O profeta AGEU

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A Glória virá quando pusermos as mãos à obra

Data e Autoria. O autor deste livro é a única pessoa do Velho Testamento com o nome de Ageu (significando “festivo” ou “alegre”). O nome talvez indique a fé dos pais do profeta em que o filho tivesse a alegria de ver suas predições de restauração cumpridas. É possível que fosse chamado por ter nascido em alguma festa sagrada do calendário hebraico. Embora seja um dos profetas cujos detalhes da vida pessoal são desconhecidos, ele foi mencionado por Esdras (Esdras 5:1; 6:14). Ele foi o primeiro dos profetas pós-exílicos que ministrou ao remanescente que voltou do cativeiro da Babilônia. Sua profecia está claramente datada de 520 a.C., o segundo ano do rei Dario. Ageu provavelmente nasceu no exibo no começo do século sexto. Seu contemporâneo no ofício profético foi Zacarias (cons. Ageu 1:1 com Zc. 1:1; veja também Esdras 5:1; 6:14).

Antecedentes Históricos. Os profetas antes do Exílio (586 A.C.) previram a queda do reino judeu  para o novo império babilônio. Também foi revelado que depois de setenta anos o Senhor restauraria o Seu povo à sua terra (Jr. 25:11, 12;  Dn. 9:2). Quando Ciro, o persa, destruiu o poder babilônico, favoreceu e promoveu o retorno dos judeus à terra da promessa para reconstrução do santuário em Jerusalém. Os alicerces do novo Templo foram colocados e a obra começou com grandes esperanças. Logo vizinhos hostis empregaram seus ardis para impedir o trabalho. A obra foi interrompida, mas a oposição externa à tarefa foi apenas parte do problema. Um estado de indiferença apoderouse dos cinqüenta mil exilados que retornaram com a resolução de reconstruir a casa de Deus. Quando Dario Histaspes subiu ao trono persa, o Templo estava intacto por cerca de dezesseis anos. Ageu (e mais tarde Zacarias) foi enviado por Deus para despertar o povo e ativá-lo de sua letargia prosseguindo na obra da  restauração. Seria injusto para com Ageu considerar que suas mensagens só se ocupassem de assuntos da reconstrução. Ele começa desse ponto de partida, mas prossegue falando da glória da presença do Senhor Jesus Cristo, o futuro estabelecimento do reino de Deus na terra, do juízo divino dos poderes mundiais ímpios e das bênçãos que aguardavam as nações que se voltassem para Deus.

ESBOÇO

Capítulo I.
I. Censura à indiferença. 1:1-4.
II. Convocação à reflexão séria. 1:5, 6.
III. Os castigos de Deus para Israel. 1:7-11.
IV. Obediência da nação. 1:12-15.
Capítulo II.
I. Estímulo à construção. 2:1-5.
II. Promessa da glória futura. 2:6-9.
III. Puro e impuro nas questões levíticas. 2:10-14.
IV. A aplicação dessas verdades. 2:15-19.
V. A futura bênção de Deus para Zorobabel. 2:20-23.

COMENTÁRIO

Ageu 1

I. Censura à Indiferença. 1:1-4.

1. No segundo ano. Cons. Introdução. O profeta data todas as suas profecias, como se mantivesse um  compenetrado diário de todos os acontecimentos importantes na reconstrução do Templo.  No primeiro dia do mês. A lua nova era o período  quando o povo se reunia para adoração (como o fazem atualmente os judeus ortodoxos); portanto era urna ocasião apropriada para a pregação da divina mensagem de Ageu. No sexto mês. Chamado Elul, este mês caía em Setembro mais ou menos. A data da profecia no reinado de um monarca gentio é testemunho eloqüente de que “o tempo dos gentios” já tinha começado (cons. Lc. 21:24; Esdras 4:24). Conforme as datas se sucedem através de toda a profecia, o progresso da obra se torna claro. Zorobabel. Seu nome significa “nascido ou gerado na Babilônia”. Nos registros históricos ele é chamado de Sesbazar (veja Esdras 1:8; 5:14, 16). Ele era um descendente da dinastia davídica, o bisavô de Jeoaquim (Jeconias; I Cr. 3:17, 19), e foi feito governador de Judá por Ciro (Esdras 5:14). Josué. Era filho de Jeozadaque, sumo sacerdote no tempo da invasão babilônica (I cr. 6: IS). Assim a profecia de Ageu se dirige aos chefes civis e religiosos da nação.

2. Este povo. Não o “Meu” povo, mas “Este” povo, a fim de demonstrar o desagrado do Senhor. Não veio ainda o tempo. Esta era a desculpa que o povo oferecia para não reconstruir o Templo. De acordo com o seu modo de pensar, o tempo não era apropriado. Na realidade, a raiz da dificuldade se encontrava neles mesmos, não em alguma circunstância externa ou fator de tempo. O subterfúgio está claro; eles não diziam que a obra não deveria prosseguir, mas que não era o momento apropriado de fazê-lo. Alguém poderia achar que um lapso de dezesseis anos teria demonstrado a necessidade de um esforço de sua parte. Mas o coração que não está pronto sempre encontra desculpas. Dificilmente podemos aceitar que eles tivessem calculado meticulosamente os setenta anosa  partir de 586 A.C. A impressão é, antes, de que eles achavam que uma renovação da atividade da construção despertada a hostilidade latente dos persas e os colocaria em dificuldades.

4. Acaso é tempo. . . ? A ASV traduz o pronome adicional no original,  vós mesmos. Ageu perguntou aos líderes se a hora não era auspiciosa apenas para os assuntos relacionados com Deus. Sua atividade nas questões pessoais (tais como a construção de casas) dava uma impressão totalmente diferente. Que contraste – o Templo do Senhor desolado e devastado ao lado das habitações particulares acabadas e enfeitadas dos exilados que tinham retornado! A pergunta do profeta, com um golpe magistral, desmascarou a indiferença, o egoísmo e a desobediência da nação.  Casas apaineladas. Eram casas meticulosamente adornadas. Lambrisamento com cedros se encontravam em palácios de reis (veja I Reis 7:7; Jr. 22:14). Considerando que essa madeira era cara e não comum na Judéia, o seu uso era sinal de luxo. Em ruínas. Onde estavam os seus corações, aí também se encontrava o Seu tesouro. Compare sua indiferença  para com a casa de Deus coma elogiável preocupação de Davi (II Sm. 7:2).

II. Convocação à Séria Reflexão. 1:5, 6.

5. Considerar o vosso passado. A necessidade da hora era considerar (lit., colocai o vosso coração em) suas ações. No vi, o coração geralmente representa a sede dos pensamentos. Para uma pessoa se sentir grata ela deve refletir nas causas de sua gratidão. Convocação à reflexão. Convocação à reflexão é um assunto favorito deste profeta. Ele fala nisso no versículo 7 e então duas vezes em 2:18. É um desafio para o autoexame e o auto-julgamento. O povo judeu podia facilmente avaliar a natureza dos seus atos pelos resultados obtidos deles.

6. Tendes semeado muito. Eles se consumiam por ocasião da semeadura. Eles não poupavam esforços para assegurar a prosperidade. Mas suas colheitas eram totalmente desapontadoras. Eles deviam ter percebido que não podiam se enriquecer à custa de Deus (cons. Lv. 26:26; Os. 4:10; Mq. 6:14).  Vestis-vos. Nada parecia ser o suficiente, nem o alimento, nem a bebida, nem as roupas.  Saquitel furado. Os salários eram tão pequenos que desapareciam diante das necessidades diárias; os ganhos dos trabalhadores logo eram gastos. Não há nenhuma contradição entre a descrição da  pobreza aqui e a descrição das casas apaineladas e caras do versículo 4. Como em outras sociedades, os ricos coexistem com os pobres. Aquela época, como toda época na história da humanidade, comprovou a verdade de Mt. 6:33. Quando Deus é esquecido, todo o trabalho é sem lucro. As civilizações materialistas da atualidade precisam pensar nesta verdade mais do que em qualquer outra coisa.

III. Os Castigos de Deus para Israel. 1:7-11.

8. Subi ao monte. Após outra convocação para um sério exame de sua condição, apresenta-se o remédio. O povo devia subir às terras altas e às áreas cobertas de matas para buscar madeira para o Templo. Dela me agradarei. Deus prometeu desde o início que a obediência resultaria em sua aprovação. Resumidamente Ageu dedara: “Obedecei a Deus e tereis as suas bênçãos e a sua aprovação”. Serei glorificado. Aqui está a prova de que Deus se preocupava, com Ageu, com os aspectos espirituais da reconstrução. Salomão tinha orado (I Rs. 8:30) que Deus fosse magnificado através da adoração do Seu povo. Quando essa atividade da vida espiritual foi negligenciada, resultou em esterilidade. O Talmude Babilônico declara que cinco das coisas que havia no primeiro Templo faltavam no Templo de Zorobabel: 1) a glória do Shequiná, 2) o fogo Santo, 3) a arca da aliança, 4) o Urim e o Tumim, e 5) o espírito de profecia (provavelmente o Espírito Santo). Apesar de qualquer coisa que possa ter faltado na restauração do Templo, Deus inequivocamente prometera que Suas bênçãos lá estariam.

9. Esperastes o muito. Ageu retorna ao tema das consequências desastrosas da indiferença do povo pelas coisas espirituais. Tal negligência tinha um efeito direto em seus assuntos temporais. Embora tivessem grandes esperanças em colheitas abundantes, tais expectativas foram frustrantes. Pouco havia para exibirem pelo seu grande dispêndio de energias. Eu com um assopro o dissipei. Até o pouco que foi colhido de nada lhes adiantou. Deus providenciou que fosse impróprio para o consumo ou que fosse disperso. O povo foi assina informado que não devia atribuir a pequena produção do solo a nenhuma outra causa, como por exemplo, à terra há tanto negligenciada durante o período do cativeiro, mas ao castigo direto de Deus. Por quê? Como a providência divina podia ser explicada? O castigo divino tinha de ser declarado segundo seus atos. Em que eles falharam?  Cada um de vós corre. A resposta é clara. Em buscar a sua própria sorte, exibiram considerável grau de zelo, correram para se dizer a verdade, na busca de seus interesses egoístas, ignorando os interesses do Senhor. Um contraste notável entre a minha casa e a sua própria casa.

10. Retêm o seu orvalho. O Senhor reteve o orvalho que substituía a chuva durante os meses secos do  verão, de modo  que a terra não produzia. Assim Deus manifestou claramente que Ele era o administrador supremo do alimento de Israel

11. Fiz vir a seca. Mais de uma vez na história de Israel Deus viu que havia necessidade de fazer a nação perceber sua total dependência dEle para todas as necessidades da vida. Repetidas vezes os mestres e profetas do V.T. enfatizaram que no caminho da obediência Israel encontraria o equilíbrio das forças da natureza para o seu benefício e recebimento de bênçãos. Deus advertira o povo de que se fosse desobediente, os próprios céus se tornariam como bronze (Dt. 28:23). A seca que ele enviou à terra  e às montanhas afetou o  cereal, o vinho, o azeite, todos os produtos da terra e todo o trabalho do homem e do gado. A fome sempre fora um flagelo terrível na mão de Deus. Veja II Rs. 8:1; Sl. 105:16; cons. Dt. 11:14; 18:4. A criação inferior sempre fica envolvida na sorte do homem (Rm. 8:19-21).

IV. Obediência da Nação. 1:12-15.

12. Atenderam à voz do SENHOR. Aqui se encontra a indicação de que houve uma cooperação sincera entre os líderes e o povo. A mensagem do profeta tivera o efeito pretendido. O povo prontamente avaliou a mensagem de Ageu, aceitando-a como a vontade de Deus expressa através do seu servo.  Seu Deus. Duas vezes Deus foi assim chamado. Parece que há uma implicação aqui de que a nação agora se inclinou a uma conformação mais achegada com o relacionamento que tinha com Deus na qualidade de Seu povo escolhido e participante da aliança.

13. O enviado do SENHOR. . . a mensagem do SENHOR. Com nova visão espiritual, o povo reconheceu Ageu como o porta-voz do senhor, investido de autoridade divina  Eu sou convosco. A mensagem era curta, mas não poderia ser mais confortadora ou mais fortalecedora. No passado esta mensagem fora usada por Deus para incitar os homens a grandes realizações (como, por exemplo, em Êx. 3:12; Jr. 1:8) e continua sendo a mais tranquilizadora de todas as promessas feitas aos servos do Senhor Jesus Cristo em todo o mundo (cons. Mt. 28:20). O retorno ao Senhor foi sincero; caso contrário esta forte palavra de tranquilizarão não lhes teria sido dada.

14. O Senhor despertou. Todas as boas intenções e propósitos do povo de Deus emanam do Senhor. Ele é que dá energia aos homens para querer e fazer a Sua vontade (Fp. 2:13). Espírito. O uso triplo do termo indica que a batalha estava ganha ou perdida no reino espiritual, não em qualquer condição externa favorável ou desfavorável. Eles vieram e se puseram ao trabalho. O povo começou a trabalhar reunindo o material necessário para a estrutura; os  fundamentos não foram, contudo, colocados até três meses mais tarde.

15. Vigésimo quarto dia. Ageu toma o cuidado de dar outra data precisa, tão importante é o assunto no qual tem colocado o seu coração. Houve um intervalo de vinte e três dias entre esta data e a que foi dada no versículo 1. Deus sempre toma nota de qualquer aspecto da obediência dos seus filhos.

Ageu 2 

I. Estimulo à Construção. 2:1-5. construir

1. No sétimo mês, no vigésimo primeiro do mês. A segunda mensagem do profeta está datada do sétimo dia da Festa dos Tabernáculos, a festa final da colheita no calendário hebreu (cons. Lv. 23:39-44). A festa ficava assinalada por muita alegria (como ainda acontece hoje em dia) e os sacrifícios de ação de graça eram mais numerosos no último dia do que em qualquer outro dia do ano. Contudo, comas colheitas escassas e o humilde começo da construção do Templo, o contraste com as antigas condições devia ser especialmente doloroso. Havia, portanto, necessidade de estímulo (cons. Esdras 3:12, 13). Freqüentemente Satanás faz seus mais fortes ataques aos homens logo após eles terem firmemente se resolvido a seguir a liderança do Senhor. O povo precisava de forte estímulo para resguardá-lo do desalento. No primeiro capítulo a necessidade era uma mensagem às consciências e vontades de um povo indiferente; aqui havia necessidade de uma palavra de conforto e estímulo para os corações da nação despertada.

3. Quem há entre vós. . . ? As palavras são dirigidas aos líderes civis e religiosos e ao remanescente que voltara. Deus comparava o Templo de Salomão com o que estava em construção. Através de Ageu perguntava aos líderes e ao povo quantos deles se lembravam da glória da primeira estrutura. Passado um  período de setenta anos de exílio, provavelmente poucos eram os que  tinham visto o primeiro Templo. Como nada. A conjuntura da pergunta  do Senhor se encontra na narrativa de Esdras 3:8-13. O registro declara que na colocação dos alicerces do segundo Templo os sacerdotes acompanharam a cerimônia com o cântico de salmos e tocar de trombetas. A geração mais jovem, sem meios de comparação neste caso, exultava por causa da realização. Mas os homens mais velhos que tinham conhecido o primeiro e glorioso Templo choravam abertamente por causa do notável contraste entre os dois santuários. Ageu dirigiu a sua pergunta a este último grupo. Do ponto de vista divino só havia uma única casa do Senhor em Jerusalém, quer edificada por Salomão, Zorobabel ou mais tarde por Herodes. Uma vez Deus se referira ao edifício de Salomão chamando-o de “esta casa em sua primeira glória”. Os pensamentos divinos não são humanos, e os seus juízos são tomados com base no absoluto.

4-2. Sê forte. No exórdio dirigido ao príncipe, sacerdote e povo, o Senhor ordena a todos que sejam fortes. Deus, que primeiro estabeleceu um contraste notável entre as edificações, agora oferecia ao povo preparação espiritual para a execução de suas tarefas. Seu propósito em estabelecer a diferença não era o de desencorajá-los, mas antes de fazê-los perceber a magnitude de sua obra, sua incapacidade de realizá-la com suas próprias forças e a necessidade  de confiar na suficiência dEle. O Senhor era a sua força. Novamente, a palavra encorajadora de que a presença do Senhor seria sua constante porção lhes foi apresentada.

5. Segundo a palavra da aliança que fiz convosco. Se havia uma nação da terra que devia estar certa da fidedignidade de Deus em relação às suas promessas, essa nação era Israel. Ela tinha feito uma aliança (lit., cortado uma aliança, falando com referência às vítimas que eram divididas pelo meio para ratificação de uma aliança; cons. Gn. 15:10) para estabelecer um relacionamento permanente com os filhos de Israel quando saíram do Egito. A aliança no Monte Sinai é o que se temem vista (cons. Ex. 19:5; especialmente 33:12-14). Considerando que Deus fora fiel a essa promessa através  dos séculos passados da história de Israel, podia-se confiar nEle com toda certeza para manutenção de sua palavra empenhada aos contemporâneos de Ageu. O meu Espírito habita no meio de vós. Um sinal da veracidade da promessa era a presença do Espírito de Deus habitando entre eles. Deus não os abandonara, embora estivesse grandemente aborrecido com sua indiferença para com o Seu amor e Suas ordens. Eles nada tinham a temer.

II. Promessa de Glória Futura. 2:6-9.

6. Ainda uma vez, dentro em pouco. A expressão crítica provavelmente significa que dentro de muito pouco tempo os acontecimentos mencionados se realizariam.  Farei abalar o céu. Este versículo e os três seguintes são distintivamente messiânicos no pensamento (veja também Is. 61:1-3; Dn. 9:24-27; Zc. 9:9, 10). Aqui a mensagem do profeta mescla detalhes da primeira e segunda vinda de Cristo, como outras profecias do V.T. fazem com freqüência. A predição do abalo nos céus, na terra, no mar, certamente se refere a algo mais que uma exibição fora do comum da onipotência de Deus no reino natural; toda a atmosfera da profecia leva o  leitor para o período apocalíptico. Vemos aqui novamente Deus intervindo sensível e manifestamente nos negócios dos homens. Qual seria o  relacionamento de idéias entre a declaração deste versículo e a do versículo 5? O profeta encorajou os judeus a prosseguirem na obra do Templo com toda a diligência, pois, conforme ele lhes assegurava o seu Deus, o Senhor das nações, logo demonstraria o Seu grande poder em benefício de Israel. Ele sacudiria o universo material e derrubaria os reinos terrenos e finitos a fim de estabelecer um reino final e definitivo na terra, o reino do querido Filho de Deus.

7. Farei abalar todas as nações. Esta predição tem se referido à ascensão e sublevação dos impérios persa e grego. Ninguém pode negar racionalmente que esses governos foram abalados no passado. Mas a leitura cuidadosa das profecias da Escritura convence o estudante sem preconceitos que essas ocorrências não passaram de passos preparatórios no processo através do qual Deus pretende desalojar os reinos deste mundo, para substituí-los pelo governo justo do Messias de Israel e Redentor do mundo (veja Hb. 12:26, 27; Ap. 11:15). As coisas preciosas de todas as nações. Os tradutores não têm concordado com a tradução das quatro palavras hebraicas desta porção do versículo. A LXX as traduz assim: as coisas preferidas de todas as nações virão. A ASV prefere esta tradução:  as coisas preciosas de todas as nações, com a anotação à margem,  as coisas desejadas (heb.,  desejo)  de todas as nações virão. Outros sugeriram:  os gentios virão com suas coisas deliciosas, ou as possessões preciosas dos pagãos. Que significado deve ser dado à passagem segundo essas traduções? A falta de esplendor e adornos externos no Templo de Zorobabel seriam mais que compensados pelos presentes preciosos que todos os povos trariam para tornar o Templo do Senhor em uma coisa bela e gloriosa. É claro que tal tributo ao Senhor será prestado como sincera homenagem. Faz jus a esta interpretação o uso do sujeito feminino singular e do verbo no plural. É bom lembrar, contudo, que  desde o começo a maioria dos intérpretes cristãos seguiram a tradição judia associando a passagem à vinda do Messias de Israel. Parece claro a esses intérpretes que o anseio que todas as nações têm em comum deve ser o seu anseio pelo Libertador, quer percebam ou não a natureza do seu desejo ou a identidade do seu verdadeiro cumprimento no Senhor Jesus Cristo. Mais ainda, no hebraico geralmente um nome abstrato substitui um concreto; assim a referência ao Messias não é automaticamente excluída com base nas considerações lingüísticas. O  uso do verbo no plural não milita contra a interpretação messiânica,  pois há exemplos nos quais o verbo concorda com o segundo dos dois nomes. Encherei de glória esta casa. É interessante que toda a habitação terrena do Deus infinito encheu-se de glória (veja Êx. 40:35 com referência ao Tabernáculo Mosaico; I Rs. 8:10,11; II Cr. 5:13, 14 quanto ao Templo Salomônico). O Templo de Zorobabel tinha ainda de se encher com a glória da presença do Filho de Deus encarnado (João 1:14), não se mencionando a glória do Segundo Advento (Ml. 3:1). O Senhor prediz que as nações serão abaladas (não redimidas). Esse abalo foi o preparativo de Sua primeira vinda e se completará com o segundo aparecimento (Dn. 2:35, 44; Mt. 21:44). Concordantemente, Deus encherá a sua casa, o Templo do futuro, com glória sem precedentes.

8. Minha é a prata. Para que o remanescente não ficasse sobrecarregado com a preocupação sobre a falta dos preciosos metais para a restauração do Templo, o Senhor apontava para os seus inesgotáveis suprimentos. Tem-se calculado que no Templo de Salomão foram usados cerca de vinte milhões de dólares em ouro para revestimento do compartimento mais interno do santuário. Mas o que era isto em comparação com os suprimentos dAquele que tem tudo? (Sl. 50:12). Sim, mais do que isso, Deus o embelezará na vinda do Seu Filho. Os pobres exilados tinham pouco para enfeitar o Templo, mas Deus lhes assegurou que supriria a falta. 9. A glória desta última casa. O sentido é que a última glória da casa excederia de muito toda a glória antiga. É de vital importância que se perceba que nas Escrituras o Templo de Deus em Jerusalém é considerado como uma entidade, existindo sob diferentes formas em diferentes períodos da história. A  presença de Cristo emprestaria uma glória ao segundo Templo que o primeiro Templo jamais conheceu. Tem-se defendido o ponto de vista que a última glória se refere à glória milenial do Templo visto em Ezequiel, capítulos 40 a 48. Considerando que há uma continuidade nos Templos das diferentes épocas, esta posição não pode ser excluída. Embora o Templo de Zorobabel fosse totalmente modificado por Herodes quando o reformou, o seu Templo continuou sendo considerado como o segundo Templo. É assim chamado por todas as autoridades judias.  E neste lugar darei a paz. Cristo estabeleceu as bases para a paz espiritual de Jerusalém (Cl. 1:20). Ele garante a paz do coração e da mente para os crentes agora (Rm. 5:1; Fp 4:7) Mas finalmente Ele proporcionará a paz mundial na pessoa do Príncipe da paz (Is. 9:6, 7). Mais do que suficiente, então, é esta resposta de Deus para a aparência pouco impressionante do versículo 3  Deus sempre reserva o melhor para o fim só os olhos da fé podem vê-lo.

III. Puro e Impuro nas Questões Levíticas. 2:10-14.

10. Ao vigésimo quarto dia do mês nono. A quarta mensagem da profecia de Ageu foi dada dois meses depois da anterior. Foi no nono mês que as chuvas temporãs podiam ser esperadas para regarem as lavouras. Tendo já experimentado a  escassez e o desapontamento no período anterior o povo devia estar especialmente preocupado com a produção para o ano seguinte. Durante seu anterior período de desobediência, foram castigados em  assuntos temporais. Haveria uma mudança agora que tinham obedecido à ordem de Deus através de Ageu? O profeta responde agora a esta pergunta.

11. Pergunta agora aos sacerdotes, a respeito da lei. O povo devia buscar ajuda legal com os sacerdotes daquele tempo. Os sacerdotes de Israel eram os mestres autorizados da Lei Mosaica (veja Dt. 17:8, 9). Eram comissionados por Deus a interpretar a Lei; os profetas eram enviados para aplicá-la (por exemplo, Ageu 2:13, 14). Nos versículos 11 a 13 o povo de Israel foi descrito, indiretamente, no seu estado de desobediência, condição que não devia se repetir.

12. Se alguém leva carne santa. Duas perguntas distintas foram feitas. A primeira é: Se um homem estivesse carregando carne santa (sacrificial) e tocasse em outro objeto, esse objeto ficaria santo ou separado para o Senhor por causa do contato com a carne? Responderam os sacerdotes: Não. A resposta no primeiro caso está na negativa (cons. Lv. 22:4-6; Nm. 19:11).

13. Ficará ela imunda? A segunda pergunta era: Se um homem cerimonialmente impuro por causa de contato com um cadáver tocasse em um objeto, o objeto ficaria impuro por causa da impureza Cerimonial do homem? A resposta à segunda pergunta está na afirmativa. O princípio é que a pureza moral não pode ser transmitida, de acordo com os regulamentos mosaicos, mas a impureza moral pode ser transmitida. A impureza legal é transmitida e não a pureza legal ou levítica. Um homem não pode transmitir sua saúde a uma criança doente, mas uma criança doente pode transmitir sua doença a um homem.

14. Assim é este povo. Embora o povo estivesse negligenciando a obra do Templo, estivera oferecendo sacrifícios sobre um altar improvisado em Jerusalém (Esdras 3:3). Essas ofertas não eram agradáveis ao Senhor; por isso Deus tinha retido Suas bênçãos do povo, conforme se vê claramente no capítulo 1. O que ali oferecem: tudo é imundo. Exatamente como os israelitas impuros poluíam tudo o que tocavam assim o povo em sua desobediência transmitia os resultados dessa desobediência a sua obra, que se comprovava sem proveito. Assim como carne sagrada não podia comunicar sua consagração a qualquer objeto, as ofertas que tinham o cuidado de apresentar sobre o altar de Deus não eram suficientes para garantir a bênção de Deus e a alegria da santidade. Todo o seu trabalho passado participava de sua impureza espiritual. A conclusão é clara: não deviam retornar à sua desobediência anterior, mas deviam abandoná-la. Aqui Ageu está interpretando causa e efeito de um ângulo da Lei Mosaica, exatamente como antes a explicara (1:6, 9-11) do ponto de vista da semeadura e colheita. Os paralelos são claros entre: “este povo”, “esta nação” aqui e “Este povo” em 1: 2.

IV. Aplicação Destas Verdades. 2:15-19.

15. Antes de pordes pedra sobre pedra. O povo de Deus foi intimado a considerar suas difíceis circunstâncias durante o período em que fora interrompido o trabalho no Templo.  16. Alguém vinha a um monte de vinte medidas. Naqueles dias de escassez, quando um homem se aproximava de um monte de trigo do qual pensava obter vinte medidas, descobria que, após debulhado, só dava metade  daquela porção.  Vinha ao lagar. O lagar do qual se esperava que desse cinqüenta medidas de vinho só dava vinte. As expectativas eram constantemente frustrantes, pois a próspera não de Deus não estava sobre elas.

17. Eu vos feri. Como nos dias do profeta Amós (cons. Amós 4:9), o Senhor feria os campos e as vinhas do Seu povo com crestamento, em resultado da seca excessiva, e com mofo, em conseqüência de umidade excessiva. O restante da obra de suas mãos era destruído pela saraiva. Toda a natureza era convocada contra eles.  E não houve entre vós quem voltasse para mim. Esses sinais do desprazer divino deviam ser advertências bastante claras de castigos futuros, mas o povo era lento em perceber e não se voltava para Deus com arrependimento e confiança.

18. Considerai . . . desde este dia em diante. Este versículo expressa uma exortação dupla. Como os homens dedicam pouco de suas mentes e pensamentos ao relacionamento que mantém com o Senhor! . . .Antes do vigésimo quarto dia o povo ainda não tinha se entregado sem reservas à obra, como deveria ter  feito. Queriam comparar condições antes e depois de sua obediência.

19. Já não há somente no celeiro? O povo podia facilmente verificar a veracidade ou falsidade das conclusões do profeta. Ao fazê-lo teriam descoberto há muito que não  havia mais sementes no celeiro, e que as videiras e árvores já não produziam mais frutos. Mas desde este dia vos abençoarei. Mas agora, permanecendo obedientes, Israel acharia tudo diferente. O profeta não falava como um técnico agrícola inteligente, prevendo boas colheitas, mas como o profeta de Deus anunciando a bênção da fé, a prosperidade da confiança. O Deus que podia reter bênçãos também podia concedê-las ao povo fiel.

V. As Futuras Bênçãos de Deus para Zorobabel. 2 : 20-23.

20. Aos vinte e quatro do mês. No mesmo dia em que transmitiu sua mensagem anterior (v. 10), Ageu transmitiu também seu último pronunciamento, uma palavra de encorajamento pessoal a Zorobabel, o líder civil.

21. Fala a Zorobabel. É possível que Zorobabel, na qualidade de governador e líder civil, tivesse dificuldade em entender as predições anteriores (vs. 6, 7) referentes às revoluções entre os poderes e feitios mundiais. Talvez ele se preocupasse sobre como esses procedimentos divinos afetariam o povo cujo chefe ele era. Farei abalar o céu e a terra.Prontamente se verá e reconhecerá que a mensagem pessoal a Zorobabel funde-se com o pronunciamento profético referente aos futuros juízos de Deus sobre as nações.

22. Derrubarei o trono dos reinos. Alguns intérpretes têm colocado esta passagem no período da revolta das nações súditas contra o Império Persa. Isto aconteceu quando Dario Histaspis subiu ao trono em 521 A.C. Mas a profecia de Ageu considera o futuro ; não se refere a algum acontecimento histórico conhecido  de  todos.  Mais  ainda,  há  um significado no uso do singular “trono”. É melhor que se veja aqui, de acordo com hábeis expositores, uma  referência à derrota final deste sistema mundial dominado por Satanás, quando o Rei da justiça, o Senhor Jesus Cristo, retornar para absorver os governos (cons. Ap. 11:15).  O carro. As nações, naquele tempo como agora, ainda dependerão de forças e armas materiais para alcançarem seus objetivos carnais, mas o Senhor destruirá totalmente seu poder e demonstração de força. Pela espada do outro. A destruição começada pelo Senhor terá um fim através da insanidade da luta civil (veja também Ez. 38:21; Zc. 14:13). Esses acontecimentos terão  lugar nos dias da Guerra do Armagedom. Sem muito esforço de imaginação os acontecimentos deste versículo podem ser torcidos para se encaixarem  em algum conflito ou movimento político de impérios outrora grandes.

23. Naquele dia, diz o SENHOR dos exércitos, tomar-te-ei. A nota pessoal é inconfundível. Zorobabel não se destinava ao juízo, mas para uma missão específica. Deus trilha reservado honras especiais para este servo Seu. A promessa realmente se refere ao ofício que Zorobabel exercia como governador em Judá;  não pode se referir ao período de vida do próprio Zorobabel. No seu tempo os acontecimentos preditos não transpiravam. O significado é que o descendente messiânico viria através de Zorobabel, da linha de Davi, tal como se fosse através do próprio Davi. O trono garantido a Davi está  aqui comparado com as dinastias vacilantes do mundo. Zorobabel se encontra em ambas as genealogias do Messias (Mt. 1:12; Lc. 3:27). Os expositores judeus relacionavam esta passagem de Ageu com o Messias.  Em Zorobabel como tipo está prefigurada, portanto, a pessoa  do antítipo, o Messias. Ambos eram descendentes de Davi; por isso a mistura nesta profecia.  Como um anel de selar. O selo era um objeto de valor e cuidado no Oriente. Era sinal de honra e autoridade (veja Cantares 8:6; Jr. 22:24). Antigamente, quando o anel de selar era usado para assinatura de cartas e documentos, representava o seu possuidor, que sempre o usava (cons. Gn. 38:18; Jr. 22:24). Era uma propriedade de sua estima. Aqui o selo prefigurava o Cristo precioso. Porque te escolhi. Como outras pessoas ilustres do V.T. tomaram o seu lugar na linhagem da sucessão messiânica pela seleção soberana de Deus, assim Zorobabel foi honrado tomando lugar nesse grupo de homens que apontavam para o Escolhido de Deus, o Senhor Cristo.

By Moody

Leia tambem:

OS PROFETAS MENORES – Heber Negrão

AGEU E SOFONIAS – Comentário de Adam Clarke

 

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