa, literalmente, ‘chamados para fora’ e era usada para designar ‘assembleia’ ou ‘ajuntamento’ dos cidadãos de uma localidade na antiguidade grega”. O vocábulo igreja é formado por duas palavras gregas: pelo prefixo “ek”, “a partir de, dentro de” ou “para fora de”; e, “klesis”, que significa “chamada, convocação, convite”. Literalmente quer dizer “chamados para fora”. O termo ainda é usado para designar um “grupo local de cristãos” (Mt 18.17; At 5.11; Rm 16.1,5); ou a Igreja universal à qual todos os servos de Cristo em todos os tempos estão ligados (At 9.31; 1Co 12.28; Ef 1.22). Podemos dizer que a Igreja do Senhor Jesus foi fundada durante o seu ministério (Mt 16.18), e inaugurada no dia de Pentecostes (At 2) (BERGSTÉN, 2005, p. 214).

II  – DIFERENÇAS ENTRE A IGREJA UNIVERSAL E A IGREJA LOCAL

A Igreja é um organismo vivo invencível (Mt 16.18), santo, dinâmico e ligado à cabeça que é Cristo (Ef 1.22, 23). A igreja, portanto, vive em duas dimensões: espiritual e social. Na dimensão espiritual, a igreja é universal (invisível), um organismo vivo, o corpo místico de Cristo; mas na esfera social, ela é local (visível), uma organização, um ajuntamento de pessoas ligadas a um sistema de crenças. Vejamos a diferença entre elas:

  • Igreja universal ou invisível. A igreja universal ou invisível consiste de todos os discípulos de Cristo em todo o mundo e em todos os tempos. Somente Deus pode contar e identificar precisamente seus “primogênitos arrolados nos céus” (Hb 12.23). Algumas vezes a Bíblia usa a palavra “igreja” no sentido universal para falar de todo o povo que pertence a Cristo, não importa de onde ele possa Jesus falou da igreja deste modo: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja […]” (Mt 16.18). Ele não está falando apenas de uma congregação local, nem está falando de uma organização ou instituição mundial. Ele está falando de pessoas, “pedras vivas” (1Pd 2.5), construídas sobre Jesus Cristo, a fundação sólida (1Co 3.11). Paulo falou da igreja, neste mesmo sentido universal, quando escreveu: “[…] Cristo é o cabeça da Igreja […]” (Ef 5.23). A Igreja invisível não é um edifício construído com blocos e cimento, mas, um edifício construído com pedras vivas. “Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual […]” (1Pd 2.5). Estas “pedras vivas” são chamadas os santos e membros da família de Deus: “[…] no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito” (Ef 2.19-22). A Bíblia a descreve como um corpo (Rm 12.4-5; 1Co 12.12-27; Cl 1.18,24; Ef 5.23).
  • Igreja local ou visível. Uma igreja local consiste de cristãos que se reúnem num determinado Eles podem ser identificados e contados (At 2.41; 4.4; 8.1; 9.31; Rm 16.1,14,15; 1Co 16.19; Cl 4.15). Frequentemente, a palavra igreja é usada para descrever uma congregação local ou assembleia de santos em um determinado lugar geográfico: “[…] à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos[…]” (1Co 1.2); “E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano” (Mt 18.17); “[…] saudai igualmente a igreja que se reúne na casa deles(Rm 16.5). A igreja pertence a Deus, e é, muitas vezes, chamada “a igreja de Deus” (At 20.28; 1Co 1.2; 10.32; Gl 1.13; 1Tm 3.5,15). Jesus derramou seu sangue para comprar a igreja (At 20.28). Paulo falou de “igrejas de Cristo” (Rm 16.16) e Jesus falou de sua própria igreja (Mt 16.18). O povo de Deus pode ser corretamente descrito como a “igreja dos primogênitos arrolados nos céus” (Hb 12.23).

III – DIFERENÇAS ENTRE A IGREJA MILITANTE E A TRIUNFANTE

A Igreja é a assembleia de santos fundada por Cristo e que, por isso, reúne todos os seus seguidores. Então todos os membros que o professam atualmente na terra ou o professaram e já se encontram salvos (no céu) fazem parte desta Igreja que é militante e triunfante. Notemos uma distinção entre elas:

  • A Igreja militante ou A Igreja militante (da terra) designa os membros que vivem hoje sobre a terra, membros estes que lutam incansavelmente contra os poderes do diabo, do mundo e da própria carne: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4.7 ver ainda 2Co 10.2-5; Gl 5.17; 1Ts 2.2; 1Pd 2.11). Ela está militando em uma guerra constante (2Tm 2.3-12; Ef 6.11,12; Fp 1.27, 30; Hb 10.32; 12.4). O apóstolo Paulo nos diz que: “Ninguém que milita (luta) se embaraça com negócios deste vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. E, se alguém milita, não é coroado se não militar legitimamente(2Tm 2.4,5). Na presente dispensação, a igreja militante é convocada para uma guerra (2Co 10.3), e de fato nela está empenhada: Quem vencer, herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho” (Ap 22.7). Na Igreja militante existe uma luta diária:“[…] Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida […]” (Ap 2.7); “Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo(Mt 24.13; Mc 13.13). O apóstolo Paulo disse: Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, […]” (1Tm 6.12). Militar a boa milícia significa combater o bom combate. É suportar as aflições e sem ceder as tentações (1Tm 1.18-20, 4.8; Hb 10.32).
  • A Igreja triunfante. Ela é composta pelos salvos que “dormiram no Senhor” (1Ts 13,14). Ela já está com o Senhor, onde os brados de guerra se transformaram em cânticos triunfais. A luta é finda, a batalha está ganha, e os santos reinam com Cristo para todo o sempre (2Tm 4.8). Assim sendo, a Igreja triunfante (no céu) designa aqueles membros já falecidos que se encontram salvos, e que têm a alegria indescritível de estar no gozo celeste: “ E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão […]” (Lc 16.22 ver ainda Hb 1.14). A Igreja triunfante é vitoriosa e estará para sempre com Jesus, onde não haverá mais labor, militância e nem regimento algum: “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor […]” (Ap 21.4).

IV – A IMPORTÂNCIA DA IGREJA LOCAL E O SEU MODELO BÍBLICO

Na contemporaneidade tem surgido um movimento heterodoxo chamado de “desigrejados” que podemos definir este grupo como os “sem igreja”. Eles não são filiados a qualquer instituição convencional de culto religioso cristão e são contrários a qualquer tipo de liderança. Os desigrejados defendem que a fé cristã pode ser exercida fora da comunhão da Igreja com o seguinte lema: “Jesus, sim; Igreja, não” usando os seguintes textos: “Ouvi outra voz do céu dizer: Sai dela, povo meu […]” (Ap 18.4), e “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou no meio deles” (Mt 18.20). Os desigrejados posicionam-se contra as igrejas convencionais, históricas, tradicionais e clássicas e suas lideranças. A Bíblia mostrar-nos a igreja como: (a) Igreja de Deus (At 20.28; 1Co 1.2; 10.32; 1Tm 3.15); e, (b) Igreja de Cristo (Mt 16.18; Rm 16.16). Notemos a necessidade de uma Igreja local e qual o seu modelo bíblico:

  • A Bíblia ensina que a primeira igreja local foi iniciada por Jesus. O sistema de congregações ligadas a uma matriz (igreja sede) já era instituído desde os dias apostólicos (Mt 16.18; Mc 3.13-19); por conta disso, ninguém mandava em si mesmo e fazia o que bem entendia, mas respeitava e adequava-se às decisões dos apóstolos e dos anciãos guiados pelo Espírito do Senhor (At 15.22,23). Além do quê, os apóstolos eram os responsáveis pela separação de obreiros para os ofícios do santo ministério, seja diácono, presbítero ou pastor (1Tm 4.14; At 14.23; 6.1-7; 20.28; 1Tm 5.22). A hierarquia ministerial é uma doutrina do NT (1Co 12.28-31; Ef 8-11).
  • A Bíblia ensina a necessidade de uma igreja local organizada. As Escrituras apresenta o modelo bíblico para os cultos: “Por que isto? Deus não é Deus de confusão, mas de paz, na igreja dos santos” (1Co 14.33). A Bíblia nos ensina que: “Não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns […]” (Hb 10.25). Podemos ainda citar a alegria do salmista fazendo uma alusão explícita ao templo: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor(Sl 122.1). A igreja de Cristo é composta por crentes de todas as eras e tempos que se reúnem com cultos, liturgias, ministérios, lideranças, coletas, contribuições e etc (At 2.46,47; 1Co 14.6; 6:1-6; 13.1-2; Ef 4.11-12; Hb 13.17; 1Co 16.1; Rm 15.26; 2Co 9.1-13; Hb 7.8; Lc 11.42). A Igreja é o Corpo de Cristo (Cl 1.24; Ef 1.22-23; 4.12). Assim como o corpo não pode sobreviver separado da cabeça, não podemos viver sem nosso cabeça, Jesus Cristo (Ef 5.23; Cl 1.18). Discípulos de Jesus são membros do corpo (Rm 12.4-5; 1Co 12.12-27; Ef 3.6; 4.16; 30).
  • A Bíblia ensina que o Senhor colocou homens para administrar a sua Igreja. Desde o AT o Senhor instituiu homens para liderar (Êx 18.25,26; Ne 8.4-6; Jr 3.15). A hierarquia ministerial não existe com a pretensão de um ser melhor que o outro, mas para o Altíssimo manter a ordem: “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus […]” (Hb 13.7). Paulo falou: “E rogamo-vos, irmãos, que reconheceis os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam(1Ts 12). Ainda podemos ver: “Os presbítero que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” (1Tm 5.17). O próprio Jesus constitui homens para a liderança do ministério: “E Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores […]” (Ef 4.11-13 ver At 20.24,28, Jo 21.17). Paulo ainda disse: “Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. E a uns pôs Deus na igreja […]” (1Co 12.27,28). Segundo o modelo do NT os pastores representam os fiéis e hão de dar conta do rebanho: “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles […]” (Hb 13.17). Seguir ao Senhor Jesus presume-se em pertencer ao seu rebanho e conquanto tenhamos pastores (Ef 4.11; Hb 13.7; Jr 3.15).
  • A Bíblia ensina que foi dada ordenanças a Igreja. Jesus deixou claro que seus discípulos deveriam além de ensinar, deveriam batizar e celebrar a Ceia do Senhor (Mt 28.19; 26.29). O batismo por imersão atinge quatro objetivos: a) A profissão pública de fé (1Pd 3.21); b) A identificação do batizando com os demais discípulos de Jesus (Mt 28.19); c) A representação da lavagem espiritual (At 22.16 cf. 1Co 6.11); e, d) A representação da morte do crente para o mundo e de sua ressurreição para uma nova vida (Rm 6.4; Cl 2.12). Estas duas ordenanças da Igreja (batismo e ceia) só podem ser exercidas biblicamente em comunidades (congregações) organizadas como ensina a Bíblia Sagrada. A Igreja tem como atribuição precípua, adorar a Deus em espírito e em verdade, respeitar o Seu Santo Nome, tributar-lhe louvores, difundir as Boas Novas do Seu Evangelho. E como nação santa, a Igreja é separada do mundo, a fim de pertencer totalmente a (1Pe 2.9; At 28.20; Tt 2.14).

CONCLUSÃO

Concluímos que a Igreja é o ajuntamento dos santos de todos os tempos e lugares, aqueles que professaram sua fé em Cristo, ela é tanto local (visível) como também universal (invisível). Aprendemos que ela é militante enquanto está na terra em constante luta espiritual, mas também é triunfante ao chegar no céu. Por fim, vimos que a Igreja como povo de Deus não se encaixa no modelo contemporâneo e herético dos chamados “desigrejados”, pois como povo eleito deve viver em comunidade desfrutando da comunhão como os santos como ensina a Bíblia submetendo-se a liderança constituída por Deus.

REFERÊNCIAS

  • BARBOSA, José Roberto O Cremos da Assembleia de Deus. Reflexão Editora.
  • BERGSTÉN, E. Teologia Sistemática.
  • COSTA, Paulo R. da. Manual de Doutrina das Assembleias de Deus no Brasil. CPAD.
  • SILVA, Esequias Soares da (Org.). Declaração de Fé das Assembleias de Deus.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

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A necessidade do novo nascimento

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 07 – A NECESSIDADE DO NOVO NASCIMENTO – (Jo 3.1-12)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição definiremos o termo bíblico “novo nascimento”; destacaremos porque se faz necessário que o pecador seja regenerado; pontuaremos que este ato espiritual só pode ser experimentado por meio da Palavra de Deus e da ação do Espírito Santo; e, por fim, elencaremos alguns resultados práticos na vida daquele que teve esta experiência.

I – O QUE É O NOVO NASCIMENTO

Teologicamente o “novo nascimento” ou “regeneração” é “o milagre que se dá na vida de quem aceita a Cristo, tornando-o participante da vida e da natureza divinas. Através da regeneração o homem passa a desfrutar de um nova realidade espiritual” (ANDRADE, 2006, p. 317 – acréscimo nosso). A palavra regeneração no grego é “palinginesia” formada da expressão pálin”, ‘novamente’, e “génesis”, ‘nascimento’, significa portanto: “novo nascimento”. O Pastor Eurico Bergstén (2016, p. 174) diz que “a regeneração ou novo nascimento significa o ato sobrenatural em que o homem é gerado por Deus (1 Jo 5.18) para ser seu filho (Jo 1.12) e participante da natureza divina (2 Pe 1.4)”. A doutrina da regeneração é bíblica e foi  ensinada por  Jesus e pelos seus santos apóstolos (Jo 3.3,7; 2 Co 5.17; Gl  6.15; Jo 1.12.13;     Ef 2.1,5; Cl 2.13; Tt 3.5; Tg 1.18; 1 Pe 1.23). A Bíblia destaca algumas verdades sobre isso. Vejamos:

  • Um ato A desobediência humana recebeu como sentença a morte, tanto física quanto espiritual (Gn 2.16,17; Ez 18.4; Rm 6.23; Ef 2.1,5). Essa morte espiritual implica na separação da presença de Deus (Rm 3.23). Portanto, “morto espiritualmente” o homem necessita “nascer de novo” espiritualmente para ter comunhão com Deus. Por isso, no discurso de Jesus com Nicodemos o Mestre lhe diz: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.5). Segundo Beacon (2006, p. 49 – acréscimo nosso) a palavra traduzida como “de novo” é “anothen”, que tem vários significados e um deles é: “de cima”. Acerca disso Wilmington (2015, pp. 362,363) diz que: “o Messias estaria, então, dizendo que o único requisito para viver nesta terra é ter um nascimento físico; igualmente, o único requisito para viver um dia nos céus é ter um nascimento espiritual”. Esse “nascer do Espírito” em nada tem a ver com a reencarnação, que é um ensinamento que não encontra apoio nas Escrituras (2 Sm 12.21-23; Hb 9.27). Aliás, Nicodemos perguntou se a regeneração era vir de novo a vida fisicamente, voltando ao ventre materno (Jo 3.4). Jesus respondeu dizendo “o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6).
  • Um ato Os profetas predisseram este ato sobrenatural (Dt 30.6; Jr 24.7; Ez 11.19; 36.26,27). Embora o Antigo Testamento tenha em vista a nação de Israel, a Bíblia emprega várias figuras de linguagem para descrever o que acontece no novo nascimento. Nestas passagens bíblicas o novo nascimento é comparado a uma “cirurgia interior”. Deixando claro que a regeneração é um ato divino operado pelo Espírito Santo no espírito do homem. Segundo Macgrath (2010, p. 525) “a regeneração altera a natureza interior do pecador”.
  • Um ato instantâneo e distinto. Diferente da santificação que é um processo, a regeneração é um ato instantâneo. A palavra “instantâneo” segundo o Aurélio significa: “que se dá num instante; rápido; súbito” (2004, p. 1113). O apóstolo Paulo nos diz: “assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é […]” (2 Co 5.17). É bom destacar também que a regeneração é uma etapa da salvação distinta da justificação, da santificação e da glorificação. A ordem segue-se assim: primeiro “o pecador é declarado justo” (justificação); em seguida “ele é feito justo” (regeneração); depois “ele vai se tornando justo” (santificação); e, por fim, ele “será perfeitamente justo” (glorificação).

II – A NECESSIDADE DO NOVO NASCIMENTO

Deus criou os seres humanos em um estado de perfeição: “Deus fez ao homem reto” (Ec 7.29-a). Uma das perfeições que Deus concedeu ao homem foi o poder do livre arbítrio (Gn 2.16). O primeiro casal fez uso da liberdade que desobedecer a Deus (Gn 3.1-6). O que seguiu-se a este mau uso da liberdade humana foi um estado de pecaminosidade, do qual não podemos escapar e reverter sem o auxílio divino. Dentre as consequências que o pecado trouxe ao homem, a principal delas, foi a morte espiritual (Gn 2.16,17; 3.2,3; Rm 6.23). A morte espiritual é a separação espiritual de Deus    (Is 59.2). Como toda a humanidade estava representada em Adão, quando ele caiu em transgressão, também toda a humanidade caiu com ele. O apóstolo Paulo deixa isso bem claro quando assevera: “por um homem entrou o pecado […] por isso que todos pecaram” (Rm 5.12). Confira também: (Rm 2.10-12; 3.23; 5.13-16). Geisler (2010, p. 104) acrescenta dizendo: “todo descendente de Adão — toda pessoa nascida de pais naturais desde o tempo da Queda — também está espiritualmente morto”. Diante de tal situação espiritual de morte, faz-se necessário o homem nascer espiritualmente de novo. Portanto, a regeneração é um imperativo (Jo 3.3,5).

  • Sem o novo nascimento o homem permanece morto espiritualmente. Paulo diz que o homem não regenerado “está morto em delitos e pecados” (Ef 2.1,5). Vale salientar que essa “morte” não é a incapacidade de corresponder ao chamado de Deus, mas a separação espiritual da presença dEle (Rm 23). Paulo disse que o homem nessa condição não compreende as coisas de Deus (1 Co 2.14). O pecador só pode ser vivificado, quando exposto a pregação da Palavra que ilumina o seu entendimento (Ef 1.18; 6.4; 2 Co 6.4), até então obscurecido pelo pecado (Ef 4.18) e pelo diabo (2 Co 4.4). No entanto, mesmo sendo iluminado, a pessoa pode optar por aceitar ou rejeitar o plano da salvação (Mt 16.24; Jo 7.37; Ap 22.17).
  • Sem o novo nascimento, o homem não tem acesso ao Reino de Deus. Por melhor que seja uma pessoa, ela não pode produzir sua salvação (Is 64.6; Tt 3.5). Jesus declarou ao religioso Nicodemos três vezes que “é necessário nascer de novo” (Jo 3.3,5,7). Moody (sd, p. 18) diz que esta “não é simplesmente uma exigência pessoal, mas universal”. Segundo o Mestre, o novo nascimento é necessário porque: (a) sem ele o homem não pode ver o Reino de Deus (Jo 3.3); e, (b) tampouco entrar nele (Jo 3.5). O homem do jeito que está não pode ter acesso ao Reino de Deus, pois é “filho da ira por natureza” (Ef 2.3); e andando na carne não pode agradar a Deus (Rm 8.8). Somente quando nasce de novo, este homem é criado em verdadeira justiça e santidade requeridas por Deus para que tenha acesso ao Reino (Ef 24).

III – COMO SE DÁ O NOVO NASCIMENTO

O novo nascimento não é produzido pelo próprio homem, nem pela religião, centros de ressocialização ou  qualquer outro meio terreno. Abaixo destacaremos os meios pelos quais o homem pode ser regenerado:

  • Pela Palavra de Deus. O Mestre Jesus ensinou que o novo nascimento é operado através da Palavra de Deus “Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água […], não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3.5). A água de que fala o Senhor é meramente um símbolo de purificação, como ensinava o Logo, esta água aqui é símbolo da Palavra (Jo 15.3; Ef 5.26) e não as águas do batismo. O batismo em si não pode lavar pecados nem regenerar o pecador. Na verdade a Palavra de Deus é a divina semente (1 Pe 1.23) e o agente purificador (Jo 15.3; 17.17). Quando ela é aplicada em nosso coração pelo Espírito Santo, acontece o milagre do novo nascimento. É o que Tiago nos diz: “[…] ele nos gerou pela palavra da verdade […]” (Tg 1.18). A expressão “palavra da verdade” refere-se ao Evangelho (2 Co 6.7; Cl 1.5; 2 Tm 2.15). Normalmente no NT, o vocábulo “palavra” indica a mensagem cristã. O uso mais comum é “palavra de Deus” (At 6.2; 8.14; 13.46; Rm 9.6; 1 Co 14.36; Ef 6.17; 2 Tm 2.9).
  • Pelo Espírito Santo. A regeneração é mencionada nas Escrituras como uma ação do Espírito. No AT os profetas falaram dessa atividade do Espírito Santo (Is 32.15; Ez 36.27; 37.14; 39.29; Zc 12.10). Jesus disse a Nicodemos que o homem precisa “nascer da água e do Espírito” (Jo 3.5). O apóstolo Paulo também ensinou isto (Ef 4.24; Tt 3.5). O Espírito Santo esteve presente na criação do homem (Gn 2.7; Jó 33.4); de igual modo está presente na recriação deste homem (Jo 3.5; 20.22). A menção ao vento, aludindo a atividade do Espírito mostra que se trata de algo sobrenatural (Jo 3.8). Veja também (Ez 37.9; At 2.2). Zuck (2008, p. 220) é categórico ao afirmar que “alcança-se a regeneração apenas por intermédio da obra do Espírito Santo, não por meio de qualquer esforço humano”.

IV – RESULTADOS DO NOVO NASCIMENTO

Embora a regeneração seja um ato interno, esta mudança interior, gera uma notável e visível mudança exterior. Acerca disso afirmou Pastor Antônio Gilberto (2008, p. 186): “o novo nascimento abrange a regeneração e a conversão, que são dois lados de uma só realidade. Enquanto a regeneração enfatiza o nosso interior, a conversão, o nosso exterior. Quem diz ser nascido de novo deve demonstrar isso no seu dia-a-dia”. Vejamos alguns resultados do novo nascimento, segundo a Bíblia Sagrada:

  1. O crente agora é nova criatura em Cristo e tudo se fez novo (2 Co 17);
  2. O crente agora pratica atos de justiça (1 Jo 29);
  3. O crente já não pratica o pecado como estilo de vida (1 Jo 3.9; 18);
  4. O crente agora ama a Deus e ao homem (1 Jo 4.7; 18);
  5. O crente agora afirma corretamente a divindade de Jesus Cristo (1 Jo 1);
  6. O crente agora é protegido contra o maligno (1 Jo 18);
  7. O crente agora pode vencer este mundo perverso (1 Jo 4).

CONCLUSÃO

O pecado atingiu o homem e o destituiu da glória de Deus. Todavia, Deus tomou a iniciativa de restaurar a comunhão outrora perdida com o homem, através do evangelho, que iluminando o entendimento humano, pode vivificá-lo, transformar o seu interior e levá-lo a ser participante da natureza divina.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Novo Dicionário da Língua Portuguesa. POSITIVO.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.
  • MCGRATH, Alister E. Teologia sistemática, Histórica e Filosófica.
  • MOODY, L. Comentário Bíblico de João. PDF.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

José: Fé em meio às injustiças

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4º TRIMESTRE 2016

O DEUS DE TODA PROVISÃO

Esperança e sabedoria divina para a Igreja em meio às Crises

COMENTARISTA: Pr. Elienai Cabral

joseph

LIÇÃO 07 – JOSÉ: FÉ EM MEIO ÀS INJUSTIÇAS – (Gn 37.1-11)

INTRODUÇÃO

O livro do Gênesis contém cinquenta capítulos, sendo que treze são dedicados a história de José, igualando-se até mesmo a história do patriarca Abraão. Nessa lição teremos a oportunidade de aprender informações adicionais sobre José; pontuaremos algumas injustiças que ele viveu; e acima de tudo e veremos a importância da sua fé em Deus para superar as injustiças e também pontuaremos que muitos tomam José como um tipo de Cristo; uma pessoa inocente que sofreu por causa da maldade dos outros e, através do qual, o povo escolhido foi liberto da morte certa. O silêncio de José enquanto seus irmãos deliberam seu destino (Gn 37.12-35) prefigura o silêncio de Cristo perante seus juízes (1Pe 2.23).

I – DEFININDO FÉ E INJUSTIÇA

1.1 Fé. A palavra fé no hebraico é “heemim” e no grego é “pisteuõ”. A Bíblia diz que “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem” (Hb 11.1). “É a confiança que depositamos em todas as providências de Deus. É a crença de que Ele está no comando de tudo, e que é capaz de manter as leis que estabeleceu. É a convicção de que a sua Palavra é a verdade. Enfim, é a tranquilidade que depositamos no plano de salvação por Deus estabelecido, e executado por seu Filho no Calvário” (ANDRADE, 2006, p. 188). A palavra “Fé” possui diversos significados, que serão definidos de acordo com o contexto onde está inserida. O dicionário Houaiss (2010, p.) define a palavra como: crença religiosa, confiança absoluta, comprovação e testemunho”. No AT a palavra “emunah” é traduzida por fidelidade, certeza. De modo geral é aplicada na relação entre Deus e Israel onde se exige de Israel uma atitude de fidelidade para com o Senhor (2 Cr 19.9; Dt 32.4; Sl 33.4; 119.30,86; Pv. 28.20). Já no NT a palavra “pistis” é traduzida primariamente por persuasão firme, convicção fundamentada no ouvir, sendo sempre usada no NT acerca da fé em Deus, Jesus ou coisas espirituais, podendo ser utilizada como confiança (Rm 3.25; 1 Co. 2.5; 15.14,17; 2 Co 1.24; Gl 3.23); fidedignidade, fidelidade e lealdade (Mt 23.23; Rm 3.3; Gl 5.22; Tt 2.10); crença, corpo de doutrina (At 6.7; 14.22; Gl 1.23; 3.25).

1.2 Injustiça. O Aurélio diz que injustiça é: “falta de justiça, ação ou coisa injusta, atitude sem fundamento” (FERREIRA, 2004, p.1108). Ser injustiçado é uma das coisas mais dolorosas de se enfrentar. Ao lermos a história desse patriarca, perceberemos de que ele foi vítima de várias injustiças: a) Invejado e vendido por seus irmãos (Gn 37.11, 26 – 28); b) Acusado e preso injustamente (Gn 39.13-20); c) Esquecido por quem lhe devia gratidão (Gn 40.23), etc. Apesar de tudo, José não nutriu em seu coração, o sentimento de indignação e revolta que geralmente toma conta de quem é alvo de injustiças, antes, revelou sua fé em Deus não permitindo que nenhuma raiz de amargura crescesse em seu coração (Hb 12.15; Ef 4.31).

II – INFORMAÇÕES SOBRE JOSÉ

José com certeza é um dos grandes exemplos que encontramos na Bíblia, quando pensamos sobre a necessidade de vencer as injustiças de nossos dias. Seu nome reflete o papel de sua vida na nação de Israel. Foi o agente de Deus na preservação e na prosperidade de seu povo no Egito, durante o período de fome na terra de Canaã” (GARDNER, 1999, p. 377 – acréscimo nosso). Vejamos ainda algumas informações que devemos considerar sobre ele:

2.1 Seu nascimento. José era filho de Raquel, a esposa amada de Jacó (Gn 29.18-20,30). Seu nascimento foi celebrado por sua mãe (Gn 30.22-24). José é descendente de um clã de patriarcas escolhido por Deus para iniciar a linhagem piedosa da qual nasceria o Messias (Gl 3.8,16, 18). A primeira referência a José se dá como resposta da oração de Raquel e como consolo divino diante do opróbrio que ela vivia por não gerar filhos (Gn 29.31; 30.22-24); O nome José vem de uma palavra hebraica que significa: “Yahweh acrescentará” ou “Yahweh adicionará”; ele foi o décimo primeiro filho de Jacó e o primeiro de sua esposa favorita, Raquel.

2.2 A predileção de seu pai. Em função de ser José filho de sua amada esposa Raquel (Gn 29.20, 30); bem como ser filho de sua velhice, Jacó destina um amor diferenciado a José em relação aos demais filhos (Gn 37.3); e declara-o ao lhe presentear como uma “túnica de várias cores”. A túnica chegava aos calcanhares e tinha mangas longas. Era a vestimenta usada por governantes ricos, e nem o pastor mais bem vestido, precisaria de algo do gênero para trabalhar nos campos. É provável que fosse a forma de dizer que havia escolhido José para ser seu herdeiro (WIERSBE, 2006, p.181).

2.3 Sua conduta em contraste a de seus irmãos. Ainda jovem José se destaca no ambiente familiar em razão de sua conduta exemplar como filho, já que seus irmãos não tinham uma boa reputação (Gn 37.2). Essa má “fama” que se divulgava de seus irmãos, por certo eram baixas qualidades morais, pelas quais seus irmãos eram conhecidos; fato que pode ser visto na conduta de Judá, que casou-se com uma cananeia e todo o seu procedimento é descrito no capítulo 38. A integridade de José pode ser vista em várias fases de sua vida, e em função disso vemos Deus revelando desde cedo, o grande projeto para com ele (Gn 37.2; 5-11).

2.4 Sua comunhão com Deus. Além de ser alvo da promessa divina, vemos José experimentando uma comunhão estreita com Deus. Em meio às dificuldades que marcaram a sua trajetória, notamos a companhia de Deus em cada momento mostrando a sua pessoalidade (Gn 39.2,3, 21,23; At 7.9). Deus não impede as lutas na vida de José, mas garante sua presença fazendo-o prosperar. Quem serve a Deus prospera até mesmo na servidão. Não sabemos o preço que Potifar ofereceu por José. Mas logo descobriria ter adquirido um bem mui valioso, pois tudo o que o jovem hebreu punha-se a fazer prosperava (Gn 39.6,7). Quem serve a Deus prospera em qualquer circunstância (Sl 1.3).

III – A FÉ COMO MEIO DE SUPERAR AS INJUSTIÇAS

José era bisneto de Abraão, amigo de Deus. À semelhança de seu pai, Jacó, e do avô, Isaque, era um homem de profundas experiências com o Senhor. A seu modo, era um profeta e um especialista em sonhos. Por causa da sua Fé em Deus, José triunfou em meio as injustiças das quais foi alvo. Seu nome foi elencado na galeria dos “Heróis da Fé” da epístola aos Hebreus (Hb 11.22). Notemos atitudes que tornam evidentes a sua fé:

3.1 Fé tendo integridade na casa dos pais. A família de Jacó passou por diversas crises: a) rixas entre as irmãs, Léia e Raquel (Gn 29.33; 30.1,8); b) injustiças (Gn 31.41) e intrigas financeiras (Gn 31.1); c) propensão à idolatria (Gn 31.34); e d) traição, violência, imoralidade e invejas (Gn 34.25-30; 35.22; 37.11). Diante desse contexto, que tipo de caráter José poderia ter? Entretanto, ele é um exemplo de que é possível, com a graça divina, manter-se puro e íntegro, mesmo convivendo com pessoas de comportamento reprovável (Fp 2.15).

3.2 Fé para se manter fiel (Gn 39.7-12). Sua fidelidade a Deus e ao seu patrão eram o suficiente para ele não ceder a tentação (Gn 39.8,9). A esposa de Potifar insistiu em convidá-lo a pecar, mas ele resistiu “[…] falando ela cada dia a José, e não lhe dando ele ouvido”…] (Gn 39.10). Não se dando por satisfeita, a mulher de Potifar tramou ficar sozinha com ele em determinada ocasião; foi ao seu encontro para forçá-lo a coabitar com ela, mas a resolução de José o fez fugir daquela investida (Gn 39.12-b). A mulher ardendo em ira acusou-o diante de seu marido e funcionários dizendo que José havia tentado molestá-la. Ele foi sentenciado a cadeia por este tão grande mal (Gn 39.14-20). “A punição menor, dada a José, de acordo com os intérpretes judeus, significou que Potifar acreditou em José, mas, a fim de poupar sua esposa de maior embaraço, sacrificou-o, embora por meio de um castigo mais brando do que seria de se esperar” (CHAMPLIN, 2001, p. 246). Sejamos fiéis a Deus custe o que custar (Pv 3.3; Dn 3.17,18; 6.3,4, 22; Ap 2.10).

3.3 Fé para testemunhar (Gn 41.33-36). Após dois anos na cadeia, José foi chamado por Faraó para interpretar o sonho que este monarca teve. José, quando interpelado por Faraó se tinha a habilidade de interpretar sonhos ele respondeu:“Isso não está em mim; Deus dará resposta de paz a Faraó” (Gn 41.16). Deus é proclamado diante do temido Faraó, por aquele que tinha tudo para se omitir em virtude do que havia passado. O Soberano do universo é quem domina sobre tudo e sobre todos, foi a mensagem de José: […] “porque esta coisa é determinada de Deus, e Deus se apressa a fazê-la” (Gn 41.32).

3.4 Fé para perdoar (Gn 45.1-5). Os sete anos de abundância sobrevieram a terra do Egito como fora predito, e agora, os sete anos de fome começavam a chegar. Segundo o que estava previsto, a fome foi tão grave que superou os anos de prosperidade. Ela atingiu não somente o Egito, como também todas as terras (Gn 41.57). Segundo o Dr. Norman Champlin (2001, p. 257): “Não foi o globo terrestre inteiro, mas a terra conhecida pelo autor do livro de Gênesis, ou seja, o Egito, a Arábia, a Palestina e a Etiópia, as nações que pediriam socorro ao Egito”. É nesse momento que a descendência de Jacó vem ao Egito a fim de pedir socorro a Faraó, sem saber que José era o seu administrador. José reconhece os seus irmãos, beneficia-os e depois de prová-los revela-se como irmão deles e os perdoa por sua maldade (Gn 45.1-5). O perdão é uma característica presente na vida daquele que tem o amor de Deus em seu coração (Mc 11.25; Ef 4.32; Cl 3.13).

3.5 Fé para crer nas promessas. Apesar de ter abrigado Jacó e seus descentes confortavelmente em Gósen no Egito, José sabia que o seu povo não ficaria ali para sempre. Já próximo da sua morte, José deu duas declarações que merecem ser destacadas:1)a profecia de José (Gn 50.25a). Este servo do Senhor conscientizou os hebreus que no tempo certo Deus interviria tirando-os do Egito, para conduzi-los de fato a uma terra permanente; e, 2) a esperança de José (Gn 50.25-b). José deixou o mundo dando testemunho de sua fé na promessa de que Israel voltaria a Canaã, pois ordenou que seu corpo fosse embalsamado a fim de ser levado para a Palestina. Isto foi realizado anos mais tarde por Moisés e Josué (Êx 13.19; Js 24.32).

CONCLUSÃO

A biografia do patriarca José é uma das mais belas e inspiradoras. “A sua história é tão notavelmente dividida entre a sua humilhação e a sua exaltação, que podemos ver nela alguma semelhança com Cristo, que primeiro foi humilhado e depois exaltado. Em muitos casos, José tipificou o Senhor Jesus” (HENRY, 2010, p. 178). “A história de José nos revela como os descendentes de Jacó vieram a ser uma nação dentro do Egito. Esta seção de Gênesis não somente nos prepara para a narrativa do êxodo do Egito, como também revela a fidelidade que José sempre teve para com Deus, e as muitas maneiras como Deus protegeu e dirigiu a sua vida para o bem doutras pessoas. Ressalta a verdade de que os justos podem sofrer num mundo mau e iníquo, mas que, por fim, triunfará o propósito de Deus reservado para eles” (STAMPS, 2006, p. 90).

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico. CPAD.
  • GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada. VIDA.
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: https://ieadpe.org.br/

Deus: nosso provedor

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4º TRIMESTRE 2016

O DEUS DE TODA PROVISÃO

Esperança e sabedoria divina para a Igreja em meio às Crises

COMENTARISTA: Pr. Elienai Cabral

LIÇÃO 06 – DEUS: O NOSSO PROVEDOR – (Gn 26.1-6)

INTRODUÇÃO

Nesta preciosa lição estaremos estudando sobre um dos importantes temas da doutrina de Deus – a doutrina da providência, tendo por base a vida de Isaque. Introduziremos a vida do patriarca falando de informações sobre ele; Destacaremos como Deus providenciou todas as necessidades da vida de Isaque; e, por fim, pontuaremos quais as lições que aprendemos com este nobre filho de Abraão.

I – INFORMAÇÕES SOBRE O PATRIARCA ISAQUE

Dos patriarcas da nação de Israel, o que a Bíblia dedica menos capítulos é Isaque. Ele teve uma vida longa (Gn 35.28) e nunca se afastou da região que sua semente herdaria (Gn 35.27). Isaque é um dos patriarcas de grande influência no meio do povo de Deus, para os quais a Terra de Canaã foi prometida (Gn 50.24; Êx 33.1); com quem a aliança foi feita (Êx 2.24; Sl 105.9); cujos nomes são parte da identificação do próprio Deus (Êx 3.6; 15.16).

1.1 Seu nome (Gn 21.4). O nome de Isaque foi dado pelo próprio Deus (Gn 17.19). Seu significado quer dizer: “riso”. Talvez, uma alusão direta ao riso que tanto Abraão quanto Sara deram ao ouvirem de Deus a promessa que teriam filho, mesmo sendo avançados em idade e Sara sendo estéril (Gn 17.17; 18.12-14). Pode-se entender também que este nome fora dado a Isaque em virtude da alegria que sentiria sua mãe ao conceber um filho de forma milagrosa. Sara previu que todos os que conhecessem sua história teriam a mesma reação “E disse Sara: Deus me tem feito riso; todo aquele que o ouvir se rirá comigo” (Gn 21.6).

1.2 Seus pais. Isaque era filho de Abraão e Sara (Gn 21.2), e foi o segundo dos três patriarcas hebreus: Abraão, Isaque e Jacó (I Cr 1.34; Mt 1.2). Isaque foi circuncidado como um filho prometido, porquanto nele é que a aliança com Abraão teria continuação (Gn 21.4,12; Hb 11.18).

1.3 Sua esposa (Gn 25.20). A Bíblia nos diz que Isaque se consolou da morte de Sara quando casou com uma donzela chamada Rebeca (Gn 24.67). Assim como Sara, Rebeca também era estéril, todavia, Deus realizou um milagre fazendo-a conceber em resposta a oração de Isaque, seu marido (Gn 25.21-26).

1.4 Seus filhos (Gn 25.24-26). Com Sara, Isaque teve dois filhos: Esaú e Jacó (Gn 25.25,26). Embora Esaú tenha sido o primogênito, o herdeiro da porção dobrada, Deus havia dito que Jacó seria este herdeiro (Gn 25.23). Jacó veio a tornar-se o terceiro dos grandes patriarcas hebreus, através dos quais se formou o povo de Israel, por meio de quem o pacto messiânico foi perpetuado (Gn 28.12-15; Êx 2.24; Dt 6.10; Lc 1.68).

II – DEUS, O PROVEDOR DA VIDA DE ISAQUE

Em toda a história de Isaque vemos Deus agindo com providência. Desde a sua infância até a sua velhice. Abaixo destacaremos este cuidado divino na vida deste nobre patriarca:

2.1 Providência do nascimento (Gn 21.1,2). Desde muito cedo Isaque conheceu o que era providência divina. Sua mãe era estéril, ou seja, não podia gerar filhos. Todavia quando Deus chamou seus pais para fazer deles uma grande nação, prometeu-lhes um filho (Gn 12.2; 15.4; 17.16,19,21; 18.10). No entanto, três coisas impediam que o casal tivesse um filho, a saber: (a) Sara era estéril (Gn 11.30; 16.2); (b) a idade avançada de ambos (Gn 17.17; 18.12,13); e, (c) Sara já não ovulava mais (Gn 18.11). Deus de forma extraordinária, fez Sara conceber na sua velhice, contrariando todas as limitações humanas, com o seu poder extraordinário (Gn 21.7; Rm 4.19-21; Hb 11.11,12).

2.2 Providência do sacrifício (Gn 22.1-17). Deus pediu que Abraão oferecesse Isaque seu filho em sacrifício de holocausto. O patriarca mostrou-se disposto a obedecer, indo com o seu filho e dois moços para o monte que Deus mostraria. Ao chegar no devido lugar, pediu que seus servos ficassem esperando, pois ele e o moço iriam adorar, mas depois retornariam. Durante a subida, Isaque perguntou ao seu pai, onde estava o cordeiro para o sacrifício, ao que Abraão respondeu: “[…] Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho” (Gn 22.8-a). Ao chegarem no cume do monte, Isaque entendeu que seria sacrificado, mas mesmo assim mostrou-se voluntário em obedecer a voz de Deus (Gn 22.9,10). No clímax da provação, quando Abraão levantou o cutelo para imolar seu próprio filho, o Senhor bradou impedindo-o e providenciando a vítima para ser sacrificado no lugar de Isaque (Gn 22.11-13). Por certo, este momento ficou marcado na mente do pai e do filho, aperfeiçoando tanto a fé de um como de outro, no Deus da providência (Gn 22.14).

2.3 Providência da esposa (Gn 24.1-67). Após a morte de Sara, Abraão enviou um seu servo preferido à casa dos seus parentes, a fim de encontrar ali esposa para Isaque. Isso teve o propósito de preservar os laços raciais de Abraão, pois as jovens da região onde ele habitava não eram aceitáveis com esse propósito (Gn 24.3,4). O servo de Abraão ficou tão preocupado com essa tarefa que, orou ao Senhor para que Ele intervisse fazendo-o prosperar em sua missão (Gn 24.10-14). A Bíblia diz que Deus ouviu e encaminhou Rebeca ao encontro do servo de Abraão (Gn 24.15-21). Esta por sua vez, autorizada pelos pais, acompanhou o servo de Abraão e foi para Canaã. No caminho encontrou Isaque orando. Este veio ao seu encontro e tomando-a casou-se com ela (Gn 24.60-67). A Bíblia diz que “a casa e os bens são herança dos pais; porém do SENHOR vem a esposa prudente” (Pv 19.14).

2.4 Providência de filhos (Gn 25.21). Após o casamento, Isaque descobriu que Rebeca era estéril, ou seja, não podia gerar filhos. Diante desta situação, o patriarca resolveu tomar uma decisão, baseado em tudo o que já visto Deus realizar em toda a trajetória de seu pai e na sua. A Bíblia diz: a quem Isaque recorreu: “Isaque orou […] ao Senhor”; acrescenta dizendo que ele recorreu através da oração “[…] orou […] ao Senhor”; e ainda, diz que Isaque orou com perseverança: “orou insistentemente ao SENHOR […]”. Deus teve misericórdia de Isaque e Rebeca e respondeu as suas orações dando-lhe filhos gêmeos (Gn 25.21-24).

2.5 Providência de bens materiais (Gn 26.12). A Bíblia diz que, nos dias de Abraão, uma fome severa atingiu Canaã (Gn 12.10). De forma semelhante nos dias de Isaque “e havia fome na terra, além da primeira fome, que foi nos dias de Abraão […]” (Gn 26.1). Diante da escassez na Terra Prometida Isaque pensou em migrar para outro lugar a fim de buscar refúgio, no entanto a voz de Deus lhe advertiu dizendo: “[…] não desças ao Egito; habita na terra que eu te disser” (Gn 26.2-b). O Senhor acrescentou que mesmo na terra seca lhe abençoaria grandemente (Gn 26.3-6). Ali em Gerar, Deus começou a prosperar tudo o que Isaque punha sobre as suas mãos (Gn 26.12-14). Por estar sendo bem sucedido, Isaque despertou a inveja de seus vizinhos que procuraram prejudicá-lo, entulhando os poços que os servos de seu pai haviam aberto (Gn 26.14-22). Isaque mudava-se para outro lugar e Deus providenciava águas (Gn 26.22-25). A atitude pacífica de Isaque e a consequente prosperidade, levou Abimeleque que o havia expulsado, querer fazer aliança, reconhecendo que algo sobrenatural estava sobre o patriarca. Parecia que as águas corriam para onde Isaque ia (Gn 26.26-33).

III – O QUE APRENDEMOS COM A VIDA DE ISAQUE

Comparando a vida de Isaque com a de Abrão e Jacó, ele quase nada fez. Mas, segundo Gardner (1999, p. 281) “a importância de um homem diante do Senhor, não está em fazer, mas em ser”. Eis algumas coisas que podemos extrair como aprendizado para a nossa vida:

3.1 Ter comunhão com Deus. O relacionamento de Isaque com Deus caracterizava-se, pela confiança, pela submissão e pela devoção. Sua vida de oração e obediência nos mostra isso (Gn 22.9; 24.63; 25.21; 26.2,6,25). Jacó referiu-se a Deus como “o Temor de Isaque” (Gn 31.42,53), o que demonstra a completa devoção de Isaque ao Senhor. Para Isaque não bastava apenas ter um pai Abraão, e sim, ter a mesma fé e obras que ele (Lc 3.8; Jo 8.39).

3.2 Ter a certeza que Deus cuida de nós. Assim como Deus providenciou para Isaque suas necessidades físicas, emocionais e espirituais, Ele também suprirá as nossas. A Bíblia registra inúmeros casos de homens e mulheres que diante de necessidade de obterem alguma coisa, recorreram a Deus e Ele lhes providenciou o que pediam. Eis alguns casos: (a) o povo de Israel orou para ser liberto da escravidão no Egito e Deus lhes ouviu, enviando um libertador (Êx 3.7-9); (b) Ezequias orou ao Senhor para ser curado e alcançou a graça de Deus (Is 38.1-5); e, (c) muitos outros casos (I Sm 1.10-19; Sl 40.1; Jn 2.1-4; Dn 10.12; Lc 1.13; At 10.31). Jesus exortou-nos a orarmos a Deus, pois Ele está disposto a nos atender (Mt 7.7,8). O escritor da Epístola aos Hebreus diz que Ele “é galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6).

3.3 Ter caráter santo e as bençãos de Deus nos acompanharão. Isaque foi exortado por Deus a viver de forma santa em obediência a Palavra de Deus (Gn 26.5). Apesar do deslize da mentira que cometeu quanto a negação de que Rebeca era a sua esposa (Gn 26.7-10), não vemos em nenhum outro momento o patriarca comentando falhas morais. Em consequência disto observamos Deus fazendo-o prosperar extraordinariamente (Gn 26.12-14; 22-24). Apesar dos males que sofreu daqueles que lhe tinham inveja, Isaque permaneceu firme no Senhor, sem rebater as afrontas que sofreu, desfrutando assim das bençãos de Deus por onde quer que ia (Gn 26.18-33). A Bíblia diz que aquele que tem seu prazer na Lei do Senhor e nela medita de dia e de noite “tudo quanto fizer prosperará” (Sl 1.3-b).

CONCLUSÃO

Ao nos depararmos com a providência de Deus com o patriarca Isaque, nossa alma deve descansar, visto que, a manutenção da nossa vida por completo é certa, apesar das situações adversas que possamos enfrentar.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor Correa de. Dicionário Teológico. CPAD.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. Vol. 01. CPAD.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: https://ieadpe.org.br/

O cultivo das relações interpessoais

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2º TRIMESTRE 2016

MARAVILHOSA GRAÇA

O evangelho de Jesus Cristo revelado na carta aos romanos

COMENTARISTA: Pr. Jose Gonçalves

LIÇÃO 13 – O CULTIVO DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS – (Rm 16.1-16)

INTRODUÇÃO

Nesta última lição deste trimestre, analisaremos quais as últimas palavras de Paulo na epístola escrita aos crentes de Roma. Veremos que o apóstolo lista um bom número de servos e servas de Deus, deixando entender que não estava sozinho no trabalho, mas dispunha de excelente amizade estes preciosos cooperadores que lhe auxiliaram bastante no trabalho do Senhor. Concluiremos destacando também a preocupação paulina exortando os cristãos quanto ao cuidado da ortodoxia.

I – PAULO RECONHECE A IMPORTÂNCIA DOS COOPERADORES DA OBRA DE DEUS

No capítulo 16 da Epístola aos Romanos, o apóstolo envia as suas saudações carinhosas às pessoas que ele conhece em Roma (Rm 16.1-16). A maioria delas não é mencionada em outros textos do NT, mas por trás da menção dos nomes obviamente está uma riqueza de personalidade, serviço e cordial comunhão, isto porque Paulo sabia cultivar um bom relacionamento interpessoal com os irmãos e seus cooperadores. Abaixo destacaremos estas saudações:

  • Febe, a portadora da epístola aos Romanos (Rm 16.1,2). Febe, era uma cristã que cooperava na igreja em Cencréia. A Bíblia nos fala pouco sobre ela. Ela apenas aparece no capítulo dezesseis da epístola aos Romanos sendo a pessoa que levaria esta carta aos crentes de Roma. “Talvez Febe tenha concordado em levar a carta de Paulo aproveitando uma viagem de negócios na capital” (RADMACHER, 2010, 403). Abaixo destacaremos algumas de suas características:
    • Uma irmã recomendável (Rm 16.1-a). As cartas de recomendação eram comuns e necessárias naquele tempo (At 18.27; 2Co 3.1), uma vez que os crentes precisavam contar com a hospitalidade dos irmãos quando viajavam de uma cidade para Igualmente, eram necessárias para proteger a igreja de charlatães”. A palavra “recomendar” significa: “indicar” (SOARES, 2008, p. 76). Tal indicação tinha um peso muito grande porque foi feita pelo próprio apóstolo Paulo, mostrando assim a extrema consideração que este tinha por esta nobre serva de Deus.
    • Uma serva disposta (Rm 16.1-b). Febe também é destacada por Paulo como “nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencréia”. A expressão “serve” é a palavra grega ‘diakonon’, usada pelo apóstolo para descrever Febe, é o feminino do termo “diáconos”. O simples uso do termo não significa que Febe tivesse esse ofício, mas, o termo denota simplesmente o exercício da caridade e da hospitalidade que caracterizava a vida de todo verdadeiro crente e que Febe manifestava em assinalado grau. Na igreja primitiva, as mulheres se ocupavam da oração (At 1.14) e do serviço assistencial (At 9.36-42; Rm 16.1,2). Não há na Bíblia nenhuma referência a mulheres exercendo atividades ministeriais. Na escolha de Jesus foram convocados doze homens (Mt 10.1-4; Mc 3.13-19; Lc 6.12-16 ), na substituição de Judas foi eleito um homem (At 1.15-26), na escolha dos primeiros diáconos os apóstolos disseram: “Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões…” (At 6.3), no concílio de Jerusalém os rumos da igreja foram traçados por homens (At 15), em Apocalipse 2 e 3, são mencionados os pastores (homens) das igrejas da Ásia. A Bíblia é clara, embora as mulheres tenham importante papel ao longo das páginas do NT aparecendo na linhagem e no ministério de Cristo (Mt 1.3,5,6,16; Lc 8.1-3), Deus conferiu apenas aos homens o exercício da liderança eclesiástica da igreja (Ef 8-11).
    • Uma mulher acolhedora (Rm 16.1-c). Paulo lembra que a irmã Febe “tem hospedado a muitos, como também a mim mesmo”. Por certo quando esteve em Corinto, o apóstolo foi acolhido em sua casa (At 18). Semelhante postura teve Lídia, quando o apóstolo esteve em Filipos (At 16.14,15). Febe usou seus recursos não apenas para seu deleite e conforto, mas para sustentar e socorrer muitos irmãos. Era uma mulher altruísta, abnegada, desapegada das coisas materiais e apegada às pessoas. Sua vida, sua casa e seus bens estavam a serviço da
  • Priscila e Áquila, um casal servidor (Rm 16.3,4). Priscila e Áqüila eram um casal, e haviam se tornado amigos íntimos de Paulo. Eles, juntamente com todos os outros judeus, tinham sido expulsos de Roma em 49 d.C. pelo Imperador Cláudio e tinham se mudado para Corinto (At 18.2,3). Ali eles conheceram a Paulo enquanto ele estava em sua segunda viagem missionária, e eles o convidaram para viver e trabalhar com Em algum momento, eles regressaram de mudança para Roma quando tiveram a permissão de voltar. Mais tarde, eles voltaram a Éfeso (2 Tm 4.19).
    • Um casal de cooperadores (Rm 16.3). Em Romanos 16, o apóstolo os chama de “meus cooperadores em Cristo”. A palavra “cooperador” no grego “sunergos” quer dizer “trabalhador com”, dando uma ideia de “ajuda, companheirismo” (VINE, 2002, p. 508). Este nobre casal destacou-se por prestar um serviço relevante ao apóstolo na cidade de Corinto (At 18.1-3). Depois, Paulo vai para Éfeso e Priscila e Áqüila o acompanharam (At 18.18). Lá se depararam com o eloquente e fervoroso pregador chamado Apolo, o qual foi instruído pelo casal mais acuradamente acerca do caminho do Senhor (At 18.24-26). Pelas saudações paulinas percebemos que este casal abrigou em sua casa, a igreja do Senhor, revelando que desde o começo foram pessoas que conservaram um coração aberto e uma porta aberta (Rm 5-a; I Co 16.10).
  • Um casal disposto a se sacrificar (Rm 16.4). É extraordinário saber que Paulo dispunha de cooperadores ao seu lado, que estavam dispostos a até mesmo morrerem por ele, como o apóstolo mesmo assevera acerca deste casal “os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças” (Rm 16.4-a). Não sabemos em que momento histórico do ministério de Paulo este fato se deu. Alguns supõem, pelas Escrituras, que tenha sido em Éfeso, onde houve vários tumultos que podiam resultar na iminente morte do apóstolo (At 19.23-31; I Co 15.32). Ele estava agradecido por terem salvado a sua vida, e as igrejas dos gentios também: “o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios”.
  • Outros excelentes cooperadores (Rm 16.5-15). Diversos outros cooperadores são citados pelo apóstolo Paulo no último capítulo da epístola aos Romanos. Há duas coisas interessantes para notar:
    • Dos vinte e nove, nove são mulheres. Isto é digno lembrar-se, porque frequentemente se acusa a Paulo de menosprezar a situação das mulheres na Igreja. Se quisermos realmente ver a atitude de Paulo para com as mulheres na Igreja, deveremos ler uma passagem como esta, onde sua apreciação pelo trabalho que elas podiam fazer na Igreja brilha e reluz através de suas palavras. Esse capítulo menciona nove mulheres, a saber: Febe (v. 1), Priscila (v. 3), Maria (v. 6), Trifosa e Trifena (v. 12); Pérside (v. 12), a mãe de Rufo (v. 13), Júlia (v. 15) e a irmã de Nereu (v. 15).
    • Dos vinte e nove, vinte são homens. Paulo, sem sombra de dúvidas, foi o maior missionário da igreja primitiva. No entanto, é preciso destacar que o sucesso do ministério confiado por Deus a este apóstolo, foi possível também pelos muitos cooperadores fiéis que estavam ao seu lado auxiliando-o. Paulo estava tão ciente disto que, no encerramento da epístola aos Romanos, ele elenca alguns destes nobres servos de Deus. Esse capítulo menciona dezoito homens, a saber: Áquila (v. 3), Epêneto (v. 5), Andrônico e Júnias (v. 7), Amplias (v. 8); Urbano e Estáquis (v. 9); Apeles e Aristóbulo (v. 10), Erodião e Narciso (v. 11), Rufo (v. 13), Asíncrito, Flegonte, Hermes, Pátrobas, Hermas (v .14), Filólogo, Nereu e Olimpas (v. 15).

II – EXORTAÇÕES PAULINAS QUANTO AS AMEAÇAS INTERNAS CONTRA A IGREJA

No capítulo 16 dos versículos o apóstolo passa da saudação a alguns crentes da igreja de Roma à exortação à igreja de Roma. Destacamos aqui alguns pontos:

  • Discernimento para detectar os hereges (Rm 16.17-a). Paulo sabia que a Igreja não somente sofre ataques externos, mas também ataques internos. Quando trouxe esta exortação aos cristãos romanos, Paulo estava falando dos judaizantes e dos libertinos, ou de qualquer outro ensino contrário ao evangelho. “O verbo “notar” significa “vigie-os. mantenha os olhos neles”. É certo a igreja manter os olhos nos ‘itinerantes eclesiásticos’, que vão de uma igreja para outra, causando problemas e divisões” (WIERSBE, 2008, p. 446). Tal discernimento era peculiar também da igreja em Éfeso (Ap 1,2).
  • Atitude de desviar-se deles (Rm 16.17-b). Para Paulo não bastava detectar o herege, era necessário afastar-se dele. “A expressão desviar-se significa, literalmente, “virar as costas para eles”. Paulo queria que os crentes evitassem ativamente a tais perturbadores, mas também queria que lhes fizessem oposição, frustrando-lhes os seus maus desígnios” (CHAMPLIN, 1998, p. 881). Sabendo de suas artimanhas, o apóstolo cita pelo menos três características deles, a saber:
    • A quem realmente eles servem. Paulo diz que eles “não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre”. Segundo Champlin (1998, p. 881). A expressão “ao seu ventre”, indica aqui que o serviço ao próprio ‘eu’ é o grande alvo daquela gente; mas Paulo apresenta um fraseado tal que nos da a impressão de que podemos suspeitar que ele queria dizer que as ‘ambições vis’ e a ideia de lucro financeiro era o que ocupava os pensamentos daqueles homens, por detrás de qualquer serviço que supostamente prestassem a outros ou a igreja de Cristo”.
    • Qual a sua metodologia. O apóstolo diz “e com suaves palavras e lisonjas enganam”; Segundo Barclay, (sd, p. 230 – itálico e negrito nosso), existe o termo que se traduz com suaves palavras que é ‘crestologia. Os próprios gregos definiam a um ‘crestologos’ como “um homem que fala bem e que age mal”. É o tipo de homem que, atrás de uma fachada de palavras pias e religiosas, é uma má influência; o homem que faz desencaminhar, não por um ataque direto, mas sutilmente; o homem que pretende servir a Cristo, mas que na realidade está destruindo a fé.
  • Quem é o seu público-alvo. Paulo diz que tais enganadores preferem seduzir “os corações dos simples”. “Estes são as pessoas inofensivas, que também não esperam jamais ser enganadas por outros; por essa mesma razão é que podem ser enganadas com tanta facilidade. Julgam o pregador por suas belas expressões verbais, ao mesmo tempo que se mostram insensíveis para com seus erros doutrinários e morais. Em si mesmas são inocentes, mas falta-lhes a prudencia necessária para aquilatar corretamente os outros” (CHAMPLIN, 1998, p. 881).

CONCLUSÃO

O apóstolo Paulo conclui a epístola aos Romanos destacando a maturidade dos crentes (Rm 16.19); relembrando a vitória final sobre Satanás, por meio da Igreja (Rm 16.20); desejando que a graça de Deus permaneça com eles (Rm 16.24); e, por fim, rendendo ações de graças ao Deus que se revelou em Cristo cumprindo as profecias do AT (Rm 16.25-27).

REFERÊNCIAS

  • BARCLAY, Comentário da Carta aos Romanos. PDF.
  • CHAMPLIN, N. O Antigo Testamento Interpretado – Gênesis a Números. HAGNOS.
  • RADMACHER, Earl O Novo Comentário Bíblico: Novo Testamento. CENTRAL GOSPEL.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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Próxima Lição:

Lições Bíblicas Adultos do 3º Trimestre de 2016  – CPAD
Título: O Desafio da Evangelização
Subtítulo: Obedecendo ao Ide do Senhor Jesus de Levar as Boas-Novas a Toda Criatura
Comentário: Pr. Claudionor de Andrade
Sumário:
Lição 1 – O que É EvangelizaçãoLições Bíblicas Adulto 3 tri 2016
Lição 2 – Deus, o Primeiro Evangelista
Lição 3 – Igreja, Agência Evangelizadora
Lição 4 – O Trabalho e Atributos do Ganhador de Almas
Lição 5 – A Evangelização Urbana e suas Estratégias
Lição 6 -A Evangelização dos Grupos Desafiadores
Lição 7 – O Evangelho no Mundo Acadêmico e Político
Lição 8 – A Evangelização dos Grupos Religiosos
Lição 9 – A Evangelização das Crianças
Lição 10 – O Poder da Evangelização na Família
Lição 11 – A Evangelização das Pessoas com Deficiência
Lição 12 – A Evangelização Real na Era Digital
Lição 13 – A Evangelização Integral nesta Última Hora

A maravilhosa Graça

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2º TRIMESTRE 2016

MARAVILHOSA GRAÇA

O evangelho de Jesus Cristo revelado na carta aos romanos

COMENTARISTA: Pr. Jose Gonçalves

LIÇÃO 05 – A MARAVILHOSA GRAÇA – (Rm 6.1-12)

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos que a situação espiritual do homem, quer seja judeu ou gentio,Maravilhosa Graça - mestre destacada por Paulo na epístola aos Romanos é de pecado generalizado. Todavia, Deus soberanamente decidiu, por sua graça, manifestar a salvação através de Cristo Jesus. Pontuaremos as duas principais deturpações e as devidas refutações quanto a compreensão da graça que surgiu na história da igreja; e, por fim, destacaremos ainda que, somente pela graça o homem pode ser salvo.

I – A SITUAÇÃO DO HOMEM E A MANIFESTAÇÃO DA GRAÇA DE DEUS

1.1 A condição pecaminosa dos judeus e gentios. Na epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo apresenta a situação geral do gênero humano: “Ninguém é justo diante de Deus” (Rm 3.10-18). Portanto, os judeus não são melhores que os gentios, pois ambos estão debaixo do pecado” (Rm 3.9). Diversas passagens do AT mostram essa triste realidade (Is 59.4-8; Ec 7.20; Sl 14.2-3; 53.2-3), pois todos estão corrompidos e precisam de um Salvador (Rm 3.13-18; Sl 5.9; 10.2-8; 36.1; Is 59:7-8). Em Adão todos pecaram (Rm 5.12), e consequentemente, estão destituídos da glória de Deus (Rm 3.23); condenados (Rm 5.16); e, mortos (Rm 6.23-a).

1.2 A perfeição da Lei e a imperfeição do homem. Deus deu a Lei natural aos gentios (Rm 2.14) e a Lei de Moisés ao povo de Israel (Rm 9.4), ambas condenaram ambos os povos (Rm 2.14; 23-25). Referindo-se especificamente ao Decálogo (Dez Mandamentos), Paulo diz que: “o mandamento é santo, justo e bom” (Rm 7.12). Todavia, o homem não tem condições de cumprir a Lei, por causa de seu estado de pecado (Rm 7.14-21). Aliás, quando forneceu a Lei ao homem, Deus não tinha o propósito de que por ela, o pecador viesse a ser salvo, por isso, ele instituiu sacrifícios, porque sabia da fragilidade humana (Lv 1.5; 16.33). Na verdade a Lei, segundo Hoff (1995, p. 66) foi dada com três objetivos: (a) Proporcionar uma norma moral aos homens (Êx 19.4-6; 20.1-17); (b) demonstrar a natureza e o caráter de Deus (Lv 11.44,45; 19.2; 20.7,26; 21.8); e, (c) Mostrar à humanidade seu estado pecaminoso e revelar que, só pela graça, podemos ser salvos (Rm 3.20; Gl 3.24,25).

1.3 A manifestação da salvação pela graça. Se o gentio e o judeu são igualmente culpados diante de Deus e não podem por si mesmos serem justos, como poderá o homem ser salvo? Paulo nos responde: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 6.23). Embora o homem merecesse a separação eterna de Deus por causa de sua rebeldia deliberada, por sua graça, ou seja favor imerecido, Deus revolveu conceder gratuitamente a vida eterna aqueles que não merecem. Portanto “a graça divina é, então, Deus mesmo renunciando ao exercício do justo castigo por sua livre e soberana decisão” (ALMEIDA, 1996, p. 28).

II – A GRAÇA DE DEUS E AS DETURPAÇÕES

Desde o primeiro século da igreja até os dias atuais o ensino sobre a graça de Deus tem sofrido deturpações (Rm 1.25; 2Pe 3.15,16). Há aqueles que acham que o homem não pode ser salvo apenas pela graça, fazendo-se necessário a guarda da Lei (At 15.1,5); e a outros que acreditam que, já que somos salvos pela graça, independente das obras, nada que façamos de mal depois de salvos poderá nos fazer perder esta salvação (Rm 6.1). Abaixo destacaremos pelos menos dois principais grupos que deturparam este precioso ensino. Vejamos:

2.1 O Legalismo defendido pelos judaizantes. “Os judaizantes foi um movimento surgido nas primeiras décadas da Igreja Cristã, cujo objetivo era forçar os crentes gentios a observar a Lei de Moisés (legalismo), principalmente a Lei cerimonial, que incluía: a prática da circuncisão, a abstinência de alguns alimentos e a guarda do sábado e dias tidos como especiais (Cl 2.16-23). Na verdade, esse movimento pretendia reduzir o Cristianismo a uma mera seita judaica” (ANDRADE, 2006, p.242). Contra esta pretensão, que contrariava frontalmente a Nova Aliança, levantou-se Paulo veementemente em suas cartas (Rm 3.28; Gl 2.16; 3.11; 3.24). Os modernos defensores do novo legalismo procuram enganar os incautos com citação de textos bíblicos isolados, os quais eles torcem em favor de seus pontos de vista. Portanto, as leis do Antigo Pacto destinadas diretamente a nação de Israel, tais como: as leis sacrificiais, cerimoniais, sociais ou cívicas (Lv 1.2-3; 24.10), já não são obrigatórias para quem está no Novo Pacto (Cl 2.16-17; At 15.24-29; Hb 10.1-4).

2.2 O Antinomismo defendido pelos gentios. Em Romanos 6.1 o apóstolo Paulo faz a seguinte pergunta: “Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?”. Em seguida ele responde: “De modo nenhum” (Rm 6.2-a). “Paulo destrói a aparente lógica desse argumento apontando que o desejo de continuar pecando (uma vez que o perdão de Deus esta garantido) mostra que o indivíduo não entendeu o significado da graça ou a gravidade do pecado” (TOKUMBOH, 2010, p. 1395). Alguns intérpretes da Bíblia alegam que esta pergunta de Paulo foi formulada porque certos grupos libertinos, levaram seus ensinamentos ao extremo, por exemplo o da justificação pela fé independente das obras (Rm 3.28). Estes afirmavam que, desde que uma pessoa tivesse fé em Cristo (isto é, cresse nas coisas certas a respeito de sua divindade e em sua obra realizada para conceder perdão), não importaria se os atos dela fossem bons ou maus. Aqueles que pensam dessa forma são chamado de antinomistas. A palavra Antinomismo “Do grego “anti” que significa: “contra”, e “nomos”, “lei”. Alegam os antinomistas que, salvos pela fé em Cristo Jesus, já estamos livres da tutela de Moisés. Ignoram, porém, serem as ordenanças morais do Antigo Testamento pertencentes ao elenco do direito natural que o Criador incrustara na alma de Adão. Todo crente piedoso os observa; pois o Cristo não veio ab rogá-los; veio cumpri-los e sublimá-los” (ANDRADE, 2006, p. 51 – acréscimo nosso).

III – SOMENTE PELA GRAÇA O SER HUMANO PODE SER SALVO

O apóstolo Paulo foi o principal instrumento humano para transmitir o pleno significado da graça em Cristo. Não é de admirar que mais tarde ele viesse a ser conhecido como “o apóstolo da graça”. Com maestria, ele nos fala sobre a graça de Deus na epístola aos Romanos de forma abundante (Rm 1.5,7; 3.24; 4.4,16; 5.2; 5.15,17,18; 5.20; 5.21; 11.6). No NT, a palavra graça no grego é “charis”, que indica graciosidade, favor”. Abaixo destacaremos algumas verdades sobre este maravilhoso favor segundo a teologia paulina:

3.1 A graça é um ato soberano (Rm 1.7; 5.15; Tt 2.11). Nos referidos textos, Paulo nos diz que a graça procede soberanamente de Deus. Isto porque o favor lhe pertence e vem dEle, como sua fonte originária (I Co 15.10; I Pe 5.10). Segundo a Bíblia Deus manifestou a sua graça em toda a sua plenitude na Pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo (II Co 8.9; 13.13; Gl 1.6; 6.18; Ef 2.7; Fp 4.23; Ap 22.21). “A expressão ‘manifestar’ no original se relaciona ao substantivo ‘epifania’, ou seja, ‘aparecimento’ ou ‘manifestação’ (por exemplo, do sol ao amanhecer). A graça de Deus surgiu repentinamente sobre os que estavam nas trevas e na sombra da morte (Ml 4.2; Lc 1.79; At 27.20; Tt 3.4)” (HENDRIKSEN, 2001, p. 453).

3.2 A graça é imerecida (Rm 3.24; 11.6; Ef 2.5.7-8). A palavra traduzida como graça significa “favor imerecido”. Para falar sobre este favor imerecido ao pecador, Paulo usa a seguinte argumentação: “Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Rm 4.4,5). Nestes versículos, o apóstolo deixa claro que a salvação é concedida ao homem sem ele merecer. Não há nada que o homem faça para o tornar digno de ser salvo, pois a graça aniquila qualquer obra que visa receber a salvação por mérito “Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.9). Segundo Soares (p. 76) “A graça é o favor imerecido de Deus para com o pecador; é a bondade para quem apenas merece o castigo”.

3.3 A graça é suficiente (Rm 3.24; Ef 2.8). Paulo nos mostra que a Lei não é suficiente para salvar o homem. Até porque seu propósito é revelar o pecado e não extirpá-lo (Rm 7.7). Todavia, a graça de Cristo faz por nós aquilo que a Lei nunca poderia. Um dos pontos da Reforma Protestante é o “sola gratia” que diz que embora a fé seja o caminho dado por Deus para a salvação, não é ela quem nos salva, mas a graça “Porque pela graça sois salvos” (Ef 2.8-a). Lutero refutou o ensino católico romano da salvação pelas obras, alegando com base no que diz a Bíblia, que é pela graça, o favor imerecido de Deus, que ele nos concede a bênção da salvação (At 15.11; Rm 11.6).

3.4 A graça não faz acepção (Rm 1.16; 3.29; 9.24). Desde o início, a proposta divina sempre foi estender a bênção da salvação a todos os homens indiscriminadamente (Gn 12.3; Gl 3.8). É errôneo pensar embora “todos pecaram” (Rm 3.23), somente os eleitos serão salvos. Em Tito 2.11 Paulo diz “[…] a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens”. A vinda do Messias mostra claramente que, Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9; I Pe 1.17). Portanto, a graça de Deus que nos é oferecida mediante o evangelho, é derramada sobre todos em pé de igualdade, ou seja ela alcança tanto judeus como gentios (Gl 3.14; Ef 3.6).

3.5 A graça pode ser resistida (At 18.5,6). A ideia de que a graça é irresistível está ligada a Agostinho. “De acordo com ele, a graça de Deus atua incondicional e irresistivelmente nos eleitos, garantindo a salvação deles, produzindo a reação favorável dos homens para com o evangelho e garantindo que essa reação seja absolutamente completa e eficaz” (CHAMPLIN, 2004, p. 957). A Bíblia, no entanto, nos mostra que o homem pode por seu livre arbítrio aceitar ou rejeitar o plano divino para a sua salvação (At 4.4; 9.42; 17.4; Hb 3.15; 4.7). O povo de Israel é a maior prova de que a graça não é irresistível, pois o apóstolo João diz: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11). Jesus quando estava em frente ao Monte das Oliveiras declarou: “Jerusalém, Jerusalém, […] quantas vezes QUIS EU ajuntar os teus filhos, […] e TU NÃO QUISESTE!” (Mt 23.37). Confira ainda: (At 7.51; 18.6).

CONCLUSÃO

Apesar da queda da raça humana, Deus, por sua maravilhosa graça decidiu soberanamente salvar o homem caído em pecado, por meio de Jesus Cristo. Esta graça alcança a todos os homens indistintamente e apesar de nos salvar independente das obras, nos impele a uma vida de santificação que é a evidência visível da salvação.

REFERÊNCIAS

  • ALMEIDA, Abraão de. O Sábado, a Lei e a Graça. CPAD.
  • ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • HOFF, Paul. O Pentateuco. VIDA.
  • TOKUMBOH, Adeyemo. Comentário Bíblico Africano. MUNDO CRISTÃO.

Fonte: REDE BRASIL

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Os benefícios da justificação

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2º TRIMESTRE 2016

MARAVILHOSA GRAÇA

O evangelho de Jesus Cristo revelado na carta aos romanos

COMENTARISTA: Pr. Jose Gonçalves

LIÇÃO 04 – OS BENEFÍCIOS DA JUSTIFICAÇÃO – (Rm 5.1-12)

INTRODUÇÃO

Nesta lição, destacaremos que o ato da justificação concedida por Deus ao homem por meio de Cristo Jesus, trás consigo muitos benefícios, tais como: paz com Deus, acesso a graça, esperança, reconciliação e glorificação. Veremos ainda que por causa de um homem, Adão, todos se fizeram pecadores; todavia, por causa também de um homem, Cristo Jesus, todos poderão ser salvos. Por fim, pontuaremos que a motivação que impulsionou Deus a declarar justo o pecador foi o seu grande e incomparável amor revelado na Pessoa de Seu Bendito Filho.

I – O QUE SIGNIFICA A PALAVRA BENEFÍCIO

Segundo o Aurélio (2004, p. 285) a palavra “benefício” significa: “serviço ou bem que se faz gratuitamente; favor; mercê, graça”. A Bíblia nos mostra que Deus graciosamente dispensa benefícios aos seres humanos, no sentido de prover os meios de subsistência a todos, sem distinção (Mt 5.45; At 17.25). Todavia, dispensa também de forma especial, favores espirituais e eternos, exigindo-lhes fé em seu Bendito Filho Jesus Cristo (Jo 3.16 Rm 5.20).

II – QUAIS OS BENEFÍCIOS DA JUSTIFICAÇÃO

Depois de falar sobre a necessidade da justificação (Rm 1.18; 3.20) e do meio pelo qual fomos justificados (Rm 3.21; 4.25), o apóstolo Paulo descreve os frutos da justificação (Rm 5.1-12), como veremos a seguir:

2.1 Paz com Deus (Rm 5.1). O termo grego para paz é “eirene” que nos dá a ideia de “harmonia”, “acordo”, “descanso” e “quietude”. A paz com Deus só é possível mediante a justificação pela fé. Pois o pecador, em seu estado de pecado, encontra-se em inimizade com Deus, visto que o pecado é uma violação da vontade de Deus (Os 4.1; Tg 4.4). “Ter paz com Deus significa que não há mais hostilidade entre nós e Deus e que o pecado não bloqueia o nosso relacionamento com Ele. Mais do que isso, um novo relacionamento foi estabelecido e assim não mais tememos o resultado do julgamento, mas vivemos sob a proteção estabelecida por Deus” (APLICAÇÃO PESSOAL, 2010, vol. 02, p. 40).

2.2 Acesso a graça (Rm 5.2). Além da paz, Paulo nos diz que em Cristo pela fé temos “acesso a graça”. “No grego a expressão usada por Paulo é “ten prosagogen” que significa “nossa entrada”. A ideia é a entrada na câmera de audiências de um monarca. É bom destacar que não vamos até ali por nossos próprios esforços, mas precisamos de um ‘introdutor’ – que é Cristo” (BEACON, 2006, p. 80 – acréscimo nosso). Diversos textos da Bíblia, nos mostram que a nossa entrada a presença de Deus encontrava-se bloqueada por causa do pecado (Gn 3.22-24; Is 59.2; Rm 3.23). Todavia, justificados por Jesus Cristo, as barreiras foram tiradas, para que tivéssemos acesso a graça de Deus (Ef 2.13; I Pe 2.10). Portanto, “Jesus nos abre as portas à presença do Rei dos reis; e quando essas portas se abrem o que achamos é graça; não condenação, nem juízo, nem vingança, mas a pura, imerecida, incrível bondade de Deus” (BARCLAY, sd, p. 81 – acréscimo nosso).

2.3 Esperança da glória (Rm 5.2-b). No estado de pecado o homem vive sem paz, sem esperança e sem Deus no mundo (Ef 2.12). A Bíblia diz que “a humanidade foi criada para a glória de Deus, mas por causa do pecado, “todos foram destituídos da glória de Deus” (Rm 3.23). É o propósito de Deus recriar a sua imagem e a sua glória de forma completa em nós, de modo que possamos estar firmes; e nos gloriarmos na esperança da glória de Deus” (APLICAÇÃO PESSOAL, 2010, vol. 02, p. 40).

2.4 Salvo da ira (Rm 5.9). A expressão “ira” segundo Vine (2002, p. 723) que dizer: “raiva ardente”, “indignação” e “furor”. Na condição de pecador o homem está sobre a ira de Deus, já no presente (Jo 3.36; Rm 1.18), e irá experimentar desta ira plenamente no futuro, quando todos os pecadores serão julgados e sentenciados a condenação eterna (Rm 2.5,16; Ap 20.11-15). Mas, quando justificado, este pecador remido é salvo desta ira presente e futura, pois para ele já não há mais condenação, visto que este creu que Cristo assumiu a sua culpa quando morreu na cruz (Jo 5.24; I Ts 1.10; Ap 3.10).

2.5 Reconciliação (Rm 5.10,11). No grego a expressão reconciliar “katallage” significa: “restauração à benevolência divina, conciliação” (PALAVRA- CHAVE, 2009, p. 2257). Segundo Champlin (2004, p. 574), a reconciliação “consiste da mudança da relação de hostilidade que existiu entre dois indivíduos, passando eles a serem amigos entre si. Essa relação de hostilidade é alterada para a relação de paz”. Por causa do pecado, o homem quebrou a sua comunhão com Deus (Gn 3.23- 24; Rm 3.23). Porém, apesar de o primeiro Adão ter criado o abismo, o segundo Adão, Cristo, construiu a ponte, nos reconciliando com Deus (II Co 5.18,19; Cl 1.20,21).

2.6 Glorificação (Rm 5.10-a). Paulo ainda diz que uma das bençãos subsequentes a justificação é a glorificação. No plano da salvação, a glorificação é a etapa final a ser atingida por aquele que recebe a Cristo como Salvador e Senhor de sua alma. A glória de Cristo será partilhada plenamente com seus santos no arrebatamento da igreja (I Co 15.53,54; Cl 3.4; I Jo 3.2).

III – AS DIFERENÇAS ENTRE ADÃO E CRISTO

“O contraste entre Adão e Jesus Cristo é que um único ato de Adão determinou a natureza do mundo; um único ato de Cristo determinou a natureza da eternidade. Em terminologia moderna, podemos dizer que Adão foi um protótipo imperfeito, mas Cristo é o original perfeito. Assim como Adão era um representante da humanidade original. Cristo é o representante da nova humanidade espiritual” (APLICAÇÃO PESSOAL, 2010, p. 42). Na tabela abaixo veremos qual o estado ou condição do homem que está em Adão e do que está em Cristo:

ADÃO

CRISTO

Seu nome significa: homem ou humanidade

Seu nome significa: Deus salva

Pecou contra Deus (Gn 3.6; Os 6.7; Rm 5.12-a)

Obedeceu a Deus (Mt 5.17; Fp 2.8; Hb 5.8)

Nos fez pecadores (Rm 5.19-a)

Nos faz justos (Rm 5.19-b)

Prejudicou toda a humanidade (Rm 5.12)

Beneficiou toda a humanidade (Rm 5.12-b; 17-b)

Fomos afastados de Deus (Gn 3.24; Rm 3.23)

Fomos reconciliados com Deus (Rm 5.10-11; II Co 5.18)

Nele morremos (Rm 5.12,15-a; 17-a; 6.23-a)

Nele vivemos (Rm 5.17-b; 6.23-b)

Trouxe a condenação (Rm 5.16-a; 18-a)

Trouxe a salvação (Rm 5.16-b; 18-b)

IV – A GRANDEZA DO AMOR DE DEUS

Após falar da justificação como um ato divino de declarar inocente o culpado, o apóstolo Paulo nos fala sobre o incomparável amor divino, pois este foi a motivação que impulsionou Deus a graciosamente nos conceder graciosamente a salvação. “O amor pode ser definido como o “sentimento que constrange a buscar, desinteressadamente e sacrificialmente, o bem de outrem. O amor é o mais alto e sublime atributo comunicável de Deus. João diz que Deus é amor (I Jo 4.8). Somente o amor seria capaz de predispor a Deus a buscar o bem de uma humanidade corrompida, e que só se ocupava em quebrantar-lhe as leis” (ANDRADE, 2006, p. 42 – acréscimo nosso). Vejamos o que nos diz Paulo sobre isso:

4.1 O amor de Deus foi aplicado (Rm 5.5). O apóstolo Paulo nos ensina que a razão da confiança por parte dos que tem fé é que o amor de Deus esta derramado em nosso coração. Quando a pessoa confia em Cristo e o recebe, ela recebe o Espírito Santo (Rm 8.9), que constantemente a encoraja a manter sua esperança em Deus. “A presença do Espírito Santo em nossa vida nos torna cientes do amor de Deus, e esse amor nos dá esperança inabalável no porvir. Logo, o cristão nunca deve desistir diante do sofrimento, pois Deus certamente cumprira suas promessas” (TOKUMBOH, 2010, p. 1394)

4.2 O amor de Deus foi imerecido (Rm 5.6,7). Paulo nos diz que Deus nos amou quando éramos “fracos” (Rm 5.6-a); “ímpios” (Rm 5.6-b); “pecadores” (Rm 5.8-b); e, “inimigos de Deus” (Rm 5.10), ou seja, não merecíamos tão grande e excelente amor. Paulo diz que é possível que alguém se encoraje a morrer por um justo, ou seja, por um homem íntegro e honesto, um cidadão respeitável e bom, uma pessoa útil ou benevolente. Porém, Cristo morreu por nós, sendo nos ainda pecadores. “Essa é uma demonstração clara do amor de Deus. Ele nos recebe do jeito que estamos e, a partir daí, começa a fazer algo novo e belo” (RADMACHER, 2010, p. 373).

4.3 O amor de Deus foi provado (Rm 5.7,8). Sem sombra de dúvida, a maior revelação do amor Deus para com a humanidade está na Pessoa de Cristo Jesus. Em João 3.16, o Senhor Jesus afirmou isso: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito[…]”. Confira também: (Is 9.6; Mt 20.28; Jo 15.13; Rm 8.32). Jesus veio ao mundo para mostrar qual é e sempre foi a atitude de Deus para com os homens. Ele veio para provar aos homens incontestavelmente que Deus é amor. “A morte de Cristo é a mais alta manifestação do amor de Deus por nós. Embora fôssemos rebeldes e desprezíveis. Cristo morreu por nós para que assim pudéssemos chegar a Deus, ter paz com Ele e nos tornarmos herdeiros de suas promessas. Cristo não morreu para que nos tornássemos pessoas amadas; Cristo morreu porque Deus já nos amava e queria nos levar para junto de si” (APLICAÇÃO PESSOAL, 2010, p. 41).

CONCLUSÃO

Por causa do seu grande amor pela humanidade, Deus enviou Jesus Cristo ao mundo para que, por meio dele, o pecador pudesse ser justificado. Essa justificação trás consigo grandes benefícios espirituais, e sem dúvida, o maior deles é a possibilidade que o homem tem de reatar a sua comunhão com Deus outrora perdida no Éden.

REFERÊNCIAS

  • ADEYEMO, Tokumboh. Comentário Bíblico Africano. CPAD.
  • APLICAÇÃO PESSOAL, Comentário do Novo Testamento. Vol. 02. CPAD.
  • BARCLAY, William. Comentário do Novo Testamento. PDF.
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • CLAUDIONOR, Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
  • HOWARD, R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon. Vol 08. CPAD.
  • LOPES, Hernandes dias. Comentário Exegético de Romanos. HAGNOS.
  • RADMACHER, Earl D. O Novo Comentário Bíblico: Novo Testamento. CENTRAL GOSPEL.

 

Fonte: REDE BRASIL

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