Uma Aliança Superior

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1º TRIMESTRE 2018

A SUPREMACIA DE CRISTO

Fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus

COMENTARISTA: Pr. José Gonçalves

 LIÇÃO 08 – UMA ALIANÇA SUPERIOR – (Hb 8.1-10)

INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos a definição e o conceito da palavra aliança, e alguns de seus aspectos na carta aos Hebreus; destacaremos também algumas diferenças entre a antiga e a nova aliança; pontuaremos a superioridade da nova aliança; e por fim, mencionaremos alguns resultados da aliança que é superior.

I – DEFINIÇÃO E CONCEITO DA PALAVRA ALIANÇA

  • Definição. Do hebraico “berit”, e do grego “diatheke”, que basicamente significa tanto um “pacto”, como “último desejo e testamento” (HARRIS et al, 1998, p. 214). Uma aliança em linhas gerais, é: “um acordo ou um pacto feito entre duas ou mais pessoas, em que quatro elementos estão presentes: partes, condições, resultados e garantias” (WYCLIFFE, 2012, p. 61). No uso comum da palavra aliança, possui o significado de “um contrato celebrado entre duas pessoas” (Js 9.6; Jz 2.2; 1Sm 23.18); também era frequentemente usada para mostrar o relacionamento firmado entre Deus e o homem, como na aliança após o dilúvio (Gn 9.12-17); com Abraão (Gn 17.4-9), bem como para com Israel (Dt 4.13,23). No NT muito especialmente, a palavra aliança é usada para apontar o novo relacionamento entre o homem e Deus, que foi possibilitado por meio da vida e morte de Jesus (Mt 26.28; Mc 14.24; Lc 22.20; 2 Co 3.6), usada frenquentemente pelo escritor aos Hebreus, para descrever este novo e melhor relacionamento (Hb 7.22; 8.6; 9,10; 12.24; 13.20).
  • Conceito bíblico. Curiosamente, segundo Barclay (2010, p. 43), a palavra grega comum para indicar uma aliança entre duas pessoas era: “suntheke”, usada, por exemplo, em um “contrato” de casamento, ou acordos entre Estados, sempre descrevendo uma aliança feita em pé de igualdade, acordo este que qualquer uma das partes poderia alterar; propositalmente o escritor usa o termo “diatheke”, visto que a palavra aliança em sua argumentação significa algo superior (Hb 8.6; 9.15). Deus e o homem não encontram-se em pé de igualdade, isto quer dizer que o Senhor em sua escolha e de acordo com sua graça, ofereceu a humanidade esse relacionamento, e que o homem não pode alterar, mudar ou anular suas cláusulas, mas somente receber ou recusar (Hb 8.9,10,11). As condições de um testamento não são feitas em pé de igualdade, mas sim, ditadas por uma pessoa e aceita por outra, que não pode alterá-las e que não as poderia ter feito.

II  – ASPECTOS DA NOVA ALIANÇA

Embora o conceito de Nova Aliança seja encontrado em algumas passagens do AT (Ez 34.23-31; 37.24-28; Jl 2.12- 32), a expressão “nova aliança” propriamente dita, ocorre pela primeira vez no livro do profeta Jeremias: “Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei uma nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá” (Jr 31.31) (TYNDALE, 2015, p.1300 – acréscimo nosso). Já no NT há quase dois terços das referências à nova aliança; nove das quatorze vezes estão na carta aos Hebreus, notemos a partir de algumas dessas referências, aspectos dessa nova aliança: (a) Jesus é o fiador e mediador da nova e superior aliança (Hb Hb 7.22; 8.6,8; 9.15; 12.24); (b) Deus é a fonte da aliança (Hb 8.10; 10.16); e, (c) o sangue de Cristo como fundamento da nova aliança (Hb 10.29; 13.20) (MERRYL, 2008, p. 213 – acréscimo nosso).

III  – DIFERENÇAS ENTRE A ANTIGA E A NOVA ALIANÇA

A Antiga Aliança foi feita no deserto do Sinai entre Deus e a nação de Israel tendo Moisés como mediador (Êx 19; 24). Já a Nova Aliança foi feita por Cristo na cruz do Calvário entre Deus e a Igreja (Mt 26.28). Vejamos algumas diferenças entre ambas alianças, a fim de que possamos entender a superioridade de uma em relação a outra:

ANTIGA ALIANÇA

NOVA ALIANÇA

Antiga (Êx 34.27-28)

Nova (Jr 31.31-34; Hb 12.24)

Ratificada com sangue de animais (Êx 24.6-8)

Ratificada com o sangue do Filho de Deus (Hb 9.14; Lc 22.20)

Mediador: Moisés (2 Co 3.7-b)

Mediador: Cristo (2 Co 3.3-14; Hb 8.6- 9,15)

Alcance: Israel (Êx 24.7,8)

Alcance: Povos, tribos, línguas e nações (Mt 26.28; Ap 5.9)

Gravada em pedras (2 Co 3.7-a)

Escrita no coração (2 Co 3.2,3)

Veio em glória (2 Co 3.7-a)

Tem excelente glória (2 Co 3.10)

Ministério da condenação (2 Co 3.9)

Ministério da justificação (At 13.38,39)

É um jugo de servidão (At 15.10)

Traz liberdade (2 Co 3.17)

Acaba com morte (2 Co 3.6,7)

Continua após a morte (2 Co 3.6)

Era transitória (2 Co 3.7,11)

É permanente (2 Co 3.11; Hb 13.20)

IV  – A SUPERIORIDADE DA NOVA ALIANÇA

  • Um Sumo Sacerdote superior. Ao iniciar o capítulo 8 com a expressão: “Ora, o essencial das coisas que temos dito […]” (Hb 8.1a – ARA), o autor indica que chegou ao ponto principal e culminante da sua argumentação, e em seguida, ele apresenta argumentos concisos para provar que nosso Senhor é, de fato, um Sumo Sacerdote superior: (a) a perfeição moral de Jesus: “[…] temos um sumo sacerdote tal […]” (Hb 8.1); essa declaração remonta a passagem do capítulo anterior (Hb 7.20-28), onde o escritor justifica a necessidade de termos um Sumo Sacerdote de uma ordem e de natureza superior: “[…] santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céu s” (Hb 7.26), e que a despeito de sua perfeição moral, se identifica conosco em nossas necessidades e tentações sendo superior a qualquer outro sacerdote, no passado ou no presente (Hb 8.12); e, (b) a obra consumada de Cristo: “[…] um sumo sacerdote que está assentado nos céus […] (Hb 8.1b). Visto que o trabalho do sacerdote na antiga aliança era intenso, devido os sacrifícios repetitivos e imperfeitos, e que o sangue dos animais apenas cobria e não removia os pecados, o que apenas o sacrifício de Cristo faz (Jo 1.29), eles oficiavam sempre em pé, já que o trabalho nunca acabava; no entanto, Jesus assentado à destra do trono da Majestade como Sumo Sacerdote, é a demostração que a obra por ele foi consumada (Hb 10.11,12; ver Jo 17.4) (WIERSBE, p. 393).
  • Ministrada em um lugar superior. Todos os sacerdotes do Antigo Testamento eram nomeados para oferecer tanto dons quanto sacrifícios pelos pecados: “Porque todo o sumo sacerdote é constituído para oferecer dons e sacrifícios […]” (Hb 8.1; ver 5.1; 7.27; 8.3), porém, esses sacrifícios não podiam ser oferecidos em qualquer lugar, apenas no local determinado por Deus, ou seja, no santuário (Dt 12.13, 14). Os sacerdotes que serviam no templo, na verdade, exerciam sua atividade em um santuário que era uma cópia , ou seja, uma figura do santuário celestial (Hb 8.5). A conclusão que chega o escritor é que Jesus Cristo é um Sumo Sacerdote que realiza ofertas e sacrifícios em um santuário superior: Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus” (Hb 9.24). O sacerdócio e o santuário terreno pareciam bastante reais e estáveis, no entanto, não passavam de cópias do que é verdadeiro! O sistema do Antigo Testamento era só uma porção de sombras (Cl 2.17). A Lei apenas “tem sombra dos bens vindouros” (Hb 10.1); a luz verdadeira e plena veio em Jesus Cristo (WIERSBE, p. 395).

V – RESULTADOS DE UMA ALIANÇA SUPERIOR

  • Graça de Deus. Apesar da atitude de Israel em não cumprir sua parte na antiga aliança (Êx 24.3; Hb 8.9), Deus revela sua vontade em estabelecer um pacto superior (Hb 8.8), cujo mediador é seu próprio Filho (1Tm 2.5), que traz consigo melhores promessas (Hb 8.6). A nova aliança é, em sua totalidade, uma obra da graça de Deus; nenhum pecador pode fazer parte dessa aliança sem crer em Jesus Cristo. O autor de Hebreus mostra aquilo que Deus afirmou que fará por aqueles que creem no Senhor Jesus (Hb 8.10 – ARA). Só nesse versículo encontramos três coisas que Deus fará: “firmarei, imprimirei, inscreverei”, sempre Deus agindo graciosamente em favor da humanidade.
  • Mudança interior. É importante destacar que não havia falha na Lei em si (Rm 7.12), mas sim na natureza pecaminosa, pois, por suas próprias forças, o homem não é capaz de guardar a Lei de Deus. Porém, a Lei nunca aperfeiçoou coisa alguma (Hb 7.19), pois não era capaz de mudar o coração humano, sendo assim, os pecadores precisam de um novo coração, de uma nova disposição interior, algo que somente a nova aliança pode oferecer (Hb 8.10). Ao crer em Jesus o pecador recebe uma nova natureza (1Pd 1.1-4), a Palavra de Deus é escrita no coração e na mente (Jr 31.33; 2 Co 3.3), tornando o cristão submisso e cada vez mais semelhante a Jesus Cristo (2 Co 3.18).
  • Perdão para todos. A Lei não foi dada com o propósito de conceder perdão: “Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3.20). Portanto, os sacrifícios do Antigo Testamento eram uma recordação dos pecados, não uma remissão (Hb 10.1-3,18), somente por meio do Sumo Sacerdote Jesus Cristo é que o perdão pode ser oferecido a todos: “Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, E de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais(Hb 8.12), isso significa dizer que Deus se lembra daquilo que fizemos, mas não nos acusa, e que trata dos pecados com base na graça e misericórdia, não na Lei e no mérito (Rm 5.1; 8.2).

CONCLUSÃO

Sendo a antiga aliança incapaz de resolver o problema do pecado do homem, Jesus possuindo um ministério tanto mais excelente, estabeleceu por meio de seu sacrifício, uma aliança superior, cumprindo assim, a promessa feita por Deus no Antigo Testamento.

REFERÊNCIAS

  • BARCLAY, William. Palavras Chaves do Novo Testamento. 1. VIDA NOVA.
  • Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. VIDA NOVA.
  • Dicionário Bíblico Tyndale. GEOGRÁFICA.
  • Dicionário Bíblico. CPAD.
  • WIERSBE, Warren W. Comentario Biblico Espositivo do Novo Testament PDF.
  • TENNEY, Merril C. Enciclopédia da Bíblia. Vol 1. EDITORA CULTURA CRISTÃ.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

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Jesus – Sumo Sacerdote de uma ordem superior

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1º TRIMESTRE 2018

A SUPREMACIA DE CRISTO

Fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus

COMENTARISTA: Pr. José Gonçalves

 

LIÇÃO 07 – JESUS – SUMO SACERDOTE DE UMA ORDEM SUPERIOR (Hb 7.1-19)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição falaremos sobre um enigmático personagem do AT: Melquisedeque; destacaremos que ele um tipo de Cristo como rei e sacerdote; veremos ainda que o sacerdócio de Cristo é superior ao sacerdócio levítico, pois é antecedente a este e é eterno.

I – INFORMAÇÕES SOBRE MELQUISEDEQUE

Devido a poucas informações a seu respeito, Melquisedeque tornou-se um homem enigmático; gerando algumas especulações sobre sua pessoa. Notemos o que Bíblia informa a respeito dele:

  • Sua origem. Melquisedeque é a transliteração para o português, do termo hebraico “Melekh” e “Tsedek”, que significa “rei de justiça” (CHAMPLIN, 2001, p. 210). A história de Melquisedeque é bastante resumida, ele é citado no primeiro livro do Pentateuco (Gn 14); num texto poético (Sl 110) e na parte doutrinária da Epístola aos Hebreus, no NT (Hb 5 a 7) (GARDNER, 2005, p. 450).
  • Seu ofício. Ele era rei de Salém (a antiga Jerusalém). Salém é a forma abreviada de Jerusalém e é encontrada pelo menos cinco vezes nas Escrituras (Gn 14.18; 33.18; Sl 76.2; Hb 7.1,2). O título Rei de Salém dado a Melquisedeque significa “rei de paz”; além de rei, também lhe é atribuído a função de sacerdote de “El Elyon”. O nome “El” era comumente aplicado a Deus entre os povos de origem semita, e tornou-se na Bíblia um dos nomes principais de Deus, “El Elyon” (Deus Altíssimo). Esta também é a primeira menção do termo sacerdote na Bíblia o que o tornava um rei-sacerdote, o que serviu mui apropriadamente para ilustrar o mesmo ofício, ocupado em forma muito mais significativa, pelo Senhor Jesus Cristo (CHAMPLIN, 2001, p. 210 – acréscimo nosso).
  • Sua aparição na história. O capítulo 14 de Gênesis registra a primeira menção de um sacerdote, a primeira menção do dízimo e a primeira menção de uma guerra envolvendo nove reis (Gn 14.1-17). As cinco cidades-estados da planície do Jordão (Gn 14.2; 13.10) haviam se sujeitado a doze anos de governo sob os reis de quatro cidades-estados do Oriente (Gn 14.1) e acabaram revoltando-se contra elas. Isso representou uma declaração de guerra. Assim, os quatro reis invadiram a planície do Jordão para subjugar os cinco reis das cidades daquela região. Nessa batalha, Ló, sobrinho de Abraão, foi levado cativo (Gn 14.12). Ao saber disso, Abraão, então, armou seus criados e entrou na peleja para libertar seu sobrinho. Ao retornar da batalha, ele encontrou-se com Melquisedeque (Gn 18-24).

II – A RELAÇÃO DE MELQUISEDEQUE COM CRISTO

Segundo o escritor da Epístola aos Hebreus, Melquisedeque também prefigura Cristo (Hb 7.1-3). Vejamos em que:

  • Como rei. Melquisedeque prefigura Cristo na função de rei, pois ele aparece no Livro do Gênesis como rei “E Melquisedeque, rei […]” (Gn 14.18-a). Cristo é um título oficial de Jesus. Evoca-lhe também o ofício de rei (Mt 2.2; Lc 1.32,33; Ap 19.16). Este ofício, Cristo ocupará na terra por ocasião da segunda fase da segunda vinda, quando vier em glória (Ap 20.1-6). Ele também aponta para Jesus no lugar onde reinou “rei de Salém” (Gn 14.18-b). Jacó profetizou que seria uma tribo real (Gn 49.10), Jesus veio da tribo de Judá (Hb 7.14); Deus, jurou a Davi que não faltaria sucessor no seu trono (Sl 89.35.36; 132.11), e que dos seus lombos levantaria o Messias (2 Sm 7.12,13; Is 11.1; At 2.30). Portanto, um dia, Jesus reinará sobre todas as nações (Sl 2.6,8; 110.1,2). Seu reino será literal e universal, pois, todos os reinos do mundo estarão sob o senhorio de Cristo (Dn 2.44,45). Israel será uma bênção para o mundo (Is 26.7). Jerusalém será a sede do governo mundial (Is 2.3; 60.3; 66.2; Jr 3.17), e dela sairão, tanto as diretrizes religiosas como as leis civis para o mundo (Is 65.20,22; Zc 8.4). Este rei de Salém também assemelha-se a Cristo, pela forma com que reinará, pois é rei de paz e de justiça (Hb 6.2). Essa é a forma com que Jesus reinará sobre a terra (Sl 2.10-12; Is 11.1-16; Jr 23.5).
  • Como sacerdote. Além de rei é dito que Melquisedeque era “[…] sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14.18). O título de Cristo dado a Jesus, Evoca-lhe também o ofício de sacerdote (Hb 2.17; 7.26-28). O profeta Zacarias, referindo-se ao Messias, atribui-lhe tanto o ofício de rei como o de ‘sacerdote (Zc 6.13). Ele, apareceu para Abraão e lhe trouxe “trouxe pão e vinho” (Gn 14.18); uma clara alusão a Ceia do Senhor que fora instituída por Cristo, para que os seus seguidores fizessem em Sua memória (Mt 26.26,28; Mc 14.22; Lc 22.19; 1 Co 11.24-26). O registro bíblico diz também Melquisedeque abençoou Abraão (Gn 14.19,20), deixando claro sua superioridade em relação ao patriarca (Hb 7.7), por isso, é, que “Abrão deu-lhe o dízimo de tudo” (Gn 14.20-b). Cristo, veio da semente de Abraão, e é por ele que a benção que Deus prometeu se estenda a todas as famílias da terra (Gn 12.3; Gl 3.14). Um dia a nação de Israel, junto com todas as outras nações, trarão suas ofertas ao Senhor Jesus Cristo, e, a que assim não proceder será punida (Zc 14.16-19).

III – JESUS – SACERDOTE DE UMA ORDEM SUPERIOR

Os ritos do tabernáculo e a exigência de observá-los com exatidão tornaram necessária a instituição de um sacerdócio dedicado totalmente ao culto divino. Para esta importante função, Deus escolheu o levita Arão e seus filhos (Êx 28.1; Sl 105.26). O sacerdócio instituído por Deus tinha algumas características, por exemplo: o escritor aos hebreus diz que o sacerdote “era tomado dentre os homens” (Hb 5.1). Por isso, o Verbo se fez carne (Jo 1.14), também para que em forma humana, poder ser um perfeito sacerdote em prol dos homens “Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus […]” (Hb 2.17). Ao sacerdote competia compadecer-se dos pecadores e isto Cristo fez como ninguém (Lc 23.34; Hb 2.18); e, apresentar sacrifício pelos pecadores diante de Deus com sangue (Hb 9.25), e, isto Cristo também cumpriu, quando apresentou a si mesmo como oferta pelo pecado (Hb 5.7-9; 7.27; 9.26). Abaixo destacaremos porque Jesus é sacerdote de uma ordem superior à de Arão. Vejamos:

  • A origem do sacerdócio de Cristo. Arão foi feito sacerdote por Deus e não pelos homens: “E ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão” (Hb 5.4). Da mesma forma Cristo foi feito por Deus sacerdote “Assim também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, Hoje te gerei. […] Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 5.5,6). Considerando que a Bíblia não menciona a genealogia de Melquisedeque (Hb 7.3), seu sacerdócio era singular em sua ordem, pois não dependia de sua genealogia, mas de sua nomeação direta por Deus (Gn 14.18). Da mesma forma, Jesus foi feito sacerdote diretamente por Deus: “Chamado por Deus sumo sacerdote […]” (Hb 5.10). Ver também (Hb 10.21).
  • A ordem do sacerdócio de Cristo. Na mente de um judeu, letrado nas ideias levíticas rígidas, era inconcebível que alguém servisse como sacerdote sem ser descendente de pais sacerdotes, sem genealogia. No entanto, Melquisedeque aparece nesta função: “sem genealogia” (Hb 7.3) ou “cuja genealogia não é contada” (Hb 7.6). É bom lembrar que foi o próprio Moisés que chamou Melquisedeque de “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14.18); e ele foi reconhecido como tal mesmo sem credenciais formais. Neste sentido, ele foi feito semelhante a Jesus, que também não tinha uma linhagem sacerdotal normal. Nosso Senhor procedeu de Judá e desta tribo nunca Moisés falou de sacerdócio (Hb 7.14). Por isso, se ele estivesse na terra, nem tampouco sacerdote seria (Hb 8.4). No entanto, o escritor aos Hebreus assevera que Jesus é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque e não segundo a de Arão: “[…] Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque(Hb 7.14). Portanto, o sacerdócio de Cristo é de uma ordem melhor, pois é independente da Lei de Moisés (Hb 7.11,12); e, da tribo de Levi (Hb 7.13-15).
  • A superioridade do sacerdócio de Cristo. O sacerdócio de Melquisedeque é superior ao de Arão por, pelo menos, dois motivos: (a) é anterior ao sacerdócio araônico. O registro da aparição de Melquisedeque se dá em Gênesis 14.18-20 e a instituição do sacerdócio por Arão se deu em Êxodo 28.1, ou seja, por volta de 600 anos depois; (b) foi feito sob juramento. Enquanto o sacerdócio de Arão foi realizado por indicação divina (Nm 17.1-10), a continuação do sacerdócio de Melquisedeque foi feita por indicação divina e sob juramento Jurou o SENHOR, e não se arrependerá: tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4). É bom destacar que o juramento de Deus é feito em si mesmo, visto que ninguém lhe é superior (Hb 6.13). E, isto é o equivalente de dizer que Sua própria palavra bastava.
  • A durabilidade do sacerdócio de Cristo. O sacerdócio levítico embora fosse permanente, o sacerdote era impedido de exercer o sacerdócio quando morresse. O sacerdócio de Cristo, pelo contrário, é eterno porque ele vive para sempre “[…] tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4). O escritor aos hebreus faz questão de aludir a isso: “E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer, mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo(Hb 7.23,24).
  • A perfeição do sacerdócio de Cristo. O sacerdócio levítico era imperfeito, por diversos motivos: (a) os sacrifícios realizados, deviam ser repetidos não eram sacrifícios definitivos (Hb 10.11); (b) não podiam purificar a consciência (Hb 10.1); e, (c) era composto por homens imperfeitos, que necessitavam sacrificar por si mesmos, para depois sacrificarem pelo povo (Lv 4.3). Jesus, no entanto, ofereceu-se uma vez só (Hb 10.10); seu sacrifício purifica a consciência (Hb 9.14); e, Ele não precisou sacrificar por si mesmo, porque é sacerdote perfeito (Hb 7.28). Como sacerdote, Cristo possui as seguintes características: “[…] santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus; que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo” (Hb 7.26,27).

CONCLUSÃO

Na Nova Aliança, temos um sacerdote eterno e perfeito que ofereceu-se em sacrifício definitivo pelos nossos pecados e que está assentado à direita de Deus intercedendo por nós. Como sacerdote, Ele nos oferece uma salvação eterna (Hb 5.9); uma redenção eterna (Hb 9.12); o Espírito Eterno (Hb 9.14); uma herança eterna (Hb 9.15); estabeleceu um concerto eterno (Hb 13.2); e, por fim, um juízo eterno, aos que rejeitam (Hb 6.2).

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

Perseverança e Fé em tempos de apostasia

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1º TRIMESTRE 2018

A SUPREMACIA DE CRISTO

Fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus

COMENTARISTA: Pr. José Gonçalves

 

LIÇÃO 06 – PERSEVERANÇA E FÉ EM TEMPOS DE APOSTASIA (Hb 6.1-15)

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos uma definição de apostasia; pontuaremos a diferença entre apostatar e desviar; e por fim, faremos uma análise exegética de maneira minuciosa de hebreus 6.4-8 analisando versículo por versículo.

I  – DEFINIÇÃO DA PALAVRA APOSTASIA

1.1 Apostasia. O termo apostasia é descrito comumente pelo termo hebraico “meshuvah” e do grego “apóstasis” que significa: “o abandono premeditado e consciente da fé cristã”. Já o verbo “aphistemi”, de onde se originou “apostasia”, é traduzido como: “renegar, apartar, decair, desertar, retirar, deixar, rebelar, abandonar, afastar-se daquilo que antes se estava ligado” (STAMPS, 1995, p. 1903). O termo aparece no NT com o sentido de “declínio religioso em relação a Deus, cortar o relacionamento salvífico com Cristo, ou apartar-se da união vital com Ele” (At 21.21; 2Ts 2.3; 1Tm 4.1; Hb 3.12; 2Tm 4.3). Nossa Declaração de fé (2017, p. 114) nos diz: “Mediante o mau uso do livre arbítrio, o crente pode apostatar da fé, perdendo, então a sua salvação”. Sendo assim, a apostasia só é possível para quem já experimentou a salvação (Lc 8.13; Hb 6.4,5) (ANDRADE, 2006 p. 56).

II  – DIFERENÇA ENTRE APOSTASIA E DESVIO

De início, é bom lembrar que a apostasia não é um pecado qualquer, nem tampouco um tropeço que o cristão teve na sua caminhada, não é um mero desvio moral ou um acidente espiritual. Apostasia é: “uma ruptura completa da vida com Jesus, é o abandono da verdade divina experimentada. É a negação da fé por aqueles que antes a sustentavam”. O teólogo Merril define a apostasia como: “um ato de um cristão, que, consciente e deliberadamente, rejeita a verdade revelada da divindade de Cristo e a redenção mediante seu sacrifício expiatório” (GONÇALVES, 2018, p. 134).

  • A apostasia. A palavra “impossível” do grego “adynatos” usada em Hebreus 6.4 como referência à impossibilidade de o apóstata arrepender-se novamente, ocorre dez vezes no NT. O autor de Hebreus usa esse termo outras três vezes em sua carta (Hb 6.18; 10.4; 11.6), em todos esses textos, essa impossibilidade aparece de forma absoluta, como algo real, e não como uma mera hipótese. O apóstata é alguém que rejeita completamente e irreversivelmente a Jesus, seu sacrifício e a toda verdade bíblica. O único caso sem esperança é o do apóstata que rejeita o evangelho depois de haver sido salvo pela graça ou convencido da verdade do evangelho (Hb 3.12; 6.4-6). Para o tal, já não resta mais sacrifício pelo pecado (1Jo 5.16). A Bíblia está repleta de exemplos de pessoas que caíram e permaneceram prostradas, recusando se arrependerem conscientemente, voluntariamente, intencionalmente e deliberadamente (Hb 10.26-31). O apóstolo Paulo diz: “Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1Tm 4.1). Fica claro que a apostasia é algo que acontece dentro do contexto da igreja (GONÇALVES, 2018, p. 137).
  • O desvio. A palavra “desvio” vem das expressões gregas “parabaino; astocheo, ektrepo, apoplanao” (At 1.25; 1Tm 1.6; 19; 5.15; 6.10; Hb 2.1; 12.25) que significa: “negligenciar, violar, transgredir, desviar”. O homem não deve, mas, pode cair repentinamente em uma falta ou ainda andar em pecado e, no entanto, não rejeitar o evangelho nem negar ao Senhor que lhe comprou (Lc 15.11-24). Sua situação é temerária e perigosa, mas não sem esperança como o apóstata (Hb 6.4). Embora entendamos que cair numa fragilidade seguida de contrição e arrependimento sincero não implica na apostasia como observemos o caso de Davi e Pedro (2Sm 11.4; 12.13; Sl 51.1-19; Mc 14.66-72). Estes e outros casos mostram que é possível o crente “perder” a salvação que lhe foi concedida se este através do desvio der as costas ao Senhor que os resgatou (Êx 32.31-33; Jo 15.2; Rm 11.22,23; 1Co 15.2; Hb 3.6,7,15; Ap 3.5) (WILEY, 2013, pp. 288,289)

III – A REALIDADE DA APOSTASIA EM HEBREUS 6.4-8

As evidências demonstram inquestionavelmente que o texto de Hebreus descreve uma situação de afastamento, de abandono e queda da fé. Esta passagem está relacionada a continuação da que se encontra em Hebreus 5.11-14. Notemos:

  • “Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados […]” (Hb 6.4a). Os não-salvos, diz a Bíblia, estão em trevas (1Jo 2.11; Ef 5.11; Lc 11.35), e não “iluminados” (Jo 16.8), pois, o não-regenerado não está “de pé”, ele está caído (Ef 2.1). Os não-salvos também não possuem dons espirituais, que são dados pelo Espírito Santo aos que creem (1Co.12:4-31). Os não-salvos também não são participantes do Espírito Santo, pois Ele só habita naqueles que foram uma vez regenerados (Ef. 4.30). Essas pessoas haviam testemunhado o fato de que a salvação era a realidade inquestionável em suas vidas. A palavra “impossível” do grego “adynatos”, dá a ideia de algo irreversível. Dentro desse contexto, o termo é usado em relação àqueles que caíram e não mais podem ser restaurados ao arrependimento. O termo grego “photisthentas” “iluminado” é usado tanto no contexto do NT como aqui em Hebreus como se referindo a pessoas salvas (2Co 4.6; Hb 10.32; Jo 8.12; 2Pe 1.19), essa iluminação é uma referência à conversão. De fato, o autor novamente usa esse mesmo termo em Hebreus 10.32 para referir-se à experiência da conversão: “Lembrai-vos, porém, dos dias anteriores, em que, depois de iluminados, sustentastes grande luta e sofrimentos”. Primeiramente, o escritor aos Hebreus mostra que o apóstata é alguém que anteriormente foi iluminado, mas renegou a sua nova vida em Cristo. Aqui, o iluminado era alguém que se convertera e que, portanto, fazia parte da igreja (GONÇALVES, 2018, pp. 64,139).
  • “[…] e provaram o dom celestial […]” (Hb 6.4b). A palavra “geusamenous”, traduzida como provaram, significa: “provar no sentido de sentir, ter a experiência de, experimentar algo tendo participado pessoal e conscientemente”. Alguns expositores, na tentativa de negar a possibilidade do fracasso na fé mostrada nesse texto, procuram fazer uma diferença entre “provar” e “experimentar”. Alguns argumentam que a palavra “geusamenous” (provar) é usada em Mateus 27.34 para mostrar que Jesus “provou” o vinagre, mas não o “bebeu”. Todavia, essa exegese não fica de pé diante de Hebreus 2.9, onde esse mesmo termo grego revela que “provar e experimentar” são usados de forma intercambiável de acordo com a conveniência do contexto. Seria um contrassenso dizer que Jesus “provou”, mas não “experimentou” a morte. A interpretação que tenta transformar “os que provaram o dom celestial” em descrentes ou crentes, porém não regenerados, não se sustenta por razões contextuais, gramaticais e léxicas (GONÇALVES, 2018, pp. 64,140). Por conseguinte, a afirmativa domvem da expressão grega “dorea” que aplica- se apenas aos salvos (At 2.38; 8.20; 10.45; Ef 4.7) (WILEY, 2013, p. 290).
  • “[…] e se fizeram participantes do Espírito Santo […]” (Hb 6.4c). Os que podem cair da graça são aqueles que renunciaram a esse dom. É evidente que essa advertência só tem validade para os crentes regenerados, visto que ninguém pode tomar-se participante do Espírito Santo sem que antes nasça de novo (Jo 14.17; At 2.38; 5.32; Rm 8.9; Tt 3.5-7; Hb 3.1, 14). Essa terminologia “participantes” faz com que seja impossível que o autor esteja falando de pseudocrentes (falsos crentes), porque apenas os verdadeiros se tomam participantes do “Ruach HaKodesh” (Espírito Santo) (GONÇALVES, 2018, pp. 64,140). O termo grego “metochos” significa: “compartilhando, participando, parceiro, companheiro”, e está corretamente traduzida como participantes porque existe uma comunhão entre Cristo e os crentes verdadeiros. Assim, a expressão “participantes do Espírito Santo” só tem sentido em relação a crentes (WILEY, 2013, pp. 290,291). Os que caíram foram, de uma vez por todas, feitos participantes “metochous genethentas” do Espírito Santo (Hb 6.4). Esse texto mostra que Deus fez com que eles participassem do Espírito Santo de maneira pessoal e íntima, mas depois voluntariamente caíram (GONÇALVES, 2018, p. 64).
  • “E provaram a boa Palavra de Deus[…]” (Hb 6.5a). O autor da Epístola volta a usar a palavra provaram. Seu propósito é salientar a experiência de provar e desfrutar da plenitude da vida nova e abundante. O vocábulo “hrema” é, às vezes, usado para denotar toda a Palavra de Deus, mas, aqui, significa mais especialmente as promessas, que, para os que as abraçam, tornam- se a fonte de ininterrupta vida e poder. O uso da palavra “kalon”, que é a palavra “boa”, parece favorecer esta interpretação. Quando a Palavra de Deus é expressa pelo termo “logos” diz respeito mais particularmente à mensagem ou ao conteúdo da Palavra. Mas, quando expressa por “hrema”, refere-se principalmente à palavra expressa ou falada (WILEY, 2013, 291,292).
  • “[…] e os poderes do mundo vindouro” (Hb 6.5b). Esse versículo também só tem sentido quando visto em referência a crentes. Eles já haviam sido “iluminados, provado do dom celestial e participado do Espírito Santo”. Agora, é mostrado que eles também provaram da palavra de Deus e conheceram as virtudes do século vindouro, eram, portanto, crentes de verdade (WILEY, 2013, p. 292). O apóstata é alguém que não apenas provou do dom celestial (Hb 6.4), mas também “provou da Palavra de Deus e das virtudes do século vindouro”. O mesmo termo grego usado no versículo 4 para “provar, experimentar”, também é usado aqui no versículo 5 “geusamenos”. Eles não apenas “experimentaram”, mas também “descobriram a verdade da palavra de Deus quanto o antegozo do que era viver na eternidade”. Essa queda não foi algo superficial, mas tão profundo ao ponto de que elas “crucificaram o Filho de Deus”.
  • “E depois recaíram, sejam outra vez renovados para o arrependimento […]” (Hb 6.6a). O texto fala que depois que caíram, não poderiam mais ser reconduzidas ao arrependimento. Se elas não podem ser reconduzidas ao arrependimento, é porque já se arrependeram uma vez. O texto também diz que eles recaíram, e, se eles recaíram, é porque estavam de pé antes. O autor alerta que a queda na fé é uma possibilidade real e que, nesse aspecto, a apostasia é um caminho sem volta. A “recaída” fala de alguém que estava se recuperando de uma doença, mas que negligenciou sua total recuperação. Pedro advertiu sobre isso dizendo: “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, torna-se-lhes o último estado pior do que o primeiro” (2Pe 2.20-22). O termo “anastaurountas” indica a impossibilidade do apóstata arrepender-se e recomeçar de novo. O que o autor da Epístola disse, portanto, é que é impossível renovar outra vez para arrependimento os que recaíram, visto que, de novo, estão “crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia” (WILEY, 2013, p. 294).
  • “Porque a terra que embebe a chuva que muitas vezes cai sobre ela e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada recebe a bênção de Deus” (Hb 6.7). A apostasia leva a pessoa a retroceder na vida espiritual e impossibilita o sentimento de arrependimento. O versículo 7 ilustra a vida frutífera do cristão que cresce diariamente na graça e no conhecimento do Senhor. Entretanto, por outro lado, o versículo 8 representa a vida do apóstata que produz mau fruto. “Mas a que produz espinhos e abrolhos é reprovada e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada” (Hb 6.8). Um coração incrédulo e endurecido pelo pecado foi a causa que impediu os crentes do antigo concerto de entrar no descanso provido por Deus: “E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade(Hb 3.19). (GONÇALVES, 2018, p. 131).

CONCLUSÃO

Longe de querer provocar insegurança nos seus leitores, o autor de Hebreus tenciona conduzi-los à maturidade cristã. O seu desejo é produzir ânimo, esperança e fé em tempos de apostasia: “Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança” (Hb 6.11). Todavia, sem ignorar os perigos da caminhada, ele faz severas advertências. Os perigos existem: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo” (Hb 3.12).

REFERÊNCIAS

  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • CPAD. VINE, W.E, et al. Dicionário Vine. CPAD.
  • WILEY, Orton. A excelência da nova aliança em Cristo. Central Gospel.
  • GONÇALVES, José. A supremacia de Cristo Fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

Cristo é superior a Arão e à ordem levítica

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1º TRIMESTRE 2018

A SUPREMACIA DE CRISTO

Fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus

COMENTARISTA: Pr. José Gonçalves

 

LIÇÃO 05 – CRISTO É SUPERIOR A ARÃO E À ORDEM LEVÍTICA (Hb 4.14-16; 5.1-14)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição falaremos um pouco sobre Arão, o irmão de Moisés, que foi chamado por Deus para ser o primeiro sacerdote do povo de Israel; destacaremos sua relação com Jesus, quanto a função, consagração, intercessão e oferta; pontuaremos a superioridade do sacerdócio de Cristo em relação ao araônico; e, por fim, quais os benefícios que recebemos por meio do sacrifício de Jesus na cruz.

I  – QUEM FOI ARÃO

Arão era filho de Anrão e Joquebede ambos oriundos da tribo de Levi (Êx 2.1). Ele era o irmão do meio, numa família de três filhos (Êx 6.20; Nm 26.59). Arão nasceu durante a opressão de Israel no Egito, mas evidentemente antes do decreto genocida de Êxodo 1.22. Tinha três anos de idade quando Moisés nasceu (Êx 7.7). Quando cresceu casou com Eliseba e teve quatro filhos: Nadabe, Abiú, Elezar e Itamar (Êx 6.23; Lv 10.1,6; 1 Cr 24.1). Durante toda a narrativa do Êxodo Arão é um auxiliar de Moisés (Êx 4.14). A Bíblia como um todo fala gentilmente de Arão. Nos Salmos ele é chamado de pastor (Sl 77.20); sacerdote (Sl 99.6); escolhido (Sl 105.26); santo (Sl 106.16) e ungido (Sl 133.2).

II  – A RELAÇÃO DE ARÃO COM JESUS

O escritor aos Hebreus diz que o sacerdócio de Arão prefigurava o de Cristo (Hb 2.17,18; 4.14-16; 5.1-4; 7.11). A expressão “prefigurar” significa: “representar o que está por vir” (HOUAISS, 2001, p. 2284). A forma antiga é apenas uma figura (uma sombra) da real que está por vir (Hb 10.1). Vejamos a relação que existe entre ambos personagens:

  • Na função. O sacerdote, termo que no hebraico é “kohen”, era o ministro divinamente designado, cuja função principal era representar o homem diante de Deus (Êx 28.38; 30.8). Os sacerdotes deviam queimar incenso, cuidar do castiçal e da mesa dos pães da proposição, oferecer sacrifícios no altar e abençoar o povo (Nm 5.5-31). Eles ensinavam a Lei (Ne 8.7,8); ministravam como mediadores entre o povo e Deus (Êx 12.12,29,30); comunicavam ao povo a vontade e o concerto de Deus (Jr 33.20-22; Ml 2.4); intercediam, perante Deus, devido à pecaminosidade do povo. Exercendo o seu ministério, eles faziam expiação pelos seus próprios pecados e pelo pecado do povo (Êx 29.33; Hb 9.7,8), e testificavam da santidade de Deus (Êx 28.38; Nm 18.1). O primeiro sacerdote escolhido por Deus em favor de Israel foi Arão (Êx 28.1; Hb 4.4); e, dentre os sacerdotes, ele foi eleito “sumo sacerdote” o qual era o principal entre os sacerdotes (Hb 5.1-4). Em hebraico o “sumo sacerdote” é chamado de “kohen gadol” que quer dizer “grande sacerdote”. Somente ele entrava uma vez por ano no Lugar Santíssimo para expiar os pecados da nação israelita, no Dia da Expiação (Êx 30.10; Lv 16.34). Jesus também feito sacerdote por Deus Pai: “Chamado por Deus sumo sacerdote […]” (Hb 5.10). Veja ainda: (Hb 5.5,6; 7.21).
  • Na consagração. Quando foi escolhido para ser sacerdote, Arão foi ungido por Moisés (Êx 28.41). Davi faz alusão a esta consagração no Salmo 133.2. Tal ato tipifica a unção do Espírito Santo que era concedido para capacitá-lo para exercer tal função. No NT Jesus recebe o título de Cristo (Mt 16,18; Lc 2.26; Hb 1.6; Jo 4.25,26; At 3.6,18,20; 4.10; Rm 1.4; 1 Co 1.23). O adjetivo Cristo do hebraico “messiah”, do grego “christhos” significa: “ungido” (ANDRADE, 2006, p. 122). As profecias do AT revelaram, com muitos séculos de antecedência, que Deus enviaria um Redentor, o Ungido de Deus (Sl 2.2; 45.7; 89.20; Is 61.1; Dn 9.25,26). A promessa de Deus anunciava a vinda de alguém que ocuparia as três funções, dentre elas a de sacerdote (Sl 110.4; Hb 2.17; 7.26-28).
  • Na intercessão. Dentre as atribuições do sacerdote destaca-se a de ser mediador entre o povo e Deus, fazendo intercessão por eles (Êx 12.12,29,30). O profeta Isaías anunciou que o Messias intercederia pelos pecadores (Is 53.12). Jesus intercedeu pelos seus discípulos (Jo 17.9); intercedeu por aqueles que haveriam de crer, por meio da pregação deles (Jo 17.20). Jesus, como sacerdote, encontra-se a direita de Deus, intercedendo por aqueles que a Ele se chegam (Hb 7.25).
  • Na oferta. Aos sacerdotes foi dada a responsabilidade de comparecer diante de Deus com ofertas e sacrifícios (Hb 5.11). Estas leis são classificadas didaticamente de “Lei Cerimonial”, pois elas regulavam os serviços praticados pelos sacerdotes no Templo e tinham tudo a ver com os sacrifícios e ofertas, os dias anuais de festas e a questão dos deveres do sacerdócio (Nm 8.1; Js 8.31; 2 Cr 23.18; 30.15-16; Ed 3.2). Embora estes sacrifícios tenham sido instituídos por Deus, eles não eram plenos, pois: (a) eram repetitivos (Hb 10.11); (b) não limpavam à consciência (Hb 9.9); e, (c) não purificavam os pecados (Hb 10.4). Isaías profetizou que um homem faria expiação pelos pecados da humanidade (Is 53.1-12). O salmista já havia profetizado que o sacrifício definitivo seria de um corpo sem pecado (Sl 40.6-8). O escritor aos hebreus cita este texto para mostrar que profeticamente se cumpriu em Jesus, quando este encarnou e vivendo de forma perfeita fez oblação pelo nosso pecado (Hb 10.5-9). Na cruz, Jesus, ofereceu-se a si mesmo como oferta pelo pecado (Hb 10.10).

III  – A SUPERIORIDADE DO SACERDÓCIO DE CRISTO EM RELAÇÃO AO DE ARÃO

O sacerdócio de Arão prefigura o sacerdócio de Cristo. No entanto, o sacerdócio de Cristo é superior. As Escrituras deixam bem claro que a Antiga Aliança era apenas sombra dos bens futuros (Hb 10.1), demonstrando assim a superioridade da Nova Aliança. O escritor aos Hebreus diz: “De tanto melhor aliança Jesus foi feito fiador” (Hb 7.22). Destacaremos na tabela abaixo, informações que comprovam que o sacerdócio de Cristo é superior ao de Arão:

SACERDÓCIO DE ARÃO

SACERDÓCIO DE CRISTO

Feito sem juramento (Hb 7.20)

Feito com juramento (Hb 7.21)

Instituído durante a Lei (Êx 28.1; Hb 7.28)

Instituído antes da Lei (Gn 14.18; Hb 6.20)

Necessitava sacrificar por si mesmo, pois era imperfeito (Lv 9.7,8; Hb 5.3; 7.27,28)

Não necessitou sacrificar por si mesmo, pois é perfeito (Hb 7.28; 1 Pe 2.22)

Sacrificava continuamente (Hb 10.11)

Fez um único sacrifício (Hb 7.26,27; 9.25-28,10.10,12,14)

Teve o seu ministério impedido pela morte (Hb 7.23)

É sacerdote para sempre (Hb 6.20; 7.3,24)

Entrou no tabernáculo terrestre (Hb 9.1)

Entrou no tabernáculo celeste (Hb 8.1,2; 9.11,24)

Oferecia sacrifício de animais (Hb 9.13)

Ofereceu a si mesmo como sacrifício (Hb 9.11-14)

Entregou dízimos a Melquisedeque na pessoa de Abraão (Hb 7.9,10)

Recebeu dízimos até de Levi na pessoa de Melquisedeque (Hb 7.9,10)

IV  – QUE TIPO DE SACERDOTE É CRISTO

Embora Arão e Cristo preenchessem as qualificações para sacerdote, pois foram instituídos por Deus para este fim (Hb 5.4-6), ambos eram diferentes na forma como podiam funcionar. Vejamos:

  • Um sacerdote que tem acesso direto a Deus. O Sumo sacerdote só podia entrar no Lugar Santíssimo, onde estava a arca da aliança, que simbolizava a presença de Deus, apenas uma vez no ano (Êx 30.10; Lv 16.34; Hb 9.7). No entanto, Cristo, nosso “[…] grande sumo sacerdote […] penetrou nos céus” (Hb 4.14). Ele entrou no santuário celeste, para interceder por nós: “Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus” (Hb 9.24).
    • Um sacerdote que se identifica com a natureza humana. Quando encarnou, Cristo, compartilhou da natureza humana de forma plena: corpo, alma e espírito (Mt 26.12; Jo 12.27; Mt 27.50). Especificamente no corpo, Ele também padeceu de todas as fragilidades humanas. A Bíblia mostra que ele sentiu fome (Lc 4.2); sede (Jo 4.7; 19.28); teve cansaço físico (Jo 4.6); chorou (Jo 11.35); sorriu (Lc 10.21) e, foi tentado em tudo, mas não pecou (Mt 4.1; Lc 22.28; 1 Pe 2.22). Por isso, como sacerdote, Ele pode se compadecer das nossas fraquezas (Hb 4.15); e, pode socorrer os que são tentados “porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados” (Hb 2.18). Jesus, conhece o ser humano de forma plena (Jo 2.25; Ap 1.14; 2.23).
  • Um sacerdote que nos dá acesso a presença de Deus. Quando Jesus, morreu na cruz como oferta pelos nossos pecados, o véu do Templo foi rasgado de alto a baixo (Mt 27.51; Mc 15.38; Lc 23.45). Agora, ficou aberto o acesso a Deus (Hb 9.1-14; 10.19-22). Contrastando o acesso limitado a Deus que os israelitas tinham na Antiga Aliança, Cristo, ao dar sua vida por nós como como sacrifício perfeito, abriu o caminho para a própria presença de Deus e para o trono da graça (Hb 4.16). Por isso, na Nova Aliança, os crentes podem com muita liberdade achegar-se a Deus (Ef 2.18, 3.12), chamando- o de Pai como Jesus nos ensinou e o Espírito Santo nos leva a fazer (Mt 6.9; Rm 8.15). Agora, também todo crente é constituído sacerdote para o serviço de Deus (Ap 1.6; 5.10; 20.6).

CONCLUSÃO

Tanto o sacerdócio da Antiga Aliança como as ofertas que eram oferecidas a Deus eram imperfeitos e transitórios. Quando a este sistema da Antiga Aliança as Escrituras afirmam que “… se aquela primeira fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para a segunda” (Hb 8.7). Na Nova Aliança, Jesus, como Sumo Sacerdote constituído por Deus, no céu, exerce seu trabalho no verdadeiro tabernáculo, fundado pelo Senhor, e não pelo homem (Hb 8.1-4).

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada.
  • HENRICHSEN, Walter A. Depois do sacrifício: Estudo Prático da Carta aos Hebreus.
  • HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa.
  • SOARES, Esequias. Visão Panorâmica do Antigo Testamento.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

Jesus é superior a Josué – O meio de entrar no repouso de Deus

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1º TRIMESTRE 2018

A SUPREMACIA DE CRISTO

Fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus

COMENTARISTA: Pr. José Gonçalves

 LIÇÃO 04 – JESUS É SUPERIOR A JOSUÉ – O MEIO DE ENTRAR NO REPOUSO DE DEUS – (Hb 4.1-13)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos Jesus sendo apresentado pelo escritor aos Hebreus como superior a Josué um dos grandes personagens do Antigo Testamento; notaremos também paralelismos que há entre Josué e Jesus nas Escrituras; destacaremos mais uma vez a verdade de que o Senhor Jesus é superior; bem como pontuaremos que Cristo conduz o homem ao repouso pleno; e por fim, a condição exigida por Deus para entrar nesse descanso.

I – QUEM FOI JOSUÉ

Seu nome completo “Jehoshua” (Nm 16.16) significa: “Jeová é salvação” (WYCLIFFE, 2012, p. 1095). Popularmente chamado de Josué (Ne 8.17), mas seu nome original era Oseias (Nm 13.8). Josué era filho de Num, que era filho de Elisama, príncipe da tribo de Efraim (Êx 33.11; Nm 1.10).

  • Líder militar. Como tinha mais de 40 anos de idade quando deixou o Egito, parecia bem qualificado a assumir o comando das forças israelitas que lutaram contra os amalequitas em Refidim (Êx 17.8-13). Moisés ordenou que Josué saísse à peleja contra os amalequitas; e ele selecionou o exército, batalhou e venceu o inimigo. Como também foi um dos escolhidos para espiar a terra de Canaã (Nm 13.1-16).
  • Sucessor de Moisés. Josué foi comissionado para ocupar a liderança depois do falecimento de Moisés escolhido por Deus (Nm 27.15-23; Js 1.1-9). Muitas das atividades que Josué desempenhou podem ser vistas como imagens num espelho das ações anteriores do grande legislador, Moisés.
  • Representante dos israelitas. Como representante do povo diante de Deus, somente Josué recebeu as instruções finais para a organização do povo (Js 1.1-9); para a travessia do rio Jordão (Js 3.7,8; 4.1-24); para a conquista de Jericó (Js 6.2- 5); para a identificação do pecado de Acã (Js 7.10-15); para a conquista de Ai (Js 8.1,2,18); para a distribuição da terra (Js 13.1-7); e para a designação das cidades de refúgio (Js 20.1-6).
  • Um homem íntegro. Josué destacou-se na história de Israel, não apenas como um líder e substituto de Moisés, mas também, como um homem de muitas qualidades espirituais e de caráter íntegro: (a) um homem de fé e de coragem. Josué foi um dos doze espias enviados para conhecer a terra de Canaã (Nm 13.16), dos tais, somente Josué e Calebe animaram o povo e disseram que a terra era boa e possível de ser conquistada (Nm 14.6-9); (b) um servo obediente. A palavra servo significa: “aquele que está sujeito a um Senhor”, “submisso”. Estas qualificações podem ser vistas em Josué, pois ele foi um servo fiel e obediente (Êx 17.9,10; 24.13; Js 1.1). Durante toda a sua vida ele foi fiel a Deus e também a Moisés, a perseverança é um dos aspectos mais notórios do caráter de Josué. No fim de sua vida, vendo a tendência do povo para a idolatria, reuniu as tribos em Siquém para dar-lhes esta grande advertência, avisando-os do perigo de servir a outros deuses, ele porém, estava decidido em servir ao Senhor com sua família (Js 24.15).

II – PARALELISMOS ENTRE JOSUÉ E JESUS

Apesar de não haverem profecias messiânicas em seu livro, Josué é claramente uma figura de Cristo. Vejamos algumas semelhanças:

  • Em relação ao seu nome. Josué tem a mesma forma grega do nome de Jesus “Iesous” (At 7.45; Hb 4.8), sendo assim, Josué é o equivalente veterotestamentário de Jesus. Conforme observado na semelhança entre seus nomes, cujos significados apontam para a “salvação de seu povo” (Mt 1.21; Lc 1.31), Josué, portanto, é considerado uma figura de Cristo no Antigo Testamento.
  • Em relação a sua missão. A tarefa de Josué consistia em liderar Israel na conquista da terra de Canaã, por essa razão torna-se uma figura de Cristo, também como nosso comandante conquistador rumo a pátria celestial (Fp 3.20; Hb 11.14,16). Josué foi um agente tanto da graça no caso de Raabe (cf. Js 2.8-21; 6.22-25), quanto da condenação na guerra contra as nações ímpias na Terra Prometida, assim como Jesus é tanto o Salvador quanto o Juiz de todos os homens (Jo 3.15,16; At 17.30,31). A triunfante obra de levar seu povo a possuir a terra, Josué prenuncia aquele que levaria muitos filhos à glória (Hb 2.10; 2 Co 2.14; Rm 8.37). A terra prometida e sua conquista pelo povo de Deus, tipifica a herança espiritual dos crentes e sua salvação em Cristo. Assim como foi a conquista de Canaã, tomar posse da salvação e da vida eterna envolve a guerra e vitórias espirituais (Ef 6.10-20). Josué sucede a Moisés e alcança a vitória que Moisés não alcançou, Cristo sucede a Lei mosaica e alcança a vitória não alcançada pela Lei (Jo 1.17; Rm 8.2-4; Gl 3.23-25; Hb 7.18,19).
  • Em relação a sua capacitação. Para a realização de sua missão ordenada por Deus, Josué necessitava de uma capacitação especial (Nm 27.18,20,23); semelhantemente Jesus para dar início ao seu ministério, se fazia necessário uma capacitação por meio da ação do Espírito Santo, como afirma o apóstolo Pedro: Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (At 10.38; ver Lc 3.22; 4.1, 14,17-22).

III – A SUPERIORIDADE DE JESUS EM RELAÇÃO A JOSUÉ

Embora haja um paralelismo entre Josué e Jesus, o escritor aos Hebreus destaca que também existe ao mesmo tempo um contraste entre eles; isso recai no fato de que Josué não obteve para seu povo o descanso verdadeiro, não lhes deu de fato o repouso pleno (Hb 4.8). Notemos então a superioridade de Jesus destacada por algumas verdades nessa passagem:

  • Uma promessa superior. A palavra promessa é usada por cinquenta e três vezes no NT. Na epístola aos Hebreus aparece por quatorze vezes, mais do que em qualquer outro livro neotestamentário (Hb 4.1; 6.12,15,17; 7.6; 8.6; 9.15; 10.36; 11.9, 13,17,33,39) (CHAMPLIN, 2010, p. 514). O escritor motiva a seus leitores a permanecerem em obediência a Cristo, lembrando que a promessa do repouso em favor de seu povo permanece firme: “Temamos, portanto, que nos sendo deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado” (Hb 4.1 – ARA). A promessa não mudou pela falta de fé de alguns, antes ela continua de pé; o perigo está em que a percamos e não consigamos alcançá-la por desobediência. Portanto, a advertência recai no fato de que há promessas de Deus que são condicionais (Hb 4.2). O livro de Josué mostra as grandes conquistas efetuadas por ele, mas destaca que “ainda muitíssima terra ficou para possuir” (Js 13.1). Josué, sem dúvida, proveu uma forma de “descanso” físico, político e social, mas o verdadeiro descanso era uma promessa para o povo da nova aliança (GONÇALVES, 2017, p. 51).
  • Um repouso superior. Muito embora Josué tenha conduzido os israelitas a conquistar a terra de Canaã, levando a nação ao repouso depois de 40 anos peregrinando no deserto, Josué deu aos israelitas descanso (Js 22.4), como cumprimento de uma promessa (Dt 31.7); mas este repouso político, civil e material em Canaã não é o descanso pleno, como afirma o escritor aos Hebreus: “Porque, se Josué lhes houvesse dado repouso, não falaria depois disso de outro dia. Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus(Hb 4.8,9). O argumento exposto na carta é que, se Josué tivesse proporcionado ao povo o definitivo descanso que Deus tinha em mente, Davi não teria feito alusão a outro repouso de natureza superior (Sl 95.7-11). Por essa razão ao tornarem ao judaísmo, os cristãos judeus estavam trocando o espiritual e eterno, pelo físico e transitório. Em Cristo o homem recebe o repouso completo no aspecto presente (Rm 5.1,2; 8.1); e sobretudo no futuro onde a salvação terá seu aspecto final, a glorificação. Ele declarava a todas as pessoas: Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei […] e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mt 11.28,29; ver Is 53.5; Ap 6.9-11; 7.17; 14.13; 21.4).
  • Uma exortação superior. É importante lembrar que há um propósito exortativo na argumentação usada pelo escritor. Segundo Wiersbe (2006, p. 1317): na primeira exortação (Hb 2.1-4), o autor ressaltou o perigo de se desviar da Palavra por negligência. Nesta exortação (Hb 3 e 4), ele explica o perigo de duvidar da Palavra por causa da dureza do coração. Ao abandonar o caminho que conduz à salvação, não atentando para a promessa de um dia entrar no repouso eterno (Hb 4.1), o cristão incorre precisamente no mesmo exemplo de desobediência tanto em sua conduta como em seu destino, da nação de Israel, em sua caminhada pelo deserto. A advertência do escritor sagrado, aqui, é quanto à desobediência da geração do deserto, por este motivo ele exorta: Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência(Hb 4.11) (SILVA, 2013, p. 74 – acréscimo nosso).
  • Uma mensagem superior. Diante do exemplo histórico citado como exortação pelo escritor, ele incentiva aos destinatários da carta, agirem: (a) com temor (Hb 4.1); (b) com fé (Hb 4.2); e, (c) com dedicação (Hb 4.11). Deus exige de nós, ainda hoje, uma firme decisão que deve ser conservada até o fim. O perigo da apostasia é real, no entanto, com vistas ao que é mais excelente, devemos permanecer em obediência a Deus sabendo que ele é fiel (Hb 10.23); e que temos uma responsabilidade diante o projeto de Deus para nós, onde não se deve reagir com negligência (Hb 6.11).

CONCLUSÃO

Diante das dificuldades que como crentes enfrentamos nesta vida, por meio de Cristo Jesus aquele que é superior, temos uma promessa de desfrutarmos de um repouso em nossa jornada cristã e sobretudo, entrarmos no descanso eterno, prometido aos que o servem em obediência até o fim.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. HAGNOS
  • GONÇALVES, José. A supremacia de Cristo Fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus.
  • WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo do Antigo Testament PDF.
  • SILVA, Severino Pedro da. Epístola aos Hebreus: as coisas novas e grandes que Deus preparou para você.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • TENNEY, Merryl. O Novo Testamento: sua origem e análise. VIDA

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

A superioridade de Jesus em relação a Moises

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1º TRIMESTRE 2018

A SUPREMACIA DE CRISTO

Fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus

COMENTARISTA: Pr. José Gonçalves

LIÇÃO 03 – A SUPERIORIDADE DE JESUS EM RELAÇÃO A MOISÉS (Hb 3.1-19)

 INTRODUÇÃO

No capítulo três da Epístola aos Hebreus, o autor procura mostrar aos cristãos judeus que, embora Moisés tenha sido um ícone no AT, Cristo Jesus é superior a ele, quanto a natureza, função, aliança, missão e glória.

I – QUEM FOI MOISÉS

Moisés era filho de Anrão e Joquebede ambos oriundos da tribo de Levi (Êx 2.1). Era irmão de Arão e Miriã (1 Cr 6.3). Ele nasceu durante os amargos anos de escravidão do povo de Israel no Egito (Êx 1.1-14), que culminou no decreto de Faraó que ordenou a morte de todos os bebês do sexo masculino ao nascer (Êx 1.15-22). Seus pais o esconderam em casa e depois o colocaram no meio da vegetação, na margem do Nilo, dentro de um cesto de junco (Êx 2.2,3). A filha de Faraó saiu para banhar-se neste rio e quando viu o menino decidiu adotá-lo, contratando inclusive uma ama de leite, que por providência divina foi a mãe de Moisés (Êx 2.5-9). Quando o menino cresceu, Joquebede o trouxe a princesa, que colocou o nome dele de Moisés (Êx 2.10) que significa: “tirado das águas”. Por meio de sua esposa Zípora (Êx 2.21), Moisés teve dois filhos, Gérson e Eliezer. A este homem, Deus chamou para uma grande obra. Vejamos:

  • Um profeta. Após se revelar para Moisés na sarça, Deus o comissionou para falar ao povo de Israel como seu porta-voz. A expressão “Tu falarás tudo o que eu te mandar[…]” (Êx 7.2-a), evidencia isso. O próprio Moisés se declarou um profeta de Deus: “O SENHOR teu Deus te levantará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu […]” (Dt 18.15). O povo de Israel o via como profeta: “E nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, a quem o SENHOR conhecera face a face” (Dt 34.10).
  • Um libertador. Quando se levantou um Faraó que não fez caso do bem que José fizera ao Egito, o povo hebreu começou a padecer, debaixo de escravidão (Êx 1.8-11). Oprimido, o povo clamou a Deus e Ele os ouviu. No tempo certo, Deus se revelou a Moisés e o chamou para por meio dele libertar o povo de Israel da opressão egípcia: “Vem agora, pois, e eu te enviarei a Faraó para que tires o meu povo (os filhos de Israel) do Egito” (Êx 3.10). Embora Faraó recusasse diversas vezes soltar o povo de Israel, por meio de grandes castigos, Deus puniu o Egito até chegar no ponto que este líder liberou o povo de uma vez por todas (Êx 9.14; 12.31,32).
  • Um legislador. A palavra “legislador” significa: “aquele que promulga a lei”. No AT o termo é usado para descrever alguém que torna públicos os decretos do Senhor. A Bíblia descreve Moisés como o doador da lei, o instrumento e agente de Deus que concedeu ao povo hebreu a Sua Lei (Êx 24.12; 31.18; 32.15,16; Lv 26.46). Os cinco primeiros livros da Bíblia são chamados de “Lei de Moisés” (Js 23.6; 1 Re 2.3; Ed 3.2; Ne 8.1; Dn 9.11; Ml 4.4). O NT também, se refere assim: “Porque a lei foi dada por Moisés […]” (Jo 1.17). Veja ainda (Jo 7.19; 13.39; Hb 10.28).
  • Um mediador. A expressão “mediador” significa: “que serve de intermediário, elo” (HOUAISS, 2001, p. 1876). O AT associa Moisés com a aliança e a revelação no monte Sinai (Êx 19.3-8; 20.18,19). Literalmente, ele é chamado de medianeiro (Gl 3.19). Moisés mediou até mesmo quando o povo pecou, intercedendo por eles (Êx 32.11-14).

II – A RELAÇÃO DE MOISÉS COM JESUS

  • Moisés prefigurou Cristo (Hb 11.25,26). A expressão “prefigurar” significa: “representar o que está por vir” (HOUAISS, 2001, p. 2284). Algumas pessoas do AT prefiguraram Cristo e uma delas foi Moisés. Sua história assemelha- se a de Cristo em muitos detalhes. Vejamos:

MOISÉS

CRISTO

Correu risco de morte quando criança (Êx 1.15-22)

Correu risco de morte quando criança (Mt 2.13)

Refugiou-se no Egito (Êx 2.5-9)

Refugiou-se no Egito (Mt 2.14)

Renunciou uma grande posição para sofrer pelo seu povo (Hb 11.24-26)

Renunciou uma grande posição para sofrer pelo seu povo (Fp 2.5-8)

Foi enviado para libertar o seu povo (Êx 3.10)

Foi enviado para libertar o seu povo (Jo 8.36; Gl 5.1)

Operou grandes sinais (Êx 4.17,30; At 7.22)

Operou grandes sinais (Lc 24.19; Jo 3.2; 20.30,31)

Mediador da Antiga Aliança (Êx 24.8)

Mediador da Nova Aliança (Hb 8.6)

  • Moisés profetizou sobre Cristo. Há diversas palavras proféticas que foram anunciadas por Moisés e uma delas falou sobre o advento de um profeta semelhante a ele, quando disse: “O SENHOR teu Deus te levantará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis” (Dt 18.15). Esta promessa diz respeito a mais que que mera sucessão de profetas que viriam depois de Moisés. Este fato é esclarecido em (Dt 34.10), que, logicamente, rememora esta passagem. Outros profetas surgiram desde a morte de Moisés, mas nenhum conheceu o Senhor de forma tão direta quanto ele. Desse tempo em diante, Israel sempre estava a procurar “o profeta que haveria de vir” que passou a ser uma figura associada à era messiânica, identificada às vezes com o próprio Messias (Jo 1.21,45; 6.14; 7.40). Diversas vezes, Jesus disse que Moisés falara dEle em seus escritos: “Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu ele(Jo 5.46). Os discípulos entenderam que a profecia de Deuteronômio 18.15 se cumpriu em Jesus (At 3.20-22; 7.37).
  • Moisés falou com Cristo. Mateus 17.1-9 relatou que Jesus foi transfigurado” diante de três dos seus discípulos (Mt 17.1,2). O evangelista detalha que durante a transfiguração “uma nuvem luminosa os envolveu” (Mt 17.5). O fato de que Mateus escreveu o seu evangelho para judeus, põe em evidência o fato de que Jesus é o Messias anunciado e isso pode ser visto na manifestação da nuvem luminosa. No AT essa nuvem recebe o nome de shekinah”, e está relacionada com a manifestação da presença de Deus (Êx 14.19-20; 24.15-17; 1 Rs 8.10, 11; Ez 1.4; 10.4). No evento da transfiguração observamos que “apareceram Moisés e Elias, falando com ele(Mt 17.3). Mateus procura mostrar isso quando põe em evidência o próprio Deus falando aqui: “A Ele ouvi” (Mt 17.5). Moisés pronunciou exatamente as palavras quando se referia ao Profeta que viria depois dele “[…] a ele ouvireis” (Dt 18.15). A transfiguração revela que Moisés representa toda a Lei que apontava para o Messias e nele se cumpria (Mt 5.17).

III – A SUPERIORIDADE DE CRISTO EM RELAÇÃO A MOISÉS

Por causa de todas as coisas que Deus realizou por meio de Moisés, os hebreus sempre tiveram grande estima por ele (Dt 34.10-12), e, consideravam-se “discípulos de Moisés” (Jo 9.28). Embora Moisés tenha sido uma figura proeminente no AT, Jesus é superior a ele. Vejamos em que:

  • Quanto a natureza. A Escritura chama Moisés de “homem de Deus” (Dt 33.1). Embora fosse o homem mais manso de toda terra (Nm 12.3), era falho (Dt 1.37; 32.51,52). Quanto a Jesus, embora tenha se tornado homem, Ele era Deus (Jo 1.1; 1.14). Embora em todas as coisas tenha sido tentado, nunca pecou (Hb 4.15; 7.26; 1 Pe 1.19; 2.22). O escritor da epístola aos Hebreus lembra aos judeus convertidos que embora Moisés tenha sido um ícone do AT, ele não passava apenas de “uma casa edificada” (Hb 3.4). Quanto a Jesus, o escritor faz distinção dizendo que Ele “edificou a casa” , ou seja, Ele é Deus e o Criador (Hb 2.3,4). Confira também: (Hb 1.2,10-12).
  • Quanto a função. Vimos acima que Moisés foi: profeta (Dt 34.10); libertador (Êx 3.10); legislador (Êx 24.12; Jo 1.17- a); e, mediador da Antiga Aliança (Êx 24.6-8; Gl 3.19). Todavia, Jesus é maior que ele, pois foi “O Profeta” (Dt 18.15); o “Libertador do pecado” (Jo 8.36); “aquele por quem a graça de Deus se manifestou de forma plena” (Jo 1.17-b; 2 Co 8.9; 13.13; Gl 1.6; 6.18; Ef 2.7; Fp 4.23; 1 Pe 1.13); e, o “mediador da Nova Aliança” (Mt 26.28; 1 Co 11.25; Hb 12.24).
  • Quanto a aliança. A Bíblia diz que Moisés foi o mediador da Antiga Aliança, que foi feita com sangue de animais (Êx 24.6-8); era transitória; e, foi quebrada pela desobediência de Israel (Jr 31.32; 44.7). Quanto a Jesus, o Escritor aos hebreus diz que Ele é o “[…] mediador de uma melhor aliança” (Hb 8.6); a quem a Bíblia chamada de Nova Aliança (1 Co 11.25; Hb 12.24), que foi feita com Seu próprio sangue (Mt 26.28; Hb 9.20); e, que é permanente e definitiva (Hb 8.6-13; 13.20).
  • Quanto a missão. A missão que Deus confiou a Moisés foi de libertar o povo de Israel da opressão egípicia e conduzi- los a Terra Prometida, o descanso terreno (Êx 3.10,17). Moisés foi um fiel servo de Deus que cumpriu a vontade do Senhor, deixando o povo ao pé do monte que dava acesso a Canaã. Jesus, no entanto, é maior que Moisés em sua missão, pois veio tirar o povo da escravidão de Satanás (Cl 1.13; Hb 2.14); e conduzi-los ao descanso eterno (Hb 4.10).
  • Quanto a glória. Deus revelou a Sua glória a Moisés e ao povo de Israel no Monte Sinai (Êx 24.16); por ocasião, do recebimento das novas tábuas da Lei (Êx 34.27,28), quando passou um período de quarenta dias na presença do Senhor, o seu rosto resplandecia, com a glória que lhe foi revelada (Êx 34.29,30), a qual era “transitória” (2 Co 3.7); podia ser “coberta” (Êx 34.33); e, não foi revelada em Sua plenitude, pois Moisés não suportaria (Êx 33.18-23). Quanto a Jesus, o escritor aos hebreus diz que “[…] ele é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés” (Hb 2.3). João diz que: “[…] o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai […]” (Jo 1.14). Ele é chamado “Senhor da glória” (1 Co 2.8). No monte Tabor não apenas o rosto, mas todo o Seu ser resplandecia (Mt 17.2; Mc 9.2,3; Lc 9.29); esta glória foi manifesta de forma permanente, em Suas obras (Jo 2.11; 11.40); na Nova Aliança que Ele instituiu (2 Co 3.9,11); na posição que se encontra no céu: “coroado de glória” (Hb 2.9); e, quando retornar: “[…] e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória(Mt 24.30).

CONCLUSÃO

Deus se revelou através de Moisés para trazer a libertação física ao povo hebreu. Isto prefigurou a revelação superior da vinda de Cristo Jesus ao mundo para proporcionar a todos os homens a libertação espiritual.

REFERÊNCIAS

  • GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada.
  • HENRICHSEN, Walter A. Depois do sacrifício: Estudo Prático da Carta aos Hebreus.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

Uma Salvação grandiosa

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1º TRIMESTRE 2018

A SUPREMACIA DE CRISTO

Fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus

COMENTARISTA: Pr. José Gonçalves

LIÇÃO 02 – UMA SALVAÇÃO GRANDIOSA – (Hb 2.1-18)

INTRODUÇÃO

Nesta lição, traremos uma definição teológica da palavra salvação; pontuaremos alguns resultados deste tão grande livramento; veremos os aspectos desta ação divina na vida do homem; e por fim, analisaremos algumas características desta obra de amor de Deus.

I – DEFINIÇÃO A PALAVRA SALVAÇÃO

A palavra “salvação” ocorre na Bíblia 167 vezes. No AT: 120; e no NT: 47 (JOSHUA, sd, p. 697). No hebraico o verbo “salvar” é “yasha” que significa: “ajudar, libertar, salvar”. No grego o verbo é “sozo” é usado como se dá acerca de: (a) livramento material do perigo (Mt 8.25; Mc 13.20; Lc 23.35; Jo 12.27; 1 Tm 2.15; 2 Tm 4.18); e, (b) a salvação espiritual e eterna concedida por Deus aos que creem no Senhor Jesus Cristo (At 2.47; 16.31; Rm 8.24; Ef 2.5.8; I Tm 2.4; 2 Tm 1.9; Tt 3.5)” (VINE, 2002, p. 968). Teologicamente esta palavra significa: “livramento do que aceita a Cristo do poder e da maldição do pecado. Restituição do homem à plena comunhão com Deus” (ANDRADE, 2006, p. 325). A Bíblia destaca que a prerrogativa de salvação é exclusivamente divina (Is 43.11; 45.21; Os 13.4; Tt 1.3). Geisler (2010, p. 157), afirma: “Deus é o autor da salvação, pois apesar de o pecado humano ter a sua origem nos homens, a salvação vem do céu, e tem a sua origem em Deus”. Acerca da salvação devemos destacar que:

  • A salvação é uma promessa. Após a tentação e queda do homem no Éden, Deus pronunciou os castigos consequentes da desobediência, mas também fez uma promessa para o casal dizendo: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.15). Tanto Adão quanto seus descendentes firmaram-se nessa palavra profética anunciada pelo próprio Deus.
  • A salvação é um ato de amor. A Bíblia não somente afirma que a salvação do homem tem origem em Deus, como também nos mostra que Ele não foi coagido por nada nem por ninguém a tomar essa decisão. Ele resolveu salvar a humanidade motivado unicamente pelo Seu grande amor. É revelado na Escritura que “Deus amou o mundo que deu Seu Filho Unigênito […]” (Jo 3.16); Jesus disse que “ninguém tem maior amor do que este” (Jo 15.13); Paulo afirmou que: “Deus provou o Seu amor por nós quando enviou Cristo para morrer em nosso lugar” (Rm 5.8); acrescenta ainda que: “o grande amor de Deus excede todo o entendimento” (Ef 2.4; 3.19); João diz que “Deus é amor” (1Jo 4.8); e que: “Ele nos amou primeiro” (1Jo 4.10).
  • A salvação é um ato atemporal. Vemos que a salvação de Deus é processada em três tempos, no passado, presente e futuro. Por um lado, Paulo declara que “somos salvos” (1Co 1.18), como fato consumado. No entanto, em outro lugar, ele nos diz que devemos “desenvolver a salvação” (Fp 2.12) e, em outro ainda, que “seremos salvos” (Rm 5.9; 1Pd 1.5). Logo, a salvação já aconteceu, no passado, está acontecendo, no presente, e acontecerá, no futuro.

II – RESULTADOS DESTA TÃO GRANDE SALVAÇÃO

Em termos práticos, todo ser humano já nasce sob o domínio do pecado, destituído da glória de Deus, e, por esse motivo, necessita de salvação (Sl 51.5; Rm 5.12). A salvação é o retorno a Deus e a seus princípios; é o rompimento com uma vida errante e digna de condenação. Notemos:

  • A salvação é o resultado de uma ação prévia de Deus. O plano da salvação, por ser divino, é perfeito. Ele foi elaborado desde antes da fundação dos tempos, isso significa que, mesmo Adão tendo desobedecido a Deus e colocado toda a humanidade em desgraça (Rm 5.12), Deus nunca perdeu o controle, pois a salvação foi elaborada antes mesmo que Adão pensasse em existir (2Tm 9). O Senhor Deus, por sua presciência (1Pe 1.2), já sabia que o homem pecaria. Assim, ainda antes do pecado acontecer, o plano divino de salvação foi elaborado (1Pe 1.20; Ap 13.8).
  • A salvação é o resultado de uma ação do resgate do perdido. Por que necessitamos tão urgente de uma tão grande salvação? Porque a Bíblia nos ensina que o homem sem Deus está perdido, e, por esse motivo, precisa ser resgatado (Mc 10.45; Lc 19.10). “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.10). Os recursos humanos, tais quais boas obras, dinheiro, boas intenções, são insuficientes para a salvação (Sl 49.7-8). Mas Cristo Jesus “se deu a si mesmo por nós, para nos remir” (Tt 2.14). A palavra remir indica resgatar, livrar (usada no sentido de comprar).
  • A salvação é o resultado de uma ação reconciliadora entre Deus e o homem. A Bíblia nos ensina que o pecado nos separa de Deus, e, sendo nascidos de semente corruptível, a única coisa que merecemos receber é a morte (Is 59.2; Rm 3.23; 5.10). A vida eterna é uma dádiva que o Senhor gratuitamente nos tem oferecido: “E tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo […]” (2Co 5.18-19 ver Rm 5.10; 1Co 7.11; 2Co 5.18-20).

III – ASPECTOS DESTA “TÃO GRANDE SALVAÇÃO”

  • A tão grande salvação é segura. É fundamental que estejamos seguros quanto à perfeita obra redentora de Jesus Cristo. Dignas são de destaque as características de sua obra: a) PERFEITA: “…pode também salvar perfeitamente…(Hb 7.25-a); b) ETERNA: “… seu próprio sangue… havendo efetuado eterna redenção” (Hb 9.12-a); e, c) ÚNICA: “… oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados…” (Hb 9.28-a). Fomos salvos por sua morte e salvos por sua vida!
  • A tão grande salvação é substitutiva. Quando o homem caiu e se afastou de Deus, ficou em débito eterno para com Deus. O homem, por si só não poderia resolver seu problema ou pagar sua dívida diante de Deus, a não ser que haja um “substituto”. A Bíblia ensina que os sofrimentos e a morte de Cristo foi vicário por todos os homens (Is 53.6,12; Mt 20.28; Mc 10.45; Jo 1.29; 11.50; Rm 5.6-8; 8.32; 2Co 5.14, 15, 21; Gl 2.20; 3.13; 1Tm 2.6; Hb 9.28; 1Pd 2.24).
  • A tão grande salvação é redentora. A redenção tem sentido de pagar essa culpa assumida. Ou seja, a redenção é aplicada no que diz respeito ao pecado e o débito que ele causa, que pode apenas ser pago com sangue (Hb 9.22 cf. Lv 17.11). Logo, para que o preço de pecado pudesse ser pago, era necessário derramamento de sangue de um cordeiro sem máculas (Jo 1.29; cf. Is 53.9; 1Pd 2.21-22). Podemos concluir que essa compra implicou no pagamento de um preço alto (2Pd 2.1; Ap 5.9,10).
  • A tão grande salvação é propiciatória. Deus demonstra sua justa ira para com o pecado (Jo 3.36; Rm 1.18-32; Ef 2.3; 1Ts 2.16; Ap 6.16; 14.10,19; 15.1,7; 16.1; 19.15). Contudo, em Cristo é providenciada uma oferta “propiciatória” e assim a ira de Deus contra o pecado é apaziguada (Rm 3.25; 1Jo 2.1-2; 4.10 cf. Êx 25.17-22; Lv 16.14.15).
  • A tão grande salvação é reconciliadora. A reconciliação é necessária pelo fato de que o homem sem salvação vive em uma relação de inimizade e hostilidade com Deus (Rm 5.9,10; 2Co 5.18-21), e, como inimigo de Deus está plenamente passível de sofrer a manifestação de sua Ira. Vemos que Deus propõe uma resolução para esse problema por meio da morte do Senhor Jesus. (Rm 11.15; 2Co 5.18-21; Ef 2.16; Cl 1.20-21).

IV – ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DESTA TÃO GRANDE SALVAÇÃO

  • Esta salvação é grande pela sua procedência. Diz o texto de João 3.16: “Porque Deus amou…”. Isto significa que a nossa salvação do pecado e das suas consequências teve início no coração de Deus, pois Ele tomou a iniciativa (Jn 2.9). Diz o salmista que “a salvação vem do Senhor” (Sl 8), por isso não é uma salvação qualquer, pois ela procede de Deus, vem Dele, e, por isso, não é uma simples ação. Foi o Senhor quem tomou a iniciativa de nos amar, por isso que não é um qualquer livramento. É uma salvação enorme, é maravilhosa, tremenda, porque procede de Deus. Ele tomou a iniciativa; Ele nos amou primeiro.
  • Esta salvação é grande pela sua amplitude. Deus não amou apenas um grupo de pessoas; o amor de Deus se estende tanto em largura como em altura, que alcança todo aquele que crê sinceramente: “Deus amou o mundo…”. A salvação que vem de Deus é grande pela sua amplitude. Não é uma salvação restrita somente para alguns, o convite é aberto a todos: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso…” (Mt 11.28-30).
  • Esta salvação é grande pela sua intensidade. Essa salvação não é uma ação qualquer porque Deus nos amou intensamente, profundamente, de todo o coração. Ele nos amou por inteiro, intensamente: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira…”. Ele nos amou de todo o coração, até o fim, até os limites mais extremos. Por isso, não é uma mera salvação ou um livramento qualquer; ela é grande pela sua intensidade. Foi de tal maneiraque Deus nos
  • Esta salvação é grande pelo seu preço. Custou muito para Deus entregar o seu Filho unigênito para morrer naquela cruz: “… que deu o seu filho unigênito”. Deus entregou o seu Filho unigênito por amor a todos os homens. Por isso não é uma mera salvação, é tremenda, é grande. Esta salvação não é uma qualquer porque custou muito, custou o sangue de Jesus derramado na cruz do Calvário: “… não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver… mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito” (1Pd 1.18). Por isso não é uma mera salvação, é uma tremenda em maravilhosa salvação: “Aquele que nem mesmo a seu Filho poupou, antes o entregou por todos nós…” (Rm 8.32).
  • Esta salvação é grande pela sua oportunidade. A oportunidade é oferecida para os que creem: “para todo aquele que nele crer…” (Jo 3.16). A Bíblia fala assim: “não há condenação para os que estão em Cristo Jesus(Rm 8.1).
  • Esta salvação é grande pelo seu livramento. Não é uma mera salvação, é uma grande, maravilhosa e extraordinária porque ela nos livra de uma condenação eterna, de um juízo eterno grande pelo seu livramento: não pereça. Esta salvação nos livra de uma eternidade longe de Deus, num lugar que não foi preparado para os homens; foi preparado para o diabo e os seus anjos. Por que sobre nós, a Bíblia revela, que Jesus veio para nos dar vida e vida eterna, vida abundante, vida em termos quantitativos e qualitativos: “… porque eu sei em quem tenho crido e estou bem certo de que ele é poderoso para guardar o que lhe confiei até aquele Dia” (2Tm 1.12).
  • Esta salvação é grande pela sua bênção. Finalmente, diz o verso de João 3.16: “… mas tenha a vida eterna. A salvação que vem de Deus é grande pela sua bênção, porque a salvação que vem do Senhor, não apenas nos livra de uma condenação eterna, mas nos oferece a possibilidade do céu, uma vida que dura para sempre na presença de Deus.

CONCLUSÃO

A morte de Jesus na cruz, para realizar a salvação, foi um ato da graça de Deus. Sua morte foi em favor de cada pecador; um claro ensino de Hebreus é que sua morte foi uma expiação substitutiva pelo nosso pecado. Sua morte não foi uma expiação limitada, isto é, para algumas pessoas seletas, como alguns reivindicam, mas Ele provou temporariamente a morte por todos os homens. Sua morte é de proveito para todo aquele que por fé se submete a Ele como Senhor e Cristo.

REFERÊNCIAS

  • ARRINGTON; STRONSTAD (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal NT.
  • GEISLER, N. Teologia Sistemática. Vol. 02.
  • STAMPS, D. C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • VINE, W.E, et al. Dicionário Vine.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com