A pecaminosidade humana e a sua restauração a Deus

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO Nº 6 – A PECAMINOSIDADE HUMANA E A SUA RESTAURAÇÃO A DEUS

INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos a origem do pecado à luz da Bíblia no mundo espiritual e físico; falaremos sobre o pecado herdado, onde será pontuado que ele afetou todo o ser do homem, mas não destruiu completamente a imagem de Deus, e nem anulou a capacidade de escolha humana; estudaremos que a salvação é uma iniciativa divina, mas, exige a responsabilidade do homem, e que ela está acessível a todos sem distinção. E por fim, relataremos algumas bençãos provenientes da restauração a Deus com sendo a paz com Ele, o acesso ao pai e a filiação divina.

I – A ORIGEM DO PECADO À LUZ DA BÍBLIA

A palavra hebraica “hatah” e a grega “hamartia” originalmente significam: “errar o alvo, falhar no dever” (Rm 3.23).

Existem outras várias designações bíblicas para o pecado, muito mais do que há para o bem. Cada palavra apresenta a sua contribuição para formar a descrição completa desta ação horrenda contra um Deus santo. Em um sentido básico pecado é: “a falta de conformidade com a lei moral de Deus, quer em ato, disposição ou estado” (CHAVES, 2015, p. 128). Quanto a origem do pecado, devemos fazer algumas considerações:

1.1 Deus não é o autor do pecado. Precisamos destacar que de modo algum Deus pode ser responsabilizado pela entrada do pecado no universo. Atribuir a culpa a Deus, torna-se uma blasfêmia contra o seu caráter moral, que é absolutamente perfeito (Dt 32.4; 2Sm 22.31; Jó 34.10; Sl 18.30), sendo um erro gravíssimo afirmar como fazem alguns, que o Senhor decretou o pecado.

Pois afirma Tiago: “Ninguém ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta” (Tg 1.13-ARA).

1.2 O pecado no mundo espiritual. De acordo com a Bíblia um número incontável de anjos foram criados por Deus (Hb 12.22), e estes eram bons por natureza, assim como tudo o que Senhor criou (Gn 1.31). Mas ocorreu uma Queda no mundo angélico, no qual, vários anjos se apartaram de Deus (Jd 6). Pouco se diz sobre o que ocasionou essa Queda, mas pelo que encontramos em alguns textos, podemos concluir que foi o orgulho e a cobiça de desejar ser semelhante a Deus, fez com que Lúcifer ( nome tradicional dado a este arcanjo tirado de Is 14.12, da expressão ‘estrela da manhã’, na tradução latina da Bíblia – Vulgata Latina) fosse banido e destinado ao inferno (1Tm 3.6; Is 14.11-23; Ez 28.11-19). Como alguém acertadamente ressalta: “Deus criou Lúcifer, mas, Lúcifer fez-se Satanás” (CHAVES, 2015, p. 133).

3 O pecado no mundo físico. No que diz respeito à origem do pecado na história da humanidade, a Bíblia nos informa que se deu pelo ato deliberado, perfeitamente voluntário de Adão e Eva (Gn 3; Rm 5.12,19). Sobre a causa que levou ao pecado, diz Geisler: “[…] Deus não fez com que Adão pecasse, pois, como já analisamos, Deus não pode pecar, nem tentar ninguém nessa direção. Tampouco Satanás fez com que Adão pecasse, pois o tentador fez somente aquilo que o seu nome sugere, ele não o forçou, nem fez nada no seu lugar […] Deus criou criaturas livres, e se é bom que sejamos livres, então a origem do mal é o mau-uso da liberdade” (2010, p. 70,75). A resposta real é que Adão pecou porque escolheu pecar. No entanto, não se pode afirmar que Satanás não teve nenhuma participação na Queda do homem, tanto é que, ele também foi alvo da punição divina porque teve sua participação (Gn 3.14,15).

II – O PECADO NO HOMEM

Tudo o que Deus criou, o fez perfeitamente (Gn 1.31; Ec 7.9). Contudo, por causa do mal uso do livre-arbítrio, o pecado teve o seu lugar na humanidade, manchando (não destruindo) a imagem de Deus (imago Dei) no homem. Sobre alguns efeitos ou consequências do pecado no homem, podemos destacar:

2.1 O pecado herdado. Uma controvérsia gerada no século V, foi a que a raça humana não teria sido afetada pela transgressão de Adão, ou seja, que o homem não herda o pecado original de seu primeiro pai. No entanto, o que a Bíblia afirma é que, pelo fato de Adão ser o cabeça e o representante de toda a raça humana, seu pecado afetou a todos (Rm 3.23; 5.12-19), por isso que todos possuímos a “natureza pecaminosa”, herança que recebemos de nossos pais Adão e Eva (Rm 6.6,12, 19; 7.5,18; 2 Co 1.17; Gl 5.13; Ef 2.3; Cl 2.11,18), dessa forma todos somos por natureza, culpados diante de Deus (Ef 2.1-3). Até um bebê recém-nascido (Sl 51.5), antes mesmo de cometer o seu primeiro pecado, já é pecador (Sl 58.3; Pv 22.15); no entanto, as crianças apesar de nascerem com natureza pecaminosa ainda não conhecem experimentalmente o pecado. Elas não são responsabilizadas por seus atos antes de terem condições morais e intelectuais para discernir entre o bem e o mal, o certo e o errado (Is 7.15; Jn 4.11; Rm 9.11). O sacrifício de Jesus proveu salvação a todas as pessoas, até mesmo às crianças que falecerem na fase da inocência (SOARES, 2017, p. 92 – grifo nosso).

2.2 O pecado afetou todo o ser do homem. O pecado no homem não é meramente um hábito adquirido, ele é uma inclinação natural do ser humano, ninguém precisa ser ensinado a pecar, mas, o faz naturalmente (Rm 3.10; Gl 5.19-21; Ef 2.3). A relação com Deus e com o próximo foram afetadas pelo pecado (Gn 3.7-10), além de trazer a morte física, espiritual, e eterna (Gn 2.16,17; Rm 6.23; Ef 2.1-3; Ap 20.14,15). Os efeitos do pecado nos seres humanos são vastos, afetando-os em toda sua extensão, ou seja, estendendo-se a todas as dimensões do seu ser; isso significa que nada há no ser humano que não tenha sido contaminado pelo pecado, da cabeça à planta do pé (Is 1.5,6)” (SOARES, 2017, p. 90).

2.3 O pecado não destruiu a imagem de Deus. Embora o homem tenha sido afetado extensivamente pelo pecado, isto não significa dizer que a imagem de Deus no homem tenha sido destruída completamente (Rm 2.12-14). Encontramos um mandamento para não amaldiçoar outras pessoas, pois elas também foram criadas a imagem de Deus, e isto seria o mesmo que amaldiçoar a representação do próprio Deus (Tg 3.9,10) (GEISLER, 2010, p. 125).

2.4 O pecado não anulou a capacidade de escolha. Embora tenha pecado e se tornado espiritualmente morto (Gn 2.17; Ef 2.1), passando a ter a natureza pecaminosa (Ef 2.3), Adão não perdeu totalmente a capacidade de ouvir a voz de Deus e também de responder (Gn 3.9-10); a imagem de Deus, que inclui o livre arbítrio permanece nos seres humanos. As Escrituras afirmam claramente que mesmo o homem tendo sua volição (vontade) afetada pelo pecado, não foi anulada (Dt 30.19; Js 24.15; Rm 1.18-20; 2.14,15).

III – A RESTAURAÇÃO DO HOMEM A DEUS

Devido à pecaminosidade do homem, este estava destinado a condenação eterna (Jo 3.18; Rm 3.23; Ef 2.3). Mas, apesar dessa condição, Deus por sua graça e misericórdia (Ef 2.4,5) estabeleceu um projeto salvífico para restaurar o homem (Jo 3.16).

Segundo Houaiss, restauração é: “ato ou efeito de restaurar; conserto de coisa desgastada pelo uso; recomposição de algo”(2001, p. 2442). Vejamos algumas verdades sobre a restauração do homem a Deus:

3.1 Uma iniciativa divina. O projeto de restauração do homem, tem como fonte a pessoa de Deus (Is 45.22; Jn 2.9; Tt 2.11). Na condição de pecador, o homem jamais por si só produziria a sua salvação (Rm 3.10,11; Tt 3.5), por essa razão vemos partindo sempre de Deus a iniciativa de restauração humana (Gn 3.9;15,21). A Bíblia diz que “Deus amou”; “Deus deu”; “Deus enviou” (Jo 3.16). Paulo diz ainda que “[…] a graça de Deus se manifestou […] (Tt 2.11); e que: “tudo isto provém de Deus” (2Co 5.18-a); e ainda: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo […]” (2Co 5.19).

3.2 Exige a responsabilidade humana. No plano da salvação, Deus em sua soberania incluiu a responsabilidade do homem em crer no seu Filho (Mc 16.15,16; Jo 3.16-18; Rm 10.11-14). De acordo com Hunt: “há uma confusão que surge por meio da falha em reconhecer a distinção óbvia entre a incapacidade do homem de fazer qualquer coisa para sua salvação (o que é bíblico) e uma suposta incapacidade de crer no evangelho (o que não é bíblico)” (2015, p. 218). Fé e arrependimento são necessários para a salvação, precedendo a regeneração, ou seja, cremos para ser regenerados e não o inverso (Mc 1.15; Jo 20.31; At 2.38; 10.43; Rm 1.16; 10.9; 1Co 1.21; Ef 1.13,14). A fonte da salvação humana é a graça de Deus e o meio de recebê-la é a fé nele, como afirma o apóstolo Paulo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; isto não vem de vós (salvação), é dom de Deus” (Ef 2.8 – acréscimo nosso).

3.3 Possível a todos os homens. Assim como a extensão do pecado (Rm 5.12), a Bíblia também trata sobre o alcance da graça divina “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” (Rm 5.18). A graça salvífica não é apresentada de forma limitada nas Escrituras, mas sim, que se revela a todos os homens “[…] para exercer misericórdia para com todos” (Rm 11.32; ver Is 45.22; Mt 11.28; Tt 2.11; Jo 1.7,9; 1Jo 2.2), até mesmo àqueles que a rejeitam “Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam” (Jo 1.11). A Bíblia nos mostra que o homem pode por seu livre arbítrio aceitar ou rejeitar o plano divino para a sua salvação (At 4.4; 9.42; 17.4; Hb 3.15; 4.7). Jesus declarou: “Jerusalém, Jerusalém, […] quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos […] e tu não quiseste!” (Mt 23.37 ver ainda At 7.51; 18.6).

IV – ALGUMAS BENÇÃOS PROVENIENTES DA RESTAURAÇÃO A DEUS

4.1 Paz com Deus. Em pecado o homem encontra-se na condição de inimigo de Deus: “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus […]” (Rm 8.7); mas através da fé na morte de Cristo, temos paz com Deus, como resultado da justificação: “[…] justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1; ver Ef 2.14-17).

4.2 Acesso ao Pai. O homem caído em pecado encontra-se distante de Deus (Ef 2.13-a), devido a parede de separação que é resultado da transgressão humana: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” (Is 59.2). Mas Cristo, ao se oferecer como sacrífico expiatório, nos garante acesso a presença de Deus (Jo 14.6; Ef 2.18; Hb 10.19-22).

4.3 Filiação divina. Após a queda, todos por natureza são filhos da ira (Ef 2.3), sob a influência do mundo e escravos dos desejos da carne (Ef 2.2), tendo como pai o diabo (Jo 8.40,41,44). No entanto, no momento em que cremos no Evangelho e confessamos a Cristo como Senhor das nossas vidas, fomos selados com o Espírito Santo (Ef 1.13,14), e esse nos introduziu à família de Deus (Ef 2.19), testificando com nosso espírito que somos filhos de Deus e co herdeiro com Cristo (Rm 8.14-17).

CONCLUSÃO

Apesar da queda da raça humana, Deus, por sua maravilhosa graça decidiu soberanamente salvar o homem caído em pecado, por meio de Jesus Cristo. Esta graça alcança a todos os homens indistintamente, e que apesar de nos salvar independente das obras, nos impele a uma vida de santificação que é a evidência visível da salvação. Tendo sido justificados pela graça, mediante a fé, experimentamos grandes benefícios de agora em diante: “temos paz com Deus” (Rm 5.1) e temos a certeza da “glorificação final” (Rm 8.30) e a libertação presente e futura da “condenação” (Rm 8.1,33,34).

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • CHAVES, Gilmar, Vieira. Temas Centrais da Fé Cristã. CENTRAL GOSPEL.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. CPAD.
  • GILBERTO, Antônio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

Alegria, fruto do Espírito; inveja, hábito da velha natureza

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1º TRIMESTRE 2017

AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO

Como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente

COMENTARISTA: Osiel Gomes

LIÇÃO 04 – ALEGRIA, FRUTO DO ESPÍRITO; INVEJA, HÁBITO DA VELHA NATUREZA – (Jo 16.20-24)

 INTRODUÇÃO

Na lição de hoje, falaremos sobre a alegria – uma das virtudes do fruto do Espírito contrastando com a inveja como obra da carne; iniciaremos trazendo a definição da palavra alegria; destacaremos quais os seus aspectos; e, quais os resultados desta virtude na vida do crente. Veremos também o significado da palavra inveja; quais os efeitos desta obra da carne; e, por fim, quais os contrastes entre a inveja e a alegria.

I  – DEFINIÇÃO DE ALEGRIA

De acordo com o Dicionário Exegético Vine (2002, p. 385) a palavra equivalente para alegria no grego é “chará” que significa: “gozo, deleite, prazer, alegria” (Mc 4.16; At 12.14; Fp 2.29). Também no texto grego aparece a palavra “agalliasis” indica uma alegria mais exultante e diz respeito a: “exultação, alegria exuberante” (Lc 1.14,44; At 2.6; Hb 1.9; Jd 24). Existe ainda a expressão grega “euphrainôque fala sobre: “alegrar, ficar contente, estar feliz, regozijar-se, tornar-se alegre” (Lc 12.19; 15.23,24,29,32). A alegria é a segunda virtude que está classificada entre as que o Espírito produz em nós em relação a Deus “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo […]” (Gl 5.22-a). A fonte da alegria do cristão é Cristo (Fp 3.1). Ele a concede aos seus seguidores (Jo 15.11) pelo Espírito (Rm 14.17; I Ts 1.6). A alegria e o Espírito Santo andam juntos (Sl 16.11; At 13.52; I Ts 1.6).

II  – CARACTERÍSTICA DA ALEGRIA COMO FRUTO DO ESPÍRITO

  • Alegria espiritual. A alegria do Espírito contrasta com a alegria natural. Portanto, é uma alegria decorrente das coisas espirituais, não A Bíblia mostra que essa alegria é: (a) fruto da salvação (Sl 51.12; Is 12.3; 61.10; Lc 1.47); (b) da esperança da ressurreição (Sl 16.9); (c) de possuir o nome escrito no Livro da Vida (Lc 10.20); (d) por sofrer pelo nome de Cristo (I Pe 4.13); (e) pelo retorno de Cristo (Ap 19.7). Beacon (2006, p. 75) afirma que “a alegria é a manifestação externa da paz interna”.
  • Alegria constante. Diferente da alegria natural, a alegria como fruto do Espírito é permanente, duradoura, não circunstancial. Jesus disse isso aos seus discípulos: “[…] vossa alegria ninguém vo-la tirará” (Jo 16.20-22). O apóstolo Paulo que enfrentou diversas dificuldades durante o exercício do seu ministério asseverou: “como contristados, mas sempre alegres” (II Co 6.10). Por isso, mesmo tendo sido açoitado e aprisionado junto com Silas em Filipos, o apóstolo orava e louvava ao Senhor (At 16.22-25). Estando também encarcerado em Roma, Paulo exortou aos cristãos filipenses: “Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos” (Fp 4.4). Paulo estava cheio de alegria por saber que, a despeito daquilo que lhe viesse acontecer, Jesus Cristo estava ao seu lado (Fp 11-13).
  • Alegria abundante. A alegria como fruto além de ser espiritual e constante é também abundante. O Espírito Santo produz alegria abundante no coração do salvo. No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos Lucas descrevendo que os convertidos gentios alegram-se grandemente (At 13.52), a mesma intensidade de alegria sentiram os que ouviram a notícia da conversão dos gentios (At 15.3). Paulo diz que os cristãos da Macedônia: “no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria” (II Co 8.2). Isto se deu quando os macedônios desejaram contribuir na assistência aos santos de Jerusalém (II Co 3-5).

III  – DEFINIÇÃO DO TERMO INVEJA

Segundo Champlin (2004, p. 355), a palavra portuguesa “inveja” vem do latim, “invidere”, que significa “em” (contra) e “olhar para”, ou seja, olhar para alguém com maus olhos, de modo contrário, com base no ódio sentido contra esse alguém. O Dicionário Vine a define como sendo: “um princípio ativo de hostilidade dirigido maliciosamente a outra pessoa”. Inveja é um misto de ódio, desgosto e pesar pelo bem e felicidade de outrem; é o desejo violento de possuir o  bem do próximo. No hebraico a palavra “qinah” significa “inveja”. Essa expressão é aplicada por quarenta e duas vezes no AT (Jó 5.2; Pv 14.30; Ec 4.4; Is 11.13; Ez 35.11). No grego é a palavra “phithónos”. Esse vocábulo ocorre por nove vezes (Mt 27.18; Mc 15.10; Rm 1.29; Gl 5.21; Fl 1.15; 1Tm 6.4; Tt 3.3; Tg 4.5; 1 Pe 2.1).

IV  – OS EFEITOS DA INVEJA

Nos Dez Mandamentos, a Bíblia usa o termo “cobiçar”, que é um sinônimo para “invejar” (Êx 20.17). Deus elencou a inveja como um dos pecados mais graves por saber do seu efeito destrutivo (Dt 5.21). A inveja está entre as obras da carne que atingem o nosso próximo (Gl 5.22). Segundo Champlin, (2004, p. 355) “a inveja é uma das maiores demonstrações de mesquinharia humana, causada pela queda no pecado. Os invejosos chegam a fazer campanhas de perseguição contra suas vítimas, as quais, na maioria das vezes, não têm qualquer culpa por haverem despertado tal sentimento nos invejosos. Geralmente os mal-sucedidos têm inveja dos bem-sucedidos. Essa é uma tentativa distorcida para compensar pelo fracasso, glorificando ao próprio “eu” e procurando enxovalhar a pessoa invejada”. Analisemos  alguns efeitos destruidores deste malígno sentimento:

  • A inveja pode adoecer. A respeito da inveja, o escritor de Provérbios nos faz diversas exortações (Pv 3.31; 24.1,19; 27.4). A mais severa dela nos diz que: “a inveja é podridão para os ossos” (Pv 14.30). Dentre as muitas atribuições dos ossos, uma delas é a de sustentação do corpo. Quando o proverbista afirma que a inveja é a “podridão dos ossos” significa que ela é uma espécie de câncer que começa sutilmente destruindo o homem por dentro. Segundo Aurélio (2004, p. 165), o verbo “apodrecer” quer dizer: “putrefazer”, palavra geralmente usada para descrever um corpo morto em estado de decomposição. Portanto, a inveja é um sentimento nocivo que faz mal principalmente aquele que o abriga em seu coração.
  • A inveja pode matar. Caim, foi a primeira pessoa descrita na Bíblia que foi atingida pela inveja e por suas consequências. O homicídio cometido por ele nasceu deste sentimento que nutria por seu irmão Abel (Gn 3.4,5). Saul quando viu que Davi era melhor guerreiro que ele, intentou algumas vezes matá-lo (I Sm 18.7-11). Os irmãos de José, por muito pouco, não o executaram (Gn 37.11,18). Ainda assim o venderam para o Egito e lá ele poderia ter morrido (Gn 37.28,28; 39.19-20). Jesus também foi vítima da inveja dos grupos religiosos de sua época, que não satisfeitos com a graça que Jesus tinha das multidões, eles procuraram matá-lo (Mt 27.18; Mc 10).
  • A inveja pode impedir o homem de entrar no céu. Dentre os muitos males que a inveja pode causar, o pior deles é o de banir o homem para sempre da presença de Deus. Na lista de vícios elencados por Paulo em Gálatas 5.22, a inveja está entre aqueles que o apóstolo diz: “os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus” (Gl 5.21). Evidentemente que Paulo está falando para aqueles que vivem na prática deste pecado e não estão dispostos a arrepender-se e abandoná-lo.

V  – O CONTRASTE ENTRE A INVEJA E A ALEGRIA

INVEJA

ALEGRIA

Obra da carne (Gl 5.21) Fruto do Espírito (Gl 5.20)
Tem origem em Satanás (Is 14.12-15; Ez 28.12-19) Tem origem em Deus (Sl 16.11; Hb 1.9)
Se entristece com a alegria alheia (Gn 26.14) Alegra-se com os que se alegram (Rm 12.15)
Adoece (Pv 14.30; Sl 73.21) É teurapêutica (Pv 17.22)
Reclama pelo que não tem (I Sm 8.5,6; Sl 73.1-20) Agradece pelo que tem (Fp 4.11-13)
Pode levar a morte (Rm 1.32; Gl 5.21-a) Leva à vida (Rm 14.17)
É temporária (I Jo 2.16) É permanente (Jo 16.22; Jd 1.24)

VI – RESULTADOS DA ALEGRIA

  • Um rosto radiante. O proverbista nos diz que: “o coração alegre aformoseia o rosto […]” (Pv 15.13). Isto significa dizer que os sentimentos interiores da pessoa são expressos no rosto ou pelas atitudes. O cristão cheio de alegria do Senhor exibirá e comunicará essa alegria na aparência exterior. Beacon (2006, p. 75) diz que “o cristão basicamente infeliz é uma contradição. O Reino de Deus é caracterizado por alegria, junto com justiça e paz” (Rm 17).
  • Um cântico de louvor. Quando o Espírito Santo produz no crente a virtude da alegria, seu coração se enche de gratidão e sua boca de intenso louvor (Sl 45.1; Ef 5.19; Cl 3.16; Tg 5.13). Zacarias louvou a Deus pelo cumprimento da promessa de Deus em sua vida (Lc 1.64-79); Maria alegrou-se pelo fato de ter sido escolhida para ser a mãe do Salvador e agradeceu com cântico (Lc 46-55); Simeão e Ana louvaram a Deus pela vinda do Messias (Lc 2.29-32).
  • A força divina. As tribulações da vida tendem a nos trazer desânimo e tristeza (Jo 16.33), no entanto, a alegria como fruto do Espírito traz ânimo e renova as forças do crente (Ne 8.10). Quando Jesus anunciou aos seus discípulos que iria dexá-los a reação foi de imensa tristeza (Jo 16.16-20). No entanto, Ele prometeu que o Pai enviaria outro Consolador e não o deixaria órfãos (Jo 14.16). A palavra “Consolador” (“parácleto”, no grego) significa alguém chamado para ficar ao lado de outrem, com o propósito de ajudá-lo em qualquer Ele nos assiste nas nossas fraquezas (Rm 8.26).

CONCLUSÃO

Como cristãos, devemos diariamente nos despir das práticas pertencentes a velha vida e nos vestirmos da nova vida, do novo homem, criado em justiça e santidade. Evitemos a inveja e conservemos a alegria do Espírito que é espiritual, constante e abundante.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • HOWARD, R.E et al. Comentário Bíblico.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • VINE, W.E et al. Dicionário Vine. CPAD.

Fonte: https://ieadpe.org.br/

Não furtarás

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1º TRIMESTRE 2015

A LEI DE DEUS

Valores imutáveis para uma sociedade em constante mudança

COMENTARISTA: Pr. Ezequias Soares

LIÇÃO 10 – NÃO FURTARÁS – (Êx 20.15; 22.1-9)

INTRODUÇÃO
O oitavo mandamento do Decálogo “não furtarás” visa orientar o homem a tratar com respeito a propriedade alheia. No caso de furto de algum bem material, a orientação divina como pena capital era a restituição. Nesta lição trataremos de forma mais detalhada este mandamento; destacaremos alguns tipos de práticas que podem ser consideradas como furto; quais as obras da carne que levam uma pessoa a infringir esse mandamento; e, por fim, pontuaremos que aquele que serve a Deus deve ter compromisso com a honestidade diante de Deus e dos homens.

I – O OITAVO MANDAMENTO DO DECÁLOGO
“Não furtarás” é o oitavo mandamento do Decálogo (Êx 20.15). Esse mandamento proíbe o furto, isto é, tomar para si algo que pertença a outrem. Assim, ele aprova o direito de propriedade. O homem pode possuir aquilo que é o resultado justo de seu trabalho, ou um presente. “Furtar ou roubar são atos que provocam instabilidade social. Aquele que furta demonstra desrespeito por outros ou inveja deles. Isso se aplica tanto aqueles que se apropriam diretamente dos bens de alguém quanto aqueles que usam de artifícios para obter ou reter consigo bens pertencentes a outrem. Além de se preocupar com as questões espirituais, a Bíblia nos instrui acerca da natureza dos relacionamentos interpessoais saudáveis. Assim, vários textos bíblicos tratam de questões do cotidiano, como a relação entre os ricos e os pobres ou entre os patrões e os funcionários. Muitas vezes, essas relações são negativas, pois uma parte procura se beneficiar usando de métodos que podem prejudicar a outra” (ADEYEMO, 2010, p. 114).
1.1 A pena capital para o roubo. Em Êxodo 22 encontramos nas leis civis Deus orientando o povo de Israel através de Moisés como seria a pena capital para aquele que havia furtado algo do seu próximo. O ladrão devia pagar cinco cabeças de gado para cada boi roubado e abatido e quatro ovelhas para cada ovelha roubada e abatida (Êx 22.1). Se o animal fosse encontrado com vida, o ladrão devia pagar em dobro, ou seja, dois bois ou duas ovelhas para cada boi ou ovelha roubada (Êx 22.4). A multa servia para dissuadir o criminoso em potencial e também levava em consideração o fato de que os danos causados por esse tipo de crime não se limitam ao valor da propriedade roubada, como no caso do sequestro onde o sequestrador era punido com a morte (Êx 21.16; Dt 24.7).

II – O PRINCÍPIO DO RESPEITO À PROPRIEDADE ALHEIA
O oitavo mandamento do Decálogo está entre os que dizem respeito aos relacionamentos interpessoais. O princípio nele contido – o respeito a propriedade alheia, é destacado tanto no AT quanto no NT como veremos a seguir:
2.1 Antigo Testamento. O mandamento que proíbe o furto faz parte da legislação mosaica (Êx 20.15; Dt 5.19). “O Antigo Testamento inclui proibições referentes ao furto, ao dano às propriedades e ao mau uso das propriedades ou objetos pertencentes ao próximo (Êx 21.33,34; 22.5,6; 22.4,7,9; 20.15; Gn. 31.31; II Sm 23.21)” (CHAMPLIN, 2006, vol 2, p. 836). Vejamos o que o AT diz sobre o furto: (a) o furto é uma abominação (Jr 7.9,10); (b) não pagar salários justos é um furto (Lv 19.13); (c) os ímpios são inclinados ao furto (Sl 119.61); a cobiça promove o furto (Am 3.10); (d) aqueles que consentem com o furto também tornam-se culpados (Jó 24.14; Ob 5); (e) geralmente quem furta também mata (Jr 7.9; Os 4.2); (f) paira uma maldição sobre o ladrão (Os 4.2,3; Ml 3.5); e, (g) o furto provoca a ira de Deus (Ez 22.29,31). Eis alguns exemplos de homens honestos: José (Gn 39.2-4); Samuel (I Sm 12.2-5); Daniel (Dn 6.1-4).
2.2 Novo Testamento. Jesus citou os mandamentos do Decálogo incluindo o oitavo: “não furtarás” (Mt 19.18; Mc 10.19; Lc 18.20). Paulo ensinou que quem ama ao próximo jamais irá furtar, pois o amor é o cumprimento da Lei (Rm 13.9). Em Efésios 4.29 “Paulo explicou que se uma pessoa que antes de ser convertido tinha o hábito de furtar, assim que se tornasse um crente tinha que se livrar desse antigo estilo de vida e fazer uma mudança, voltando-se para o trabalho honesto, a fim de ganhar a vida. Roubo e ócio andam juntos; dessa maneira, a instrução de Paulo não era somente para parar de roubar, mas também para começar um trabalho honesto. Além disso, muitas vezes, os escravos tinham a propensão de roubar a casa a que serviam; muitos escravos tornaram-se cristãos, e Paulo podia estar falando a eles. Todo crente deveria trabalhar arduamente, fazer sua parte na comunidade, sustentar-se, e não esperar que ninguém o mantivesse” (APLICAÇÃO PESSOAL, 2010, vol. 02, p. 340). Do ponto de vista bíblico não existe desculpa para considerar a corrupção algo inevitável, e a justiça, um ideal inatingível. Honestidade e justiça são realidades que precisamos defender e praticar, o apóstolo Pedro fala a cerca desta verdade (I Pe 2.12; 4.15). Por fim, o ensinamento neotestamentário é contundente quando diz que aqueles que praticam furtos não entrarão no céu (I Co 6.10; Ap 21.27).

III – TIPOS DE FURTO
O mandamento de não furtar é amplíssimo, pois trata do respeito a propriedade alheia. A falta de honestidade nos negócios e na vida social rompe os vínculos que mantém a comunidade unida e resultam em injustiça e caos por toda parte. Abaixo destacaremos os vários tipos de infrações que se constituí numa violação deste mandamento:

TIPOS DE FURTO

REFERÊNCIAS

Omissão no pagamento dos impostos Pv 16.8; Mc 12.17; Rm 13.7
Sequestro Êx 21.16; Dt 24.7; I Tm 1.10
Propina: suborno Êx 23.6; Dt 27.19; Ez 18.8; II Pe 2.15
Comprar e não pagar, ou contrair dívidas que não pode pagar é desonestidade Hc 2.6,7; Rm 1.31
Não pagar o salário do funcionário justamente Lv 19.13; Dt 24.15; Jr 22.13; Tg 5.4

 

Não devolver o que achou sabendo quem é o dono Lv 6.1-4

IV – OBRAS DA CARNE RELACIONADAS AO FURTO
À luz da Bíblia, o furto é um pecado motivado por algumas obras da carne, como veremos a seguir:

OBRAS DA CARNE

REFERÊNCIAS

Cobiça Êx 20.17; Js 7.21
Inveja Mc 7.22; I Pe 2.1; I Tm 6.8
Preguiça Pv 13.4; 21.25; Ef 4.28
Mentira Pv 11.1; 20.23; 21.6; At 5.1-4

V – O CRISTÃO DEVE TER COMPROMISSO COM A HONESTIDADE
“A palavra honestidade vem do latim “honos” ou “honor”, que significa “honra, honroso, distinção”. A forma adjetiva, honestus, significa “honroso, de boa reputação, glorioso, excelente, digno de ser honrado”. A palavra hebraica mais comum, traduzida por “honra”, nas traduções, é “kabed”, que envolve o sentido básico de “pesado”, “rico”, “honorável”. O Novo Testamento grego tem “kalos”, “bom”, mas que é traduzido por “honesto” em trechos como Lc 8.15; Rm 12.7; II Co 8.21; 13.7 e I Pd 2.12). Esse vocábulo grego significa “livre de defeitos, belo, nobre”. Aquele que é honesto possui um bom e nobre caráter, isento dos defeitos que enfeiariam o seu caráter. Um homem honesto é aquele que é justo, cândido, veraz, equitativo, digno de confiança, não fraudulento. Caracteriza-se pela franqueza, pelo respeito ao próximo, pela sua veracidade” (CHAMPLIN, 2004, vol. 3, p. 159 – acréscimo nosso). Assim, a santidade deve se manifestar nos relacionamentos humanos caracterizados por integridade, honestidade e amor, como veremos a seguir:
5.1 “Pois zelamos do que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens” (II Co 8.21). “O trecho de Pv 3.4, ao qual bem provavelmente Paulo aludia aqui, reconhece a importância não somente da posse de um caráter piedoso, mas também de termos boa reputação até mesmo entre os homens. É muito importante o que os homens pensam a nosso respeito, porque aquilo que eles pensam a nosso respeito também pensarão sobre Cristo, posto que somos os seus representantes na terra. Esse é 0 fato que Paulo reconhece no versículo que temos a frente. Comparemos isso com o trecho de II Co 6.3, onde Paulo exorta que nenhum motivo de escândalo deem os crentes em qualquer coisa, a fim de que 0 “ministério” cristão não seja vilipendiado. Essa exortação ele faz apresentando o seu próprio exemplo, a fim de que, pelo menos em seu caso pessoal, o ministério pudesse manter boa reputação, visto que todas as atitudes por ele tomadas condiziam com os excelentes princípios cristãos” (CHAMPLIN, 2002, vol. 4, p. 380). Honestidade total deve sempre ser a marca do povo de Deus. Portanto, devemos nos esforçar para criar uma cultura de honestidade em nosso âmbito de relacionamentos (I Tm 2.2; Tt 2.14).

CONCLUSÃO
O princípio do respeito ao que é do próximo está explícito tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Deus espera daquele que lhe serve que evite o mal “não furtar” e pratique o bem “seja honesto”, cada um para com o seu próximo, pois a verdadeira espiritualidade envolve todas as áreas da nossa vida.

REFERÊNCIAS
ADEYEMO, Tokunboh. Comentário Bíblico Africano. MUNDO CRISTÃO.
CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. HAGNOS.
Comentário do Novo Testamento. Aplicação Pessoal. CPAD.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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Não adulterarás

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1º TRIMESTRE 2015

A LEI DE DEUS

Valores imutáveis para uma sociedade em constante mudança

COMENTARISTA: Pr. Ezequias Soares

LIÇÃO 09 – NÃO ADULTERARÁS – (Êx 20.14; Dt 22.22-30)

INTRODUÇÃO
O sétimo mandamento do Decálogo “não adulterarás” tem como principais objetivos a pureza do matrimônio e a proteção da família. Nesta lição analisaremos este mandamento; veremos o que a Bíblia nos diz sobre o adultério tanto no AT quanto no NT; destacaremos alguns tipos de adultério e qual o plano original de Deus quanto ao casamento; e, por fim, quais as atitudes que devemos tomar para evitar esta obra da carne.

I – O SÉTIMO MANDAMENTO DO DECÁLOGO
O quinto mandamento protege a inviolabilidade do lar (Êx 20.12); o sexto defende a sacralidade da vida (Êx 20.13), já o sétimo “Não adulterarás” a sacralidade do casamento (Êx 20.14). “A palavra adultério vem do latim, adulterium, que tem o sentido de “dormir na cama alheia”. É a relação sexual entre pessoa casada, com outra que não é o seu cônjuge” (RENOVATO, 2013, p. 69). Este mandamento tem como objetivo a abstenção de toda impureza da carne e ainda exorta para conservação do leito sem mácula, isto é, o amor conjugal e a coabitação. Ele visa proteger o matrimônio por ser uma instituição sagrada instituída por Deus. Esta prática nociva se constitui num pecado contra Deus, contra si mesmo e contra o próximo (Gn 39.9; I Co 6.18; Rm 13.9). A pena capital para o adultério era a morte (Lv 20.10).

II – O ADULTÉRIO À LUZ DA BÍBLIA
“O adultério é um pecado gravíssimo aos olhos de Deus, o Criador do casamento, do lar e da família. A sociedade sem Deus, relativista e hedonista, não o vê como algo pecaminoso, e sim, como tendência natural do ser humano, que, segundo interpretação da teoria da evolução, o homem é polígamo por natureza, seguindo o exemplo de certos animais. No entanto, a visão cristã passa pelas lentes fortes e cristalinas da Palavra de Deus, que considera a infidelidade conjugal como vergonhosa traição aos princípios sagrados, estabelecidos por Deus para o casamento” (RENOVATO, 2013, p. 67). Abaixo destacaremos o que a Bíblia diz sobre esta prática pecaminosa:
2.1 No Antigo Testamento. O mandamento “Não adulterarás” faz parte do Decálogo e foi dado ao povo de Israel a fim de preservar a santidade do lar (Êx 20.14; Dt 5.18). É interessante destacar que “também está envolvida a questão da herança da família e a preservação da pureza tribal. Finalmente, o próprio ato era considerado um crime sério, um ato de contaminação (Lv 18.20). Por esse motivo, era imposta a pena de morte, envolvendo a execução de ambos os culpados (Êx 20.14; Lv 20.1). A pena de morte mostra que as sociedades antigas encaravam o adultério não meramente como um ato privado errado, mas que ameaçava o arcabouço do lar e da sociedade” (CHAMPLIN, 2004, vl. 01, p. 66). Infere-se que passagens como Levítico 20.10-21, que tratam de comportamentos sexuais proibidos, sejam simplesmente uma extensão da lei sobre adultério.
2.2 No Novo Testamento. Os ensinamentos neotestamentários seguem o mesmo padrão veterotestamentário quanto a reprovação da prática do adultério (Rm 13.9; Gl 5.19; Tg 2.11). O Senhor Jesus estendeu a culpa pelo adultério da mesma forma como fez para outros mandamentos (Mc 10.19; 18.20), incluindo até o desejo de cometê-lo ao próprio ato em si (Mt 5.28). Pedro fez semelhante declaração “Tendo os olhos cheios de adultério, e não cessando de pecar, engodando as almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza, filhos de maldição” (II Pe 2.14). O apóstolo Paulo acrescentou que o adultério é uma obra da carne e que os que praticam são passíveis de morte e não herdarão o Reino dos céus (Rm 1.29-32; I Co 6.10; Gl 5.21). Confira também (Ap 22.15).

III – TIPOS DE ADULTÉRIO
A violação do sétimo mandamento, pode se dar pelo menos de três formas:

TIPOS DE ADULTÉRIO

DEFINIÇÃO

REFERÊNCIAS

Adultério físico

Intercurso carnal entre uma pessoa casada com outra que não seja o seu cônjuge.

Êx 20.14; Lv 20.10; Dt 5.18; Mt 5.27; 19.18; Rm 13.9; I Co 6.9

Adultério em pensamento

Neste o adultério não se dá de forma física, mas mental, através de pensamentos imorais dirigidos a alguém.

Gn 6.5; Pv 6.18; Mt 5.27-28; II Pe 2.14

Adultério virtual

Este é cometido quando alguém casado alimenta-se com cenas pornográficas na TV ou na Internet com conversas maliciosas com o sexo oposto.

Sl 101.3; Pv 7.10-23; Fp 4.8; I Ts 5.22

IV – O PLANO ORIGINAL DO CASAMENTO SEGUNDO A BÍBLIA

Para nós, crentes em Jesus, o conceito de certo e do errado deve ter como base a Bíblia Sagrada, a nossa “regra de fé e prática”. Ela nos mostra que, ao criar Adão e Eva, Deus estabeleceu seu plano para o casamento. Vejamos abaixo:
4.1 União heterossexual (Heteros = diferente) + (sexual = sexo). O relacionamento conjugal só é possível entre um homem e uma mulher, ou seja, entre um macho e uma fêmea “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gn 1.27). Qualquer união sexual fora desse padrão, como o homossexualismo, por exemplo, se constitui violência ao plano original divino (Lv 18.22; Dt 23.17). Visto que, o objetivo principal do casamento é a procriação e, biologicamente, a prática homossexual não pode cumprir esse propósito. Por isso, em (Rm 1.26-28), Paulo diz que tal comportamento é: (1) “contrário à natureza”; (2) “sentimento perverso” e (3) “coisas que não convêm”.
4.2 União Monossomática (mono = um) + (soma = corpo). Deus, de um ser humano, fez dois (Gn 2.21,22), e de dois “macho e fêmea” tinha em mente, com o casamento fazer um “e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.” (Gn 2.24-c). Logo, Adão e Eva poderiam ser considerados não apenas um corpo, mas como duas almas e espíritos unidos pelos laços conjugais. Este é mais um mistério do casamento “serão ambos uma carne” (Gn 2.24).
4.3 União indissolúvel. A Sagrada Escritura nos revela que no projeto de Deus, o casamento é indissolúvel “e apegar-se-á à sua mulher” (Gn 2.24-b). A expressão “apegar-se” no hebraico dãbaq significa: “apegar-se, grudar-se, esconder-se”. Usado no hebraico moderno no sentido de “colar, aderir”, dabaq traduz a forma substancial de “cola” e também as ideias mais abstratas de “lealdade e devoção”. O uso no texto de (Gn 2.24) reflete o significado de um objeto (pessoa) ser único a outro (VINE, 2002, p. 42). Três termos na Bíblia nos atestam a indissolubilidade do casamento. Deus diz: “e apegar-se-á à sua mulher” (Gn 2.24-b); Jesus diz: “Deus ajuntou” (Mt 19.6); e, Paulo diz: “Porque a mulher… enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei” (Rm 7.2).
4.4 União monogâmica (mono = um) + (gamós = casamento). Monogamia, é o sistema de constituição familiar pelo qual o homem tem uma só mulher e a mulher um só marido. A monogamia é o padrão divino para o casamento (Gn 2.18). O apóstolo Paulo foi enfático quanto ao casamento monógamo “cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido” (I Co 7.2). A monogamia foi ensinada como um preceito moral contra o adultério “Não cobiçarás… a mulher do teu próximo (singular)”. Isso traz implícito que o próximo só poderia ter uma esposa legítima.

V – COMO EVITAR O ADULTÉRIO
Vigilância, oração e meditação na Palavra de Deus são os recursos mais importantes para quem deseja vencer toda e qualquer tentação (Mt 26.41; Sl 119.9,11). Mas, no que diz respeito a sedução do adultério, existe outros cuidados que o casal deve tomar. Vejamos:

  • Evitando conversas íntimas com pessoas do sexo oposto (I Co 15.33);
  • Ocupando a mente com o que é proveitoso (Pv 4.23; Mt 15.19; Fp 4.8; Cl 3.1-3);
  • Afastando dos olhos aquilo que pode levar a pessoa a alimentar o pecado (Jó 31.1; Sl 101.3; Mt 6.22,23);
  • Mantendo-se longe de pessoas cujo comportamento está em desacordo com a Bíblia (Sl 1.1-3; I Co 5.11);
  • Mortificando a carne e andando em Espírito (Cl 3.5; Gl 5.16-18);
  • Abstendo-se do ato sexual com o cônjuge apenas por consentimento mútuo e por tempo determinado (I Co 7.5);
  • Mantendo o cônjuge satisfeito(a) (Pv 5.15; I Co 7.3);
  • Observando a Palavra de Deus (Sl 119.11; Pv 4.20);
  • Orando e vigiando sempre (Mt 26.41).

CONCLUSÃO
Após a Queda do homem no Éden, a perversão sexual passou a fazer parte da história do ser humano, e, por esta razão, Deus condenou as práticas sexuais ilícitas na Bíblia sagrada. Dentre elas, encontra-se o adultério, que é a relação sexual com pessoa que não seja o cônjuge. O Senhor proibiu terminantemente esta prática no decálogo, visando a pureza do matrimônio e a proteção da família.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico. CPAD.
  • LOPES, Hernandes Dias. Casamento, divórcio e novo casamento. HAGNOS.
  • PFEIFFER, Charles F. et al. Dicionário Bíblico Wyclliffe. CPAD.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  • REIFLER, Hans Ulrich. A Ética dos Dez Mandamentos. VIDA NOVA.
  • RENOVATO, A Família Cristã e os ataques do inimigo. CPAD
  • VINE, W.E, et al. Dicionário Vine. CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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A vinha de Nabote

        

Acabe, Jezabel e a Vinha de 

Nabote. I Reis 21:1-16.

1. Nabote, o jezreelita, possuía uma vinha ao lado do palácio que Acabe… tinha. Nabote não é mencionado em nenhum outro lugar a não ser neste capítulo. Era um judeu temente a Deus, proprietário de uma vinha em Jezreel que fazia limites com o palácio de inverno do Rei Acabe.

2. Disse Acabe a Nabote: Dá-me a tua vinha. Acabe tinha, é claro, direitos legais e morais de tentar comprar a vinha de Nabote. Sua grande transgressão estava em ter deixado de respeitar o direito e privilégio do seu vizinho de recusar sua oferta. A Bíblia nada conhece da hedionda doutrina política de que o indivíduo existe para o estado.

Acabe fez uma proposta de negócio ao seu vizinho, oferecendo-lhe pagar pela propriedade em dinheiro ou trocá-la por outra vinha.

3. Guarde-me o Senhor. Nabote recusou-se, com base na religião, a vender a vinha a Acabe porque Deus proibira aos judeus de venderem sua herança de família (Lv. 25:23-28; Nm. 36:7 e segs.).

4. Então Acabe veio desgostoso e indignado para sua casa. Com modos emburrados e infantis, o rei voltou para o seu palácio, desanimado diante da recusa de Nabote.

7. Então Jezabel, sua mulher, lhe disse. Notando os ares birrentos de Acabe, Jezabel, induziu-o a lhe contar a causa dos seus problemas.

Sua resposta foi cínica e irônica: Governas tu, com efeito, sobre Israel?

Em outras palavras, você não exerce autoridade suprema? Que direito tem um dos seus súditos de lhe negar alguma coisa que você deseja? Já notamos que Jezabel era uma mulher sem consciência. Acabe, satisfeito com o interesse de sua mulher, não percebeu o caráter sinistro de suas palavras: Eu te darei a vinha de Nabote.

8. Então escreveu cartas em nome de Acabe. Isto é, cartas com a insígnia real.

9. Trazei a Nabote para a frente do povo. Uma frase técnica para dizer que ele devia ser julgado. O veredito já estava predeterminado. Seria um pseudo julgamento com um simples aspecto de justiça. Mas para que, à vista do povo, desse a impressão de ser um julgamento leal, arranjou-se duas testemunhas, conforme pedia a Lei (Dt. 17:6, 7); mas eram falsas. A acusação técnica não foi simplesmente que Nabote se opusera ao rei, mas que tinha blasfemado contra o nome de Deus, um pecado do qual a própria Jezabel era notoriamente culpada. A penalidade para tal crime, se o homem fosse justamente condenado, era o apedrejamento (Lv. 24:16; Jo. 10:33). Depois de morta a vítima, costumava-se levantar uma pilha de pedras sobre a sua sepultura como testemunho de como morrera e o porquê.

11. Os homens de sua cidade, os anciãos e os nobres. . . fizeram como Jezabel lhes ordenara. Sempre há homens prontos a venderem seu testemunho por dinheiro a fim de que sirva aos maus propósitos daqueles que os alugam. Compare com os testemunhos dados no julgamento de Jesus (Mt. 26:60, 61). 13. E o levaram para fora da cidade e o apedrejaram. Nabote foi executado por um crime que jamais cometeu. E o Deus de toda a justiça observou a perversidade. Logo Acabe e Jezabel estariam no tribunal da eterna justiça, para serem devidamente julgados. Quando Acabe ficou sabendo que Nabote estava morto, imediatamente reclamou a vinha (v. 16).

f) A Repreensão de Elias. 21:17-29.

17. Então veio a palavra do Senhor a Elias, o tesbita. O Deus da verdade e da justiça, que vira o ato criminoso, enviava agora o seu profeta com a mensagem do juízo.  Observe que na estimativa divina Acabe era tão culpado (quanto Jezabel).

19. Mataste e ainda por cima tomaste a herança? A sombra da justiça e do inevitável juízo estendeu-se agora por sobre a casa de Acabe.

20. Já me achaste, inimigo meu? A exclamação de Acabe revelou seu desânimo; ele percebeu que o seu pecado já fora descoberto. Tarde demais ele aprendeu que Deus julga nossos pecados à luz de Seu rosto (Sl. 90:8).  Respondeu ele: Achei-te. Elias respondeu corajosamente à pergunta desesperada de Acabe e então continuou pronunciando a sentença. Acabe se transformara em desesperado escravo do pecado, conforme se deduz da explicação do profeta: Porquanto já te vendeste para fazeres o que é mau perante o Senhor.

21. Eis que trarei o mal sobre ti. A maldição pronunciada contra Acabe é idêntica àquela que foi pronunciada contra a casa de Jeroboão e contra Baasa (14:10, 11; 16:3, 4).

23. Os cães conterão a Jezabel dentro dos muros de Jezreel. Com referência ao terrível cumprimento desta profecia, veja comentário sobre II Reis 9:30-37. Por causa de seu arrependimento tardio, Acabe recebeu um pouco de respeito.

25. Ninguém houve, pois, como Acabe, que se vendeu para fazer o que era mau. Este é o sóbrio resumo que o historiador faz da vida, reinado e caráter de Acabe, filho de Onri, de Israel. Novamente vemos a figura notável mas terrível de Acabe vendendo-se como escravo de um mau senhor, com propósitos de lucro material.  Porque Jezabel, sua mulher, o instigava. Estando casado com uma perversa companheira, a filha do rei de Tiro, Acabe preferiu não resistir-lhe. Os dois principais pecados de Acabe denunciados pelas Escrituras foram uma mente mercenária e a idolatria – dois males muito intimamente ligados entre si.

27. Tendo Acabe ouvido estas palavras, rasgou suas vestes. Sinceramente arrependido, Acabe vestiu-se agora de saco e cinzas e andava cabisbaixo diante do Senhor. Este não foi um arrependimento de vida mas um afastamento temporário do pecado, para abrandamento da inevitável vingança temporal.

29. Não viste que Acabe se humilha perante mim? Mesmo um arrependimento insignificante e temporário, como este, desperta a misericórdia de Deus. As misericórdias do Senhor são infinitas. A plenitude da maldição divina não foi executada sobre Acabe como foi sobre Jezabel que não deu sinal de arrependimento.

Comentário Bíblico I reis (Moody).