A lei, a carne e o espírito

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2º TRIMESTRE 2016

MARAVILHOSA GRAÇA

O evangelho de Jesus Cristo revelado na carta aos romanos

COMENTARISTA: Pr. Jose Gonçalves

LIÇÃO 06 – A LEI, A CARNE E O ESPÍRITO – (Rm 7.1-15)

INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos a analogia que o apóstolo Paulo usa do casamento para ilustrar nosso divorciamento da Lei e o novo “matrimônio” com Cristo. Pontuaremos também a santidade da Lei e a malignidade do pecado, veremos os propósitos da Lei, e por fim, concluiremos estudando sobre o Espírito e a novidade de vida.

I – O CASAMENTO COM A LEI VERSUS O CASAMENTO COM CRISTO

Romanos 7 é um dos capítulos de maior complexidade para se interpretar de toda a Bíblia. Nesta passagem Paulo nos oferece primeiro um princípio (Rm 7.1), depois nos dá uma ilustração (Rm 7.2,3) e finalmente nos apresenta uma aplicação (Rm 7.4-6). Notemos algumas verdades devem ser aqui destacadas:

1.1 Casados com a Lei (Rm 7.1-3). Paulo compara a Lei com um “marido” e os crentes com uma “esposa” e usou o casamento para mostrar o nosso relacionamento com a Lei. Paulo usa a analogia da morte de um cônjuge no casamento para ilustrar a morte do crente para a Lei, pelo fato de ele estar unido com Cristo (Rm 7.1-6). Isto significa que tendo “morrido” somos exonerados de toda obrigação e dever para com a Lei, e que ficamos livres para nos “casar” novamente. Desta vez nos casamos, não com a Lei, mas com Cristo (BARCLAY, sd, p. 102). A culpa não é do marido (a Lei), pois é “perfeito, santo, justo e bom” (Rm 7.12). O problema é que essa esposa (os homens) nunca consegue agradá-lo, pois é imperfeita, carnal, rendida ao pecado e sempre frustra as expectativas do marido (Rm 7.14-25). No caso em apreço, não é o marido quem morre (a lei), mas a esposa (o crente). O crente morre para a Lei ao identificar-se com Cristo na sua morte. Assim como a morte do marido liberta a esposa, pela morte de Cristo recebemos nossa libertação de todas as exigências da Lei (LOPES, 2010, p. 259 – grifo e acréscimo nosso).

1.2 Mortos para a Lei (Rm 7.4). Apenas a morte pode interromper o domínio da Lei sobre os homens. Se a morte sobrevêm, os relacionamentos estabelecidos e protegidos pela lei são dados por terminados. A lei é válida para quem vive; e não tem poder sobre um morto. Enquanto vivermos para a Lei (a observância da Lei), estaremos sujeitos às demandas e penalidades desta. A ideia central é que essa morte não apenas encerra um relacionamento, mas, traz legitimidade para o novo casamento, e abre caminho legal para que a “mulher” (que somos nós) inicie outra união matrimonial agora com seu “novo” esposo que é Cristo. Só a morte do antigo “marido” (a Lei) pode tirar essa “mulher” (que somos nós) desse jugo conjugal. Isso porque, ainda que o casamento seja para toda a vida, não se estende para além da vida, O segundo casamento é moralmente legítimo porque a morte pôs fim ao primeiro casamento, pois a única possibilidade de a mulher ficar “livre” do marido para unir-se a “outro” marido é a morte do primeiro. Uma vez que morremos com Cristo, fomos libertados da Lei (LOPES, 2010, p. 259 – grifo nosso).

1.3 Libertados da Lei e casados com Cristo (Rm 7.6). No primeiro casamento, vivíamos segundo a carne. Naquele tempo, a perfeição do nosso primeiro marido (a Lei) realçava ainda mais nossos erros e paixões pecaminosas. Os frutos que produzimos nesse primeiro casamento foram frutos de morte. Porém, agora, no segundo casamento, libertados desse primeiro marido perfeccionista, morremos para aquilo a que estávamos sujeitos. A força que nos move agora não é mais a velhice da letra, mas a novidade de espírito (Rm 7.6). Na velha ordem estávamos casados com a lei, éramos controlados pela carne e produzíamos fruto para a morte, enquanto como membros da nova ordem estamos casados com o Cristo ressurreto, fomos libertados da lei e produzimos fruto para Deus.

1.4 A Lei, a carne e o espírito (Rm 7.14-25). Paulo faz uma analogia para mostrar a luta da carne com o Espírito falando de um conflito entre a nossa “nova natureza” em Cristo e o velho homem” residente em nós. Paulo chama a atenção para o viver “em novidade do Espírito” (Rm 7.6) como forma de vencer as inclinações da carne. Esse conflito é inevitável, pois, duas leis se chocam, a lei do pecado e a lei de Deus. Podemos chamá-las de “lei carnal e lei espiritual”. O campo de batalha entre essas duas forças é o interior do homem, e o apóstolo declara que o problema não está na Lei de Deus, mas na natureza pecaminosa do homem. Essa escravidão envolve toda a personalidade do homem (CABRAL, 2005, pp. 85,86).

II – A SANTIDADE DA LEI E A MALIGNIDADE DO PECADO

O apóstolo levanta duas perguntas importantes sobre o caráter da lei: a) A lei é pecado? (Rm 7.7), e b) A Lei é a causadora da morte? (Rm 7.13). Ambas as perguntas têm a mesma resposta: “De modo nenhum!” (Rm 7.7,13). Diante do exposto, levantamos dois pontos:

2.1 Em primeiro lugar, as virtudes da lei (Rm 7.12). A lei é santa e o mandamento, santo, justo e bom. Em si mesma a lei é valiosa e esplêndida. O significado básico do termo hagios, “santo”, é diferente. Descreve o que provém de uma esfera alheia a este mundo, algo que pertence a um campo que está mais além da vida e da existência humana. A lei é também justa. E ela que estabelece todas as relações, humanas e divinas. Finalmente, Paulo diz que a lei é boa, ou seja, foi promulgada para promover o supremo bem. Na qualidade de santa, justa e boa, a lei reflete o caráter de Deus, sendo a cópia de suas perfeições. Na qualidade de “santo”, o mandamento reflete a transcendência e a pureza de Deus, exigindo de nós consagração e pureza correspondentes. Na qualidade de “justo”, o mandamento reflete a equidade de Deus e requer de nós, em suas exigências e sanções, nada aquém do que puro. E, na qualidade de “bom”, o mandamento promove o mais elevado bem-estar do homem, expressando, desse modo, a bondade de Deus. O problema não é a lei; somos nós (LOPES, 2010, p. 263 – grifo nosso).

2.2 Em segundo lugar, a malignidade do pecado (Rm 7.13). A lei não é a causadora da morte, mas sim o pecado (Rm 6.23), assim como o problema de um criminoso não é a lei, mas sua transgressão. Ao exigir do homem o que ele não pode fazer, a lei o condena e o leva à morte. Não há falha na lei; a falha está no homem que não consegue obedecer seus preceitos. Desta forma, a lei revela a gravidade do pecado, que produz a morte. Sendo santa, a lei mostra o caráter maligníssimo do pecado (Op. cit).

III – OS PROPÓSITOS DA LEI

Se a lei não é pecado (Rm 7.7), nem provoca a morte (Rm 7.13), qual é seu papel? Qual é seu ministério? Qual é seu propósito? Paulo oferece três respostas. Notemos:

3.1 Em primeiro lugar, o propósito da lei é revelar o pecado (Rm 7.7). O pleno conhecimento do pecado vem pela lei “Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás.” (Rm 3.20). A lei é um espelho que revela o ser interior e mostra como somos imundos (Tg 1.22-25). É como um prumo que mostra a sinuosidade da nossa vida. É como um raio-X que diagnostica os tumores infectos da nossa alma. A lei detecta as coisas ocultas na escuridão e as arrasta à luz do dia. É a lei que destampa o fosso do nosso coração e traz à tona a malignidade do nosso pecado (LOPES, 2010, p. 264 – grifo nosso).

3.2 Em segundo lugar, o propósito da lei é “despertar” o pecado (Rm 7.8). A lei não só expõe o pecado, mas também o desperta “Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda a concupiscência; porquanto sem a lei estava morto o pecado.”. O pecado encontra no mandamento uma base para despertar em nós toda sorte de desejos. A lógica de Paulo é irrefutável: sem lei, está morto o pecado (Rm 7.8). Onde não há proibição, não há transgressão. Sem lei, o pecado não pode ser caracterizado juridicamente (Rm 5.13). Unicamente pelo encontro com a lei o pecado se torna passível de ação judicial. No entanto, pela lei vem o pleno conhecimento do pecado (Op. cit).

3.3 Em terceiro lugar, o propósito da lei é condenar o pecado (Rm 7-9-11). Onde não há lei, também não há transgressão “E eu, nalgum tempo, vivia sem lei…”. A expressão de Paulo: “Sem a lei, eu vivia…” (Rm 7.9), falava sobre a vida baseada na justiça própria, sem perturbações e autocomplacente que ele levava antes de agirem sobre ele as comoções turbulentas e a convicção de pecado descrita nos versículos anteriores. O propósito da lei não é matar, mas dar vida. Contudo, aquilo que era destinado a nos dar vida nos matou, porque o pecado, prevalecendo-se do mandamento, pelo mesmo mandamento nos enganou e nos matou “E o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte. Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou.” (Rm 9.10,11). Assim, o propósito da lei não é apenas revelar e despertar o pecado, mas também condená-lo. “A lei não é um simples reagente pelo qual se pode detectar a presença do pecado; é também um catalisador que ajuda e até mesmo inicia a ação do pecado sobre o homem. A lei insufla o desejo ilícito” (GREATHOUSE apud LOPES, 2010, p. 264 – grifo nosso).

IV – O ESPÍRITO E A NOVIDADE DE VIDA

4.1 Somente após o homem ser gerado de novo através da fé em Cristo é possível servir a Deus em espírito. Paulo demonstra que os judeus não serviam a Deus, antes, só tinham zelo, porém, sem entendimento (Rm 10.2). Por quê? Porque só é possível servir a Deus em espírito e em verdade, ou seja, quando o homem é gerado do Espírito, é o mesmo que ser circuncidado no coração. Somente em Cristo é possível ao homem alcançar a condição de servir a Deus em espírito (Jo 4.23). A condição “em espírito” só é possível quando o homem é gerado de Deus (Jo 3.6).

4.2 Somente após o homem “morrer” para o que estava retido (a Lei) é possível servir a Deus em espírito. Através da circuncisão do coração! Quando Moisés apregoou a circuncisão do coração ao povo de Israel, tal circuncisão só era possível através da fé em Deus, Aquele que tem o poder de circuncidar o coração, transforma o homem gerado em Adão e concede um novo coração (Dt 30.6). Somente após alcançar novo coração (novo nascimento) o homem compreende a Palavra de Deus (Dt 29.4).

4.3 A lei de Moisés (velhice da letra) não poderia proporcionar o novo nascimento. O objetivo de terem morrido para a lei, ou antes, morrido com Cristo é para servirem a Deus com um novo espírito e um novo coração (Ez 36.25-27). Ora, o novo coração e o novo espírito só são possíveis alcançar através da regeneração em Cristo. Somente o evangelho de Cristo, que é a “água limpa aspergida pelo Espírito Eterno”, faz nascer o novo homem para louvor de sua glória (Jo 3.5; Ez 36.26). É através do evangelho que o homem recebe poder para ser criado em verdadeira justiça e santidade (Jo 1.12; Ef 4.24). Ao escrever aos cristãos de Coríntios (2Co 5.17), Paulo aponta a nova condição dos cristãos efetiva no presente. Ora, se alguém (sujeito indeterminado) está (presente) em Cristo (condição), é uma nova criatura.

CONCLUSÃO

O crente justificado é sepultado pela morte para o pecado e surge para uma nova vida em Cristo, uma nova disposição na relação com Deus. Uma nova identidade, não mais relacionada ao primeiro Adão, mas da descendência de Cristo, o segundo Adão, e membro de sua família. Esta nova vida, não significa que o crente nunca mais irá pecar, mas que não viverá na prática do pecado, como seu escravo.

REFERÊNCIAS

  • BARCLAY, William. Comentário Bíblico de Romanos. PDF
  • RICHARDS, Lawrence, Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse. CPAD.
  • CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. CPAD.
  • RHODES, Ron. O Cristianismo Segundo a Bíblia. CPAD.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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