O Senhor e Salvador Jesus Cristo

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 04 – O SENHOR E SALVADOR JESUS CRISTO – (Jo 1.1-14)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição trataremos de uma das mais importantes doutrina da Teologia Sistemática – a Cristologia – doutrina de Cristo; destacaremos à luz da Bíblia quais os títulos que foram dados a Jesus nas Escrituras; falaremos a respeito de algumas heresias que surgiram durante a história da igreja que interpretaram de forma equivocada a pessoa de Jesus Cristo; e, por fim, pontuaremos que Jesus possui em si duas naturezas: divina e humana.

I – CRISTOLOGIA: ESTUDO SOBRE CRISTO

  • O que é a Cristologia. “Do grego “christhos”, ungido + “logia”, estudo, é o estudo sistemático e ordenado que tem como objeto a vida e obra de É uma das disciplinas da Teologia Sistemática” (ANDRADE, 2006, p. 123).
  • Sua importância. Nos primeiros séculos da igreja cristã, uma das disciplinas que esteve no centro das discussões foi a Cristologia, o que foi de grande importância na tradição cristã, pois está inteiramente ligadas às demais doutrinas, tais como: (a) a doutrina de Deus – já que Jesus é a revelação especial da divindade (Cl 1.15; Hb 1.1); (b) a doutrina da Bíblia – pois é por meio dela que conheço a Cristo (Lc 24.46; Jo 5.39); e, (c) a doutrina da salvação – pois somente poderá ser salvo aquele que crê no Unigênito Filho de Deus (Jo 3.16; 20.31). Logo, uma seita é identificada, em geral, por aquilo que ela prega a respeito de vários assuntos, sendo o principal deles Jesus Cristo, pois Ele é o fundamento do Cristianismo (Mt 16.16-18; 1 Co 11).

II  – O QUE A BÍBLIA DIZ A RESPEITO DA PESSOA DE JESUS

Diversos títulos são dados a pessoa de Jesus nas Escrituras. Vejamos:

  • Cristo. O adjetivo Cristo do hebraico “messiah”, do grego “christhos” significa: “ungido” (ANDRADE, 2006, p. 122). As profecias do AT revelaram, com muitos séculos de antecedência, que Deus enviaria um Redentor, o Ungido de Deus (Sl 2.2; 45.7; 89.20; Is 61.1; Dn 9.25,26). Tanto judeus quanto samaritanos ansiavam por sua vinda ((Jo 1.41; 4.25). Alguns homens na Antiga Aliança quando separados para a vocação de sacerdote, rei e profeta eram ungidos com óleo como símbolo da capacitação do Espírito para o exercício da função (Lv 4.3-5; 1 Sm 10.13; 1 Rs 19.16). No entanto, a promessa de Deus anunciava a vinda de alguém que ocuparia as três funções (Dt 18.15; Sl 110.4; Zc 6.13; Sl 110.2; 2 Sm 7.4-17). Cristo é um título oficial de Jesus, que designa-o como Salvador do mundo, destacando-lhe em especial a divindade (Mt 16.16). Evoca-lhe ainda o tríplice ofício: profeta (Mt 21.11; Lc 7.15; 24.19); sacerdote (Sl 110.4; Hb 2.17; 7.26-28); e, rei (Mt 2.2; Lc 1.32,33; Ap 19.16). É bom destacar que o título de Messias ou Cristo dado a Jesus não foi uma invenção dos seus discípulos, senão que foi: (a) conferido pelo próprio Pai (Mt 16.16,18; At 2.36); (b) revelado pelo Espírito (Lc 2.26); (c) respeitado pelos anjos e demônios (Lc 4.41; Hb 1.6); (d) declarado por Jesus (Lc 4.16-21; Jo 4.25,26); e, (e) pelos apóstolos (At 3.6,18,20; 4.10; Rm 1.4; 1 Co 1.23). Paulo, em especial, usava também a expressão “Cristo Jesus” (o título primeiro que o nome) para ressaltar a sua messianidade (Rm 6.23; 8.39; 2 Tm 1.2). Na Bíblia, há mais de trezentas profecias a respeito do Abaixo destacaremos algumas e o seu cumprimento em Jesus:

PROFECIA

PROFETIZADO EM:

CUMPRIDO EM:

O Messias seria filho da mulher

Gn 3.15

Gl 4.4

O Messias seria descendente de Abraão, Isaque e Jacó

Gn 12.3; 17.19; 28.14

At 3.25; Lc 3.23; Mt 1.1-13

O Messias descenderia da tribo de Judá

Gn 49.10; Sl 2.6-9

Lc 3.33,34; Mt 1.2-3

O Messias descendente de Davi e herdeiro do trono

II Sm 7.12-13; Sl 132.11; Jr 23.5

Mt 1.1,6

O Messias nasceria de uma virgem

Is 7.14

Mt 1.18 Lc 1.26-35

O Messias seria chamado do Egito

Os 11.1

Mt 2.15

O Messias nasceria em Belém

Mq 5.2

Mt 2.1-2

  • O adjetivo Senhor do hebraico “Yahweh”, do grego “Kyrios” é “um título de reverência, pertencente a Deus, denotando-lhe o poder e a soberania sobre tudo o que existe. No AT, este era o título com que os profetas nomeavam ao Deus de Israel (Jr 18.1; Ez 5.5; 5.23; Os 4.1). Já no NT, o título foi conferido ao Senhor Jesus Cristo que, através de sua morte vicária, recebeu do Pai toda a autoridade (Mt 28.18; At 16.31; Rm 5.1; 2 Pe 1.16)” (ANDRADE, 2006, p. 329). Mcgrath (2010, p. 410) diz que “o reconhecimento de que “Jesus Cristo é o Senhor” (Rm 10.9), parece ter se tornado uma das primeiras confissões da fé cristã, servindo para distinguir entre os que creem e os que não creem em Jesus”. Confira também (1 Co 12.3; Fp 2.11).
  • Jesus veio ao mundo com uma missão: salvar o homem. Seu nome revela sua missão (Mt 1.21); suas palavras também: “só tu tens a palavra de vida eterna” (Lc 19.10); como também sua morte: “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16-b). A palavra “salvar” segundo o Aurélio (2004, p. 1797) significa: “tirar ou livrar de ruína ou perigo; pôr a salvo”. No AT, Deus apresenta-se a nação de Israel como aquEle que o libertara do Egito (Êx 20.2). Já no NT, Deus apresenta o Seu Unigênito como aquEle que liberta não mais uma nação, mas o mundo todo do pecado e da condenação eterna (Rm 6.18; Gl 5.1). A sublime missão do Messias está presente em todas as Escrituras. Ela foi explicitada: (a) pelos profetas (Is 53.4,5,11-b; Jr 23.6; Ml 4.2); (b) pelos anjos de Deus (Mt 1.21; Lc 2.11); (c) o próprio Jesus (Mt 18.11; Mt 20.28; Lc 19.10; 26.26-28; Jo 3.16,17; 15.13); e, (d) os apóstolos (At 5.31; Ef 5.23; Fp 3.20; 1 Tm 1.11; 2 Tm 1.10; Tt 1.4; 2.13; 3.4,6; Hb 2.10; 2 Pe 1.1,11, 2.20; 3.18; 1 Jo 4.14).

III  – AS DUAS NATUREZAS DO REDENTOR

Durante a história da igreja, diversas heresias surgiram em relação a pessoa de Jesus. Umas negavam a natureza humana, outras a natureza divina. Os gnósticos e os docetistas negavam a humanidade, já os ebionitas e os arianos, negavam a divindade. Vale salientar que o arianismo se perpetua até aos nossos dias, principalmente por meio de um segmento religioso denominado de Testemunhas de Jeová, que afirmam que Jesus não é Deus, mas que é um ser criado e menor que o Pai. Para apoiar tal afirmação, eles usam a Bíblia Tradução do Novo Mundo, onde as passagens que contém afirmações sobre a divindade de Jesus, foram adulteradas. Por exemplo: em João 1.1 onde se lê “e o Verbo era Deus” (ARC), eles corromperam o texto traduzindo como “e o Verbo era um deus(TNM). A Bíblia deixa claro o ensino de que Jesus tem em si mesmo plenamente as duas naturezas: divina e humana, como veremos a seguir:

  • Natureza divina. O Novo Testamento deixa claro que Jesus é o “Filho de Deus”. Isto foi atestado pelo próprio Pai “E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17). No monte da transfiguração houve igual declaração (Mt 17.5). Jesus mesmo declarou ser o Filho de Deus (Jo 9.35-38); o anjo Gabriel disse a Maria: “[…] o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35); os apóstolos também asseveraram isso (At 3.13,26; 8.37; 9,20; Rm 1.4,9; 1 Co 1.9; 2 Co 1.19; Gl 2.20; 4.4; 2 Pd 1.17; 1 Jo 4.9; Ap 2.18). É bom destacar que “Paulo usa o termo “Filho de Deus” tanto em relação a Jesus como aos cristãos. Entretanto, traça uma distinção entre a filiação dos cristãos, que tem origem na adoção, e a de Jesus, que se origina do fato de ele ser “o Filho do Deus” (Rm 32)” (MACGRATH, 2010, p. 408). A Bíblia nos mostra que Jesus todos os atributos divinos. Vejamos:

JESUS POSSUI OS ATRIBUTOS DIVINOS

REFERÊNCIAS

Eternidade

(Mq 5.2; Is 9.6; Cl 1.17; Jo 1.1; Ap 1.11)

Onipotência

(Mt 28.18; Lc 4.35,36,41)

Onipresença

(Mt 28.20; 18.20; Ef 1.23)

Onisciência

(Jo 2.24; 4.16-19; 6.64; Mc 2.8; Lc 22.10.12; 5.4-6)

Imutabilidade

(Hb 1.12; 13.8)

Deve destacar-se ainda que Jesus tinha também as prerrogativas divinas, tais como: poder para perdoar pecados (Mt 9.2; Lc 7.48); receber adoração (Mt 8.2; 9.18; 15.25; Mc 5.6; 9.38; Ap 5.8; 5.13); autoexistência (Jo 5.26).

  • Natureza humana. A expressão “Filho do Homem” é usada pelos escritores dos evangelhos sinóticos 69 vezes aludindo a humanidade do Cristo (Mt 9.6; 12.8; Mc 8.31; Lc 9.56; 12.8). João introduz o evangelho dizendo que “o Verbo era Deus” (Jo 1.1-c), mas também que “o Verbo se fez carne” (Jo 1.14-a). O mesmo apóstolo diz que na ceia “recostara sobre o seu peito” (Jo 21.20); e, que “ouviu”, “viu”, “contemplou”, e, “tocou” o Verbo da Vida (Jo 1.1). Paulo, por sua vez, declarou que Jesus “que, sendo em forma de Deus […] esvaziou-se a si mesmo […] fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2.6,7). Os escritores do NT deixaram claro que Jesus tinha todos os atributos físicos dos homens, a saber: ele nasceu de uma mulher (Rm 1.3; Gl 4.4); cresceu fisicamente (Lc 2.52); dormiu (Mt 8.24); comeu (Lc 24.43); sentiu fome (Lc 4.2); sede (Jo 4.7; 19.28); teve cansaço físico (Jo 4.6); chorou (Jo 11.35); sorriu (Lc 10.21) e, foi tentado (Mt 4.1; Lc 22.28; Hb 4.15). Ao se fazer homem, Jesus tornou-se tríplice, constituído de corpo (Mt 26.12; Hb 10.5), alma (Is 53.11,12; Mt 26.38; Jo 12.27), e, espírito (Mt 50).

CONCLUSÃO

As promessas messiânicas feitas no AT tiveram seu cumprimento cabal na pessoa de Jesus de Nazaré. Ele é o Filho de Deus, o Senhor e o Salvador do mundo. Ele é a imagem do Deus invisível, pois tem em si mesmo a natureza divina e humana. Portanto, qualquer outro ensinamento contrário ao que a Bíblia ensina deve ser considerado espúrio.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.
  • MCGRATH, Alister E. Teologia sistemática, Histórica e Filosófica.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

A Santíssima Trindade: Um só Deus em três pessoas

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 03 – A SANTÍSSIMA TRINDADE: UM SÓ DEUS EM TRÊS PESSOAS  (1 Co 12.4-6; 2 Co 13.13)

INTRODUÇÃO

Nesta lição aprenderemos sobre a conhecida doutrina da Trindade; destacaremos também o conceito desse ensino à luz da Bíblia; pontuaremos as bases dessa doutrina a partir do AT e NT; e por fim, ressaltaremos atributos divinos em cada pessoa da Trindade.

I  – DEFININDO O TERMO TRINDADE

A palavra Trindade em si não ocorre na Bíblia, essa expressão é teológica usada para descrever na perspectiva humana a divindade. Sua forma grega “trias”, parece ter sido usada primeiro por Teófilo de Antioquia (181 d.C.), e sua forma latina “trinitas”, por Tertuliano (220 d.C.). Entretanto, a crença na Trindade é muito mais antiga que isso como será visto mais à frente (THIESSEN, 2006, p. 87 – acréscimo nosso).

II  – O CONCEITO BÍBLICO DA TRINDADE

Segundo Andrade, Trindade é: “Doutrina segundo a qual a Divindade, embora una em sua essência, subsiste nas Pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo. As Três Pessoas são iguais na substância e nos atributos absolutos, metafísicos e morais” (2006, p. 349). Sobre esta doutrina podemos ainda fazer algumas considerações:

  1. Não contradiz a unidade de Deus. As Escrituras ensinam que Deus é um (Dt 4.35; 6.4; Is 37.16), contudo, a unidade divina é uma unidade composta de três pessoas, que são: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo (Mt 19; 1 Co 12.4- 6), que cooperam unidos em um mesmo propósito, onde não existe nenhum tipo de hierarquia ou superioridade entre eles; não se tratando também de três deuses (triteísmo) e nem três modos ou máscaras de manifestações divinas (unicismo), antes, são três pessoas, mas um só Deus. “Eu e o Pai somos um(Jo 10.30), “[…] se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (Jo 14.23).
  2. Não é invenção humana. Uma das objeções à doutrina da Trindade é que teria sido produzida pela mente humana, que é de origem pagã e foi imposta por um imperador pagão (Constantino) no Concílio de Nicéia em 325 d.C., que supostamente teria se tornado cristão, estabelecendo o Cristianismo como religião oficial do império. De acordo com Soares: “Esses argumentos das organizações contrárias à fé trinitária são falsos. O Concílio de Nicéia não tratou da Trindade; a controvérsia foi em torno da identidade Jesus de Nazaré”. A Trindade é uma doutrina com sólidos fundamentos bíblicos e, mesmo sem conhecer essa terminologia, os cristãos do período apostólico reconheciam essa verdade ( 2 Co 13.13; Ef 1.1-14; 1 Pd 1.2) (2017, pp. 37, 50).
  3. Não é irracional. A doutrina da unidade composta não é incoerente (Gn 2.24; 1 Co 6.17), ainda que seja chamada de um mistério porque vai além da razão, mas não é contra a razão, como foi dito acertadamente: “É conhecida apenas pela revelação divina, portanto não é assunto da teologia natural, mas da revelação” (GEISLER apude SOARES, 2017, 36). Sobre a possibilidade de entendermos a doutrina da Trindade, Grudem afirma: “[…] não é correto dizer que não podemos de forma alguma entender a doutrina da Trindade. Certamente podemos compreender e saber que Deus é três pessoas, que cada uma delas é plenamente Deus e que há somente um Deus. Podemos saber essas coisas porque a Bíblia as ensina” (2007, p. 126 – grifo nosso).

III – A SANTÍSSIMA TRINDADE NO ANTIGO TESTAMENTO

Embora a doutrina da Trindade não se encontre de forma desenvolvida no AT, acha-se implícita na revelação divina desde o início (DOUGLAS, 2006, p. 1356). Uma boa justificativa para que tal doutrina não seja claramente ensinada no AT, é dada por Pearlman (2009, p. 80) quando afirma: “num mundo em que o culto de muitos deuses era comum, tornava-se necessário acentuar para Israel a verdade de que Deus é um e que não havia outro além dele. Se no princípio a doutrina da Trindade fosse ensinada diretamente, ela poderia não ser bem compreendida nem bem interpretada”. Ainda que implicitamente no AT pode ser visto indícios dessa doutrina. Vejamos alguns exemplos:

  1. Na criação do Universo. Se levarmos em conta que a palavra hebraica “Elohim” (Gn 1.1) é um substantivo plural, concluiremos: a Santíssima Trindade encontrava-se ativa na criação do universo. Por conseguinte, quando a Bíblia afirma que no princípio Deus criou os céus e a terra, atesta: no ato da criação, estiveram presentes Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. O Pai criou o universo por intermédio do Filho (Jo 1.3), enquanto o Espírito Santo transmitia vida a tudo quanto era criado (Gn 1.2).
  2. Na aparição do Anjo do Senhor. A manifestação no Antigo Testamento do “Anjo do Senhor” (ou de Yahweh), é uma forte evidência a respeito da Trindade. “Vemos que esse Anjo, dependendo do contexto, não apenas se identifica com o próprio Senhor, como também é assim identificado por outros” (GUSTAVO, 2014, p. 22 – acréscimo nosso). Dentre tantas aparições destacamos ainda (Gn 16.9,13; 22.11,15,16; 31.11,13; Êx 3.2,4,6; Jz 13.20-22; Ml 3.1). Sendo sua identificação como divino ressaltada, por aceitar adoração que é destinada a Deus (Êx 3.2,4,5; Jz 13.21,22) (LANGSTON, 2007, p. 114).
  3. Na expectativa messiânica. A expectativa messiânica, que sempre foi um fator de consolação à alma hebreia, também revela a presença da Santíssima Trindade no AT (Sl 110.1,4). Em ambas as passagens, o autor sagrado, inspirado pelo Espírito Santo, mostra o Pai referindo-se ao Filho – Jesus Cristo (Mc 12.36; Hb 5.6). Um trecho que mostra, de maneira explícita e clara, a presença da Santíssima Trindade no AT é Daniel 7.13-14. Podemos ainda pontuar algumas passagens alusivas a referências proféticas sobre o Messias: “E, agora o Soberano, o SENHOR, me [o Messias] enviou, com seu Espírito” (Is 48.16). “O Espírito do Soberano, o SENHOR, está sobre mim [o Messias], porque o SENHOR ungiu-me para levar boas notícias aos pobres” (Is 61.1 ver Lc 4.18-21). Embora essas passagens não retratem especificamente um Deus em três pessoas, apontam nessa direção (RODMAN, 2011, p. 73).
  4. Na pluralidade de pessoas na Divindade. Já no Livro do Gênesis existe a indicação da pluralidade de pessoas no próprio Deus (Gn 1.1; 3.22; 11.7), podemos ainda encontrar uma série de passagens além dessas, que apontam para a mesma verdade (Is 6.8; 63.10), textos em que uma pessoa é chamada “Deus ou Senhor”, e ela se distingue de outra pessoa que também é identificada como “Deus” (Sl 45.6,7). De modo semelhante o salmista registra: Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés” (Sl 110.1). Jesus atesta que Davi está se referindo a duas pessoas separadas chamando-as “Senhor” (Mt 22.41-46), mas quem é o Senhor de Davi se não o próprio Deus? Da perspectiva do NT, podemos parafrasear esse versículo do seguinte modo: “Deus Pai disse a Deus Filho: Assenta-te à minha direita”. Diante disso, mesmo sem o ensino do Novo Testamento sobre a Trindade, fica claro que Davi estava consciente da pluralidade de pessoas em Deus (GRUDEM, 2007, 110).

IV – A SANTÍSSIMA TRINDADE NO NOVO TESTAMENTO

É  no  Novo  Testamento  que  encontramos  as  mais  claras  e  explícitas  manifestações  da  Santíssima Trindade. Notemos alguns registros onde se evidencia tão importante doutrina:

  1. No batismo e ministério de Jesus. Nessa clássica manifestação da Trindade (Mt 3.16,17), vemos uma das Pessoas (o Filho) submeter-se ao batismo, o Espírito Santo descer como pomba sobre Ele, e a Pessoa do Pai declarar o seu amor a Cristo atestando sua filiação. No monte da transfiguração vemos com clareza mais uma vez a pluralidade de pessoas (Mt 17.5; Mc 9.7,8).
  2. Na ascensão de Jesus. Já prestes a ser assunto ao céu, o Senhor Jesus Cristo, ao dar últimas instruções aos discípulos, declarou: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo(Mt 28.19). Pode ainda restar mais alguma dúvida acerca da Trindade?
  3. Na vida da Igreja Primitiva. Nos Atos dos Apóstolos, a Santíssima Trindade aparece operando ativamente, desde os primeiros versículos (At 1.1,2). Nesse livro, encontramos a Trindade na proclamação do Evangelho (At 5.32; At 10.38); no testemunho eficaz da fé cristã (At 7.55); no chamamento de obreiros (At 9.17); no Concílio de Jerusalém (At 15.1-35). Nas epístolas (Rm 14.17; 15.16; 2 Co 13.13; Ef 4.30; Hb 2.3,4; 2 Pd 1.16-21; 1 Jo 5.7) e também no livro do Apocalipse (Ap 1.1,2; 8,11).

V – ATRIBUTOS DIVINOS NAS PESSOAS DA TRINDADE

A Bíblia categoricamente específica que todas as pessoas da Trindade possuem a mesma essência possuindo os mesmos atributos. Vejamos alguns:

Atributos

Pai Filho Espírito Santo

Eternidade

Sl 90.2 Cl 1.17

Hb 9.14

Onipotência

Gn 17.1 Mt 28.18

1 Co 12.11

Onipresença

Jr 23.24 Mt 28.19

Sl 139.7

Onisciência

1 Jo 5.20 Jo 21.17

1 Co 2.10

Criador Gn 1.1 Jo 1.3,10

Jó 33.4

CONCLUSÃO

A doutrina da Santíssima Trindade é puramente bíblica, embora seja um mistério jamais será uma contradição. Como alguém sabiamente disse: “Se tentássemos entender Deus por completo, podemos perder a razão [mente], mas se não acreditarmos sinceramente na Trindade perderemos nossa alma!” (RAVI; GEISLER, 2014, p. 28).

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor Correia de. Dicionário Teológico.
  • GUSTAVO, Walber; GOMES, Leonardo. Doutrina da Trindade: desenvolvimento bíblico e histórico.
  • GRUDEM, Manual de Doutrinas Cristãs: Teologia Sistemática ao alcance de todos. VIDA.
  • LANGSTON, A.b. Esboço de Teologia Sistemática.
  • PERLMAN, Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. VIDA.
  • RAVI Zacharias; GEISLER, Norman. Quem criou Deus? REFLEXÃO.
  • THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

O único Deus verdadeiro e a criação

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 02 – O ÚNICO DEUS VERDADEIRO E A CRIAÇÃO – (Dt 6.4; Gn 1.1)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos as definições das palavras “Deus” e “verdadeiro”; estudaremos que o fato Dele existir é um postulado, e que por isso, não precisamos provar sua existência; analisaremos a limitação humana diante de Deus; pontuaremos a diferença entre teísmo e deísmo; citaremos as principais teorias acerca da origem do universo, e por fim, elencaremos a diferença entre o Deus da Bíblia e os falsos deuses.

  1.  – DEFINIÇÕES
    1. Do hebraico “Elohim”; do grego “Theos” e do latim “Deus”. Ser Supremo, Absoluto e Infinito por excelência. Criador dos céus e da terra (Gn 1.1). Eterno e imutável (Is 26.4). Onipotente, onisciente e onipresente (Jó 42.2; Sl 139). Ser incriado, é a razão primeira e última de tudo quanto existe (Jo 1.1-4). Ele é um ser dotado de personalidade e a Bíblia atribui a Deus características de personalidade: Ele é zeloso (Dt 6.15), ira-se (1Rs 11.9), ama (Ap 3.19) e se aborrece (Pv 6.16) (ANDRADE, 2006, p. 137).
    2. Segundo Aurélio (2004, p. 2049) esta palavra significa: “Em que há verdade, alguém real, exato, autêntico, genuíno, legítimo, que não é fingido, sincero, que não é fictício, imaginário ou enganoso”. É bom destacar que só existe um Deus verdadeiro sendo os demais falsos (Dt 6.4; Is 42.8; 43.11; 44.6,8; 45.5,6; Mc 12.29,32; Jo 17.3).
  2.  – A EXISTÊNCIA DE DEUS
    1. A existência de Deus é um postulado. Os argumentos a favor da existência de Deus são: (a) a crença universal na existência de Deus é intuitiva (Sl 42.2; 63.1); (b) a existência de Deus é assumida nas Escrituras e este fato é aceito sem ser questionado (Gn 1.1; Jo 1.1); (c) A crença na existência de Deus é corroborada pelos argumentos cosmológico que diz que a criação não é eterna e não surgiu sem causa, mas Deus é o Criador de tudo (Sl 19; Rm 1.20); teleológico que afirma que a ordem em que a criação se encontra demonstra um Criador Inteligente (Jó 38; Hb 1.3); ontológico que apresenta Deus como autoexistente (Êx 3.14; Cl 1.17); e o moral Deus implantou no homem uma consciência de certo e errado (Rm 2.14,15) (THIESSEN, 2006, p. 27).
    2. A existência de Deus não precisa ser provada. Deus é real e não precisa ser demonstrado com base na lógica humana. A existência de Deus é um fato consumado, uma verdade primária que não necessita ser provada, pois Ele transcende à existência. Deus é a garantia da lógica do Universo e sem Ele, o universo não poderia existir. Se o “kosmo” é uma realidade, e somos testemunhas disso, então a ordem e a harmonia que permeiam toda a criação pressupõem a existência de um Criador. A mente humana, limitada e falível, jamais conseguirá provar a existência de Deus à parte da fé (Hb 11.3). Há na criação inumeráveis evidências da existência de Deus (1Co 14,15; Hb 11.1) (SOARES, 2008, p. 61).
  3. – A LIMITAÇÃO HUMANA DIANTE DE DEUS
    1. O homem natural não alcança a mente divina. Deus, em sua infinitude, é incompreensível à mente humana (Jó 11.7; Is 40.18). O ser humano pode até conhecer a Deus através da revelação natural (Sl 19.1; Rm 1.19-21), mas de modo limitado, pois o finito não pode abarcar o Infinito (Is 40.28). Entretanto, o Eterno, em sua bondade, revelou-se ao homem através de Cristo e de sua Palavra (Jo 1.18; 17.3). A incognoscibilidade divina (aquilo que não se pode conhecer) é oriunda dos seus atributos incomunicáveis como a infinitude e a imensidão (Sl 145.3; 147.5). Deus revelou-se a si mesmo na Bíblia, mas pode ser considerado incognoscível quando se trata do conhecimento pleno do seu Ser e de sua essência. O homem jamais poderá esquadrinhá-lo e compreendê-lo como é em essência e glória (Jó 14; 36.26; 37.5; 139.6; Is 40.28; 46.5; Rm 11.33).
    2. O homem natural compreende as coisas de Deus porque Ele se auto revelou. O ser humano, em razão do pecado, tem dificuldade de crer em Deus (1Co 2.14; Sl 10.4). Contudo, a existência de Deus independe da incredulidade dos homens. O néscio, em sua ignorância ou orgulho, diz: “Não há Deus”, mas, “os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19.1). O Deus verdadeiro e incognoscível revelou-se a si mesmo, assim, o homem pode conhecê-lo, haja vista ser Ele também imanente o suficiente para que exista um relacionamento entre ambos. Em virtude da infinita grandeza do Criador, esse conhecimento acerca dEle é comparável ao reflexo de um espelho (1Co 13.12), pois “em parte, conhecemos […]” (1Co 13.9) (SOARES, 2008, p. 61).
  4.  – A DIFERENÇA ENTRE DEÍSMO E TEÍSMO
    1. Deísmo. É conhecido como a cosmovisão do Deus ausente. Embora creia na existência de Deus, o deísmo difere do cristianismo ortodoxo por apresentar a visão onde Deus fez o mundo, mas que não interfere e interage na criação, ou seja, Ele não estar interessado no curso que a história toma ou venha a tomar. Noutras palavras, Deus limitou-se tão somente a criar-nos, abandonando-nos a seguir à própria sorte, ou seja, Ele não intervém no curso da história. (ANDRADE, 2006, p. 133). No entanto, a Bíblia ensina que Deus preserva todas as coisas (Hb 1.1-3; Ne 9.6; Sl 145.15-16; Sl 104.27-29; Mt 6.26; Mt 10.29-30), age em to- das as coisas (At 27, 28; 1Co 15.10; Is 45.1-2; Gn 45.8; Lc 22.21-22), e governa todas as coisas (Ef 1.5; Rm 12.2; Rm 8.28).
    2. Teísmo. No Teísmo cremos que o Senhor interfere na criação. “Doutrina que admite a existência de um Deus pessoal, Criador e Preservador de tudo quanto existe, e que, em sua inquestionável sabedoria e poder, intervém nos negócios humanos relacionando-se com sua criação”. Denomina-se teísmo ao reconhecimento da existência de um Deus que criou o universo e que ainda se envolve na sua conservação. Este é o ponto de vista teológico que cremos (Jó 39; Mt 6.26) (ANDRADE, 2006, p. 338 – acréscimo nosso).
  5.  – PRINCIPAIS TEORIAS ACERCA DA ORIGEM DO UNIVERSO
    1. Teoria evolucionista. “Teoria formulada pelo inglês Charles Darwin que, em 1859, lançou o livro ‘A Origem das Espécies’, na qual ensina que as atuais espécies de vida são resultados de uma lenta e gradativa evolução […]” (ANDRADE, 2006, p. 178). Essa teoria ensina que a matéria é eterna e preexistente e mediante processos naturais e por transformação gradual, os seres passaram a existir. É chamada também de a grande explosão (Big-Bang), onde tudo resultou de uma grande explosão aleatória sem uma causa primária a bilhões de anos (evolução espontânea), e que, a partir daí, surgiram tudo que existe sem a participação de um Ser criador (Deus). Mas, a Bíblia declara que todas as coisas foram criadas por Deus (Gn 1.1; Jo 1.1-3; 1.10; Cl 1.16,17; Hb 11.2).
    2. Teoria ateísta. Nega a existência de Deus e afirma que o universo é fruto do acaso, e que existe por necessidade e por toda eternidade. Entretanto, a geologia e a astronomia tem demonstrado que houve grandes mudanças na Terra e no espaço sideral, mostrando com isso que a ordem presente não é eterna, ou seja, houve um tempo em que o Universo não existia (Hb 3.4; Rm 1.19,20; Sl 1-10). A Bíblia denomina a descrença em Deus como insensatez, estupidez e absurdo (Sl 53.1; 10.4).
    3. Teoria panteísta. Declara que Deus e a natureza são a mesma coisa e estão inseparavelmente ligados. O Senhor nada criou, mas tudo emana e faz parte dele, ou seja, Deus é tudo e tudo é Deus. Porém, a Bíblia afirma que o Criador não é parte do universo, e sim, este foi criado por Ele (Gn 1.1; At 17.24).
    4. Teoria criacionista. Doutrina segundo a qual tudo quanto existe foi criado por Deus (ANDRADE, 2006, p. 119). O criacionismo bíblico é a doutrina segundo a qual Deus criou, a partir de sua Palavra, tudo quanto existe (Sl 33.6; Jo 1.1-3; Ef 3.9; Cl 1.16; Hb 1.2; 11.3; Ap 4.11). A Bíblia nos mostra Deus como criador do céu, da Terra e do Universo (Is 40.26; 45.18; Is 43.5; 45.18; Jo 1.3; At 17.24; Rm 11.36), e de todos os homens (Sl 102.18; 139.13-16; Is 43.1,7). O criacionismo fundamenta-se na Bíblia Sagrada (Rm 1.20; Sl 119.1-6).
  6.  – A DIFERENÇA ENTRE O DEUS DA BÍBLIA E OS FALSOS DEUSES
    1. O Deus da Bíblia é o Criador. De acordo com as Escrituras, Deus criou todas as coisas (Gn 1.1). Já os falsos deuses, foram inventados pela imaginação humana (At 17.29). O AT apresenta-nos uma variedade de falsos deuses. Alguns deles, inclusive, de caráter demoníaco, tais como Baal, Moloque e Asera (Dt 32.17; 1Rs 15.13; 18.28; Lv 18.21; 2Rs 23.10). A Palavra de Deus nos ensina que: “Só tu és Senhor; tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há[…]” (Ne 9.6).
    2. O Deus da Bíblia é Eterno. Nas Escrituras, temos várias referências à eternidade de Deus (Dt 33.27; Is 40.28). O profeta disse: “Mas o Senhor Deus é a verdade ele mesmo é o Deus vivo e o Rei eterno” (Jr 10.10). Os deuses falsos são temporais e destrutíveis. Segundo a mitologia grega os deuses morriam no inverno e ressurgiam na primavera.
    3. O Deus da Bíblia é Santo. Os deuses mitológicos nivelam-se às baixezas morais dos seus seguidores. Muitos rituais dedicados a esses falsos deuses são cultos aos demônios, movidos por orgias sexuais, alucinógenos e sacrifícios humanos (1Co 10.14-21). A santidade de Deus, é um atributo inerente à sua majestade, pureza e perfeição (Hc 13; Lv 11.44; Jó 34.10; Sl 99.9; Ap 4.8).
    4. O Deus da Bíblia é o Deus Salvador. No Salmo 115, versículos de 1 a 8, o salmista demonstra claramente a diferença entre o Deus da Bíblia e os falsos deuses, obras “das mãos dos homens”. Na Índia, são catalogados muitos milhões de deuses. O rio, a vaca, e até o rato, são considerados divinos (Rm 1.23). São falsos deuses que não têm poder para salvar o homem de seus pecados, garantindo-lhe vida eterna como o Deus verdadeiro (Gn 30; Sl 7.10; Is 45.20; Jr 2.28).
    5. O Deus da Bíblia é o único Deus verdadeiro. Jesus ensinou o monoteísmo como parte do primeiro de todos os mandamentos: “[…[ Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Mc 12.29). A declaração aqui é reveladora porque não deixa dúvida de que o Deus dos cristãos é o mesmo Deus de Israel, pois Jesus citou as palavras diretamente do AT (Dt 6.4-6 ver Is 45.5). Jesus ainda diz: “[…] com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dele” (Mc 12.32 ver Jo 17.3). O apóstolo Paulo declara: “Todavia para nós há um só Deus” (1Co 8.6); “Ora o medianeiro não é de um só, mas Deus é um” (Gl 3.20 ver Ef 4.6). “Porque há um só Deus” (1Tm 2.5) (SOARES, 2017, p. 29).

CONCLUSÃO

Concluímos que a Bíblia diz que há um ser pessoal autoconsciente, autoexistente, que é a origem de todas as coisas e que está acima da criação inteira, mas ao mesmo tempo está em cada parte da criação. A Bíblia Sagrada dá o crédito da  existência de todas as coisas a Deus, e não a uma combinação de fatores aleatórios que acidentalmente se juntaram e deram origem à vida. Por isso, é preciso ter mais fé para acreditar no evolucionismo do que no criacionismo.

REFERÊNCIAS

  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • E. Manual de Apologética Cristã. RJ: CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

Inspiração Divina e autoridade da Bíblia

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO Nº 1 – INSPIRAÇÃO DIVINA E AUTORIDADE DA BÍBLIA

INTRODUÇÃO

Nesta primeira lição deste terceiro trimestre trataremos de uma importante disciplina da Teologia Sistemática – a doutrina da Bíblia chamada de Bibliologia; introduziremos o assunto definindo a palavra “Bíblia”; pontuaremos as características da Palavra de Deus; destacaremos também quais os pilares sobre os quais ela encontra-se respaldada; e,quais os propósitos de Deus com a Escritura Sagrada.

I – O QUE SIGNIFICA O TERMO BÍBLIA

A palavra “Bíblia” não se encontra no texto das Sagradas Escrituras. É derivado do nome que os gregos davam à folha de papiro preparada para a escrita – “biblos”. Um rolo de papiro de tamanho pequeno era chamado “biblion”, e vários destes era uma “bíblia”. Portanto, a palavra Bíblia quer dizer “coleção de livros pequenos”. “Atribui-se a João Crisóstomo a disseminação do uso desse vocábulo para se referir à Palavra de Deus. No Ocidente, a palavra em questão foi introduzida por Jerônimo — tradutor da Vulgata (tradução da Bíblia do grego para o latim) —, o qual, costumeiramente, chamava o Sagrado Livro de Biblioteca Divina” (ANDRADE, 2008, p. 20 – acréscimo nosso). Os nomes mais comuns que a Bíblia dá a si mesma são: (a) Escrituras (Mt 21.42; 22.29; Mc 14.29; Lc 24.27; Jo 5.39); (b) Sagradas Letras (2 Tm 3.15); (c) Livro do Senhor (Is 34.16); e, (d) Palavra de Deus (Pv 30.5; Hb 4.12).

II – CARACTERÍSTICAS DA BÍBLIA

A Bíblia é um livro superior a qualquer outro livro, pois possui características que a fazem ser singular. Vejamos:

2.1 Inspirada divinamente. A Bíblia alega ser um livro de Deus e ter uma mensagem com autoridade divina. Paulo diz que: “Toda a Escritura é divinamente inspirada […]” (2 Tm 3.16). A palavra grega é “theopneustos”, e significa literalmente “soprada por Deus”. Portanto, a Bíblia não contém, nem torna-se, ela é a Palavra de Deus. Geisler (2010, p.460 – acréscimo nosso) define a inspiração da seguinte forma: “é a operação sobrenatural do Espírito Santo, que, por intermédio de diferentes personalidades e estilos literários dos autores humanos escolhidos, investiu as palavras exatas dos livros originais das Sagradas Escrituras, em separado ou no seu conjunto, como a própria Palavra de Deus, isenta de erro em tudo o que ensina, e é, dessa forma, a regra infalível e a autoridade final de fé e prática para todos os crentes”. As próprias Escrituras afirmam ser inspiradas no todo, em partes, em palavras e em cada letra: (a) Inspiração do todo (Mt 5.17; 2 Tm 3.16); (b) Inspiração de partes (Jo 12.14-16); (c) Inspiração das palavras (Mt 4.4); e, (d) Inspiração de cada letra (Mt 5.18).

2.2 Revelada. A Bíblia é a revelação escrita de Deus ao homem, pois através dela o Senhor se fez conhecido de forma especial (Jo 3.16). O conhecimento divino preservado nas Sagradas Escrituras, é posto à disposição da humanidade (Dt 8.3; Is 55.11; 2 Tm 3.16; Hb 4.12). Por ela, conhecemos Seus atributos comunicáveis e incomunicáveis, dentre outras coisas (Sl 139.1-10; I Jo 4.8). “Pela Bíblia, Deus fala em linguagem humana, para que o homem possa entendê-lo. Isto é, Deus, para fazer-se compreender, vestiu a Bíblia da nossa linguagem, bem como do nosso modo de pensar” (GILBERTO, 2004, p. 06 – acréscimo nosso). A revelação é a ação de Deus pela qual Ele dá a conhecer aos escritores da Bíblia, coisas e fatos desconhecidos, que eles jamais poderiam saber, nem descrever, senão por revelação divina (Gn 1,2).

2.3 Inerrante. Segundo o Aurélio (2004, p. 1100) a palavra “inerrância” significa: “que não pode errar; infalível; não errante, fixo”. Teologicamente “a inerrância bíblica é a doutrina segundo a qual as Sagradas Escrituras não contêm quaisquer erros, por serem a inspirada, infalível e completa Palavra de Deus” (ANDRADE, 2008, p. 33). A palavra de Deus não pode mentir (Sl 19.8,9; Hb 6.18); não pode passar ou ser destruída (Mt 5.18); permanecerá para sempre (1 Pe 1.25); e é a própria verdade (Jo 17.17). Tais atribuições mostram claramente a inerrância das Escrituras.

2.4 Infalível. Segundo Andrade (2006, p. 229 – acréscimo nosso) é a “doutrina de acordo com a qual a Bíblia Sagrada é infalível em seus propósitos, promessas e profecias”. Ela pode ser assim considerada porque: (a) seus propósitos jamais falham; (b) suas promessas são rigorosamente observadas; e, (c) suas profecias cumprem-se de forma detalhada, exata e clara. Deus usou o profeta Isaías para dizer: “[…] a […] palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei” (Is 55.11). O Escritor aos hebreus diz que “a palavra de Deus é viva e eficaz […]” (Hb 4.12-a).

2.5 Completa. Quando afirmamos que a Bíblia é um livro completo, dizemos que ela contém tudo aquilo que Deus quis revelar à humanidade (Dt 29.29). Ela é completa no que diz respeito ao seu propósito principal, que é revelar-nos a origem de todas as coisas (Gn 1-3); como o pecado passou a fazer parte da história da humanidade (Gn 3.1-24); como o homem tornou-se destituído da glória de Deus (Rm 3.23); e apresentar o único meio de o homem obter a salvação, através da fé em Jesus Cristo (Jo 3.16; Rm 3.21-24).

III – PILARES SOBRE OS QUAIS A BÍBLIA ENCONTRA-SE RESPALDADA

3.1 História. A Tabela das Nações, de Gênesis 10, é um relato histórico surpreendentemente exato. Nele temos descrito como se deu a gênese de três grandes continentes, a saber: Ásia (os descendentes de Sem), África (os descendentes de Cam) e, Europa (os descendentes de Jafé). Acerca da fidelidade histórica da Bíblia, Albright um dos maiores e mais respeitados estudiosos orientais que já existiu escreveu sob à luz de seus achados históricos: “O leitor pode estar certo de que nada foi encontrado para abalar a fé, nem refutar uma única doutrina teológica […]. Não temos mais o trabalho de tentar ‘harmonizar’ religião e ciência ou ‘provar’ a Bíblia. A Palavra de Deus pode sustentar-se sozinha” (ALBRIGHT apud WILMINGTON, 2015, p. 395).

3.2 Profecia. O cumprimento contínuo das profecias bíblicas é uma prova da sua origem divina. Inúmeras profecias bíblicas já se cumpriram no passado; outras estão se cumprindo em nossos dias; e muitas outras estão para se cumprir.

Somente um livro vindo de Deus poderia prever com exatidão os eventos futuros (Is 45.1-5; Jr 25.11; Dn 2.26-46; Mt 24.2). Como disse o Senhor por intermédio do profeta Isaías: “Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente” (Is 40.8).

3.3 Arqueologia. A Bíblia tem demonstrado sua inerrância na exatidão histórica dos acontecimentos, personagens, civilizações, lugares e até moedas em achados arqueológicos. Price (2006, p. 21) diz que: “a arqueologia revelou as cidades, palacios, templos e casas dos que conviveram com os individuos cujos nomes aparecem nas Escrituras”. Portanto, a arqueologia faz emergir das pedras uma nova certeza a respeito da Biblia, que vem agregar-se a convicção de que já possuimos pelo Espirito.

3.4 Ciência. Nesse ponto, chamamos de evidência científica as afirmações de maior exatidão científica que, na época da produção do texto, era de absoluto desconhecimento dos fatos por parte dos escritores, mas que sob a orientação do Espírito Santo puderam afirmar verdades que só o Senhor sabia. Por exemplo: de que o tempo, o espaço e a matéria tiveram um princípio (Gn 1.1); de que cada animal só gera outro segundo a sua espécie (Gn 1.21,24,25); que a terra está suspensa sob o nada e seu interior está cheio de fogo (Jó 26.7; 28.5); que as nuvens retém águas (Jó 26.87). Acerca disso afirma Macdowell (2001, p. 20) “embora a Bíblia não seja um livro científico e não esteja escrita em linguagem científica,é maravilhosa, porque, em todas as suas observações particulares referentes à ciência, ela é exata, fiel às evidências científicas, e revela dramático constraste com as outras obras primitivas e mitologias religiosas”.

IV – QUAIS OS PROPÓSITOS DE DEUS COM A BÍBLIA

4.1 A Bíblia foi escrita para ensino nosso. Paulo diz: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito […]” (Rm 15.4). Segundo Champlin (2004, p. 855), “Paulo faz aqui uma pausa momentânea a fim de relembrar aos seus leitores qual a autoridade e qual o devido uso das Escrituras. Ele também quis dar a entender, que ela está repleta de boas coisas para nossa instrução moral e espiritual, e a igreja tem feito bom emprego dela, quanto a esses propósitos”.

4.2 A Bíblia foi escrita para aviso nosso. O mesmo apóstolo assevera acerca da Bíblia que as coisas que estão escritas “[…] estão escritas para aviso nosso […]” (1 Co 10.11). Para exortar os crentes de Corinto, Paulo utiliza-se do mau comportamento do povo de Israel no deserto (1 Co 10.1-6). O apóstolo diz que este exemplo negativo serve de aviso a fim de que não caiamos nos mesmos erros (1 Co 10.6,11). Segundo Champlin (1995, p. 396 – acréscimo nosso) “a palavra “aviso” no original grego é “nouthesia”, que significa: “admoestação”, “instrução”, “aviso”, que é utilizada tanto no sentido positivo quanto negativo, ou seja, uma atitude que pode ser reproduzida ou evitada”. Portanto, tanto os bons exemplos quanto os maus exemplos de personagens das Escrituras também foram registrados para nos trazer advertências.

4.3 A Bíblia foi escrita para nos intruir no caminho certo. Paulo descreveu para o jovem obreiro Timóteo quais os muitos propósitos da Escritura em relação ao homem: “Toda a Escritura é […] proveitosa para ensinar, […] redarguir, […] corrigir, […] instruir em justiça” (2 Tm 3.16). Tudo que foi escrito, o foi para nos instruir no caminho da justiça.

Segundo Champlin (1995, p. 396 – acréscimo nosso), “no tocante à “justiça” que no grego é “dikaiosune”, fica indicado o “treinamento naquilo que é reto”. Porém, no sentido cristão, “praticar o que é reto” consiste em cultivar o caráter moral de Cristo, o qual, por sua vez, reproduzirá a moralidade de Deus Pai”.

CONCLUSÃO

Deus colocou a disposição dos seus servos e do mundo – a Bíblia: a Palavra de Deus, inspirada, revelada,inerrante, infalível e completa, a fim de que, por ela, os homens pudessem conhecê-Lo e também a Sua vontade.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico. CPAD.
  • CHAMPLIN, Norman R. N. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. HAGNOS.
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. POSITIVO.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. CPAD.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD.
  • MACDOWELL, Josh. Responde. CANDEIA.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

Jesus Cristo, o modelo supremo de caráter

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 13 – JESUS CRISTO, O MODELO SUPREMO DE CARÁTER (Mt 1.18,21-23; 3.16,17)

 INTRODUÇÃO

Nesta última lição aprenderemos sobre Jesus como o exemplo maior de caráter; destacaremos algumas informações básicas a seu respeito; elencaremos algumas virtudes inerentes ao seu caráter; e por fim, pontuaremos a importância de seguirmos como cristãos, os passos de Jesus o modelo supremo de caráter.

I – DEFINIÇÕES DOS TERMOS MODELO E SUPREMO

  1.  Modelo. Segundo Aurélio (2004, p. 1344) modelo é: “aquilo que serve de exemplo ou norma; pessoa ou ato que, por sua importância ou perfeição, é digno de servir de exemplo”. Do grego “tupos”, possui entre outros, o significado de “marca, impressão, forma ou molde” (Rm 6.17), “modelo, padrão” (At 7.44; Hb 8.5); podendo ser em: (a) sentido ético (1Co 10.6; Fp 3.17; 1Ts 1.7; 2Ts 3.9; 1Tm 4.12; Tt 2.7; 1Pd 5.3); e (b) sentido doutrinário (Rm 5.14) (VINE, 2002, p. 796).
  2. Supremo. De acordo com o dicionário da língua portuguesa, “supremo” em termos gerais quer dizer: “que está acima de tudo; superior” (FERREIRA, 2004, p. 1898). Jesus é superior, essa é a temática principal do escritor da epístola aos Hebreus; sendo o Senhor descrito textualmente nas páginas do Novo Testamento como: (a) Sumo Sacerdote (Hb 3.1; 4.14) e, (b) Sumo pastor (1Pd 5.4).

II – INFORMAÇÕES SOBRE JESUS

  1. Nome. Jesus é a forma grega do termo hebraico “Josué”, que significa “Yahweh (o Senhor) salva”. Sem dúvida o nome Josué era bem popular nos dias de Jesus e isso explica o uso ocasional da expressão “Jesus de Nazaré” ou “Jesus, o nazareno” (Jo 1.45), para diferenciá-lo de outros com o mesmo nome (Cl 4.11; Mt 26.71) (GARDNER, 2005, p. 327 – acréscimo nosso). A designação dupla Jesus Cristo combina, o nome pessoal e o título “Cristo”, cujo significado é “ungido” ou “Messias” (BRUCE et al, 2004, p.755).
  2. Genealogia. Cristo veio do Pai (Jo 16.28), mas nasceu de uma mulher (Gl 4.4); Ele é o “[…] Maravilhoso Conselheiro, o Deus forte, o Pai da eternidade, o Príncipe da paz” (Is 9.6-b), mas nasceria como um menino, “Porque um menino nos nasceu […]” (Is 9.6-a). Jesus teve como qualquer outro judeu, a sua árvore genealógica, sendo assim destacada a sua humanidade. Paulo a respeito da natureza humana de Jesus afirma: “[…] que nasceu da descendência de Davi segundo a carne(Rm 1.3). A Bíblia registra duas genealogias de Jesus (Mt 1.1-17; Lc 3.23-38).
  3. Lugar onde nasceu e cresceu. O local de seu nascimento se deu em Belém como havia sido predito (Mq 5.2; Mt 2.1,4-6,8; Lc 2.1-7,11), no entanto, Jesus cresceu e desenvolveu boa parte de sua vida na cidade de Nazaré (Mt 2.23; Lc 4.16); uma pequena aldeia da Galiléia, situada acima do nível do mar; tal localização talvez deu origem ao seu nome possivelmente derivado do termo aramaico “nastsrat”, que significa “torre de vigia”. Outra derivação que tem sido sugerida é a que provém do vocábulo hebraico “netser”, que quer dizer “broto, renovo”, uma vez que o clima temperado no vale faz florescer as flores e surgirem os frutos abundantemente (DOUGLAS, 2006, p. 921). Embora não fosse uma cidade importante antes do período do Novo Testamento (Jo 1.46), Nazaré tornou-se “imortal, ou seja, ganhou notoriedade como a cidade natal de Jesus, o Messias (Lc 18.37; 24.19; Jo 1.15) (BRUCE et al, 2004, p. 1012 – grifo nosso).

III – JESUS CRISTO: O MODELO SUPREMO DE CARÁTER

Jesus é incomparavelmente o homem mais célebre que já existiu na face da terra. Nunca existiu e nem existirá, alguém que possuiu um modelo tão completo de todas as virtudes, um tipo tão excelente de caráter quanto Jesus. Vejamos alguns traços do seu perfeito caráter e personalidade:

  1. Impecável. Como homem Jesus se distinguiu dos demais, pois não conheceu pecado. Devido a sua impecabilidade, é chamado de “[…] o Santo e o Justo” (At 3.14; ver Jo 6.69; At 7.52; 22.14), expressão que o exalta como modelo de caráter. Embora tenha vivido em “semelhança da carne” (Rm 8.3). Ele jamais cometeu pecado (2Co 5.21; Hb 4.15). Ele era santo (Hb 7.26), incontaminado e imaculado (1Pd 1.19; 2.22), Nele não havia pecado (1Jo 3.5); era justo em sentido absoluto (1Jo 3.7); tal qualidade foi reconhecida e declarada até pelos demônios (Mc 1.24); tendo Jesus autoridade para desafiar a todos, dizendo: “Quem dentre vós me convence de pecado? […]” (Jo 8.46).
  2. Submisso. Uma outra virtude destacável do caráter de Jesus é a sua submissão. O Senhor Jesus apesar da sua natureza Divina, como homem se matriculou na escola da obediência, para nos deixar o exemplo: “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu” (Hb 5.8). Em vários momentos de sua vida tal atitude pode ser evidenciada: (a) em sua encarnação (Fp 2.5-7); (b) em sua vida familiar obedecendo seus pais José e Maria (Lc 2.51); (c) ao ser batizado nas águas por João Batista (Mt 3.13-15); (d) ao fazer e ensinar a vontade de Deus o Pai (Jo 6.38; 8.28); (e) em não revidar as afrontas (1Pd 2.23); e, (f) ao entregar a sua vida pela humanidade (Mt 26.39; Fp 2.8).
  3. Humilde. Jesus era humilde de coração (Mt 11.29), ele várias vezes lembrou aos seus apóstolos que, mesmo sendo Mestre e Senhor, tinha se tornado servo (Mt 20,25-28; Lc 22.24-27); e, às vésperas de sua crucificação, Jesus deu o maior exemplo de humildade ao lavar os pés dos seus discípulos, um papel destinado ao escravo da casa (Jo 13.1-17). Podemos lembrar especialmente, a dolorosa série de inesquecíveis humilhações que ele sofreu sem queixar-se, mesmo que as tivesse sentido vivamente (Mt 26.55; Mc 14.48; Lc 22.52). A humildade de Jesus também é expressa quando lhe faziam elogios, e ele atribuía toda a glória ao Pai (Mt 19.16-17; Mc 10.17-18; Lc 18.18-19).
  4. Carismático. Segundo dicionário da língua portuguesa, uma pessoa carismática é: “alguém que desperta carisma ou admiração dos demais, encantador, simpático, cativante, sedutor, atrativo, querido, atraente, atencioso, influente e agradável”. Em seu ministério Jesus revelou sua simpatia e admiração ao dar atenção especial a várias classes de pessoas (Mc 10.13-16; Jo 3.1-10; 4.7-30). Até mesmo os seus opositores se admiravam e testificavam do seu comportamento e de suas palavras (Jo 7.32,45,46).
  5. Manso. É uma virtude que se opõe à rudez (Mt 5.5), e o nosso Senhor Jesus Cristo sempre foi manso e benigno (2Co 10.1; Mt 11.29). Quem é manso é pacificador (Mt 5.9), e por isso, somos conclamados a seguir a paz e, na medida do possível, ter paz com todos os homens (Rm 12.18; 1Co 7.15; Hb 12.14; 1Pd 3.11).
  6. Misericordioso. É a compaixão pela necessidade alheia (Mt 5.7); Jesus foi misericordioso com os homens em suas fraquezas e privações (Mc 5.19; Hb 2.17; Tg 5.11; 2Co 1.3 ver Mt 15.22; 17.15). Lembremos, pois, que a misericórdia é um mandamento divino, e que a Bíblia condena a indiferença para com os pobres (Lc 6.36; Mt 12.7). Sejamos misericordiosos assim como Jesus nos ensinou na parábola do samaritano (Lc 10.37).
  7. Coração puro. Outro traço do caráter de Jesus é a pureza de coração (1Jo 3.3), e quando olhamos para as Escrituras, vemos que o coração representa a personalidade (Mt 5.8), o centro das emoções humanas (Sl 15.2; 16.9; 51.10; Mc 7.21- 23). Ao repreender os fariseus, o Senhor destaca como a pureza interior é necessária, dizendo serem semelhantes aos “sepulcros caiados” (Mt 23.27). Em contraste com a hipocrisia e malícia dos fariseus, Jesus revela a sua pureza de coração, no perdão concedido a mulher apanhada no ato de adultério (Jo 8.3). O Senhor que conhece os pensamentos (Fp 4.8) e as motivações das ações cotidianas (1Co 4.5), manifestou em seu santo e justo julgamento o pecado dos acusadores (Jo 8.7,9), revelando favor à mulher (Jo 8.10,11).

IV – O CARÁTER DE JESUS COMO MODELO A SER SEGUIDO

Como autênticos filhos de Deus (Ef 5.1), precisamos olhar (Hb 12.1), e, seguir o exemplo de Jesus: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também(Jo 13.15). A respeito da prática cristã, usando Cristo como referencial, o apóstolo Pedro exorta: “[…] para que sigais as suas pisadas(1Pd 2.21). Já o apóstolo João lembra: “Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou(1Jo 2.6). E para isso, o cristão precisa ser:

  1. Justo e irrepreensível. O Senhor Jesus foi justo (Mt 5.6), e ordenou aos seus discípulos que priorizassem, acima de todas as coisas, o Reino de Deus e a sua justiça (Mt 6.33). Em um mundo perverso (At 2.40), onde as pessoas estão mais preocupadas em acumular riquezas (2Tm 3.2) do que socorrer ao aflito e necessitado, o verdadeiro crente deve: (a) refletir o caráter de Cristo através de uma vida de santidade e retidão (Mt 6.25,31,34), (b) ser irrepreensível (Fp 2.15-a), ou seja, alguém cuja moral não pode ser atingida, não tendo do que dizer de mal quanto a sua conduta (Tt 2.8), (c) destacar as características da vida cristã, em meio à corrupção (Fp 2.15-b); (d) possuir as virtudes que o qualifica o para a obra do ministério (1Tm 2; Tt 1.6,7); e, (e) ter a marca de quem espera a segunda vinda de Jesus (2Pd 3.14).
  2. Submisso. Atitude proveniente de um coração obediente e que reconhece as autoridades constituídas, sejam seculares (Rm 13.1-7; Tt 3.1; 1Pd 2.13), ou espirituais (Hb 13.17), que prioriza tal comportamento com vistas a comunhão fraternal (1Pd 2.18; 5.5), sobretudo à pessoa de Deus (Tg 4.7).
  3. Humilde. Jesus foi modesto em toda a sua maneira de viver (Mt 11.29). Ele demonstrou sua humildade ao despojar-se de sua glória (Fp 2.6,7); na irrestrita obediência à vontade do Pai (Jo 5.30; 6.39; Fp 2.8); quando lavou os pés dos discípulos (Jo 13.3-5); e ao relacionar-se com todas as pessoas, independentemente de sua raça ou posição social (Mt 9.11; 11.19; Jo 3.1-5; 4.1-30). A humildade é um aspecto do caráter imprescindível a todos os crentes (Ef 4.1,2; Cl 3.12), pois os humildes sempre alcançam o favor do Senhor (Tg 4.6).

CONCLUSÃO

A aparição de Jesus Cristo é um marco na história da humanidade; sua vida e ministério tem sido o referencial para a todas as gerações; seu caráter destacado é um exemplo a ser admirado por todos e sobretudo ser imitado por aqueles que querem viver a plenitude da vida cristã.

REFERÊNCIAS

  • BRUCE, F.F et al. Dicionário Ilustrado da Bíblia. VIDA
  • DOUGLAS, J.D. O Novo Dicionário da Bíblia. VIDA
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa.
  • GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD
  • VINE, W.E et al. Dicionário Vine.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

PRÓXIMO TRIMESTRE

Lições Bíblicas 3° Trimestre de 2017, Adultos – CPAD

TÍTULO: A Razão da Nossa Fé

Subtítulo: Assim cremos, assim vivemos

Comentarista: Pr. Esequias Soares

Classe: Adultos

TEMAS DAS LIÇÕES.

Lição 1 – Inspiração Divina e Autoridade da Bíblia

Lição 2 – O Único Deus Verdadeiro e a Criação

Lição 3 – A Santíssima Trindade: um só Deus em três Pessoas

Lição 4 – O Senhor e Salvador Jesus Cristo

Lição 5 – A Identidade do Espírito Santo

Lição 6 – A Pecaminosidade Humana e a sua Restauração a Deus

Lição 7 – A Necessidade do Novo Nascimento

Lição 8 – A Igreja de Cristo

Lição 9 – A Necessidade de Termos uma Vida Santa

Lição 10 – As Manifestações do Espírito Santo

Lição 11 – A Segunda Vinda de Cristo

Lição 12 – O Mundo Vindouro

Lição 13 – Sobre a Família e a sua Natureza

José, o pai terreno de jesus – um homem de caráter

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 12 – JOSÉ, O PAI TERRENO DE JESUS – UM HOMEM DE CARÁTER (Mt 1.18-25)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos sobre um dos mais importantes personagens do NT – José o pai adotivo de Jesus; inicialmente traremos algumas informações detalhadas sobre ele; destacaremos importantes traços do seu caráter que denotam que este homem era um autêntico servo de Deus; e, por fim, pontuaremos que ele foi um excelente exemplo de marido e de pai.

I – INFORMAÇÕES SOBRE JOSÉ

Muito pouco se sabe sobre a vida de José. Seu nome só é mencionado nas narrativas sobre o nascimento de Jesus, em Mateus 1 e 2 e Lucas 1 e 2, bem como na árvore genealógica, em Lucas 3.23. Gardner (1999, p. 382) diz que: “a ausência do nome de José em Mateus 13.55 e João 2.1, passagens onde se esperaria que estivesse presente, implica que ele já havia falecido quando Jesus iniciou seu ministério público ou logo depois (Lc 3.23)”. Abaixo destacaremos algumas informações sobre este personagem:

  • O nome José vem de uma palavra hebraica que significa: “Yahweh acrescentará” ou então “que Yahweh adicionará” (CHAMPLIN, 2004, p. 591). José era um nome comum entre os hebreus (Nm 13.7; Ed 10.42; At 1.23; 4.36). Talvez, este nome foi dado fazendo alusão ao grande patriarca José, o filho de Jacó, já que era comum na cultura hebraica colocar nome nos filhos em homenagem aos antepassados (Lc 1.60,61).
  • Família. O texto bíblico nos informa que José estava noivo de uma moça chamada Maria (Mt 1.18; Lc 1.27) e que ele pertencia à “Casa e família de Davi” (Lc 2.4), a linhagem do Messias (2 Sm 7.12,16). José foi o pai adotivo e não biológico de Jesus (Mt 1.22-25). No entanto, com Maria, após o nascimento de Jesus (Mt 1.25) ele teve filhos, a saber: Tiago, José, Simão, Judas e algumas filhas (Mt 55; Mc 3.31; Lc 8.19; Jo 2.12; 7.3,5,10; At 1.14; Gl 1.19).
  • Profissão. José era um carpinteiro (Mt 13.55), um ofício que provavelmente ensinou a Jesus (Mc 6.33). Os carpinteiros eram operários especializados em José também era um homem de condição humilde. Isto fica claro pelo sacrifício que ofereceu a Deus, na ocasião em que levou Jesus ao templo para ser apresentado ao Senhor (Lv 12.1-8; Lc 2.24).
  • Lugar de origem. Embora fosse da tribo de Judá, da cidade de Belém, José não residia em Judá, pelo contrário, era de Nazaré uma aldeia da Galiléia (Lc 2.4,39), como também o menino Jesus (Lc 4.16). Foi ali que o anjo anunciou a Maria o nascimento do Messias (Lc 1.26-28). Após esta família ter passado algum tempo no Egito, eles voltaram a Nazaré (Lc 4.14). Posteriormente, Jesus ensinou na sinagoga de Nazaré (Mt 13.54; Lc 4.15). A associação de Jesus com a localidade o fez ser conhecido como Nazareno (Mt 2.23; Lc 18.37; 24.19; 22).

II – CARACTERÍSTICAS DO CARÁTER DE JOSÉ

José foi um homem escolhido para uma grande obra: ser o pai adotivo do Messias. Para tal precisava ter um caráter polido, santo, refinado. Vejamos quais as características do caráter de José, segundo a Bíblia:

  • Justo. José é declarado pelas Escrituras como sendo alguém justo (Mt 1.19-a). Tal virtude fica evidente pelas atitudes que tomara diante das circunstâncias que lhe sobrevieram. A expressão “justo” no hebraico é “hasid” que significa: “aquele que é piedoso, religioso, santo, justo”. No grego a expressão é “dikaios”. No Novo Testamento, denota “justo, íntegro”, um estado de estar certo, ter razão ou de conduta correta, julgada quer pelo padrão divino, quer de conformidade com os padrões humanos, do que é direito (VINE, 2005, pp. 163,734 – acréscimo nosso). Os servos de Deus em toda a Bíblia são chamados de justos (Sl 5.12; 11.5; 33.1; 34.17); e, Deus quer que nós O sirvamos em justiça e santidade (Sl 15.1-5; Mq 6.8; 1 Jo 2.29; Ap 11).
  • Prudente. Apenas Maria sabia que estava grávida por uma intervenção sobrenatural, portanto, ao vê-la nessa condição, é dito que José não querendo infamá-la “intentou deixá-la secretamente” (Mt 1.19-b). Aos olhos de José, parecia que Maria havia sido infiel, visto que estava “desposada” ou “noiva” dele (Lc 1.27). Esse compromisso de noivado era tão sério que “se houvesse o rompimento do noivado, tinha que haver o processo de divórcio” (LIMA, 2017, p. 133). A descoberta de que Maria havia engravidado, era o suficiente para que houvesse o pedido de divórcio por José, o que lhe garantiria o ressarcimento do dote e possivelmente o apedrejamento da noiva, por causa da infidelidade (Dt 22.20,21). Todavia, antes de agir José pensou: “E, projetando ele isto […]” (Mt 1.20-a). O Aurélio (2004, p. 1651) define o adjetivo “prudente” como sendo alguém: “moderado, comedido, cauteloso, precavido, sensato”. A Bíblia faz severas exortações a sermos prudentes: (a)  no falar (Pv 14.6; 21.23; 25.15) ;  (b) no andar (Pv 14.15; Ef 5.15);  (c) no agir (Pv 19.11; 22.3;  Mt 7.24; 25.4); e, (d) no pensar (Pv 15.5; 16.20; 10).
  • Obediente. A obediência era um dos traços mais marcantes do caráter de José. Ao ver Maria grávida José intentou deixá-la secretamente, no entanto, quando projetava tomar esta decisão, um anjo do Senhor lhe apareceu, trazendo-lhe uma consoladora mensagem: “José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo” (Mt 1.20). Diante disso, José, foi obediente a voz divina, recebendo Maria como sua esposa (Mt 1.24), e, não teve relações sexuais com ela até que Jesus nasceu (Mt 1.25). Com José, aprendemos que além de escutar a voz de Deus precisamos ouvir, ou seja atender. O verbo “ouvir” no hebraico “shãma” quer dizer “ouvir, dar atenção a, escutar, obedecer, publicar” (VINE, 2002, p. 210 – acréscimo nosso). A obediência é exigida por Deus (Dt 13.4), é essencial à fé (Hb 11.6); resultado para quem dá ouvidos à voz de Deus (Êx 19.5); é um dever que temos diante de Cristo (2 Co 10.5); o evangelho requer obediência (Rm 1.5); consiste em observar os mandamentos de Deus (Ec 13).
  • Temente a Deus. José demonstrou com suas atitudes, ser um judeu que temia ao Senhor, servindo a Deus com a sua família. A lei exigia que os homens judeus fossem a três celebrações em Jerusalém todos os anos (Dt 16.16,17). O registro bíblico diz que ele e Maria subiam anualmente a Jerusalém para a celebração da Páscoa como de costume (Lc 2.41) . Como podemos ver o temor sempre está ligado há uma vida de comunhão e obediência a Deus (Pv 8.13; 16.6; 22.4); é uma atitude que devemos manter com constância (Dt 14.23; Sl 2.11; 86.11; Pv 23.17); devemos ensinar aos outros o temor a Deus (Sl 34.11); e, quem teme a Deus tem vários benefícios (Pv 15.16; 19.23; Ec 12,13).
  • Sensível a voz divina. José caracteriza-se também por ser um homem sensível a voz divina. Ele ouviu e atendeu orientação divina quando intentou deixar Maria secretamente (Mt 1.20-24); também na ocasião em que Herodes enfurecido mandou que matassem todas as crianças de Belém de dois anos para baixo, Deus lhe falou em sonhos dizendo: “Levanta- te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e demora-te lá até que eu te diga; porque Herodes há de procurar o menino para o matar” (Lc 2.13). Ele não hesitou, antes obedeceu a Deus (Mt 2.14); José ainda ouviu e se inclinou a direção divina, quando Deus o mandou retornar a Israel, porque Herodes já estava morto (Mt 2.19-21); e, por fim, quanto voltava do Egito intentou ir morar na Judeia, mas o Senhor lhe orientou ir para a Galiléia, habitar em Nazaré (Mt 22,23).

III – JOSÉ, UM EXEMPLO DE MARIDO E DE PAI

José não destaca-se na Bíblia apenas como um servo de Deus, mas também como um marido amoroso e um pai dedicado. Aprendemos com isso que, o nosso relacionamento com Deus, deve resultar em um estilo de vida que produza um relacionamento saudável com o próximo (Mt 22.37,39). Abaixo veremos como José foi um exemplo de esposo e pai:

  • Exemplo de esposo. Em toda narrativa neotestamentária observamos as atitudes de José que denotam que ele era um bom marido para sua esposa. Vejamos:
    1. Quando viu Maria grávida não a acusou de fornicação, porque não queria infamá-la (Mt 19);
    2. Após descobrir que o que na sua esposa estava gerado era do Espírito Santo, ela a recebeu (Mt 20,24);
    3. Todas as vezes que se menciona Maria se diz que José está junto, pois era um esposo presente (Lc 4,5,16,33,41);
    4. Trabalhava para sustentar seu lar (Mt 13.55; Mc 33).
  • Exemplo de pai. Champlin (2004, p. 13) nos diz que: “em Israel, o pai da família era o principal mestre de sua família e precisava levar a sério os seus deveres. Suas instruções incluíam tanto alguma profissão como a educação religiosa (Dt 4.9; 6.7; 31.13; Pv 22.6; Is 28.9)”. Deus concedeu a José uma missão muito mais elevada – ser o pai adotivo de Jesus, “o Filho do Altíssimo” (Lc 1.32). Pela narrativa dos evangelhos observamos que José foi um pai dedicado. Vejamos:
    1. José levou Jesus ao templo para a circuncisão no oitavo dia (Lc 21);
    2. Nesta mesma ocasião deu o nome a criança conforme orientação dada pelo anjo (Mt 21);
    3. Levou a Jerusalém, junto com Maria, para as cerimônias da purificação (Lc 22);
    4. Conduzia Jesus anualmente a Jerusalém para a comemoração das festas: “todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da páscoa” (Lc 41);
    5. Aos doze anos, Jesus foi encaminhado por José para fazer o “Bar Mitzvah”, que é traduzido como “Filho do Mandamento” (Lc 2.42), uma “cerimônia judaica onde aos doze anos, o menino tornava-se diretamente responsável pela obediência à Lei, incluindo suas ordenanças e festividades prescritas (CHAMPLIN, 2014, 48);
    6. Quando soube pelo anjo do Senhor que Herodes iria tentar matar o menino, José o protegeu, refugiando-se no Egito como havia sido orientado (Mt 13-15).

CONCLUSÃO

Observamos no caráter de José que ele fez jus a escolha de Deus de incumbi-lo de uma grande tarefa – ser o pai adotivo de Jesus, o Salvador do mundo. Tal missão, este nobre servo cumpriu, sob a graça de Deus, com muita dedicação, temor e amor. Portanto, para todos nós ele é um modelo de como devemos ser comprometidos com a vontade divina.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa.
  • GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia.
  • LIMA, Elinaldo R. de. O Caráter do Cristão.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • VINE, W.E et al. Dicionário Vine. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Maria, mãe de jesus – uma serva humilde

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2º TRIMESTRE 2017

O CARÁTER CRISTÃO

Moldado pela palavra de Deus e provado como ouro

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato

LIÇÃO 11 – MARIA, MÃE DE JESUS – UMA SERVA HUMILDE (Lc 1.46-49)

INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos alguns aspectos do caráter de Maria mãe de Jesus; pontuaremos algumas virtudes morais desta jovem que foi escolhida por Deus para ser o invólucro onde milagrosamente, pela ação do Espírito Santo, conceberia o Messias; e por fim, estudaremos também suas qualidades espirituais como exemplo para todos nós.

I – INFORMAÇÕES SOBRE MARIA MÃE DE JESUS

Maria era uma jovem desconhecida que se tornou mulher de José e mãe de Jesus, e, ao que parece, ambos eram pobres (Lv 12.1-8; Lc 2.21-24). Pouco se sabe da sua vida pessoal, e sua genealogia é mostrada no Evangelho de Lucas. Era da tribo de Judá e da linhagem de Davi (2Sm 7.12; 1Rs 8.25; Sl 132:11; Lc 1.32). Enquanto morava com os seus pais ainda solteira, o anjo Gabriel anunciou-lhe que ela seria a mãe do Messias prometido (Lc 1.35). Era de Nazaré uma cidade da Galileia um lugar sem grande importância no contexto político e geográfico de Israel (Jo 1.46). Vejamos algumas informações sobre Maria:

  1. Uma jovem de linhagem real. Mateus registra a genealogia de Jesus dizendo: “Livro da geração de Jesus Cristo, Filho de Davi, Filho de Abraão […]” (Mt 1.1,6). Essa é a ponta inicial da linhagem real que vincula Maria a Davi. Os judeus tinham consciência de que o Cristo viria da descendência de Davi (Jo 7.41,42). Paulo citou que Jesus “[…] nasceu da descendência de Davi segundo a carne(Rm 1.3; Gl 4.4; 2Tm 2.8). Assim sendo, como Jesus nasceu do ventre de Maria, ela era da descendência de Davi (LIMA, 2017, p. 115). Em Mateus são citados os antepassados de José, enquanto em Lucas são dados os dos antepassados de Maria. Tanto Maria como José eram descendentes de Davi e a prova disso é que ambos, quando do edito de César para o recenseamento foram se registrar em Belém, cidade de Davi. Ora, se Maria não fosse descendente de Davi, ela teria tido que se recensear em outra cidade “E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus […]” (Mt 1.16).
  2. Uma jovem humilde. Maria era desconhecida e a respeito dela, o texto bíblico traz poucas informações. Os nomes de seus pais não são registrados na Bíblia, o que comprova sua origem humilde e sem influência na sociedade onde vivia (LIMA, 2017, p. 113). Maria bendita […] entre as mulheres” (Lc 1.42), nunca reivindicou glória para si e nem para seu nome. Muito pelo contrário, ela considerou-se “serva” e também carente de salvação (Lc 1.47). Ao receber a mensagem do nascimento de Jesus, ela exclamou: “[…] Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1.38). Nas páginas do NT humildade é o termo tapeinos” que significa: “ausência completa de orgulho, rebaixamento voluntário por um sentimento de fraqueza ou respeito, modéstia, pobreza”. É o mesmo que ausência de orgulho, soberba ou vaidade (Mt 11.29; Lc 1.52; Rm 12.16; 2Co 6; Tg 4.6; 1Pe 5.5). Deus: “dá graça aos humildes” (Tg 4.6; 1Pe 5.5), e “eleva os humildes” (SI 147.6).
  3. Uma jovem escolhida. Maria foi a única mulher no mundo que teve uma concepção que não envolveu a semente do homem contaminada pelo pecado, protagonizando assim o papel mais importante que uma mulher poderia receber em toda a sua vida (Mt 1.20; Lc 1.31,34; ver Is 7.14; 9.6). Foi uma missão singular e única na história das mulheres em todos os tempos (Lc 1.42). Ela recebeu a missão de ser mãe de Jesus, o Verbo que “se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). Em seu ventre, ela acolheu, de forma singular, aquele que veio ao mundo para salvar a humanidade perdida. Ela não foi concebida sem pecado, como ensina o catolicismo romano, mas concebeu Jesus sem pecado, por ter sido gerado pelo Espírito Santo, e não pelo processo natural (LIMA, 2017, 115).
  4. Uma jovem serva. Maria, uma mulher voluntária para Deus: “Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor […]” (Lc 1.38- a). O anjo chamou Maria de “favorecida”, porém, ela preferiu um termo bem mais humilde de “serva”. Ela se entrega por completo sem reservas ao Senhor, estava pronta a obedecer e oferecer sua vida, seu ventre, sua alma e seus sonhos a Deus. Ela estava disponível para Deus e estava pronta a sofrer os riscos, a desistir dos seus anseios em favor dos propósitos do Senhor. A palavra serva no grego é “doulos” que denota um “servidor, escravo, criado” (VINE, 2002, 991).
  5. Uma jovem corajosa. Maria foi uma mulher obediente e disposta a correr riscos para fazer a vontade de Deus: “[…] cumpra-se em mim segundo a tua palavra(Lc 1.38-b). Percebe-se que ela se dispôs a pagar um alto preço por sua obediência ao projeto de Deus. Era uma jovem agora grávida, com o risco de ser abandonada pelo noivo e apedrejada pelo povo, mas ela não abriu mão de ir até o fim, de lutar até a morte, de sofrer todas as estigmatizações possíveis para cumprir o projeto de Deus. Entre os judeus daquela época, o noivado era um compromisso tão sério quanto o casamento e só podia ser rompido pelo divórcio. Na verdade, o homem e a mulher eram chamados de “esposo” e “esposa”, mesmo antes de se casarem (Mt 1.19; Lc 2.5). O risco de ser apedrejada era enorme, pois esse era o castigo para uma mulher adúltera, como ela já estava comprometida com José (Mt 1.19), ele poderia, com base nos ditames da Lei mosaica, mandar apedrejá-la (Dt 22-24).

II – QUALIDADES MORAIS DE MARIA MÃE DE JESUS

Maria foi escolhida para ser mãe do Salvador, antes de tudo, por decisão divina, mas também, sem dúvida alguma, por suas qualidades morais. Gardner (2005, p. 435) diz que “Maria, mãe de Jesus, é uma das figuras mais proeminentes da Bíblia. Sua vida foi caracterizada pela fé, humildade e obediência à vontade de Deus. Ela também ocupa uma posição única na história humana […]”. Uma vez que as moças judias se casavam muito jovens, é bem provável que Maria fosse uma jovem quando recebeu a notícia do anjo (WIERSBE, 2010, p. 221). Podemos destacar qualidades dignas daquela jovem sobre quem Deus pôs seus olhos. Vejamos algumas características morais de Maria:

  1. Era casta. Gabriel, o mensageiro celeste, foi enviado especialmente da parte de Deus à cidade de Nazaré: “a uma virgem, cujo nome era Maria (Lc 1.26,27; Mt 1.23). A virgindade de uma jovem tem um valor de grande significado espiritual e moral. Falando sobre a glória de Jerusalém, o Senhor diz que: “como o jovem se casa com a donzela (solteira, virgem pura), assim teus filhos se casarão comigo […]” (Is 62.5 – acréscimo nosso). Maria era desposada (ou noiva) com José, o carpinteiro, mas mantinha-se pura em seu estado moral. José não teve relações sexuais com Maria antes de ela dar à luz a Jesus (Mt 1.25). Sua castidade era indispensável para o cumprimento da profecia (Is 7.14; Mt 1.22,23). Tratando sobre a importância da pureza sexual Paulo fala da preparação da Igreja por Cristo como: “uma virgem pura a um marido” (2Co 11:2).
  2. Era honrada. Maria foi grandemente honrada recebendo a visita de um anjo (Lc 1.26,27). A jovem de Nazaré jamais imaginara que estaria sendo observada dos céus pelo Senhor e Criador do Universo: “E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada […]” (Lc 1.28-a). O termo “agraciada” quer dizer que ela foi “honrada por Deus”. O Senhor sempre procura pessoas assim: simples, humildes, despretensiosas, despojadas de ambições carnais para honrá-las. Cheia do Espírito Santo, Isabel a chamou de “a mãe do meu Senhor” (Lc 1:43), o que é motivo suficiente para mostrar sua honra.
  3. Era uma mãe amorosa. Mateus 1.25, falando de José, declara: “E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus. ” A palavra atéclaramente indica que José e Maria só tiveram união sexual após o nascimento de Jesus. Tiveram vários filhos depois que Jesus nasceu (Mt 13.55,56). Deus abençoou e agraciou Maria dando a ela vários filhos, o que naquela cultura era a mais clara indicação de que Deus estava abençoando uma mulher. Jesus como filho de Maria, seria humano; como Filho do Altíssimo (Lc 1.32), seria o Filho de Deus (Lc 1.35). O texto de Lucas (3.39-45) mostra seu cuidado amoroso com seu querido filho quando ainda adolescente, e o texto de João revela o seu amor estando ao lado dele na cruz do Calvário (Jo 19:25-27).

III –  QUALIDADES ESPIRITUAIS DE MARIA MÃE DE JESUS

  1. Uma jovem crente. Em seu cântico de exaltação a Deus (Lc 1:46-56; ver 1Sm 2.1-10). Maria demonstrou ter consciência de sua condição humana pecadora e imperfeita e tendo necessidade de salvação. Ela cantou jubilosa e reverente, demonstrando como se sentia diante de Deus e por ter sido escolhida para tão grande missão: “Disse, então, Maria: A minha alma engrandece ao Senhor[…]” (Lc 1.46,47). Maria reconheceu que precisava ser salva, que ela precisava de Deus como seu Salvador: “e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Maria era uma pecadora como todos nós e que precisou de salvador.
  2. Uma jovem de fé. Maria sabia o que aconteceria, mas não sabia como seria. Sua pergunta: Como se fará isso, visto que não conheço varão? ” (Lc 1.34) não é um sinal de incredulidade; antes, é uma expressão de fé. Ela creu na promessa, mas não entendeu como se cumpriria, e Gabriel explicou que seria um milagre, uma obra do Espírito Santo. José, seu noivo, não seria o pai da criança (Mt 1.18-25), mesmo que, posteriormente, Jesus fosse identificado em termos legais como seu filho (Lc 3.23; 4.22; Jo 1.45; 6.42). Em segundo lugar, Gabriel fez questão de ressaltar que o bebê seria um ente santoe não compartilharia da natureza humana pecaminosa. Jesus não conheceu pecado (2Co 5.21), não cometeu pecado (1Pe 2.22), e nele não existe pecado (1Jo 5). Seu corpo foi preparado pelo Espírito de Deus (Sl 40.6; Hb 10.5).
  3. Uma jovem cheia do Espírito Santo. Não temos dúvida de que Maria era uma jovem dedicada a Deus (Lc 1.35; Mt 1.20); cremos que ela estava em comunhão com o Senhor e desenvolvia uma vida devocional intensa e amorosa: “[…] o Senhor é contigo […]” (Lc 1.28-b). Essa expressão foi usada por Deus para outros instrumentos escolhidos por Ele como: Josué (Js 1.9); Gideão (Jz 6.12) e Israel (Is 41:10-a).
  4. Era uma jovem adoradora. Sua alegria levou-a a entoar um cântico de louvor e adoração. Esse cântico é chamado de “Magnificat”, pois é a versão em latim de Lucas 1.46 que diz: “A minha alma engrandece ao Senhor”. Seu maior desejo era engrandecer ao Senhor, não a si mesma. O canto de Maria contém citações e referências das Escrituras do AT especialmente dos Salmos e do cântico de Ana em 1 Samuel 1-10. Maria guardou a Palavra de Deus em seu coração e a transformou em louvor.
  5. Uma jovem bendita. Quem imaginaria que uma jovem de Nazaré, pobre, desconhecida, de família tão humilde, que sequer os nomes de seus pais são mencionados fosse a escolhida por Deus para ser a mulher que acolheria em seu ventre o Salvador do mundo. Dias depois, ao visitar Isabel, sua prima, que também estava grávida, ela ouviu-a dizer: “Bem-aventurada a que creu […]” (Lc 45-a). O anjo declarou: “[…] bendita és tu entre as mulheres(Lc 1.28-c).
  6. Uma jovem favorecida. Maria sentiu temor em seu coração por não entender como poderia ela ouvir coisas tão elevadas a seu respeito: “E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras e considerava que saudação seria esta” (Lc 1.29). Era a reação natural de uma moça que nunca tivera experiência tão profunda em sua vida de comunhão com Deus: “Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus […]” (Lc 1.30).

CONCLUSÃO

Aprendemos com a história de Maria mãe de Jesus, que devemos servir a Deus com todas as nossas forças e sermos fiéis e verdadeiros adoradores, pois assim, Deus, fará o milagre que precisamos.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo do Antigo Testamento. PDF.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com