Jesus Cristo, o modelo supremo de caráter

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 13 – JESUS CRISTO, O MODELO SUPREMO DE CARÁTER (Mt 1.18,21-23; 3.16,17)

 INTRODUÇÃO

Nesta última lição aprenderemos sobre Jesus como o exemplo maior de caráter; destacaremos algumas informações básicas a seu respeito; elencaremos algumas virtudes inerentes ao seu caráter; e por fim, pontuaremos a importância de seguirmos como cristãos, os passos de Jesus o modelo supremo de caráter.

I – DEFINIÇÕES DOS TERMOS MODELO E SUPREMO

  1.  Modelo. Segundo Aurélio (2004, p. 1344) modelo é: “aquilo que serve de exemplo ou norma; pessoa ou ato que, por sua importância ou perfeição, é digno de servir de exemplo”. Do grego “tupos”, possui entre outros, o significado de “marca, impressão, forma ou molde” (Rm 6.17), “modelo, padrão” (At 7.44; Hb 8.5); podendo ser em: (a) sentido ético (1Co 10.6; Fp 3.17; 1Ts 1.7; 2Ts 3.9; 1Tm 4.12; Tt 2.7; 1Pd 5.3); e (b) sentido doutrinário (Rm 5.14) (VINE, 2002, p. 796).
  2. Supremo. De acordo com o dicionário da língua portuguesa, “supremo” em termos gerais quer dizer: “que está acima de tudo; superior” (FERREIRA, 2004, p. 1898). Jesus é superior, essa é a temática principal do escritor da epístola aos Hebreus; sendo o Senhor descrito textualmente nas páginas do Novo Testamento como: (a) Sumo Sacerdote (Hb 3.1; 4.14) e, (b) Sumo pastor (1Pd 5.4).

II – INFORMAÇÕES SOBRE JESUS

  1. Nome. Jesus é a forma grega do termo hebraico “Josué”, que significa “Yahweh (o Senhor) salva”. Sem dúvida o nome Josué era bem popular nos dias de Jesus e isso explica o uso ocasional da expressão “Jesus de Nazaré” ou “Jesus, o nazareno” (Jo 1.45), para diferenciá-lo de outros com o mesmo nome (Cl 4.11; Mt 26.71) (GARDNER, 2005, p. 327 – acréscimo nosso). A designação dupla Jesus Cristo combina, o nome pessoal e o título “Cristo”, cujo significado é “ungido” ou “Messias” (BRUCE et al, 2004, p.755).
  2. Genealogia. Cristo veio do Pai (Jo 16.28), mas nasceu de uma mulher (Gl 4.4); Ele é o “[…] Maravilhoso Conselheiro, o Deus forte, o Pai da eternidade, o Príncipe da paz” (Is 9.6-b), mas nasceria como um menino, “Porque um menino nos nasceu […]” (Is 9.6-a). Jesus teve como qualquer outro judeu, a sua árvore genealógica, sendo assim destacada a sua humanidade. Paulo a respeito da natureza humana de Jesus afirma: “[…] que nasceu da descendência de Davi segundo a carne(Rm 1.3). A Bíblia registra duas genealogias de Jesus (Mt 1.1-17; Lc 3.23-38).
  3. Lugar onde nasceu e cresceu. O local de seu nascimento se deu em Belém como havia sido predito (Mq 5.2; Mt 2.1,4-6,8; Lc 2.1-7,11), no entanto, Jesus cresceu e desenvolveu boa parte de sua vida na cidade de Nazaré (Mt 2.23; Lc 4.16); uma pequena aldeia da Galiléia, situada acima do nível do mar; tal localização talvez deu origem ao seu nome possivelmente derivado do termo aramaico “nastsrat”, que significa “torre de vigia”. Outra derivação que tem sido sugerida é a que provém do vocábulo hebraico “netser”, que quer dizer “broto, renovo”, uma vez que o clima temperado no vale faz florescer as flores e surgirem os frutos abundantemente (DOUGLAS, 2006, p. 921). Embora não fosse uma cidade importante antes do período do Novo Testamento (Jo 1.46), Nazaré tornou-se “imortal, ou seja, ganhou notoriedade como a cidade natal de Jesus, o Messias (Lc 18.37; 24.19; Jo 1.15) (BRUCE et al, 2004, p. 1012 – grifo nosso).

III – JESUS CRISTO: O MODELO SUPREMO DE CARÁTER

Jesus é incomparavelmente o homem mais célebre que já existiu na face da terra. Nunca existiu e nem existirá, alguém que possuiu um modelo tão completo de todas as virtudes, um tipo tão excelente de caráter quanto Jesus. Vejamos alguns traços do seu perfeito caráter e personalidade:

  1. Impecável. Como homem Jesus se distinguiu dos demais, pois não conheceu pecado. Devido a sua impecabilidade, é chamado de “[…] o Santo e o Justo” (At 3.14; ver Jo 6.69; At 7.52; 22.14), expressão que o exalta como modelo de caráter. Embora tenha vivido em “semelhança da carne” (Rm 8.3). Ele jamais cometeu pecado (2Co 5.21; Hb 4.15). Ele era santo (Hb 7.26), incontaminado e imaculado (1Pd 1.19; 2.22), Nele não havia pecado (1Jo 3.5); era justo em sentido absoluto (1Jo 3.7); tal qualidade foi reconhecida e declarada até pelos demônios (Mc 1.24); tendo Jesus autoridade para desafiar a todos, dizendo: “Quem dentre vós me convence de pecado? […]” (Jo 8.46).
  2. Submisso. Uma outra virtude destacável do caráter de Jesus é a sua submissão. O Senhor Jesus apesar da sua natureza Divina, como homem se matriculou na escola da obediência, para nos deixar o exemplo: “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu” (Hb 5.8). Em vários momentos de sua vida tal atitude pode ser evidenciada: (a) em sua encarnação (Fp 2.5-7); (b) em sua vida familiar obedecendo seus pais José e Maria (Lc 2.51); (c) ao ser batizado nas águas por João Batista (Mt 3.13-15); (d) ao fazer e ensinar a vontade de Deus o Pai (Jo 6.38; 8.28); (e) em não revidar as afrontas (1Pd 2.23); e, (f) ao entregar a sua vida pela humanidade (Mt 26.39; Fp 2.8).
  3. Humilde. Jesus era humilde de coração (Mt 11.29), ele várias vezes lembrou aos seus apóstolos que, mesmo sendo Mestre e Senhor, tinha se tornado servo (Mt 20,25-28; Lc 22.24-27); e, às vésperas de sua crucificação, Jesus deu o maior exemplo de humildade ao lavar os pés dos seus discípulos, um papel destinado ao escravo da casa (Jo 13.1-17). Podemos lembrar especialmente, a dolorosa série de inesquecíveis humilhações que ele sofreu sem queixar-se, mesmo que as tivesse sentido vivamente (Mt 26.55; Mc 14.48; Lc 22.52). A humildade de Jesus também é expressa quando lhe faziam elogios, e ele atribuía toda a glória ao Pai (Mt 19.16-17; Mc 10.17-18; Lc 18.18-19).
  4. Carismático. Segundo dicionário da língua portuguesa, uma pessoa carismática é: “alguém que desperta carisma ou admiração dos demais, encantador, simpático, cativante, sedutor, atrativo, querido, atraente, atencioso, influente e agradável”. Em seu ministério Jesus revelou sua simpatia e admiração ao dar atenção especial a várias classes de pessoas (Mc 10.13-16; Jo 3.1-10; 4.7-30). Até mesmo os seus opositores se admiravam e testificavam do seu comportamento e de suas palavras (Jo 7.32,45,46).
  5. Manso. É uma virtude que se opõe à rudez (Mt 5.5), e o nosso Senhor Jesus Cristo sempre foi manso e benigno (2Co 10.1; Mt 11.29). Quem é manso é pacificador (Mt 5.9), e por isso, somos conclamados a seguir a paz e, na medida do possível, ter paz com todos os homens (Rm 12.18; 1Co 7.15; Hb 12.14; 1Pd 3.11).
  6. Misericordioso. É a compaixão pela necessidade alheia (Mt 5.7); Jesus foi misericordioso com os homens em suas fraquezas e privações (Mc 5.19; Hb 2.17; Tg 5.11; 2Co 1.3 ver Mt 15.22; 17.15). Lembremos, pois, que a misericórdia é um mandamento divino, e que a Bíblia condena a indiferença para com os pobres (Lc 6.36; Mt 12.7). Sejamos misericordiosos assim como Jesus nos ensinou na parábola do samaritano (Lc 10.37).
  7. Coração puro. Outro traço do caráter de Jesus é a pureza de coração (1Jo 3.3), e quando olhamos para as Escrituras, vemos que o coração representa a personalidade (Mt 5.8), o centro das emoções humanas (Sl 15.2; 16.9; 51.10; Mc 7.21- 23). Ao repreender os fariseus, o Senhor destaca como a pureza interior é necessária, dizendo serem semelhantes aos “sepulcros caiados” (Mt 23.27). Em contraste com a hipocrisia e malícia dos fariseus, Jesus revela a sua pureza de coração, no perdão concedido a mulher apanhada no ato de adultério (Jo 8.3). O Senhor que conhece os pensamentos (Fp 4.8) e as motivações das ações cotidianas (1Co 4.5), manifestou em seu santo e justo julgamento o pecado dos acusadores (Jo 8.7,9), revelando favor à mulher (Jo 8.10,11).

IV – O CARÁTER DE JESUS COMO MODELO A SER SEGUIDO

Como autênticos filhos de Deus (Ef 5.1), precisamos olhar (Hb 12.1), e, seguir o exemplo de Jesus: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também(Jo 13.15). A respeito da prática cristã, usando Cristo como referencial, o apóstolo Pedro exorta: “[…] para que sigais as suas pisadas(1Pd 2.21). Já o apóstolo João lembra: “Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou(1Jo 2.6). E para isso, o cristão precisa ser:

  1. Justo e irrepreensível. O Senhor Jesus foi justo (Mt 5.6), e ordenou aos seus discípulos que priorizassem, acima de todas as coisas, o Reino de Deus e a sua justiça (Mt 6.33). Em um mundo perverso (At 2.40), onde as pessoas estão mais preocupadas em acumular riquezas (2Tm 3.2) do que socorrer ao aflito e necessitado, o verdadeiro crente deve: (a) refletir o caráter de Cristo através de uma vida de santidade e retidão (Mt 6.25,31,34), (b) ser irrepreensível (Fp 2.15-a), ou seja, alguém cuja moral não pode ser atingida, não tendo do que dizer de mal quanto a sua conduta (Tt 2.8), (c) destacar as características da vida cristã, em meio à corrupção (Fp 2.15-b); (d) possuir as virtudes que o qualifica o para a obra do ministério (1Tm 2; Tt 1.6,7); e, (e) ter a marca de quem espera a segunda vinda de Jesus (2Pd 3.14).
  2. Submisso. Atitude proveniente de um coração obediente e que reconhece as autoridades constituídas, sejam seculares (Rm 13.1-7; Tt 3.1; 1Pd 2.13), ou espirituais (Hb 13.17), que prioriza tal comportamento com vistas a comunhão fraternal (1Pd 2.18; 5.5), sobretudo à pessoa de Deus (Tg 4.7).
  3. Humilde. Jesus foi modesto em toda a sua maneira de viver (Mt 11.29). Ele demonstrou sua humildade ao despojar-se de sua glória (Fp 2.6,7); na irrestrita obediência à vontade do Pai (Jo 5.30; 6.39; Fp 2.8); quando lavou os pés dos discípulos (Jo 13.3-5); e ao relacionar-se com todas as pessoas, independentemente de sua raça ou posição social (Mt 9.11; 11.19; Jo 3.1-5; 4.1-30). A humildade é um aspecto do caráter imprescindível a todos os crentes (Ef 4.1,2; Cl 3.12), pois os humildes sempre alcançam o favor do Senhor (Tg 4.6).

CONCLUSÃO

A aparição de Jesus Cristo é um marco na história da humanidade; sua vida e ministério tem sido o referencial para a todas as gerações; seu caráter destacado é um exemplo a ser admirado por todos e sobretudo ser imitado por aqueles que querem viver a plenitude da vida cristã.

REFERÊNCIAS

  • BRUCE, F.F et al. Dicionário Ilustrado da Bíblia. VIDA
  • DOUGLAS, J.D. O Novo Dicionário da Bíblia. VIDA
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa.
  • GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD
  • VINE, W.E et al. Dicionário Vine.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

PRÓXIMO TRIMESTRE

Lições Bíblicas 3° Trimestre de 2017, Adultos – CPAD

TÍTULO: A Razão da Nossa Fé

Subtítulo: Assim cremos, assim vivemos

Comentarista: Pr. Esequias Soares

Classe: Adultos

TEMAS DAS LIÇÕES.

Lição 1 – Inspiração Divina e Autoridade da Bíblia

Lição 2 – O Único Deus Verdadeiro e a Criação

Lição 3 – A Santíssima Trindade: um só Deus em três Pessoas

Lição 4 – O Senhor e Salvador Jesus Cristo

Lição 5 – A Identidade do Espírito Santo

Lição 6 – A Pecaminosidade Humana e a sua Restauração a Deus

Lição 7 – A Necessidade do Novo Nascimento

Lição 8 – A Igreja de Cristo

Lição 9 – A Necessidade de Termos uma Vida Santa

Lição 10 – As Manifestações do Espírito Santo

Lição 11 – A Segunda Vinda de Cristo

Lição 12 – O Mundo Vindouro

Lição 13 – Sobre a Família e a sua Natureza

José, o pai terreno de jesus – um homem de caráter

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 12 – JOSÉ, O PAI TERRENO DE JESUS – UM HOMEM DE CARÁTER (Mt 1.18-25)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos sobre um dos mais importantes personagens do NT – José o pai adotivo de Jesus; inicialmente traremos algumas informações detalhadas sobre ele; destacaremos importantes traços do seu caráter que denotam que este homem era um autêntico servo de Deus; e, por fim, pontuaremos que ele foi um excelente exemplo de marido e de pai.

I – INFORMAÇÕES SOBRE JOSÉ

Muito pouco se sabe sobre a vida de José. Seu nome só é mencionado nas narrativas sobre o nascimento de Jesus, em Mateus 1 e 2 e Lucas 1 e 2, bem como na árvore genealógica, em Lucas 3.23. Gardner (1999, p. 382) diz que: “a ausência do nome de José em Mateus 13.55 e João 2.1, passagens onde se esperaria que estivesse presente, implica que ele já havia falecido quando Jesus iniciou seu ministério público ou logo depois (Lc 3.23)”. Abaixo destacaremos algumas informações sobre este personagem:

  • O nome José vem de uma palavra hebraica que significa: “Yahweh acrescentará” ou então “que Yahweh adicionará” (CHAMPLIN, 2004, p. 591). José era um nome comum entre os hebreus (Nm 13.7; Ed 10.42; At 1.23; 4.36). Talvez, este nome foi dado fazendo alusão ao grande patriarca José, o filho de Jacó, já que era comum na cultura hebraica colocar nome nos filhos em homenagem aos antepassados (Lc 1.60,61).
  • Família. O texto bíblico nos informa que José estava noivo de uma moça chamada Maria (Mt 1.18; Lc 1.27) e que ele pertencia à “Casa e família de Davi” (Lc 2.4), a linhagem do Messias (2 Sm 7.12,16). José foi o pai adotivo e não biológico de Jesus (Mt 1.22-25). No entanto, com Maria, após o nascimento de Jesus (Mt 1.25) ele teve filhos, a saber: Tiago, José, Simão, Judas e algumas filhas (Mt 55; Mc 3.31; Lc 8.19; Jo 2.12; 7.3,5,10; At 1.14; Gl 1.19).
  • Profissão. José era um carpinteiro (Mt 13.55), um ofício que provavelmente ensinou a Jesus (Mc 6.33). Os carpinteiros eram operários especializados em José também era um homem de condição humilde. Isto fica claro pelo sacrifício que ofereceu a Deus, na ocasião em que levou Jesus ao templo para ser apresentado ao Senhor (Lv 12.1-8; Lc 2.24).
  • Lugar de origem. Embora fosse da tribo de Judá, da cidade de Belém, José não residia em Judá, pelo contrário, era de Nazaré uma aldeia da Galiléia (Lc 2.4,39), como também o menino Jesus (Lc 4.16). Foi ali que o anjo anunciou a Maria o nascimento do Messias (Lc 1.26-28). Após esta família ter passado algum tempo no Egito, eles voltaram a Nazaré (Lc 4.14). Posteriormente, Jesus ensinou na sinagoga de Nazaré (Mt 13.54; Lc 4.15). A associação de Jesus com a localidade o fez ser conhecido como Nazareno (Mt 2.23; Lc 18.37; 24.19; 22).

II – CARACTERÍSTICAS DO CARÁTER DE JOSÉ

José foi um homem escolhido para uma grande obra: ser o pai adotivo do Messias. Para tal precisava ter um caráter polido, santo, refinado. Vejamos quais as características do caráter de José, segundo a Bíblia:

  • Justo. José é declarado pelas Escrituras como sendo alguém justo (Mt 1.19-a). Tal virtude fica evidente pelas atitudes que tomara diante das circunstâncias que lhe sobrevieram. A expressão “justo” no hebraico é “hasid” que significa: “aquele que é piedoso, religioso, santo, justo”. No grego a expressão é “dikaios”. No Novo Testamento, denota “justo, íntegro”, um estado de estar certo, ter razão ou de conduta correta, julgada quer pelo padrão divino, quer de conformidade com os padrões humanos, do que é direito (VINE, 2005, pp. 163,734 – acréscimo nosso). Os servos de Deus em toda a Bíblia são chamados de justos (Sl 5.12; 11.5; 33.1; 34.17); e, Deus quer que nós O sirvamos em justiça e santidade (Sl 15.1-5; Mq 6.8; 1 Jo 2.29; Ap 11).
  • Prudente. Apenas Maria sabia que estava grávida por uma intervenção sobrenatural, portanto, ao vê-la nessa condição, é dito que José não querendo infamá-la “intentou deixá-la secretamente” (Mt 1.19-b). Aos olhos de José, parecia que Maria havia sido infiel, visto que estava “desposada” ou “noiva” dele (Lc 1.27). Esse compromisso de noivado era tão sério que “se houvesse o rompimento do noivado, tinha que haver o processo de divórcio” (LIMA, 2017, p. 133). A descoberta de que Maria havia engravidado, era o suficiente para que houvesse o pedido de divórcio por José, o que lhe garantiria o ressarcimento do dote e possivelmente o apedrejamento da noiva, por causa da infidelidade (Dt 22.20,21). Todavia, antes de agir José pensou: “E, projetando ele isto […]” (Mt 1.20-a). O Aurélio (2004, p. 1651) define o adjetivo “prudente” como sendo alguém: “moderado, comedido, cauteloso, precavido, sensato”. A Bíblia faz severas exortações a sermos prudentes: (a)  no falar (Pv 14.6; 21.23; 25.15) ;  (b) no andar (Pv 14.15; Ef 5.15);  (c) no agir (Pv 19.11; 22.3;  Mt 7.24; 25.4); e, (d) no pensar (Pv 15.5; 16.20; 10).
  • Obediente. A obediência era um dos traços mais marcantes do caráter de José. Ao ver Maria grávida José intentou deixá-la secretamente, no entanto, quando projetava tomar esta decisão, um anjo do Senhor lhe apareceu, trazendo-lhe uma consoladora mensagem: “José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo” (Mt 1.20). Diante disso, José, foi obediente a voz divina, recebendo Maria como sua esposa (Mt 1.24), e, não teve relações sexuais com ela até que Jesus nasceu (Mt 1.25). Com José, aprendemos que além de escutar a voz de Deus precisamos ouvir, ou seja atender. O verbo “ouvir” no hebraico “shãma” quer dizer “ouvir, dar atenção a, escutar, obedecer, publicar” (VINE, 2002, p. 210 – acréscimo nosso). A obediência é exigida por Deus (Dt 13.4), é essencial à fé (Hb 11.6); resultado para quem dá ouvidos à voz de Deus (Êx 19.5); é um dever que temos diante de Cristo (2 Co 10.5); o evangelho requer obediência (Rm 1.5); consiste em observar os mandamentos de Deus (Ec 13).
  • Temente a Deus. José demonstrou com suas atitudes, ser um judeu que temia ao Senhor, servindo a Deus com a sua família. A lei exigia que os homens judeus fossem a três celebrações em Jerusalém todos os anos (Dt 16.16,17). O registro bíblico diz que ele e Maria subiam anualmente a Jerusalém para a celebração da Páscoa como de costume (Lc 2.41) . Como podemos ver o temor sempre está ligado há uma vida de comunhão e obediência a Deus (Pv 8.13; 16.6; 22.4); é uma atitude que devemos manter com constância (Dt 14.23; Sl 2.11; 86.11; Pv 23.17); devemos ensinar aos outros o temor a Deus (Sl 34.11); e, quem teme a Deus tem vários benefícios (Pv 15.16; 19.23; Ec 12,13).
  • Sensível a voz divina. José caracteriza-se também por ser um homem sensível a voz divina. Ele ouviu e atendeu orientação divina quando intentou deixar Maria secretamente (Mt 1.20-24); também na ocasião em que Herodes enfurecido mandou que matassem todas as crianças de Belém de dois anos para baixo, Deus lhe falou em sonhos dizendo: “Levanta- te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e demora-te lá até que eu te diga; porque Herodes há de procurar o menino para o matar” (Lc 2.13). Ele não hesitou, antes obedeceu a Deus (Mt 2.14); José ainda ouviu e se inclinou a direção divina, quando Deus o mandou retornar a Israel, porque Herodes já estava morto (Mt 2.19-21); e, por fim, quanto voltava do Egito intentou ir morar na Judeia, mas o Senhor lhe orientou ir para a Galiléia, habitar em Nazaré (Mt 22,23).

III – JOSÉ, UM EXEMPLO DE MARIDO E DE PAI

José não destaca-se na Bíblia apenas como um servo de Deus, mas também como um marido amoroso e um pai dedicado. Aprendemos com isso que, o nosso relacionamento com Deus, deve resultar em um estilo de vida que produza um relacionamento saudável com o próximo (Mt 22.37,39). Abaixo veremos como José foi um exemplo de esposo e pai:

  • Exemplo de esposo. Em toda narrativa neotestamentária observamos as atitudes de José que denotam que ele era um bom marido para sua esposa. Vejamos:
    1. Quando viu Maria grávida não a acusou de fornicação, porque não queria infamá-la (Mt 19);
    2. Após descobrir que o que na sua esposa estava gerado era do Espírito Santo, ela a recebeu (Mt 20,24);
    3. Todas as vezes que se menciona Maria se diz que José está junto, pois era um esposo presente (Lc 4,5,16,33,41);
    4. Trabalhava para sustentar seu lar (Mt 13.55; Mc 33).
  • Exemplo de pai. Champlin (2004, p. 13) nos diz que: “em Israel, o pai da família era o principal mestre de sua família e precisava levar a sério os seus deveres. Suas instruções incluíam tanto alguma profissão como a educação religiosa (Dt 4.9; 6.7; 31.13; Pv 22.6; Is 28.9)”. Deus concedeu a José uma missão muito mais elevada – ser o pai adotivo de Jesus, “o Filho do Altíssimo” (Lc 1.32). Pela narrativa dos evangelhos observamos que José foi um pai dedicado. Vejamos:
    1. José levou Jesus ao templo para a circuncisão no oitavo dia (Lc 21);
    2. Nesta mesma ocasião deu o nome a criança conforme orientação dada pelo anjo (Mt 21);
    3. Levou a Jerusalém, junto com Maria, para as cerimônias da purificação (Lc 22);
    4. Conduzia Jesus anualmente a Jerusalém para a comemoração das festas: “todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da páscoa” (Lc 41);
    5. Aos doze anos, Jesus foi encaminhado por José para fazer o “Bar Mitzvah”, que é traduzido como “Filho do Mandamento” (Lc 2.42), uma “cerimônia judaica onde aos doze anos, o menino tornava-se diretamente responsável pela obediência à Lei, incluindo suas ordenanças e festividades prescritas (CHAMPLIN, 2014, 48);
    6. Quando soube pelo anjo do Senhor que Herodes iria tentar matar o menino, José o protegeu, refugiando-se no Egito como havia sido orientado (Mt 13-15).

CONCLUSÃO

Observamos no caráter de José que ele fez jus a escolha de Deus de incumbi-lo de uma grande tarefa – ser o pai adotivo de Jesus, o Salvador do mundo. Tal missão, este nobre servo cumpriu, sob a graça de Deus, com muita dedicação, temor e amor. Portanto, para todos nós ele é um modelo de como devemos ser comprometidos com a vontade divina.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa.
  • GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia.
  • LIMA, Elinaldo R. de. O Caráter do Cristão.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • VINE, W.E et al. Dicionário Vine. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Maria, mãe de jesus – uma serva humilde

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 11 – MARIA, MÃE DE JESUS – UMA SERVA HUMILDE (Lc 1.46-49)

INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos alguns aspectos do caráter de Maria mãe de Jesus; pontuaremos algumas virtudes morais desta jovem que foi escolhida por Deus para ser o invólucro onde milagrosamente, pela ação do Espírito Santo, conceberia o Messias; e por fim, estudaremos também suas qualidades espirituais como exemplo para todos nós.

I – INFORMAÇÕES SOBRE MARIA MÃE DE JESUS

Maria era uma jovem desconhecida que se tornou mulher de José e mãe de Jesus, e, ao que parece, ambos eram pobres (Lv 12.1-8; Lc 2.21-24). Pouco se sabe da sua vida pessoal, e sua genealogia é mostrada no Evangelho de Lucas. Era da tribo de Judá e da linhagem de Davi (2Sm 7.12; 1Rs 8.25; Sl 132:11; Lc 1.32). Enquanto morava com os seus pais ainda solteira, o anjo Gabriel anunciou-lhe que ela seria a mãe do Messias prometido (Lc 1.35). Era de Nazaré uma cidade da Galileia um lugar sem grande importância no contexto político e geográfico de Israel (Jo 1.46). Vejamos algumas informações sobre Maria:

  1. Uma jovem de linhagem real. Mateus registra a genealogia de Jesus dizendo: “Livro da geração de Jesus Cristo, Filho de Davi, Filho de Abraão […]” (Mt 1.1,6). Essa é a ponta inicial da linhagem real que vincula Maria a Davi. Os judeus tinham consciência de que o Cristo viria da descendência de Davi (Jo 7.41,42). Paulo citou que Jesus “[…] nasceu da descendência de Davi segundo a carne(Rm 1.3; Gl 4.4; 2Tm 2.8). Assim sendo, como Jesus nasceu do ventre de Maria, ela era da descendência de Davi (LIMA, 2017, p. 115). Em Mateus são citados os antepassados de José, enquanto em Lucas são dados os dos antepassados de Maria. Tanto Maria como José eram descendentes de Davi e a prova disso é que ambos, quando do edito de César para o recenseamento foram se registrar em Belém, cidade de Davi. Ora, se Maria não fosse descendente de Davi, ela teria tido que se recensear em outra cidade “E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus […]” (Mt 1.16).
  2. Uma jovem humilde. Maria era desconhecida e a respeito dela, o texto bíblico traz poucas informações. Os nomes de seus pais não são registrados na Bíblia, o que comprova sua origem humilde e sem influência na sociedade onde vivia (LIMA, 2017, p. 113). Maria bendita […] entre as mulheres” (Lc 1.42), nunca reivindicou glória para si e nem para seu nome. Muito pelo contrário, ela considerou-se “serva” e também carente de salvação (Lc 1.47). Ao receber a mensagem do nascimento de Jesus, ela exclamou: “[…] Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1.38). Nas páginas do NT humildade é o termo tapeinos” que significa: “ausência completa de orgulho, rebaixamento voluntário por um sentimento de fraqueza ou respeito, modéstia, pobreza”. É o mesmo que ausência de orgulho, soberba ou vaidade (Mt 11.29; Lc 1.52; Rm 12.16; 2Co 6; Tg 4.6; 1Pe 5.5). Deus: “dá graça aos humildes” (Tg 4.6; 1Pe 5.5), e “eleva os humildes” (SI 147.6).
  3. Uma jovem escolhida. Maria foi a única mulher no mundo que teve uma concepção que não envolveu a semente do homem contaminada pelo pecado, protagonizando assim o papel mais importante que uma mulher poderia receber em toda a sua vida (Mt 1.20; Lc 1.31,34; ver Is 7.14; 9.6). Foi uma missão singular e única na história das mulheres em todos os tempos (Lc 1.42). Ela recebeu a missão de ser mãe de Jesus, o Verbo que “se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). Em seu ventre, ela acolheu, de forma singular, aquele que veio ao mundo para salvar a humanidade perdida. Ela não foi concebida sem pecado, como ensina o catolicismo romano, mas concebeu Jesus sem pecado, por ter sido gerado pelo Espírito Santo, e não pelo processo natural (LIMA, 2017, 115).
  4. Uma jovem serva. Maria, uma mulher voluntária para Deus: “Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor […]” (Lc 1.38- a). O anjo chamou Maria de “favorecida”, porém, ela preferiu um termo bem mais humilde de “serva”. Ela se entrega por completo sem reservas ao Senhor, estava pronta a obedecer e oferecer sua vida, seu ventre, sua alma e seus sonhos a Deus. Ela estava disponível para Deus e estava pronta a sofrer os riscos, a desistir dos seus anseios em favor dos propósitos do Senhor. A palavra serva no grego é “doulos” que denota um “servidor, escravo, criado” (VINE, 2002, 991).
  5. Uma jovem corajosa. Maria foi uma mulher obediente e disposta a correr riscos para fazer a vontade de Deus: “[…] cumpra-se em mim segundo a tua palavra(Lc 1.38-b). Percebe-se que ela se dispôs a pagar um alto preço por sua obediência ao projeto de Deus. Era uma jovem agora grávida, com o risco de ser abandonada pelo noivo e apedrejada pelo povo, mas ela não abriu mão de ir até o fim, de lutar até a morte, de sofrer todas as estigmatizações possíveis para cumprir o projeto de Deus. Entre os judeus daquela época, o noivado era um compromisso tão sério quanto o casamento e só podia ser rompido pelo divórcio. Na verdade, o homem e a mulher eram chamados de “esposo” e “esposa”, mesmo antes de se casarem (Mt 1.19; Lc 2.5). O risco de ser apedrejada era enorme, pois esse era o castigo para uma mulher adúltera, como ela já estava comprometida com José (Mt 1.19), ele poderia, com base nos ditames da Lei mosaica, mandar apedrejá-la (Dt 22-24).

II – QUALIDADES MORAIS DE MARIA MÃE DE JESUS

Maria foi escolhida para ser mãe do Salvador, antes de tudo, por decisão divina, mas também, sem dúvida alguma, por suas qualidades morais. Gardner (2005, p. 435) diz que “Maria, mãe de Jesus, é uma das figuras mais proeminentes da Bíblia. Sua vida foi caracterizada pela fé, humildade e obediência à vontade de Deus. Ela também ocupa uma posição única na história humana […]”. Uma vez que as moças judias se casavam muito jovens, é bem provável que Maria fosse uma jovem quando recebeu a notícia do anjo (WIERSBE, 2010, p. 221). Podemos destacar qualidades dignas daquela jovem sobre quem Deus pôs seus olhos. Vejamos algumas características morais de Maria:

  1. Era casta. Gabriel, o mensageiro celeste, foi enviado especialmente da parte de Deus à cidade de Nazaré: “a uma virgem, cujo nome era Maria (Lc 1.26,27; Mt 1.23). A virgindade de uma jovem tem um valor de grande significado espiritual e moral. Falando sobre a glória de Jerusalém, o Senhor diz que: “como o jovem se casa com a donzela (solteira, virgem pura), assim teus filhos se casarão comigo […]” (Is 62.5 – acréscimo nosso). Maria era desposada (ou noiva) com José, o carpinteiro, mas mantinha-se pura em seu estado moral. José não teve relações sexuais com Maria antes de ela dar à luz a Jesus (Mt 1.25). Sua castidade era indispensável para o cumprimento da profecia (Is 7.14; Mt 1.22,23). Tratando sobre a importância da pureza sexual Paulo fala da preparação da Igreja por Cristo como: “uma virgem pura a um marido” (2Co 11:2).
  2. Era honrada. Maria foi grandemente honrada recebendo a visita de um anjo (Lc 1.26,27). A jovem de Nazaré jamais imaginara que estaria sendo observada dos céus pelo Senhor e Criador do Universo: “E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada […]” (Lc 1.28-a). O termo “agraciada” quer dizer que ela foi “honrada por Deus”. O Senhor sempre procura pessoas assim: simples, humildes, despretensiosas, despojadas de ambições carnais para honrá-las. Cheia do Espírito Santo, Isabel a chamou de “a mãe do meu Senhor” (Lc 1:43), o que é motivo suficiente para mostrar sua honra.
  3. Era uma mãe amorosa. Mateus 1.25, falando de José, declara: “E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus. ” A palavra atéclaramente indica que José e Maria só tiveram união sexual após o nascimento de Jesus. Tiveram vários filhos depois que Jesus nasceu (Mt 13.55,56). Deus abençoou e agraciou Maria dando a ela vários filhos, o que naquela cultura era a mais clara indicação de que Deus estava abençoando uma mulher. Jesus como filho de Maria, seria humano; como Filho do Altíssimo (Lc 1.32), seria o Filho de Deus (Lc 1.35). O texto de Lucas (3.39-45) mostra seu cuidado amoroso com seu querido filho quando ainda adolescente, e o texto de João revela o seu amor estando ao lado dele na cruz do Calvário (Jo 19:25-27).

III –  QUALIDADES ESPIRITUAIS DE MARIA MÃE DE JESUS

  1. Uma jovem crente. Em seu cântico de exaltação a Deus (Lc 1:46-56; ver 1Sm 2.1-10). Maria demonstrou ter consciência de sua condição humana pecadora e imperfeita e tendo necessidade de salvação. Ela cantou jubilosa e reverente, demonstrando como se sentia diante de Deus e por ter sido escolhida para tão grande missão: “Disse, então, Maria: A minha alma engrandece ao Senhor[…]” (Lc 1.46,47). Maria reconheceu que precisava ser salva, que ela precisava de Deus como seu Salvador: “e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Maria era uma pecadora como todos nós e que precisou de salvador.
  2. Uma jovem de fé. Maria sabia o que aconteceria, mas não sabia como seria. Sua pergunta: Como se fará isso, visto que não conheço varão? ” (Lc 1.34) não é um sinal de incredulidade; antes, é uma expressão de fé. Ela creu na promessa, mas não entendeu como se cumpriria, e Gabriel explicou que seria um milagre, uma obra do Espírito Santo. José, seu noivo, não seria o pai da criança (Mt 1.18-25), mesmo que, posteriormente, Jesus fosse identificado em termos legais como seu filho (Lc 3.23; 4.22; Jo 1.45; 6.42). Em segundo lugar, Gabriel fez questão de ressaltar que o bebê seria um ente santoe não compartilharia da natureza humana pecaminosa. Jesus não conheceu pecado (2Co 5.21), não cometeu pecado (1Pe 2.22), e nele não existe pecado (1Jo 5). Seu corpo foi preparado pelo Espírito de Deus (Sl 40.6; Hb 10.5).
  3. Uma jovem cheia do Espírito Santo. Não temos dúvida de que Maria era uma jovem dedicada a Deus (Lc 1.35; Mt 1.20); cremos que ela estava em comunhão com o Senhor e desenvolvia uma vida devocional intensa e amorosa: “[…] o Senhor é contigo […]” (Lc 1.28-b). Essa expressão foi usada por Deus para outros instrumentos escolhidos por Ele como: Josué (Js 1.9); Gideão (Jz 6.12) e Israel (Is 41:10-a).
  4. Era uma jovem adoradora. Sua alegria levou-a a entoar um cântico de louvor e adoração. Esse cântico é chamado de “Magnificat”, pois é a versão em latim de Lucas 1.46 que diz: “A minha alma engrandece ao Senhor”. Seu maior desejo era engrandecer ao Senhor, não a si mesma. O canto de Maria contém citações e referências das Escrituras do AT especialmente dos Salmos e do cântico de Ana em 1 Samuel 1-10. Maria guardou a Palavra de Deus em seu coração e a transformou em louvor.
  5. Uma jovem bendita. Quem imaginaria que uma jovem de Nazaré, pobre, desconhecida, de família tão humilde, que sequer os nomes de seus pais são mencionados fosse a escolhida por Deus para ser a mulher que acolheria em seu ventre o Salvador do mundo. Dias depois, ao visitar Isabel, sua prima, que também estava grávida, ela ouviu-a dizer: “Bem-aventurada a que creu […]” (Lc 45-a). O anjo declarou: “[…] bendita és tu entre as mulheres(Lc 1.28-c).
  6. Uma jovem favorecida. Maria sentiu temor em seu coração por não entender como poderia ela ouvir coisas tão elevadas a seu respeito: “E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras e considerava que saudação seria esta” (Lc 1.29). Era a reação natural de uma moça que nunca tivera experiência tão profunda em sua vida de comunhão com Deus: “Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus […]” (Lc 1.30).

CONCLUSÃO

Aprendemos com a história de Maria mãe de Jesus, que devemos servir a Deus com todas as nossas forças e sermos fiéis e verdadeiros adoradores, pois assim, Deus, fará o milagre que precisamos.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo do Antigo Testamento. PDF.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Maria, irmã de Lázaro, uma devoção amorosa

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 10 – MARIA, IRMÃ DE LÁZARO, UMA DEVOÇÃO AMOROSA (Jo 12.1-11)

INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos sobre Maria irmã de Lázaro, como um grande exemplo de dedicação a Cristo no Novo Testamento; veremos importantes informações a respeito dessa personagem, ressaltando alguns aspectos da sua devoção; pontuaremos também traços de um caráter que Deus reprova; e por fim, elencaremos alguns resultados da devoção amorosa de Maria.

I – DEFINIÇÕES DAS PALAVRAS DEVOÇÃO E AMOROSA

  1. Devoção. De acordo com Aurélio devoção é: “Ato de dedicar-se ou consagrar-se a alguém, dedicação íntima; afeição, afeto” (FERREIRA, 2010, p. 668). Já Andrade (2006, p. 142) define como: Consagração individual que tem por objetivo o estreitamento da comunhão entre a criatura e o Criador; implica em serviço em prol do Reino de Deus.
  2. Amorosa. Segundo Aurélio a palavra amorosa significa: “Que tem ou sente amor; carinhosa, terna, meiga” (FERREIRA, 2010, p. 123). Qualidade cristã decorrente da ação do Espírito Santo em sua vida (Rm 5.5; Gl 5.22).

II – INFORMAÇÕES SOBRE MARIA A IRMÃ DE LÁZARO

  1. Nome. O nome Maria é derivado da mesma raiz hebraica do nome “Miriã”, que tanto pode significar “ser amargo ou amargurar”, como também “ser forte ou fortalecer” (HARRIS et al, 1998, p. 880) sendo esse último, o que descreve muito bem a personagem em destaque. É importante salientar que a personagem em destaque nessa lição, não pode ser confundida com a mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus na casa de um fariseu chamado Simão (Lc 7.36-50). Além de Maria irmã de Lázaro algumas outras mulheres são chamadas por esse nome no Novo Testamento. Entre elas destacamos: (a) a mãe de Jesus (Mt 1.16); (b) Maria chamada Madalena (Lc 8.2); (c) a mãe de Tiago e de José (Mt 27.56); (d) a mãe de João Marcos (At 12.2); (e) e uma irmã na igreja em Roma cooperadora do apóstolo Paulo (Rm 16.6).
  2. Familiares. A família de Maria se limita a três integrantes, todos eles seguidores de Jesus, vistos entre seus amigos mais próximos (Jo 11.5). Sua irmã era Marta, nome que quer dizer “senhora”, uma piedosa serva de Deus que tinha dentre outras coisas a virtude da hospitalidade (Lc 10.38). Seu irmão era Lázaro, cujo nome significa “Deus é auxílio” (CHAMPLIN, 2002, p. 457) que recebeu também um destaque especial nas Escrituras ao ser ressuscitado por Jesus (Jo 12.1), sendo lembrado como aquele a quem Cristo amava (Jo 11.3).
  3. Local de origem. Maria e família eram residentes de uma aldeia chamada Betânia, uma vila no declive leste do monte das Oliveiras, situada a cerca de três quilômetros ao leste de Jerusalém “Ora Betânia distava de Jerusalém quase quinze estádios(Jo 11.18); um estádio era uma medida grega de distância equivalente a 200 metros (BRUCE, 1987, p. 210). Betânia era um local que sempre aparece a fatos importantes ligados a Jesus durante o seu ministério (Mt 21.17; Mc 11.11; Lc 24.50); hoje a cidade é chamada de “el Azariyeh”, ou seja, “o lugar de Lázaro(TYNDALE, 2015, p. 246).

III – ASPECTOS DA VERDADEIRA DEVOÇÃO

Maria a irmã de Lázaro, aparece apenas três vezes nos Evangelhos, e em todas as ocasiões estava aos pés de Jesus para aprender (Lc 10.39), para chorar (Jo 11.32,33) e para agradecer (Jo 12.1-3) (LOPES, 2006, p. 398); sua atitude de adoração é semelhante a encontrada em um dos Evangelhos (Lc 7.36-50), porém as diferenças de tempo, local ou ocasião, mostram ser duas pessoas totalmente diferentes. Maria a irmã de Lázaro, tem como sua principal marca com toda certeza a sua dedicação. Vejamos algumas características da sua devoção a Cristo:

  1. Voluntária. Não há registro de Jesus pedindo que alguém procedesse dessa maneira, que por sinal contrariava alguns conceitos sociais, a atitude parte deliberadamente de Maria Então Maria, tomando um arrátel de unguento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos […]” (Jo 12.3). Seu gesto de amor foi público e espontâneo. Diante disso, precisamos lembrar que a devoção aceita por Deus deve partir de uma atitude livre, espontânea, voluntária (Êx 25.2; 35.5,29; 2Co 8.3; 7).
  2. Sacrificial. Aquele perfume foi avaliado por trezentos denários (Jo 12.5), que representava o salário de um ano de trabalho. Sobre o perfume nos é dito que era: “[…] unguento de grande valor(Mt 26.7); “[…] preciosíssimo perfume” (Mc 14.3 – ARA); “[…] de muito preço(Jo 12.30). O nardo puro era oriundo das folhas secas de uma planta natural do Himalaia, entre o Tibete e a Índia, e pelo fato de provir de uma região tão remota, era altamente cotada (HENDRIKSEN apud LOPES, 2015, p. 317). Maria tomou o objeto mais precioso que possuía e o gastou todo em Jesus “[…] lho derramou sobre a cabeça” (Mc 14.3). A semelhança de Maria a nossa devoção a Deus deve ser plena, sem reservas (Dt 6.5; 1Ts 5.23; Rm 12.1). Devemos lembrar o exemplo de Deus que deu o seu melhor para nós, o seu Filho Jesus (Jo 3.16). O amor é dadivoso e a única coisa que lamenta é quando não tem mais para dar (2Sm 24.24; 1Cr 21.24).
  3. Oportuna. Maria demonstrou seu amor a Jesus antes da sua morte e antecipou-se a ungi-lo para a sepultura (Jo 12.7; Mc 14.8). As outras mulheres também foram ungir o corpo de Jesus, mas quando elas chegaram lá, Ele já não estava mais, pois havia ressuscitado (Mc 16.1-6). Em certo sentido, Maria demonstrava sua devoção a Jesus antes que fosse tarde demais, enquanto o Senhor ainda estava vivo. Do mesmo modo devemos nos dedicar ao Criador em tempo oportuno, devido à brevidade da vida (Ec 12.1,2); fazendo a obra com eficiência diante das dificuldades naturais (Jo 9.4); aproveitando cada oportunidade (2Tm 4.2).
  4. Generosa. Sua gratidão a Jesus é uma das suas motivações para tamanha devoção. Além da sua vida marcada pelos ensinos do Mestre, que frequentava a sua casa mostrando comunhão com a família, era também grata pela ressurreição de seu irmão Lázaro (Jo 11.1-44; 12.1). A generosidade é uma virtude que deve ser cultivada pelos autênticos servos de Deus diante da sua graça revelada (Sl 103.1,2; Cl 3.15,16; 1Tm 6.18).
  5. Cristocêntrica. Maria não tinha outra intenção a não ser honrar ao seu Senhor (Mc 14.6); seu gesto como demonstração de sua devoção não tem como propósito a sua própria apresentação, nem buscava ela aprovação de outrem. Muito pelo contrário, a sua ação inusitada e ousada a fez ser alvo de severas críticas (Mc 14.5,6), mas não a inibiu de adorar ao seu Mestre. A centralidade da pessoa de Cristo na verdadeira adoração, é reafirmada pelo apóstolo Paulo ao dizer: “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele Amém” (Rm 11.36).

IV – JUDAS ISCARIOTES, UM CARÁTER REPROVÁVEL

O texto em apreço também apresenta um grande contraste, dessa feita não entre Maria e sua irmã Marta (Lc 10.38- 42), mas, entre Maria e Judas Iscariotes, que por meio de sua crítica revela traços de um caráter reprovado por Cristo. Notemos alguns aspectos negativos de seu caráter:

  1. Hipócrita. A crítica de Judas a Maria, é resultado de uma falsa preocupação pelos menos favorecidos (Jo 12.5). Sua atitude aparentemente louvável, servia de máscara para ocultar suas verdadeiras motivações. Tal comportamento é algo que caracteriza os que dizem conhecer a Deus, mas, o negam com suas obras (Tt 1.16), e como também, indica traços de um caráter ímpio conforme ensinou o apóstolo Paulo (2Tm  3.5).
  2. Egoísta e avarento. A cobiça pessoal de Judas por coisas materiais se disfarça de uma aparente filantropia (amor ao próximo), não havendo, contudo, preocupação genuína, mas, visando uma oportunidade de levar proveito da situação para benefício próprio. “Por trás das palavras de Judas, havia um espírito mercenário, e não um interesse altruísta pelos pobres” (BRUCE apud LOPES, 2015, p. 320). A avareza de Judas é declarada pela observação que o evangelista faz a respeito da sua intenção (Jo 12.6). Segundo Aurélio avareza é: “excessivo e sórdido apego ao dinheiro; falta de generosidade; mesquinhez” (2004, p. 236). O apóstolo Paulo adverte sobre o perigo da avareza (1Tm 6:10).

V – OS RESULTADOS DE UMA DEVOÇÃO AMOROSA

Devoção é a mesma coisa que piedade ou sentimento religioso; expressão de adoração a Deus através de práticas religiosas. Piedade é uma constante cultura da vida interior de santidade diante de Deus e para Ele, que por sua vez se aplica em todas as outras esferas da vida prática. Notemos que apesar da oposição encabeçada por Judas Iscariotes, Maria recebe de Cristo como resultado de sua devoção três coisas:

  1. A defesa das críticas. Diante das críticas de Judas, Jesus defendeu Maria mostrando a importância de sua atitude: “[…] deixai-a, para que a molestais? ” (Mc 14.6-a). Judas não tinha que criticar, pois, Maria não estava fazendo para ele, mas para o Mestre amado: Ela fez-me […]” (Mc 14.6).
  2. O elogio e aprovação. Na tradição judaica os reis, sacerdotes e outros eram ungidos para exercer seu ofício, eis aí onde reside também sua “boa obra”, uma indicação que Jesus era alguém que merecia tamanha honra: “[…] Ela fez-me boa obra(Mc 14.6-b); e fez o que tinha condições: “Ela fez o que podia […]” (Mc 14.8-a)
  3. A honra de ser lembrada pelo seu ato de amor em todas as gerações. Ela seria lembrada por ter ungido o Messias para seu sepultamento: “Em verdade vos digo que, em todas as partes do mundo onde este evangelho for pregado, também o que ela fez será contado para sua memória(Mc 14.8,9).

CONCLUSÃO

A atitude de Maria revela o que é na prática a verdadeira devoção ao Senhor, tornando-se um exemplo de serviço agradável a Deus. Ao quebrar o vaso de alabastro estava expressando um quebrantamento interior, ressaltando qual a natureza da autêntica adoração, como lembra Davi um adorador por excelência: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17).

REFERÊNCIAS

  • BRUCE, F.F. João Introdução e comentário. MUNDO CRISTÃO.
  • CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo.
  • Dicionário Bíblico Tyndale. GEOGRÁFICA.
  • Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. VIDA
  • LOPES, Hernandes Marcos: O evangelho dos milagres. HAGNOS.
  • LOPES, Hernandes dias. João: As glórias do Filho de Deus. HAGNOS.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Hulda, a mulher que estava no lugar certo

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 09 – HULDA, A MULHER QUE ESTAVA NO LUGAR CERTO (2 Cr 34.22-28)

INTRODUÇÃO

Nesta lição falaremos sobre Hulda, uma notável profetisa que foi porta-voz de Deus para o rei Josias num período bastante caótico, tanto política quanto espiritualmente em Judá; destacaremos algumas características da verdadeira profecia; pontuaremos os traços do seu caráter; e, qual a contribuição da mensagem divina dada por Hulda na grande reforma religiosa promovida pelo rei Josias.

I – INFORMAÇÕES SOBRE HULDA

  • Segundo Champlin (2004, p. 172 – acréscimo nosso) o nome Hulda no hebraico quer dizer “doninha”, que é um animal mamífero carnívoro que tem um aspecto de um furão. Este nome aparece uma única vez na Escritura (2 Rs 22.14; 2 Cr 34.22). Ela residia em Jerusalém, no bairro chamado Cidade Baixa (2 Rs 22.14-20; 2 Cr 34.22-28).
  • Família. O registro do Livro dos Reis e das Crônicas dizem que Hulda era casada com um homem chamado Salum, cuja profissão e genealogia é destacada (2 Rs 22.14; 2 Cr 34.22). Sugere-se que seu marido, Salum, seria parente de Jeremias (Jr 7-12).
  • Vocação. É dito que Hulda era uma profetisa (2 Rs 22.14; 2 Cr 34.22). Ela é uma das poucas profetisas do AT e a única mencionada durante o período dos monarcas. Algumas mulheres foram chamadas para serem profetisas na história de Israel: Miriã, Débora, Hulda e Ana (Êx 15.20; Jz 4.4; 2 Rs 22.14; Lc 2.36). Hulda foi contemporânea dos profetas Jeremias e Sofonias que somaram voz para a grande Reforma promovida por Josias (Jr 1.1-3; Sf 1).
  • Época em que profetizou. O único registro da profecia de Hulda se dá no reinado de Josias. Ele começou a reinar após 55 anos de derramamento de sangue e corrupção moral sob Manassés e 2 anos de Amom (2 Rs 21.1,19). Foi em seu reinado que o culto a Deus foi restaurado, e, freou-se o grave deterioramento que a religiosidade judaica havia sofrido; e foi também então que, tendo se descoberto, em 622 a.C., o “Livro da Lei”, Josias empreendeu a reforma do culto em Jerusalém (2 Rs 22.3; 23.25; 2 Cr 34.8; 19).

II  – UMA MULHER COMO PROFETISA

A escolha de algumas mulheres para determinadas vocações e outras não, não tinha por base o costume local ou machismo como afirma alguns teólogos. As restrições para determinadas vocações foram estabelecidas pelo próprio Deus, por exemplo: o AT mostra que apenas homens eram ungidos como sacerdotes e reis (Êx 28.41; 1 Sm 16.13). A única mulher que reinou em Judá o fez de forma ilegítima (2 Rs 11.1); a única pastora que aparece na Bíblia apascentava ovelhas e não pessoas (Gn 29.9); e, as sacerdotisas mencionadas eram de religiões pagãs (2 Re 23.7); a própria Débora embora chamada de juíza não exercia toda a responsabilidade desse ofício, que incluía ser líder militar, antes ela lembrou que essa função era de Baraque (Jz 4.4-7). Vaux (2003, p. 422) diz que “nenhuma mulher fazia parte do clero israelita”. No NT, vemos que Jesus jamais chamou mulheres para serem apóstolas, pastoras ou qualquer outro cargo eclesiástico (Mc 3.13,14; At 1.21-23; 6.3; Ef 4.11; 1 Tm 3.1-13; Tt 1.5-9). No entanto, é bom destacar a preciosa participação das mulheres na obra de Deus:

  • Joel profetizou que o derramamento do Espírito se estenderia a homens e mulheres dando a ambos o dom de profecia: “e vossos filhos e vossas filhas profetizarão” (Jl 28-a);
  • Jesus era seguido por discípulas que lhe auxiliavam com seus recursos (Mc 15.40,41; Lc 1-3);
  • As quatro filhas de Filipe profetizavam (At 9);
  • Paulo faz menção de mulheres que cooperavam com ele no trabalho do Senhor (At 14,15; Rm 16.1-4,6,12,15).

– A PROFECIA DE HULDA

Após descobrir o Livro da Lei perdido dentro da Casa do Senhor e ouvir o seu conteúdo, Josias “rasgou as suas vestes” (2 Rs 22.8,11-b). Tal atitude mostra o quebrantamento que sentiu este piedoso rei diante dos castigos pronunciados pelo Senhor ao povo de Israel. Gardner (1999, pp. 386,387) diz que este livro provavelmente foi Deuteronômio pelos seguintes motivos: (a) às especificações do lugar central de adoração, a destruição dos lugares altos (Dt 12.1-3); (b) maldições resultantes da desobediência (Dt 27 e 28); a celebração da Páscoa (Dt 16.1-8); e, (c) a cerimônia da renovação da aliança (Dt 27; 31; 2 Cr 34.30-32; 2 Rs 23.2). Querendo saber mais detalhadamente a vontade do Senhor, o rei comissionou um grupo de líderes para estar consultando uma profetisa chamada Hulda (2 Rs 22.14). A profetisa ficou sabendo da solicitação do rei e lhe falou a Palavra do Senhor (2 Rs 22.15-20). Abaixo destacaremos três verdades sobre a profecia de Hulda que podemos caracterizar como verdadeira:

  • A profecia não distoou das Escrituras. Quando recebeu a visita dos ilustres homens enviados por Josias a profetiza Hulda lhes disse: “assim diz o SENHOR Deus de Israel: Dizei ao homem que vos enviou a mim: assim diz o SENHOR: Eis que trarei mal sobre este lugar, e sobre os seus moradores, a saber: todas as palavras do livro que leu o rei de Judá” (2 Rs 22.15,16). O profeta é um mensageiro de Deus, e sua principal função é tornar conhecidas as revelações divinas e transmiti-las ao povo (Êx 7.1; Nm 12.6; 1 Sm 3.20; Hb 1.1,2). A profecia dada por Deus, a sua serva Hulda, em nada foi diferente do conteúdo do Livro Sagrado encontrado e lido para Josias. Seu conteúdo era exortativo (2 Cr 34.18-21; 23-25). Devemos entender que nenhuma manifestação é válida quando se contrapõe ao que está claramente ensinado nas Escrituras, pois toda experiência deve estar submetida a Bíblia e não o contrário (Gl 8,9).
  • Estava de acordo com a dos outros profetas. A mensagem dada por Hulda em nada era diferente dos profetas que por Deus foram levantados em sua época. Jeremias já havia anunciado o cativeiro (Jr 25.11-a); o tempo do cativeiro (Jr 25.11-b); o porquê do cativeiro (Jr 25.3-10); e, o seu fim (Jr 25.12-14). Quando Jeremias se viu diante do falso profeta Hananias que profetizava que o cativeiro babilônico demoraria apenas dois anos (Jr 28.1-3), o fiel mensageiro de Deus disse ao público que lhe ouvia que eles deveriam ter cuidado com esta falsa mensagem, pois não estava de acordo com a mensagem dos outros profetas anteriores a ele (Jr 8,9). Sofonias também profeta contemporâneo, falou acerca da mesma sentença que estava para vir sobre Judá (Sf 1.1-18).
  • Cumpriu o propósito de exortar, consolar e edificar. Além de confirmar os castigos que estavam anunciados na Escritura, Hulda fez conhecida também uma mensagem específica de consolação para o rei Josias, dizendo que estes males viriam sobre o povo, no entanto, não nos dias em que ele governaria, por causa da sua reação de quebrantamento diante do iminente juízo divino, trazendo assim consolo para a sua alma (2 Cr 34.26-28). Orientando a igreja em Corinto sobre os dons espirituais, principalmente sobre o dom de profecia, o apóstolo Paulo disse: “mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação” (1 Co 3).

IV – VIRTUDES DA PROFETISA HULDA 

  • Uma mulher santa. Apesar da apostasia que aconteceu nos reinados de Manassés e Amom, havia um remanescente judeu que se conservara nos caminhos do Senhor. No meio destes fiéis estava a profetiza Hulda. Ela era uma reserva moral e espiritual reconhecida pelo rei Josias “Ide, e consultai o SENHOR por mim […]” (2 Rs 22.13). A Bíblia nos exorta a santificação (Lv 20.26; 1 Pe 1.15,16), dizendo que ela é a vontade de Deus (1 Ts 4.3), e, a condição sem a qual ninguém verá o Senhor (Hb 14).
  • Uma mulher ousada. Ao ser consultada pelos representantes do rei, Hulda, ousadamente falou a Palavra do Senhor, confirmando inteiramente a punição divina descrita no livro da Lei que fora achado (2 Cr 34.23-25). Não devemos ter medo de falar a Palavra do Senhor a este mundo tenebroso (At 4.31; 2 Tm 6,7).
  • Uma mulher influenciadora. A profecia de Hulda não somente confirmou os juízos preditos na Palavra do Senhor, como também influenciou positivamente o piedoso rei Josias a promover grandes reformas em Judá, que não evitam o cativeiro, mas o retardou (2 Rs 22.18-20; 23.25-27). Jesus disse que os seus discípulos deveriam ser o sal da terra e luz do mundo, querendo exortá-los a serem influentes no lugar onde estivessem, pois para isto servem estes dois elementos (Mt 13-16).

V – O AVIVAMENTO PROMOVIDO POR JOSIAS

O Registro Sagrado diz que o rei Josias: (a) achou a Palavra dentro da Casa do Senhor, por meio do sumo sacerdote (2 Rs 22.8); (b) o escriba leu a Palavra diante do rei (2 Rs 22.10); (c) temeu a Palavra (2 Rs 22.1); e, (d) agiu por causa da Palavra (escrita e profética), promovendo uma grande reforma religiosa em Judá, pois deu ouvidos a voz do Senhor (2 Re 22.11-20; 23.1-3). Acerca da obra que Josias realizou em Judá nos seus dias, a Bíblia diz que “[…] antes dele não houve rei semelhante, que se convertesse ao SENHOR com todo o seu coração, com toda a sua alma e com todas as suas forças, conforme toda a lei de Moisés; e depois dele nunca se levantou outro tal” (2 Rs 23.25). Vejamos algumas de suas atitudes: (a) limpou o templo e a cidade da idolatria (2 Rs 23.4,6; 10-15); (b) destituiu sacerdotes falsos (2 Rs 23.5); (c) tirou a imoralidade do meio do povo (2 Rs 23.7); (d) Celebrou a Páscoa que há muito não era comemorada (2 Rs 23.21-23); e, (e) removeu toda prática de feitiçaria do meio do povo (2 Rs 23.24).

CONCLUSÃO

Deus espera que estejamos na mesma posição espiritual da profetisa Hulda: de comunhão e prontidão. Devemos ser seus porta-vozes e agentes influenciadores desta geração, provocando um forte impacto através de um testemunho santo e pelo poder da Palavra.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • ELISSEN, Stanley. Conhecendo melhor o Antigo Testamento.
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Abigail, um caráter conciliador

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 08 – ABIGAIL, UM CARÁTER CONCILIADOR – (1 Sm 25.18-24,27,28)

INTRODUÇÃO

Nesta lição faremos um contraponto sobre o caráter duro e maligno de Nabal com o caráter justo e sábio de sua esposa Abigail. Destacaremos os pontos negativos deste homem cruel, egoísta e arrogante; e também sobre os pontos positivos desta mulher pacificadora, humilde, sábia, intercessora, prudente e corajosa que foi Abigail.

I – CARACTERÍSTICAS DO CARÁTER DE NABAL

Nabal descendia do famoso Calebe, companheiro de Josué (1Sm 25.3), e seu nome significa: “tolo, louco” (1Sm 25.25) (CHAMPLIN, 2000, p. 1212). Na passagem bíblica em que aparece este personagem, Davi não exigiu dele que mandasse grandes quantidades de víveres, mas, sim, que enviasse para seus homens o que “achasse à mão”, ou seja, o que pudesse mandar (1Sm 25.8-c). Porém, ao ouvir o pedido de Davi, Nabal encolerizou-se diante dos mensageiros e disse que não atenderia o pedido de um homem que, na visão dele, era mais um fugitivo de “seu senhor”, o rei Saul (1Sm 25.10). Vejamos alguns aspectos do seu caráter:

  • Nabal um homem maligno. Nabal é descrito como um homem de caráter “[…] duro e maligno nas suas ações” (1Sm 25.3), do qual ninguém poderia aproximar-se com segurança: “[…] e não há quem lhe possa falar” (1Sm 25.17-c). Um de seus servos, bem como a própria esposa, o chamaram de “filho de Belial”, dizendo que: “[…] a loucura estava com ele” (1Sm 25.25). O termo hebraico “beliya’al” refere-se a pessoas que transgrediam a lei deliberadamente (WIERSBE, 2010, 272).
  • Nabal um homem egoísta. Davi protegera os pastores de Nabal de atacantes árabes e filisteus (1Sm 25.7,8), no entanto, quando os jovens explicaram-lhe educadamente a situação, Nabal insultou-os. Nabal tinha informações de Davi, como o texto indica, em sua referência ao seu pai: “[…] e quem é o filho de Jessé? ” (1Sm 25.10-b). Nabal era partidário de Saul e considerava Davi um rebelde (1Sm 25.10), suas palavras sem dúvida, revelam o coração de um homem egoísta e arrogante (1Sm 25.10,11). Davi precisava sustentar 600 homens no deserto (1Sm 13), e Nabal “[…] pagou mal por bem(1Sm 25.21 ver Pv 17.13).
  • Nabal um homem arrogante. A resposta de Nabal aos homens de Davi foi dura, e sem dúvida alguma, era uma grande afronta. Foi enviada uma original saudação a Nabal, mostrando-lhe cortesia e desejando todas as coisas boas para ele, seus familiares e servos (1Sm 25.5,6,8). Mesmo com toda essa saudação a resposta de Nabal demonstra seu caráter prepotente e arrogante (1Sm 25.10,11). Esse insulto indica que ele pertencia à facção de Saul e que odiava Davi (ELLICOTT apud CHAMPLIN, 2000, p. 1213).
  • Nabal um homem ingrato. Em ocasiões anteriores, Davi chegara a dar proteção aos pastores de Nabal seus homens serviam de apoio e de guarda para os rebanhos: De muro em redor nos serviram […]” (1Sm 25.16). Proteção foi dada aos pastores, que estavam muito vulneráveis em campo aberto, com suas ovelhas. Os homens de Davi não lhes haviam feito nenhum mal nem os tinham furtado, e podemos supor que tenham dado proteção contra os temíveis filisteus, que tinham o mau hábito de atacar pessoas que de nada suspeitavam (1Sm 7,8; 15-17) (CHAMPLIN, 2000, p. 1213 – grifo nosso).

II – CARACTERÍSTICAS DO CARÁTER DE ABIGAIL

Antes de falarmos sobre quem foi Abigail esposa de Nabal (1Sm 25.3) e conhecermos a sua história, precisamos considerar duas outras mulheres que aparecem com esse mesmo nome na narrativa bíblica. Uma trata-se da filha de Naás Rei de Amom (2Sm 17.25) e a outra era a filha de Jessé irmã de Davi (1Cr 2.13-16). O nome Abigail significa “Fonte de alegria” ou “exultação” (LIMA, 2017, p. 87). A beleza de Abigail estava em seu nome, em sua aparência e em seu caráter: “[…] Abigail; e era a mulher de bom entendimento e formosa […]” (1Sm 25.3). Para entendermos o caráter de uma pessoa, faz-se necessário conhecer um pouco de sua história, de suas atitudes e ações. Vejamos algumas de suas qualidades:

  • Abigail uma mulher pacificadora. Abigail agiu com extrema prudência, e apaziguou o coração de Davi, pedindo perdão e o fez reconhecer que a vingança não era a melhor decisão naquele momento. Assim que soube das resoluções do coração de Davi, ela apressou-se para apaziguá-lo e pacificá-lo. Davi ficou tão grato que louvou a Deus por aquele encontro, fruto não da casualidade, mas, sim, da providência divina: “Bendito o Senhor, Deus de Israel, que, hoje, te enviou ao meu encontro. Diante de tão grande livramento, pois essa atitude vingativa desagradaria a Deus e desonraria seu nome, Davi agradeceu a Deus e a Abigail (1Sm 25.33- 35 ver Pv 30). Após cumprir a sua missão de paz, “[…] voltou Abigail a Nabal” (1Sm 25.36-a).
  • Abigail uma mulher intercessora. Abigail intercedeu por Nabal, e assumiu a culpa do marido como se fosse sua pedindo clemência a Davi: “Perdoa a transgressão da tua serva [..]” (1Sm 24,28). Ela tentou aplacar a fúria dele, explicando que o marido era louco e que ela não tinha agido em favor dele e dos moços porque não viu o momento em que eles chegaram ao Carmelo: Meu senhor, agora não faça este homem vil, a saber, Nabal, impressão no seu coração, porque tal é ele qual é o seu nome. Nabal é o seu nome, e a loucura está com ele, e eu, tua serva, não vi os moços de meu senhor, que enviaste” (1Sm 25).
  • Abigail uma mulher prudente. A sua prudência pode ser vista, principalmente, no seu jeito de falar. Sete vezes Abigail chamou a si mesma de “tua servae oito vezes chamou a Davi de meu senhor(1Sm 25.24, 25, 27, 28, 31, 41). Abigail mostrou isso: “Agora, pois, meu senhor, vive o Senhor, e vive a tua alma, que o Senhor te impediu de vires com sangue, e de que a tua mão te salvasse; e, agora, tais quais Nabal sejam os teus inimigos e os que procuram mal contra o meu senhor” (1Sm 25.26). Abigail reconheceu Davi como rei (1Sm 28,30) quando o chamou de meu senhor”.
  • Abigail uma mulher sábia. É provável que em várias ocasiões, Abigail já tivesse feito reparos aos atos de seu marido, e esse era um dos fatores que o mantinham rico e abastado. Abigail não se demorou em preparar para Davi e seus homens uma pequena provisão: “Abigail se apressou […] e prostrou-se sobre o rosto diante de Davi […]” (1Sm 25.18-a; 23, Pv 14.1). “E agora este é o presente que trouxe a tua serva a meu senhor; seja dado aos moços que seguem ao meu senhor. Perdoa, pois, à tua serva esta transgressão, porque certamente fará o Senhor casa firme a meu senhor […](1Sm 27,28) (CHAMPLIN, 2000, p. 1213).
  • Abigail uma mulher corajosa. Ciente de que se tratava da esposa de Nabal, Davi poderia tê-la executado ali mesmo. De outra sorte, ela poderia ser severamente castigada por seu marido por causa do ato de independência: “[…] nada disse ela a seu marido (1Sm 25.19). Seus servos partiram na frente, mas ela deve ter mudado de ideia acerca de sua missão e foi pessoalmente: “[…] enquanto ela, cavalgando um jumento, descia” (1Sm 25.20). Abigail considerou ser importante ir pessoalmente, e foi o que fez, mesmo ariscando sua própria vida, pois muita gente dependia de seu sucesso (1Sm 25.12,13). Enquanto Nabal, o tolo, estava ocupado com bebidas, comidas e festejos, essa valente mulher saiu para enfrentar um exército irado.
  • Abigail uma mulher humilde. Abigail fez o que Nabal deveria ter feito; “prostrou-se com o rosto em terra” em homenagem ao futuro rei de Israel. É interessante ver a forma como Abigail agiu com humildade diante de Davi e de todo o exército que o acompanhava reconhecendo o homem de honra e de guerra que ele era: “Vendo, pois, Abigail a Davi, apressou-se, e desceu do jumento, e prostrou-se sobre o seu rosto diante de Davi, e se inclinou à terra. E lançou-se a seus pés, […] deixa, pois, falar a tua serva aos teus ouvidos, e ouve as palavras da tua serva. ” (1Sm 23, 24).
  • Abigail uma mulher conciliadora. Davi reconheceu que a atitude de Abigail aplacou a ira dele e disse que o Senhor Deus de Israel era quem havia enviado aquela mulher ao seu encontro: “Então Davi disse a Abigail: Bendito o Senhor Deus de Israel, que hoje te enviou ao meu encontro. E bendito o teu conselho, e bendita tu, que hoje me impediste de derramar sangue, e de vingar-me pela minha própria mão […]” (1Sm 32-35).
  • Abigail uma mulher determinada. Abigail diz a Davi que ele não leve em conta o que o seu esposo fez, porque o seu nome indicava sua loucura (1Sm 25.24). Ela ainda anteviu a vitória de Davi sobre seus inimigos e disse que ele seria feito por Deus “chefe sobre Israel” e que, quando assim sucedesse, Davi não se esquecesse dela (1Sm 25.30,31). “E mandou Davi falar a Abigail, para tomá-la por sua mulher” (1Sm 25.39 ver ainda 41).
  • Abigail uma mulher submissa. Abigail causara tamanho impacto em Davi com seu caráter e sabedoria a ponto dele considerar que seria uma boa rainha. Assim, enviou mensageiros a fim de pedir a mão de Abigail em casamento, e ela se sujeitou a seu rei e se ofereceu até para lavar-lhe os pés dos seus servos: “Vindo os servos de Davi a Abigail […] ela se levantou, inclinou-se com o rosto em terra, e disse: Eis aqui a tua serva, pronta para servi-te e para lavar os pés dos servos do meu senhor” (1Sm 25.40,41). Tornou-se esposa de Davi e deu-lhe um filho por nome de Quileabe, também chamado Daniel (2Sm 3; 1Cr 3.1).

III – O QUE APRENDEMOS COM O CARÁTER DE ABIGAIL

  • Ser pacificador. A Bíblia nos diz que: “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.18). Fomos conclamados a seguir a paz e, na medida do possível, ter paz com todos os homens (Sl 34.14; 133.1; Mt 5.9; Ef 4.1-3; 1Co 7.15; Hb 14; 1Pe 3.11). “E ao servo do Senhor não convém contender […]” (2Tm 2.24,25 ver Tt 3.2).
  • Ser intercessor. De acordo com o Dicionário Aurélio interceder é: “pedir, rogar, suplicar (por outrem); intervir (a favor de alguém ou de algo)”. No sentido bíblico do NT é “pedir em favor de outros” (Mt 8.6-13; At 12.5, 12; 13.3; Tg 5.14,16; Hb 13.18,19). O apóstolo Paulo em muitas das suas epístolas, discorre a respeito das suas próprias orações em favor de várias igrejas e indivíduos (Rm 9,10; 2Co 13.7; Fp 1.4-11; Cl 1.3,9-12; 1Ts 1.2,3; 2Ts 1.11,12; 2Tm 1.3; Fm .4-6).
  • Ser prudente. Bíblia diz que a casa e a fazenda são a herança dos pais; mas do SENHOR vem a mulher prudente (Pv 19.14; 12.16; Pv 1).
  • Ser sábio. O desejo de Deus é que andemos em sabedoria (Cl 1.9,28). E, o apóstolo Tiago ensina que a única maneira de alcançá-la é pedindo a Ele (Tg 1.5). Por isso, sempre que precisarmos de sabedoria devemos recorrer a Ele, que é a fonte de toda sabedoria (Dn 2.20; Rm 11.33; Tg 1.17). A sabedoria é a capacidade espiritual de ver e avaliar nossa vida e conduta do ponto de vista de Inclui fazer escolhas acertadas e praticar as coisas certas (Dt 34.9; Ed 7.25; Pv 2.6,7).
  • Ser humilde. Segundo Aurélio, humildade significa: “ausência completa de orgulho, rebaixamento voluntário por um sentimento de fraqueza ou respeito; praticar a humildade, modéstia, pobreza”. É o mesmo que ausência de orgulho, soberba ou vaidade. A humildade é necessária para quem deseja servir a Deus (Mq 6.8), pois é uma das principais virtudes dos santos (Sl 34.2; Pv 16.19; Mt 5.3; Ef 4.1,2), e ela precede a honra (Pv 15.33; 4)
  • Ser submisso. Cristo dá o exemplo de verdadeira humildade: “Pois, no meio de vós, eu sou como quem serve” (Lc 22.27). “… tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos” (Mt 20.28). Foi dito dele, também: “… antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo” (Fp 7; ver 1Tm 2.6; Tt 2.14).

CONCLUSÃO

Concluímos que a história de Abigail e Nabal nos ensina que devemos cultivar as características positivas de um bom caráter como fez esta mulher, e evitarmos os maus exemplos deste homem que foi egoísta, duro e maligno.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Antigo Testamento versículo por versículo. 2. HAGNOS.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • LIMA, Elinaldo Renovato de. O caráter do cristão. CPAD

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Rute, uma mulher digna de confiança

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 07 – RUTE, UMA MULHER DIGNA DE CONFIANÇA – (Rt 1.11,14-18)

INTRODUÇÃO

Nesta lição teremos a oportunidade de aprender sobre caráter e dignidade com Rute, uma das mais destacadas mulheres na Bíblia; pontuaremos algumas informações importantes sobre o livro que leva o seu nome; veremos alguns aspectos pelos quais, seu caráter se torna um exemplo; e por fim, elencaremos algumas ações de Deus em seu benefício como recompensa por suas virtudes.

I – DEFINIÇÕES DE DIGNIDADE E CONFIANÇA

  • Segundo Aurélio (2010, p. 678) significa: “qualidade moral que infunde respeito; consciência do próprio valor; honra, autoridade, nobreza, título que confere ao indivíduo uma posição graduada, autoridade moral, honestidade, respeitabilidade, decência, decoro”.
  • Confiança. Já a palavra confiança é: “segurança de procedimento, crédito, boa fama, bom conceito das pessoas de retidão, familiaridade, crença na retidão moral, no caráter e na lealdade de uma outra pessoa” (FERREIRA, 2010, p. 521).

II – INFORMAÇÕES SOBRE RUTE

  • Informações literárias. O livro de Rute pertence aos livros do AT chamados de “Megilloth” ou “cinco rolos” (Cantares de Salomão, Rute, Lamentações, Eclesiastes e Ester); lidos respectivamente em cinco ocasiões especiais durante o ano no calendário festivo de Israel, sendo o livro de Rute lido na festa da Colheita (Pentecostes). Sobre a autoria do ainda que existe uma tentativa de vários estudiosos de atribuir ao profeta Samuel, mas o autor é considerado anônimo. Apenas dois livros na Bíblia levam nomes de mulheres, o de Ester e o de Rute.
  • Informações históricas. Os eventos históricos no livro de Rute aconteceram antes do estabelecimento da monarquia em Israel. “Nos dias em que julgavam os juízes […]” (Rt 1.1). O livro pontua uma fome que se instaurou não somente por causas naturais, mas porque nesse período dos juízes o povo de Israel diversas vezes naufragou na fé dando as costas para Deus adorando aos ídolos e vivendo de forma desregrada (Jz 2.11; 3.7,12; 4.1; 6.1; 10.6; 13.1; 17.6). Deus puniu o seu povo como havia prometido (Dt 28.15-68). A história de Rute no entanto, brilha como um holofote em uma era de escuridão vivida pela nação, que nesse período estava em declínio espiritual e moral (Jz 21:25).
  • Informações biográficas. Rute cujo nome quer dizer “amizade”, era oriunda da terra de Moabe localizada no planalto, ao leste do Mar Morto e povoada pelos descendentes do fruto de um relacionamento incestuoso de Ló com uma de suas filhas (Gn. 36,37). Os moabitas eram, às vezes, chamados de “povo de Camos”, devido à sua adoração a essa divindade pagã. A jovem moabita se casou com Malom, filho mais velho de Elimeleque e Noemi (Rt 1.1-4; 4.10); ficando posteriormente viúva, à semelhança de sua sogra e também a Orfa (Rt 1.4,5).

III – ASPECTOS DO CARÁTER DE RUTE

Apesar de sua origem pagã a vida da jovem moabita foi profundamente marcada, não apenas pelas dificuldades enfrentadas, mas, principalmente pela sua experiência pessoal com Deus, que pode ser refletida através dos traços de seu caráter, notemos alguns:

  • Altruísmo (Rt 1.14). Um dos traços do caráter de Rute era o amor para com o próximo, nesse caso, à sua sogra. A despeito da tentativa de Noemi em fazê-la voltar para a casa de sua mãe (Rt 1.8), com o argumento de não ter nada para lhe oferecer (Rt 1.11,12); Rute revela seu amor altruísta, ou seja, sem interesses pessoais, quando nos diz o texto: “[…] porém Rute se apegou a ela(Rt 1.14). A sua amizade não era uma relação utilitarista e conveniente. Seu amor não era apenas de palavras, mas de fato e de verdade (1Jo 3.18). Embora a morte do seu marido tenha cortado os laços dela com a família de Noemi pelas normas da sociedade, Rute escolhe ficar com ela voluntariamente; esse ato reflete uma abnegação notável, a ponto de pôr a perder a própria felicidade. O altruísmo de Rute é a expressão do verdadeiro amor que Paulo descreveu:“[…] não procura seus interesses” (1Co 13.5); é o amor sacrificial que tem como o maior exemplo Cristo Jesus (Rm 5.6-8); é o amor que devemos ter para com todos (Jo 34; 1Co 10.33; 16.14; 1Ts 3.12; 1Jo 4.21; 2Pe 1.7). Como disse o apóstolo Paulo: “Ninguém busque seu próprio interesse, e sim o de outrem” (1Co 10.24).
  • Determinação (Rt 1.18). Outra virtude notável dessa jovem moabita é a sua convicção; diante da insistência de Noemi Rute se mostra resoluta, mesmo vendo que Orfa tenha se despedido e voltado para Moabe (Rt 1.15), e tendo também como um fator o pessimismo de Noemi a respeito de seu futuro; ainda assim, Rute persiste em ficar ao lado da sua amada sogra (Rt 1.14,16). Sua determinação não estava apenas no âmbito afetivo, mas, também em suas convicções religiosas, pois estava decidida a abandonar os deuses de Moabe tornado-se seguidora do Deus de Israel “[…] o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus(Rt 16). Esta determinação ainda é ressaltada ao se dispor em ir ao campo colher espigas trazendo provisão para ela e sua sogra (Rt 2.1,7,17,18). Foi com firme propósito que Daniel deu testemunho de sua fé em Babilônia (Dn 1.8); essa é a atitude necessária de quem está envolvido na obra de Deus (1Co 15.58); de quem visa a recompensa divina (Hb 6.11; 10.35,36); e de quem espera a vinda de Jesus (Tg 5.7,8).
  • Submissão (Rt 2.2,7,10). De acordo com Aurélio submissão quer dizer: “Ato ou efeito de submeter-se. Disposição para aceitar uma condição de dependência” (2004, p. 1885). Submissão é outro aspecto do caráter de Rute; sua humildade é revelada ao se submeter à sua sogra, pedindo autorização para ir ao campo; ao pedir permissão para colher as espigas ao encarregado dos segadores, mesmo sendo um direito concedido às viúvas (Dt 24.19); como também ao receber o favor de Boaz “Então ela caiu sobre o seu rosto, e se inclinou à terra; e disse-lhe: Por que achei graça em teus olhos, para que faças caso de mim, sendo eu uma estrangeira?” (Rt 2.10). O apóstolo Paulo nos ensina que a submissão voluntária derivada do amor deve ser: (a) a base dos relacionamentos domésticos (Ef 5.21,22,25; Cl 3.18-21); (b) necessário como  um meio evangelístico (1Pe 3.1); (c) no trato com os líderes (Tt 3.1; Hb 13.17; 1Pd 2.13-15); (d) como também com os liderados (1Pe 2.18); (e) nos relacionamentos interpessoais (1Pe 5.5), e com Deus (Hb 12.9; Tg 4.7).
  • Digna de confiança. As muitas qualidades de Rute abriram portas por onde ela passava. Suas virtudes foram percebidas pelos trabalhadores, que sabendo de sua origem étnica não lhe fez objeção, deixando ela colher as espigas (Rt 2.7); pelo próprio Boaz que lhe concedeu certos privilégios, devido ao conhecimento que tinha de seu comportamento (2.11-16). A fama de Rute precedeu a sua chegada a Belém, de modo que todos testificavam do seu bom caráter “[…] pois toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa(Rt 3.11). A confiança é conquistada a partir das qualidades positivas de uma pessoa. O profeta Eliseu recebeu guarida em suas viagens a serviço de Deus, ao ter seu caráter santo destacado (2Rs 4.9,10). O patriarca José ainda que acusado injustamente, teve sua vida poupada por Potifar, sabendo este do caráter puro do jovem hebreu (Gn 39:19,20).

IV – A RECOMPENSA DE DEUS PARA RUTE

A virtude nunca fica sem recompensa. Quem semeia ainda que com lágrimas, colhe seus frutos com alegria (Sl 126.5,6). Quem semeia com fartura, com abundância faz a sua colheita (2Co 9.6) (LOPES, 2007 p. 82). Rute chegou em Belém como uma viúva estrangeira, sem perspectiva aparente, no entanto, Deus cumpriu na íntegra a palavra dita por Boaz (Rt 2.12). Vejamos algumas ações de Deus em benefício de Rute:

  • Dirigiu seus passos. Ao tomar a iniciativa em ir em busca do necessário pra o sustento dela e de sua sogra, Rute sem saber está sendo guiada pela mão invisível de Deus “[…] por casualidade entrou na parte que pertencia a Boaz, o que era da família de Elimeleque” (Rt 2.3 – ARA). Por trás de um aparente acaso, Deus revela sua providência graciosa “[…]quanto a mim, o SENHOR me guiou no caminho” (Gn 24.27). “A vida é composta por dois andares. No andar de baixo, pensamos que as coisas acontecem por casualidade, mas, no andar de cima, temos a garantia de que as mãos de Deus dirigem o nosso destino” (SCHAEFFER apud LOPES, 2007, p. 70). “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus […]” (Rm 8:28).
  • Restaurou a honra familiar. Ao voltar do campo após o encontro com Boaz, Rute conta as boas novas à sua sogra que, da condição de amargurada passou à abençoada, mostrando a mudança no coração de Noemi (Rt 2.20), isso ocorre em virtude de uma nova esperança, Boaz é um dos remidores da família. Como pode ser visto, o parente resgatador poderia salvar os familiares da pobreza e dar-lhes um recomeço (Lv 25.25-34). Quando Rute contou a Noemi o que Boaz havia dito, a esperança de Noemi se fortaleceu ainda mais, pois as palavras de Boaz revelaram seu amor por Rute e seu desejo de fazê-la feliz. Após um extenso período de perdas, chega o momento da restauração “[…] o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5-b). A chegada de Rute no campo, deu a Boaz a oportunidade inicial de tornar-se seu benfeitor e abriu o caminho para que se casasse com ela no sistema do levirato, retirando toda a vergonha que repousava sobre a família de Noemi (Dt 25.5,6; Rt 3 e 4).
  • Incluída na genealogia de Jesus. O Livro de Rute começa com três funerais, mas termina com um casamento. O primeiro capítulo registra um bocado de choro, mas o último traz superabundância de alegria (WIERSBE, 2006, p. 192). Rute recebeu do Senhor a capacidade para conceber (Rt 4.13). O menino foi motivo de grande alegria para família e vizinhos, em especial sua avó Noemi (Rt 4.14-16). O nome “Obede” significa “servo”. Obede foi o pai de Jessé, avô de Davi, e ancestral do Senhor Jesus (Rt 4.17,21,22; 1Cr 2.12; Mt 1.5; Lc 3.32). Ao ser incluída na árvore genealógica do Messias, Rute passou também a ser uma figura no Antigo Testamento, que aponta para o valor universal da obra redentora de Jesus Cristo. Revelando a verdade que a participação no reino vindouro de Deus é determinada não por sangue ou nascimento, mas por ajustarmos a vida à vontade do Senhor mediante a obediência que vem pela fé (Rm 1:5).

CONCLUSÃO

Apesar de todas as calamidades à sua volta, nada impediu de Rute demonstrar seu caráter notável, como resultando de sua fé depositada no Deus de Israel, que a fez triunfar como recompensa por sua fidelidade. Como Rute, devemos nos posicionar como autênticos servos de Deus e revelando nosso caráter como cristão.

REFERÊNCIAS

  • Comentário Bíblico Beacon: Josué a Rute. 02. CPAD
  • LOPES, Hernandes Dias. Comentário Expositivo Rute.
  • STAMPS, Donal C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • WIERSBE, Warren W. Comentario Biblico Espositivo do Antigo Testament PDF

Fonte: http://www.adlimoeirope.com