Eliseu e a escola dos profetas

        

1º trimentre 2013 – Lição 12

eliseu e a escola dos profetas

Um ensino fundamentado na Bíblia, mesmo sem se tornar místico, atende aos propósitos de uma educação humanitária, conforme pretendido pelos educadores da UNESCO, que são:

1. Aprender a conhecer — aprender a conhecer é algo que se refere não somente à aquisição de conhecimento, mas também à forma como o indivíduo lida com o conhecimento no desenvolvimento do seu cotidiano.

2. Aprender a fazer — as aprendizagens devem evoluir e não podem mais ser consideradas como simples transmissão de práticas mais ou menos rotineiras.

3. Aprender a conviver — Num primeiro nível, a descoberta progressiva do outro. Num segundo nível, e ao lado de toda a vida, a participação em projetos comuns. O outro aqui não se limita apenas ao indivíduo, mas a outros povos também.

4. Aprender a ser — um sujeito capaz de tomar decisões na vida, dirigido por valores próprios e de maneira crítica.

– É nos dias de Samuel que temos a primeira notícia das escolas dos profetas. Em I Sm. 10:5, quando Samuel unge a Saul como o primeiro rei de Israel, o profeta diz a Saul que, no caminho de volta para a sua casa, ele encontraria um “rancho de profetas” e profetizaria com eles, instante em que o Espírito do Senhor dele se apossaria,sendo, assim, devidamente preparado para ser o primeiro monarca da nação.

– Décadas depois, vamos ver que o velho profeta Samuel presidia uma “congregação de profetas” em Ramá, para onde tinha se retirado depois que entregou a administração do país para Saul, local onde Davi foi procurar refúgio quando do início da perseguição de Saul contra ele (I Sm.19:18-24).

– Notamos, portanto, que esta instituição nasceu nos dias de Samuel e tinha por finalidade a preparação de pessoas que queriam servir a Deus para que fossem capazes de não só viver segundo a lei, mas também ensinar o povo como deveria se viver de forma agradável ao Senhor. Era um espaço destinado à transmissão da lei a pessoas que queriam servir ao Senhor, não só para que aprendessem a respeito de Deus, mas que fossem aptos para também ensinar a outros.

– É por este motivo que esta instituição foi chamada pelos estudiosos de “escolas de profetas”, embora tal termo não seja encontrado no texto sagrado, que fala em “rancho”, “grupo”, “congregação” e “bando” de profetas, conforme a versão utilizada. Tal denominação de “escola”, porém, é por demais apropriada, pois “escola”, no original grego “scholé” era um local de “descanso, repouso, lazer, tempo livre para estudo” e, entre os romanos, “schola” era “um lugar nos banhos públicos em que cada um esperava a sua vez, onde as pessoas costumavam se ocupar da leitura e do estudo”.

– Assim, as “escolas dos profetas” eram um espaço, um local onde as pessoas deixavam de fazer as suas tarefas cotidianas e ordinárias e se dedicavam ao estudo da lei do Senhor, dedicavam-se às coisas de Deus, a aprender os mandamentos, a se dedicar à oração, à busca do Senhor.

– Verificando Samuel que os pais não desempenhavam corretamente o seu papel de ensino da lei a seus filhos, bem como que não era realizada a leitura septenial da lei para o povo, criou esta instituição, a fim de que se quebrasse este círculo vicioso que tanto mal fazia a Israel.

– O fato é que, depois de Samuel, notamos que há uma intensidade maior de profetas no cenário da história de Israel, fruto inegável do esforço deste grande homem de Deus que, tendo vivido por volta de 1.074 a.C., já nos ensina que a educação é fundamental para a perpetuação de uma nação, de um povo, algo que o Brasil e a igreja pentecostal brasileira, por exemplo, três mil anos depois ainda não perceberam…

A Escola de Profetas deve ser vista sob a perspectiva teleológica, dos fins, dos objetivos.

1. Treinamento

O texto de 2 Reis 2.15,16, mostra que fazia parte desse treinamento trabalhar sob as ordens do líder, obtendo assim permissão para a execução de determinadas tarefas: “Vieram-lhe [os filhos dos profetas] ao encontro e se prostraram diante dele em terra. E lhe disseram: Eis que entre os teus servos há cinquenta homens valentes; ora, deixa-os ir a procura do teu senhor; pode ser que o Espírito do Senhor o tenha levado e lançado nalgum dos montes ou nalgum dos vales. Porém ele respondeu: Não os envieis.” Esse processo interativo entre o líder e o liderado, entre o educador e o educando, é vital para a produção do conhecimento. Em outras situações observamos que os filhos dos profetas, quando já treinados, podiam agir por conta própria em determinadas situações (1 Rs 20.35). O discipulado ocorre quando aquele que foi instruído é capaz de repetir com outros o processo do seu aprendizado.

2. Encorajamento

Os expositores bíblicos observam que o profeta Eliseu não limitava o seu ministério à pregação itinerante e à operação de milagres, mas agia também como um supervisor de várias escolas de profetas nos seus dias. Nessas escolas ele fornecia instrução e encorajamento aos jovens que ali chegavam. O contexto dos livros de 1 e 2 Reis não deixam dúvidas de que esses dois profetas se preocupavam em transmitir à geração mais nova aquilo que aprenderam do Senhor. Nessas escolas, portanto, esses alunos eram encorajados a buscarem uma melhor compreensão da Palavra de Deus. Não há objetivo maior para um educador do que encorajar o educando a buscar a excelência no ensino.

A Escola de Profetas deve ser vista sob a perspectiva curricular, dos conteúdos.

1. A Escritura

Quando fazemos um acompanhamento do ministério do profeta Elias, vemos que a Palavra de Deus fazia parte do conteúdo ensinado nas Escolas de Profetas. Eliseu recebeu essa herança. Quando se encontrava no monte Sinai, Elias se queixou que os israelitas haviam abandonado a Aliança com Deus, destruíram os locais de cultos e exterminaram os profetas (1 Rs 19.10). A Palavra de Deus, em especial o livro de Deuteronômio, especificava que princípios e preceitos regiam a Aliança de Deus com seu povo. A Palavra de Deus era essa aliança! Assim como Elias, Eliseu também estava familiarizado com as implicações dessa Aliança. Era essa palavra que ele ensinava aos seus discípulos. E essa palavra que devemos ensinar hoje.

2. A Experiência

Tanto Elias como Eliseu eram homens experientes e compartilhavam com os outros, aquilo que haviam aprendido (2 Rs 2.15; 2.19-22; 4.1-7,42-44). No entanto, no contexto bíblico, a experiência não está acima da revelação de Deus conforme se encontra escrita na Bíblia. A Palavra de Deus é quem julga a experiência e não o contrário. Elias, por exemplo, afirmou que suas experiências tiveram como fundamento a Palavra de Deus (1 Rs 18.36). Os mais jovens devem ter a humildade de aprender com os mais experientes e os mais experientes não devem desprezar os saberes dos mais jovens. O aprendizado se dá através do processo de interação e a experiência faz parte desse processo.

A Escola de Profetas deve ser vista sob a perspectiva metodológica.

1.Ensino através do exemplo

Os estudiosos estão de acordo que essas Escolas de Profetas seguiam o idealismo hebreu concernente à educação. Havia uma relação entre professor e aluno na comunidade onde viviam. A educação acontecia também na sua forma oral e o exemplo era um desses métodos adotados no processo educativo. Não há como negar que Eliseu ensinava através do exemplo. Há vários relatos sobre os milagres de Eliseu onde se percebe que o aprendizado acontecia através da observação das ações do profeta de Abel-meolá. Geazi, moço de Eliseu, sabia que seu mestre era um exemplo de honestidade. No Novo Testamento, Jesus Cristo se colocou como o exemplo máximo a ser seguido e Paulo também se pôs como um modelo a ser imitado (Mt 9.9; 1 Co 11.1).

2.Ensino através da palavra

Eliseu não deixou nada escrito. O que sabemos dele é através do cronista bíblico. Mas esse fato não significa que esse profeta não usasse a Palavra de Deus em sua vida devocional e também como instrumento de instrução na Escola de Profetas. A forma como esses homens julgavam o comportamento dos reis, aprovando-os ou reprovando-os não deixa dúvidas de que eles usam a Palavra de Deus escrita para discipular seus alunos. Eliseu, por exemplo, mediu a iniquidade de Acabe através da piedade de Josafá. Acabe era um rei mal por que não andava conforme a Palavra de Deus enquanto Josafá era estimado por fazer o caminho inverso.

Observamos através do ministério do profeta Eliseu que os filhos dos profetas pertenciam a uma escola dedicada ao ensino formal. Ali era ensinado a Palavra de Deus tanto na sua forma oral como escrita. Esse fato é por si só de grande relevância para nós porque demonstra a preocupação desse homem de Deus em passar a outros o conhecimento correto sobre Deus.

Os tempos mudam e a cultura também. Hoje sabemos que a educação secular possui grande importância e infelizmente para muitos é a única forma de educação existente. Não podemos negligenciar a educação humanista, mas não podemos de forma alguma perder de vista a dimensão espiritual do conhecimento.

Fontes:

http://www.escola-dominical.com/2013/03/licao-12-eliseu-e-escola-dos-profetas.html

http://www.portalebd.org.br/files/1T2013_L12_caramuru.pdf

Porção Dobrada – José Gonçalves

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