A queda da raça humana

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4º TRIMESTRE 2015

O COMEÇO DE TODAS AS COISAS

Estudo sobre o livro de Gênesis

COMENTARISTA: Pr. Claudionor de Andrade

LIÇÃO 04 – A QUEDA DA RAÇA HUMANA – 4º TRIMESTRE DE 2015 (Rm 5.12-19)

 INTRODUÇÃO

A queda do homem resultou na sua separação com Deus (Is 59.2); na destituição da glória de Deus (Rm 3.23), e consequentemente trouxe morte ao invés de vida (Rm 6.23). Na narrativa mais trágica e infeliz da raça humana é necessário ainda dizer que esta Queda não foi só local, pessoal e destinada aquele tempo, mas, que o pecado cometido por Adão teve abrangência total e universal (Rm 5.12).

I – DEFINIÇÃO DA PALAVRA PECADO

Pecado é a falta de conformidade com a Lei moral de Deus, quer seja em ato, disposição ou estado; é a rebelião contra a vontade de Deus (1Jo 3.4). O termo “hamartiologia” deriva de dois vocábulos da língua grega: “hamartia” e “logos”, os quais significam “estudo acerca do pecado”. O termo “hamartia” sugere a ideia de “fracassar”, “errar o alvo” ou “desviar-se do rumo”. Porém, o termo também sugere alguém que erra o alvo propositadamente; ou seja, que atinge outro alvo intencionalmente. Em síntese, o homem não foi criado para o pecado; se pecou, foi por seu livre-arbítrio, sua livre escolha (Gn 3.1-6; Lv 16.21; SI I.I; 51.4; 103.10; Is 1. 18; Is 48.8; Dn 9.16; Os 12.8; Rm 1.18-32; Rm 3.10) (CABRAL, 2008, p. 302).

II – DEUS NÃO É O AUTOR DO PECADO

A Bíblia apresenta o homem como transgressor por natureza. Mas, como adquiriu o homem essa natureza pecaminosa? O que a Bíblia nos diz acerca disso? Podemos afirmar categoricamente que Deus não é o autor do pecado. Evidentemente Deus, na sua presciência e onisciência, já vira a entrada do pecado no mundo, bem antes da criação do homem. Porém, deve-se ter o cuidado para que ao se utilizar esta interpretação, não venha fazer de Deus a causa ou o autor do pecado (Jó 34.10; confira ainda Dt 32.4; Sl 92.16; Tg 1.13). Deus odeia o pecado (Dt 25.16; Sl 5.4, 11.5; Zc 8.17; Lc 16.15). Assim sendo, as Escrituras rechaçam todas aquelas ideias deterministas, segundo as quais, Deus é autor e responsável pela entrada do pecado no mundo. O pecado é o resultado de uma escolha livre porém má, do homem (Ec 7.29; Lm 3.39).

III – O HOMEM, A QUEDA E A IMAGEM DE DEUS

A Bíblia é a única fonte segura concernente a criação do homem e seu estado original. De forma simples e objetiva o Gênesis declara que, depois de tudo feito especialmente, o homem, “viu Deus que era muito bom” (Gn 1.31). Contudo, a Bíblia não só revela o primeiro estado do homem, como relata a história da perda do seu primeiro estado de santidade, pela Queda, e também a possibilidade de sua restauração (Cl 3.10; Ef 4.24). O primeiro homem possuía um corpo, alma e um espírito perfeitamente adequados um ao outro. Não havia conflito entre os impulsos pessoais e os espirituais no homem, pois isso era um tipo de perfeição física e espiritual (Gn 3.22). Vejamos as consequências da Queda:

3.1 Criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26,27). Em que consiste esta imagem de Deus? Ao longo da história, os teólogos vêm discutindo sobre as diferenças entre “imagem e semelhança”. Porém, a distinção entre as duas características quase se confunde com a diferença entre personalidade (ou pessoalidade) e espiritualidade. No hebraico, as palavras imagem tselem” e semelhança “demut” exprimem a ideia de algo similar, mas não idêntico à coisa que representa ou de que é uma “imagem”. A imagem de Deus no homem com a presença do pecado está deturpada, afetada, mas, não totalmente como afirmam alguns que terminam com isso atribuindo a falta de livre escolha no homem por essa total depravação.

3.2 Há uma distância infinita entre Deus o homem. Só Cristo é a imagem expressa da Pessoa de Deus, como o Filho de Deus, que possui a mesma natureza. Na verdade, a imagem divina no homem é como a “sombra no espelho”. O homem, como imagem de Deus, foi dotado de atributo moral, isto é, de justiça original. Porém, essa justiça não era imutável; havia a possibilidade de pecado, pois ele foi dotado de livre-arbítrio (Dt 30.15-19). O homem foi criado com uma natureza santa, voltada naturalmente para Deus e sua vontade. Essa imagem divina no homem revela seu caráter e sua natureza religiosa, haja vista ter sido dotado de “espírito”, para manter comunhão com o seu Criador.

IV – O PECADOA DISTORCEU A IMAGEM DE DEUS NO HOMEM

Na teologia cristã, a doutrina do pecado ocupa grande espaço porque o cristianismo é a religião da redenção da raça humana. De todas as doutrinas bíblicas, três delas são de vasta amplitude porque tratam de Deus, do pecado e da redenção. Existe uma inter-relação entre essas três doutrinas. É impossível tratar do pecado sem mencionar a redenção do pecador e, naturalmente, a sua relação com a sua fonte: Deus (CABRAL, 2008, p. 302). A Bíblia nos revela que no Jardim do Éden o homem manifestou algumas atitudes que contribuíram para a sua Queda. Por isso, analisemos:

4.1 A Queda distorceu e avariou a imagem divina no homem. O destaque maior no relato da criação está na palavra “imagem”: “E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou” (Gn 1.27). Existem alguns ensinamentos de que o ser humano na Queda perdeu totalmente a imagem de Deus inclusive o livre-arbítrio, estando assim totalmente depravado. Essa teoria é incoerente e anti-biblica, pois a imagem e a semelhança, de fato, se referem aos aspectos moral e espiritual de Deus que foi colocado no homem, os quais ainda persistem mesmo depois do pecado no ser humano, apesar de desfigurados e transtornados pela Queda e os efeitos subsequente. Quanto à imagem moral, o homem é constituído de intelecto, vontade e sentimento; isto. Quanto à imagem espiritual, ele possui espírito e alma.

V – AS CONSEQUÊNCIAS DA QUEDA DO HOMEM

Indiscutivelmente, o pecado trouxe graves consequências ao Universo, especialmente á vida na Terra. A Bíblia faz várias declarações a respeito da universalidade do pecado (I Rs 8.46; Rm 1.18; Rm 3.10-12, 23; 6.23). Portanto, vejamos algumas consequências que o pecado trouxe ao homem depois da Queda.

CONSEQUÊNCIAS DO PECADO NA CRIAÇÃO

REFERÊNCIAS

O pecado fez com que a terra fosse amaldiçoada

(Gn 3.17.18)

O pecado trouxe ao homem a punição da morte física e espiritual

(Gn 3.19; Rm 5.12; 6.23; Tg 2.26)

O pecado acarretou punições naturais e físicas na vida do homem

(Gn 3.16; Rm 8.20-23)

O pecado deu origem a lei da morte atuante sobre a totalidade da raça humana

(1Co 15.21,22; Ef 2.1,2)

O pecado trouxe inquietação e aflige o pecador

(Jr 2.19)

O pecado escravizou o homem e interrompeu a comunhão com Deus

(Jo 8.34; Rm 3.23)

O pecado exclui o homem do céu

(Ap 22.15)

VI – O PECADO FEZ O HOMEM REBELAR-SE CONTRA DEUS

As Escrituras afirmam que o pecado trouxe rebelião e separação do homem em relação a Deus. Vejamos:

6.1 A Queda trouxe rebelião contra Deus. Satanás, que já havia se rebelado contra Deus e caído, veio tentar o homem para que este também desobedecesse e se rebelasse contra Deus. Então, por intermédio de uma serpente, ele esperou uma oportunidade em que a mulher estivesse a sós, lançou em dúvidas a bondade e a fidelidade de Deus e enganou a mulher para que ela comesse do fruto que Deus havia dito que não comessem (Gn 2.16,17; 3.1-5). A mulher, então, comeu do fruto e deu também a seu marido (Gn 3.6). Dessa maneira, então, o pecado entrou no mundo (Rm 5.12) e o homem rebelou-se contra o criador.

6.2 A Queda trouxe separação contra Deus. Desde a queda do homem que Satanás tem promovido meios de separar ainda mais o homem de Deus. Seu maior desejo é que toda criatura venha se rebelar contra o criador. Por isso, ele tem se utilizado da educação, da filosofia, dos meios de comunicação, de movimentos filosóficos, humanistas e ateístas, com o intuito de separar o homem de Deus e conduzi-lo ao ateísmo (2Co 4.4).

VII – A HEREDITARIEDADE E UNIVERSALIDADE DO PECADO

Todos os atos pecaminosos das pessoas são frutos de sua natureza pecaminosa (Rm 5.12; 19). A morte, como punição do pecado, tem um caráter universal. Por causa do pecado de Adão, todos os seus descendentes tomaram-se pecadores e culpados (Rm 5.8). Portanto, o pecado é hereditário e a sua universalidade deve-se à corrupção da natureza humana. A tendência má que se revela numa criança por exemplo, se percebe na semente dessa tendência má. A criança até certa idade é despida de consciência moral, mas congenitamente possui a natureza pecaminosa herdada. Nesse sentido, toda criança até alcançar a idade da consciência do bem o do mal é pecadora por natureza, conquanto não tenha a culpa pessoal (SI 51.5). No Juízo Final, as pessoas serão julgadas mediante o teste da conduta pessoal, enquanto estas crianças, nesta faixa etária, mesmo tendo uma natureza para mal, são incapazes de transgressão pessoal; por isso, cremos que elas estarão entre os salvos (Mt 19.14; 21.16; 25.45,46; Lc 10.21).

VIII – A SALVAÇÃO EM RELAÇÃO AO PECADO

A palavra salvação significa, em primeiro lugar, “ser tirado de um perigo, livrar-se, escapar” (At 26.18; Cl 1.13). A tradução da palavra grega “soterion”, tem o sentido de “tornar ao estado perfeito”, ou “restaurar o que a queda causou”. Vejamos as bênçãos que acompanham a salvação:

  • O homem é salvo dos seus pecados (Mt 1.21; Lc 7.50), que lhe são perdoados (Lc 7.48; Tg 5.20). A salvação também o livra da culpa (Ef 1.7; Cl 1.14) e do poder do pecado (Rm 7.17, 20, 23, 25). O homem é salvo do juízo (I Tm 5.24; Rm 8.1), da ira de Deus (Rm 5.9) e da morte eterna (Tg 5.20; Ap 20.6);
  • O homem entra em comunhão com Deus (Ef 2.13,18; Lc 1.74,75), recebe entrada na sua graça (Rm 5.2) e torna-se cidadão do céu (Ef 2.19). O homem é salvo desta geração perversa (At 2.40), isto é, recebeu uma nova posição em relação ao mundo (Fp 2.15); ele é salvo do poder de Satanás (At 26.18; Cl 1.13-15; Hb 2.14);
  • O homem torna-se templo e morada do Espírito Santo (Jo 14.17; I Co 6.19), que passa a agir em sua vida (Ef 1.13; 2.16-18). A salvação lhe dá viva esperança (I Pe 1.3) e direito à glória eterna (II Tm 2.10; 4.18), e assim, é salvo da ira de Deus (I Ts 1.10; 5.9; II Pe 2.9).

CONCLUSÃO

O pecado causou a separação entre Deus e o homem (Rm 5.12; 6.23), mas, Cristo trouxe de volta a possibilidade da comunhão com Deus.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • KELLY, J.N.D. Introdução e Comentário. MUNDO CRISTÃO.
  • · STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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