Os ministros do culto levítico

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3º TRIMESTRE 2018

ADORAÇÃO, SANTIDADE E SERVIÇO

Os princípios de Deus para sua igreja em Levítico

COMENTARISTA: Pr. Douglas Baptista

LIÇÃO 03 – OS MINISTROS DO CULTO LEVÍTICO – (Lv 8.1-13)

INTRODUÇÃO

Nesta presente lição veremos que Deus escolheu a tribo de Levi, para exercer o serviço sagrado na Antiga Aliança; destacaremos também, fatos importantes relacionados a consagração de Arão e seus filhos, para o ofício do culto levítico, e por fim, descreveremos suas principais funções como ministros de Deus e a devida aplicação para a vida cristã.

I – A NOMEAÇÃO DA TRIBO DE LEVI PARA O MINISTÉRIO DO CULTO LEVÍTICO

De acordo com Houaiss (2001, p. 1928) ministros são: “aqueles que executam os desígnios de outrem; aqueles que, na religião exercem um ofício, uma função, como administrar os sacramentos”. Os filhos de Levi antes de serem santificados para o ministério levítico eram uma tribo secular; mas, foram separados pelo Senhor para exercer as funções no Tabernáculo (Nm 1.50,51,53; 18.2-4,6; 1 Cr 15.2). Vejamos quais foram as funções que o Senhor delegou:

  • Levitas. Por haverem sido resgatados da morte na noite da Páscoa, os primogênitos das famílias hebraicas pertenciam a Deus (Êx 13.1,2), mas os levitas, por seu zelo espiritual, foram escolhidos divinamente como substitutos dos filhos mais velhos de cada família (Nm 8.17-19; ver 3.5-13). Deus separou para isto os três filhos de Levi: Gérson, Coate e Merari (Nm 26.57).
  • Sacerdotes. A palavra sacerdote que no hebraico é “kohen”, e de acordo com Champlin (2004, p.13), esse termo em português, vem do latim “sacer”, e que quer dizer: “sagrado, consagrado”, e se refere ao ministro divinamente designado na Antiga Aliança, cuja função principal era representar o homem diante de Deus (Êx 28.38; 30.8). Antes do êxodo, o chefe de cada família ou o primogênito, desempenhava o papel de sacerdote familiar; mas, os ritos do tabernáculo e a exigência de observá-los com exatidão tornaram necessária a instituição de um sacerdócio dedicado ao culto divino. Para esta importante função, Deus escolheu Arão e seus filhos (Êx 28.1). A vocação sacerdotal era hereditária, de modo que os sacerdotes podiam transmitir a seus filhos as leis detalhadas relacionadas com o culto e com as numerosas regras às quais os sacerdotes viviam sujeitos a fim de manterem a pureza legal que lhes permitisse aproximar-se de Deus (Nm 18.2,7,8).
  • Sumo sacerdote. O primeiro sumo sacerdote escolhido por Deus em favor de Israel foi Arão (Hb 5.1-4). Ele era o filho mais velho do levita Anrão e de Joquebede (Êx 6.20; Nm 26.59), e irmão de Moisés e Miriã, sendo três anos mais velho que o Legislador (Êx 7.7). Sua esposa era chamada Eliseba (Êx 6.23). Com ela Arão teve quatro filhos, Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar (1 Cr 24.1). O sumo sacerdote era o principal entre os sacerdotes. Em hebraico ele é chamado de “kohen gadol”, que quer dizer: “grande sacerdote”. Somente ele entrava uma vez por ano no Lugar Santíssimo para expiar os pecados da nação israelita, no Dia da Expiação (Êx 30.10; Lv 16.34).

II – A CERIMÔNIA DE CONSAGRAÇÃO SACERDOTAL

Três coisas importantes ocorreram nesta consagração: sacrifícios de animais, purificação e unção dos sacerdotes, como veremos a seguir:

  • Os animais que foram sacrificados (Lv 8.2). Três animais foram sacrificados durante a cerimônia de consagração:
    • O novilho. Arão e seus filhos colocaram as mãos sobre a cabeça do novilho que foi degolado à porta da tenda, como oferta pelo pecado (Lv 8.14-17; cf. Êx 29.10-14). Esse sacrifício purificava o sacerdote no caso de haver cometido algum pecado involuntário que poderia desqualificá-lo para representar o povo diante de Deus (Lv 4.3- 12). A imposição de mãos apontava para a transferência dos pecados do sacerdote para o novilho (Lv 4.4,15,24,29,33; 16.21,22). Este ato e oferta já apontavam para o sacrifício substitutivo de Cristo (Is 53.5; Jo 1.29; Gl 3.13; Hb 13.11-13).
    • O primeiro carneiro. Esta oferta simbolizava consagração total ao Senhor, e não um sacrifício pelo pecado (Lv 8.18-21; cf. Êx 29.15-18). Arão e seus filhos impuseram as mãos sobre a cabeça do carneiro, não para transferência de pecado, pois já foi realizada na ocasião da morte do novilho (Êx 29.10-14), e sim, para oferecerem a si mesmo, como oferta agradável ao Senhor (Lv 8.21). Depois que o animal foi degolado, seu sangue foi espalhado sobre o altar, então ele foi partido e suas entranhas e suas pernas lavadas (Êx 29.16,17; Lv 8.21). Esta lavagem apontava para a pureza daquele que estava sendo representado, ou seja, Arão e seus filhos.
    • O segundo carneiro. Era chamado de “carneiro da consagração” (Lv 8.22; cf. Êx 29.22). Neste sacrifício, também teve imposição de mãos sobre o carneiro (Êx 29.19). Depois que o carneiro foi degolado, o sangue foi colocado: (a) sobre a ponta da orelha direita de Arão e seus filhos, simbolizando que o sacerdote era alguém que deveria estar preparado para ouvir tudo que o Senhor ordenasse, a fim de cumprir suas ordens; (b) sobre o dedo polegar da mão direita. Tendo em vista que as mãos são instrumentos de ação, simbolizava que o sacerdote deveria estar pronto a realizar tudo que Deus lhe ordenasse; e, (c) sobre o dedo polegar do pé direito, mostrando que o sacerdote deveria andar pelos caminhos que o Senhor lhe ordenasse. O resto do sangue era espalhado sobre o altar (Êx 29.19-23).
  • Arão e seus filhos foram lavados com água (Lv 8.6). Esta lavagem cerimonial dos sacerdotes com água simbolizava a pureza que devia caracterizar o serviço sacerdotal, bem como a Palavra de Deus, como fonte de purificação (Sl 119.9,11; Jo 13.10; 17.17). Como Deus é santo (Lv 11.44,45; 19.2; 20.7; Is 48.17; 1 Pe 1.16), os sacerdotes deveriam estar limpos tanto no ato da consagração como no exercício do seu ofício (Êx 30.19-21). Caso contrário, eles estariam impuros para cumprir suas obrigações diante do Senhor. Semelhantemente, todos nós, como reino sacerdotal e nação santa (1 Pe 2.9), necessitamos estar limpos, para nos achegar a Deus (Jo 15.3; 2 Co 7.1; Ef 5.26). O escritor aos hebreus diz: “Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa(Hb 10.22).
  • Arão e seus filhos ungidos por Moisés (Lv 8.12,30). No AT, reis e sacerdotes recebiam a unção com óleo antes de exercerem suas respectivas funções (Êx 28.41; Nm 35.25; 1 Sm 10.1; 12.3,5; 2 Sm 1.14,16; 1 Rs 1.39,46; 19.16). A unção de um sacerdote lhe conferia um ofício vitalício (Lv 7.3; 4.3; 8.12-30; 10.7). Além dos sacerdotes, o tabernáculo e seus utensílios também foram ungidos (Êx 30.26-29; 40.9; Lv 8.10). O azeite simboliza o Espírito Santo; pois, ninguém pode realizar um serviço espiritual para Deus, sem a unção do Espírito. O próprio Jesus foi ungido pelo Espírito (Is 60.1-3; Lc 4.18,19; Hb 1.9).

III – ATIVIDADES DOS MINISTROS DO CULTO LEVÍTICO E SUA APLICAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

Mais de um terço das referências feitas aos sacerdotes do AT são encontradas no Pentateuco. Com aproximadamente 185 referências, o livro de Levítico pode, de forma muito acertada, ser chamado de manual dos sacerdotes (WYCLIFFE, 2010, p. 1714 – grifo nosso). Vejamos algumas das principais atividades dos ministros da Antiga Aliança:

  • Levitas. No sentido mais estrito, o termo levitas designa todos os descendentes de Levi que ocuparam ofícios subordinados ao sacerdócio, a fim de distingui-los dos descendentes de Arão, que eram os sacerdotes (Êx 6.25; Lv 25.32; Js 21.3,41.); assim, destacamos que todos os sacerdotes eram levitas; mas nem todos os levitas eram sacerdotes (Nm 8.24-26) (CHAMPLIN, 2004, p. 793). Todavia, em um outro sentido, o termo levitas aponta para aquele segmento da tribo de Levi, que foi separado para o serviço do santuário, e que atuava subordinado aos sacerdotes (Nm 8.6; Ed 2.70; Jo 1.19). Os levitas eram portanto, ajudantes no ministério sacerdotal (Nm 3.5-9). Suas obrigações eram as mais variadas, algumas até manuais, como de limpeza, arranjo e arrumação no templo (Nm 4.1-19). Semelhantemente, o cristão como membro do corpo de Cristo, tem a sua devida utilidade, desenvolvendo os mais variados trabalhos na obra do Senhor (1Co 12.14-18), e ainda, que da mesma forma que Israel sendo chamado por Deus de reino sacerdotal (Êx 19.6); mas, dentre os hebreus separou uma tribo para exercer o sacerdócio, a Igreja também é chamada de sacerdócio real (1Pd 2.9), e que dentre os crentes o Senhor separou uns para a obra do ministério (Ef 4.11,12).
  • Sacerdotes. Os sacerdotes deviam queimar incenso, cuidar do castiçal e da mesa dos pães da proposição, oferecer sacrifícios no altar e abençoar o povo (Nm 5.5-31); bem como ensinavam a Lei de Deus (Lv 10.11; Ne 8.7,8; Ez 44.23). Eles ministravam sobretudo, como mediadores entre o povo e Deus (Êx 12.12,29,30), fazendo expiação pelos seus próprios pecados e pelo pecado da nação (Êx 29.33; Hb 9.7,8). Essas muitas atribuições apontavam para a pessoa e obra de Cristo (Hb 2.17,18; 4.14-16; 5.1-4; 7.11), como também, por meio dele, todo crente é constituído sacerdote para o serviço de Deus (1Pd 2.9; Ap 1.6; 5.10; 20.6). Esse sacerdócio de todos os crentes abrange o seguinte: (a) todos os crentes têm acesso direto a Deus, através de Cristo (Jo 14.6; At 4.12; Ef 2.18); (b) todos os crentes têm a obrigação de viver uma vida santa (1Pe 1.14-17; 2.5,9); (c) todos os crentes devem oferecer “sacrifícios espirituais” a Deus (Cl 3.16; Hb 13.15; 1 Pe 2.5); (d) todos os crentes devem interceder e orar uns pelos outros (Cl 4.12; 1 Tm 2.1; Ap 8.3); e, (e) todos os crentes devem proclamar a Palavra e orar pelo bom andamento dela (At 4.31; 1 Co 14.26; 2 Ts 3.1).
  • Sumo sacerdote. O sumo sacerdote estava encarregado de certos deveres especiais, que só ele podia cumprir, como oficiar no dia da expiação, entrando no Santo dos Santos com esse propósito uma vez no ano: “[…] só o sumo sacerdote, uma vez no ano, não sem sangue, que oferecia por si mesmo e pelas culpas do povo” (Hb 9.7). Também estava obrigado a observar regras, acima dos israelitas comuns (Lv 22.8); como também, oferecia sacrifícios pelos pecados de ignorância do povo (Lv 22.12-16). No NT todos os crentes, têm acesso ao trono celeste por meio de seu Sumo Sacerdote, Jesus Cristo (Hb 8.1). Visto haver acesso pessoal a Deus, por meio de Cristo, não há necessidade da intermediação de nenhuma casta sacerdotal (Hb 10.19-22).

CONCLUSÃO

O Senhor nomeou Arão e seus descendentes para exercerem o sacerdócio, o que na verdade é uma figura do eterno e perfeito sacerdócio de Cristo, o qual através do seu sacrifício nos abriu o caminho de acesso a Deus tornando cada salvo um sacerdote.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • HOFF, Paul. O Pentateuco.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • Dicionário Bíblico. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

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A Beleza e a glória do culto levítico

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3º TRIMESTRE 2018

ADORAÇÃO, SANTIDADE E SERVIÇO

Os princípios de Deus para sua igreja em Levítico

COMENTARISTA: Pr. Douglas Baptista

LIÇÃO 02 – A BELEZA E A GLÓRIA DO CULTO LEVÍTICO – (Lv 9.15-24)

INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos a definição etimológica e exegética da palavra “culto”; pontuaremos a tipologia do culto levítico com a pessoa de Jesus; analisaremos os princípios de adoração no AT, e por fim, estudaremos as verdades espirituais das cinco ofertas do livro de Levítico na vida da Igreja.

I – DEFINIÇÃO DA PALAVRA CULTO

  • Definição etimológica. Segundo Houaiss (2001, p. 887), a palavra “culto” deriva do Latim, “cultu”, e significa: “adoração ou homenagem a Deus”. Etimologicamente, o termo latino envolve em sua raiz a expressão “colo, colere”, que indica: “honrar, cultivar, reverenciar respeitosamente […], é o conjunto de atitudes e ritos pelos quais se adora uma divindade […] veneração, reverência, admiração, paixão externa para com alguém”. Os reformadores ortodoxos definiram culto como: “a maneira correta de honrar a Deus”. Ou seja, é: “uma tributação voluntária de louvores e honra ao Criador” (CLAUDIONOR, 2006, 127).
  • Definição exegética. Os principais termos que descrevem o ato de “culto” na Bíblia são “shachah” no hebraico significando: “inclinar-se, prostrar-se” (Is 66.22), e no grego existem duas expressões que são respectivamente “latréia” e “proskyneo” significando “baixar-se para beijar, prostrar-se para adorar; reverenciar, prestar obediência, render homenagem” (Jo 4.24; Ap. 4.3-11). O culto é o momento da adoração que tributamos a Deus o melhor que temos e marca o encontro do Senhor com os seus adoradores (Êx 25.8). Na prática cristã, o culto é o encontro do homem com Deus, que pode ser praticado individualmente ou de forma coletiva (Mt 6.6; 16.25; At 2.46; 5.42).

II – PRINCÍPIOS DE ADORAÇÃO DO ANTIGO TESTAMENTO

É claro que a adoração do AT estava carregada de coisas que foram postas “até ao tempo oportuno da reforma” (Hb 9.10). “Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados” (Hb 9.11), o que estava envelhecido e prestes a desaparecer, passou (Hb 8. 13), mas a tudo subjaz alguns princípios atemporais que queremos observar. Notemos:

  • A adoração deve ser verdadeira. No AT Deus devia ser adorado do mais profundo do coração (Abel e sua fé), e não religiosamente apenas (Caim e seus frutos). Os profetas condenavam veementemente o formalismo religioso (1Sm 15.22). A aparência vazia é recusada (Dt 6.5; Is 1.10-17; 58; Ml 1.7,8), e a retidão do povo é exigida (Am 5. 24-27). O culto no AT era centralizado em Deus, que reivindica e espera isso de seu povo (Gn 8.20; 35.11, 14; Êx 3.18; 5.1; 2Cr 7.3; Ne 8.6).
  • A Adoração deve ser só a Deus. O texto áureo do povo de Israel, os Dez Mandamentos, começa com a ordem expressa: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.3). A idolatria, o ato de colocar qualquer coisa no lugar, ou ao lado de Deus é expressamente condenada (Êx 20.4-6; 1Rs 13.1; 14.7;18; Am 4.15; Os 8.1; Mq 5.13).
  • A adoração deve ser sacrificial. O princípio do sacrifício: substituição pelo pecado, ou oferta pacifica está estabelecido no culto do AT. Ninguém se aproximava de Deus a seu bel prazer, o sacerdote era o intermediário para oferecer sacrifícios pelos pecados do povo, bem como ofertas de adoração (Lv 1-6). O grande cume da adoração nacional era o Dia da Expiação nacional (Lv 16), onde o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, oferecendo um sacrifício por ele, e depois no Propiciatório (a tampa da Arca da Aliança), oferecia um sacrifício pelo pecado nacional. O caminho entre o altar do holocausto e o altar do incenso (adoração) era salpicado com o sangue do sacrifício. Sem o sangue do holocausto ninguém chegaria ao altar do incenso. Este belo símbolo mostra que a adoração tem que ser Deus só aceita adoração de quem já foi lavado (Hb 10.22).
  • A adoração deve ser reverente. Moisés quando teve uma visão de Deus na sarça foi advertido que até as sandálias tirasse (Êx 3.1-5). No Sinai, o povo na presença de Deus não podia se aproximar do monte, e o temor tomou conta de todos (Êx 19. 16- 25; 20.18-19). No Tabernáculo e no Templo só os sacerdotes oficiavam e o manuseio dos objetos era para ser feito com o máximo de cuidado. A presença de Deus sempre resulta em temor e prostração (1Rs 18. 38-39; 2Cr 7.1-3; Sl 95. 6; Is 6. 1-5). O adorador ao aproximar-se da Majestade divina deve fazer sabendo onde está pisando, ali é lugar sagrado (Ec 5. 1-20).
  • A adoração deve ser alegre. A reverência não exclui alegria. Não se pode confundir reverência com morte, formalismo, frieza. O culto no Antigo Testamento tinha muita movimentação, festa. O povo tocava, cantava, e se alegrava na presença de Deus (2Sm 6; Sl 95. 1-7; 100; 150). Os Levitas eram encarregados da execução do canto e de tocar os instrumentos (1Cr 15.16; 16.4-6; 2Cr 5. 12-14). O culto deve ser celebrativo, e exultante.
  • A adoração deve ser respeitada. Todo povo tinha o dever de atender as “santas convocações” de Deus para coletivamente se unirem em adoração (Lv 23). Do mesmo jeito que a adoração particular tinha importância na vida deles, a adoração coletiva, no Tabernáculo ou Templo, não poderia ser descuidada. Uma não eliminava a outra. Quanto mais contrito com sua família o homem fosse, mais deveria se unir aos outros na adoração.

III – A TIPOLOGIA DO CULTO LEVÍTICO COM A PESSOA DE JESUS

A tipologia de Jesus no livro de Levítico está nas cinco ofertas que aparecem neste livro: a) holocausto (Lv 1.1-17; 6.8- 13); b) oferta de manjares (Lv 2.1-16 e 6.14-23), c) oferta pacífica (Lv 3.1-17; 7.11-34), d) oferta pelo pecado (Lv 4.1-35), e, e) oferta pela culpa (Lv 5.14-19). Ali, Deus, deu as instruções sobre o cerimonial de Levítico que representa todos os detalhes da obra de Jesus Cristo na cruz. As cinco ofertas são descritas nos capítulos 1 a 7 de Levítico e explicam tudo que foi realizado no Calvário. Há quem diga que não existe nenhum livro do AT que nos faça melhor compreender o NT que o de Levítico. Não há em toda a Bíblia nenhum livro que nos conduza mais diretamente à cruz que o de Levítico. Ele é chamado por alguns de o “Evangelho do Antigo Testamento”. Vejamos a tipologia com o sacrifício de Cristo:

  • A oferta de holocausto tipificava o sacrifício de Cristo. A primeira oferta descrita em Levítico é o holocausto (Lv 1.3-5). O termo hebraico é “Olah”, que significa “fazer subir”. O sentido geral da oferta é que ela subia para Deus como cheiro suave e era totalmente queimada. Em Levítico 1.3-5 observa-se: “sacrifício queimado e voluntário” para que fosse aceito. As exigências de Deus quanto aos animais que eram aceitos para os sacrifícios estão reiteradas em Levítico 22.18-20-25 e indicam que estes sacrifícios deveriam ser “fisicamente perfeitos” apontando para perfeição de Cristo. Em Levítico 1.8-9, fala das ofertas queimadas de aroma agradável. São assim chamadas porque tipificam Cristo em Suas próprias perfeições e em Sua devoção afetuosa para com a vontade do Pai.
  • A oferta de animais tipificava a obediência perfeita de Cristo. O novilho que é um “tipo” de Cristo como servo paciente e sofredor (Hb 12.2,3), obediente até a morte (Is 53.1-7; At 8.32-35), as aves são naturalmente símbolos da inocência (Is 38.14, 59.11, Mt 23.37, Hb 7.26), e estão associados com a pobreza (Lv 5.7; 12.8), pois Ele por amor a nós se tornou pobre (Lc 9.58). Esse caminho voluntário para a pobreza começou quando se esvaziou de Sua glória e terminou no sacrifício através do qual nos tornamos ricos (2Co 8.9; Fp 2.6-8, Jo 17.5).
  • A oferta de manjares tipificava o sofrimento perfeito de Cristo. Muitas são as características dessas ofertas (Lv 2.1-16; 6.14,23). Para se obter uma farinha de qualidade, era necessário um esmagamento do trigo. Isto faz lembrar o sofrimento de Jesus na cruz. O fogo usado nesta oferta descreve a prova de seu sofrimento até a morte (Mt 27.45,46, Hb 2.18) e o incenso aponta para a fragrância de sua vida diante de Deus. A ausência de fermento neste sacrifício tem a ver com sua atitude para com a verdade (Jo 14.6). O azeite que era colocado por cima aponta para unção do Espírito Santo (Jo 1.1-32, 6.27), e o sal explicita a pungência da verdade de Deus àquilo que impede a ação do fermento e simboliza a eterna e incorrupta aliança com Deus.
  • A oferta pacífica tipificava a paz de Cristo. O termo “pacífico” traduzido é “shelami” do verbo “shalom” e significa “ser completo, estar em paz, fazer paz”. Por outro lado, podia reafirmar a comunhão com Deus. Era a festa de comunhão daqueles que andavam em harmonia com o Senhor, e com o próximo. Em Cristo, Deus e o pecador se encontram em paz. Toda a obra de Cristo em relação a paz do crente está aqui tipificada (Lv 3.1-17, 7.11-33). A oferta pacífica representa a comunhão com Deus, pois Cristo trouxe a paz (Cl 1.20), proclamou a paz (Ef 2.17), e Ele é a própria paz do cristão (Ef 2.14).
  • A oferta pelo pecado tipificava a substituição de Cristo. A oferta pelo pecado simboliza Cristo levando o pecado do homem (Lv 4.1-35), isto é, Cristo ocupando absolutamente o lugar do pecador (Is 53; Sl 22, Mt 26.28, 1Pe 2.24), Ele foi “feito pecado pelo pecador”. As ofertas pelo pecado são expiatórias, substitutivas e eficazes (Lv 4.12,29,35). A oferta pelo pecado é queimada fora do arraial e tipifica o aspecto da morte de Cristo fora da cidade.

IV – AS CINCO OFERTAS DE LEVÍTICO E A APLICAÇÃO COM A IGREJA

  • A oferta queimada (Lv 1.1-17). Esta representa a consagração total, pois o adorador voluntariamente oferecia esta oferta e todo o animal que ele sacrificasse era consumido no altar. Tudo pertence a Deus, e devemos estar dispostos a dar tudo a ele. Paulo se refere a isso como um “sacrifício vivo” (Rm 12.1).
  • A oferta de alimentos (Lv 2.1-16). Esta oferta era oferecida a Deus em gratidão por suas bênçãos. Esta deveria ser das primícias. Esta oferta ilustra a importância de retribuir a Deus com um coração de gratidão pela vida que Ele nos deu.
  • A oferta de sacrifício pacífico (Lv 1-17). Esta deveria ser colocada sobre as cinzas do holocausto. Ela repousava sobre o trabalho do sacrifício feito anteriormente. Podemos ter paz com Deus somente porque Jesus voluntariamente se entregou a Deus na cruz (Rm 5.1 comparar Is 53.7).
  • A oferta pelo pecado (Lv 4.1 – 5.13). Este era para o pecado que foi cometido na ignorância. Era para cobrir o pecado não intencional. Quando nos aproximamos de Deus, precisamos ser lembrados de que na melhor das hipóteses nós ainda somos pecadores diante de Deus e que a nossa única base para a aproximação com ele é através do sacrifício de Jesus Cristo (Hb 10.19,20).
  • A oferta pela culpa (Lv 5.14 – 6.7). Esta oferta era para pecados específicos que foram cometidos intencionalmente. A diferença entre esta e a oferta pelo pecado é que essa exigia a restituição. Não se pode, com razão, adorar se abrigamos pecado em nossa vida, ou mesmo pecado confessado que não foi feito corretamente.

CONCLUSÃO

O Antigo Testamento mostra o povo de Deus adorando a Deus por um reconhecimento de seu pecado, uma confiança em Sua graça, e uma apreciação por Sua bondade, e isso retrata como a nossa adoração deve ser hoje.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico.
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • KESSLER, N. O culto e suas formas. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

Levítico, adoração e serviço ao Senhor

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3º TRIMESTRE 2018

ADORAÇÃO, SANTIDADE E SERVIÇO

Os princípios de Deus para sua igreja em Levítico

COMENTARISTA: Pr. Douglas Baptista

LIÇÃO 01 – LEVÍTICO, ADORAÇÃO E SERVIÇO AO SENHOR – (Lv 27.28-34)

 INTRODUÇÃO

Neste terceiro trimestre de 2018, estudaremos o tema: “Adoração, Santidade e Serviço – os princípios de Deus para a sua Igreja em Levítico”. Nesta primeira lição introduziremos o assunto trazendo importantes informações sobre este importante livro do AT, destacando suas características e quais ensinamentos podemos extrair dele sob a perspectiva da Nova Aliança.

I – INFORMAÇÕES A RESPEITO DO LIVRO DE LEVÍTICO

  • Levítico é o terceiro livro do Pentateuco, chamado em hebraico “Wayyiqra”, que é a palavra inicial do livro e significa “E chamou […]” (Lv 1.1) segundo o costume judeu de intitular muitos dos livros do AT por sua primeira ou primeiras palavras (Gn 1.1; Êx 1.1). O título “Levítico” que significa: “relativo aos levitas”, derivou-se da Vulgata Latina (Tradução da Bíblia do grego para o Latim), que por sua vez pegou emprestado o vocábulo da Septuaginta (Tradução do AT para o grego). O nome Levítico foi atribuído ao livro devido ao fato de que nele é descrito o sistema de adoração e conduta levítica (CHAMPLIN, 2001, p. 477 – acréscimo nosso).
  • A autoria de Moisés é confirmada no próprio livro pelo fato de o texto declarar cinquenta e seis vezes: “Disse o Senhor a Moisés” (Lv 16.2; 21.1; Dt 1.1). Portanto, nenhum outro livro da Bíblia tem uma confirmação tão acentuada da autoria mosaica como este. Os cinco primeiros livros da Bíblia são citados nos livros do AT como obra de Moisés (Js 1.7,8; 23.6; 1Rs 2.3; 2Rs 14.6; Ed 3.2; 6.18; Ne 8.1; Dn 9.11-13). Após curar o leproso, Jesus orientou que este fosse ao sacerdote e apresentasse a oferta que Moisés havia determinado (Mt 8.1-4). Tal procedimento encontra-se no Livro de Levitíco (Lv 14.3,10). Os escritores do NT estão de pleno acordo com os do AT. Falam dos cinco livros em geral como “a lei de Moisés” (At 13.39; 15.5; Hb 10.28).
  • Data e assunto. Levítico é o terceiro livro do AT. Ele foi escrito aproximadamente em 1440 a.C. (ELISSEN, 1984, p. 25). Levítico apresenta o plano de Deus para ensinar o Seu povo escolhido a se aproximar dEle de maneira santa. Destaque especial foi dado às funções sacerdotais, tomando reverente e santa esta aproximação a Deus. Assim, este livro apresenta o ofício sacerdotal ou “levítico”, ao qual foram feitas referências no Novo Testamento em Hebreus 7.11, onde o termo “sacerdócio levítico” se encontra (MOODY, sd, p. 01).
  • Sua relação com os outros livros do Pentateuco. É importante verificar a mensagem de Levítico para acompanharmos a progressão do Pentateuco. Gênesis nos conta o chamado do patriarca Abraão e a eleição de sua família para exercer a função de concerto na história humana. Êxodo narra a grandiosa libertação dos descendentes de Abraão, os israelitas, da escravidão do Egito e o estabelecimento do concerto de Deus com este povo no Sinai. Êxodo também expõe o caráter legal deste concerto e o testemunho do concerto no Tabernáculo e o culto a ser administrado ali. Levítico é um tipo de manual dado aos sacerdotes e ao povo de Israel para que soubessem fazer a adoração exigida pelo concerto de maneira eficaz e aceitável ao Deus de Israel (BEACON, 2006, p. 254).
  • Seu cumprimento no Novo Testamento. Citado por cerca de quarenta vezes no Novo Testamento, Levítico, era o primeiro livro estudado pelas crianças judias; no entanto, com frequência, é o último dos livros da Bíblia a ser estudado pelos cristãos. Muitas passagens do Novo Testamento, incluindo alguns conceitos-chaves da epístola aos Hebreus, não podem ser devidamente avaliadas se não tivermos um claro entendimento de suas contrapartidas no livro de Levítico. A afinidade entre Levítico e o Novo Testamento se torna óbvia no livro de Hebreus, considerado por alguns um comentário sobre Levítico no Novo Testamento (CHAMPLIN, 2001, p. 479).
  • A importância de Levítico. Quando Jesus falou o segundo mandamento que resume toda a Lei, Ele citou Levítico 19.18 que diz: “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR” (Mc 12.31; Lc 10.27). Paulo também fez citação desta parte de Levítico em suas epístolas (Rm 13.9; Gl 5.14). O apóstolo Pedro por sua vez, quando exorta aos cristãos sobre andar em santidade faz uma clara citação do Livro de Levítico. Compare (Lv 11.44; 20.26; 1Pe 1.16). Levítico 19 costuma ser chamado de o “Sermão do Monte” do Antigo Testamento (ELISSEN, 1993, p. 41).

II – CARACTERÍSTICAS DO LIVRO DE LEVÍTICO

  • O livro dos sacrifícios. Em Levítico estão listados os cinco principais sacrifícios que os israelitas faziam para Deus a fim de terem os pecados perdoados e o relacionamento com Deus restaurado. Vejamos:

OFERTA

PROPÓSITO

SIGNIFICADO

Holocausto (Lv 1)

Expiar os pecados em geral

Mostrava devoção a Deus

Oferta de manjares (Lv 2)

Demonstrar honra e respeito a Deus

Reconhecia que todos pertencemos a Deus

Sacrifício pacífico (Lv 3)

Expressar gratidão a Deus

Simbolizava paz e comunhão com Deus

 

Oferta pelo pecado (Lv 4)

Pagar pelo pecado cometido, involuntariamente por ignorância, negligência ou imprudência

Restabelecia a comunhão do pecador com Deus; mostrava a gravidade do pecado

Oferta pela culpa (Lv 5)

Pagar pelos pecados cometidos contra Deus e as pessoas

Provia compensações para as partes lesadas

  • O livro da santidade. A palavra “santo” consta setenta e três vezes no livro. O tabernáculo e seus móveis eram santos (Lv 8.10,11), santos os sacerdotes (Lv 8.12,13), santas as suas vestimentas (Lv 16.4,32), santas as ofertas (Lv 22.12), santas as festas (Lv 23.2,4), e tudo era santo para que Israel fosse santo (Lv 20.26). A santidade de Deus impõe leis concernentes às ofertas, ao alimento, à purificação, à castidade, às festividades e outras cerimônias (Lv 1-5; 11-14,18). Somente por seus mediadores, os sacerdotes, pode um povo pecaminoso aproximar-se do Deus santo. Tudo isto ensinou aos hebreus que o pecado é que afasta o homem de Deus, que Deus exige a santidade e que só o sangue espargido sobre o altar pode expiar a culpa (Lv 17.11). De modo que Levítico fala de santidade, mas, ao mesmo tempo, fala da graça, ou possibilidade de obter perdão por meio de sacrifícios (HOFF, 1995, p. 77 – acréscimo nosso).
  • O livro da vocação sacerdotal. Os filhos de Levi, eram antes uma tribo comum, mas que foi separada pelo Senhor para exercer as funções no Tabernáculo (Nm 8.14-17; 18.2-4,6). As obrigações menores, algumas até manuais, como de limpeza, arranjo e arrumação no templo, cabiam aos levitas não sacerdotais (1Cr 15.2). Deus separou para esta função os três filhos de Levi: Gérson, Coate e Merari (Nm 26.57). Desta tribo também Deus separou Arão e seus filhos para oficiarem o sacerdócio (Êx 28.1-3; Lv 8-10; Dt 18.5,7).

III – O QUE APRENDEMOS COM O LIVRO DE LEVÍTICO

O teor do livro revela os princípios básicos da religião do Antigo Testamento. E, para quem conhece o Novo Testamento, não é difícil identificar nele as raízes da teologia cristã. Talvez a expressão não esteja tão desenvolvida quanto a encontrada no Novo Testamento, mas os princípios são notavelmente os mesmos. Vejamos:

  • O pecador só pode ser absolvido de forma substitutiva. Deus ordenou que nos sacrifícios pelo pecado um animal deveria morrer no lugar do pecador (Lv 1.4). Embora os sacrifícios realizados no sistema levítico desempenharam importante papel no AT, eram insuficientes para redimir o homem, representando apenas a “sombra dos bens vindouros” (Hb 10.1). Os profetas do AT já haviam vaticinado sobre isso (Is 1.11-15; Jr 7.21-23; Mq 6.6-8). Deus falou sobre a necessidade de um sacrifício superior que teve seu cumprimento cabal em Cristo (Sl 40.6-8; Hb 10.5-10). Jesus Cristo morreu de forma substituta pelo pecador a fim de que este fosse aceito por Deus (Is 53.4,5; 2 Co 5.21; 1Pe 2.24).
  • A expiação da alma só pode acontecer com sangue. No livro de Levítico está escrito que o sangue faz expiação pela alma (Lv 17.11). O escritor aos hebreus asseverou também que “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9.22). O sangue dos sacrifícios do Antigo Concerto apenas cobriam os pecados, enquanto que o sangue do sacrifício do Novo Concerto, o de Cristo, purifica de todo pecado (Mt 26.28; Hb 9.13,14; 10.4,10; 1Jo 1.7; Ap 1.5; 7.14).
  • A provisão do sacrifício pelo pecador é feita por Deus. O que o pecador oferecia para ser sacrificado em seu lugar, era um ato providencial da parte de Deus. Tal atitude é ensinada claramente em toda Bíblia que o sacrifício pelos pecados do homem foi suprido pelo próprio Deus, o Seu Filho Unigênito (Is 7.14; 53.4,5; Jo 3.16; 6.51).
  • Exige-se do povo de Deus uma vida santificada. Levítico também nos ensina que Deus exige do Seu povo santificação em todas as áreas da vida (Lv 11.44; 20.26). Tal ensinamento também está bem presente no NT, que exige um comportamento santo daqueles que professam a sua fé em Cristo (1Ts 4.7; Tt 2.12; Hb 12.14; 1Pe 1.15,16).

CONCLUSÃO

O Livro de Levítico revela em seu conteúdo princípios que também são ensinados no NT. Logo, devemos nos dedicar a sua leitura, meditação e prática, a fim de que possamos progredir agradando a Deus.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
  • APLICAÇÃO        Comentário        do       Novo Testamento.CPAD.
  • CHAMPLIN, R. N. O Antigo Testamento Interpretado – Gênesis a Números.
  • ELISSEN, Stanley. Conheça melhor o Antigo.VIDA.
  • HOFF, Paul. O Pentateuco.
  • HOWARD, R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon.
  • MOODY, D. L. Comentário Bíblico de Levítico.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

Ética Cristã e redes sociais

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2º TRIMESTRE 2018

VALORES CRISTÃOS

Enfrentando as questões morais de nosso tempo

COMENTARISTA: Pr. Douglas Baptista

LIÇÃO 13 – ÉTICA CRISTÃ E REDES SOCIAIS – (Pv 4.10-15)

INTRODUÇÃO

Dentre os recursos tecnológicos que podemos usufruir atualmente, um deles é a Internet. Nesta lição mostraremos que esta ferramenta promove a informação e a interação social; veremos também qual a postura ética cristã que devemos ter no uso das redes sociais; e, como utilizar a internet para a glória de Deus.

I  – A MODERNIDADE E O AVANÇO DA TECNOLOGIA

Modernidade é definida como um período ou condição identificado com a Era Progressiva, a Revolução Industrial, ou o Iluminismo. Esta presente Era é caracterizada pelo avanço tecnológico, crescimento e desenvolvimento do conhecimento científico. Portanto, não podemos nos esquivar disso, ficando alienados a modernização. É necessário entender que a tecnologia em si, não é nem boa nem ruim, pois apenas é um instrumento que leva à informação às pessoas, agilizando e facilitando a vida em sociedade. Quando colocada a serviço de Deus, é uma benção, porém, quando a serviço do diabo, uma maldição (Tt 1.5). Vejamos algumas sugestões práticas que o cristão deve observar na utilização da mídia:

  • O cristão deve administrar bem o seu tempo para não desperdiçá-lo com coisas triviais (1Co 10.31; Ef 5.16);
  • O cristão deve ser criterioso na escolha do que vai ter acesso (Fp 4.8; 1Ts 5.21; 1Co 6.12; 10.23);
  • O cristão deve possuir domínio próprio, que é uma das características do fruto do Espírito (Gl 5.22,23);
  • O cristão deve priorizar as coisas espirituais e não as coisas passageiras (Mt 6.33; Cl 3.1-3);
  • O cristão deve permitir que o evangelho influencie todas as áreas da sua vida (Ef 4.22-32; 1Ts 5.23; 1 Pe 1.15).

II  – INTERNET, UM MEIO DE COMUNICAÇÃO NA SOCIEDADE MODERNA

A internet é, sem dúvida, uma das maiores invenções, na área da comunicação, se tornando numa das grandes representantes de propagação cultural, científica, religiosa, política, filosófica e ideológica, procurando unir a comunicação, a tecnologia com a representação visual. Abaixo destacaremos alguns objetivos da internet e de como podemos utilizar para o bem. Vejamos:

  • Informação. A internet tem contribuído para que a informação chegue ao nosso conhecimento numa velocidade ímpar. Por meio dessa mídia, é possível ficar sabendo das informações, muitas vezes, primeiro do que em outros veículos de comunicação, tais como: rádio, TV e jornal.
  • Com o advento da internet, muitas coisas boas tornaram-se possíveis. Ela encurtou distâncias, uniu pessoas, derrubou muralhas de comunicação e trouxe economia para quem se comunica com pessoas a distância, especialmente em outros países. Hoje, é possível conversar com pessoas em tempo real, vendo e ouvindo.

III – A ÉTICA CRISTÃ E A INTERNET

O mundo hoje está em rede, e muitas pessoas estão “caindo na rede”. Diante disto, nos perguntamos: como a ética cristã orienta sobre qual o comportamento que o cristão como sal da terra e luz do mundo deve evitar no uso da internet? Vejamos:

  • Usar perfil falso. O Facebook é uma rede social com mais de um bilhão de pessoas. Infelizmente nem todos que utilizam esta ferramenta tem intenção honesta. No entanto, do cristão se espera transparência, honestidade e bom caráter. Portanto não convém ao servo de Deus usar um perfil falso, se passando por uma pessoa que realmente não é. A Bíblia condena a hipocrisia (Mt 23.28; 1 Tm 4.2). A palavra “hipócrita” no grego “hupokrites” denota primariamente “aquele que responde”; ou seja, representação, portanto, “ator de palco” (VINE, 2002, p. 691 – acréscimo nosso). Enquanto reprova a hipocrisia, a Escritura louva a sinceridade (Jó 31.6; Pv 2.7; 10.9; 20.7; 1 Co 5.8; Ef 6.24).
  • Frequentar salas de bate papo para namoro. Como através da internet é possível relacionar-se com pessoas em sites de bate papo, não são poucas as pessoas que tentam achar o par perfeito através destes mecanismos. Não é recomendável construir um relacionamento virtual, pois, têm acontecido muito casos enganosos. Se num relacionamento pessoal existe a probabilidade da pessoa sofrer dano, muito maior probabilidade existe num relacionamento construído a distância pela internet. Infelizmente, há até pessoas casadas que estão traindo o cônjuge de forma virtual. “O Facebook é citado como motivo de uma em cada três separações na Grã Bretanha” (CARDOSO, 2012, p. 19). Certa revista de circulação nacional asseverou: “a internet criou uma nova maneira de ser infiel”. A Bíblia, porém, exorta aos jovens solteiros a serem cautelosos e prudentes (Pv 1.4; 7.4; 8.12; 16.16); e, aos casados a serem fiéis ao seu cônjuge (Mt 5.27,28; 19.6; Hb 13.4).
  • Compartilhar mensagens, áudios e vídeos que não condizem com a fé cristã. Existem circulando na internet inúmeras mensagens, áudios e vídeos que afrontam diretamente a Bíblia e os princípios nela É inevitável que alguns contatos que temos não nos enviem tais conteúdos, no entanto, é perfeitamente claro que não devemos vê-los, tampouco, espalhar para outros, pois tais conteúdos em nada contribuem para que o Nome de Jesus seja glorificado: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus(1 Co 10.31).
  • Ter cuidado para não acessar sites pornográficos. Pornografia “é a representação, por quaisquer meios, de cenas ou objetos obscenos, destinados a serem apresentados a um público e também expor práticas sexuais diversas, com o intuito de despertar desejo sexual no observador” (RENOVATO, 2013, p. 49). Com o advento da internet, a pornografia tomou proporções mundiais e fora de qualquer controle, ficando mais acessível por meio de smartphone e computador, trazendo destruição física, psíquica, moral e espiritual, tanto na vida de solteiros quanto casados. Quanto aos males da pornografia é bom destacar que “o pecado virtual e secreto é comparado ao cupim que se infiltra no tronco da árvore” (SENNA, 2013,103). A Bíblia nos adverte quanto a santificação do corpo (Êx 20.14,17; Sl 101.3; 1 Co 6.18-20; Fp 4.8; 1 Ts 4.1-3).
  • Criar ou compartilhar frases, imagens ou vídeos jocosos contra a qualquer povo, sociedade, entidade e pessoas. Paulo lista várias obras da carne que o cristão não deve praticar, dentre elas as parvoíces (Ef 5.4). A palavra “parvoíce” segundo o Houaiss (2001, p. 2141) significa: “idiotice, imbecilidade”. Também não convém ao cristão utilizar a internet para mexericos, pois esta atitude é reprovável diante de Deus (Lv 19.16; 2 Co 12.20).
  • Debater assuntos teológicos ou procurar aconselhamento. Há muitos cristãos que estão utilizando a internet para discutir assuntos teológicos e com esta atitude provocam muitos malefícios e confusão. O apóstolo Paulo disse que os que se dão a discussão, o fazem “querendo ser mestres da lei, e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam” (1Tm 1.7). Devemos primar pelo aprendizado da Palavra de Deus no culto de doutrina, frequentando regularmente a EBD da congregação mais próxima e nos estudos devocionais (Sl 1.1-3; 27.4; Ef 4.11,12). Quanto a buscar aconselhamento, o cristão não deve jamais deixar ser “apascentado” por youtubers, mas em caso de necessidade deve procurar o seu pastor que foi constituído por Deus para este fim (Ef 4.11,12; Hb 13.7,17).
  • Falta de privacidade e pudor. As redes sociais exploram muito as imagens e infelizmente não são poucos que estão comprometendo a sua privacidade se expondo demasiadamente. Não podemos estar desatentos aos que podem estar acessando maliciosamente as nossas informações com fins perversos. A Bíblia tanto orienta a privacidade quanto ao pudor (1 Tm 2.9; Tt 2.3,4). Por isso, não convém expormos a nossa intimidade de forma tão banal. O cristão precisa usar de forma sábia as redes sociais e só compartilhar fotos que honrem a Deus e a sua família, pois as bênçãos de Deus para o lar restringe-se aqueles que temem ao Senhor (Sl 128.1).
  • Dependência tecnológica. A internet em si não é má e pode contribuir para o bem e para promoção do evangelho. No entanto, não podemos negar também que, se usada de forma descontrolada, poderá se tornar um vício destrutivo na vida de qualquer pessoa. Já existem clínicas de tratamento para viciados em tecnologia. Pessoas passam horas a fio na frente do computador, deixando até de se alimentar com regularidade. Especialistas afirmam que “o vício pela internet e por equipamentos eletrônicos pode ser tão forte quanto a dependência química. Por isso, há pessoas que estão ficando on-line no virtual e off-line na vida real. Outro grande mal no uso desta ferramenta tem sido a substituição do diálogo real pelo diálogo virtual. Tal prática está destruindo a interação social, familiar, entre amigos, e, na igreja. Há pessoas que não sabem mais o que é sentar na mesa na hora da refeição e colocar a conversa em dia, em família. Precisamos cultivar o diálogo e o relacionamento familiar, pois isto é muito salutar (Sl 133.1; Ec 4.9-12).

IV – UTILIZANDO A INTERNET PARA A GLÓRIA DE DEUS

A internet é usada pelas pessoas por diversos motivos, a saber: (a) pesquisa; (b) entretenimento; e, (c) trabalho. Sabedores de que diversas pessoas transitam por este veículo, devemos utilizá-lo da seguinte forma:

  • Levando a mensagem de Cristo ao maior número de internautas. Esta mensagem é: (a) as boas novas vindas do céu (Mt. 4.16; Is 9.2; Lc 2.10-a; Rm 3.21); (b) que traz alegria (Lc 2.10-b); (c) alcança todos os homens (Lc 2.10-c; Rm 1.16); e (d) fala de salvação em Cristo (Lc 2.11; Rm 1.16). Aproveitemos os contatos que temos pelas redes sociais e proclamemos o evangelho de Cristo (Mt 28.19; Mc 16.15; Lc 24.45-49; Jo 20.21-23; At. 1.1-5,8; Tt 2.11);
  • Promovendo edificação dos irmãos. Um simples versículo enviado aos nossos contatos todos os dias, sem sombra de dúvidas, é uma ferramenta poderosa na edificação, pois a Palavra de Deus é: (a) viva e eficaz (Hb 4.12); (b) não torna vazia (Is 55.11); (c) infalível (Jo 10.35); e, (d) inspirada (2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21).

CONCLUSÃO

Infelizmente, não são poucos aqueles que destroem a sua vida moral e espiritual na utilização da internet. Como cristãos devemos ter cuidado para não prejudicarmos a nossa comunhão com Deus, que exige que sejamos santos.

REFERÊNCIAS

  • CARDOSO, Renato & Cristiane. Casamento Blindado. THOMAS
  • HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. OBJETIVA.
  • RENOVATO, Elinaldo. A Família Cristã e os ataques do inimigo.
  • SENNA, Arnaldo. Alerta Geral: seu filho pode estar brincando com o perigo.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • VINE, W.E, et al. Dicionário Vine. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

PRÓXIMO TRIMESTRE

Lições Bíblicas 3° Trimestre de 2018, Adultos – CPAD.

TÍTULO: Adoração, Santidade e Serviço.

Subtítulo: Os Princípios de Deus para a sua Igreja em Levítico

Comentarista: Claudionor de Andrade

Revista: Do Professor

Classe: Adultos

LIÇÕES

Lição: 1 – Levítico, Adoração e Serviço ao Senhor

Lição: 2- A Beleza e a Glória do Culto Levítico

Lição: 3- Os Ministros do Culto Levítico

Lição: 4 – A Função Social dos Sacerdotes

Lição: 5 – Santidade ao Senhor

Lição: 6 – A Doutrina do Culto Levítico

Lição: 7- Fogo Estranho Diante de Deus

Lição: 8- A Sobriedade na Obra de Deus

Lição: 9 – Jesus, o Holocausto Perfeito

Lição: 10 – Ofertas Pacíficas para um Deus de Paz

Lição: 11- A Lâmpada Arderá Continuamente

Lição: 12 – Os Pães da Proposição

Lição: 13 – As Orações dos Santos no Altar de Ouro

Lição: 14 – Entre a Páscoa e o Pentecostes

 

Ética Cristã e política

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2º TRIMESTRE 2018

VALORES CRISTÃOS

Enfrentando as questões morais de nosso tempo

COMENTARISTA: Pr. Douglas Baptista

LIÇÃO 12 – ÉTICA CRISTÃ E POLÍTICA – (Rm 13.1-7)

INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos o importante assunto sobre ética cristã e política; para tanto, veremos a definição e conceito básico da palavra política; elencaremos exemplos bíblicos de servos de Deus, cuja participação se deu na esfera política; bem como, qual deve ser a conduta do cristão no exercício de seu direito de votar; e, por fim, destacaremos ainda qual a postura e deveres cristãos exigidos por Deus em relação ao Estado.

I  – DEFINIÇÃO E CONCEITO DA PALAVRA POLÍTICA

O vocábulo política vem do grego “polis”, que significa: “cidade”. A conotação do termo é muito abrangente, envolve as formas de governo e o Estado. Indica não apenas os procedimentos de governar e organizar o Estado, mas também os direitos e deveres do cidadão em participar, concordar ou discordar do governo (BOMENY apud BAPTISTA, 2018, p. 134). Houaiss diz que política é: “arte ou ciência de governar; ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados” (2001, p. 2253). A política nasceu na Grécia Antiga como a “ciência ou arte de governar. O surgimento da pólis (cidade-estado) constituída por um aglomerado de cidadãos livres, que abrangia toda a vida pública e social, despertou a necessidade de como deveria ser governada a pólis. Política pode ser entendida também como: “o conhecimento, a participação, a defesa e a gestão dos negócios da pólis (cidade-estado na Grécia) ” (BAPTISTA, 2018, p. 134).

II  – EXEMPLOS BÍBLICOS DE HOMENS A SERVIÇO DE DEUS NA POLÍTICA

Podemos observar na Bíblia alguns homens que conduziram com sabedoria e obediência a Deus cargos públicos, administrativos e políticos; ficando claro que não há nenhuma incompatibilidade entre ser um autêntico cristão e exercer uma função política. A exemplo podemos citar:

  • Daniel governador na Babilônia. Os oficiais do reino são citados em ordem decrescente de importância. Os sátrapas eram os chefes oficiais das províncias do império e Daniel era um dos governadores da Babilônia (Dn 2.48). Daniel na Babilônia foi o principal entre os príncipes, nomeado pelo rei Dario, e trabalhou de maneira tão exemplar que estava cotado para ser o governante sobre todo o reino (Dn 6.1-3). Ele foi um homem eminente conhecido por sua integridade, e também pela sua formação, estava apto a atuar na esfera governamental (Dn 17,19,20), e, pelo caráter como homem de Deus, foi um exemplo de gestor e conselheiro (Dn 5.10-12). A Bíblia diz que o rei Dario tinha a intenção de torná-lo um funcionário público de maior destaque ainda (Dn 6.1-3). De fato, ele era um homem notável de comprovada integridade moral e espiritual (Dn 6.4,5). Daniel foi um exemplo de administrador público em toda a sua vida: “é possível ser um homem ou mulher que tome decisões que agradem a Deus inclusive nos meios políticos e governamentais”.
  • José governador no Egito. José foi nomeado governador do Egito (Gn 41.38-44). Deus o exaltou, levando-o à presença de Faraó, onde foi colocado como o segundo homem no comando político do Egito. Após chegar a uma posição de destaque José teve de lidar com a política egípcia para colocar seus projetos em voga conseguindo estocar alimentos para os períodos de fome na terra (Gn 41.48,49). É possível a uma pessoa, em posição de autoridade no mundo político, ser íntegra e trabalhar pelo povo honestamente.
  • Neemias governador no reino Medo-persa. No reinado de Artaxerxes, rei da Pérsia, Esdras destacou-se como líder sobre seu povo (Ed 7 a 10). Neemias, um copeiro de confiança do Rei foi designado para reconstruir Jerusalém, tornando- se governador do reino Medo-persa (Ne 5.14; 10.1), sobretudo um político temente a Deus, destacando-se entre os que exerciam vida pública (Ne 5.15-18).

III – O CRISTÃO E O USO CORRETO DO SEU DIREITO DE VOTAR

Como o cristão está situado no meio social, político e econômico devemos lembrar-nos do nosso direito de escolher nossos representantes. Por isso é de grande importância que o cristão saiba exercer corretamente esse direito no momento da escolha. Todos devemos analisar as propostas dos candidatos e também pedir orientação a Deus inclusive na hora de eleger uma pessoa para um cargo político, com perfil sério, que sejam honestos e cumpridor de seus deveres (Pv 29.2). Vejamos algumas atitudes do cristão como eleitor. Notemos:

  • Orar e analisar antes de votar. Antes de qualquer decisão, o crente em Jesus deve orar a Deus, pedindo sua direção pois um voto errado pode ser motivo de tristeza, frustração e arrependimento tardio. É votar por fé, pois “tudo o que não é de fé é pecado” (Rm 14.23). Existem casos de crentes que votaram em alguém, e depois choraram de amargura pelos prejuízos que sofreram; visto que os representantes que escolheram além de não trazer benefícios sociais, afrontam a sua fé. O grande diferencial está no modo de governar daqueles que temem a Deus e dos que não temem (Jó 24.2-4; Pv 28.28).
  • Não negociar seu voto. O voto é uma arma de grande valor, e diante dos candidatos, o cristão jamais deve aceitar vender seu voto. Isso é antiético para um cidadão do céu e revela um profundo subdesenvolvimento cultural. É de grande importância que o servo ou serva de Deus saiba exercer o seu direito, quando do momento das eleições municipais, estaduais ou federais. É hora de mostrar que é cidadão do céu, exercendo um direito de cidadão da terra. Como tal, lembrar-se de que é sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13,14).
  • Evitar o voto irresponsável. A Bíblia é realista: “Quando os ímpios sobem, os homens se escondem, mas, quando eles perecem, os justos se multiplicam” (Pv 28.28). Quando são eleitos ímpios, homens carnais, materialistas, infiéis aos compromissos, soberbos, corruptos, ingratos, insolentes e insensíveis, os quais, não querem servir e sim serem servidos, não temem a Deus e nem respeitam o próximo (Lc 18.2). Quando os tais são escolhidos, os verdadeiros homens de bem desaparecem de cena. Nem todo descrente é ímpio no sentido em que estamos usando o termo. Todo ímpio é incrédulo, mas nem todo incrédulo é ímpio. Há não evangélicos que são homens de bem. E há os que se dizem evangélicos que não são honestos. Se não houver um candidato com perfil cristão, o crente deve votar em um cidadão de boa reputação. A Bíblia nos apresenta o princípio de examinar tudo e ficar com o bem (1Ts 5.21).

IV – O CRISTÃO E SEUS DEVERES EM RELAÇÃO AO ESTADO

Estado basicamente, é a sociedade politicamente organizada num território, sob a égide das mesmas leis (ANDRADE, 2017, p. 171). A palavra latina que deu origem ao termo “estado”, é “status”, que quer dizer: “posição”; “ficar de pé” (CHAMPLIN, 2004, p. 525). De acordo com Houaiss Estado é: “o conjunto das instituições (governo, forças armadas, funcionalismo público, etc.) que controlam e administram uma nação” (2001, p. 1244). O Novo Testamento descreve o Estado como um instrumento de Deus para produzir certa medida de justiça e de ordem na sociedade, razão pela qual o Estado deve ser obedecido e respeitado (Rm 13.1-7). Jesus distinguiu as esferas da fé religiosa e do Estado, ordenando diligência em ambas (Mt 22.15-22). Um homem, como é óbvio, precisa atuar em ambas essas esferas. Entre tantas considerações quanto a esta relação do cristão com o Estado, pontuamos algumas:

  • O cristão pode e deve exercer funções políticas. O cristão, como cidadão brasileiro, tanto pode votar, como candidatar-se a cargos eletivos. Sendo um direito público subjetivo de natureza política, o sufrágio (processo de escolha por votação), decorre naturalmente de nossa condição de cidadão, pelo que, como cidadãos cristãos, podemos votar, ser votados e participar da organização e da atividade do poder estatal. “Temos na Lei de Moisés a base e a estrutura social e política do Estado” (SOARES, 2017, p. 85). É bom lembrar o que diz a Bíblia: “Não havendo sábia direção, o povo cai, mas, na multidão de conselheiros, há segurança” (Pv 11.14). Ninguém melhor que um servo de Deus, para ter “sábia direção” na condução de cargos públicos, administrativos ou políticos. Os cidadãos cristãos precisam orar a Deus para que levante candidatos que honrem Seu nome ao serem eleitos, pois: “Quando os justos triunfam, há grande alegria; mas, quando os ímpios sobem, os homens escondem-se” (Pv 28.12). Quer na vida particular, quer na pública, deve o cristão ser um exemplo de lisura e incorruptibilidade, principalmente se exercer algum cargo eletivo (ANDRADE, 2015, p. 218).
  • O cristão deve submissão “condicional” ao Estado. Como discípulos de Cristo, devemos exercer plena e exemplarmente a nossa cidadania terrena, pois somente assim viremos a glorificar o Pai Celeste, afinal, somos representantes do Reino de Deus. É o ensinamento bíblico que aponta os deveres do cidadão às leis e deliberações do governo secular. Estas são as principais obrigações do cristão numa sociedade politicamente organizada: orar e promover a paz da cidade (Jr 29.7); honrar os governantes: “Portanto, dai a cada um o que deveis […] a quem honra, honra” (Rm 13.7); submeter-se às autoridades: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores […]” (Rm 13.1); e, pagar impostos (Mt 22.21; Mc 12.17; Rm 13.7). Enquanto organização civil, a Igreja está submetida ao Estado, porém, tendo como limite de tal submissão os preceitos bíblicos, de sorte que, em caso de conflito entre as normas emanadas do Estado e a Bíblia, esta prevalece sobre aquelas: “[…] mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29).
  • O cristão deve orar pelas autoridades constituídas. As orações em favor dos governantes, isto é, presidência da república, senadores, governadores, deputados federais, deputados estaduais, prefeitos e vereadores, etc, devem visar três coisas: (a) a salvação deles (1 Tm 2.4,5); (b) um “bom governo”, pois devemos enquanto cidadãos obedecer às autoridades civis, desde que não infira o princípio da moral (Rm 13.1-7; At 5.29); e, (c) que não se tornem perseguidores da fé religiosa, conforme com frequência tem sucedido. Os judeus reconhecendo a importância de um tranquilo relacionamento com os governantes seculares, para o benefício da fé e da inquirição espiritual, oravam e sacrificavam por seus governantes (Ed 6.10; Jr 29.7) (CHAMPLIN, 2014, p. 383 – acréscimo nosso).

CONCLUSÃO

A Igreja do Senhor Jesus Cristo vive em sociedade e respeita o Estado, colaborando com as autoridades que o representam na preservação da ordem pública e na formação de cidadãos de caráter íntegro e honesto, produtivos e conscientes de que a autoridade “é ministro de Deus para teu bem” (Rm 13.4).

REFERÊNCIAS

  • Claudionor. As Novas Fronteiras da Ética Cristã. CPAD.
  • BAPTISTA, Douglas. Valores Cristãos: enfrentando as questões morais do nosso tempo.
  • CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

Ética Cristã, vícios e jogos

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2º TRIMESTRE 2018

VALORES CRISTÃOS

Enfrentando as questões morais de nosso tempo

COMENTARISTA: Pr. Douglas Baptista

LIÇÃO 11 – ÉTICA CRISTÃ, VÍCIOS E JOGOS – (Pv 28.1-10)

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos uma breve abordagem sobre os jogos de azar na história e na legislação brasileira, bem como qual é o posicionamento do crente face a ética cristã diante desta prática; pontuaremos quais os princípios bíblicos que são contrários ao uso das drogas; e por fim, analisaremos qual a orientação bíblica quanto ao uso da bebida alcoólica no AT e no NT.

I – OS “JOGOS DE AZAR” NA HISTÓRIA E NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

Uma definição genérica para vício é: “um hábito, ou prática, imoral ou mau; conduta imoral; comportamento depravado e degradante” (HENRY, 2007, p. 596). A expressão “jogos de azar”, para os efeitos penais, é definida como sendo o jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte. O décimo mandamento do Decálogo condena a cobiça, que é a raiz de todos os jogos de azar (Êx 20.17) […] Depositar a esperança na sorte é pecado e implica não confiar na providência divina (Jr 17.5-7) […] pois “o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males” (1Tm 6.10). Para livrar o cristão do sofrimento de tais males, o Senhor nos orienta a ajuntar tesouros nos céus (Mt 6.21) (BAPTISTA, 2018, pp. 127,128). A propaganda das loterias, dos bingos e outros meios da jogatina, ilude os incautos, prometendo-lhes riqueza fácil.

  • Os jogos de azar na história. “De acordo com a definição mais comum, um jogo é um risco que envolve dinheiro, que se pode ganhar ou perder mediante uma aposta […]” (CHAMPLIN, 2010, pp. 568-9). A arqueologia registra que a origem dos “jogos de azar” remonta à Suméria por volta do século III a.C. Os sumérios implantaram um jogo que consistia em um grupo de dados fabricado em ossos de animais com símbolos cunhados nas faces, com valores determinados e específicos. Nesse jogo, o vencedor era aquele que alcançasse uma maior pontuação, arremessando os dados. Essa cultura de jogatina também foi encontrada no Egito com tabuleiros (séc. II a.C.), e na Roma Antiga com o jogo de dados e outros (séc. I a.C.). Historiadores afirmam que esses jogos somente terminavam após um dos participantes perder todos os seus bens, muitos, inclusive, perdiam a liberdade, tornando-se escravos (FERNANDES, 2012 apud BAPTISTA, 2018, p. 124). Todo e qualquer tipo de vício escraviza o ser humano, e com o viciado em jogos não é diferente. Um incontável número de jogadores perdeu tudo o que tinha em apostas variadas; eles não perderam apenas dinheiro, perderam a dignidade, a confiança, o respeito e até a moral.
  • Os jogos de azar e legislação brasileira. Os jogos de azar são classificados como contravenções penais (Art. 50, Decreto- Lei nº 3.688/1941), ou seja, quem joga, presencialmente ou online, ou ainda administra tal serviço está sujeito às penalidades legais […] Existem dois projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional que visam à legalização desses jogos: o projeto de lei nº 442/1991 e o projeto de lei nº 186/2016 (Senado Federal), que deseja legalizar o funcionamento de cassinos, bingos, jogo do bicho e jogos em vídeo (BAPTISTA, 2018, p. 129). Os jogos de azar, assim como o álcool, o cigarro e as demais drogas, causam dependência química e psíquica. A Organização Mundial de Saúde concluiu que jogar faz mal à saúde e incluiu o jogo compulsivo no Código Internacional de Doenças […] Tal como os outros viciados, os jogadores compulsivos tendem ao desenvolvimento de doenças psiquiátricas […] A doença denominada de “ludopatia” refere-se o jogo compulsivo ou patológico, que leva uma pessoa a não poder resistir ao impulso de jogar mais e mais, provocando graves problemas econômicos, psicológicos e familiares (BAPTISTA, 2018, p. 130 – grifo nosso).
  • O crente e os jogos de azar. O cristão precisa adotar uma postura ética contrária a qualquer tipo de jogo de azar. Pelas seguintes razoes: a) O jogo de azar incentiva a ambição, a avareza ou o amor ao dinheiro (Ec 5.10; 1Tm 6.10; Pv 28.22); b) O jogador acaba envolvendo-se em outras práticas ilícitas e passa a confiar mais na “sorte” do que em Deus (Pv 10.22; 13.11; 23.5); c) O jogador é tentado a continuar na jogatina e deixar de se interessar pelo trabalho e a Bíblia manda trabalhar com afinco (Gn 19; Pv 21.25,26; 2Ts 3.10-12; Ef 4.28; 1Co 10.23; Gl 5.13,14; Mt 22.37; 1Ts 5.22; Rm 12.9) ; d) O vício aprisiona a mente e leva a pessoa a uma compulsão, que a obriga a jogar mais e mais, na esperança de superar as perdas e torna o homem escravo do jogo (Cl 3.5); e) O jogo conduz à exploração; f) O jogo associa-se a práticas ilícitas, pois os impostos arrecadados não justificam os males sociais decorrentes da jogatina, que se associa a bebidas, drogas, prostituição e outros vícios; e, g) O jogo de azar prejudica a mordomia familiar trazendo desajustes financeiros (Is 55.2; Jr 17.11; 1Tm 6.9,10).

II – PRINCÍPIOS BÍBLICOS CONTRA OS VÍCIOS

A Bíblia nos diz que: “[…] Ele (Deus) conhece os homens vãos e vê o vício […]” (Jó 11.11). Procuraram algum vício que manchasse a índole de Daniel, mas não acharam: “[…] procuravam achar ocasião contra Daniel […] mas não podiam achar […] porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum vício nem culpa” (Dn 6.4). Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam o alcoolismo como a terceira causa de morte no mundo e define como droga toda a substância que, sendo introduzida no organismo, pode modificar uma ou mais funções, alterando o sistema nervoso com a introdução da dependência física e/ou psíquica do indivíduo (BAPTISTA, 2018, p. 124). A Bíblia é categórica e irredutível: “Não vos embriagueis com vinho em que há contenda […]” (Ef 5.18), Paulo, aqui, não se refere apenas ao efeito entorpecente do vinho, mas a embriaguez provocada por qualquer tipo de bebida (ver ainda Lv 10.9-11; Jz 13.4-7; Pv 31.4; Nm 6.3; Pv 23.29-35; Lc 12.45,46; 1Ts 5.6; Tt 2.2).

2.1 A bebida alcoólica no Antigo Testamento. A Bíblia vê o alcoolismo de modo diferente do mundo. Nela, verificamos que o alcoolismo, a bebedeira e outros vícios, são vistos como atos pecaminosos (Is 5.11,12; 28.1,7). Apreende-se com tal afirmação que o uso do álcool resulta em situações danosas e constrangedoras para a família (Pv 20.1; 23.21,31,32; 31.4,5; Os 4.11; Lc 21.34; Ef 5.18; 1Co 6.10). De acordo com a Bíblia Pentecostal (STAMPS, 1995, p. 241), no AT existem diversas palavras para designar “vinho”. Uma delas é “yayin”, termo usado cerca de 141 vezes, indicando “vários tipos de vinhos fermentados” (Gn 9.20,21; 19.32,33). A expressão “yayin” também se aplica ao “suco doce não-fermentado da uva”. O uso do vinho fermentado sempre foi motivação para práticas ilícitas (Gn 9.20-29; 19.31-38). Por isso, o sacerdote deveria afastar-se da bebida alcoólica (Lv 10.9-11). O “yayin” fermentado é sempre relacionado à embriaguez, “é escarnecedor” (Pv 20.1; 23.31). Outra palavra é “tirosh”, com o significado de “vinho novo”, refere-se à bebida extraída da vide, não-fermentada, ou o suco doce da uva (Dt 11.14; Pv 3.10; Jl 2.24). A palavra “tirosh” aparece cerca de 38 vezes no AT sempre referindo-se ao vinho não-fermentado, onde “tem benção nele” (Is 65.8). A Bíblia faz uma referência quanto ao uso do vinho pelos sacerdotes (Is 28.7-8). O posicionamento do crente a respeito da bebida alcoólica deve ser taxativo, é pecado usar bebida alcoólica, pois a Bíblia não faz concessão à bebedice (Pv 6.27,28; Is 5.11-12).

  • A bebida alcoólica no Novo Testamento. Paulo colocou no mesmo nível de condenação os bêbados, os devassos, os idolatras, os homossexuais e os ladrões, os quais não herdarão o Reino de Deus (1Co 6.9-10; Rm 13.13; 1Pe 3.3-5). Nosso posicionamento deve ser o de total condenação ao álcool. À luz da Palavra, podemos dizer que o alcoolismo é um pecado grave contra o Senhor e contra o corpo que é o templo do Espírito Santo (1Co 6.19-20). O consumo do álcool é tanto um vício como um pecado (Ef 5.18). O apóstolo Paulo ainda recomendou ser: “não dado ao vinho[…]” (1Tm 3.3 ver ainda 1Tm 3.8; Tt 1.7, 2.3). Na Santa Ceia Jesus não tomou vinho embriagante (Mt 26.29), Ele tomou “do fruto da vide” do grego “guenematos tês ampelou, indicando tratar-se do “suco fresco da uva” (Mt 26.29; Mc 14.25; Lc 22.18). Se fosse vinho fermentado (alcoólico) a palavra seria “guenematos tês oinos. O cristão não deve ingerir vinho, cerveja com ou sem álcool, champanhe ou qualquer outra bebida mesmo que seja considerada “leve”, mas, deve “afastar-se da aparência do mal” (1Ts 5.22; 1Pe 3.11 ver Jó 28.28; Sl 34.14; 42.7a; Pv 4.27; 14.16; 27.12). A Bíblia condena a embriaguez e o alcoolismo com veemência. O posicionamento do crente a respeito da bebida alcoólica deve ser taxativo, é pecado usar bebida alcoólica, e a Bíblia não faz concessão à bebedice. O vício é um tipo de suicídio a prestação, onde a pessoa se auto-destroi.
  • As drogas ilícitas e lícitas. O termo “droga” vem do grego “pharmakeia”, de onde vem a palavra farmácia. As drogas podem ser ingeridas, inaladas ou injetadas e quase sempre conduzem o indivíduo à dependência. Existem, pelo menos, dois tipos de drogas: As drogas lícitas que se comercializam livremente, tais como álcool, cigarros e alguns medicamentos; e as drogas ilícitas que são proibidas e são comercializadas clandestinamente, como cocaína, crack, heroína, maconha, etc. Há nas Escrituras várias referências que condenam os vícios e seus funestos resultados (Pv 20.1; 21.7; 31.4; Is 5.22; 28.7; Ef 5.18). Deus condena terminantemente todo tipo de vício, inclusive as drogas. A legislação brasileira se posiciona contra o uso e contra a venda de entorpecentes (Lei nº 11.343/2006). […] o uso de entorpecentes é imoral, antiético, bem como prejudicial à saúde do usuário e das pessoas do seu convívio social (BAPTISTA, 2018, p. 126 – grifo nosso). O fato de não haver de maneira explícita alguma orientação a respeito do fumo (cigarro), a Bíblia não permite, em absoluto, considerar que seu uso seja permitido embora seja uma droga “lícita”. Nem tudo que é lícito convém ao crente mesmo que seja algo legalizado pela legislação (1Co 10.23; 6.12).

III – POR QUE A BÍBLIA CONDENA O USO DE DROGAS ILÍCITAS?

A palavra vício significa: “condição de ser fisiologicamente ou psicologicamente dependente de uma substância viciosa”. As drogas afetam a vida escolar, financeira, profissional, familiar e, principalmente, espiritual. Apesar de a Bíblia não falar especificamente sobre entorpecentes, podemos observar que as Escrituras são contrárias ao seu uso. Vejamos porque:

  • Porque as drogas escravizam e causam sofrimento. As drogas conduzem o ser humano à dependência química e ao vício. Deus não criou o homem para viver dominado pelo vício (Rm 8.5,6). Por isso, o apóstolo Paulo diz que o cristão não deve se deixar dominar por coisa alguma (1Co 6.12). Milhares de pessoas sofrem no mundo por causa das drogas. Salomão diz que a bebida fermentada provoca: brigas (Pv 20.1), pobreza (Pv 23.20,21), contenda (Pv 23.29,30), e injustiça (Pv 31.4,5).
  • Porque as drogas conduzem o homem a perdição. Se não houver o arrependimento e o abandono do vício, os viciados em drogas não herdarão o reino de Deus “[…] bebedices […] os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus” (Gl 5.21). O apóstolo Paulo ainda diz: “bêbados […] não herdarão o reino de Deus” (1Co 6.9,10 ver ainda Rm 13.13; 1Pe 4.3-5).
  • Porque as drogas destroem o corpo. Assim como a prostituição é um pecado deliberado contra o corpo (1Co 6.18-20), também o são as drogas (1Co 3.17). Nosso corpo é propriedade do Criador, e não podemos violar os padrões de vida estabelecidos por Ele, nosso corpo, é templo do Espírito Santo (1Co 6.19). Deus considerava qualquer quantidade de bebida embriagante incompatível com seus elevados padrões de piedade (Pv 23.29-35; 1Tm 3.3; Tt 2.2).
  • Porque as drogas causam sofrimento ao usuário e ao próximo. Apesar de o viciado ser o principal prejudicado pelas drogas (Pv 5.22,23), os familiares sofrem bastante com a situação (Pv 4.17; 23.29-35). É incontestável o fato de que as drogas afastam o homem dos caminhos do Senhor (1Co 6.10; Gl 5.21; 1Pe 4.3). Por trás dos vícios, existe uma influência maligna, com o intuito de escravizar o ser humano e distanciá-lo de Deus. A Bíblia descreve claramente a ação do diabo na humanidade (Jo 10.10; Ef 2.1,2; 1Pe 5.8). A Bíblia adverte a fugir dos desejos da mocidade (2 Tm 2.22).

CONCLUSÃO

Concluímos que a Bíblia enaltece a vida moderada, o trabalho honesto e a boa administração da família. Desse modo, as Escrituras eliminam qualquer possibilidade de o cristão envolver-se na prática dos vícios ou jogos de azar. De igual modo o cristão deve abster-se da prática de todo e qualquer envolvimento com o uso de qualquer droga.

REFERÊNCIAS

  • HENRY, Carl (Org). Dicionário de Ética Cristã. Editora Cultura Cristã.
  • BURNS, J. Uma palavra sobre sexo, drogas & rock’n’ roll.
  • BAPTISTA, Douglas. Valores cristãos.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

Ética Cristã e vida financeira

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2º TRIMESTRE 2018

VALORES CRISTÃOS

Enfrentando as questões morais de nosso tempo

COMENTARISTA: Pr. Douglas Baptista

LIÇÃO 10 – ÉTICA CRISTÃ E VIDA FINANCEIRA – (1 Cr 29.10-14; 1 Tm 6.8-10)

 INTRODUÇÃO

A Bíblia deixa claro que o dinheiro não é mau, mas adverte quanto ao uso correto que devemos fazer dele. Nesta lição trataremos um pouco deste assunto; destacando ainda o que Jesus falou a respeito do dinheiro e das posses; pontuaremos sobre a importância da economia; e, ainda como fazermos uso do dinheiro de forma sábia.

I – A BÍBLIA E O DINHEIRO

O dinheiro em si não representa pecado algum, pois todas as coisas pertencem a Deus, inclusive as riquezas (Ag 2.8). Ele mesmo pode enriquecer alguém (1 Sm 2.7; Pv 10.22). A questão é o uso que se faz do dinheiro ou a perspectiva que o crente tem em relação a ele. Vejamos:

  • A Bíblia adverte quanto a fonte do dinheiro. Todos necessitamos de dinheiro para nos mantermos. No entanto, a Bíblia faz severas exortações quanto a forma correta de obtê-lo. Vivemos em dias extremamente difíceis, onde a corrupção tem sido a prática mais comum entre as pessoas. No Brasil, o “jeitinho brasileiro” é uma frase que alude a desonestidade, e tem sido praticado com o intuito de utilizar de meios desonestos para obter lucros ou vantagens. Devemos ter cuidado quanto a fonte daquilo que pode nos proporcionar dinheiro, riquezas e bens (Pv 11.1; 20.10; Am 2.6). A Bíblia condena por exemplo: o furto (Êx 20.15; Dt 5.19); o suborno (Pv 17.23; Dt 16.19; Mt 26.15); a prostituição (Dt 23.18); mercadejar com os dons ou com o evangelho (2 Rs 5.15,16; At 8.18-22; 1 Tm 6.5; 2 Pe 2.3). O proverbista nos diz: “a riqueza de procedência vã diminuirá, mas quem a ajunta com o próprio trabalho a aumentará” (Pv 13.11). Não vale tudo para se possuir algo. Lembremos dos princípios cristãos da licitude (1 Co 6.12-a), conveniência (1 Co 6.12-b), edificação (1 Co 10.23), e, da glorificação a Deus (1 Co 10.31). Devemos ajuntar pelo trabalho honesto e digno que não viole nenhum princípio bíblico (Sl 128.2; Ec 2.24; 5.18; Ef 4.28).
  • A Bíblia adverte quanto ao uso do dinheiro. Possuir bens e ter dinheiro é bom, e a riqueza em si não é má. O que fazemos com ela pode sim transformar-se em algo danoso. Os ensinamentos de Jesus e dos apóstolos deixam claro que os bens materiais se não forem administrados com sabedoria, para benefício próprio, da obra de Deus e do próximo se constituem num tropeço que poderá impedir o possuidor de entrar no Reino do Céus (Mc 10.23; Lc 6.24; 1 Jo 2.15; Tg 5.1). Nabal, um rico fazendeiro do AT, negou-se ajudar a Davi quando este precisou (1 Sm 25.8-12); o filho pródigo gastou a herança do Pai com o pecado (Lc 15.14,30); outro rico que vestia-se de púrpura, enquanto Lázaro jazia a sua porta comendo migalhas (Lc 16.19-21); o rico insensato se preocupou apenas com o seu bem-estar material e esqueceu da sua alma (Lc 12.16-20). Jó, foi um exemplo de alguém que procurou aliviar o sofrimento alheio com suas posses (Jó 29.13).
  • A Bíblia adverte quanto ao apego ao dinheiro. De fato, a Bíblia condena o amor ao dinheiro, dizendo que é a “raiz de toda espécie de males” (1 Tm 6.10) e não a aquisição dele (Ef 4.28; 1 Ts 4.11). Condena também a confiança nas riquezas (Sl 49.6,7; 52.7; 62.10; Pv 11.28; Jr 9.23; Mc 10.24; 1 Tm 6.17). Vejamos algumas práticas nocivas em relação as riquezas:

MALES

SIGNIFICADO

REFERÊNCIAS

Avareza

Excessivo e sórdido apego ao dinheiro

Pv 15.27; Lc 12.15; Rm 1.29; Ef 5.3;Cl 3.5; Hb 13.5

Orgulho

Conceito elevado ou exagerado de si próprio; amor-próprio demasiado; soberba

Dt 32.15; Pv 21.4; Jr 9.23; Dn 4.29,30

Egoísmo

Amor excessivo ao bem próprio, sem consideração aos interesses alheios

1 Sm 25.1-11; Lc 12.16-21; 2 Tm 3.4

II  – JESUS E O DINHEIRO

A cultura judaica dos dias de Jesus acreditava que riqueza era um sinal de um favor especial de Deus, e que aqueles que a possuíam deveriam ser tratados com deferência (GONÇALVES, 2011, p. 76). Todavia, Jesus explicou que é difícil entrar um rico no Reino dos céus (não impossível, mas difícil) (Mt 19.24). Abaixo destacaremos alguns ensinamentos de Cristo sobre as riquezas:

  • Não devemos buscar as riquezas como prioridade, mas o reino dos céus (Mt 6.33);
  • Não devemos colocar o coração nas coisas materiais, mas nas espirituais (Mt 6.19-21; Lc 12.34);
  • Não devemos ganhar o mundo às custas da alma (Mt 16.26; Mc 8.36);
  • Devemos manter uma perspectiva eterna e juntar tesouros no céu “onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam” (Mt 6.19-21);
  • Devemos ser ricos para com Deus e não apenas financeiramente (Lc 12.21);
  • Devemos ter cuidado com a sedução das riquezas, pois elas podem sufocar a palavra semeada no coração (Mt 13.22; Mc 4.19; Lc 8.14);
  • Devemos ter a nossa vida centrada em Deus e não nas coisas (Mt 6.25-34);
  • Devemos estar satisfeitos com aquilo que temos (Pv 30.7-9; 1 Tm 6.8).

III  – A BÍBLIA E A ECONOMIA

A palavra “economia” segundo o Houaiss significa: “gerenciamento de uma casa, especificamente das despesas domésticas” (HOUAISS, 2001, p. 1097). Um dos aspectos do fruto do Espírito é o domínio próprio (Gl 5.22) que também pode ser traduzido por equilíbrio. Este equilíbrio deve estar presente em todas as áreas da nossa vida, inclusive na financeira. Batista (2018, p. 148) nos diz que: “a saúde financeira não depende de quanto ganhamos, mas de como gastamos o que ganhamos”. Notemos o que a Bíblia nos orienta quanto a economia:

  • Evitemos o desperdício. Nunca devemos comprar o que não necessitamos, e nem gastar além do que ganhamos. Deus não se alegra com o desperdício. Quando Deus mandou que sacrificassem o cordeiro da Páscoa, se a família fosse pequena deveria agregar-se a outra, para que comessem juntas, a fim de não estragar comida (Êx 12.1-4). Na ocasião que enviou o maná para o povo de Israel, os orientou, através de Moisés, que apenas recolhessem a porção diária, o tanto quanto podia comer (Êx 16.14-18). Jesus quando multiplicou pães e peixes, ordenou depois que a multidão comeu, que as sobras fossem recolhidas: “Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca” (Jo 6.12).
  • Planejemos os nossos gastos. Jesus deixou claro que o crente só deve iniciar um empreendimento depois de planejar e ter a certeza de que vai conseguir concluí-lo (Lc 14.28-32). Ainda que neste texto ele estivesse falando sobre a responsabilidade em segui-lo, tal princípio é perfeitamente útil para as demais áreas da vida, inclusive a
  • Economizemos o máximo. Dentro das possibilidades, o crente deve ter uma reserva financeira, visando dias maus que possam lhe sobrevir. Esse princípio fica evidente na administração de José na terra do Egito (Gn 41.33-35). Para que se consiga isso, são necessários equilíbrio e sabedoria por parte do servo de Deus (Pv 12.24; 25.28).

IV – FAZENDO USO DO DINHEIRO DE FORMA SÁBIA

  • Provisão familiar. É responsabilidade do pai ser o provedor do lar (Gn 3.19; Sl 128.1,2), podendo, se necessário, ser auxiliado pela esposa (Gn 2.18; Pv 31.24). A Bíblia também orienta que os pais devem preocupar-se com o futuro dos filhos (Pv 14); como também com o bem-estar dos demais parentes, quando necessário (Êx 20.12; Mt 15.3-6; 1 Tm 5.8).
  • Contribuir com a obra de Deus. A palavra dízimo significa: “décima parte de uma importância ou quantia”. O Dízimo, então, é uma oferta entregue voluntariamente à obra de Deus, constituindo-se da décima parte da renda do adorador. É um ato de fé, amor e devoção àquele que tudo nos concede. A prática do dízimo está registrada antes da Lei (Gn 14.18-20; 28.18-22); na Lei (Nm 18.21-32; Dt 12.1-14; 14.22-29); nos livros poéticos (Pv 3.9); proféticos (Ml 3.10); nos evangelhos (Mt 23.23); e, nas epístolas (1 Co 9.9-14).
  • Pagar as contas pontualmente. É necessário que sejamos cumpridores dos nossos compromissos financeiros. Comprar e não pagar é um ato típico daqueles que não temem a Deus (Hc 2.6,7; Rm 1.31). Fomos chamados para fazer a diferença como sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13,14). Nossas atitudes honestas levam os homens a glorificar a Deus: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.16).
    • Ajudar ao próximo. Atender ao pobre e ao necessitado é um preceito bíblico (Lv 23.22; Dt 15.11; Sl 41.1; 82.3). Nos dias da igreja primitiva, a igreja não só pregava o evangelho, mas também, atendia aqueles que necessitavam de socorro material (Gl 2.9,10). Paulo ensinou claramente que além do sustento pessoal devemos nos preocupar em aliviar o sofrimento alheio “[…] trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade” (Ef 4.28). Ser generoso e solidário também é um dever do cristão (Hb 13.2; Tg 2.14-17; 1 Jo 3.17,18).

CONCLUSÃO

A Bíblia não condena a aquisição de dinheiro e bens, desde que seja de forma lícita. Ela nos instrui também que tudo aquilo que possuímos deve honrar a Deus, deve ser para nosso sustento e para aliviar o sofrimento do próximo.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • GONÇALVES, José. A prosperidade à luz da Bíblia.
  • HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com