Rute, Deus trabalha pela família

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4º TRIMESTRE 2016

O DEUS DE TODA PROVISÃO

Esperança e sabedoria divina para a Igreja em meio às Crises

COMENTARISTA: Pr. Elienai Cabral

LIÇÃO 08 – RUTE, DEUS TRABALHA PELA FAMÍLIA – (Rt 1.1-14)

INTRODUÇÃO

Nesta presente lição, destacaremos importantes verdades sobre a família de Elimeleque, cuja história está registrada no Livro de Rute. Por meio desta narrativa, aprenderemos quais atitudes que esta família tomou diante da crise que lhes sobreveio e as consequências advindas destas escolhas; e, por fim, veremos Deus revelando-se como supridor e cheio de misericórdia, dando a uma história trágica um grande final feliz.

I – QUANDO A CRISE AFETA A FAMÍLIA

“E sucedeu que, nos dias em que os juízes julgavam, houve uma fome na terra […]” (Rt 1.1-a). Assim se inicia o livro de Rute, relatando uma grande crise econômica que afetou a cidade de Belém antigamente chamada de Efrata (Gn 35.19; 48.7; Rt 4.11). Tal situação se instaurou não somente por causas naturais, mas porque nesse período dos juízes o povo de Israel diversas vezes naufragou na fé dando as costas para Deus adorando aos ídolos e vivendo de forma desregrada (Jz 2.11; 3.7,12; 4.1; 6.1; 10.6; 13.1; 17.6). Deus puniu o seu povo como havia prometido (Dt 28.15-68).

1.1 A família de Elimeque (Rt 1.1,2). Entre os belemitas destaca-se nesse período a família de Elimeleque cujo nome significa: “Deus é rei”. Esse homem era casado com uma mulher chamada Noemi que significa: “agradável”. Com ela teve dois filhos, a saber: Malom que quer dizer: “doentio” e Quiliom “definhante”. Os nomes dos filhos podem revelar que ambos tinham a saúde debilitada.

1.2 A decisão de Elimeleque (Rt 1.1). Quando Elimeleque, o pai de família, viu a crise econômica chegar em Belém, se viu na responsabilidade de como mantenedor da família tomar uma decisão que viesse resolver este problema. A Bíblia diz que ele resolveu fugir da crise indo para a terra de Moabe. Segundo Lopes (2012, p. 24), “quando falta pão na Casa do Pão, a solução não é abandonar Belém, mas esperar a intervenção de Deus”. Moabe ficava num planalto a leste do mar Morto, a uns oitenta quilômetros de Belém. O motivo da atitude de Elimeleque era nobre, proporcionar sustento a sua família, todavia a atitude de fuga da adversidade e o lugar para onde este patriarca se dirigiu nos mostram quão grande erro cometeu. Por exemplo: (a) a Bíblia nos informa que Moabe foi um filho de Ló, o fruto de um relacionamento incestuoso de Ló com uma de suas filhas (Gn. 19.36,37); (b) os moabitas pagaram a Balaão para amaldiçoar Israel, durante a peregrinação de Israel a Canaã (Nm. 22.1-8); (c) sob circunstâncias normais os moabitas eram excluídos da participação da vida nacional e cooperativa de Israel (Dt 23.3-6). e, (d) Na batalha contra Josafá os moabitas se aliaram com os amonitas e os edomitas para virem contra Judá (II Cr 20.1). É sempre muito perigoso para o crente “peregrinar” por qualquer lugar sem a orientação divina, ainda mais sabendo de antemão que determinado lugar é hostil à fé que professamos. A voz da necessidade não pode ser mais forte que a voz de Deus para nos dirigir.

1.3 As crises na família de Elimeleque (Rt 1.3-5). Elimeque saiu de Belém para resolver uma dificuldade e acabou contraindo mais problemas. Saiu para peregrinar em Moabe, no entanto, passou ali quase “dez anos” (Rt 1.4). Nesse período ele veio a falecer (Rt 3.1); seus filhos casaram-se com mulheres que não eram de Israel (Rt 1.4); depois, seus filhos também morreram (Rt 1.5-a). “O Talmude considera isto punição por terem deixado Judá” “(CUNDALL apud BATHRA, 1986, p. 235)”. O texto bíblico narra a situação que ficou Noemi “ficando assim a mulher desamparada dos seus dois filhos e de seu marido” (Rt 1.5-b). Nenhuma família se prepara para a morte de um dos membros. Tal situação desestabiliza o homem física, emocional, financeira e algumas vezes espiritualmente. Precisamos estar prontos para enfrentar estas dificuldades contando sempre com a graça de Deus (II Co 12.9).

II – RETORNANDO AO LUGAR DE ORIGEM

Deus nunca deixou de cuidar do seu povo. Seja a privação como punição pelo pecado ou por provação, a escassez era temporária, nunca permanente (Hc 3.2). Embora Judá estivesse passando por uma crise, Deus interviu no tempo certo, enviando-lhes o necessário “Então se levantou ela com as suas noras, e voltou dos campos de Moabe, porquanto na terra de Moabe ouviu que o SENHOR tinha visitado o seu povo, dando-lhe pão” (Rt 1.6). Quando soube que Deus havia suprido a necessidade do seu povo em Belém, Noemi resolveu tomar algumas atitudes. Vejamos quais foram:

2.1 Retornar a Belém: uma atitude certa (Rt 1.6). Noemi resolveu retornar de Moabe para Belém ao saber das boas notícias da provisão de Deus para o seu povo. Para isto, propôs em seu coração despedir-se das suas duas noras, Rute e Orfa. A princípio ambas resistiram deixá-la, no entanto, Orfa atendeu a voz de Noemi, porém, Rute apegou-se a sua sogra demonstrando que não somente estava disposta a estar junto dela, no lugar que esta quisesse, como também até de aceitar a fé no Deus que Noemi servia (Rt 1.16,17). Como podemos ver, enquanto estivermos com vida, haverá oportunidade de regressarmos do caminho errado para o caminho certo (Jr 4.1; 15.19; Lc 15.17-20).

2.2 Acusar Deus: uma atitude errada (Rt 1.9,20, 21). Diante do sofrimento que estava enfrentando, Noemi acusou Deus o tempo todo. Ela disse as suas noras “a mão do SENHOR se descarregou contra mim” (Rt 1.9-b). Diante do povo de Belém afirmou: “Não me chameis Noemi; chamai-me Mara; porque grande amargura me tem dado o Todo Poderoso” (Rt 1.20-b). Acrescentou ainda dizendo: “Cheia parti, porém vazia o SENHOR me fez tornar” (Rt 1.21-a). E, por fim, “O SENHOR testifica contra mim, e o Todo Poderoso me tem feito mal” (Rt 1.21-b). Segundo Champlin (2001, p. 1099), “a teologia dos hebreus era deficiente quanto a causas secundárias dos sofrimentos; e, por isso mesmo, todas as coisas eram lançadas na conta de Deus”. Com frequência, o ser humano procura alguém para transferir a culpa pelos erros que cometeu (Gn 3.12). Todavia, o profeta Jeremias nos responde a esta questão com as seguintes palavras: “De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados” (Lm 3.39).

2.3 Rever os conceitos: uma atitude certa (Rt 2.20). Noemi havia culpado Deus pelos sofrimentos que havia passado em Moabe. Todavia, após regressar para Belém, sua visão mudou. Deus ao contrário do que ela pensava, ao invés de prejudicá-la estava a todo tempo cuidando da sua vida, como ela pôde asseverar mais tarde: “Bendito seja ele do SENHOR, que ainda não tem deixado a sua beneficência nem para com os vivos nem para com os mortos” (Rt 2.20-a). Somos tentados a pensar que em momentos de crise estamos sós e que Deus não se importa com o nosso sofrimento. Tal pensamento não se coaduna com o caráter divino, “porque a sua benignidade dura para sempre” (Sl 136.1).

III – COMO DEUS SE REVELOU NO LIVRO DE RUTE

Embora o livro de Rute nos mostre diversos sofrimentos que sobrevieram ao povo de Judá e especificamente a família de Elimeleque, ele também nos mostra que mesmo ao mais intenso sofrimento, o nosso Deus pode se revelar de forma gloriosa. Vejamos como Deus se revelou:

3.1 O Deus da provisão (Rt 1.6; 2.3; 14-17). Segundo Aurélio provisão é: “ato ou efeito de prover; fornecimento, abastecimento” (2004, p. 1650). Sendo assim, podemos definir a provisão divina como a atividade do Deus Soberano, em provê as necessidades da sua criação, intervindo para sua preservação (CAMPOS, 2001, p. 8). No caso dessa história no livro de Rute, vemos Deus agindo da seguinte maneira: (a) providenciando Rute para estar com ela, lhe fazendo companhia; (b) conduzindo de forma invisível os caminhos de Rute para trabalhar numa eira que pertencia a Boaz parente de Elimeleque, o falecido esposo de Noemi; (c) fazendo Rute alcançar graça aos olhos de Boaz sendo beneficiada na colheita; e, (d) permitindo o casamento de Boaz com Rute, suscitando descendência a Noemi (Rt 4.13-15).

3.2 O Deus da compaixão (Rt 2.20). A palavra “compaixão” segundo o Aurélio quer dizer: “pesar que em nós desperta ante a infelicidade, a dor, o mal de outrem” (2004, p. 507). Segundo Soares (2008, p. 76), “misericórdia é o termo teológico para compaixão; trata-se da disposição de Deus para socorrer os oprimidos e perdoar os culpados”. A Bíblia nos mostra que Deus cheio de compaixão e misericórdia (Nm 14.18; I Cr 21.13; Ne 9.31; Sl 86.15; Jn 4.11). No período dos juízes, especificamente, vemos que sempre que Israel pecava contra Deus, ele recebia severas punições (Jz 1.4; 2.14; 13.1). Todavia, quando este povo arrependido se voltava para Deus, ele os perdoava e abençoava (Jz 2.16; 3.9,15). De igual forma, apesar dos erros cometidos por Elimeque, Deus resolveu usar de misericórdia em relação a sua esposa (Rt 1.6). Na oração de Habacuque, vemos o profeta pedindo: “[…] na tua ira lembra-te da misericórdia” (Hc 3.2).

3.3 O Deus que muda a história (Rt 4.14-22). Diante das vicissitudes da vida, Noemi cujo nome significa “agradável” desejou que a chamassem de Mara que significa: “amarga”. Na sua precipitação, atribuiu sua amargura a Deus, entendo que Ele a puniu junto com a sua família (Rt 1.20-b). Todavia, apesar de tal cosmovisão errada a respeito de Deus, Noemi ao retornar para Belém, viu o Senhor reconstruir sua vida e mudar a sua história. Rute casou-se com Boaz. Este homem é apresentado em Rute 2.1 como “homem poderoso e rico”, parente do marido falecido de Noemi. Ele era dono das terras nas quais Rute foi respigar, quando buscava um campo onde recolher algumas espigas (Rt 2.3). Sua chegada ao campo deu a Boaz a oportunidade inicial de tornar-se seu benfeitor e abriu o caminho para que se casasse com ela no sistema do levirato (Dt 25.5,6; Rt 3 e 4). Sua união foi abençoada com um filho que recebeu o nome de Obede que significa: “servo”. Através deste, o nome do seu marido poderia ser levado adiante por meio dos seus descendentes. Obede foi o pai de Jessé, avo de Davi, e ancestral do Senhor Jesus (Rt 4.17,21, 22; 1 Cr 2.12; Mt 1.5; Lc 3.32). O resgate das terras de Elimeleque por Boaz; seu casamento com Rute; e, este filho nascido dessa união trouxe tanta alegria a Noemi que as mulheres lhe diziam: “[…] Bendito seja o SENHOR, que não deixou hoje de te dar remidor, e seja o seu nome afamado em Israel. Ele te será por restaurador da alma, e nutrirá a tua velhice […]” (Rt 4.14,15 – grifo nosso). Deus reverteu todos os infortúnios vividos por Noemi, restaurando-lhe a sorte em todas as áreas da sua vida.

CONCLUSÃO

Não devemos fugir da crise. Antes, precisamos em momentos de dificuldade, seja em que área for, buscarmos a Deus confiando que Ele é o nosso supridor e jamais nos deixará desemparados, pois Ele “[…] trabalha para aquele que nele espera” (Is 64.4).

REFERÊNCIAS

  •  ANDRADE, Claudionor Correa de. Dicionário Teológico. CPAD.
  •  CAMPOS, Heber. A Provisão e a sua realização histórica. CULTURA CRISTÃ.
  •  CHAMPLIN, Norman R. N. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. HAGNOS.
  •  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: https://ieadpe.org.br/

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