Perseverando na Fé

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4º TRIMESTRE 2017

A OBRA DA SALVAÇÃO

Jesus Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida

COMENTARISTA: Claiton Ivan Pommerening

LIÇÃO 12 – PERSEVERANDO NA FÉ – (2 Tm 4.6-8)

INTRODUÇÃO

Introduziremos a presente lição trazendo uma definição da palavra perseverança; destacaremos porque esta virtude é necessária para o aquele que foi salvo por Cristo Jesus; veremos que tanto o AT como o NT nos mostra que é possível o crente perder a salvação de forma temporária ou definitiva; falaremos mais detalhadamente sobre a possibilidade da apostasia; e, concluiremos falando sobre em que o cristão deve perseverar.

I  – DEFINIÇÃO DA PALAVRA PERSEVERANÇA

O verbo “perseverar” significa: “ser constante, permanecer, conservar-se” (HOUAISS, 2001, p. 2196). No grego, “hupomoné”, “perseverança”, “resistência”, “constância”. Esse vocábulo grego denota a resistência paciente, sob circunstâncias adversas, com base na ideia de alguém que leva aos ombros uma carga pesada, mas da qual não desiste (CHAMPLIN, 2004, p. 246). No que tange a salvação a perseverança é uma atitude que Deus requer do homem a fim de que não venha perder a salvação que lhe foi concedida por meio de Cristo Jesus (1 Co 15.2; 1 Pe 1.5; Ap 2.25; 3.11).

II  – A NECESSIDADE DA PERSEVERANÇA PARA O SALVO

  • A fragilidade humana. Sabendo da fragilidade humana, Jesus exortou os apóstolos a perseverarem até o fim (Mt 10.22; 24.13). É necessário entender que embora tenhamos sido perdoados e libertos dos nossos pecados (1 Jo 2.12; Rm 6.22), ainda não estamos livres da presença do pecado na nossa natureza humana (Rm 6.19; 7.18-a). Isto somente se dará quando nosso corpo for glorificado, por ocasião do arrebatamento da Igreja (1 Co 15.51-54). Até este acontecimento, precisamos ser perseverantes, a fim de não sermos vencidos pelo pecado (Rm 6.11,12; 1 Co 34).
  • A astúcia do Diabo. Além da fragilidade humana, o crente precisa perseverar porque o tentador procura nos derrubar (1 Pe 5.8). Toda tentação é proveniente da própria natureza humana (1 Co 10.13; Tg 1.13-15), todavia, o principal agente da tentação é Satanás (Mt 4.3; Lc 4.2; 1 Ts 5; Tg 4.7). Precisamos estar vigilantes e fortalecermo-nos no Senhor a fim de vencer as batalhas espirituais, que somos submetidos (Ef 6.10-18).
  • A vinda do Senhor será repentina. A necessidade da perseverança se dá também pelo fato a volta de Jesus de ser um evento repentino. Diversas vezes, Jesus exortou os seus discípulos sobre isso (Mt 24.36,42,44; 25.13; Mc 13.33; Lc 12.46). Infelizmente, não são poucos aqueles que têm a promessa do Senhor como tardia, ao ponto de desacreditarem dela (2 Pe 3.4). Todavia, Jesus nos assegurou que viria sem demora (Ap 3.11; 22.12,20). Devemos perseverar para não sermos pegos de surpresa e sermos achados dormindo naquele dia (Mc 13.36; Lc 34).

III – O SALVO PODE PERDER A SALVAÇÃO

Embora entendamos que cair numa fragilidade seguida de contrição e arrependimento sincero não implica em perda de salvação (Pv 28.13); como observemos o caso de Davi (2 Sm 11.4; 12.13; Sl 51.1-19); e, Pedro (Mc 14.66-72). A Bíblia também está repleta de exemplos de pessoas que caíram e permaneceram prostradas, recusando se arrependerem, tais como rei Jeroboão (1 Re 14.1-9), e, o rei Saul (1 Sm 28.7,8; 31.4). Estes e outros casos mostram que é possível o crente perder a salvação que lhe foi concedida (Êx 32.31-33; Jo 15.2; Rm 11.22,23; 1Co 15.2; Hb 3.6,7,15; Ap 3.5) se este der as costas temporariamente (desvio – Lc 15.11-24) ou definitivamente (apostasia – Hb 6.4-8) ao Senhor que o resgatou (2 Pe 2.1-3,15,20-22). Nossa Declaração de fé (2017, p. 114) nos diz: “Mediante o mau uso do livre arbítrio, o crente pode apostatar da fé, perdendo, então a sua salvação”.

  • O Antigo Testamento. No AT há diversos casos que nos evidenciam a possibilidade de alguém salvo perder a sua salvação. Vejamos: (a) os descendentes de Sete, o terceiro filho de Adão, misturaram-se com as filhas da terra desviando-se assim do Senhor (Gn 6.1,2), e, pereceram no dilúvio (Gn 6.7); (b) a mulher de Ló que estava entre aqueles que seriam poupados do julgamento que seria derramado sobre as cidades de Sodoma e Gomorra, perdeu a salvação quando, saindo da cidade não perseverou em seguir a voz divina, olhando para trás (Gn 19.17,26); (c) os hebreus que saíram do Egito rumo a terra prometida, por causa da sua incredulidade (Hb 3.19); rebeldia (Dt 1.26); falta de perseverança (Nm 32.11); e, idolatria (Êx 32.7,8), não herdaram a promessa (1 Co 10.5). A velha geração, que saiu do Egito, de vinte anos acima não entrou na terra (Nm 32.11), exceto Calebe e Josué que perseveraram em seguir ao Senhor (Nm 32.12). Mesmo entrando na terra de Canaã, o povo de Israel em sua grande maioria se desviou do caminho do Senhor, não dando ouvidos aos apelos dos profetas para que se arrependessem (Jz 2.17; 1 Re 19.10; Jr 1.16; 2.19; 2.32; 3.8; 11.10; Ez 44.10; Dn 9.11; Os 1.2; 11.7; Ml 2.8; 3.7). Portanto, o justo pode se desviar da justiça e ser condenado por isso (Ez 3.20; 18.26; 13).
  • O Novo Testamento. O Novo Testamento de igual forma mostra que é possível o cristão perder a salvação. Jesus disse que quem negá-lo diante dos homens: “será negado diante dos anjos de Deus” (Lc 8). Expressões como: “desviar-se” (Tg 5.19); “cair” (1 Co 10.12; 1 Tm 3.6); “naufragar na fé” (1 Tm 1.19); “apostatar” (1 Tm 4.1); e, “recair” (Hb 6.6), também evidenciam isso. Personagens bíblicos também atestam esta possibilidade, estre os quais estão: (a) Judas (At 1.25); (b) Ananias e Safira (At 5.1-11); (c) Himeneu (1 Tm 1.20-a); (d) Fileto (1 Tm 6.21; 2 Tm 2.17); (e) Alexandre (2 Tm 4.14); e, (f) Demas (2 Tm 4.10). Portanto, um cristão salvo pode sim, desviar-se, cair em pecado e perecer, caso não se arrependa ante a insistência do Espírito Santo (Dt 30.19; 1 Cr 28.9; 2 Cr 15.2; Ez 18.24,26; 33.18; Jo 15.6; Rm 11.21,22; 1 Ts 5.15; 1 Co 10.12; 1 Tm 4.1; 5.15; 12.25; Hb 3.12-14; 5.9; 2 Pe 3.17; 2.20-22). Essa verdade fica ainda mais evidente quando consideramos o “se” condicional quanto à salvação (Hb 2.3; 3.6,14; Cl 1.22,23), bem como a condição: “ao que vencer”, que aparece sete vezes em Apocalipse 2 e 3.

IV – A POSSIBILIDADE DA APOSTASIA

O termo apostasia vem do grego “apostásis” e significa “o abandono premeditado e consciente da fé cristã”. O termo grego “aphistemi” é definido por: “apartar, decair, desertar, retirar, rebelião, abandonar, afastar-se daquilo que antes se estava ligado” (STAMPS, 1995, p. 1903). Podemos elencar alguns passos que levam uma pessoa à apostasia: (a) quando o crente, por sua falta de fé, deixa de levar plenamente a sério as verdades, exortações, advertências, promessas e ensinos da Bíblia (Mc 1.15; Lc 8.13; Jo 5.44,47; 8.46); (b) quando as realidades do mundo chegam a ser maiores do que as do reino celestial, e o crente deixa paulatinamente de aproximar-se do Senhor (4.16; 7.19,25; 11.6); (c) por causa da aparência enganosa do pecado, a pessoa se torna cada vez mais tolerante do pecado na sua própria vida (1 Co 6.9,10; Ef 5.5; Hb 3.13); (d) quando o crente já não ama a retidão nem odeia a iniquidade; e, (e) por causa da dureza do seu coração e da sua rejeição dos caminhos do Senhor, não faz caso da repetida voz e repreensão do Espírito Santo, chegando ao ponto de blasfemar dele (Mt 12.24; Ef 4.30; 1 Ts 5.19-22; Hb 3.7-11). Abaixo elencaremos três distorções sobre este assunto:

  • O crente não tem como se desviar, porque Deus o sustenta. De fato, Deus sustenta aqueles que confiam nele (Sl 91.14; Jo 10.29; 1 Co 1.8; Cl 3.3; Jd 1.24). Mas, é necessário entender que o crente está seguro quanto à sua salvação enquanto permanecer em Cristo (Jo 15.1-6). Há os dois lados da questão: o divino e humano. Na lista de coisas que Paulo disse que não podem nos separar do amor de Deus, ele não incluiu a vontade humana e o pecado da apostasia (Rm 8.35- 39), pois sabia que estas podem sim apartar o crente de Deus (Rm 8.8; 1 Tm 4.1). Portanto, não há segurança espiritual para ninguém, estando em pecado (Rm 8.13; Hb 3.6; 5.9). Somos mantidos em Cristo pelo seu poder, mediante a nossa nEle (1 Pe 1.5; Jd 20; 2 Co 1.24-b). A salvação é eterna para os que obedecem ao Senhor (Hb 5.9; 1 Co 15.1,2).
  • Se o crente se desviar é porque ele não era crente verdadeiro. Alguns afirmam que se uma pessoa se desviar é porque não teve um encontro real com Cristo. Não é isto que o escritor aos hebreus ensinou, quando exortou os cristãos hebreus quanto ao perigo da apostasia. Ele alertou crentes verdadeiros a terem cuidado sobre esta horrível possibilidade: “Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para o arrependimento […]” (Hb 6.4-6). Segue-se ainda as exortações dos apóstolos (1 Co 10.1-11,12; 1 Co 15.1,2; Gl 5.1-4; Tg 5.19,20; 2 Pe 2.20-22; 1 Jo 2.19,28; Jd 5,6,21-23).
  • Se for criado na doutrina ele não se desvia definitivamente. O fato de os pais criarem o filho na doutrina do Senhor, conforme ordena as Escrituras (Pv 22.6; Ef 6.4), não significa dizer que este filho não poderá se desviar e até se Acerca de Provérbios 22.6, Beacon (p. 399) diz: “Estas palavras são tremendamente reconfortantes para pais fiéis e dedicados. No entanto, não devem ser interpretadas como garantia absoluta. Igualmente necessário para a sua salvação é o exercício da livre escolha por parte deles para que recebam a sempre disponível graça de Deus”. Lembremos de Caim (Gn 4.4-8); e, dos filhos do piedoso Samuel (1 Sm 8.1-3).

V – EM QUE DEVEMOS PERSEVERAR

  • No amor de Deus (Jo 9);
  • Em fazer o bem (Rm 7);
  • Na benignidade divina (Rm 22);
  • Em oração (Rm 12.12; Cl 2);
  • Em vigilância (Ef 18);
  • Na fé (Cl 1.23);
  • Na doutrina (1 Tm 4.16; 2 Jo 9).

CONCLUSÃO

A Bíblia está repleta de exortações quanto a necessidade daqueles que foram salvos de perseverarem no caminho do Senhor, a fim de que não caiam da graça e percam a salvação que lhes foi concedida. Portanto, a ideia de “uma vez salvo, salvo para sempre” é falaciosa e consequentemente conduz a pessoa a frouxidão moral.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • CHAMPLIN, N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.
  • HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.

Fonte: http://www.portalebd.org

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Adotados por Deus

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4º TRIMESTRE 2017

A OBRA DA SALVAÇÃO

Jesus Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida

COMENTARISTA: Claiton Ivan Pommerening

LIÇÃO 11 – ADOTADOS POR DEUS – (Rom 8.12-17)

INTRODUÇÃO

Veremos a definição etimológica e teológica da palavra adoção; falaremos sobre pra quem é destinada esta bênção; pontuaremos sobre a doutrina da adoção no passado, no presente e no futuro; e por fim, esclareceremos o que não é a adoção.

I – DEFINIÇÃO DA PALAVRA ADOÇÃO

1.1 Definição etimológica. O dicionário Houaiss (2001, p. 88) diz que adoção é: “ação ou efeito de adotar, de aceitar alguém ou algo; processo legal que consiste no ato de se aceitar espontaneamente como filho, desde que respeitadas as condições jurídicas para tal, aceitação como parte integrante da vida de uma família, aceitação ou admissão do que antes era externo, alheio, estranho ou não era conhecido ou cogitado, ato jurídico que cria relações de paternidade e filiação entre duas pessoas e este ato faz com que uma pessoa passe a gozar do estado de filho de outra pessoa”.

1.2 Definição teológica. A palavra grega traduzida para “adoção” é “huiothesia” é uma palavra composta formada de “huios” que significa “filho”, e “thesis” que por sua vez é “posição ou colocar” (Rm 8.15,23; 9.4, Gl 4.5; Ef 1.5). Portanto, seu sentido primário é: “colocar como filho”, “dar a alguém a posição de filho”. Em escritos seculares gregos essa palavra era muitas vezes usada no mesmo sentido que usamos a palavra adoção; isto é, aceitar alguém que não era por natureza da família e legalmente recebê-lo e tratá-lo como filho por nascimento […] é o ato jurídico pelo qual uma pessoa recebe outra como filho, independentemente de existir entre elas qualquer relação de parentesco consanguíneo ou afinidade” (VINE, 2002, p. 374).

II – ADOÇÃO DE FILHOS DE DEUS

2.1 A adoção é para todos os que creem. Os principais textos que tratam dos crentes como filhos de Deus são (Sl 103.13; Ef 1.5; Gl 4.4,5; Rm 8.15-17; Jo 1.12; 2 Co 6. 18; Rm 8.15; 23; Gl 4.6; Hb 12.6; Hb 6.12; 1Pe 1.3,4; Hb 1.14). Continua-se a observar os aspectos legais que ocorrem na vida do pecador que recebe a Cristo como Salvador: “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome” (Jo 1.12). A presunção humana de achar que todos os homens são filhos de Deus não corresponde à verdade bíblica.

2.2 A adoção nos torna filhos de Deus. Ninguém precisará jamais adotar um filho natural porque já é filho. Deus tem apenas um Filho, o qual, por ser o único, é chamado de Filho Unigênito (Jo 3.16). Os homens tornam-se filhos por adoção, e essa adoção é um ato legal, pois ela inclui a pessoa salva na família de Deus, responsabilizando-a pela obediência filial. Como consequência dessa filiação, o crente passa a ter todos os direitos e privilégios de filho: “E, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo […]” (Rm 8.17; ver Gl 4.5,6). “[…] deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus […] ” (Jo 1.12). De “serem feitos” porque não eram antes (BRUNELLI, 2016, p. 359).

2.3 A adoção nos dá os direitos de um filho natural. A adoção no mundo greco-romano era ordinariamente de jovens de bom caráter que se tornavam os herdeiros e mantinham o sobrenome dos ricos que não tinham filhos. Porém, o NT proclama a adoção corteza do Senhor a pessoas pecadoras para se tornarem os herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo (Rm 8.15-17; Gl 3.26, 27; 4.5,6; 1Jo 3.1). Em uma cerimônia legal, ao filho adotado era concedido todos os direitos de um filho natural. Não existe dignidade suficiente no homem que o faça merecer tão graciosa obra da salvação (Ef 1.5; Gl 4.5; Rm 8.15). Quem não é filho, vive numa insegurança marcante, porém quem é filho sente segurança: “porque não recebestes o espírito de escravidão para viverdes, outra vez, atemorizados” (Rm 8.15) (ENNS, 1998, p. 35).

2.4 A adoção nos dá uma nova relação familiar. Pela adoção, os laços com a velha família são quebrados, pois somos resgatados da lei (Gl.4.5); da escravidão (Rm 8.15); das futilezas que cercavam a nossa vida (1Pd 1.18); e da maldição familiar (Ex 20.5). Pela adoção, um novo ambiente familiar é estabelecido. A adoção vai ainda um pouco além, pois: “ela outorga não apenas um novo nome, um novo status legal e uma nova relação familiar, mas também uma nova imagem, a imagem de Cristo” (Rm 8.29; Ef 2.11-13; 19). O adotado não tem nenhum mérito pela escolha do “adotador” pois a soberania divina exclui com eficácia qualquer mérito (Ef 1.5; Gl 3.26; 4.4-7). “Adoção é um ato por meio do qual Ele (Deus) nos faz membros da Sua família”. Filho, no sentido legítimo da palavra, é alguém que tem em si os “genes” do pai e da mãe. Todavia, há filhos adotados,por um ato de amor e, ao mesmo tempo, jurídico, passando a desfrutar das mesmas regalias e direitos de um filho biológico; ou ainda, pelo direito à cidadania estrangeira, como ocorreu com Paulo (At 22.25,26) (BRUNELLI, 2016, p. 369).

2.5 A adoção nos dá privilégios espirituais. O status de filhos traz-nos alguns privilégios: (a) tratar a Deus como Pai nas nossas orações e de receber o perdão de nossos pecados: “Pai nosso, que estás nos céus […]” (Mt 6.9); (b) ter o testemunho do Espírito acerca da nossa salvação, o qual clama “Aba, Pai”, dando-nos o testemunho de que somos filhos de Deus (Rm 8.15,16); (c) sermos amados por ele, enquanto ignorados pelo mundo (1Jo 3.1); (d) ter o privilégio de sermos guiados pelo Espírito Santo (Rm 8.14), (e) gozamos do cuidado do Pai (Mt 6.32) e da liberdade de lhe pedir o suprimento das nossas necessidades (Mt 7.11); (f) podemos lhe pedir o Espírito Santo (Lc 11.13) e gozarmos do direito a ter uma herança nos céus (G1 4.7; 1Pd 1.4), e, além de tudo, o salvo é colocando lado a lado com o Filho Unigênito do Pai (Rm 8.17).

III – A DOUTRINA DA ADOÇÃO NO PASSADO, PRESENTE E FUTURO

Depois de adotado por Deus, o crente passa a ser filho do Pai Celeste: “Amados, agora somos filhos de Deus…” (1Jo 3.2); como irmão de Jesus (Hb 2.11); e como herdeiro dos céus (Rm 8.17). De igual modo, é libertado do medo (Rm 8.15) e desfruta de segurança e certeza de vida eterna (Gl 4.5,6).

3.1 A adoção no passado. A regeneração nos dá a natureza de filho de Deus, já a adoção nos dá a posição de filhos. Em Efésios 1.4,5 está escrito que fomos predestinados por Deus para adoção de filhos, “… antes da fundação do mundo […] e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo […]”; portanto, antes da existência do homem. Isso exclui qualquer mérito humano e somente revela a graça infinita de Deus que é condicional.

3.2 A adoção no tempo presente. Há bênçãos desfrutadas já nesta vida, decorrentes da adoção, como: (a) o nosso nome de família: “chamados filhos de Deus” (1Jo 3.1; Ef 3.14,15); (b) o testemunho do Espírito Santo em nosso interior, de que somos filhos de Deus (Rm 8.16); (c) o recebimento do Espírito Santo (Rm 8.15; Lc 11.11-13); (d) a disciplina da parte de Deus como seus filhos: “Se estais sem disciplina […] sois então bastardos, e não filhos” (Hb 12.8; 6-11); (e) a nossa herança celestial, declarada e garantida por Deus (Rm 8.17); e (f) Por meio da adoção, os nossos nomes foram registrados no livro da vida do Cordeiro (Lc 10.20; Fp 4.3; Ap 17.8; 3.5; 13.8; 20.12,15; 21.27).

3.3 A adoção no tempo futuro. Paulo traz à mente do povo de Deus, que sua relação com Deus agora em Cristo, é totalmente diferenciada. Não mais escravos, mas filhos. Em Romanos 8.23, vemos que os nossos privilégios quanto à adoção de filhos de Deus têm ainda um lado futuro: “… gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”. Isso se dará na vinda de Jesus para levar a sua Igreja, o que nos mostra que a adoção de filhos se concretizará de maneira plena no futuro com o arrebatamento da Igreja. “Vede quão grande caridade nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus […]. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque como é o veremos […]” (1Jo 3.1-3).

IV – O QUE NÃO É A ADOÇÃO

4.1 A adoção não é regeneração. A adoção lida com a nossa mudança de posição pois éramos por natureza “filhos da ira” (Ef 2.3) e “filhos do diabo” (1Jo 3.10); nossa posição era de alienação e condenação. Devido à remoção do pecado e à obra meritória de Cristo nossa posição muda, de modo que agora somos chamados filhos de Deus. O filho adotivo retém a natureza de seus pais biológicos; ele não assume a natureza de pai adotivo. Mas Deus, na regeneração, permite que seus filhos, “nascidos de novo”, se tornem participantes da sua natureza santa e amorosa, como seu Pai celestial (2Pd 1.4). Deus fez o que nenhum pai ou mãe humanos podem fazer quando adotam uma criança que é mudar a personalidade e a natureza da criança que adotaram de modo que sejam semelhantes às deles. Os judeus contemporâneos de Jesus alegaram ser filhos de Deus, porém, suas atitudes não demonstravam essa condição de filhos de Deus; por isso, Jesus chamou-os de “filhos do diabo” (Jo 8.41-44) (BRUNELLI, 2016, p. 369).

4.2 Adoção não é justificação. A justificação lida com a nossa mudança de estado pois estávamos por natureza “condenados” e agora somos “livres” pois recebemos o perdão e a reconciliação com Deus. Por isso, a adoção é uma bênção que nos leva da sala do tribunal para o seio da família (2Sm 9.11). Concebe-se a justificação em termos da lei, a adoção, em termos do amor. A justificação vê Deus como juiz, a adoção, como um pai (Rm 8.14, Ef 1.5). As Escrituras deixam claro que uma coisa é ser “julgado justo” (justificação), e outra é ser “colocado entre os filhos de Deus” (adoção). A justificação envolve uma relação judicial; a adoção, uma relação pessoal. O fato de um juiz pronunciar a sentença de “não culpado” não o compromete a levar o acusado para sua casa e conceder-lhe todos privilégios de filho. Uma coisa é Deus nos aceitar como Juiz, outra, aceitar-nos como Pai (BRUNELLI, 2016, p. 369).

4.3 A adoção não é santificação. A santificação lida com a nossa mudança de natureza pois éramos por natureza “impuros” e agora somos “santos” (Jo 1.12; Rm 8.17). “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.48).Paulo também disse: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados” (Ef 5.1). Trata-se simplesmente do filho de Deus ter os sinais característicos; fiel ao seu Pai, ao seu Salvador e a si próprio. A responsabilidade de viver no status de filho, temos que viver como família de Deus. Por isto Jesus afirmou: “Sede perfeitos como perfeito é vosso Pai” (Mt 5.48). Somos convidados a viver este novo estilo de vida: “Como filhos da obediência não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente” (1Pd 1.14).Devemos ter compromisso com o funcionamento da nova família: “Vivei de modo digno da vocação a que fostes chamados” (Ef 4.1). Para isso Paulo nos adverte: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados […]” (Ef 5.1,2 ver 1Pd 1.14-16; Mt 5.16). Por isso que Paulo ainda diz: “[…] para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta […]” (Fp 2.14-16). Nesta atitude de honrar e glorificar o Pai é que somos reconhecidos como seus filhos: “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus […]” (1Jo 3.10 ver 1Pd 2.11,12).

CONCLUSÃO

A doutrina da adoção nos mostra que somos filhos de Deus e que um dia fomos aceitos por Ele por causa do seu grande amor. Foi a obra de Cristo na cruz que tornou esse ato de adoção possível. Agora, nos tornamos herdeiros de todas as coisas com Cristo Jesus. Firmados na doutrina gloriosa da adoção, podemos nos sentir amados e cuidados por Deus, pois somos objetos do Seu inefável amor.

REFERÊNCIAS

  • BRUNELLI, Walter. Teologia para Pentecostais. CPAD
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. CPAD.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.CPAD.
  • HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa.OBJETIVA.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  • VINE, W.E, et al. Dicionário Vine. CPAD

Fonte: http://www.portalebd.org

O processo da Salvação

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4º TRIMESTRE 2017

A OBRA DA SALVAÇÃO

Jesus Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida

COMENTARISTA: Claiton Ivan Pommerening

LIÇÃO 10 – O PROCESSO DA SALVAÇÃO – (Jo 3.1-7)

INTRODUÇÃO

Nesta lição falaremos sobre quais as benesses aplicadas na vida do que pecador, quando este recebe a salvação concedida por Deus por meio de Cristo Jesus; trataremos dos aspectos da salvação, a saber: justificação; regeneração e santificação, mostrando especificamente o que são, como ocorrem, onde ocorrem e quais os seus frutos.

I – ASPECTOS DA SALVAÇÃO

A Bíblia não somente fala da providência da salvação como também da sua aplicação na vida do pecador arrependido. Pensar a respeito desse assunto nos leva a considerar a “ordo salutis” expressão latina que significa “ordem da salvação”, que é uma ordem lógica e não cronológica na qual experimentamos o processo de passar de um estado pecaminoso para o da plena salvação. Segundo o Pr. Antonio Gilberto (2008, p. 340) “a salvação no seu sentido objetivo, diante de Deus, não tem tempos, mas aspectos ou lados. Vejamos cada um destes aspectos separadamente:

  • A justificação. É a mudança de posição externa e legal do pecador diante de Deus: de condenado para justificado. Pela justificação passamos a pertencer aos justos. Justificação é o tempo passado da nossa salvação, mas sempre presente em nossa vida espiritual (1 Co 6.11; Rm 3.24; 5.1; G1 2.16) (GILBERTO, 2008, p. 340).
  • A regeneração. É a mudança de condição do pecador. É o milagre que se dá na vida de quem aceita a Cristo, tornando-o participante da vida e natureza divinas (1 Pe 1.3,23; 2 Pe 1.4; 1 Jo 3.9; 5.18). Através da regeneração, conhecida também como conversão e novo nascimento o homem passa a desfrutar de uma nova realidade espiritual” (ANDRADE, 2006, p. 317 – acréscimo nosso).
  • A santificação. É a mudança de caráter. É um processo presente e contínuo por parte dos crentes, a fim de se tornarem semelhantes a Cristo (1 Co 1.2; 6.11; Hb 10.10; 12.14; 1 Pe 1.15,16; Ap 22.11). A santificação é o processo pelo qual Deus retira de nós o pecado de forma real (GEISLER, 2010, pp. 149,211).

II – A JUSTIFICAÇÃO DO PECADOR

Deus criou o homem justo, no entanto, quando Adão caiu tornou-se injusto, bem como todos os homens (Ec 7.20; Sl 51.5; 14.3; 143.2; Rm 5.18,19). Nessa condição, o ser humano não tinha condições de preencher os requisitos perfeitos da justiça divina, estabelecidos na Lei, visto que se tornou carnal (Rm 7.14). No entanto, Deus providenciou uma forma de tornar o homem justo aos Seus olhos, mediante o sacrifício de Cristo (2 Co 5.18-21).

  • Como se recebe. Jesus ensinou que o homem é declarado justo diante de Deus não por obras, mas por fé (Lc 18.10- 14). Na prática absolveu o ladrão que estava a sua direita, que embora estivesse naquela condição porque seus feitos mereciam (Lc 23.41), professou arrependimento e fé na Pessoa de Jesus (Lc 23.42), e foi absolvido imediatamente (Lc 23.43). Depois de Jesus, Paulo foi o maior divulgador desta verdade. Ele ensinou que é no evangelho que se revela a justiça de Deus pela fé (Rm 1.17). Para o apóstolo, se constitui numa “boa nova” tanto para o judeu quanto para o grego saber que o homem pode ser declarado justo pela fé depositada em Jesus Cristo (Rm 3.21-24,28; 5.1; Gl 2.16; 3.24). Portanto, o homem é justificado pela fé e pela fé somente “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei” (Rm 28).
  • Como ocorre. A Bíblia apresenta Deus como justo, mas também como justificador (Rm 3.26). A base da justificação só pode ser encontrada na justiça perfeita de Cristo, imputada ao pecador na justificação e apropriada pela fé (Rm 3.24; 5.9,19; 8.1; 10.4; 1Co 1.30; 6.11; Fp 3.9). Na justificação, Cristo não apenas tira de nós a nossa iniquidade, mas também nos reveste com a sua própria justiça (At 26.18; Rm 5.1-2; 1 Co 1.30; 2 Co 5.18-21; Gl 4.5). A justificação é uma necessidade para que o pecador arrependido tenha certeza absoluta de que está salvo, seguro, aceito por
  • Onde ocorre. A justificação do pecador não se dá diante de tribunais humanos, pois estes não oferecem perdão. Ela ocorre diante de Deus que declara justo, um pecador arrependido, considerando que a justiça de Cristo lhe foi imputada (Rm 8.33,34). Jesus disse: “[…] quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24). Paulo também afirmou isso (Rm 8.1-a). Por isso, o julgamento que os crentes redimidos irão passar se refere ao Tribunal de Cristo onde serão avaliadas as nossas obras praticadas depois de salvos (Rm 14.10; 2 Co 5.10). Estamos livres de estarmos no Juízo do Trono Branco, pois nele só comparecerão os ímpios para serem condenados por causa dos seus pecados (Ap 11-15).
  • Quais os frutos. O apóstolo Paulo descreve os frutos da justificação (Rm 5.1-12), os quais são: (a) paz com Deus (Rm 5.1); (b) acesso a graça (Rm 5.2); (c) esperança da glória (Rm 5.2-b); (d) salvo da ira (Rm 5.9); (e) reconciliação (Rm 5.10,11); e, (f) glorificação (Rm 5.10-a).

III – A REGENERAÇÃO DO PECADOR

Dentre as consequências que o pecado trouxe ao homem, a principal delas, foi a morte espiritual (Gn 2.16,17; 3.2,3; Rm 6.23). A morte espiritual é a separação espiritual de Deus (Is 59.2). Todo descendente de Adão, ou seja, toda pessoa nascida de forma natural desde o tempo da Queda, também está espiritualmente morto. Diante de tal situação espiritual de morte, faz-se necessário o homem nascer espiritualmente de novo. Portanto, a regeneração é uma necessidade universal (Jo 3.3,5). É por meio do novo nascimento que a imagem de Deus é restaurada no homem, o Espírito Santo passa a residir nele, produzindo as virtudes de Cristo, a medida que este se deixa conduzir pelo Espírito (Gl 5.22).

  • Como se recebe. Paulo diz que o homem não regenerado “está morto em delitos e pecados” (Ef 2.1,5). Vale salientar que essa “morte” não é a incapacidade de corresponder ao chamado de Deus, mas a separação espiritual da presença dEle (Rm 3.23). Paulo disse que o homem nessa condição não compreende as coisas de Deus (1 Co 2.14). O pecador só pode ser vivificado, quando exposto a pregação da Palavra que ilumina o seu entendimento (Ef 1.18; 6.4; 2 Co 6.4), até então obscurecido pelo pecado (Ef 4.18) e pelo diabo (2 Co 4.4). No entanto, mesmo sendo iluminado, a pessoa pode optar por aceitar ou rejeitar o plano da salvação (Mt 16.24; Jo 7.37; Ap 17).
  • Como ocorre. A palavra regeneração no grego é “palinginesia” formada da expressão pálin”, “novamente”, e “génesis”, “nascimento”, significa portanto “novo nascimento”. Segundo Beacon (2006, p. 49 – acréscimo nosso) a palavra traduzida como “de novo” é “anothen”, que tem vários significados e um deles é: “de cima”. Portanto, este nascimento é de cima e não de baixo, não é físico, mas espiritual (Jo 1.13; 1 Pe 1.23). Esta operação é realizada por meio de dois instrumentos: (a) a Palavra de Deus (Jo 3.5; 1 Pe 1.23; Tg 1.18); e, (b) o Espírito Santo (Jo 3.8; Tt 5).
  • Onde ocorre. A regeneração é um ato interno, ela acontece no interior do pecador. Segundo Macgrath (2010, p. 525) “a regeneração altera a natureza interior do pecador”. A Bíblia emprega várias figuras de linguagem para descrever o que acontece no novo nascimento (Dt 30.6; Jr 24.7; Ez 11.19; 36.26,27). Nestas passagens bíblicas o novo nascimento é comparado a uma “cirurgia interior”. Deixando claro que a regeneração é um ato divino operado pelo Espírito Santo no espírito do homem (Gl 5.16,17; Cl 3.5; 1 Pe 2.11; 2 Pe 1.4; 1Jo 3.9; 18).
  • Quais os frutos. Embora a regeneração seja um ato interno, esta mudança interior, gera uma notável e visível mudança exterior. Eis alguns resultados do novo nascimento, segundo a Bíblia Sagrada: (a) o crente agora é nova criatura em Cristo e tudo se fez novo (2 Co 5.17); (b) o crente agora pratica atos de justiça (1 Jo 2.29); (c) o crente já não pratica o pecado como estilo de vida (1 Jo 3.9; 5.18); e, (d) O crente agora ama a Deus e ao homem (1 Jo 4.7; 18).

IV – A SANTIFICAÇÃO DO PECADOR

Quando caiu, Adão, perdeu a santidade que lhe foi comunicada por Deus (Gn 1.26; Ec 7.20). Seu caráter foi manchado pelo pecado. Todavia, a nova natureza implantada por ocasião do novo nascimento, leva o homem a agir, pensar, falar, e andar em santidade, não de forma mecânica, mas em cooperação com a sua vontade (Gl 5.16).

  • Como se recebe. Assim como as demais etapas da salvação, a santificação também é recebida pela fé (At 26.18). Jesus compartilhou a Sua santificação para os seus (Jo 17.19). Paulo, por sua vez, asseverou também que a santificação de Cristo nos foi concedida (1 Co 30).
  • Como ocorre. Como o pecado atingiu o homem em todas as áreas: espírito, alma e corpo, se fazia necessário também que a santificação atingisse todo o seu ser (1 Ts 5.23). Biblicamente esta santificação ocorre de duas formas:
    • Santificação posicional (imputação). Deus nos conferiu santificação de forma posicional: “em Cristo” (1 Co 1.2; 6.11; Ef 1.4; Fp 1.1; 4.21; Cl 1.2). A santificação sob este aspecto é perfeita, completa e instantânea “em Cristo”, mediante a fé (At 18). Ela ocorre por ocasião do novo nascimento, sendo simultânea com a justificação (1 Co 6.11; G1 2.17-a).
    • Santificação progressiva (cooperação). A santificação também faz parte de um processo, que envolve a participação humana (Ap 22.11). Por isso, diversas vezes encontramos o verbo santificar no imperativo, indicando uma ordem divina ao homem (Lv 20.7,26; 2 Tm 2.21; Hb 12.14; Tg 4.8; 1 Jo 3.3). Esta santificação é possível mediante o sangue de Cristo (1 Jo 1.7); o Espírito Santo (Rm 8.1; 1 Co 6.11; 1 Pe 1.22); e, a Palavra de Deus (Sl 119.9; Jo 17.17).
  • Onde ocorre. A santificação deve ocorrer em “todo o vosso espírito, e alma, e corpo” (1 Ts 5.23). Isso significa que devemos ser santos em nosso viver, e em nossa conduta — isto é, em nosso caráter, internamente —, e em nosso proceder, externamente (1 Pe 1.15).

CONCLUSÃO

A salvação é uma dádiva divina que quando aplicada ao pecador lhe proporciona a justificação (mudança de posição); a regeneração (mudança de condição); e, a santificação (mudança de caráter).

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. CPAD.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Arrependimento e fé para a salvação

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4º TRIMESTRE 2017

A OBRA DA SALVAÇÃO

Jesus Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida

COMENTARISTA: Claiton Ivan Pommerening

LIÇÃO 09 – ARREPENDIMENTO E FÉ PARA A SALVAÇÃO – (At 2.37-41)

INTRODUÇÃO

Nesta lição traremos uma definição das palavra arrependimento e fé; veremos que essas atitudes humanas são necessárias para que o homem receba a salvação concedida por Deus; destacaremos também que o verdadeiro arrependimento e fé são fruto da resposta humana a obra do Espírito Santo e da exposição da Palavra; pontuaremos, por fim, que a salvação demanda a participação divina de conceder e a humana de receber.

I – DEFINIÇÕES

  1. Arrependimento. No AT temos o vocábulo “naham”, que traduz a ideia de: “arrepender-se, voltar-se para longe de, ou em direção de” (ANDRADE, 2006, p. 63). No NT deriva-se do termo grego “metanóia”, e significa: “a verdadeira tristeza sobre o pecado, incluindo um esforço sincero para abandoná-lo; convicção da culpa produzida pelo Espírito Santo ao aplicar a lei divina ao coração; ou, ainda: sentir tristeza a ponto de deixar o pecado, mudança de ideia ou de propósito” (PEARLMAN, 2010, p. 225). O arrependimento inclui três elementos: (a) intelecto: é uma mudança de pensamento (Ef 1.18); (b) emoção: um homem arrependido sente um profundo pesar (Mt 21.29,30; 2 Co 7.10; Hb 7.21); e, (c) vontade: a pessoa sente a necessidade de abandonar o pecado e voltar-se para Deus (1 Ts 1.9; Rm 6.17; 1 Pe 4.2).
  2. Fé. No AT o verbo “ãman” é traduzida por “confiar, ter convicção, acreditar”. No NT a palavra “pistis” é traduzida primariamente por “persuasão firme”, “convicção fundamentada no ouvir”, podendo ser utilizada no NT como confiança (Rm 3.25; 1 Co. 2.5; 15.14,17; 2 Co 1.24; Gl 3.23); fidedignidade, fidelidade e lealdade (Mt 23.23; Rm 3.3; Gl 5.22; Tt 2.10); crença “corpo de doutrina” (At 6.7; 14.22; Gl 1.23; 3.25) (VINE, 2002, pp. 86,648). Embora a Bíblia descreva diversas manifestações da fé, destacamos aqui a fé salvífica (Mc 1.15; Mc 16.16; Jo 3.16; At 16.30,31; Rm 10.9,10; Ef 2.8- 10). “A fé para salvação é uma atitude do intelecto (razão) e do coração (emoção) para com Deus em que o homem abandona toda a confiança em seus esforços de religiosidade, de piedade, de bondade ou de moralidade para obter a salvação (Gl 2.16) e confia completa e exclusivamente na obra de Cristo (At 16.30) operada na cruz” (POMMERENING, 2017, p. 100 – acréscimo nosso).

II – O ARREPENDIMENTO E A FÉ PARA A SALVAÇÃO

Deus concedeu a salvação a todos os homens em Cristo Jesus (Jo 3.16; Tt 2.11). Todavia, existem condições para o nosso recebimento da vida eterna, a saber: o arrependimento e fé. Pommerening (2017, p. 97 – acréscimo nosso) diz que: “fé e arrependimento são condições essenciais para a salvação. Trata-se de duas operações conjuntas e cooperativas em que o homem reage positivamente a ação do Espírito Santo. Geisler também afirma: “a fé genuína e o arrependimento na salvação de uma pessoa envolvem a aceitação do certo e a rejeição do errado — uma não pode ser exercida sem a outra”. Vejamos a importância de cada uma delas detalhadamente:

  1. A importância do arrependimento. Como todos os homens pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23), o arrependimento também é necessário a todos os homens. Jesus mesmo introduziu a mensagem do Reino, chamando as pessoas ao arrependimento (Mt 4.17; 9.13; Mc 2.17). Ele comissionou os apóstolos a pregarem esta mensagem (Lc 24.47). Confira também (Mc 6.12; At 2.38; 3.19; 8.22). Paulo disse que por meio do evangelho se “anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam” (At 17.30). O arrependimento é vital para que o ser humano possa obter a salvação (At 2.38; 3.19; 2 Co 7.10). Jesus ensinou que, se não houver arrependimento o homem perecerá em seus pecados (Lc 13.3,5; Jo 8.14). “O verdadeiro arrependimento é o que produz convicção do pecado; contrição do pecado; confissão do pecado; abandono do pecado; e conversão do pecado” (GILBERTO, 2008, p. 358).
  2. A importância da fé. A fé é, sem dúvida, um dos mais importantes conceitos de toda a Bíblia Sagrada. Ela é de vital importância para que o homem tenha acessado a Deus e dEle receba suas bênçãos (Hb 11.6). Horton (1999, p. 109) diz que: “todas as nossas relações com Deus acham-se ancoradas na fé”. Acerca da salvação não é diferente. Somente crendo no evangelho o homem poderá obter este presente divino (Mc 16.16; Rm 10.9; Ef 2.8). O próprio Jesus principiou a mensagem do Reino chamando os homens ao arrependimento e fé: “[…] Arrependei-vos, e crede no evangelho” (Mc 1.15). Os apóstolos de igual modo pregaram que a fé em Jesus Cristo e no que Ele fez é condição sem a qual o homem não poderá alcançar a salvação (At 8.37; 16.31; Rm 10.9). Segundo Brunelli (2016, p. 327), “a fé que nasce no coração do homem mediante a pregação da Palavra de Deus é um elemento exclusivamente humano, por isso é cobrada do homem” (Jo 3.16; 20.31; Rm 3.22; 4.11,24; 10.9,14).

III – OS MEIOS QUE COOPERAM PARA O ARREPENDIMENTO E A FÉ

Embora o arrependimento e a fé sejam atitudes humanas, Deus concede os meios que possibilitam estes pré- requisitos para a salvação. Vejamos quais são:

  1. O Espírito Santo. Jesus disse que uma das funções do Espírito Santo é convencer o homem “do pecado, e da justiça  e do juízo” (Jo 16.8). A expressão “convencer” no grego “elencho” significa: “acusar, mostrar erro” (PALAVRA CHAVE, p. 2180). É necessário entender que o convencimento do pecado é uma ação conjunta entre o Espírito Santo e o ser humano, que se deixa convencer ou não. Portanto, não é algo coercitivo, mas em cooperação, pois a Escritura diz que o Espírito Santo pode ser resistido (At 7.51; 18.6; Hb 3.7,8,15; 4.7).
  2. A Palavra de Deus. A fé salvadora é proveniente da pregação do evangelho (Rm 10.13,16; 2 Tm 3.15), ou seja, Deus possibilita a fé salvadora, quando põe o pecador em contato com a revelação especial: Cristo e a Bíblia. O pecador só pode ser salvo, quando exposto a pregação da Palavra que ilumina o seu entendimento (Ef 1.18; 6.4; 2 Co 6.4), até então obscurecido pelo pecado (Ef 4.18) e pelo diabo (2 Co 4.4). Ela mostra sua condição de pecado (Rm 3.23; Rm 7.7); sua sentença ao castigo eterno (Gl 5.21); e que somente em Cristo Jesus, a pessoa poderá ser salva (Jo 14.6; At 4.12; 5.31; 13.23; Tt 3.6; 1 Jo 4.14). No entanto, mesmo recebendo a iluminação da Palavra, o pecador pode optar por aceitar ou rejeitar o plano da salvação que lhe é oferecida (Mt 16.24; Jo 7.37; Ap 22.17).

IV – O PROCESSO DA SALVAÇÃO

Existem pensamentos divergentes entre os teólogos sobre como se dá a salvação de um indivíduo. Se é um ato monergista (do grego monós, “único” + ergon, “trabalho”), ou seja, algo exclusivamente divino ou se é um ato sinergista (do grego syn, “com” + ergon “trabalho”), que apesar da salvação ser concedida por Deus, requer condições para que o homem seja por ela alcançado. Diante destas duas propostas, faz-se necessário apresentar o entendimento correto do processo da salvação à luz da Bíblia. Vejamos:

  1. A parte divina (conceder). A “salvação” é uma providência divina: “E tudo isto provém de Deus” (2 Co 5.18-a); desde a fundação do mundo “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap 13.8); ela é fruto inteiramente do Seu incomparável amor “Porque Deus amou o mundo” (Jo 3.16), e da Sua graça “[…] pela graça sois salvos […]; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8); que foi manifestada plenamente em Cristo Jesus em favor de todos os homens “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2.11). Geisler (2010, p. 157), afirma: “Deus é o autor da salvação, pois apesar de o pecado humano ter a sua origem nos homens, a salvação vem do céu, e tem a sua origem em Deus”.
  2. A parte humana (receber). Deus proporcionou a salvação a todos, mas para que receberam é necessário o arrependimento (Mt 3.2; Mc 1.15; Lc 24.47; At 2.38; 3.19; 17.30) e, também a fé (Mc 16.16; Jo 3.16; Jo 5.14; At 16.31; Rm 1.16; 10.9) e estas são atitudes humanas. Quando a Bíblia diz que Deus deu arrependimento a Israel e aos gentios (At 5.31; 11.18) significa dizer que: “Ele graciosamente nos concede a chance de abandonarmos o pecado, só que cabe a nós a execução do ato de arrependimento” (GEISLER, 2010, p. 383). Quanto a fé ser uma resposta humana a revelação divina, podemos ver nos seguintes casos: (a) Deus livrou Noé e sua família do dilúvio, mas o patriarca pela fé construiu a arca (Hb 11.7); (b) foi Deus quem livrou os primogênitos dos hebreus da morte física, mas eles tiveram que pela fé matar o cordeiro e colocar o sangue na verga e nos umbrais das portas (Hb 11.28); e, (c) foi Deus quem enviou as serpentes abrasadoras sobre o povo de Israel como punição pelo seu pecado (Nm 21.6); mas também providenciou-lhes o livramento da morte física, exigindo apenas que pela fé, os hebreus ainda que mordidos, olhassem para a serpente de bronze que Moisés havia levantado, e, assim eles viveriam (Nm 21.9). Jesus aludiu a esta passagem do AT para ensinar a Nicodemos que, de igual modo, Ele seria levantado para que “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.15).

CONCLUSÃO

Deus quer que todo o homem se salve e venha ao conhecimento da verdade. Para isto, Ele nos concedeu o Seu Filho Jesus Cristo, que pagou o preço pelos nossos pecados na cruz do Calvário. No entanto, para que esta salvação seja recebida, faz-se necessário que o homem se arrependa dos seus pecados e creia em Jesus como seu Salvador.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário TeológicoCPAD.
  • BÍBLIA DE ESTUDO PALAVRA-CHAVE.
  • BRUNELLI, Walter. Teologia para Pentecostais: Uma Teologia Sistemática Expandida. ACADÊMICO.
  • FERREIRA, Aurélio     Buarque    de        Novo Dicionário da Língua Portuguesa. POSITIVO.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.
  • HORTON;       Doutrinas      Bíblicas:     uma perspectiva pentecostal. CPAD.
  • PEARLMAN, Myer. Conhecendo as doutrinas da Bíblia.
  • POMMERENING, Claiton Ivan. A obra da salvação: Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida.
  • STAMPS, Donald Bíblia de Estudo Pentecostal.CPAD.
  • VINE, W.E, et al. Dicionário Vine. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Salvação e livre-arbítrio

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4º TRIMESTRE 2017

A OBRA DA SALVAÇÃO

Jesus Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida

COMENTARISTA: Claiton Ivan Pommerening

LIÇÃO 08 – SALVAÇÃO E LIVRE-ARBÍTRIO – (Jo 3.14-21)

INTRODUÇÃO

Nesta lição iniciaremos vendo a definição do termo livre-arbítrio; estudaremos esta doutrina nas Escrituras Sagradas; pontuaremos a soberania de Deus e a livre escolha humana; e finalizaremos analisando a salvação e a eleição divina, bem como a livre-vontade do homem.

I – DEFINIÇÃO DE LIVRE-ARBÍTRIO

  • Definição etimológica do termo. O dicionário Vine (2010, pp. 608,756) diz que livre-arbítrio vem do termo grego “eklego”, “escolher, selecionar, eleger” e “eleutheros”, “liberdade de ir onde quer”. O dicionário Houaiss define como: “possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante”. A palavra livre vem do latim “liber”, que significa “livre” e o termo arbítrio “arbiter”, que é “uma pessoa escolhida para decidir sobre uma questão” (2001, p. 1774).
  • Definição teológica do termo. “Entende-se por livre-arbítrio a liberdade que o ser humano tem de fazer escolhas, tornando-se, consequentemente, responsável por elas e por seus respectivos resultados […]. O poder humano de fazer escolhas é o primeiro assunto de que trata a Bíblia Sagrada […]. O livre-arbítrio é inerente ao homem, o qual não poderia ser julgado, jamais, se as suas decisões fossem involuntárias, e ele fizesse o que não desejasse pelo fato de ser movido por uma força estranha, alheia à sua consciência e vontade” (BRUNELLI, 2016, pp. 293,295). A Declaração de Fé das AD diz: CREMOS, professamos e ensinamos que o homem é uma criação de Deus […], dotado por Deus de livre-arbítrio, ou seja, com liberdade de escolher entre o bem e o mal […] essa escolha continua mesmo depois da queda no Éden (Jo 7.17). Deus dotou Adão do livre-arbítrio com o qual ele era capaz tanto de obedecer quanto de desobedecer ao Criador (SOARES, 2017, pp. 77,99).

II – O LIVRE-ARBÍTRIO NA BÍBLIA

  • O livre-arbítrio nas Escrituras. Tanto no AT quanto no NT a doutrina do livre-arbítrio é claramente defendida, e apesar da expressão “livre-arbítrio” não estar na Bíblia de maneira explícita em diversas passagens do AT podemos ver que Deus dá o poder de escolha ao ser humano (Gn 2.17,16; 4.7; Dt 28.1; 30.15,19; Js 24.15; 2Sm 24.12; Jz 5.2; 1Cr 28.9; Ed 7.13; Ne 11.2; Sl 119.30; Is 1.19,20; Jr 4.1). Também podemos encontrar várias referências que demonstra-nos o livre-arbítrio no NT (Mt 3.2; 4.17; 16.24; 23.37; Mc 8.35; Lc 7.30; Jo 5.40; 6.37; 7.17; 15.7; At 3.19; 17.30; Rm 10.13; 1Tm 1.19; 1Co 10.12; 2Co 8.3,4; 1Jo 3.23; Ap 3.20).
  • O livre-arbítrio antes da Queda. O poder da livre-escolha faz parte do desígnio de Deus para a humanidade, como sendo a sua imagem e semelhança (Gn 1.27). Adão e Eva receberam o mandamento para multiplicarem a espécie humana (Gn 1.28) e se absterem de comer do fruto proibido (Gn 2.16-17). Estas duas responsabilidades implicam na capacidade de respostas. O fato deles deverem fazer estas coisas, implicava que eles poderiam fazê-las (Gn 3.6). A condenação de Deus para a atitude deles deixa claro que ambos eram moralmente livres para tomar a sua decisão (Gn 3.11,13) (GEISLER, 2010, p. 108).
  • O livre-arbítrio depois da Queda. Mesmo depois de haver pecado e se tornado espiritualmente “morto” (Gn 2.17; cf. Ef 2.1) e, portanto, um pecador, em função da sua natureza pecaminosa (Ef 2.3), Adão não se tornou tão completamente depravado a ponto de não mais ouvir a voz de Deus e poder responder de maneira livre (Gn 3.9-10). A imagem de Deus foi obscurecida, mas não completamente erradicada pela Queda; ela foi corrompida (afetada), mas não eliminada (aniquilada). Na verdade, a imagem de Deus (que inclui o livre-arbítrio) ainda permanece nos seres humanos (Gn 9.6; Tg 3.9). Até mesmo a nossa cegueira espiritual é resultado da nossa decisão de não acreditar (Rm 6.16) (GEISLER, 2010, p. 109).

III – A VONTADE DE DEUS E O LIVRE-ARBÍTRIO

  • A vontade permissiva e livre arbítrio. O que faz o homem um ser moralmente semelhante ao Criador, é justamente a capacidade de fazer suas próprias escolhas; e é isto o que se entende por vontade permissiva. Deus tem poder para impedir que o homem faça o mal ou bem, entretanto, lhe dá o direito de escolha mesmo discordando dela (Gn 2.15-17; 3; 4.7; Dt 30.15-20; Gl 6.7-10). Na vontade permissiva, a soberania e a onipotência de Deus não violam o livre-arbítrio humano. No âmbito da salvação, Deus sabe perfeitamente quem o rejeitará, embora jamais interfira nesta decisão. Todavia, o homem pode rejeitar a salvação (Is 1.19,20; Dt 30.19; Js 24.15; Mt 23.37,38; Lc 7.30; 1Tm 1.19; 1Co 10.12). A Bíblia ensina que Deus é todo- poderoso; ninguém pode impor limites ao seu poder (Jó 37.23; Is 40.26). No entanto, ele não usa seu poder para controlar tudo arbitrariamente (Is 42.13,14), ele tolera aqueles que fazem mau uso do livre-arbítrio, mas não para sempre (Sl 10).
  • A vontade diretiva e predestinação. A vontade diretiva de Deus opera em conformidade com a sua sabedoria e soberania. Ele rege o curso da história, e controla o universo de acordo com seus eternos propósitos (Sl 33.11; At 2.23; Ef 1.4-9). Tudo o que planejou certamente será executado (Is 43.13; 14.26,27). É nesse ponto que nos deparamos com a doutrina da predestinação. O Eterno, em seu profundo e inigualável amor, predestinou todos os seres humanos em Cristo à vida eterna . Ninguém foi predestinado ao lago de fogo que fora preparado para o Diabo e seus anjos (Mt 25.41). Mas o fato de o homem ser predestinado à vida eterna não lhe garante essa bem-aventurança. É necessário que creia no Evangelho, e assim será considerado eleito (Rm 8.29; Ef 5).

IV – A SALVAÇÃO E O LIVRE-ARBÍTRIO

  • A salvação e o livre-arbítrio. A Bíblia enfatiza o ensinamento do livre-arbítrio humano (Mt 11.28; Lc 9.23; 13.3; 16.16; Jo 1.12; At 2.21; 17.31; Rm 1.16; 10.13,14; 1Tm 2.3,4; 4.1; 2Pd 2.1,20,21; 3.9; Ap 2.20,21; 3.11). No NT os pecadores são repetidamente ordenados a “arrepender-se” e “crer” (Mt 3.2; 4:17, Jo 5.40; At 3.19, 1Jo 3.23). A ordem “arrepende-te” foi transmitida à maioria das Igrejas da Ásia (Ap 2.5,16; 3.3,19) e, o Senhor disse que deveriam “guardar, reter, conservar” o que tinham, até a morte, para que não perdessem a coroa (Ap 2.10,25; 3.11). Conquanto o Senhor Jesus tenha feito a sua parte, ao nos resgatar, temos de “operar” ou “desenvolver”, a nossa salvação (Fp 2.12; Ef 2.10; 2Tm 2.10; Hb 6.9). Se negarmos o Senhor, Ele também nos negará (Mt 10.32,33; 2Tm 2.12; Ap 3.5) (SILVA, 1989, p. 60).
  • A salvação e a predestinação fatalista. Predestinação fatalista é o ensino antibíblico da determinação antecipada do destino dos homens: uns para salvação outros para condenação. Este ensino só considera a soberania de Deus, e não sua graça e justiça (Rm 11.5; 3.21; 1Tm 2.4; Tt 2.11; 2Pd 3.9). Em Ezequiel 18.23,32; 33.11, Deus assevera o seu desejo de que o ímpio se converta, e não apenas os “eleitos” e “predestinados” (Jo 3.16). Deus jamais predestinará alguém para o inferno, sem lhe dar oportunidade de salvação, pois isso aviltaria a natureza moral de Deus. Se todos já estão predestinados quanto ao seu destino eterno, então não há lugar para escolha, decisão, ou livre-arbítrio por parte do homem, o que contradiz a Bíblia (Dt 30.16-19; Js 24.15; 1 Rs 18.21; Sl 119.30,173; Lc 13.34; Ap 22.17). Não há segurança salvífica fora de Jesus e de seu aprisco, como também não há segurança espiritual para alguém que vive em pecado (Jo 15.1-6; 1Pd 1.5; Rm 1.17) (DANIEL, 2017, p. 402).

V – A ELEIÇÃO DIVINA E O LIVRE-ARBÍTRIO

A escolha de Deus daqueles que creem em Cristo é uma doutrina importante (Rm 8.29-33; 9.6-26; 11.5, 7, 28; Cl 3.12; 1Ts 1.4; 2Ts 2.13; Tt 1.1). A eleição do grego “eklegoe” refere-se à escolha feita por Deus, em Cristo, de um povo para si mesmo, a fim de que sejam santos e inculpáveis diante dEle (2Ts 2.13). Essa eleição é uma expressão do amor de Deus, que recebe como seus, todos os que recebem Jesus condicionalmente (Jo 1.12). A doutrina da eleição abarca as seguintes verdades:

  • A eleição é baseada na presciência divina. A Bíblia assevera tanto a realidade do livre-arbítrio humano como a realidade da presciência divina (ter conhecimento do futuro). A despeito de Deus conhecer antecipadamente, os que rejeitarão seu plano salvífico, sua presciência não interfere nem viola o livre direito de escolha do homem (2Tm 2.10). Deus é onisciente, e para Ele nada está oculto. Ele sabe o futuro desde o passado (Is 46.10; 1Pd 1.2), conhece os nossos dias, sabe quem será salvo mediante a fé, sabe cada pensamento nosso por antecipação. Mas presciência não é preordenação. Deus não decide o nosso futuro, não determina nossas escolhas, Ele apenas sabe o que acontecerá (Sl 139.16; Rm 8.29,30; 1Pd 1.1-2). Paulo alertou os crentes de Corinto a respeito da manutenção da salvação em Cristo (1Co 15.1-2). Notemos que a manutenção da salvação está condicionada à obediência ao evangelho verdadeiro (2Co 11.3,4; Gl 1.8; 1Tm 4.16). E a obediência deve ser voluntária, visto que não somos seres autômatos (DANIEL, 2017, p. 390). A predestinação fatalista contradiz dois atributos divinos: a justiça e o amor. Primeiro, porque torce a justiça divina, pois, nesse caso, Deus destinaria as pessoas antes mesmo de seu nascimento à perdição eterna. E segundo, porque põe em dúvida o ilimitado amor de Deus, por ensinar que o Senhor destinou os pecadores ao inferno sem lhes dar o direito e a oportunidade de arrependerem-se (THIESSEN, 2000, p. 246).
  • A eleição é cristocêntrica. A eleição de pessoas ocorre somente em união com Jesus Cristo. Deus nos elegeu em Cristo para a salvação (Ef 1.4) e, o próprio Cristo é o primeiro de todos os eleitos de Deus: “Eis aqui o meu servo, que escolhi” (Mt 12.18; cf. Is 42.1,6; 1Pe 2.4). Ninguém é eleito sem estar unido a Cristo pela fé, pois esta eleição é feita em Cristo (Ef 1.7). O propósito de Deus, já antes da criação era ter um povo para si mediante a morte redentora de Cristo na cruz. Sendo assim, a eleição é fundamentada na morte sacrificial de Cristo, no Calvário (At 20.28; Rm 3.24-26) (STAMPS, 1995, p. 1808).
  • A eleição é corporativa. Os eleitos são chamados “o seu corpo” (Ef 1.23; 4.12), “minha igreja” (Mt 16.18), o “povo adquirido” por Deus (1Pe 2.9) e a “noiva de Cristo” (Ap 21.9). Logo, a eleição é coletiva (Ef 1.4,5, 7, 9; 1Pe 1.1; 2.9), somente à medida que este indivíduo se identifica e se une ao corpo de Cristo, a igreja verdadeira (Ef 1.22,23). É uma eleição como a de Israel no AT (Dt 29.18-21; 2Rs 21.14). O cumprimento desse propósito para o crente como indivíduo dentro da igreja é condicional. Cristo nos apresentará “santos e irrepreensíveis diante dele” (Ef 1.4), somente se continuarmos na fé. A Bíblia mostra isso claramente (Cl 1.22,23) (STAMPS, 1995, p. 1808).
  • A eleição é universal. Segundo a doutrina da predestinação fatalista, Jesus morreu somente por aqueles que o Pai já havia predestinado desde a fundação do mundo. No entanto, a Bíblia afirma sem deixar dúvidas, que Cristo morreu por todos (At 17.30; Rm 5.18; 1Tm 2.4-6; 2Pd 3.9; Hb 2.9; 1Jo 2.2; Jo 3.16,17; Tt 2.11). Isto torna-se uma realidade para cada pessoa consoante seu prévio arrependimento e fé, ao aceitar o dom da salvação em Cristo (Ef 2.8; 3.17; At 20.21; Rm 1.16; 4.16). Mediante a fé, o Espírito Santo admite o crente ao corpo eleito de Cristo (a igreja) (1Co 12.13), e assim ele torna-se um dos eleitos. Daí, tanto Deus quanto o homem têm responsabilidade na eleição (Rm 8.29; 2Pe 1.1-11). A Bíblia afirma categoricamente que Deus não faz acepção de pessoas, e deseja que todos sejam salvos (At17.30; Rm 2.11; 2 Pd 3.9; 1Tm 2.4; Jo 3.16; Mc 16.15) (STAMPS, 1995, p. 1808).

CONCLUSÃO

Concluímos que o livre-arbítrio é o poder que temos de tomar uma decisão, sem sermos obrigados a escolher uma determinada opção por interferência externa. Também entendemos que por causa do livre-arbítrio, cada pessoa é responsável por suas ações e responderão diante de Deus por suas escolhas livres.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • DANIEL, Silas. Arminianismo e a mecânica da salvação.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.
  • HORTON, S. Teologia Sistemática.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

A Salvação pela Graça

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4º TRIMESTRE 2017

A OBRA DA SALVAÇÃO

Jesus Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida

COMENTARISTA: Claiton Ivan Pommerening

LIÇÃO 07 – A SALVAÇÃO PELA GRAÇA – (Rm 5.6-10,15,17,18,20; 11.6)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição traremos a definição da palavra “graça” tanto no AT quanto no NT; destacaremos que Deus sempre se relacionou com o homem por Sua graça; destacaremos algumas características deste favor divino; e, por fim, pontuaremos que somente pelo favor imerecido de Deus o homem poderá ser salvo.

I  – O QUE SIGNIFICA GRAÇA

A palavra “graça” aparece 217 vezes em toda a Bíblia. No AT: 73; no NT: 144 (JOSHUA, sd, p. 697). O conceito de graça é multiforme e sujeito a desdobramentos nas Escrituras. No AT, “hen”, significa: “favor”. É o favor imerecido de um superior a um subalterno. No caso de Deus e do homem, ‘hen’ é demonstrado por meio de bençãos temporais, embora também o seja por meio de bênçãos espirituais e livramentos, tanto no sentido físico quanto no espiritual (Jr 31,2; Êx 33.19). No NT, é “charis”, que indica graciosidade”, “atrativo”, “favor” (WYCLIFFE, 2007, p. 876 – acréscimo nosso). Em resumo esta palavra significa um: “favor imerecido concedido por Deus à raça humana” (ANDRADE, 2006, p. 203).

II  – DEUS SEMPRE SE RELACIONOU COM O HOMEM POR SUA GRAÇA

Algumas pessoas têm limitado a palavra Lei ao AT e a palavra graça ao NT. Mas isso é um erro muito grave. A graça de Deus é vista ao longo de todas as dispensações na história, como veremos a seguir:

  • Antes da Lei. Já no Éden, vemos a manifestação da graça divina, pois mesmo quando Adão pecou sendo merecedor do juízo, Deus lhe fez a promessa da vinda do Redentor (Gn 3.15); lhe cobriu a nudez (Gn 3.21); e, vedou o acesso a árvore da vida a fim de que o homem não tivesse a sua situação irremediável (Gn 3.22-24). No período antediluviano, Deus decretou que daria um tempo aquela geração de 120 anos até que viesse o dilúvio e consumisse a todos (Gn 6.3). Noé achou graça aos olhos de Deus (Gn 6.8), e o Senhor o livrou junto com a sua família daquela catástrofe (Gn 6.9). Quanto a Abraão foi imputada justiça mediante a fé, evidencia-se um claro sinal da graça (Gn 15.6; Rm 4.3-5). Até o pacto que Deus fez com Ele, não foi baseado em méritos, pois na ocasião, somente Deus passou por entre as metades dos animais (Gn 15.8-17).
  • Durante a Lei. Deus deu a Lei ao povo de Israel, mas sabia da incapacidade deles de observá-la em Sua plenitude, por causa de sua natureza pecaminosa (Sl 14.3; 143.2; Ec 7.20; Rm 7.14-23). Por isso, instituiu o sistema cerimonial de sacrifícios, a fim de proporcionar-lhes perdão por Sua graça (Êx 30.10; Lv 1.4; 4.2,14,21,24). Portanto, a provisão da graça para com o indigno transgressor da Lei existia desde o Antigo Testamento (Êx 33.13; Jr 3.12; 31.2). A passagem de Atos 15.10,11 confirma isso também.
  • Depois da Lei. Apesar de Deus ter sido gracioso em todas as eras anteriores, sempre oferecendo novas oportunidades para a obediência sob Suas novas condições, a Sua benevolência ilimitada foi totalmente derramada por meio de Jesus, nos primórdios deste novo tempo chamado de “dispensação da graça” (Ef 3.2). João diz que “[…] a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1.17-b). Paulo ensinou que Deus manifestou a Sua graça em toda a sua plenitude na Pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo (2 Co 8.9; 13.13; Gl 1.6; 6.18; Ef 2.7; Fp 4.23). O apóstolo Pedro também falou da “graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo” (1 Pe 1.13).

II – CARACTERÍSTICAS DA GRAÇA DIVINA

Paulo foi o principal instrumento humano para transmitir o pleno significado da graça em Cristo. Não é de admirar que mais tarde ele viesse a ser conhecido como “o apóstolo da graça” (SWINDOLL, 2009, p. 19). Com maestria, ele nos falou sobre a graça de Deus de forma abundante. Quase dois terços das ocorrências neotestamentárias de “charis”, normalmente traduzida por “graça”, se encontram em suas cartas. O termo se encontra em todas as treze cartas paulinas tradicionais e é bastante repetido em Romanos. Ele confessou que para isto foi chamado “para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At 20.24). Abaixo destacaremos algumas verdades sobre este maravilhoso favor divino:

  • A graça é um ato soberano (Rm 1.7; 5.15; Tt 2.11). Nos referidos textos, Paulo nos diz que a graça procede soberanamente de Deus. Isto porque o favor lhe pertence e vem dEle, como sua fonte originária (1 Co 15.10; Tt 2.11; 1 Pe 5.10). A graça de Deus brilhou sobre os que estavam nas trevas e na sombra da morte (Mt 4.2; Lc 1.79; At 27.20; Tt 3.4). “A graça divina é, então, Deus mesmo renunciando ao exercício do justo castigo por sua livre e soberana decisão” (ALMEIDA, 1996, p. 28).
  • A graça é imerecida (Rm 3.24; Ef 2.5.7-8). Para falar sobre este favor imerecido ao pecador, Paulo usa a seguinte argumentação: “Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Rm 4.4,5). O apóstolo deixou claro que a salvação é concedida ao homem sem ele merecer. Não há nada que o homem faça para o tornar digno de ser salvo, pois a graça aniquila qualquer obra que visa receber a salvação por mérito (Ef 2.9). A salvação não é uma recompensa por bom comportamento e o homem não tem condições de cumprir a Lei, por causa de seu estado de pecado (Is 64.6; Rm 7.14-21).
  • A graça é suficiente (Rm 3.24; Ef 2.8). Paulo nos mostra que a Lei não é suficiente para salvar o homem. Até porque seu propósito é revelar o pecado e não extirpá-lo (Rm 7.7). Todavia, a graça de Cristo fez por nós aquilo que a Lei nunca poderia (Rm 8.3). Embora a fé seja o caminho dado por Deus para a salvação, não é ela quem nos salva, mas a graça “Porque pela graça sois salvos” (Ef 2.8-a). Portanto, é pela graça, o favor imerecido de Deus, que ele nos concede a bênção da salvação (At 15.11; Rm 11.6).
  • A graça é imparcial (Rm 1.16; 3.29; 9.24). Desde o início, a proposta divina sempre foi estender a bênção da salvação a todos os homens indiscriminadamente (Gn 12.3; Gl 3.8). É errôneo pensar embora “todos pecaram” (Rm 3.23), somente os eleitos serão salvos. Em Tito 2.11 Paulo diz: “[…] a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens. A vinda do Messias mostra claramente que, Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9; 1 Pe 1.17). Portanto, a graça de Deus que nos é oferecida mediante o evangelho, é derramada sobre todos em pé de igualdade, ou seja ela contempla tanto judeus como gentios (Gl 3.14; Ef 6).
  • A graça é resistível (At 7.51; 18.5,6). A ideia de que a graça é irresistível está ligada a Agostinho. “De acordo com ele, a graça de Deus atua incondicional e irresistivelmente nos eleitos, garantindo a salvação deles, produzindo a reação favorável dos homens para com o evangelho e garantindo que essa reação seja absolutamente completa e eficaz” (CHAMPLIN, 2004, p. 957). Nenhum apóstolo ou pai da igreja jamais ensinou tal heresia, pelo contrário, a Bíblia, nos mostra que o homem pode por seu livre arbítrio aceitar ou rejeitar o plano divino para a sua salvação (At 4.4; 9.42; 13.46; 17.4). O povo de Israel é a maior prova de que a graça não é irresistível, pois o apóstolo João diz: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11). Jesus quando estava em frente ao Monte das Oliveiras declarou: “Jerusalém, Jerusalém, […] quantas vezes QUIS EU ajuntar os teus filhos, […] e TU NÃO QUISESTE!” (Mt 23.37). O escritor aos Hebreus por mais de uma vez disse: “[…] se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação […]” (Hb 3.15). Confira também (Hb 3.7,8; 4.7).

III – GRAÇA, A BASE DA SALVAÇÃO

Há quem defenda erroneamente que os crentes do AT eram salvos pela obediência a Lei, enquanto que os santos do NT são salvos pela graça, este é um grande erro. Nenhum homem poderá ser salvo por suas obras, mas somente e unicamente pela graça de Deus (At 15.11; Ef 2.8; Tt 3.7). Paulo enfatizou esta verdade citando dois exemplos do AT, a saber: Abraão e Davi (Rm 4.1-8). Jesus ensinou que: “aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível” (Mt 19.26). Paulo de igual forma asseverou: “Porquanto o que era impossível à lei, […] Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne” (Rm 8.3). O escritor aos Hebreus também atestou: “Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados” (Hb 10.4). Segundo Geisler (2010, p. 158), “apesar da fonte da salvação ser a decisão divina de nos salvar, a natureza da salvação é a graça de Deus. O dom magnífico da vida eterna somente chega até nós por intermédio da graça, e somente por ela”. É bom lembrar que todos os passos para a redenção do pecador são atribuídos à graça de Deus; a saber:

  • A eleição (Rm 11.5,6; Ef 1.4);
  • A regeneração (Gl 1.15,16);
  • A justificação (Rm 3.24; 5,16,18; Tt 3.7);
  • A santificação (1 Pe 5.10);
  • A glorificação (1 Pe 5.10).

CONCLUSÃO

A graça imensurável de Deus, sempre foi manifestada em todo decorrer da história humana. No entanto, por meio de Cristo Jesus, este ato soberano de Deus em relação ao homem caído em pecado, foi mais expressamente demonstrado, a fim de mudar a sua sorte e restaurar o que a Queda causou.

REFERÊNCIAS

  • ALMEIDA, Abraão de. O Sábado, a Lei e a Graça. CPAD.
  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário TeológicoCPAD.
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.
  • HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento. CULTURA CRISTÃ.
  • OLIVEIRA, Oséias Gomes. Concordância Bíblica Exaustiva Joshua. Vol. 03. CENTRAL
  • PFEIFFER, Charles F. et al. Dicionário Bíblico Wyclliffe.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo CPAD.
  • SWINDOLL, Charles R. Paulo. Paulo: um homem de coragem e graça. MUNDO CRISTÃO.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

A abrangência universal da Salvação

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4º TRIMESTRE 2017

A OBRA DA SALVAÇÃO

Jesus Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida

COMENTARISTA: Claiton Ivan Pommerening

LIÇÃO 06 – A ABRANGÊNCIA UNIVERSAL DA SALVAÇÃO – (Jo 3.16-18; 1 Tm 2.5,6)

INTRODUÇÃO

Nesta lição conceituaremos o termo expiação à luz das Escrituras, sendo este uma das palavras mais importantes referentes a salvação; destacaremos algumas razões pelas quais a obra substitutiva de Cristo foi necessária; bem como faremos alusão a conceitos equivocados sobre o alcance da salvação; e por fim, veremos evidências bíblicas a respeito da expiação universal ou ilimitada.

I – A EXPIAÇÃO À LUZ DAS ESCRITURAS

Um dos termos mais importantes atrelados à Doutrina da Salvação, é o termo expiação. De acordo com Andrade (2006, p. 181) expiação quer dizer: “Cancelamento pleno do pecado com base na justiça de Cristo, propiciando ao pecador arrependido a restauração de sua comunhão com Deus”. Como afirma o apóstolo João: “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado(1 Jo 1.7). Vejamos ainda alguns conceitos a respeito da expiação:

  • Conceito no Antigo testamento. O verbo “expiar” refere-se ao sacrifício para purificação e perdão dos pecados, cuja ideia é de cobrir com sangue: “porquanto é o sangue que fará expiação pela alma” (Lv 17.11) (SOARES, 2017, p. 61). Uma derivação do termo em hebraico é “kipper”, que quer dizer: (a) cobrir, isto é, perdoar o pecado (2Cr 30.18; Sl 65.4; 78.38; 79.9; Ez 16.63; Jr 18.23) e, (b) obter perdão (Êx 32.30; Lv 4.26; 5.26; Nm 6.11; Ez 45.20; Dn 9.24). De forma prática podemos afirmar que fazer expiação traz a ideia de unir duas partes que haviam sido inimigas, em um relacionamento de paz e amizade (VAILATTI, 2016, p. 17).
  • Conceito no Novo Testamento. O conceito de expiação no NT está relacionado basicamente a dois termos: “hilaskomai”, que significa: “propiciar, expiar, conciliar” (GEISLER, 2010, p. 205), utilizado duas vezes (Lc 18.13; Hb 2.17), e, “hilasmos”, que ocorre semelhantemente duas vezes como propiciação (1Jo 2.2; 4.10), onde é descrito a ação graciosa de Deus por meio da qual Ele remove a culpa do pecador (VAILATTI, 2016, p. 17 – acréscimo nosso).

II – A NECESSIDADE DA EXPIAÇÃO / SALVAÇÃO

 Universalidade do pecado. Há inequívocas declarações nas Escrituras que indicam a pecaminosidade universal do homem (Sl 14.3; 143.2; Ec 7.20; Rm 3.1-12, 19, 20, 23; Gl 3.22; Tg 3.2; 1Jo 1.8, 10). Várias passagens ensinam que o pecado é uma “herança” do homem desde a hora da sua concepção e seu nascimento, e, portanto, está presente na natureza humana (Gn 6.5). A Bíblia é muito explícita relativamente à extensão (universalidade) do pecado (Sl 51.5; Jó 14.4; Jo 3.6; Rm 5.12). Em Efésios 2.3 diz o apóstolo Paulo que os efésios eram: “por natureza” filhos da ira, como também os demais”. Nesta passagem a expressão “por natureza” indica uma coisa inata e original, em distinção daquilo que é adquirido (Is 53.6). Então, o pecado é uma coisa da própria natureza humana, da qual participam todos os homens e que os fazem culpados diante de Deus (Is 59.16; Rm 5.12-14), por isso, que todos os homens se acham sob condenação e necessitam da redenção (BERKHOF, 2000, p. 235).

  • O caráter de Deus. O Deus que é Santo no sentido absoluto (Is 6.3), não poderia agir com indiferença a respeito do pecado. Para Ele o pecado e o mal, são intoleráveis: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal […]” (Hc 1.13), por Sua justiça exigiria um substituto perfeito para expiar a culpa em nosso lugar (Is 53.5,6). Várias passagens falam da ira divina contra o pecado (Rm 1.18; 2.5,8; 5.9; 9.22; 12.19; Ef 2.3; 5.6; Cl 3.6; 1Ts 10; 2.16; 5.9), indicando que a santidade de Deus torna necessária a punição do pecado, implicando assim, na necessidade de que a ira sobre o pecado, seja aplacada através de um sacrifício perfeito e substitutivo (2Co 5.21).
  • A incapacidade do homem. Devido à pecaminosidade humana (Rm 3.10-12), jamais seria possível o homem atingir o padrão exigido por Deus: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia […]” (Is 64.6), para a expiação do pecado (Rm 3.19). Como afirma Rodman (2011, p. 307):“O homem é um pecador em escravidão. Ele é de fato escravo do pecado, sujeito a seus ditames e incapaz de se libertar do seu domínio”; por essa razão, Cristo Jesus, veio em forma humana com o propósito de fazer a reconciliação entre Deus e os homens: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção […]” (1Tm 2.5,6; ver 2Co 5.19).

III – FALSOS CONCEITOS SOBRE O ALCANCE DA SALVAÇÃO

  • Restrito a um grupo seleto de pessoas. Os que advogam esse tipo de conceito, afirmam de maneira equivocada que a morte de Jesus é expiatória a um número limitado de pessoas, as quais seriam chamadas de: “os eleitos”; nesse caso Ele não teria amado a todos com o mesmo amor, antes teria possibilitado a salvação apenas a alguns e não a todas as pessoas, sendo, portanto uma “expiação limitada”. Tal afirmação não tem nenhuma sustentação bíblica, ainda que as Escrituras afirmem ser verdade que Cristo tenha morrido pelas suas ovelhas (Jo 10.15), amigos (Jo 15.13), e igreja (Ef 5.25), em nenhum momento se é dito que Ele morreu “somente ou apenas” por estes, da mesma forma que não se pode inferir que Cristo morreu apenas por Paulo (Gl 2.20), por sinal, nesses textos não aparecem em nenhum caso o termo grego “monos”, que quer dizer: “somente, apenas” (VAILATTI, 2016, pp. 63,64), somando-se a isso a Bíblia diz em outros lugares que Jesus morreu pelos ímpios (Rm 5.6), pelos pecadores (Rm 5.8), pelos pecados do mundo inteiro (1Jo 2.1-2).
  • Universalismo. Derivado da palavra “apokatastasis”, isto é, “restauração” (At 3.21); é a ideia de que ao final, todas as pessoas serão salvas […] um conceito considerado herético e condenado no Concílio de Constantinopla no ano 553 d.C. (GEISLER, 2010, p. 301). Os que defendem esse pensamento apelam para o Amor de Deus, que é tão perfeitamente bom e perfeitamente soberano que não é possível que Ele sofra a derrota de permitir que uma de Suas criaturas acabe sendo punida eternamente (WILMINGTON, 2015, p. 603). Algo que deve ser considerado é: “que Cristo provou a morte por cada homem (Hb 2.9), não significa automaticamente que todos são libertos da morte eterna, a pena para o pecado, em nenhum lugar a Bíblia diz isso. Os pecadores são convidados e instados a virem a Cristo e crerem Nele. Essa é a responsabilidade do pecador, algo que ele ‘deve fazer’ para ser salvo” (At 16.30) (HUNT, 2015, p. 429 – acréscimo nosso); portanto, o conceito universalista não tem fundamentação nas Escrituras, pois: (a) se opõe a justiça de Deus, que conforme sua natureza deve punir aos que vivem em pecado e em rebelião contra Ele,(Rm 5.9; 9.22), (b) contradiz a condicionalidade da salvação, onde se deve crer para ser salvo (At 2.38; 16.31; Ef 2.8); e, (c) é contrário ao ensino bíblico acerca do Inferno que é um lugar de punição eterna para Satanás e seus anjos, e a todos que morrerem na impiedade (Mt 25.41; Ap 20.10; 2Pd 2.4; Mt 10.28; 23.33; Ap 22.15).

IV – A ABRANGÊNCIA UNIVERSAL DA SALVAÇÃO

  • Pronunciada no Antigo Testamento. Desde o início, a proposta divina sempre foi estender a bênção da salvação a todos os homens indiscriminadamente o que deixou claro por meio da promessa feita a Abraão: “[…] e em ti serão benditas todas as famílias da terra(Gn 12.3; Gl 3.8). Na inclusão de estrangeiros na celebração da Páscoa ou na adoração a Deus de uma maneira geral, por meio de uma condição, a circuncisão (Êx 12.48; Nm 15.14; 2Cr 6.32). A provisão do AT pelo pecado e salvação foi para todo o Israel, e não para um eleito especial entre eles. A desobediência e a incredulidade foram as únicas barreiras que separaram cada israelita da graça de Deus (2Cr 29.24; Ed 8.35; Ml 4.4) (HUNT, 2015, p. 425). Destacamos ainda Deus dando garantia e extensão de salvação a todas as pessoas: “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” (Is 45.22), como também na descrição do alcance da ação messiânica: “Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra” (Is 49.6; ver Is 53.6).
  • Reafirmada no Novo testamento. A vinda do Messias mostrou claramente que, Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9; 1Pd 1.17). Sua graça alcança os judeus e os gentios (Rm 3.29; 9.24,30; Gl 3.14; Ef 3.6), não é limitado a um grupo seleto de pessoas, pois as Escrituras afirmam que Jesus se deu como resgate por todos (1Tm 2.6); e, que provou a morte por todos: “[…] Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos(Hb 2.9) (ver Jo 7.37; 1Tm 4.10; 2Pd 3.9; 1Jo 1.9 – 2.2; 4.14). Diante disso podemos afirmar que: (a) a necessidade de salvação é universal: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores (1Tm 1.15), ou seja, por todas as pessoas, visto que todos são pecadores (Rm 3.23; 5.12); (b) a salvação é universal: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego(Rm 1.16); (c) a expiação é universal (ilimitada): “[…] Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo(Jo 1.29); (d) a graça é universal: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens(Tt 2.11); (e) o amor é universal: “Porque Deus amou o mundo […]” (Jo 3.16); e, (f) o evangelho é universal: “[…] Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura(Mc 16.15); “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações(Mt 28.19).

CONCLUSÃO

Apesar da Queda da raça humana, Deus, por Sua maravilhosa graça decidiu soberanamente salvar o homem caído em pecado, por meio de Jesus Cristo. Esta salvação alcança a todos os homens indistintamente como prova do grande Amor de Deus (Jo 3.16).

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Editora Cultura Cristã.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática.
  • HUNT, Que Amor é este? A falsa representação de Deus no Calvinismo. REFLEXÃO.
  • RODMAN, J. Williams. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal.
  • SILVA, Esequias Soares da (Org.). Declaração de Fé das Assembleias de Deus.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD
  • WILLMINGTON, Harold L. Guia de Willmington para a Bíblia. vol 1. ACADÊMICO
  • VAILATTI, Carlos, Augusto. Expiação Ilimitada. REFLEXÃO.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com