A suprema aspiração do crente

        

TERCEIRO TRIMESTRE DE 2013

FILIPENSES: a humildade de Cristo como exemplo para a Igreja

COMENTARISTA: ELIENAI CABRAL

Meu-Alvo-eh-Cristo

LIÇÃO 08 – (Fp 3.12-17)

INTRODUÇÃO

Nesta lição destacaremos quais eram as aspirações do apóstolo Paulo, veremos também as atitudes que ele deveria tomar para alcançar este objetivo. Analisaremos ainda, nas palavras do próprio apóstolo que, assim como o atleta numa corrida tem como motivação a recompensa, semelhantemente ele prosseguia para o alvo “pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.14-b). Por fim, estudaremos quais as três fases da perfeição cristã.

I – ASPIRAÇÕES QUE PAULO DESEJAVA ALCANÇAR

Em (Fp 3.11-17) encontramos algumas aspirações do apóstolo Paulo. O Aurélio define a palavra “aspiração” como: “desejo intenso de alcançar um objetivo, um alvo”. Vejamos nas palavras do próprio apóstolo quais eram estas aspirações:

1.1 A ressurreição. Paulo sabia que, estando preso em Roma, poderia estar perto da morte (Fp 2.17). Apesar disso, podia dizer com convicção: “…Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte(Fp 2.20-b). Se permanecesse vivo até que Cristo voltasse, ansiava por receber um corpo glorioso (Fp 3.21). E, se viesse a morrer aspirava por participar da ressurreição dos mortos “Para ver se de alguma maneira posso chegar à ressurreição dentre os mortos(Fp 3.11). Biblicamente essa é chamada de primeira ressurreição e ocorrerá por ocasião do arrebatamento da igreja (I Co 15.23,24; 51,52; I Ts 4.16,17).

1.2 A perfeição futura. O apóstolo Paulo como um cristão equilibrado afirmava não haver alcançado ainda a perfeição, no entanto, diz que era isso o que ele tinha como suprema aspiração “Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus” (Fp 3.12). A expressão “perfeição” usada pelo apóstolo neste texto no grego é teleiõsis que denota “realização, conclusão, perfeição, um fim realizado como o efeito de um processo” (VINE, 2002, p. 869). De acordo com o Novo Testamento, a perfeição absoluta do caráter cristão somente há de ser atingida por ocasião da volta do Senhor. No presente momento, fomos perdoados e libertos dos pecados (Rm 4.7,8; I Jo 2.12; Rm 6.12-14; 16-19), porém, na glorificação do corpo seremos livres da presença do pecado (I Co 15.53-57).

 1.3  A perfeição presente. As palavras paulinas nos mostram que existe uma perfeição futura que só alcançaremos na volta do Senhor para buscar a sua igreja, mas também há uma perfeição presente que pode ser atingida Por isso todos quantos já somos perfeitos, sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa de outra maneira, também Deus vo-lo revelará” (Fp 3.15). Essa palavra “perfeitos” se deriva da mesma palavra básica usada por Paulo em (Fp 3.12). No entanto, esse termo é usado pelo apóstolo em sentido secundário de “maturidade”. E, por sua vez, alguém maduro é uma pessoa “plenamente desenvolvida”. Nesse aspecto, o apóstolo deseja que como cristãos sintamos isto mesmo”, ou seja, busquemos tal idoneidade espiritual (Cl 1.12; II Tm 2.21).

II – PERSPECTIVA PAULINA PARA ALCANÇAR O ALVO DA VIDA CRISTÃ

“Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus” (Fp 3.12). Para não dar a impressão de que já tivesse chegado, Paulo indica cuidadosamente que ainda estava muito envolvido na corrida espiritual da vida cristã. Ele estava advertindo a ideia errônea dos perfeccionistas que se propagava grandemente na igreja, alegando já possuírem a perfeição absoluta. A expressão “prossigo para alcançar” usada pelo apóstolo refere-se a um corredor na etapa final de uma corrida. Vejamos o que é necessário fazer para conquistar o alvo da vida cristã:

2.1 “mas uma coisa faço, e é que, esquecendo- me das coisas que atrás ficam” (Fp 3.13-b). Paulo deixa claro que rumo ao seu objetivo deveria esquecer-se do que foi no passado. Como cristão recusara valer- se de feitos virtuosos e realizações passadas feitas antes de sua conversão a Cristo (Fp 3.4-6), ou insistir em pecados e transgressões do seu passado (At 7.57,58; I Tm 1.13). Afinal de contas, ser desviado pelo passado poderá enfraquecer os esforços da pessoa no presente. Agora, pelo poder do evangelho ele era uma nova criatura (II Co 5.17; Gl 1.23,24). E, o que Paulo era no judaísmo considerava como “escória”, “refugo”, “esterco” “para que possa ganhar a Cristo” (Fp 3.8-b). Todas as suas credenciais religiosas judaicas que antes tinha como ganho (Fp 3.7), na verdade eram sem valor e condenatórias. Portanto ele as contabilizou como “perdas” quando viu as glórias de Cristo “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor(Fp 3.8-a).

 2.2 “e avançando para as que estão diante de mim” (Fp 3.13-c). Enquanto se desprendeu do seu passado, Paulo avançava para o seu futuro. A expressão “avançar” usada pelo apóstolo neste texto, no original grego é epekteinomai que por sua vez significa literalmente, “esticando-me”, dando a entender “um violento esforço para a frente”. Era justamente essa postura inclinada dos corredores, que Paulo usa como metáfora para falar do seu tremendo esforço na caminhada cristã. As coisas que estavam diante de Paulo serviam para aumentar o seu conhecimento de Cristo (Fp 3.8). Ele corria “olhando para Jesus, autor e consumador da fé” (Hb 12.1-a).

2.3 “Prossigo para o alvo […]” (Fp 3.14- a). Além de “esquecer” e de “avançar” Paulo diz que “prossegue para o alvo”. A expressão “prosseguir” segundo Aurélio significa: “fazer seguir; dar seguimento a; continuar”, dando a entender claramente que o apóstolo tinha em mente a persistência na caminhada rumo ao alvo. A palavra “alvo”, neste caso é a tradução do vocábulo grego “skopos”, usada para indicar “um sinal ou marca onde se devia alvejar o dardo ou flecha”, embora neste texto se refira à meta que os corredores procuram atingir, no caso do cristão sua meta é o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.14).

III – O ALVO DO APÓSTOLO PAULO

3.1 “Prossigo para o alvo, pelo prêmio […]” (Fp 3.14-b). No original grego a palavra prêmio é “brabeion” , que alude ao “prêmio oferecido aos atletas vencedores”. Todavia esta palavra dava a entender qualquer recompensa, sendo este o motivo estimulador “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível” (I Co 9.24,25). A Escritura denomina esta recompensa de coroa da vida (Ap 2.9); coroa da justiça (II Tm 4.8) e coroa de glória (I Pe 5.4).

3.2 “[…] da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus(Fp 3.14-c). Essa soberana vocação a que se refere o apóstolo é literalmente “um chamado para o alto”, indicando a sublimidade da chamada divina. Na verdade essa “vocação” é uma “convocação a participar, gratuitamente, dos benefícios do Evangelho com base nos méritos da morte de Cristo”

(CLAUDIONOR, 2006, p. 359). Esta é uma chamada dirigida para cima, divina, cujo objetivo final é a glorificação. Que por sua vez é a etapa final a ser atingida por aquele que recebe a Cristo como Salvador e Senhor da sua alma (Rm 8.17). O texto de ouro que aponta para a nossa glorificação encontra-se em (I Jo 3.2).

IV – OS TRÊS ESTÁGIOS DA PERFEIÇÃO CRISTÃ

Citaremos abaixo as fases da perfeição que estão baseadas na fé em Cristo e naquilo que Ele fez, e não no que podemos fazer por Ele. Não podemos nos aperfeiçoar. Somente Deus pode operar em nós e por nosso intermédio (Fp 1.6). Vejamos na tabela abaixo os três estágios da perfeição cristã:

     ESTÁGIOS                                                             DEFINIÇÃO

 

 

Relacionamento Perfeito

 

 

Somos perfeitos por causa de nossa eterna união com o Cristo infinitamente perfeito. Quando nos tornamos filhos de Deus, fomos declarados “inocentes” e, portanto, justos pelo que Cristo, Seu amado Filho, fez por nós (Rm 3.24; 5.1; I Co 6.11; Gl 3.24). Essa perfeição é absoluta e imutável.É esse perfeito relacionamento que garante que um dia seremos “completamente perfeitos” (Cl 2.8-10; Hb 10.8-14).

Progresso perfeito

  

Podemos crescer e amadurecer espiritualmente à medida que continuamos a confiar em Cristo, a aprender mais a seu respeito e a obedecer-lhe. Nosso progresso é variável (em contraste com o Progresso perfeito nosso relacionamento descrito acima) porque depende de nossa vida cotidiana – há momentos na vida que amadurecemos mais do que em outros. Mas estaremos crescendo em direção à perfeição se continuarmos avançando (Jo 15.2; II Co 3.18; Fp 3.12; Ap 22.11).

Totalmente perfeito

Quando Cristo retornar para levar-nos ao seu Reino eterno, seremos glorificados e nos tornaremos perfeitos (I Co 15.42-44; Fp 3.20,21; I Jo 3.2).

CONCLUSÃO

Devemos seguir o exemplo do apóstolo Paulo, que estava disposto a “esquecer-se das coisas que para trás ficam”, “avançar para que as adiante dele estavam” e “prosseguir” para conquistar a meta da vida cristã, a “soberana vocação de Deus em Cristo”.

REFERÊNCIAS

  • Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. CPAD.
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. HAGNOS.
  • MACARTHUR. Bíblia de Estudo. SBB.

Fonte: http://www.rbc1.com.br/licoes-biblicas/index/

Veja também seleção: Vocação e prêmios

Filipenses Humildade

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