Hulda, a mulher que estava no lugar certo

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 09 – HULDA, A MULHER QUE ESTAVA NO LUGAR CERTO (2 Cr 34.22-28)

INTRODUÇÃO

Nesta lição falaremos sobre Hulda, uma notável profetisa que foi porta-voz de Deus para o rei Josias num período bastante caótico, tanto política quanto espiritualmente em Judá; destacaremos algumas características da verdadeira profecia; pontuaremos os traços do seu caráter; e, qual a contribuição da mensagem divina dada por Hulda na grande reforma religiosa promovida pelo rei Josias.

I – INFORMAÇÕES SOBRE HULDA

  • Segundo Champlin (2004, p. 172 – acréscimo nosso) o nome Hulda no hebraico quer dizer “doninha”, que é um animal mamífero carnívoro que tem um aspecto de um furão. Este nome aparece uma única vez na Escritura (2 Rs 22.14; 2 Cr 34.22). Ela residia em Jerusalém, no bairro chamado Cidade Baixa (2 Rs 22.14-20; 2 Cr 34.22-28).
  • Família. O registro do Livro dos Reis e das Crônicas dizem que Hulda era casada com um homem chamado Salum, cuja profissão e genealogia é destacada (2 Rs 22.14; 2 Cr 34.22). Sugere-se que seu marido, Salum, seria parente de Jeremias (Jr 7-12).
  • Vocação. É dito que Hulda era uma profetisa (2 Rs 22.14; 2 Cr 34.22). Ela é uma das poucas profetisas do AT e a única mencionada durante o período dos monarcas. Algumas mulheres foram chamadas para serem profetisas na história de Israel: Miriã, Débora, Hulda e Ana (Êx 15.20; Jz 4.4; 2 Rs 22.14; Lc 2.36). Hulda foi contemporânea dos profetas Jeremias e Sofonias que somaram voz para a grande Reforma promovida por Josias (Jr 1.1-3; Sf 1).
  • Época em que profetizou. O único registro da profecia de Hulda se dá no reinado de Josias. Ele começou a reinar após 55 anos de derramamento de sangue e corrupção moral sob Manassés e 2 anos de Amom (2 Rs 21.1,19). Foi em seu reinado que o culto a Deus foi restaurado, e, freou-se o grave deterioramento que a religiosidade judaica havia sofrido; e foi também então que, tendo se descoberto, em 622 a.C., o “Livro da Lei”, Josias empreendeu a reforma do culto em Jerusalém (2 Rs 22.3; 23.25; 2 Cr 34.8; 19).

II  – UMA MULHER COMO PROFETISA

A escolha de algumas mulheres para determinadas vocações e outras não, não tinha por base o costume local ou machismo como afirma alguns teólogos. As restrições para determinadas vocações foram estabelecidas pelo próprio Deus, por exemplo: o AT mostra que apenas homens eram ungidos como sacerdotes e reis (Êx 28.41; 1 Sm 16.13). A única mulher que reinou em Judá o fez de forma ilegítima (2 Rs 11.1); a única pastora que aparece na Bíblia apascentava ovelhas e não pessoas (Gn 29.9); e, as sacerdotisas mencionadas eram de religiões pagãs (2 Re 23.7); a própria Débora embora chamada de juíza não exercia toda a responsabilidade desse ofício, que incluía ser líder militar, antes ela lembrou que essa função era de Baraque (Jz 4.4-7). Vaux (2003, p. 422) diz que “nenhuma mulher fazia parte do clero israelita”. No NT, vemos que Jesus jamais chamou mulheres para serem apóstolas, pastoras ou qualquer outro cargo eclesiástico (Mc 3.13,14; At 1.21-23; 6.3; Ef 4.11; 1 Tm 3.1-13; Tt 1.5-9). No entanto, é bom destacar a preciosa participação das mulheres na obra de Deus:

  • Joel profetizou que o derramamento do Espírito se estenderia a homens e mulheres dando a ambos o dom de profecia: “e vossos filhos e vossas filhas profetizarão” (Jl 28-a);
  • Jesus era seguido por discípulas que lhe auxiliavam com seus recursos (Mc 15.40,41; Lc 1-3);
  • As quatro filhas de Filipe profetizavam (At 9);
  • Paulo faz menção de mulheres que cooperavam com ele no trabalho do Senhor (At 14,15; Rm 16.1-4,6,12,15).

– A PROFECIA DE HULDA

Após descobrir o Livro da Lei perdido dentro da Casa do Senhor e ouvir o seu conteúdo, Josias “rasgou as suas vestes” (2 Rs 22.8,11-b). Tal atitude mostra o quebrantamento que sentiu este piedoso rei diante dos castigos pronunciados pelo Senhor ao povo de Israel. Gardner (1999, pp. 386,387) diz que este livro provavelmente foi Deuteronômio pelos seguintes motivos: (a) às especificações do lugar central de adoração, a destruição dos lugares altos (Dt 12.1-3); (b) maldições resultantes da desobediência (Dt 27 e 28); a celebração da Páscoa (Dt 16.1-8); e, (c) a cerimônia da renovação da aliança (Dt 27; 31; 2 Cr 34.30-32; 2 Rs 23.2). Querendo saber mais detalhadamente a vontade do Senhor, o rei comissionou um grupo de líderes para estar consultando uma profetisa chamada Hulda (2 Rs 22.14). A profetisa ficou sabendo da solicitação do rei e lhe falou a Palavra do Senhor (2 Rs 22.15-20). Abaixo destacaremos três verdades sobre a profecia de Hulda que podemos caracterizar como verdadeira:

  • A profecia não distoou das Escrituras. Quando recebeu a visita dos ilustres homens enviados por Josias a profetiza Hulda lhes disse: “assim diz o SENHOR Deus de Israel: Dizei ao homem que vos enviou a mim: assim diz o SENHOR: Eis que trarei mal sobre este lugar, e sobre os seus moradores, a saber: todas as palavras do livro que leu o rei de Judá” (2 Rs 22.15,16). O profeta é um mensageiro de Deus, e sua principal função é tornar conhecidas as revelações divinas e transmiti-las ao povo (Êx 7.1; Nm 12.6; 1 Sm 3.20; Hb 1.1,2). A profecia dada por Deus, a sua serva Hulda, em nada foi diferente do conteúdo do Livro Sagrado encontrado e lido para Josias. Seu conteúdo era exortativo (2 Cr 34.18-21; 23-25). Devemos entender que nenhuma manifestação é válida quando se contrapõe ao que está claramente ensinado nas Escrituras, pois toda experiência deve estar submetida a Bíblia e não o contrário (Gl 8,9).
  • Estava de acordo com a dos outros profetas. A mensagem dada por Hulda em nada era diferente dos profetas que por Deus foram levantados em sua época. Jeremias já havia anunciado o cativeiro (Jr 25.11-a); o tempo do cativeiro (Jr 25.11-b); o porquê do cativeiro (Jr 25.3-10); e, o seu fim (Jr 25.12-14). Quando Jeremias se viu diante do falso profeta Hananias que profetizava que o cativeiro babilônico demoraria apenas dois anos (Jr 28.1-3), o fiel mensageiro de Deus disse ao público que lhe ouvia que eles deveriam ter cuidado com esta falsa mensagem, pois não estava de acordo com a mensagem dos outros profetas anteriores a ele (Jr 8,9). Sofonias também profeta contemporâneo, falou acerca da mesma sentença que estava para vir sobre Judá (Sf 1.1-18).
  • Cumpriu o propósito de exortar, consolar e edificar. Além de confirmar os castigos que estavam anunciados na Escritura, Hulda fez conhecida também uma mensagem específica de consolação para o rei Josias, dizendo que estes males viriam sobre o povo, no entanto, não nos dias em que ele governaria, por causa da sua reação de quebrantamento diante do iminente juízo divino, trazendo assim consolo para a sua alma (2 Cr 34.26-28). Orientando a igreja em Corinto sobre os dons espirituais, principalmente sobre o dom de profecia, o apóstolo Paulo disse: “mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação” (1 Co 3).

IV – VIRTUDES DA PROFETISA HULDA 

  • Uma mulher santa. Apesar da apostasia que aconteceu nos reinados de Manassés e Amom, havia um remanescente judeu que se conservara nos caminhos do Senhor. No meio destes fiéis estava a profetiza Hulda. Ela era uma reserva moral e espiritual reconhecida pelo rei Josias “Ide, e consultai o SENHOR por mim […]” (2 Rs 22.13). A Bíblia nos exorta a santificação (Lv 20.26; 1 Pe 1.15,16), dizendo que ela é a vontade de Deus (1 Ts 4.3), e, a condição sem a qual ninguém verá o Senhor (Hb 14).
  • Uma mulher ousada. Ao ser consultada pelos representantes do rei, Hulda, ousadamente falou a Palavra do Senhor, confirmando inteiramente a punição divina descrita no livro da Lei que fora achado (2 Cr 34.23-25). Não devemos ter medo de falar a Palavra do Senhor a este mundo tenebroso (At 4.31; 2 Tm 6,7).
  • Uma mulher influenciadora. A profecia de Hulda não somente confirmou os juízos preditos na Palavra do Senhor, como também influenciou positivamente o piedoso rei Josias a promover grandes reformas em Judá, que não evitam o cativeiro, mas o retardou (2 Rs 22.18-20; 23.25-27). Jesus disse que os seus discípulos deveriam ser o sal da terra e luz do mundo, querendo exortá-los a serem influentes no lugar onde estivessem, pois para isto servem estes dois elementos (Mt 13-16).

V – O AVIVAMENTO PROMOVIDO POR JOSIAS

O Registro Sagrado diz que o rei Josias: (a) achou a Palavra dentro da Casa do Senhor, por meio do sumo sacerdote (2 Rs 22.8); (b) o escriba leu a Palavra diante do rei (2 Rs 22.10); (c) temeu a Palavra (2 Rs 22.1); e, (d) agiu por causa da Palavra (escrita e profética), promovendo uma grande reforma religiosa em Judá, pois deu ouvidos a voz do Senhor (2 Re 22.11-20; 23.1-3). Acerca da obra que Josias realizou em Judá nos seus dias, a Bíblia diz que “[…] antes dele não houve rei semelhante, que se convertesse ao SENHOR com todo o seu coração, com toda a sua alma e com todas as suas forças, conforme toda a lei de Moisés; e depois dele nunca se levantou outro tal” (2 Rs 23.25). Vejamos algumas de suas atitudes: (a) limpou o templo e a cidade da idolatria (2 Rs 23.4,6; 10-15); (b) destituiu sacerdotes falsos (2 Rs 23.5); (c) tirou a imoralidade do meio do povo (2 Rs 23.7); (d) Celebrou a Páscoa que há muito não era comemorada (2 Rs 23.21-23); e, (e) removeu toda prática de feitiçaria do meio do povo (2 Rs 23.24).

CONCLUSÃO

Deus espera que estejamos na mesma posição espiritual da profetisa Hulda: de comunhão e prontidão. Devemos ser seus porta-vozes e agentes influenciadores desta geração, provocando um forte impacto através de um testemunho santo e pelo poder da Palavra.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • ELISSEN, Stanley. Conhecendo melhor o Antigo Testamento.
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Abigail, um caráter conciliador

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 08 – ABIGAIL, UM CARÁTER CONCILIADOR – (1 Sm 25.18-24,27,28)

INTRODUÇÃO

Nesta lição faremos um contraponto sobre o caráter duro e maligno de Nabal com o caráter justo e sábio de sua esposa Abigail. Destacaremos os pontos negativos deste homem cruel, egoísta e arrogante; e também sobre os pontos positivos desta mulher pacificadora, humilde, sábia, intercessora, prudente e corajosa que foi Abigail.

I – CARACTERÍSTICAS DO CARÁTER DE NABAL

Nabal descendia do famoso Calebe, companheiro de Josué (1Sm 25.3), e seu nome significa: “tolo, louco” (1Sm 25.25) (CHAMPLIN, 2000, p. 1212). Na passagem bíblica em que aparece este personagem, Davi não exigiu dele que mandasse grandes quantidades de víveres, mas, sim, que enviasse para seus homens o que “achasse à mão”, ou seja, o que pudesse mandar (1Sm 25.8-c). Porém, ao ouvir o pedido de Davi, Nabal encolerizou-se diante dos mensageiros e disse que não atenderia o pedido de um homem que, na visão dele, era mais um fugitivo de “seu senhor”, o rei Saul (1Sm 25.10). Vejamos alguns aspectos do seu caráter:

  • Nabal um homem maligno. Nabal é descrito como um homem de caráter “[…] duro e maligno nas suas ações” (1Sm 25.3), do qual ninguém poderia aproximar-se com segurança: “[…] e não há quem lhe possa falar” (1Sm 25.17-c). Um de seus servos, bem como a própria esposa, o chamaram de “filho de Belial”, dizendo que: “[…] a loucura estava com ele” (1Sm 25.25). O termo hebraico “beliya’al” refere-se a pessoas que transgrediam a lei deliberadamente (WIERSBE, 2010, 272).
  • Nabal um homem egoísta. Davi protegera os pastores de Nabal de atacantes árabes e filisteus (1Sm 25.7,8), no entanto, quando os jovens explicaram-lhe educadamente a situação, Nabal insultou-os. Nabal tinha informações de Davi, como o texto indica, em sua referência ao seu pai: “[…] e quem é o filho de Jessé? ” (1Sm 25.10-b). Nabal era partidário de Saul e considerava Davi um rebelde (1Sm 25.10), suas palavras sem dúvida, revelam o coração de um homem egoísta e arrogante (1Sm 25.10,11). Davi precisava sustentar 600 homens no deserto (1Sm 13), e Nabal “[…] pagou mal por bem(1Sm 25.21 ver Pv 17.13).
  • Nabal um homem arrogante. A resposta de Nabal aos homens de Davi foi dura, e sem dúvida alguma, era uma grande afronta. Foi enviada uma original saudação a Nabal, mostrando-lhe cortesia e desejando todas as coisas boas para ele, seus familiares e servos (1Sm 25.5,6,8). Mesmo com toda essa saudação a resposta de Nabal demonstra seu caráter prepotente e arrogante (1Sm 25.10,11). Esse insulto indica que ele pertencia à facção de Saul e que odiava Davi (ELLICOTT apud CHAMPLIN, 2000, p. 1213).
  • Nabal um homem ingrato. Em ocasiões anteriores, Davi chegara a dar proteção aos pastores de Nabal seus homens serviam de apoio e de guarda para os rebanhos: De muro em redor nos serviram […]” (1Sm 25.16). Proteção foi dada aos pastores, que estavam muito vulneráveis em campo aberto, com suas ovelhas. Os homens de Davi não lhes haviam feito nenhum mal nem os tinham furtado, e podemos supor que tenham dado proteção contra os temíveis filisteus, que tinham o mau hábito de atacar pessoas que de nada suspeitavam (1Sm 7,8; 15-17) (CHAMPLIN, 2000, p. 1213 – grifo nosso).

II – CARACTERÍSTICAS DO CARÁTER DE ABIGAIL

Antes de falarmos sobre quem foi Abigail esposa de Nabal (1Sm 25.3) e conhecermos a sua história, precisamos considerar duas outras mulheres que aparecem com esse mesmo nome na narrativa bíblica. Uma trata-se da filha de Naás Rei de Amom (2Sm 17.25) e a outra era a filha de Jessé irmã de Davi (1Cr 2.13-16). O nome Abigail significa “Fonte de alegria” ou “exultação” (LIMA, 2017, p. 87). A beleza de Abigail estava em seu nome, em sua aparência e em seu caráter: “[…] Abigail; e era a mulher de bom entendimento e formosa […]” (1Sm 25.3). Para entendermos o caráter de uma pessoa, faz-se necessário conhecer um pouco de sua história, de suas atitudes e ações. Vejamos algumas de suas qualidades:

  • Abigail uma mulher pacificadora. Abigail agiu com extrema prudência, e apaziguou o coração de Davi, pedindo perdão e o fez reconhecer que a vingança não era a melhor decisão naquele momento. Assim que soube das resoluções do coração de Davi, ela apressou-se para apaziguá-lo e pacificá-lo. Davi ficou tão grato que louvou a Deus por aquele encontro, fruto não da casualidade, mas, sim, da providência divina: “Bendito o Senhor, Deus de Israel, que, hoje, te enviou ao meu encontro. Diante de tão grande livramento, pois essa atitude vingativa desagradaria a Deus e desonraria seu nome, Davi agradeceu a Deus e a Abigail (1Sm 25.33- 35 ver Pv 30). Após cumprir a sua missão de paz, “[…] voltou Abigail a Nabal” (1Sm 25.36-a).
  • Abigail uma mulher intercessora. Abigail intercedeu por Nabal, e assumiu a culpa do marido como se fosse sua pedindo clemência a Davi: “Perdoa a transgressão da tua serva [..]” (1Sm 24,28). Ela tentou aplacar a fúria dele, explicando que o marido era louco e que ela não tinha agido em favor dele e dos moços porque não viu o momento em que eles chegaram ao Carmelo: Meu senhor, agora não faça este homem vil, a saber, Nabal, impressão no seu coração, porque tal é ele qual é o seu nome. Nabal é o seu nome, e a loucura está com ele, e eu, tua serva, não vi os moços de meu senhor, que enviaste” (1Sm 25).
  • Abigail uma mulher prudente. A sua prudência pode ser vista, principalmente, no seu jeito de falar. Sete vezes Abigail chamou a si mesma de “tua servae oito vezes chamou a Davi de meu senhor(1Sm 25.24, 25, 27, 28, 31, 41). Abigail mostrou isso: “Agora, pois, meu senhor, vive o Senhor, e vive a tua alma, que o Senhor te impediu de vires com sangue, e de que a tua mão te salvasse; e, agora, tais quais Nabal sejam os teus inimigos e os que procuram mal contra o meu senhor” (1Sm 25.26). Abigail reconheceu Davi como rei (1Sm 28,30) quando o chamou de meu senhor”.
  • Abigail uma mulher sábia. É provável que em várias ocasiões, Abigail já tivesse feito reparos aos atos de seu marido, e esse era um dos fatores que o mantinham rico e abastado. Abigail não se demorou em preparar para Davi e seus homens uma pequena provisão: “Abigail se apressou […] e prostrou-se sobre o rosto diante de Davi […]” (1Sm 25.18-a; 23, Pv 14.1). “E agora este é o presente que trouxe a tua serva a meu senhor; seja dado aos moços que seguem ao meu senhor. Perdoa, pois, à tua serva esta transgressão, porque certamente fará o Senhor casa firme a meu senhor […](1Sm 27,28) (CHAMPLIN, 2000, p. 1213).
  • Abigail uma mulher corajosa. Ciente de que se tratava da esposa de Nabal, Davi poderia tê-la executado ali mesmo. De outra sorte, ela poderia ser severamente castigada por seu marido por causa do ato de independência: “[…] nada disse ela a seu marido (1Sm 25.19). Seus servos partiram na frente, mas ela deve ter mudado de ideia acerca de sua missão e foi pessoalmente: “[…] enquanto ela, cavalgando um jumento, descia” (1Sm 25.20). Abigail considerou ser importante ir pessoalmente, e foi o que fez, mesmo ariscando sua própria vida, pois muita gente dependia de seu sucesso (1Sm 25.12,13). Enquanto Nabal, o tolo, estava ocupado com bebidas, comidas e festejos, essa valente mulher saiu para enfrentar um exército irado.
  • Abigail uma mulher humilde. Abigail fez o que Nabal deveria ter feito; “prostrou-se com o rosto em terra” em homenagem ao futuro rei de Israel. É interessante ver a forma como Abigail agiu com humildade diante de Davi e de todo o exército que o acompanhava reconhecendo o homem de honra e de guerra que ele era: “Vendo, pois, Abigail a Davi, apressou-se, e desceu do jumento, e prostrou-se sobre o seu rosto diante de Davi, e se inclinou à terra. E lançou-se a seus pés, […] deixa, pois, falar a tua serva aos teus ouvidos, e ouve as palavras da tua serva. ” (1Sm 23, 24).
  • Abigail uma mulher conciliadora. Davi reconheceu que a atitude de Abigail aplacou a ira dele e disse que o Senhor Deus de Israel era quem havia enviado aquela mulher ao seu encontro: “Então Davi disse a Abigail: Bendito o Senhor Deus de Israel, que hoje te enviou ao meu encontro. E bendito o teu conselho, e bendita tu, que hoje me impediste de derramar sangue, e de vingar-me pela minha própria mão […]” (1Sm 32-35).
  • Abigail uma mulher determinada. Abigail diz a Davi que ele não leve em conta o que o seu esposo fez, porque o seu nome indicava sua loucura (1Sm 25.24). Ela ainda anteviu a vitória de Davi sobre seus inimigos e disse que ele seria feito por Deus “chefe sobre Israel” e que, quando assim sucedesse, Davi não se esquecesse dela (1Sm 25.30,31). “E mandou Davi falar a Abigail, para tomá-la por sua mulher” (1Sm 25.39 ver ainda 41).
  • Abigail uma mulher submissa. Abigail causara tamanho impacto em Davi com seu caráter e sabedoria a ponto dele considerar que seria uma boa rainha. Assim, enviou mensageiros a fim de pedir a mão de Abigail em casamento, e ela se sujeitou a seu rei e se ofereceu até para lavar-lhe os pés dos seus servos: “Vindo os servos de Davi a Abigail […] ela se levantou, inclinou-se com o rosto em terra, e disse: Eis aqui a tua serva, pronta para servi-te e para lavar os pés dos servos do meu senhor” (1Sm 25.40,41). Tornou-se esposa de Davi e deu-lhe um filho por nome de Quileabe, também chamado Daniel (2Sm 3; 1Cr 3.1).

III – O QUE APRENDEMOS COM O CARÁTER DE ABIGAIL

  • Ser pacificador. A Bíblia nos diz que: “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.18). Fomos conclamados a seguir a paz e, na medida do possível, ter paz com todos os homens (Sl 34.14; 133.1; Mt 5.9; Ef 4.1-3; 1Co 7.15; Hb 14; 1Pe 3.11). “E ao servo do Senhor não convém contender […]” (2Tm 2.24,25 ver Tt 3.2).
  • Ser intercessor. De acordo com o Dicionário Aurélio interceder é: “pedir, rogar, suplicar (por outrem); intervir (a favor de alguém ou de algo)”. No sentido bíblico do NT é “pedir em favor de outros” (Mt 8.6-13; At 12.5, 12; 13.3; Tg 5.14,16; Hb 13.18,19). O apóstolo Paulo em muitas das suas epístolas, discorre a respeito das suas próprias orações em favor de várias igrejas e indivíduos (Rm 9,10; 2Co 13.7; Fp 1.4-11; Cl 1.3,9-12; 1Ts 1.2,3; 2Ts 1.11,12; 2Tm 1.3; Fm .4-6).
  • Ser prudente. Bíblia diz que a casa e a fazenda são a herança dos pais; mas do SENHOR vem a mulher prudente (Pv 19.14; 12.16; Pv 1).
  • Ser sábio. O desejo de Deus é que andemos em sabedoria (Cl 1.9,28). E, o apóstolo Tiago ensina que a única maneira de alcançá-la é pedindo a Ele (Tg 1.5). Por isso, sempre que precisarmos de sabedoria devemos recorrer a Ele, que é a fonte de toda sabedoria (Dn 2.20; Rm 11.33; Tg 1.17). A sabedoria é a capacidade espiritual de ver e avaliar nossa vida e conduta do ponto de vista de Inclui fazer escolhas acertadas e praticar as coisas certas (Dt 34.9; Ed 7.25; Pv 2.6,7).
  • Ser humilde. Segundo Aurélio, humildade significa: “ausência completa de orgulho, rebaixamento voluntário por um sentimento de fraqueza ou respeito; praticar a humildade, modéstia, pobreza”. É o mesmo que ausência de orgulho, soberba ou vaidade. A humildade é necessária para quem deseja servir a Deus (Mq 6.8), pois é uma das principais virtudes dos santos (Sl 34.2; Pv 16.19; Mt 5.3; Ef 4.1,2), e ela precede a honra (Pv 15.33; 4)
  • Ser submisso. Cristo dá o exemplo de verdadeira humildade: “Pois, no meio de vós, eu sou como quem serve” (Lc 22.27). “… tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos” (Mt 20.28). Foi dito dele, também: “… antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo” (Fp 7; ver 1Tm 2.6; Tt 2.14).

CONCLUSÃO

Concluímos que a história de Abigail e Nabal nos ensina que devemos cultivar as características positivas de um bom caráter como fez esta mulher, e evitarmos os maus exemplos deste homem que foi egoísta, duro e maligno.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Antigo Testamento versículo por versículo. 2. HAGNOS.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • LIMA, Elinaldo Renovato de. O caráter do cristão. CPAD

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Rute, uma mulher digna de confiança

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 07 – RUTE, UMA MULHER DIGNA DE CONFIANÇA – (Rt 1.11,14-18)

INTRODUÇÃO

Nesta lição teremos a oportunidade de aprender sobre caráter e dignidade com Rute, uma das mais destacadas mulheres na Bíblia; pontuaremos algumas informações importantes sobre o livro que leva o seu nome; veremos alguns aspectos pelos quais, seu caráter se torna um exemplo; e por fim, elencaremos algumas ações de Deus em seu benefício como recompensa por suas virtudes.

I – DEFINIÇÕES DE DIGNIDADE E CONFIANÇA

  • Segundo Aurélio (2010, p. 678) significa: “qualidade moral que infunde respeito; consciência do próprio valor; honra, autoridade, nobreza, título que confere ao indivíduo uma posição graduada, autoridade moral, honestidade, respeitabilidade, decência, decoro”.
  • Confiança. Já a palavra confiança é: “segurança de procedimento, crédito, boa fama, bom conceito das pessoas de retidão, familiaridade, crença na retidão moral, no caráter e na lealdade de uma outra pessoa” (FERREIRA, 2010, p. 521).

II – INFORMAÇÕES SOBRE RUTE

  • Informações literárias. O livro de Rute pertence aos livros do AT chamados de “Megilloth” ou “cinco rolos” (Cantares de Salomão, Rute, Lamentações, Eclesiastes e Ester); lidos respectivamente em cinco ocasiões especiais durante o ano no calendário festivo de Israel, sendo o livro de Rute lido na festa da Colheita (Pentecostes). Sobre a autoria do ainda que existe uma tentativa de vários estudiosos de atribuir ao profeta Samuel, mas o autor é considerado anônimo. Apenas dois livros na Bíblia levam nomes de mulheres, o de Ester e o de Rute.
  • Informações históricas. Os eventos históricos no livro de Rute aconteceram antes do estabelecimento da monarquia em Israel. “Nos dias em que julgavam os juízes […]” (Rt 1.1). O livro pontua uma fome que se instaurou não somente por causas naturais, mas porque nesse período dos juízes o povo de Israel diversas vezes naufragou na fé dando as costas para Deus adorando aos ídolos e vivendo de forma desregrada (Jz 2.11; 3.7,12; 4.1; 6.1; 10.6; 13.1; 17.6). Deus puniu o seu povo como havia prometido (Dt 28.15-68). A história de Rute no entanto, brilha como um holofote em uma era de escuridão vivida pela nação, que nesse período estava em declínio espiritual e moral (Jz 21:25).
  • Informações biográficas. Rute cujo nome quer dizer “amizade”, era oriunda da terra de Moabe localizada no planalto, ao leste do Mar Morto e povoada pelos descendentes do fruto de um relacionamento incestuoso de Ló com uma de suas filhas (Gn. 36,37). Os moabitas eram, às vezes, chamados de “povo de Camos”, devido à sua adoração a essa divindade pagã. A jovem moabita se casou com Malom, filho mais velho de Elimeleque e Noemi (Rt 1.1-4; 4.10); ficando posteriormente viúva, à semelhança de sua sogra e também a Orfa (Rt 1.4,5).

III – ASPECTOS DO CARÁTER DE RUTE

Apesar de sua origem pagã a vida da jovem moabita foi profundamente marcada, não apenas pelas dificuldades enfrentadas, mas, principalmente pela sua experiência pessoal com Deus, que pode ser refletida através dos traços de seu caráter, notemos alguns:

  • Altruísmo (Rt 1.14). Um dos traços do caráter de Rute era o amor para com o próximo, nesse caso, à sua sogra. A despeito da tentativa de Noemi em fazê-la voltar para a casa de sua mãe (Rt 1.8), com o argumento de não ter nada para lhe oferecer (Rt 1.11,12); Rute revela seu amor altruísta, ou seja, sem interesses pessoais, quando nos diz o texto: “[…] porém Rute se apegou a ela(Rt 1.14). A sua amizade não era uma relação utilitarista e conveniente. Seu amor não era apenas de palavras, mas de fato e de verdade (1Jo 3.18). Embora a morte do seu marido tenha cortado os laços dela com a família de Noemi pelas normas da sociedade, Rute escolhe ficar com ela voluntariamente; esse ato reflete uma abnegação notável, a ponto de pôr a perder a própria felicidade. O altruísmo de Rute é a expressão do verdadeiro amor que Paulo descreveu:“[…] não procura seus interesses” (1Co 13.5); é o amor sacrificial que tem como o maior exemplo Cristo Jesus (Rm 5.6-8); é o amor que devemos ter para com todos (Jo 34; 1Co 10.33; 16.14; 1Ts 3.12; 1Jo 4.21; 2Pe 1.7). Como disse o apóstolo Paulo: “Ninguém busque seu próprio interesse, e sim o de outrem” (1Co 10.24).
  • Determinação (Rt 1.18). Outra virtude notável dessa jovem moabita é a sua convicção; diante da insistência de Noemi Rute se mostra resoluta, mesmo vendo que Orfa tenha se despedido e voltado para Moabe (Rt 1.15), e tendo também como um fator o pessimismo de Noemi a respeito de seu futuro; ainda assim, Rute persiste em ficar ao lado da sua amada sogra (Rt 1.14,16). Sua determinação não estava apenas no âmbito afetivo, mas, também em suas convicções religiosas, pois estava decidida a abandonar os deuses de Moabe tornado-se seguidora do Deus de Israel “[…] o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus(Rt 16). Esta determinação ainda é ressaltada ao se dispor em ir ao campo colher espigas trazendo provisão para ela e sua sogra (Rt 2.1,7,17,18). Foi com firme propósito que Daniel deu testemunho de sua fé em Babilônia (Dn 1.8); essa é a atitude necessária de quem está envolvido na obra de Deus (1Co 15.58); de quem visa a recompensa divina (Hb 6.11; 10.35,36); e de quem espera a vinda de Jesus (Tg 5.7,8).
  • Submissão (Rt 2.2,7,10). De acordo com Aurélio submissão quer dizer: “Ato ou efeito de submeter-se. Disposição para aceitar uma condição de dependência” (2004, p. 1885). Submissão é outro aspecto do caráter de Rute; sua humildade é revelada ao se submeter à sua sogra, pedindo autorização para ir ao campo; ao pedir permissão para colher as espigas ao encarregado dos segadores, mesmo sendo um direito concedido às viúvas (Dt 24.19); como também ao receber o favor de Boaz “Então ela caiu sobre o seu rosto, e se inclinou à terra; e disse-lhe: Por que achei graça em teus olhos, para que faças caso de mim, sendo eu uma estrangeira?” (Rt 2.10). O apóstolo Paulo nos ensina que a submissão voluntária derivada do amor deve ser: (a) a base dos relacionamentos domésticos (Ef 5.21,22,25; Cl 3.18-21); (b) necessário como  um meio evangelístico (1Pe 3.1); (c) no trato com os líderes (Tt 3.1; Hb 13.17; 1Pd 2.13-15); (d) como também com os liderados (1Pe 2.18); (e) nos relacionamentos interpessoais (1Pe 5.5), e com Deus (Hb 12.9; Tg 4.7).
  • Digna de confiança. As muitas qualidades de Rute abriram portas por onde ela passava. Suas virtudes foram percebidas pelos trabalhadores, que sabendo de sua origem étnica não lhe fez objeção, deixando ela colher as espigas (Rt 2.7); pelo próprio Boaz que lhe concedeu certos privilégios, devido ao conhecimento que tinha de seu comportamento (2.11-16). A fama de Rute precedeu a sua chegada a Belém, de modo que todos testificavam do seu bom caráter “[…] pois toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa(Rt 3.11). A confiança é conquistada a partir das qualidades positivas de uma pessoa. O profeta Eliseu recebeu guarida em suas viagens a serviço de Deus, ao ter seu caráter santo destacado (2Rs 4.9,10). O patriarca José ainda que acusado injustamente, teve sua vida poupada por Potifar, sabendo este do caráter puro do jovem hebreu (Gn 39:19,20).

IV – A RECOMPENSA DE DEUS PARA RUTE

A virtude nunca fica sem recompensa. Quem semeia ainda que com lágrimas, colhe seus frutos com alegria (Sl 126.5,6). Quem semeia com fartura, com abundância faz a sua colheita (2Co 9.6) (LOPES, 2007 p. 82). Rute chegou em Belém como uma viúva estrangeira, sem perspectiva aparente, no entanto, Deus cumpriu na íntegra a palavra dita por Boaz (Rt 2.12). Vejamos algumas ações de Deus em benefício de Rute:

  • Dirigiu seus passos. Ao tomar a iniciativa em ir em busca do necessário pra o sustento dela e de sua sogra, Rute sem saber está sendo guiada pela mão invisível de Deus “[…] por casualidade entrou na parte que pertencia a Boaz, o que era da família de Elimeleque” (Rt 2.3 – ARA). Por trás de um aparente acaso, Deus revela sua providência graciosa “[…]quanto a mim, o SENHOR me guiou no caminho” (Gn 24.27). “A vida é composta por dois andares. No andar de baixo, pensamos que as coisas acontecem por casualidade, mas, no andar de cima, temos a garantia de que as mãos de Deus dirigem o nosso destino” (SCHAEFFER apud LOPES, 2007, p. 70). “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus […]” (Rm 8:28).
  • Restaurou a honra familiar. Ao voltar do campo após o encontro com Boaz, Rute conta as boas novas à sua sogra que, da condição de amargurada passou à abençoada, mostrando a mudança no coração de Noemi (Rt 2.20), isso ocorre em virtude de uma nova esperança, Boaz é um dos remidores da família. Como pode ser visto, o parente resgatador poderia salvar os familiares da pobreza e dar-lhes um recomeço (Lv 25.25-34). Quando Rute contou a Noemi o que Boaz havia dito, a esperança de Noemi se fortaleceu ainda mais, pois as palavras de Boaz revelaram seu amor por Rute e seu desejo de fazê-la feliz. Após um extenso período de perdas, chega o momento da restauração “[…] o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5-b). A chegada de Rute no campo, deu a Boaz a oportunidade inicial de tornar-se seu benfeitor e abriu o caminho para que se casasse com ela no sistema do levirato, retirando toda a vergonha que repousava sobre a família de Noemi (Dt 25.5,6; Rt 3 e 4).
  • Incluída na genealogia de Jesus. O Livro de Rute começa com três funerais, mas termina com um casamento. O primeiro capítulo registra um bocado de choro, mas o último traz superabundância de alegria (WIERSBE, 2006, p. 192). Rute recebeu do Senhor a capacidade para conceber (Rt 4.13). O menino foi motivo de grande alegria para família e vizinhos, em especial sua avó Noemi (Rt 4.14-16). O nome “Obede” significa “servo”. Obede foi o pai de Jessé, avô de Davi, e ancestral do Senhor Jesus (Rt 4.17,21,22; 1Cr 2.12; Mt 1.5; Lc 3.32). Ao ser incluída na árvore genealógica do Messias, Rute passou também a ser uma figura no Antigo Testamento, que aponta para o valor universal da obra redentora de Jesus Cristo. Revelando a verdade que a participação no reino vindouro de Deus é determinada não por sangue ou nascimento, mas por ajustarmos a vida à vontade do Senhor mediante a obediência que vem pela fé (Rm 1:5).

CONCLUSÃO

Apesar de todas as calamidades à sua volta, nada impediu de Rute demonstrar seu caráter notável, como resultando de sua fé depositada no Deus de Israel, que a fez triunfar como recompensa por sua fidelidade. Como Rute, devemos nos posicionar como autênticos servos de Deus e revelando nosso caráter como cristão.

REFERÊNCIAS

  • Comentário Bíblico Beacon: Josué a Rute. 02. CPAD
  • LOPES, Hernandes Dias. Comentário Expositivo Rute.
  • STAMPS, Donal C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • WIERSBE, Warren W. Comentario Biblico Espositivo do Antigo Testament PDF

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Jônatas, um exemplo de lealdade

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 06 – JÔNATAS, UM EXEMPLO DE LEALDADE (1 Sm 18.3,4; 19.1,2; 20.8,16,17,31,32)

INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos sobre Jônatas – um personagem pouco explorado nas Escrituras. Traremos informações acerca do seu nome, quem eram seus familiares; veremos algumas características deste que era o filho mais velho de Saul; destacaremos importantes traços do seu caráter; sua aliança com Davi, seu grande e estimado amigo; e, por fim, pontuaremos que a sua lealdade a Davi foi recompensada quando este ajudou seu filho Mefibosete.

I – INFORMAÇÕES SOBRE JÔNATAS

  • Nome que no hebraico é composto de duas palavras, a primeira é “Ya” uma abreviação do nome Yahweh; a segunda é “natã” que significa “dar”. Logo, o nome completo quer dizer: “O Senhor tem dado”. Era um nome comum entre os israelitas em todos os períodos (Jz 18.30; 2 Sm 23.32; 1 Rs 1.42; 1 Cr 2.32).
  • Seus pais. Jônatas era filho de Saul e Ainoã (1 Sm 14.50). Saul foi o primeiro rei de Israel, e Jônatas era o primogênito e legítimo herdeiro do trono, já que o reino era hereditário (1 Cr 8.33; 9.39). Mas, por causa da desobediência de seu pai, Deus transferiu o reino para Davi (1 Sm 15.28,35; 1).
  • Sua família. Jônatas era casado, pois a Bíblia registra que ele teve um filho: “e o filho de Jônatas foi Meribe-Baal, e Meribe-Baal gerou a Mica” (1 Cr 9.40). Meri-Baal também era chamado de Mefibosete (2 Sm 4.4; 9.6).

II – CARACTERÍSTICAS DE JÔNATAS

Jônatas era um homem de coragem, sabedoria e honra, com o potencial de ser um dos maiores reis de Israel.

Vejamos algumas de suas características:

  • Um filho obediente. Jônatas foi um filho obediente ao seu pai Saul. Nada o rei fazia sem contar a Jônatas (1 Sm 20.2). Mesmo quando Saul havia sido rejeitado por Deus para ser rei, manteve-se ao seu lado como um fiel companheiro: “Saul e Jônatas, tão amados e queridos na sua vida, também na sua morte não se separaram” (2 Sm 23).
  • Um valente guerreiro. A destreza de Jônatas como guerreiro é evidente em toda narrativa de sua história, principalmente em 1 Samuel 13.1-23 e 14.1-13. Com dois anos de governo Saul escolheu três mil homens para formarem o exército (1 Sm 13.1). Dois mil ficaram com ele e mil ficaram sob a liderança de Jônatas que não tardou em atacar os filisteus (1 Sm 13.2,3). A maior parte das vitórias de Israel deu-se sob o comando de Jônatas. Mais tarde quando veio a falecer no monte Gilboa, Davi tomou conhecimento, lamentou, chorou e fez referência em seu lamento a habilidade deste como guerreiro, dizendo que era “mais ligeiro que a águia e mais forte que o leão” (2 Sm 22,23).
  • Um soldado benquisto pelo povo. Por causa de seu êxito nas investidas contra os inimigos de Israel, Jônatas era amado pelo povo (1 Sm 14.45). Jônatas morreu como um soldado, lutando bravamente por sua pátria, por isso o sepultaram-no dignamente (1 Sm 12,13).

III – TRAÇOS DO CARÁTER DE JÔNATAS

  • Uma pessoa de fé. Na ocasião em que os filisteus estavam cercando Israel, junto com um soldado, Jônatas fez uma investida contra uma parte do exército inimigo (1 Sm 14.1). Sem que o seu pai e o povo soubesse (1 Sm 14.1,3) ele deslocou-se até a guarnição dos filisteus e entre duas pedras agudas (1 Sm 14.4) disse ao seu moço que estava com ele: “[…] Vem, passemos à guarnição destes incircuncisos; porventura operará o SENHOR por nós, porque para com o SENHOR nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos” (1 Sm 14.6). Diferente de seu pai Saul, Jônatas mostrava ter fé verdadeira no Senhor. Destaca-se ainda que antes de atacar, ele esperou um sinal de que o Senhor estaria com ele (1 Sm 8-10). Deus confirmou dando-lhe este sinal e o fez prosperar na batalha (1 Sm 14.11-15).
  • Um homem humilde. Após a derrota do gigante filisteu por Davi, Jônatas nutriu por ele uma amizade sincera (1 Sm 18.1,3), e demostrou isso lhe presenteando com a sua vestimenta de guerreiro (1 Sm 18.4). Isto nos revela uma atitude de humildade. Lima (2017, p. 64) nos diz que este ato: “indica que ele consciente e amorosamente transferiu o direito ao trono a seu amigo Davi”. Além disso, Jônatas não ficou ressentido por ver Davi prosperar nas batalhas mais do que ele, seu pai Saul e os soldados do exército e de conquistar a simpatia do povo (I Sm 18.5). Pelo contrário, apesar de ser o filho mais velho de Saul, e naturalmente o herdeiro do trono após a sua morte, entendeu que Davi deveria ser rei (1 Sm 23.17). Já Saul, ao ouvir o cântico das donzelas sobre a prosperidade de Davi, teve inveja e começou a persegui-lo (1 Sm 6-9).
  • Um amigo leal. Jônatas não se revela apenas como uma pessoa de fé e humildade, mas também como amigo leal (1 Sm 18.3; 19.1). O adjetivo “leal” segundo Aurélio (2004, p. 1189) significa: “sincero, franco e honesto. Fiel aos seus compromissos”. Champlin (2004, p. 746) nos diz: “ser leal é ser fiel em qualquer relacionamento; é confiar e ser digno de confiança; é oferecer e receber verdadeira lealdade e devoção”. Mas, em que ocasiões vemos a lealdade de Jônatas? Citaremos algumas: (a) na ocasião que explicitamente, Saul por inveja, mandou Jônatas e os seus soldados matarem Davi (I Sm 19.1). Jônatas não somente se negou a fazê-lo, mas anunciou a Davi para que escapasse, e ainda persuadiu o seu pai, a não realizar tão grande mal (I Sm 19.2-6); (b) a ira de Saul contra Davi retornou e ele tentou novamente matá-lo (1 Sm 20.1). Ao ser informado, Jônatas dessa vez não acreditou, mas acertou com Davi para ver se de fato era assim (1 Sm 20.4- 13). Jônatas conferiu a informação que era verdadeira e procurou noticiar a Davi, livrando assim da morte novamente (1 Sm 20.35-43); e, (c) nesta mesma ocasião, Jônatas quase morreu por perguntar ao seu pai, o porquê do ódio contra Davi (1 Sm 20.32,33). Quando foi obrigado a escolher entre o pai e Davi, Jônatas ficou ao lado do amigo, o qual reconhecia como o escolhido do Senhor (1 Sm 23.17). Embora nunca tenha abandonado seu pai (2 Sm 1.23). Precisamos ser leais em todas as áreas da nossa vida: a Deus, ao nosso semelhante, e, aos nossos compromissos (Pv 3; 28.20; Lc 16.10; Tt 2.10).

IV  – A ALIANÇA ENTRE JÔNATAS E DAVI

Consta na narrativa histórica dos Livros de Samuel diversas vezes que Jônatas e Davi fizeram aliança entre si (1 Sm 18.3; 20.16; 23.18). Principalmente em 1 Samuel 20.14-17 uma aliança entre Davi e Jônatas surgiu, a qual enfatizou a atitude de Davi em relação a Jônatas e seus descendentes. Jônatas reconheceu que Davi seria o próximo rei, e pediu que Davi jurasse que teria misericórdia de sua casa. Champlin (2004, p. 1999) nos diz que “Jônatas temia o que poderia acontecer a seus filhos órfãos. Era costume no Oriente, em todas as épocas, quando uma dinastia era violentamente mudada, o novo rei tirar a vida de toda a família do ex-monarca”. Abimeleque fez o possível para que ninguém sobrasse da casa de Gideão (Jz 9.5); o mesmo aconteceu com Atalia, que não quis que alguém sobrevivesse da semente real (2 Cr 22.10,11). Davi, no entanto, manteve esta aliança e provou ser verdadeiro para com o seu amigo (2 Sm 9.1-13).

V  – A RECOMPENSA DA LEALDADE

Apesar de Davi ter sofrido muitas perseguições de Saul (1 Sm 18.10,11; 21-22,29; 19.1; 9-10) e de ter oportunidade de matá-lo, duas vezes (I Sm 24.3-12; 26.8-11), mostrou-se benigno não lhe fazendo mal nem a sua descendência. Pelo contrário, quando estava no trono Davi decidiu beneficiar alguém que restou da família de Saul, por amor de Jônatas seu amigo (2 Sm 9.1,7), como veremos a seguir:

  • A lembrança de Davi (2 Sm 9.1). Davi havia alcançado o alto posto de monarca segundo a promessa de Deus (I Sm 16.13; 2 Sm 8.15). No entanto, mesmo nesta alta posição não havia esquecido de onde veio e a aliança que fez com seu amigo Jônatas quando ainda não era rei: “e disse Davi: Há ainda alguém que tenha ficado da casa de Saul, para que lhe faça benevolência por amor de Jônatas? Isso aconteceu bem depois de sua ascensão ao trono porque, pelo que tudo indica, Mefibosete, que tinha apenas 5 anos de idade quando Saul morreu, já era pai de um filho nessa ocasião (2 Sm 9.12). Davi foi avisado por um servo de Saul, chamado Ziba, que havia ainda vivo um filho de Jônatas, chamado de Mefibosete que era coxo de ambos os pés (2 Sm 9.2,3). Então Davi mandou chamá-lo (2 Sm 4, 5).
  • A misericórdia de Davi (2 Sm 9.1,3,7). Ao invés de chamar algum descendente da família de Saul para executar, Davi convoca para usar de misericórdia. Em 2 Sm 9.1 Davi fala de “beneficência”; em 2 Sm 9.3 de “benevolência de Deus”; e, em 2 Sm 9.7 ele fala de “benevolência”. Matthew Henry (2010, p. 380 – acréscimo nosso) diz: “a beneficência que Davi prometeu mostrar é: (a) beneficência em busca de cumprir a aliança que havia entre ele e Jônatas, da qual Deus era testemunha (1 Sm 20.42); (b) beneficência em relação ao exemplo de Deus; pois devemos ser misericordiosos como Ele o é (Sl 17.7; 103.2; Lc 6.36); e, (c) Essa beneficência tem um caráter piedoso, tendo um olho em Deus, bem como na sua honra e favor (Mt 5.16; 1 Pe 12).
  • A lealdade de Davi (2 Sm 9.9). Quando Davi chamou Mefibosete a sua presença, ele veio temendo e tremendo, por certo pensando que o rei o executaria, pois era o único que sobrara da descendência de Saul (2 Sm 9.6). No entanto, Davi o apazigua dizendo: “Não temas, porque decerto usarei contigo de benevolência por amor de Jônatas, teu pai […]”. Em seguida o rei Davi lhe concedeu: (a) um servo para ajudá-lo (2 Sm 9.9,10); (b) restituiu as terras de seu avô e seu pai (2 Sm 9.7-a); e, (c) lhe concedeu um lugar a mesa, como um dos filhos do rei (2 Sm 11).

CONCLUSÃO

Aprendemos com Jônatas que devemos nutrir boas amizades e agirmos com lealdade a Deus e nos nossos relacionamentos. Na vida as nossas atitudes sejam boas ou más, são como semente que lançamos dia a dia no terreno da nossa vida. Mais cedo ou mais tarde teremos que colher o fruto das nossas decisões.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa.
  • LIMA, Elinaldo R. de. O Caráter do Cristão.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Jacó, um exemplo de um caráter restaurado

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 05 – JACÓ, UM EXEMPLO DE UM CARÁTER RESTAURADO (Gn 25.28-34; 32.24,27,28,30)

INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos o significado do nome Jacó; pontuaremos os aspectos do caráter deste personagem antes do encontro com Deus; apontaremos também o significado do nome Israel; e por fim, analisaremos os aspectos do caráter de Jacó depois do encontro com Deus no vale de Jaboque.

I  – DEFINIÇÃO DO NOME JACÓ

O sentido primeiro e original do nome de Jacó, que, em hebraico, é “Yaakov”, significa: “Deus protege”. Segundo o relato bíblico de Gênesis 25.26, Jacó nasceu agarrado ao calcanhar do seu irmão, e por causa disso, o seu nome transformou-se num apelido: “aquele que segura pelo calcanhar” (LIMA, 2017, p. 51). Segundo Paul Hoff (1995, p. 29), a palavra Jacó passou a significar: “enganador” ou “suplantador” porque mais tarde Esaú seu irmão, o interpretou assim. Para Gardner (2005, p. 292), por muito tempo foi a marca registrada do caráter de Jacó o oportunismo, e a luta para tirar vantagem desonestamente. Já Strong (2011, p. 1687), diz que o nome Jacó significa: “agarrador de calcanhar”. Alguns teólogos dizem que Jacó significa ainda: “substituto, trapaceiro, fraudador, enganador”.

II  – ASPECTOS DO CARÁTER DE JACÓ ANTES DO ENCONTRO COM DEUS

Jacó integra a lista dos três patriarcas hebreus que marcaram a história de Israel: Abraão, Isaque e Jacó. Sua história foi pontilhada de episódios dramáticos desde o seu nascimento. Jacó tinha tremendos problemas de caráter, era enganador, oportunista e ganancioso (Gn.27.18-29, 42-43). Os gêmeos Esaú e Jacó não eram diferentes apenas em aparência, mas também em personalidade. Jacó e Esaú já haviam lutado antes de nascer e, durante o parto, Jacó agarrou o calcanhar de seu irmão. Esse gesto foi interpretado como indicação de que Jacó faria seu irmão tropeçar e se aproveitaria dele (WIERSBE, 2010, p. 151). Notemos:

  • Jacó: um homem de caráter oportunista. Antes de seu nascimento, Jacó havia sido escolhido por Deus para receber o direito de herança e a bênção (Gn 25.22,23). Assim, não havia necessidade alguma de elaborar tramas nem de se aproveitar do irmão. Quando seu Esaú chegou com fome e pediu-lhe para comer do seu guisado, ele poderia ter-lhe oferecido de sua comida, compartilhando sua refeição. No entanto, numa prova de oportunismo e ambição, disse logo: Vende-me, hoje, a tua primogenitura” (Gn 25.31) (LIMA, 2017, p. 56 – grifo nosso). Aí, podemos ver duas atitudes que demonstram o caráter respectivo dos dois irmãos. De um lado, vemos Jacó usando de esperteza e ambição. De outro, vemos Esaú desprezando o precioso direito de primogenitura (LIMA, 2017, p. 50).
  • Jacó: homem de caráter aproveitador. O primogênito era santificado ou consagrado a Deus (Êx 13.2, Nm 3.13; Lc 2.23; Nm 3.12); a herança do primeiro filho era o dobro do que os demais filhos receberiam (Dt 21.17); o primeiro a nascer tinha o direito de assumir a liderança do pai sobre o grupo, o clã, a tribo ou o reino (2Rs 27). Jacó poderia ter compartilhado da sua sopa com seu irmão, que estava faminto e cansado, mas não fez isso. Ele aproveitou-se da ocasião para obter um direito que, pela Lei, não era dele, querendo, de fato, usurpar o direito de primogenitura do seu irmão (LIMA, 2017, p. 50).
  • Jacó: homem de caráter enganador. Jacó tornou-se enganador e farsante querendo desesperadamente, ser amado e aceito por seu pai, estando disposto a fazer qualquer coisa para ganhar a aprovação de Isaque, mesmo que isso significasse enganar […] Jacó seguindo o mau exemplo da mãe, enganou seu pai, mentiu, enganou e usou o nome de Deus em vão (Gn 27.14-25) (BUSIC apud LIMA, 2017, p. 52).
  • Jacó: um homem de caráter calculista. Conhecedor do comportamento leviano do irmão, Jacó não apenas propôs trocar algo tão insignificante, como um prato de sopa de lentilhas, por algo tão valioso, como também exigiu que Esaú fizesse um juramento que garantisse que sua troca seria respeitada por toda a vida. “Então, disse Jacó: Jura-me hoje. E jurou-lhe e vendeu a sua primogenitura a Jacó” (Gn 25.33; Hb 12.16). Só depois do juramento “[…] deu pão a Esaú e o guisado das lentilhas” (Gn 25.34) (LIMA, 2017, p. 56).
  • Jacó: um homem de caráter fraco. Jacó já não era mais um adolescente; porque, quando foi induzido por sua mãe a mentir e enganar seu pai ele sabia que tal proposta era errada (Gn 27.11,12). Sua mãe insistiu na prática do erro, chamando para si a maldição daquele engano, daquele arranjo fraudulento. Jacó, por sua vez, não teve força moral para ficar firme e, mesmo contrariado, fez tudo o que sua mãe lhe obrigara (Gn 27.6-17). Um filho deve honrar seus pais, pois é mandamento de Deus (Ef 6.1), mas não tem obrigação de compactuar com a mentira e a trapaça (Ef 10,11) (LIMA, 2017, p. 57).
  • Jacó: um homem de caráter mentiroso. Ao chegar à presença de Isaque, que estava cego, este perguntou: “Quem és tu, meu filho? ” (Gn 27.18). Era a hora da verdade, ainda assim, Jacó mentiu sobre seu nome: Eu sou Esaú, teu primogênito. Tenho feito como me disseste […]” (v. 19). Onde estava o temor de Deus na vida de Jacó? Responder ao pai que era o irmão? Isaque ficou admirado, pensando ser Esaú, e também como teria retornado tão rápido com a caça. Mais uma vez mentiu sobre a comida e sobre o Senhor: “Porque o Senhor, teu Deus, a mandou ao meu encontro” (v. 20). Ao abraçar Jacó, Isaque disse: “A voz é a voz de Jacó, porém as mãos são as mãos de Esaú” (v. 22). Confuso, Isaque perguntou: “Es tu meu filho Esaú mesmo?” (v. 24), e assim Jacó mentiu novamente sobre sua identidade: “[…] e ele disse: Eu sou” (vs 24-29). Depois que Isaque havia terminado a refeição, pediu a Jacó que o beijasse, e esse beijo foi a sexta mentira. Como Jacó podia afirmar que amava o pai enganando-o? (WIERSBE, 2010, p. 158).
  • Jacó: um homem de caráter briguento. No currículo da vida de Jacó várias lutas existiram por isso o texto diz: “[…] porque lutaste com Deus e com os homens […]” (Gn 33.28). Vejamos essas lutas em sua vida: a) lutou com seu irmão no ventre de sua mãe (Gn 25-27), b) lutou com seu pai (Gn 27), c) lutou com seu sogro (Gn 29-31), d) lutou com suas esposas (Gn 30), e, por fim, e) lutou com Deus em Peniel (Gn 33).

III   – DEFINIÇÃO DO NOME ISRAEL

No antigo Israel, mantinha-se o costume de associar o nome ao caráter pessoal. A Bíblia registra, em algumas passagens, Deus substituindo nomes em razão de uma mudança de caráter (STAMPS, 1995, p. 85). O nome Israel é derivado do hebraico “Yishrael”, cuja composição é realizada a partir da soma dos vocábulos “yishra”, que pode ser traduzido como “lutador” ou “príncipe”, e “El”, cuja principal significado é “Deus”. O nome Jacó “enganador” agora foi mudado para “príncipe que luta com Deus” ou “príncipe que vê Deus”. Israel é categorizado como um nome teofórico (nome que contém elementos alusivos a Deus), a expressão “Theo” vem do grego e significa “Deus” e a palavra “fórico” quer dizer “carregar, possuir, portar” (Bíblia de Estudo da Reforma, 2017, p. 69).

 IV  – ASPECTOS DO CARÁTER DE JACÓ DEPOIS DO ENCONTRO COM DEUS

 Jacó: um homem de caráter transformado. Todo homem tem oportunidade de mudar quando ele tem um encontro com Deus. Jacó necessitava de uma mudança, e para transformar essa situação seria necessário “ver a face de Deus”. No encontro com Deus o homem nunca sai como entrou, Jacó entrou como “enganador” no vau Jaboque (lugar de travessia, lugar de esvaziamento), e lá recebeu um novo caráter, e um novo nome. Não pode haver transformação enquanto não formos “esvaziado” do velho homem. Chega a hora em que precisamos “resolver as coisas com Deus”, pois o nosso Jaboque tem de ser enfrentado a sós (Gn 32.24-a), e temos que nos esvaziar de todos maus desejos e ambição. Depois de Jaboque veio Peniel (face de Deus) e o velho Jacó saiu como “Israel” (Gn 32.27,28), e o encontro com Deus transformou o velho Jacó num novo homem com um novo É impossível ter um encontro com Deus e não mudar (Os 12.4,5) (MACARTHUR, 2010, p. 62).

  • Jacó: um homem de caráter agradecido. Surpreendentemente, Jacó passou a ver as coisas numa perspectiva espiritual de um novo relacionamento com Deus e fez-lhe um voto, dizendo: “[…] Se Deus for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer e vestes para vestir, e eu em paz tornar à casa de meu pai […] de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo(Gn 28.20-22). Nesse fato, vemos que Jacó tinha consciência do valor do dízimo como expressão sincera de gratidão a Deus, a exemplo do que fizera Abraão, seu avô, perante Melquisedeque (Gn 14.18-20). A atitude de Jacó demonstra sua gratidão a Deus de forma antecipada.
  • Jacó: um homem de caráter esforçado. Ao chegar à casa de Labão, seu tio, Jacó revelou-se um homem trabalhador. Em lugar de receber um salário em dinheiro, preferiu trabalhar sete anos por Raquel, a quem amava. Mas, na noite de núpcias, ele experimentou, em termos de engano, o resultado daquilo que plantara. Jacó foi enganado pelo sogro e, em lugar de casar-se com Raquel, acabou casando-se com Léia. Só depois de mais sete anos de trabalhos foi que Jacó casou-se com Raquel, sua amada (Gn 21-30), e ainda Labão “mudou o seu salário dez vezes(Gn 31.7).
  • Jacó: um homem de caráter na direção de Deus. Após ser enganado pelo sogro, Jacó reuniu sua família e fugiu de Harã. Sua saída de Harã foi por direção de Deus, com quem ele aprendeu a relacionar-se. “E disse o Senhor a Jacó: Torna à terra dos teus pais e à tua parentela, e eu serei contigo” (Gn 31.3). Ao explicar o plano de fuga à família, Jacó repetiu o que ouvira da parte de Deus: “Eu sou o Deus de Betel, onde tens ungido uma coluna, onde me tens feito o voto; levanta-te agora, sai-te desta terra e torna-te à terra da tua parentela” (Gn 13).
  • Jacó: um homem de caráter quebrantado e temente a Deus. Jacó lembrou-se do passado e de sua desavença com o irmão e, temeroso, dividiu a família em dois bandos para que um pudesse escapar em caso de ataque. Sua angústia era grande, porém sua oração revela seu temor “[…] sou indigno de todas as beneficências e de toda a fidelidade que tens usado para com teu servo[…]” (Gn 32.9-12). Ele enviou três grupos de servos, cada um levando presentes para aplacar uma possível agressão por parte de Esaú, mas somente o pedido de perdão resolveu o problema (Gn 32.11-21). A experiência do encontro de Jacó com Esaú mostra que, quando Deus age na vida das pessoas, seu caráter é transformado. Jacó orou ao Senhor (Gn 32.11,12), ele inclinou-se em terra (Gn 3), e abraçou e beijou seu irmão recebendo perdão (Gn 33.4) (LIMA, 2017, pp. 59,60).

CONCLUSÃO

A vida de Jacó foi totalmente transformada depois que ele atravessou o vale de Jaboque e encontrou-se com Deus. Existem “vales” em nossas vidas que servem para transformação de nosso ser, pois assim como Jacó, precisamos nos moldar e transformar nosso caráter para ficarmos com nossa personalidade como a de Cristo.

REFERÊNCIAS

  • Bíblia de Estudo Palavras Chaves.
  • Bíblia de Estudo da Reforma.
  • Bíblia de Estudo MacArthur. SBB
  • LIMA, Elinaldo R. de. O Caráter do Cristão.
  • HOFF, Paul. O Pentateuco.
  • STAMPS, Donal C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Isaque, um caráter pacífico

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 04 – ISAQUE, UM CARÁTER PACÍFICO 

 INTRODUÇÃO

Um dos personagens do AT que destaca-se por seu caráter pacífico é o patriarca Isaque, o filho de Abraão. Sua forma pacata de ser lhe deu condições de administrar os vários embates que sofreu com os filisteus e lhe proporcionou grandes bençãos da parte do Senhor. Tal forma de comportar nos serve de exemplo para que da mesma forma possamos agir quando estivermos diante de situações semelhantes, pois “ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos” (2 Tm 2.24).

I – INFORMAÇÕES SOBRE O PATRIARCA ISAQUE

Dos patriarcas da nação de Israel, o que a Bíblia dedica menos capítulos é Isaque. Ele teve uma vida longa (Gn 35.28) e nunca se afastou da região que sua semente herdaria (Gn 35.27). Isaque é um dos patriarcas de grande influência no meio do povo de Deus, para os quais a Terra de Canaã foi prometida (Gn 50.24; Êx 33.1); com quem a aliança foi feita (Êx 2.24; Sl 105.9); cujos nomes são parte da identificação do próprio Deus (Êx 3.6; 15.16).

1.1 Seu nome (Gn 21.4). O nome de Isaque foi dado pelo próprio Deus (Gn 17.19). Seu significado quer dizer: “riso”. Talvez, uma alusão direta ao riso que tanto Abraão quanto Sara deram ao ouvirem de Deus a promessa que teriam filho, mesmo sendo avançados em idade e Sara sendo estéril (Gn 17.17; 18.12-14). Pode-se entender também que este nome fora dado a Isaque em virtude da alegria que sentiria sua mãe ao conceber um filho de forma milagrosa. Sara previu que todos os que conhecessem sua história teriam a mesma reação (Gn 21.6). Sara concebeu aos noventa anos, e oito dias depois se deu a sua circuncisão (Gn 21.4,5). Na ocasião em que foi o menino foi desmamado, Abraão ofereceu um grande banquete com muita alegria (Gn 21.8).

1.2 Seus pais (Gn 21.2). Isaque era filho de Abraão e Sara, e foi o segundo dos três patriarcas hebreus: Abraão, Isaque e Jacó (I Cr 1.34; Mt 1.2). Isaque foi circuncidado como um filho prometido, porquanto nele é que a aliança com Abraão teria continuação (Gn 21.4,12; Hb 11.18).

1.3 Sua esposa (Gn 25.20). A Bíblia nos diz que Isaque se consolou da morte de Sara quando casou com uma donzela chamada Rebeca (Gn 24.67). Assim como Sara, Rebeca também era estéril, todavia, Deus realizou um milagre fazendo-a conceber em resposta a oração de Isaque, seu marido (Gn 25.21-26).

1.4 Seus filhos (Gn 25.24-26). Com Rebeca, Isaque teve dois filhos: Esaú e Jacó (Gn 25.25,26). Embora Esaú tenha sido o primogênito, o herdeiro da porção dobrada, Deus havia dito que Jacó seria este herdeiro (Gn 25.23). Jacó veio a tornar-se o terceiro dos grandes patriarcas hebreus, através dos quais se formou o povo de Israel, por meio de quem o pacto messiânico foi perpetuado (Gn 28.12-15; Êx 2.24; Dt 6.10; Lc 1.68).

II – ISAQUE, UM HOMEM ABENÇOADO POR DEUS QUE PASSOU POR ATRITOS

Deus ordenou que Isaque permanecesse na terra dos filisteus e não descesse ao Egito, apesar da fome, pois ali o supriria e o abençoaria tal qual fez com Abraão seu pai (Gn 26.1-6). Atendendo a voz de divina, o patriarca permaneceu ali e devido a sua obediência contemplou os milagres de Deus mesmo no meio da escassez (Gn 26.12-14). Foi a partir desse fato, que os filisteus iniciaram um atrito com o nobre servo de Deus como destacaremos a seguir:

2.1 Os filisteus o invejavam (Gn 26.14). A prosperidade material dada por Deus a Isaque despertou nos filisteus a inveja. A inveja é um misto de ódio, desgosto e pesar pelo bem e felicidade de outrem; é o desejo violento de possuir o bem do próximo. Os filisteus começaram a invejá-lo porque tinham receio de seu poder; e Isaque era um estrangeiro entre eles. Muito em breve eles começariam a tomar medidas para livrar-se do servo de Deus.

2.2 Os filisteus entulharam os poços de seu pai (Gn 26.15). Antes mesmo de Isaque, Abraão foi perseguido pelos filisteus e por meio de seu rei Abimeleque “nome que era aplicado genericamente aos governantes filisteus” (GARDNER,1999, p. 05). A Bíblia diz que durante as suas peregrinações Abraão também se estabeleceu em Gerar como seu filho Isaque (Gn 20.1; Gn 26.6). Neste lugar, Abraão fez um pacto com Abimeleque de que deveriam viver em paz um com o outro e que seus poços deveriam permanecer invioláveis (Gn 21.27-32). No entanto, eles descumpriram o que prometeram e entulharam os poços que Abraão havia aberto (Gn 26.15).

2.3 Os filisteus o expulsaram (Gn 26.16). Além de invejar a prosperidade de Deus na vida de Isaque, e de ter entulhados os poços que eram de seu pai, os filisteus liderados por Abimeleque (este é outro e não o mesmo do tempo de Abraão), expulsaram o semita Isaque de sua terra, crendo que era por causa da terra deles que o servo de Deus prosperava.

III – ISAQUE, UM HOMEM QUE SOUBE SER PACÍFICO COM SEUS OPOSITORES

Dentre as muitas virtudes de Isaque destaca-se nesta lição que ele era um homem pacífico. Tal comportamento Isaque por certo herdou de seu pai Abraão que sempre administrou com muito equilíbrio os atritos que se levantaram em sua vida (Gn 13.7,8; 21.25-27). A palavra “pacífico” segundo o Aurélio (2004, p. 1464) significa: “amigo da paz; sossegado, manso, tranquilo”. Jesus disse que os pacificadores “serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9). Tiago diz que uma das características da sabedoria do alto é que “ela é pacífica” (Tg 3.17). Tal virtude sempre esteve presente na vida de Isaque, no entanto, foi mais perceptível, nas situações contrárias que enfrentou durante a sua trajetória na terra dos filisteus, como veremos a seguir:

3.1 Quando foi expulso, não resistiu (Gn 26.16,17). Os filisteus não viram com bons os olhos, o estrangeiro semita entre eles prosperando e enriquecendo (Gn 26.12-14). Aos olhos de Abimeleque isto se deu por causa da terra, porque ele desconhecia a verdade de que Deus abençoava Isaque. Cheio de inveja o rei filisteu expulsou o servo do Senhor. Isaque não lutou contra Abimeleque pelos poços que eram herança de seu pai, preferiu ceder, distanciando-se da contenda e indo mais adiante. Ele deixou “Gerar” (Gn 26.6), para habitar “no vale de Gerar” (Gn 26.17). Jesus ensinou-nos a não nos vingarmos das pessoas que nos fazem mal (Mt 5.39-48).

3.2 Quando contenderam por seu primeiro poço, ele cavou outro (Gn 26.19,20). Mesmo no vale de Gerar, os servos de Isaque cavaram em busca de água e acharam “um poço de águas vivas” (Gn 26.18,19). Champlin (2001, p. 180) diz que “a expressão “águas vivas” significa que eram fontes de onde brotava água corrente”. Os pastores filisteus de Gerar sabendo do êxito de Isaque porfiaram com os pastores deste, dizendo que a água era deles. Por isso, este lugar foi chamado de “Eseque” que em hebraico significa: “disputa, rixa”. Por fim, Isaque e seus funcionários abriram mão de sua conquista para evitar tumultos e seguiram adiante (Gn 26.21). Assim aconselhou o proverbista: “como o soltar das águas é o início da contenda, assim, antes que sejas envolvido afasta-te da questão” (Pv 17.14).

3.3 Quando porfiaram por seu segundo poço, ele cavou outro (Gn 26.21). Indo mais adiante os pastores de Isaque sob suas ordens cavaram outro poço, mas os pastores de gerar também contenderam por ele. Isaque chamou aquele lugar de “Sitna” que em hebraico significa: “inimizade, hostilidade”. Diante dessa segunda contenda pelo que era de direito de Isaque, ele poderia ter perdido a cabeça e disputado na espada com os seus inimigos aquele poço, no entanto diz o texto que “partiu dali, e cavou outro poço” (Gn 26.22). Isaque não resistiu ao mal com o mal. Ele entendia que havia muito espaço para todos, e a bênção de Deus haveria de segui-lo a qualquer nova localização que escolhesse. Provérbios diz: “o orgulhoso de coração levanta contendas, mas o que confia no SENHOR prosperará” (Pv 28.25).

IV – BENÇÃOS QUE DEUS DEU A ISAQUE POR CAUSA DA SUA CONDUTA PACÍFICA

4.1 Isaque abriu outro poço e teve sucesso (Gn 26.22). Isaque seguiu em frente com seu povo e Deus lhe abençoou fazendo com que novamente achasse água num lugar onde os filisteus não mais contenderam “e partiu dali, e cavou outro poço, e não porfiaram sobre ele” (Gn 26.22-a). Nesse lugar, Deus fez o patriarca crescer, alargando os seus termos. Diante disso, Isaque chamou o lugar de “Reobote” que quer dizer “lugar, espaço, alargamento”. Beacon apud Williamson (2006,p. 82 – acréscimo nosso) diz que Reobote é: (a) lugar para homens que buscam paz para viver em paz; (b) os recursos de Deus são suficientes para todos terem bastante; e, (c) a paciência é recompensada com paz e prosperidade”.

4.2 Subiu para Berseba e Deus falou com ele (Gn 26.23-25). Mesmo prosperando em Reobote, Isaque parecia ainda não estar totalmente seguro, por isso subiu para outro lugar. Nessa ocasião o Senhor lhe apareceu tranquilizando o seu coração de que estava com ele e que iria lhe abençoar (Gn 26.24). Agora, seguro em Deus, Isaque ergueu um altar ao Senhor e ali armou a sua tenda (Gn 26.25). Os seus servos sob suas ordens cavaram outro poço e acharam água (Gn 26.25,32). Isaque chamou o nome do lugar de “Seba” que significa: “sete ou juramento” (Gn 26.33).

4.3 Abimeleque veio ao seu encontro para cessar a contenda (Gn 26.26-31). Correu a notícia entre os filisteus que apesar de enxotado de Gerar, por onde Isaque ia ele prosperava e Deus lhe fazia encontrar água. Tal fato chamou atenção de todos e principalmente de Abimeleque que definitivamente reconheceu que havia algo incomum nisso, levando-o a ir ao encontro de Isaque e confessando: “[…] havemos visto, na verdade, que o SENHOR é contigo […]” (Gn 26.28-b). E ainda: “[…] agora tu és o bendito do SENHOR” (Gn 26.29-b). Isaque ficou surpreendido sem entender, no entanto, diante do exposto, fez aliança com Abimeleque e celebrou um banquete. Cumpriu-se o que disse o proverbista “sendo os caminhos do homem agradáveis ao SENHOR, até a seus inimigos faz que tenham paz com ele” (Pv 16.7).

CONCLUSÃO

Não é nada fácil manter-se tranquilo em situações semelhantes a que Isaque enfrentou, todavia, como servos de seus precisamos agir assim. Nós só temos a perder quando ao invés de evitar o atrito alimentamos ele. Há ocasiões em que é necessário sofrer o dano afim de conservarmos o santo caráter que devemos ter diante de Deus e dos homens.

REFERÊNCIAS

  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. POSITIVO.
  • GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada. VIDA.
  • HOWARD, R.E et al. Comentário Bíblico Beacon: Gênesis a Deuteronômio. Vol. 01. CPAD.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Melquisedeque, o rei de justiça

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 03 – MELQUISEDEQUE, O REI DE JUSTIÇA – (Gn 14.18-19; Hb 7.1-7,17)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos sobre Melquisedeque, um dos personagens mais enigmáticos do Antigo Testamento; destacaremos algumas informações a seu respeito à luz da Bíblia; pontuaremos também o contexto histórico em que ele surge e a sua respectiva participação; e por fim, veremos que Melquisedeque prefigura o sacerdócio de Cristo no Novo Testamento.

I – INFORMAÇÕES SOBRE MELQUISEDEQUE

Devido a poucas informações a seu respeito, Melquisedeque tornou-se um homem enigmático; gerando algumas especulações sobre sua pessoa. Segundo Gardner, “um documento antigo, encontrado em Qunrã considerava Melquisedeque um ser angelical que ministrava o juízo de Deus. Outros o têm relacionado com Sem filho de Noé, e até mesmo com o Messias, ou seja, que seria uma manifestação de Cristo em forma humana. Todas essas teorias, porém, são especulativas e sem fundamentação bíblica” (2005, p. 450 – acréscimo nosso). Portanto, notemos o que Bíblia informa a respeito dele:

  • Sua origem. Melquisedeque é a transliteração para o português, do termo hebraico “Malkisedeq”, que significa “rei da justiça” (CHAMPLIN, 2001, p. 210). A história de Melquisedeque é bastante resumida, ele é citado no primeiro livro do Pentateuco (Gn 14); num texto poético (Sl 110) e na parte doutrinária da Epístola aos Hebreus, no Novo Testamento (Hb 5 a 7) (GARDNER, 2005, p. 450). As palavras “sem pai, sem mãe […]” (Hb 7.3); diz respeito ao fato que, não se menciona referência ao seu nascimento, parentesco, ou mesmo sua morte, não que ele não tivesse.
  • Seu ofício. Ele era rei de Salém (a antiga Jerusalém). Salém é a forma abreviada de Jerusalém e é encontrada pelo menos cinco vezes nas Escrituras (Gn 14.18; 33.18; Sl 76.2; Hb 7.1,2). O título Rei de Salém dado a Melquisedeque significa “rei de paz”; além de rei, também lhe é atribuído a função de sacerdote de “El Elyon”. O nome “El” era comumente aplicado a Deus entre os povos de origem semita, e tornou-se na Bíblia um dos nomes principais de Deus, “El Elyon” (Deus Altíssimo). Esta também é a primeira menção do termo sacerdote na Bíblia o que o tornava um rei- sacerdote, o que serviu mui apropriadamente para ilustrar o mesmo ofício, ocupado em forma muito mais significativa, pelo Senhor Jesus Cristo (CHAMPLIN, 2001, p. 210 – acréscimo nosso).
  • Sua piedade. Melquisedeque era cananeu, e como Jó, é um exemplo de um não israelita servo de Deus. Sua piedade pode ser evidenciada pela assistência dada a Abraão após a batalha, dando-lhe pão e vinho (Gn 14.18); por sua identificação como sacerdote do Deus altíssimo (Gn 14.18-b); pelo conhecimento que tinha a respeito de Deus e a sua adoração (Gn 14.19,20); pela atitude de abençoar o patriarca (Gn 14. 19-a); e ainda, por ter recebido o reconhecimento de Abraão que lhe deu o dízimo de tudo (Gn 14.20-b). Sua piedade ainda se destaca pelo significado de seu nome “rei da justiça”, que indica um dos traços de seu caráter. Justiça do hebraico “tsedeq”, e do grego “dike”, significam respectivamente: “atitude do que é justo; aquele que age de acordo com o padrão divino” (VINE, 2005, p.). Sobre a justiça a Bíblia destaca: (a) Deus é a fonte (Sl 35.24,28); (b) Deus exige que o homem a procure e a pratique imparcialmente (Is 1.17; 56.1; Mq 6.8); (c) qualidade esperada de um líder (1Rs 10.9; Sl 119.121; Pv 8.15); (d) uma evidência do Novo Nascimento (Ef 24).

II – MELQUISEDEQUE E SEU APARECIMENTO NA HISTÓRIA

O capítulo 14 de Gênesis registra a primeira menção de um sacerdote, a primeira menção do dízimo e a primeira menção de uma guerra envolvendo nove reis (Gn 14.1-17). As cinco cidades-estados da planície do Jordão (Gn 14.2; 13.10) haviam se sujeitado a doze anos de governo sob os reis de quatro cidades-estados do Oriente (Gn 14.1) e acabaram revoltando-se contra elas. Isso representou uma declaração de guerra. Assim, os quatro reis invadiram a planície do Jordão para subjugar os cinco reis das cidades daquela região. Nessa batalha, Ló, sobrinho de Abraão, foi levado cativo (Gn 14.12). Ao saber disso, Abraão, então, armou seus criados e entrou na peleja para libertar seu sobrinho. Ao retornar da batalha, ele encontrou-se com Melquisedeque. Vejamos os resultados desse encontro:

  • Melquisedeque trouxe pão e vinho (Gn 14.18). Ao retornar da batalha, o patriarca Abraão recebeu do rei de Salém pão e vinho. Sem dúvida, este alimento serviu não só como uma refeição para o patriarca, mas, também, uma figura da Santa Ceia, que foi instituída por Cristo, milênios depois (Mt 26.26-30; Mc 14.22-26; Lc 22.16-20). Melquisedeque traz pão e vinho a Abraão na qualidade de sacerdote, e não como rei de Salém. Era, pois, uma refeição sacramental, não um banquete oficial” (ANDRADE, 2015, pp. 118,119).
  • Melquisedeque abençoou Abraão (Gn 14.19). Quando Melquisedeque abençoou Abraão demonstrou ocupar uma posição superior ao patriarca (Hb 7.6,7). “A bênção aqui referida não é a simples expressão de um desejo relativo a outrem, o que pode ser feito de um inferior para um superior; mas, é a ação de uma pessoa autorizada a declarar intenções de Deus, conferindo boas dádivas de prosperidade a outrem. E, tal ação somente tem validade quando é feita por alguém que é superior” (SILVA, 2002, pp. 122,123). Nesta ocasião, Melquisedeque, que também adorava ao Deus de Abraão, declarou que o Deus Altíssimo é o possuidor dos céus e da terra, e que foi Ele quem entregou os adversários nas mãos de Abraão (Gn 19).
  • Abraão dá o dízimo a Melquisedeque (Gn 14.20). Diz o texto que Abraão deu o dízimo à Melquisedeque; com tal atitude, Abraão reconheceu o status sacerdotal de Melquisedeque, destacando a sua superioridade. A menção do dízimo nesse episódio, também nos mostra que se tratava de uma instituição mais antiga que a da legislação mosaica do Antigo Testamento. Não menos importante é que essa passagem mostra que o sacerdócio de Melquisedeque era maior do que o sacerdócio de Arão e dos levitas porque (figuradamente) este último sacerdócio oferecia dízimos a Deus através do primeiro sacerdócio ou de Melquisedeque na pessoa de Abraão. Deste modo o menor, isto é, os levitas, é abençoado pelo superior, isto é, Melquisedeque. As implicações todas têm a intenção de demonstrar a superioridade e eternidade do sacerdócio deste último, que funcionou como sacerdote quando abençoou Abraão e (figuradamente) Arão e os levitas (Hb 4-10).
  • Abraão teve de escolher entre dois reis que representavam dois estilos de vida opostos. Sodoma era uma cidade perversa (Gn 13.13; Ez 16.49, 50), e Bera representava o domínio desse sistema tão atraente à carne (Ef 2.1-3). O nome Bera quer dizer “dádiva”, sugerindo que o mundo tenta comprar nossa fidelidade. Sodoma significa “queimando”, portanto, tenhamos cuidado ao escolher, pois, se alguém se inclinar para Bera, tudo o que há de mais importante em sua vida um dia arderá em chamas como aconteceu a Ló. Em termos legais, Abraão tinha todo o direito de se apropriar dos despojos, mas em termos morais, essas riquezas estavam fora de seus limites. Muitas coisas no mundo estão dentro da lei para os tribunais de justiça, mas são moralmente erradas para o povo de Deus.

 III – MELQUISEDEQUE UMA FIGURA DE CRISTO

Tanto Hebreus 7 quanto o Salmo 110 associam Melquisedeque a Jesus Cristo o Rei da paz” e Rei da justiça”. Assim como ele foi no tempo de Abraão, Jesus Cristo é nosso Rei e Sacerdote no céu, permitindo que gozemos justiça e paz ao lhe servir (Is 32.17; Hb 12.11). O rei de Salém trouxe pão e vinho e abençoou Abraão. Trata-se da primeira menção acerca do pão e do vinho na Bíblia, o que retrata a futura obra de Cristo na cruz. Sem dúvida, podemos ver no pão e no vinho a lembrança da morte do Senhor por nós na cruz. O escritor da Epístola aos Hebreus declara que o sacerdócio de Melquisedeque era uma figura do sacerdócio de Cristo, como veremos a seguir:

  • Jesus e seu Sacerdócio superior. O escritor aos Hebreus a respeito do sacerdócio de Cristo diz: “chamado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque(Hb 5.10). O que significa que Cristo é anterior e superior a Abraão, a Levi e aos sacerdotes do Antigo Pacto (Jo 8.56-58). Melquisedeque, como protótipo de Cristo, estava revestido de grande dignidade. Por isso, abençoou Abraão e recebeu dele o dízimo (Hb 7.1,2). Melquisedeque é superior a Abraão, pois recebeu dízimo até mesmo de Levi, representado figuradamente pelo patriarca (Hb 7.4-10). Melquisedeque era mais importante que Levi e seus descendentes, cujo sacerdócio era temporário (Hb 7.4-10). Mas, o sacerdócio de Cristo é eterno (Hb 7.3,17). A superioridade de Melquisedeque é vista no fato que ele apresenta uma ordem sumo sacerdotal mais elevada que a do sacerdócio levítico, que era imperfeito (Hb 7.11-14). Cristo, tipificado no AT por Melquisedeque é o nosso sumo sacerdote santo, inocente, imaculado, perpétuo, separado dos pecadores e feito mais sublime que os céus (Hb 26-28).
  • Jesus e seu Sacerdócio eterno. Melquisedeque de acordo com o escritor aos Hebreus: “não possuía genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida(Hb 7.3). Isso não significa necessariamente que Melquisedeque era Cristo, como afirmam alguns. A maioria dos sacerdotes herdavam suas funções e servia por um período limitado. O sacerdócio de Melquisedeque, contudo, era único no sentido de que, com respeito aos registros históricos, não lhe foi passado por herança e não teve início nem fim, sendo um tipo de Cristo não apenas em seu ofício, mas também em sua origem. Segundo Beacon (2006, p. 62): “As descrições sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, devem ser entendidas em referência à ordem do sacerdócio de Melquisedeque, não à sua pessoa física. Não havia registro da sua data de nascimento ou da sua morte. Neste sentido, ele foi feito semelhante ao Filho de Deus; sendo uma tipologia de Cristo que é eterno” (Jo 1.1; Hb 13.8). Cristo, portanto, é rei da justiça e da paz no mais amplo sentido, e sacerdote “semelhante a” ou “da ordem de” Melquisedeque (Hb 7.15), isto é, sacerdote para sempre! (BRUCE, 2012, p. 1446).

CONCLUSÃO

Apesar da sua rápida aparição no cenário do Antigo Testamento, Melquisedeque demonstrou ser à semelhança de Abraão, um autêntico servo do Deus Altíssimo, tornando-se uma das figuras de Cristo e do seu sacerdócio.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. O Começo de Todas as Coisas.
  • Comentário Bíblico Hebreus a Apocalipse. CPAD
  • BRUCE, F.F. Comentário Bíblico NVI. VIDA
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia. VIDA
  • SILVA, Severino Pedro da. Epístola aos Hebreus.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com