Melquisedeque, o rei de justiça

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 03 – MELQUISEDEQUE, O REI DE JUSTIÇA – (Gn 14.18-19; Hb 7.1-7,17)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos sobre Melquisedeque, um dos personagens mais enigmáticos do Antigo Testamento; destacaremos algumas informações a seu respeito à luz da Bíblia; pontuaremos também o contexto histórico em que ele surge e a sua respectiva participação; e por fim, veremos que Melquisedeque prefigura o sacerdócio de Cristo no Novo Testamento.

I – INFORMAÇÕES SOBRE MELQUISEDEQUE

Devido a poucas informações a seu respeito, Melquisedeque tornou-se um homem enigmático; gerando algumas especulações sobre sua pessoa. Segundo Gardner, “um documento antigo, encontrado em Qunrã considerava Melquisedeque um ser angelical que ministrava o juízo de Deus. Outros o têm relacionado com Sem filho de Noé, e até mesmo com o Messias, ou seja, que seria uma manifestação de Cristo em forma humana. Todas essas teorias, porém, são especulativas e sem fundamentação bíblica” (2005, p. 450 – acréscimo nosso). Portanto, notemos o que Bíblia informa a respeito dele:

  • Sua origem. Melquisedeque é a transliteração para o português, do termo hebraico “Malkisedeq”, que significa “rei da justiça” (CHAMPLIN, 2001, p. 210). A história de Melquisedeque é bastante resumida, ele é citado no primeiro livro do Pentateuco (Gn 14); num texto poético (Sl 110) e na parte doutrinária da Epístola aos Hebreus, no Novo Testamento (Hb 5 a 7) (GARDNER, 2005, p. 450). As palavras “sem pai, sem mãe […]” (Hb 7.3); diz respeito ao fato que, não se menciona referência ao seu nascimento, parentesco, ou mesmo sua morte, não que ele não tivesse.
  • Seu ofício. Ele era rei de Salém (a antiga Jerusalém). Salém é a forma abreviada de Jerusalém e é encontrada pelo menos cinco vezes nas Escrituras (Gn 14.18; 33.18; Sl 76.2; Hb 7.1,2). O título Rei de Salém dado a Melquisedeque significa “rei de paz”; além de rei, também lhe é atribuído a função de sacerdote de “El Elyon”. O nome “El” era comumente aplicado a Deus entre os povos de origem semita, e tornou-se na Bíblia um dos nomes principais de Deus, “El Elyon” (Deus Altíssimo). Esta também é a primeira menção do termo sacerdote na Bíblia o que o tornava um rei- sacerdote, o que serviu mui apropriadamente para ilustrar o mesmo ofício, ocupado em forma muito mais significativa, pelo Senhor Jesus Cristo (CHAMPLIN, 2001, p. 210 – acréscimo nosso).
  • Sua piedade. Melquisedeque era cananeu, e como Jó, é um exemplo de um não israelita servo de Deus. Sua piedade pode ser evidenciada pela assistência dada a Abraão após a batalha, dando-lhe pão e vinho (Gn 14.18); por sua identificação como sacerdote do Deus altíssimo (Gn 14.18-b); pelo conhecimento que tinha a respeito de Deus e a sua adoração (Gn 14.19,20); pela atitude de abençoar o patriarca (Gn 14. 19-a); e ainda, por ter recebido o reconhecimento de Abraão que lhe deu o dízimo de tudo (Gn 14.20-b). Sua piedade ainda se destaca pelo significado de seu nome “rei da justiça”, que indica um dos traços de seu caráter. Justiça do hebraico “tsedeq”, e do grego “dike”, significam respectivamente: “atitude do que é justo; aquele que age de acordo com o padrão divino” (VINE, 2005, p.). Sobre a justiça a Bíblia destaca: (a) Deus é a fonte (Sl 35.24,28); (b) Deus exige que o homem a procure e a pratique imparcialmente (Is 1.17; 56.1; Mq 6.8); (c) qualidade esperada de um líder (1Rs 10.9; Sl 119.121; Pv 8.15); (d) uma evidência do Novo Nascimento (Ef 24).

II – MELQUISEDEQUE E SEU APARECIMENTO NA HISTÓRIA

O capítulo 14 de Gênesis registra a primeira menção de um sacerdote, a primeira menção do dízimo e a primeira menção de uma guerra envolvendo nove reis (Gn 14.1-17). As cinco cidades-estados da planície do Jordão (Gn 14.2; 13.10) haviam se sujeitado a doze anos de governo sob os reis de quatro cidades-estados do Oriente (Gn 14.1) e acabaram revoltando-se contra elas. Isso representou uma declaração de guerra. Assim, os quatro reis invadiram a planície do Jordão para subjugar os cinco reis das cidades daquela região. Nessa batalha, Ló, sobrinho de Abraão, foi levado cativo (Gn 14.12). Ao saber disso, Abraão, então, armou seus criados e entrou na peleja para libertar seu sobrinho. Ao retornar da batalha, ele encontrou-se com Melquisedeque. Vejamos os resultados desse encontro:

  • Melquisedeque trouxe pão e vinho (Gn 14.18). Ao retornar da batalha, o patriarca Abraão recebeu do rei de Salém pão e vinho. Sem dúvida, este alimento serviu não só como uma refeição para o patriarca, mas, também, uma figura da Santa Ceia, que foi instituída por Cristo, milênios depois (Mt 26.26-30; Mc 14.22-26; Lc 22.16-20). Melquisedeque traz pão e vinho a Abraão na qualidade de sacerdote, e não como rei de Salém. Era, pois, uma refeição sacramental, não um banquete oficial” (ANDRADE, 2015, pp. 118,119).
  • Melquisedeque abençoou Abraão (Gn 14.19). Quando Melquisedeque abençoou Abraão demonstrou ocupar uma posição superior ao patriarca (Hb 7.6,7). “A bênção aqui referida não é a simples expressão de um desejo relativo a outrem, o que pode ser feito de um inferior para um superior; mas, é a ação de uma pessoa autorizada a declarar intenções de Deus, conferindo boas dádivas de prosperidade a outrem. E, tal ação somente tem validade quando é feita por alguém que é superior” (SILVA, 2002, pp. 122,123). Nesta ocasião, Melquisedeque, que também adorava ao Deus de Abraão, declarou que o Deus Altíssimo é o possuidor dos céus e da terra, e que foi Ele quem entregou os adversários nas mãos de Abraão (Gn 19).
  • Abraão dá o dízimo a Melquisedeque (Gn 14.20). Diz o texto que Abraão deu o dízimo à Melquisedeque; com tal atitude, Abraão reconheceu o status sacerdotal de Melquisedeque, destacando a sua superioridade. A menção do dízimo nesse episódio, também nos mostra que se tratava de uma instituição mais antiga que a da legislação mosaica do Antigo Testamento. Não menos importante é que essa passagem mostra que o sacerdócio de Melquisedeque era maior do que o sacerdócio de Arão e dos levitas porque (figuradamente) este último sacerdócio oferecia dízimos a Deus através do primeiro sacerdócio ou de Melquisedeque na pessoa de Abraão. Deste modo o menor, isto é, os levitas, é abençoado pelo superior, isto é, Melquisedeque. As implicações todas têm a intenção de demonstrar a superioridade e eternidade do sacerdócio deste último, que funcionou como sacerdote quando abençoou Abraão e (figuradamente) Arão e os levitas (Hb 4-10).
  • Abraão teve de escolher entre dois reis que representavam dois estilos de vida opostos. Sodoma era uma cidade perversa (Gn 13.13; Ez 16.49, 50), e Bera representava o domínio desse sistema tão atraente à carne (Ef 2.1-3). O nome Bera quer dizer “dádiva”, sugerindo que o mundo tenta comprar nossa fidelidade. Sodoma significa “queimando”, portanto, tenhamos cuidado ao escolher, pois, se alguém se inclinar para Bera, tudo o que há de mais importante em sua vida um dia arderá em chamas como aconteceu a Ló. Em termos legais, Abraão tinha todo o direito de se apropriar dos despojos, mas em termos morais, essas riquezas estavam fora de seus limites. Muitas coisas no mundo estão dentro da lei para os tribunais de justiça, mas são moralmente erradas para o povo de Deus.

 III – MELQUISEDEQUE UMA FIGURA DE CRISTO

Tanto Hebreus 7 quanto o Salmo 110 associam Melquisedeque a Jesus Cristo o Rei da paz” e Rei da justiça”. Assim como ele foi no tempo de Abraão, Jesus Cristo é nosso Rei e Sacerdote no céu, permitindo que gozemos justiça e paz ao lhe servir (Is 32.17; Hb 12.11). O rei de Salém trouxe pão e vinho e abençoou Abraão. Trata-se da primeira menção acerca do pão e do vinho na Bíblia, o que retrata a futura obra de Cristo na cruz. Sem dúvida, podemos ver no pão e no vinho a lembrança da morte do Senhor por nós na cruz. O escritor da Epístola aos Hebreus declara que o sacerdócio de Melquisedeque era uma figura do sacerdócio de Cristo, como veremos a seguir:

  • Jesus e seu Sacerdócio superior. O escritor aos Hebreus a respeito do sacerdócio de Cristo diz: “chamado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque(Hb 5.10). O que significa que Cristo é anterior e superior a Abraão, a Levi e aos sacerdotes do Antigo Pacto (Jo 8.56-58). Melquisedeque, como protótipo de Cristo, estava revestido de grande dignidade. Por isso, abençoou Abraão e recebeu dele o dízimo (Hb 7.1,2). Melquisedeque é superior a Abraão, pois recebeu dízimo até mesmo de Levi, representado figuradamente pelo patriarca (Hb 7.4-10). Melquisedeque era mais importante que Levi e seus descendentes, cujo sacerdócio era temporário (Hb 7.4-10). Mas, o sacerdócio de Cristo é eterno (Hb 7.3,17). A superioridade de Melquisedeque é vista no fato que ele apresenta uma ordem sumo sacerdotal mais elevada que a do sacerdócio levítico, que era imperfeito (Hb 7.11-14). Cristo, tipificado no AT por Melquisedeque é o nosso sumo sacerdote santo, inocente, imaculado, perpétuo, separado dos pecadores e feito mais sublime que os céus (Hb 26-28).
  • Jesus e seu Sacerdócio eterno. Melquisedeque de acordo com o escritor aos Hebreus: “não possuía genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida(Hb 7.3). Isso não significa necessariamente que Melquisedeque era Cristo, como afirmam alguns. A maioria dos sacerdotes herdavam suas funções e servia por um período limitado. O sacerdócio de Melquisedeque, contudo, era único no sentido de que, com respeito aos registros históricos, não lhe foi passado por herança e não teve início nem fim, sendo um tipo de Cristo não apenas em seu ofício, mas também em sua origem. Segundo Beacon (2006, p. 62): “As descrições sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, devem ser entendidas em referência à ordem do sacerdócio de Melquisedeque, não à sua pessoa física. Não havia registro da sua data de nascimento ou da sua morte. Neste sentido, ele foi feito semelhante ao Filho de Deus; sendo uma tipologia de Cristo que é eterno” (Jo 1.1; Hb 13.8). Cristo, portanto, é rei da justiça e da paz no mais amplo sentido, e sacerdote “semelhante a” ou “da ordem de” Melquisedeque (Hb 7.15), isto é, sacerdote para sempre! (BRUCE, 2012, p. 1446).

CONCLUSÃO

Apesar da sua rápida aparição no cenário do Antigo Testamento, Melquisedeque demonstrou ser à semelhança de Abraão, um autêntico servo do Deus Altíssimo, tornando-se uma das figuras de Cristo e do seu sacerdócio.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. O Começo de Todas as Coisas.
  • Comentário Bíblico Hebreus a Apocalipse. CPAD
  • BRUCE, F.F. Comentário Bíblico NVI. VIDA
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia. VIDA
  • SILVA, Severino Pedro da. Epístola aos Hebreus.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

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