O Presbítero, Bispo ou Ancião

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SEGUNDO TRIMESTRE DE 2014

DONS ESPIRITUAIS E MINISTERIAIS

Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário

COMENTARISTA: Pr. Elinaldo Renovato

LIÇÃO 11 – O PRESBÍTERO, BISPO OU ANCIÃO –
(Tt 1.5-7; I Pe 5.1-4)
INTRODUÇÃO
Como líderes os presbíteros estão para a congregação como um pastor de ovelhas para o rebanho. Por isso, eles alimentam com a Palavra de Deus, ajudando o rebanho a crescer espiritualmente e ficando alertas contra quaisquer perigos de erro ou pecado, que seria uma ameaça para o bem-estar espiritual do rebanho (1Ts 5.14). Veremos nesta lição a definição da palavra presbítero, analisaremos sua função na Igreja Primitiva, e estudaremos também suas atribuições e deveres nas suas funções ministeriais como líder e servo de Deus.
I – DEFINIÇÃO DA PALAVRA PRESBÍTERO
De acordo com a Bíblia de Estudo Palavras-Chaves (2012, p. 2369. Nota 4245), o termo presbíteros do grego “presbyteros” é uma forma comparativa da palavra grega “presby” que significa: “uma pessoa experiente, madura, mais velha, anciã”. Os presbíteros tomavam parte ativa no apascentamento da igreja (At 20.28) e também no ensino, pois uma das qualidades exigidas do candidato ao presbitério era que fosse “apto para ensinar” (1Tm 3.2). Os presbíteros constituíam um corpo auxiliar no governo da igreja, sob a presidência do pastor. Convém salientar que os ministros também se consideravam presbíteros. O apóstolo Pedro escreveu para os presbíteros que ele também era presbítero (1Pe 5.1), e o apóstolo João considerava-se ancião (2 Jo 1) ou presbítero (3 Jo 1) (BERGSTÉN, 1999, p. 270).
II – O PRESBÍTERO NA IGREJA PRIMITIVA
Segundo o relato de Lucas sobre a origem e expansão do Cristianismo, os presbíteros já estavam presentes na igreja de Jerusalém (At 11.30, 14.23, 15.2,4,6-23), onde eram constituídos de cidade em cidade (Tt 1.5). Tiago e Pedro em suas epístolas gerais, dirigem-se aos presbíteros (1Pe 5.1,2; Tg 5.14). Paulo dirige-se a eles e os chama de bispos, outra palavra empregada para designar este mesmo cargo (At 20.28). Não se sabe quem eram e como foram escolhidos esses presbíteros, provavelmente pela imposição de mãos (At 6.6; 13.3; 1 Tm 4.14; 5.22) mas certamente foram consagrados pela igreja sob orientação do Espírito Santo através do líder maior e conforme suas qualificações. Parece que atuavam de maneira semelhante aos anciãos das comunidades judaicas e do Sinédrio (At 11.30; 15.2-6.22-23; 16.4; 21.18). Os presbíteros são “anciãos” porque não são novatos, mas sim, mais velhos na fé e já tiveram tempo para desenvolver a sua maturidade espiritual (1Tm 3.6; 1Tm 5.17; 3.5,12).
III – OS PRESBÍTEROS COMO LÍDERES E MINISTROS DA PALAVRA
3.1 À luz do NT, o presbítero poderia ser o próprio pastor local: “Rogo, pois, aos PRESBÍTEROS que há entre vós, eu, presbítero como eles… PASTOREAI o rebanho de Deus que há entre vós…” (1Pe 5.1-4). “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para APASCENTARDES a igreja de Deus…” A designação “pastor”, do grego “poimen”, fala-nos da atividade de cuidar do rebanho, que envolvia: alimentar, guiar, cuidar (VINE, 2003, p. 856). Dessa forma, os presbíteros, do grego “presbyteros”, literalmente “homem idoso, ancião, os que cuidam espiritualmente da igreja”, que assim exerciam seus presbitérios, eram chamados também de “pastor” (idem, 2003, p. 396). “…Os presbíteros que PRESIDEM bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” (1Tm 5.17).
3.2 O pastor que na igreja primitiva “presidia”, sempre que exercia essa função, era chamado de “bispo”. A Bíblia de Estudo Pentecostal afirma em sua nota sobre “Dons Ministeriais para a Igreja” que: “Os pastores são aqueles que dirigem a congregação local e cuidam das suas necessidades espirituais. Também chamados “presbíteros” (At 20.17; Tt 1.5) e “bispos” ou supervisores (1Tm 3.1; Tt 1.17)” (STAMPS, 1995, p. 1815). Do grego “episkopos”, “literalmente, ‘inspetor’ formado de “epi”, ‘por cima de’, e “skopeo”, ‘olhar’ ou ‘vigiar’, é encontrado em At 20.28; Fp 1.1; 1Tm 3.2; Tt 1.7; 1Pe 2.25. (VINE, 2003, p. 434 – grifo nosso). Ao longo dos séculos, a atividade do presbítero caracterizou-se pelo ministério de administrar as igrejas, bem como do ensino da Palavra. Sua atividade é necessária para o bom ordenamento das atividades das igrejas locais (RENOVATO, 2014, p. 130).
3.3 Bispo, presbítero ou ancião e pastor – são usados em referência aos líderes da igreja. Alguns aludem a 1 e 2 Timóteo e Tito como o “Manual do Pastor”, por causa das preciosas instruções e qualificações dadas ao ministério e à igreja. Em 1 Tm 3, há orientações muito específicas a todo aquele que aspira ao pastorado. Observe a afirmação que segue: “Para efeito de esclarecimento, os títulos bispo, presbítero ou ancião e pastor são usados intercambiavelmente na Escritura e referem-se ao mesmo ofício, mas expressam responsabilidades diferentes, como supervisão administrativa, liderança espiritual e ministério, bem como alimentar e atender o rebanho de Deus. Em Atos 20, todos os três conceitos: bispo, ancião e pastor – são usados em referência aos líderes da igreja em Éfeso (TRASK et al, 1999, p. 110).
IV – DEVERES E FUNÇÕES MINISTERIAIS DO PRESBÍTERO
A evidência bíblica indica que “bispo” é simplesmente outro termo para presbítero também (At 20.17-35; Tt 1.7). A maioria dos estudiosos reconhece isso, que na linguagem do NT o mesmo ofício na Igreja é chamado indiferentemente de bispo “episkopos” e „ancião‟ ou presbítero “presbyteros”. Em terminologia bíblica, presbíteros pastoreiam, supervisionam, lideram e cuidam da igreja local. De acordo com o NT, os presbíteros são responsáveis por:

  • Administrar e supervisionar uma igreja local, pois são líderes na igreja (1Tm 5.17; Tt 1.7; 1 Pe 5.1-2);
  • Ensinar e pregar a Palavra (1Tm 3.2; 5.17; 2 Tm 4.2; Tt 1.9);
  • Proteger a igreja de falsos mestres (At 20.17, 28-31; 1Tm 4.1; Tt 1.9);
  • Exortar e admoestar os santos na sã doutrina (1Tm 4.13; 2Tm 3.13-17; Tt 1.9);
  • Visitar e orar pelos doentes ungindo-os com óleo (Tg 5.14; At 20.35);
  • Julgar questões doutrinárias (At 15.16);
  • Dirigir igrejas (1Pe 5.2; 1Tm 5.17);
  • Apascentar e cuidar da igreja (1Pe 5.2; Hb 13.17).

O termo “poimen” enfatiza o trabalho de pastor, pastoreador, guardião, cuidador, defensor, sarador, apascentador, alimentador das ovelhas (Ef 4.11; 1Pe 2.25). O termo “episcopos” que significa Bispo ou supervisor, enfatiza o trabalho de supervisionar, cuidar, zelar, fazer funcionar bem todo a igreja local, o corpo do Cristo. (At 2.28; Fp 1.1; 1Tm 3.2; Tt 1.7; 1Pe 2.25) “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu BISPOS, para APASCENTARDES a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. (At 20.28).

V – CARACTERÍSTICAS MORAIS E MINISTERIAIS DO PRESBÍTERO
Os padrões bíblicos do presbítero são principalmente morais e espirituais. O caráter íntegro é mais importante do que personalidade influente, dotes de pregação, capacidade administrativa ou graus acadêmicos, por mais que tudo isso seja também importante. O enfoque das qualificações ministeriais concentra-se no comportamento daquele que persevera na sabedoria divina, nas decisões acertadas e na santidade devida.
Há três textos bíblicos principais que apresentam, em forma de instrução e prescrição, as qualificações necessárias dos presbíteros (1Tm 3.1-7; Tt 1.5-9; 1Pe 5.1-3). O assunto é extremamente importante e sempre atual para cada igreja local. O cristão consciente sabe muito bem o quanto é valioso para a igreja ter presbíteros que satisfaçam a essas referências bíblicas. São listados a seguir alguns qualificações necessários aos prebíteros. Vejamos:

  • Irrepreensível (1Tm 3.2; Tt 1.6,7);
  • Vigilante, sóbrio, temente, honesto e moderado (1Tm 3.2; Tt 1.7,8);
  • Hospitaleiro (1Tm 3.2; Tt 1.8);
  • Apto para ensinar, sábio (1 Tm 3.2; Tt 1.9);
  • Não dado ao vinho e não violento, mas moderado (1Tm 3.3; Tt 1.7);
  • Inimigo de contendas (1Tm 3.3; Tt 1.6);
  • Não cobiçoso ou avarento (1 Tm 3.3; Tt 1.7);
  • Aprovado na sua família (1 Tm 3.4,5; Tt 1.6);
  • Marido de uma mulher e que governe bem sua casa (Tm 3.2; Tt 1.6);
  • Não seja neófito, ou seja, novo convertido (1 Tm 3.6; Tt 1.7);
  • É preciso ser experimentado para não se ensoberbecer, obediente (Tt 1.6);
  • Ter bom testemunho (1Tm 3.7);
  • Ser “exemplo dos fiéis” (1Tm 4.12,15; Tt 2.7; 1Pe 5.3);
  • Ser Fiel (1Co 4.1,2);
  • Amigo do bem (Tt 1.8; 1Pe 5.2);
  • Ser dedicados à Palavra e ao ensino (1Tm 5.17-19).
CONCLUSÃO
Aprendemos que se algum homem deseja ser presbítero, deseja um encargo nobre e importante (1Tm 3.1). É necessário, porém, que o obreiro seja chamado por Deus e essa aspiração seja confirmada pela Palavra de Deus (3.1-10; 4.12) e pela igreja (3.10). A igreja não aceita pessoa alguma para a obra ministerial tendo por base apenas seu desejo, sua escolaridade, sua espiritualidade, ou porque essa pessoa acha que tem visão ou chamada. A principal missão do presbítero é servir a Deus, assim como esta também é a missão do diácono. Porém, o serviço a ser realizado pelo presbítero corresponde à administração da casa do Senhor no campo espiritual e esta administração é principalmente realizada pelo ensino autêntico da Palavra de Deus.
REFERÊNCIAS
CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
RENOVATO, Elinaldo. Dons espirituais e ministeriais: servindo a Deus e aos homens com o poder extraordinário. CPAD.
BERGSTÉN, Eurico. Introdução à Teologia Sistemática. CPAD.
TRASK, Thomas E. et ali. O pastor pentecostal: um mandato para o século XXI. CPAD.
VINE, W. E.et al. Dicionário VINE: o significado exegético e expositivos das palavras do AT e NT. CPAD.

Fonte: Rede Brasil

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