A doutrina do culto levítico

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3º TRIMESTRE 2018

ADORAÇÃO, SANTIDADE E SERVIÇO

Os princípios de Deus para sua igreja em Levítico

COMENTARISTA: Pr. Claudionor Correa de Andrade

LIÇÃO 06 – A DOUTRINA DO CULTO LEVÍTICO – (Lv 9.1-14)

INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos uma definição das palavras doutrina e culto; pontuaremos a descrição dos elementos do culto levítico com suas características; analisaremos a doutrina do culto levítico e sua aplicação para a igreja; e por fim, estudaremos os principais elementos do culto cristão.

I – DEFINIÇÃO DA PALAVRA DOUTRINA E CULTO

  • Definição do termo doutrina. No AT, essa palavra ocorre principalmente como tradução do termo hebraico “leqah”, que significa: “o que é recebido” (Dt 32.2; Jó 11.4; Pv 4.2; Is 29.24). O termo doutrina segundo Houaiss (p. 1081) significa: “conjunto coerente de ideias fundamentais a serem transmitidas, ensinadas”. A palavra doutrina significa ainda: “ensino ou instrução”; envolve também a ideia de crença, dogma, conceito ou princípio fundamental ou normativo por detrás de certos atos (CHAMPLIN, 2004, p. 228). No NT o termo deriva-se do grego “didache” (Mt 4.23; 9.35; Rm 12.7; 1Co 4.17; 1Tm 2.12), que expressa tanto o ato de ensino (sentido ativo) como aquilo que é ensinado (sentido passivo). Nesse sentido, a doutrina do culto Levítico tem a ver com os ensinamentos que o povo de Israel precisava aprender, em relação a sua forma, meios e propósitos, na adoração a Deus ().
  • Definição do termo culto. Todas as palavras traduzidas na Bíblia pelo termo culto significam: “trabalho, serviço prestado a um superior, serviço prestado a Deus”. Segundo Houaiss (2001, p. 887), a palavra “culto” deriva do Latim, “cultu”, e significa: “adoração ou homenagem a Deus”. Etimologicamente, o termo indica: “honrar, cultivar, reverenciar respeitosamente […], é o conjunto de atitudes e ritos pelos quais se adora uma divindade […] veneração, reverência, admiração, paixão externa para com alguém” (CLAUDIONOR, 2006, p. 127). Os principais termos que descrevem o ato de “culto” na Bíblia são: “shachah” no hebraico significando: “inclinar-se, prostrar-se”, e no grego as expressões “latréia” e “proskyneo” significando respectivamente: “baixar-se para beijar, prostrar-se para adorar; reverenciar, prestar obediência, render homenagem”.

II – DESCRIÇÃO DOS ELEMENTOS DO CULTO LEVÍTICO

É quase impossível lermos o Pentateuco sem que não nos impressionemos pela estrutura que ganha o culto no judaísmo. Somente uma revelação divina, como a que foi dada a Moisés, justificaria a existência de tantos símbolos presentes na adoração hebraica. O culto levítico era extremamente ritualista, no entanto, era constituído de uma adoração enriquecedora. Notemos isso em alguns elementos do culto:

  • Os ministrantes. Arão e seus filhos haviam obedecido às ordens de Deus quanto a consagração ao sacerdócio, assim sendo, estavam prontos para começar a servir ao Senhor no altar (Lv 9.1). Até esse ponto, era Moisés quem oferecia os sacrifícios (Lv 8.14-29), daqui em diante, Arão e seus filhos assumiram seu ministério sacerdotal (Lv 9.2-12). O capítulo 9 de Levítico, é um referencial da adoração no AT, registra os primeiros sacrifícios públicos de Israel sob o regime do sacerdócio levítico. No capítulo 8, os sacrifícios foram oferecidos na ordenação de Arão e seus filhos, mas o povo ficou só observando; não participou. Agora, os sacerdotes começam de fato o ministério de mediação (Lv 9.15-23) (BEACON, 2010, p. 275 – acréscimo nosso). Os levitas se aposentavam do serviço aos 50 anos de idade, embora continuassem dando assistência (mas sem realizar serviço braçal) aos jovens sucessores (Nm 8.23-26).
  • Os sacrifícios. O ministério mediador de Arão começa quando Moisés o ordena a tomar um bezerro sem defeito, de dois anos, como oferta pelo pecado, e um carneiro para um holocausto, e sacrificá-los diante do SENHOR. Estes dois animais deviam ser oferecidos em prol de Arão e o sacerdócio, e é significante que eram ofertas pelo pecado (Lv 9.7,8,10). A oferta pelo pecado precede naturalmente o holocausto, e indica o modo segundo o qual Deus deseja que os adoradores se aproximem dEle. Antes de mais nada havia a necessidade de purificação do pecado, de tal modo que o transgressor pudesse ficar limpo diante de Deus (Lv 8.14-17; cf. Êx 29.10-14).
  • A liturgia. Um outro ponto que deve ser considerado a respeito do culto a Deus descrito em Levítico, é a sua liturgia; a palavra liturgia advém do grego “leiturgia”, que quer dizer: “serviço divino”, usada frequentemente no contexto de serviço religioso (Lc 1.23; 2Co 9.12; Fp 2.17,30; Hb 8.6; 9.21), podendo ser dito de forma prática que é: “culto público oficiado por uma igreja; um ritual”. Andrade destaca ainda que, liturgia é: “a forma pela qual um culto público é conduzido” (2006, p. 255). Um outro ponto evidente em Levítico, é que o Deus vivente não é uma imagem impotente à qual os homens prestam culto segundo suas ideias, a sua maneira. Somente Ele é quem determina os requisitos (Lv 9.7,10,16), segundo os quais lhe é possível habitar com seu povo (Êx 25.8).

III – A DOUTRINA DO CULTO LEVÍTICO E SUA APLICAÇÃO PARA A IGREJA

O culto no AT apresenta princípios que são perfeitamente aplicáveis a Igreja. Vejamos:

  • O culto cristão é teocêntrico. O culto deve ser realizado dentro de critérios instituídos pelo próprio Deus, bem como ser composto por elementos fixados na Bíblia (Sl 115.1). A luz das Escrituras, o crente aprende que o culto ao Deus verdadeiro não deve ser maculado com o uso de imagens de escultura (Êx 20.4-6), nem deve usar linguagem deselegante em suas mensagens (1Tm 4.12; Tt 2.7,8), que tal culto se torna vão quando mesclado com ensinamentos que não passam de regras inventadas por homens (Mt 15.8,9; Cl 2.20-23). O Deus trino deve ser o alvo exclusivo da adoração, não podendo o louvor dos adoradores ser dirigido a nenhum outro (Mt 4.10). É no culto que o nome de Deus é exaltado em cânticos e orações, com a força que decorre da união de vozes, pensamentos e corações (Sl 34.3).
  • O culto cristão é ordeiro. A adoração deve partir do íntimo do indivíduo, sendo verdadeira e sincera (Jo 4.24). O culto deve ocorrer num ambiente marcado por decência e ordem, onde o crente que cultua deve ter a alma mergulhada em reverência e santo temor: “[…] pela qual sirvamos a Deus agradavelmente com reverência e piedade” (Hb 12.28) e o culto genuíno deve ser oferecido a Deus por meio de um mediador, o qual é Jesus Cristo (Ef 2.18; 1Tm 2.5). O culto realizado na presença do Senhor, precisa ser marcado por decência e ordem: “Mas faça-se tudo decentemente e com ordem(1Co 14.40),“[…] pois o nosso Deus é um fogo consumidor” (Hb 12.29).
  • O culto cristão é reverente. O culto ao Senhor não deve ser um momento para a realização de danças, homenagens a este ou aquele indivíduo, apresentações humorísticas (Ef 5.4), supostos exorcismos e para inúmeras outras práticas carentes de amparo bíblico (1Co 14.40). Em lugar dessas coisas, o culto a Deus deve ser constituído essencialmente de pregação, oração, louvor e dádivas (Ef 2.21,22; 1Pe 2.5). O levantar as mãos durante os cânticos não é prática comum nas igrejas mais tradicionais. Não obstante, esse gesto esteja presente na Bíblia associado ao juramento (Gn 14.22,23; Dn 12.7; Ap 10.5,6), à oração (Sl 28.2; 77.2; 88.9; 141.2; Lm 2.19; 3.41,42; 1Tm 2.8) e ao louvor (Ne 8.6; Sl 63.4; 134.2). Sabe-se também que levantar as mãos é uma expressão física que simboliza o desejo de alcançar a Deus (Sl 143.6), o seu perdão, o seu favor ou os seus ensinos (Sl 119.48).

IV – OS PRINCIPAIS ELEMENTOS DO CULTO CRISTÃO

São cinco os principais elementos do culto cristão. Passaremos a abordá-los mais detalhadamente. Notemos:

  • Louvor. A música não pode ser esquecida durante o culto (Ef 5.19), e a sua execução não pode ser desequilibrado ao ponto do culto ser afetado em seu conteúdo (Ef 5.19; Cl 3.16). Tanto no AT como no NT a música esteve presente no culto de Israel e da Igreja primitiva (Nm 10.1-10; Jz 7.22; Jo 38.7; Ef. 5.19; 1Tm 3.16; At 16.25). Não é por acaso que o maior livro da Bíblia é um hinário (Salmos). É no culto que a plenitude espiritual dos adoradores se expressa em salmos, hinos e ações de graça (Ef 5.18-20). A música esteve presente no culto de Israel e da Igreja primitiva (Nm 10.1-10; Jz 7.22; Jó 38.7; Ef. 5.19; 1Tm 3.16; At 16.25).
  • Leitura Bíblica. É no culto verdadeiramente cristão que o alimento espiritual é distribuído aos crentes por meio da pregação da Palavra viva que nutre, vivifica, ensina e admoesta (Mt 4.4; 1Co 14.26; 2Tm 3.16). A leitura do texto bíblico deve ocupar o lugar de destaque no culto, onde os crentes portando suas Bíblias acompanharão a leitura (At 17.11). O salmista amava a lei do Senhor e desejava estar na casa do Senhor para aprender (Sl 27.4; 119.18,92), e nenhum crente instruído e maduro duvida da centralidade da pregação na vida da igreja de Deus (1Tm 4.13; 1Ts 2.13). Encontramos diversos exemplos da leitura das Sagradas Escrituras, tanto no Antigo como no Novo testamento: (Nm 24.7; Dt 31.26; Ne 8.8; 9.3; Js 8.34,35; 2Cr 34.14-21; Lc 4.14-21).
  • Oração e contribuição. Diversos textos das Sagradas Escrituras incentivam o crente a orar (1Cr 16.11; Sl 105.4; Is 55.6; Am 5.4,6; Mt 26.41; Lc 18.1; Jo 16.24; Ef 6.17,18; Cl 4.2; 1Ts 5.17). A Bíblia está cheia de exemplos de oração e Jesus foi o nosso maior exemplo. As ofertas representam a expressão de gratidão do cultuador. Devemos dar a Deus parte daquilo que dEle recebemos (Êx 23.15; 2Co 9.7). A contribuição no culto é bíblica e deve ser oferecida tanto pelos ricos como pelos pobres (Mc 12:41-44). Um culto sem ofertas é um culto antibíblico, pois as ofertas representam a expressão de gratidão do cultuador, pois a contribuição no culto é bíblica (Mc 12.41-44).
  • Pregação. A pregação é a parte central do culto cristão, sem ela o culto fica sem brilho e objetivo, pois é através dela que a fé é gerada (Rm 10.14-17; Gl 3.2); é a vontade de Deus, que todos se arrependam e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (Ez 18:23; At 17:30; 1Tm 2:4). Se observarmos atentamente os pregadores do NT notaremos os pontos essenciais da mensagem evangelística: Morte e ressurreição de Cristo (At 2.23-32; 3.13-15;10.37-41); arrependimento (At 2.38; 3.19); salvação (At 2.40); fé (At 3.16); ressurreição (At 3.26); julgamento (At 10.42) e perdão dos pecados mediante a fé (At 10:43). Lamentavelmente, em muitos púlpitos evangélicos estas mensagens estão cada vez mais escassas.

CONCLUSÃO

Um dos maiores privilégios do cristão é poder cultuar a Deus. Enquanto muitos estão cultuando aos ídolos, temos o privilégio de cultuar e adorar ao Único e Verdadeiro Deus, o Criador de Todas as coisas. Devemos entender que o nosso culto, quer seja individual ou coletivo, deve ser oferecido a Ele com decência e ordem (Rm 12.1; 1Co 14.40). Que possamos, então, com todo fervor, devoção e reverência, oferecermos o nosso culto racional ao Senhor.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
  • CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: www.adlimoeirope.com

 

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