Dons de Elocução

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SEGUNDO TRIMESTRE DE 2014

DONS ESPIRITUAIS E MINISTERIAIS

Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário

COMENTARISTA: Pr. Elinaldo Renovato

LIÇÃO 05 DONS DE ELOCUÇÃO – (I Co 12.7,10-12; 14.26-32)

INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos a respeito dos três “dons de elocução” que formam o último grupo dos dons espirituais mencionados pelo apóstolo Paulo em 1Co 12.10 a saber: profecia, variedade de línguas e interpretação de línguas.

Analisaremos quais os propósitos destes dons. Veremos também como utilizá-los para glória de Deus e edificação da Igreja e falaremos ainda sobre a grande bênção que é o batismo no Espírito Santo.

I DEFINIÇÃO DA PALAVRA ELOCUÇÃO

Segundo o Aurélio a palavra “elocução” vem do latim “elocutione” e significa: “maneira de exprimir-se, oralmente ou por escrito, escolha de palavras ou de frases, estilo” (FERREIRA, 2004, p. 725). Os dons de elocução que tratam da utilização da fala ou linguagem estão relacionados diretamente ao batismo com o Espírito Santo.

II – O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

“Falar em línguas é expressar-se com palavras que nunca aprendemos, mas que nos são comunicadas diretamente pelo Espírito Santo. Não se manifesta através de palavras pensadas de antemão ou vocalizadas pela pessoa que fala… As línguas constituem um milagre vocal e não um milagre mental” (CARLSON apud RENOVATO, 2014, p. 63). “Os dons espirituais são necessários em todas as épocas da Igreja, porquanto o desenvolvimento da Igreja depende dos mesmos” (CHAMPLIN, 2004, p. 219). O falar noutras línguas, ou a glossolália, era entre os crentes do NT, um sinal da parte de Deus para evidenciar o batismo no Espírito Santo (At 2.4; 10.45-47; 19.6). Esse padrão bíblico para o viver na plenitude do Espírito continua o mesmo para os dias de hoje. A Palavra de Deus ensina o seguinte sobre o batismo no Espírito Santo:

  • O batismo no Espírito é para os salvos. Os que nasceram de novo, aqueles que experimentaram a verdadeira conversão, e, assim, receberam o Espírito Santo para neles habitar (Jo 14.17; At 2.4);
  • O batismo no Espírito Santo é uma obra distinta e à parte da regeneração. Assim como a obra santificadora do Espírito é distinta e completiva em relação à obra regeneradora, assim também o batismo no Espírito complementa a obra regeneradora e santificadora. Portanto, este batismo é uma experiência subseqüente à regeneração e nunca antes dela (Jo 20.22; Lc 24.49; At 1.5,8; 11.17; 19.6);
  • Ser batizado no Espírito significa experimentar a plenitude do Espírito (At 1.5; 2.4). Este batismo teria lugar somente a partir do dia de Pentecoste. Quanto aos que foram cheios do Espírito Santo antes do dia de Pentecoste (Lc 1.15,67), Lucas não emprega a expressão “batizados no Espírito Santo”. Este evento só ocorreria depois da ascensão de Cristo (At 1.2-5; Lc 24.49-51, Jo 16.7-14);
  • O livro de Atos descreve o falar noutras línguas como o sinal inicial do batismo no Espírito Santo. (At 2.4;10.45,46; 19.6). Falar noutras línguas é uma manifestação sobrenatural do Espírito Santo, é uma expressão vocal inspirada pelo Espírito, mediante a qual o crente fala numa língua que nunca aprendeu ou estudou (At 2.4; 1Co 14.14,15). Estas línguas podem ser humanas, e atualmente faladas (At 2.6), ou desconhecidas na terra (1Co 13.1);
  • O batismo no Espírito Santo outorgará ao crente ousadia e poder celestial para este realizar grandes obras em nome de Cristo e ter eficácia no seu testemunho e pregação. (At 1.8; 2.14-41; 4.31; 6.8; Rm 15.18,19; 1Co 2.4). Esse poder não se trata de uma força impessoal, mas de uma manifestação do Espírito Santo, na qual a presença, a glória e a operação de Jesus estão presentes com seu povo (Jo 14.16-18; 16.14; 1Co 12.7).

III DOM DE PROFECIA (I CO 12.10-b)

“No AT, havia um “ministério profético”, reconhecido e considerado por toda nação. Hoje, não existe esse ministério nas igrejas cristãs. Existem pessoas ou mensageiros de Deus, que possuem o “dom de profecia”, usado em determinadas ocasiões, com propósitos definidos” (RENOVATO, 2014. p. 54). Vejamos:

  • Podemos dizer que de maneira bem didática o dom de profecia tem pelo menos três finalidades básicas para a Igreja, a saber: “edificação, exortação e consolação” (1Co 14.3);
  • No AT, as palavras entregues pelos profetas não admitiam julgamento, exceto quanto ao seu cumprimento (Dt 18 20-22; 1Sm 3.19; Jr 9.28-32; Dt 13.5). Em o NT, os profetas e a profecia podem ser julgados ou avaliados pela igreja (1Co. 14.29, 32; 1Ts 5.20,21);
  • No AT existia o “ministério profético”, já no NT profetizar trata-se de um “dom” que capacita o crente a transmitir uma palavra ou revelação diretamente de Deus, sob o impulso do Espírito Santo (At 11.27,28; 1Co 12.10, 28,29; 14.24,25, 29-31);
  • A Bíblia revela que há três procedências das profecias, a saber: o espírito imundo e mentiroso (Is 8.19; Mt 8.29; At 16.16-18); o espírito humano (1Cr 17.1-4; Jr 23.21,25,28; Ez 13.1-8); e o Espírito Santo (1Co 12.7-11);
  • Tanto no AT, como no NT, profetizar não é primariamente predizer o futuro, mas proclamar a vontade de Deus, exortar e levar o seu povo à retidão, à fidelidade e à paciência (1Co 14.3);
  • A mensagem profética pode desmascarar a condição do coração de uma pessoa (1Co 14.25), ou prover edificação, exortação, consolo, advertência e julgamento (1Co 14.3, 25,26, 31);
  • A igreja não deve ter como infalível toda profecia, porque muitos falsos profetas estarão na igreja (1Jo 4.1). Ela deverá enquadrar-se na Palavra de Deus (1Jo 4.1), e contribuir para a santidade de vida dos ouvintes e ser transmitida por alguém que de fato vive submisso e obediente a Cristo (1Co 12.3);
  • O dom de profecia manifesta-se segundo a vontade de Deus e não a do homem. Não há no NT um só texto mostrando que a igreja de então buscava revelação ou orientação através dos profetas. A mensagem profética ocorria na igreja somente quando Deus tomava o profeta para isso (1Co 12.11);
  • Pode-se dizer que nenhuma “profecia” excederá aos limites da Palavra, mas pode contribuir bastante para interpretar tais verdades, além de abordar necessidades específicas da Igreja local, envolvendo questões de ensino e questões morais, que pessoas sem esse dom não saberiam resolver com sucesso (CHAMPLIN, 2004, p. 221).

IV – DONS DE VARIEDADES DE LÍNGUAS (I CO 12.10-d)

O dom de variedade de línguas difere das línguas como evidência do batismo no Espírito Santo, pois é dado “a cada um como o Espírito Santo quer” (1Co 12.11,30). No tocante às “línguas” do grego “glossa” como manifestação sobrenatural do Espírito, notemos o seguinte mencionado na Bíblia de Estudo Pentecostal (STAMPS, 1995, p. 1756 – acréscimo nosso). Vejamos:

  • Essas línguas podem ser humanas e vivas, ou seja, línguas ainda faladas (At 2.4-6) são as chamadas “xenolálias”, ou uma língua desconhecida e/ou estranha na terra a “glossolália” (1Co 13.1). A língua falada através deste dom não é aprendida, e quase sempre não é entendida, tanto por quem fala (1Co 14.14), como pelos ouvintes (1Co 14.16);
  • A finalidade deste dom é: 1) Edificação da Igreja (1Co 14.4, 26); 2) Edificação pessoal (1Co 14.28); c) Glorificação a Deus (At 2.11), d) Comunicar o sobrenatural de Deus e por fim, e) Serve como sinal para os descrentes (1Co 14.13-17);
  • O falar noutras línguas como dom abrange o espírito do homem e o Espírito de Deus, que entrando em mútua comunhão, faculta ao crente a comunicação direta com Deus expressando-se através do espírito mais do que da mente (1Co 14.2, 14) e orando por si mesmo ou pelo próximo sob a influência direta do Espírito Santo, à parte da atividade da mente (1Co 14.2, 15, 28; Jd 20);
  • Línguas estranhas faladas no culto devem ser seguidas de sua interpretação, também pelo Espírito, para que a congregação conheça o conteúdo e o significado da mensagem (1Co 14.3, 27,28). Ela pode conter revelação, advertência, profecia ou ensino para a igreja (1Co 14.6);
  • Deve haver ordem quanto ao falar em línguas em voz alta durante o culto. Quem fala em línguas pelo Espírito, nunca fica em “êxtase” ou “fora de controle” (1Co 14.27,28).

V – OUTRAS LÍNGUAS, PORÉM FALSAS

O simples fato de alguém falar “noutras línguas”, ou exercitar outra manifestação sobrenatural não é evidência irrefutável da obra e da presença do Espírito Santo. O ser humano pode IMITAR as línguas estranhas como o fazem os demônios. A Bíblia nos adverte a não crermos em todo espírito, e averiguarmos se estas experiências espirituais procedem realmente de Deus (1Jo 4.1). Analisemos:

  • Falar em línguas não é algo APRENDIDO, mas sim RECEBIDO. Somente devemos aceitar as línguas se elas procederem do Espírito Santo. Esse fenômeno, segundo o livro de Atos, deve ser espontâneo e resultado do derramamento inicial do Espírito Santo. Não é algo aprendido, nem ensinado, como por exemplo, instruir crentes a pronunciar sílabas sem nexo como fazem alguns (1Co 12.11);
  • Falar línguas não é para os FALSOS CRENTES. O Espírito Santo nos adverte claramente que nestes últimos dias surgirá apostasia dentro da igreja (1Tm 4.1,2); sinais e maravilhas operados por Satanás (Mt 7.22,23; 2Ts 2.9) e obreiros fraudulentos que fingem ser servos de Deus (2Pe 2.1,2);
  • Falar línguas não é para os INCRÉDULOS, mas sim, para OS SALVOS. Se alguém afirma que fala noutras línguas, mas não é convertido e dedicado a Jesus Cristo, nem aceita a autoridade das Escrituras, nem obedece à Palavra de Deus, qualquer manifestação sobrenatural que nele ocorra não provém do Espírito Santo (1 Jo 3.6-10; 4.1-3; Gl 1.9; Mt 24.11-24, Jo 8.31).

VI – DONS DE INTERPRETAÇÃO DAS LÍNGUAS (I CO 12.10-e)

Dom de Interpretação de Línguas (1Co 12.10). Trata-se da capacidade concedida pelo Espírito Santo, para o portador deste dom compreender e transmitir o significado de uma mensagem dada em línguas. Tal mensagem interpretada para a igreja reunida pode conter ensino sobre a adoração e a oração, ou pode ser uma profecia. A interpretação de uma mensagem em línguas pode ser um meio de edificação da congregação inteira, pois toda ela recebe a mensagem (1Co 14.6, 13, 26). A interpretação pode vir através de quem deu a mensagem em línguas, ou de outra pessoa. Quem fala em línguas deve orar para que possa interpretá-las (1Co 14.13) (STAMPS, 1995, p. 1756).

CONCLUSÃO

Que possamos aproveitar ao máximo o que o Espírito de Deus tem a nos oferecer através dos dons espirituais de elocução visando a edificação, exortação e consolação pessoal e da Igreja (1Co 14.3).

REFERÊNCIAS

RENOVATO, Elinaldo. Dons Espirituais & Ministeriais. CPAD. SILVA, Severino Pedro da. A Existência e a Pessoa do Espírito Santo. CPAD.

SOUZA, Estevam Ângelo de. Nos Domínios do Espírito. CPAD. STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: Rede Brasil

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