Os imperios mundiais e o reino do Messias

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QUARTO TRIMESTRE DE 2014

INTEGRIDADE MORAL E ESPIRITUAL

O legado do livro de Daniel para a Igreja hoje

COMENTARISTA: Pr. Elienai Cabral

LIÇÃO 08 – OS IMPÉRIOS MUNDIAIS E O REINO DO MESSIAS – (Dn 7.3-8; 13,14)

INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos as semelhanças dos impérios mundias que existem entre os capítulos 2 e 7 do livro de Daniel, bem como sobre o Reino do Messias. Perceberemos que até o capítulo 6 deste livro as profecias giram em torno dos gentios, e, a partir do 7, giram em torno, principalmente, dos judeus. Analisaremos os fatos históricos já cumpridos e os escatológicos, e por fim, veremos que o Reino Milenial é real e se cumprirá literalmente.

I – INFORMAÇÕES GERAIS DE DANIEL 7

Cronologicamente, este capítulo 7 vem antes do capítulo 5; basta comparar Dn 5.30,31 com Dn 7.1. “Três importantes mudanças têm início neste capítulo sete. 1º) Até o capítulo 7 a matéria é principalmente histórica. Daí em diante é principalmente preditiva, ou seja, escatológica; 2º) Até agora Daniel fora o agente divino na revelação, interpretando sonhos de Nabucodonosor (Dn 2.13-45; 4.1-27). Daqui para frente, um anjo interpreta os sonhos e as visões do próprio Daniel (Dn. 7.16; 8.15-17; 9.20-23; 10.10-14), e 3º) Até agora o autor (Daniel) falou na terceira pessoa; daqui para frente ele escreve na primeira, dando um relatório mais íntimo de suas experiências” (MOODY, sd, p. 47 – acréscimo nosso). “Aqui temos a continuação do capítulo 2, o assunto é o mesmo, em continuação: as quatro últimas potências mundiais. No capítulo 2 esses impérios são representados por uma estátua, já no presente capítulo, esses mesmos impérios são representados por quatro animais. No capítulo 2, por meio de Nabucodonosor, Deus revelou o lado político desses últimos impérios mundiais. A Daniel, nesse capítulo, Deus revelou o lado moral e espiritual” (GILBERTO, 2010, p. 33).

II– SEMELHANÇAS ENTRE OS REINOS MUNDIAS DE DANIEL CAPÍTULO 2 E 7

Ésignificativo que as nações, em geral, escolhem, inconscientemente para si, símbolos nacionais provenientes de animais ferozes e aves de rapina. Concorda-se de modo geral que a sucessão dos quatro domínios gentios apresentados no capítulo 7 é do mesmo significado da visão anterior do capítulo 2. Convém salientar que, particularmente nas profecias de Daniel e do Apocalipse, animais simbolizam reinos. “Sobrepondo-se à profecia da estátua no sonho de Nabucodonosor, os animais representam a Babilônia (o leão), a Medo-Pérsia (o urso), a Grécia (o leopardo) e Roma (o animal terrível)” (LAHAYE, 2009, p. 177 – acréscimo nosso).

III – ANALISANDO O TEXTO DO CAPÍTULO 7 DE DANIEL

O capítulo 7 revela um sonho e visões dadas por Deus ao profeta Daniel acerca dos impérios mundiais. Vejamos:

3.1 “… Eu estava olhando, na minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu…” (Dn 7.2-b). O uso em outros lugares indica que os ventos representam o poder providencial de Deus através do qual Ele controla as nações, agitando-as ou apaziguando-as (Jr. 23.19; 49.36; 51.1; Zc. 6.1-6; 7.14; Ap. 7.1-3). Rûah pode ser traduzido para “espírito” ou “vento”, e aqui é propositadamente ambíguo. Jerônimo acha que os ventos representavam os anjos. “…combatiam no grande mar” (Dn 7.2-c).

3.2 “Quatro animais grandes diferentes uns dos outros subiam do mar” (Dn 7.3). Os animais descritos estão ligados a cada nação neste sonho com suas próprias características especiais, embora todas partilhem do mesmo caráter brutal e irracional. Simbolicamente, mar ou águas simbolizam povos (Dn 7.3; Ap 17.15); ventos, representam guerras (Jr 4.11; 25.32; Hc 1.11); asas, significa rapidez (Dn 7.4; Hc 1.6-8); chifres (ou pontas), significa reinos (Dn 7.7,24; 8.7-9); e braços, significam ajuda de exércitos (Dn 11.31). Vejamos a semelhança desta visão com o sonho de Nabucodonosor:

3.2.1 O leão simboliza a Babilônia. O leão é a Babilônia (Dn 7.4). Além de Daniel, outros profetas falaram disso (Jr 4.6,7; 48.40; Ez 17.3). O leão, rei dos animais, corresponde à cabeça de ouro, o mais valioso dos metais da estátua do capítulo 2, isto é, Babilônia (Dn 2.32,37,38). O leão foi o animal adotado pelos babilônicos como o símbolo de seu império, isso fala da primazia da Babilônia sobre os que se seguiram. As asas de águia falam de velocidade, como o leão, da força deste reino. São símbolos naturais dificilmente precisando de explicação (II Sm 1.23; Jr 49.19-22; Ez 17.3-24).

3.2.2 O urso é um símbolo do reino Medo-Persa. O urso (Dn 7.5) corresponde ao peito e braços de prata do capítulo 2, isto é, à Medo-Pérsia (Dn 2.32,39). Este segundo governo “semelhante a um urso, o qual se levantou de um lado, tendo na boca três costelas entre os dentes”. Seu tríplice poder concentrado em seu peso, sua boca e seus pés, faz do urso o segundo em seu reino, só vencido pelo leão. As três costelas entre os dentes do urso, bem como as três direções em que o animal dava marradas, significam as três primeiras presas: Babilônia, Egito e Lídia (Dn 8.4). O lado que se elevou foi a Pérsia, que passou a ter ascendência sobre a Média.

3.2.3 O leopardo de quatro asas simboliza o império grego de Alexandre. O leopardo (Dn 7.6) corresponde ao ventre de bronze do capítulo 2, isto é, à Grécia (Dn 2.32,39). O império grego está representado pelo leopardo com quatro asas e quatro cabeças (Dn 7.6). As asas falam da rapidez das conquistas de Alexandre, o grande, e também significa o desmembramento do império em quatro dinastias independentes. Já as quatro cabeças falam da quádrupla divisão do império grego após a morte de Alexandre, a saber: Egito, Macedônia, Síria e Ásia Menor.

3.2.4 O animal terrível é um símbolo adequado para o império romano restaurado que será regido pelo Anticristo. O quarto animal (Dn 7.7,8,11,19-24) corresponde às pernas de ferro e pés de barro e ferro da estátua do capítulo 2, ou seja, ao Império Romano restaurado (Dn 2.33b,41-43). Todos os intérpretes concordam que este será o período do Anticristo. O quarto animal seria um rei ou reino, como os demais animais (Dn 7.17,23). Esse animal tinha dentes de ferro (v. 7). Seria o reino da força, da ferocidade, do esmagamento, como foi o Império Romano. Os dez chifres do versículo 7 correspondem a dez futuros reis (v. 24). Esses futuros reis, ou reinos, correspondem aos dez dedos dos pés da estátua do capítulo 2.41,44, e aos dez chifres da besta de Apocalipse 13.1 e 17.12, a saber, ao Anticristo e suas nações confederadas durante o período da Grande Tribulação.

3.2.5 O chifre pequeno representa o futuro Anticristo (Dn 7.8). Esse futuro reino é equivalente ao da primeira besta de Apocalipse 13.1-8, e 17.12-17. Até hoje não ocorreu esta forma de governo. Ele, ao emergir entre os dez reinos, abaterá três reis (Dn 7.8). Essa expressão do Império Romano em dez reinos ainda não ocorreu, pois quando esse império deixou de existir tinha apenas duas formas, correspondentes às duas pernas da estátua (Dn 2.33-a,40), isto é, o Império Romano do Ocidente e do Oriente. O primeiro caiu em 476 d.C. O segundo, em 1453. A divisão do império em dois deu-se em 395 d.C. Portanto, os fatos proféticos de Dn 7.7 e 8 são ainda futuros, como bem mostra o livro de Apocalipse. O texto de Daniel 7.24 afirma que esses países se formarão “daquele mesmo reino”.

IV – O REINO DO MESSIAS

No capítulo 2 do livro de Daniel encontramos algumas características do Reino do Messias: (1) É de origem divina (Dn 2.44); (2) sucederá os reinos da terra (Dn 2.34,35); (3) excederá todos os demais reinos (Dn 2.34); (4) será eterno (Dn 2.44); (5) será de alcance mundial (Dn 2.35,44) e (6) será visível e real (Dn 2.35). “O Milênio será a sétima e última dispensação; será a dispensação da “plenitude dos tempos” (Is 2.2; Mt 19.28; Ef 1.9,10; Ap 10.7; 11.15). Em Apocalipse 20, encontramos por seis vezes a expressão “mil anos” com a significação especial (vv 2,3.4,5,6,7). Nessa época Jerusalém será o centro de adoração para todos os povos e a Capital religiosa do mundo (Jr 3.17; Zc 14.14-21). O Milênio será um tempo de restauração. Ao invés do pecado, a justiça encherá a terra; Satanás terá sido amarrado (Ap 20.1-3), o Anticristo e o falso profeta serão lançados no lago de fogo (Ap 19.20)” (SILVA, 1998, p. 133) .

CONCLUSÃO

Como pudemos ver, o Soberano Deus mostrou ao rei Nabucodonosor, em sonhos, os impérios mundiais, sendo representados por uma grande estátua, revelando o lado político dos reinos que sucederiam a Babilônia. Já ao profeta Daniel, o Senhor revelou o lado moral e espiritual desses impérios, por intermédio das visões dos quatro animais. Quanto ao Reino do Messias, ele é descrito, em ambos os capítulos, como um reino eterno, que jamais terá fim (Dn 2.2.44; 7.27).

REFERÊNCIAS

  • CABRAL, Elienai. Integridade Moral e Espiritual: O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. CPAD
  • GILBERTO, Antonio. Daniel & Apocalipse. CPAD.
  • PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody: Daniel. Editora Batista Regular.
  • SILVA, Severino Pedro da. Escatologia: doutrina das últimas coisas. CPAD.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: REDE BRASIL

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