Hulda, a mulher que estava no lugar certo

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 09 – HULDA, A MULHER QUE ESTAVA NO LUGAR CERTO (2 Cr 34.22-28)

INTRODUÇÃO

Nesta lição falaremos sobre Hulda, uma notável profetisa que foi porta-voz de Deus para o rei Josias num período bastante caótico, tanto política quanto espiritualmente em Judá; destacaremos algumas características da verdadeira profecia; pontuaremos os traços do seu caráter; e, qual a contribuição da mensagem divina dada por Hulda na grande reforma religiosa promovida pelo rei Josias.

I – INFORMAÇÕES SOBRE HULDA

  • Segundo Champlin (2004, p. 172 – acréscimo nosso) o nome Hulda no hebraico quer dizer “doninha”, que é um animal mamífero carnívoro que tem um aspecto de um furão. Este nome aparece uma única vez na Escritura (2 Rs 22.14; 2 Cr 34.22). Ela residia em Jerusalém, no bairro chamado Cidade Baixa (2 Rs 22.14-20; 2 Cr 34.22-28).
  • Família. O registro do Livro dos Reis e das Crônicas dizem que Hulda era casada com um homem chamado Salum, cuja profissão e genealogia é destacada (2 Rs 22.14; 2 Cr 34.22). Sugere-se que seu marido, Salum, seria parente de Jeremias (Jr 7-12).
  • Vocação. É dito que Hulda era uma profetisa (2 Rs 22.14; 2 Cr 34.22). Ela é uma das poucas profetisas do AT e a única mencionada durante o período dos monarcas. Algumas mulheres foram chamadas para serem profetisas na história de Israel: Miriã, Débora, Hulda e Ana (Êx 15.20; Jz 4.4; 2 Rs 22.14; Lc 2.36). Hulda foi contemporânea dos profetas Jeremias e Sofonias que somaram voz para a grande Reforma promovida por Josias (Jr 1.1-3; Sf 1).
  • Época em que profetizou. O único registro da profecia de Hulda se dá no reinado de Josias. Ele começou a reinar após 55 anos de derramamento de sangue e corrupção moral sob Manassés e 2 anos de Amom (2 Rs 21.1,19). Foi em seu reinado que o culto a Deus foi restaurado, e, freou-se o grave deterioramento que a religiosidade judaica havia sofrido; e foi também então que, tendo se descoberto, em 622 a.C., o “Livro da Lei”, Josias empreendeu a reforma do culto em Jerusalém (2 Rs 22.3; 23.25; 2 Cr 34.8; 19).

II  – UMA MULHER COMO PROFETISA

A escolha de algumas mulheres para determinadas vocações e outras não, não tinha por base o costume local ou machismo como afirma alguns teólogos. As restrições para determinadas vocações foram estabelecidas pelo próprio Deus, por exemplo: o AT mostra que apenas homens eram ungidos como sacerdotes e reis (Êx 28.41; 1 Sm 16.13). A única mulher que reinou em Judá o fez de forma ilegítima (2 Rs 11.1); a única pastora que aparece na Bíblia apascentava ovelhas e não pessoas (Gn 29.9); e, as sacerdotisas mencionadas eram de religiões pagãs (2 Re 23.7); a própria Débora embora chamada de juíza não exercia toda a responsabilidade desse ofício, que incluía ser líder militar, antes ela lembrou que essa função era de Baraque (Jz 4.4-7). Vaux (2003, p. 422) diz que “nenhuma mulher fazia parte do clero israelita”. No NT, vemos que Jesus jamais chamou mulheres para serem apóstolas, pastoras ou qualquer outro cargo eclesiástico (Mc 3.13,14; At 1.21-23; 6.3; Ef 4.11; 1 Tm 3.1-13; Tt 1.5-9). No entanto, é bom destacar a preciosa participação das mulheres na obra de Deus:

  • Joel profetizou que o derramamento do Espírito se estenderia a homens e mulheres dando a ambos o dom de profecia: “e vossos filhos e vossas filhas profetizarão” (Jl 28-a);
  • Jesus era seguido por discípulas que lhe auxiliavam com seus recursos (Mc 15.40,41; Lc 1-3);
  • As quatro filhas de Filipe profetizavam (At 9);
  • Paulo faz menção de mulheres que cooperavam com ele no trabalho do Senhor (At 14,15; Rm 16.1-4,6,12,15).

– A PROFECIA DE HULDA

Após descobrir o Livro da Lei perdido dentro da Casa do Senhor e ouvir o seu conteúdo, Josias “rasgou as suas vestes” (2 Rs 22.8,11-b). Tal atitude mostra o quebrantamento que sentiu este piedoso rei diante dos castigos pronunciados pelo Senhor ao povo de Israel. Gardner (1999, pp. 386,387) diz que este livro provavelmente foi Deuteronômio pelos seguintes motivos: (a) às especificações do lugar central de adoração, a destruição dos lugares altos (Dt 12.1-3); (b) maldições resultantes da desobediência (Dt 27 e 28); a celebração da Páscoa (Dt 16.1-8); e, (c) a cerimônia da renovação da aliança (Dt 27; 31; 2 Cr 34.30-32; 2 Rs 23.2). Querendo saber mais detalhadamente a vontade do Senhor, o rei comissionou um grupo de líderes para estar consultando uma profetisa chamada Hulda (2 Rs 22.14). A profetisa ficou sabendo da solicitação do rei e lhe falou a Palavra do Senhor (2 Rs 22.15-20). Abaixo destacaremos três verdades sobre a profecia de Hulda que podemos caracterizar como verdadeira:

  • A profecia não distoou das Escrituras. Quando recebeu a visita dos ilustres homens enviados por Josias a profetiza Hulda lhes disse: “assim diz o SENHOR Deus de Israel: Dizei ao homem que vos enviou a mim: assim diz o SENHOR: Eis que trarei mal sobre este lugar, e sobre os seus moradores, a saber: todas as palavras do livro que leu o rei de Judá” (2 Rs 22.15,16). O profeta é um mensageiro de Deus, e sua principal função é tornar conhecidas as revelações divinas e transmiti-las ao povo (Êx 7.1; Nm 12.6; 1 Sm 3.20; Hb 1.1,2). A profecia dada por Deus, a sua serva Hulda, em nada foi diferente do conteúdo do Livro Sagrado encontrado e lido para Josias. Seu conteúdo era exortativo (2 Cr 34.18-21; 23-25). Devemos entender que nenhuma manifestação é válida quando se contrapõe ao que está claramente ensinado nas Escrituras, pois toda experiência deve estar submetida a Bíblia e não o contrário (Gl 8,9).
  • Estava de acordo com a dos outros profetas. A mensagem dada por Hulda em nada era diferente dos profetas que por Deus foram levantados em sua época. Jeremias já havia anunciado o cativeiro (Jr 25.11-a); o tempo do cativeiro (Jr 25.11-b); o porquê do cativeiro (Jr 25.3-10); e, o seu fim (Jr 25.12-14). Quando Jeremias se viu diante do falso profeta Hananias que profetizava que o cativeiro babilônico demoraria apenas dois anos (Jr 28.1-3), o fiel mensageiro de Deus disse ao público que lhe ouvia que eles deveriam ter cuidado com esta falsa mensagem, pois não estava de acordo com a mensagem dos outros profetas anteriores a ele (Jr 8,9). Sofonias também profeta contemporâneo, falou acerca da mesma sentença que estava para vir sobre Judá (Sf 1.1-18).
  • Cumpriu o propósito de exortar, consolar e edificar. Além de confirmar os castigos que estavam anunciados na Escritura, Hulda fez conhecida também uma mensagem específica de consolação para o rei Josias, dizendo que estes males viriam sobre o povo, no entanto, não nos dias em que ele governaria, por causa da sua reação de quebrantamento diante do iminente juízo divino, trazendo assim consolo para a sua alma (2 Cr 34.26-28). Orientando a igreja em Corinto sobre os dons espirituais, principalmente sobre o dom de profecia, o apóstolo Paulo disse: “mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação” (1 Co 3).

IV – VIRTUDES DA PROFETISA HULDA 

  • Uma mulher santa. Apesar da apostasia que aconteceu nos reinados de Manassés e Amom, havia um remanescente judeu que se conservara nos caminhos do Senhor. No meio destes fiéis estava a profetiza Hulda. Ela era uma reserva moral e espiritual reconhecida pelo rei Josias “Ide, e consultai o SENHOR por mim […]” (2 Rs 22.13). A Bíblia nos exorta a santificação (Lv 20.26; 1 Pe 1.15,16), dizendo que ela é a vontade de Deus (1 Ts 4.3), e, a condição sem a qual ninguém verá o Senhor (Hb 14).
  • Uma mulher ousada. Ao ser consultada pelos representantes do rei, Hulda, ousadamente falou a Palavra do Senhor, confirmando inteiramente a punição divina descrita no livro da Lei que fora achado (2 Cr 34.23-25). Não devemos ter medo de falar a Palavra do Senhor a este mundo tenebroso (At 4.31; 2 Tm 6,7).
  • Uma mulher influenciadora. A profecia de Hulda não somente confirmou os juízos preditos na Palavra do Senhor, como também influenciou positivamente o piedoso rei Josias a promover grandes reformas em Judá, que não evitam o cativeiro, mas o retardou (2 Rs 22.18-20; 23.25-27). Jesus disse que os seus discípulos deveriam ser o sal da terra e luz do mundo, querendo exortá-los a serem influentes no lugar onde estivessem, pois para isto servem estes dois elementos (Mt 13-16).

V – O AVIVAMENTO PROMOVIDO POR JOSIAS

O Registro Sagrado diz que o rei Josias: (a) achou a Palavra dentro da Casa do Senhor, por meio do sumo sacerdote (2 Rs 22.8); (b) o escriba leu a Palavra diante do rei (2 Rs 22.10); (c) temeu a Palavra (2 Rs 22.1); e, (d) agiu por causa da Palavra (escrita e profética), promovendo uma grande reforma religiosa em Judá, pois deu ouvidos a voz do Senhor (2 Re 22.11-20; 23.1-3). Acerca da obra que Josias realizou em Judá nos seus dias, a Bíblia diz que “[…] antes dele não houve rei semelhante, que se convertesse ao SENHOR com todo o seu coração, com toda a sua alma e com todas as suas forças, conforme toda a lei de Moisés; e depois dele nunca se levantou outro tal” (2 Rs 23.25). Vejamos algumas de suas atitudes: (a) limpou o templo e a cidade da idolatria (2 Rs 23.4,6; 10-15); (b) destituiu sacerdotes falsos (2 Rs 23.5); (c) tirou a imoralidade do meio do povo (2 Rs 23.7); (d) Celebrou a Páscoa que há muito não era comemorada (2 Rs 23.21-23); e, (e) removeu toda prática de feitiçaria do meio do povo (2 Rs 23.24).

CONCLUSÃO

Deus espera que estejamos na mesma posição espiritual da profetisa Hulda: de comunhão e prontidão. Devemos ser seus porta-vozes e agentes influenciadores desta geração, provocando um forte impacto através de um testemunho santo e pelo poder da Palavra.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • ELISSEN, Stanley. Conhecendo melhor o Antigo Testamento.
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

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