Arrependimento e fé para a salvação

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4º TRIMESTRE 2017

A OBRA DA SALVAÇÃO

Jesus Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida

COMENTARISTA: Claiton Ivan Pommerening

LIÇÃO 09 – ARREPENDIMENTO E FÉ PARA A SALVAÇÃO – (At 2.37-41)

INTRODUÇÃO

Nesta lição traremos uma definição das palavra arrependimento e fé; veremos que essas atitudes humanas são necessárias para que o homem receba a salvação concedida por Deus; destacaremos também que o verdadeiro arrependimento e fé são fruto da resposta humana a obra do Espírito Santo e da exposição da Palavra; pontuaremos, por fim, que a salvação demanda a participação divina de conceder e a humana de receber.

I – DEFINIÇÕES

  1. Arrependimento. No AT temos o vocábulo “naham”, que traduz a ideia de: “arrepender-se, voltar-se para longe de, ou em direção de” (ANDRADE, 2006, p. 63). No NT deriva-se do termo grego “metanóia”, e significa: “a verdadeira tristeza sobre o pecado, incluindo um esforço sincero para abandoná-lo; convicção da culpa produzida pelo Espírito Santo ao aplicar a lei divina ao coração; ou, ainda: sentir tristeza a ponto de deixar o pecado, mudança de ideia ou de propósito” (PEARLMAN, 2010, p. 225). O arrependimento inclui três elementos: (a) intelecto: é uma mudança de pensamento (Ef 1.18); (b) emoção: um homem arrependido sente um profundo pesar (Mt 21.29,30; 2 Co 7.10; Hb 7.21); e, (c) vontade: a pessoa sente a necessidade de abandonar o pecado e voltar-se para Deus (1 Ts 1.9; Rm 6.17; 1 Pe 4.2).
  2. Fé. No AT o verbo “ãman” é traduzida por “confiar, ter convicção, acreditar”. No NT a palavra “pistis” é traduzida primariamente por “persuasão firme”, “convicção fundamentada no ouvir”, podendo ser utilizada no NT como confiança (Rm 3.25; 1 Co. 2.5; 15.14,17; 2 Co 1.24; Gl 3.23); fidedignidade, fidelidade e lealdade (Mt 23.23; Rm 3.3; Gl 5.22; Tt 2.10); crença “corpo de doutrina” (At 6.7; 14.22; Gl 1.23; 3.25) (VINE, 2002, pp. 86,648). Embora a Bíblia descreva diversas manifestações da fé, destacamos aqui a fé salvífica (Mc 1.15; Mc 16.16; Jo 3.16; At 16.30,31; Rm 10.9,10; Ef 2.8- 10). “A fé para salvação é uma atitude do intelecto (razão) e do coração (emoção) para com Deus em que o homem abandona toda a confiança em seus esforços de religiosidade, de piedade, de bondade ou de moralidade para obter a salvação (Gl 2.16) e confia completa e exclusivamente na obra de Cristo (At 16.30) operada na cruz” (POMMERENING, 2017, p. 100 – acréscimo nosso).

II – O ARREPENDIMENTO E A FÉ PARA A SALVAÇÃO

Deus concedeu a salvação a todos os homens em Cristo Jesus (Jo 3.16; Tt 2.11). Todavia, existem condições para o nosso recebimento da vida eterna, a saber: o arrependimento e fé. Pommerening (2017, p. 97 – acréscimo nosso) diz que: “fé e arrependimento são condições essenciais para a salvação. Trata-se de duas operações conjuntas e cooperativas em que o homem reage positivamente a ação do Espírito Santo. Geisler também afirma: “a fé genuína e o arrependimento na salvação de uma pessoa envolvem a aceitação do certo e a rejeição do errado — uma não pode ser exercida sem a outra”. Vejamos a importância de cada uma delas detalhadamente:

  1. A importância do arrependimento. Como todos os homens pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23), o arrependimento também é necessário a todos os homens. Jesus mesmo introduziu a mensagem do Reino, chamando as pessoas ao arrependimento (Mt 4.17; 9.13; Mc 2.17). Ele comissionou os apóstolos a pregarem esta mensagem (Lc 24.47). Confira também (Mc 6.12; At 2.38; 3.19; 8.22). Paulo disse que por meio do evangelho se “anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam” (At 17.30). O arrependimento é vital para que o ser humano possa obter a salvação (At 2.38; 3.19; 2 Co 7.10). Jesus ensinou que, se não houver arrependimento o homem perecerá em seus pecados (Lc 13.3,5; Jo 8.14). “O verdadeiro arrependimento é o que produz convicção do pecado; contrição do pecado; confissão do pecado; abandono do pecado; e conversão do pecado” (GILBERTO, 2008, p. 358).
  2. A importância da fé. A fé é, sem dúvida, um dos mais importantes conceitos de toda a Bíblia Sagrada. Ela é de vital importância para que o homem tenha acessado a Deus e dEle receba suas bênçãos (Hb 11.6). Horton (1999, p. 109) diz que: “todas as nossas relações com Deus acham-se ancoradas na fé”. Acerca da salvação não é diferente. Somente crendo no evangelho o homem poderá obter este presente divino (Mc 16.16; Rm 10.9; Ef 2.8). O próprio Jesus principiou a mensagem do Reino chamando os homens ao arrependimento e fé: “[…] Arrependei-vos, e crede no evangelho” (Mc 1.15). Os apóstolos de igual modo pregaram que a fé em Jesus Cristo e no que Ele fez é condição sem a qual o homem não poderá alcançar a salvação (At 8.37; 16.31; Rm 10.9). Segundo Brunelli (2016, p. 327), “a fé que nasce no coração do homem mediante a pregação da Palavra de Deus é um elemento exclusivamente humano, por isso é cobrada do homem” (Jo 3.16; 20.31; Rm 3.22; 4.11,24; 10.9,14).

III – OS MEIOS QUE COOPERAM PARA O ARREPENDIMENTO E A FÉ

Embora o arrependimento e a fé sejam atitudes humanas, Deus concede os meios que possibilitam estes pré- requisitos para a salvação. Vejamos quais são:

  1. O Espírito Santo. Jesus disse que uma das funções do Espírito Santo é convencer o homem “do pecado, e da justiça  e do juízo” (Jo 16.8). A expressão “convencer” no grego “elencho” significa: “acusar, mostrar erro” (PALAVRA CHAVE, p. 2180). É necessário entender que o convencimento do pecado é uma ação conjunta entre o Espírito Santo e o ser humano, que se deixa convencer ou não. Portanto, não é algo coercitivo, mas em cooperação, pois a Escritura diz que o Espírito Santo pode ser resistido (At 7.51; 18.6; Hb 3.7,8,15; 4.7).
  2. A Palavra de Deus. A fé salvadora é proveniente da pregação do evangelho (Rm 10.13,16; 2 Tm 3.15), ou seja, Deus possibilita a fé salvadora, quando põe o pecador em contato com a revelação especial: Cristo e a Bíblia. O pecador só pode ser salvo, quando exposto a pregação da Palavra que ilumina o seu entendimento (Ef 1.18; 6.4; 2 Co 6.4), até então obscurecido pelo pecado (Ef 4.18) e pelo diabo (2 Co 4.4). Ela mostra sua condição de pecado (Rm 3.23; Rm 7.7); sua sentença ao castigo eterno (Gl 5.21); e que somente em Cristo Jesus, a pessoa poderá ser salva (Jo 14.6; At 4.12; 5.31; 13.23; Tt 3.6; 1 Jo 4.14). No entanto, mesmo recebendo a iluminação da Palavra, o pecador pode optar por aceitar ou rejeitar o plano da salvação que lhe é oferecida (Mt 16.24; Jo 7.37; Ap 22.17).

IV – O PROCESSO DA SALVAÇÃO

Existem pensamentos divergentes entre os teólogos sobre como se dá a salvação de um indivíduo. Se é um ato monergista (do grego monós, “único” + ergon, “trabalho”), ou seja, algo exclusivamente divino ou se é um ato sinergista (do grego syn, “com” + ergon “trabalho”), que apesar da salvação ser concedida por Deus, requer condições para que o homem seja por ela alcançado. Diante destas duas propostas, faz-se necessário apresentar o entendimento correto do processo da salvação à luz da Bíblia. Vejamos:

  1. A parte divina (conceder). A “salvação” é uma providência divina: “E tudo isto provém de Deus” (2 Co 5.18-a); desde a fundação do mundo “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap 13.8); ela é fruto inteiramente do Seu incomparável amor “Porque Deus amou o mundo” (Jo 3.16), e da Sua graça “[…] pela graça sois salvos […]; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8); que foi manifestada plenamente em Cristo Jesus em favor de todos os homens “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2.11). Geisler (2010, p. 157), afirma: “Deus é o autor da salvação, pois apesar de o pecado humano ter a sua origem nos homens, a salvação vem do céu, e tem a sua origem em Deus”.
  2. A parte humana (receber). Deus proporcionou a salvação a todos, mas para que receberam é necessário o arrependimento (Mt 3.2; Mc 1.15; Lc 24.47; At 2.38; 3.19; 17.30) e, também a fé (Mc 16.16; Jo 3.16; Jo 5.14; At 16.31; Rm 1.16; 10.9) e estas são atitudes humanas. Quando a Bíblia diz que Deus deu arrependimento a Israel e aos gentios (At 5.31; 11.18) significa dizer que: “Ele graciosamente nos concede a chance de abandonarmos o pecado, só que cabe a nós a execução do ato de arrependimento” (GEISLER, 2010, p. 383). Quanto a fé ser uma resposta humana a revelação divina, podemos ver nos seguintes casos: (a) Deus livrou Noé e sua família do dilúvio, mas o patriarca pela fé construiu a arca (Hb 11.7); (b) foi Deus quem livrou os primogênitos dos hebreus da morte física, mas eles tiveram que pela fé matar o cordeiro e colocar o sangue na verga e nos umbrais das portas (Hb 11.28); e, (c) foi Deus quem enviou as serpentes abrasadoras sobre o povo de Israel como punição pelo seu pecado (Nm 21.6); mas também providenciou-lhes o livramento da morte física, exigindo apenas que pela fé, os hebreus ainda que mordidos, olhassem para a serpente de bronze que Moisés havia levantado, e, assim eles viveriam (Nm 21.9). Jesus aludiu a esta passagem do AT para ensinar a Nicodemos que, de igual modo, Ele seria levantado para que “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.15).

CONCLUSÃO

Deus quer que todo o homem se salve e venha ao conhecimento da verdade. Para isto, Ele nos concedeu o Seu Filho Jesus Cristo, que pagou o preço pelos nossos pecados na cruz do Calvário. No entanto, para que esta salvação seja recebida, faz-se necessário que o homem se arrependa dos seus pecados e creia em Jesus como seu Salvador.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário TeológicoCPAD.
  • BÍBLIA DE ESTUDO PALAVRA-CHAVE.
  • BRUNELLI, Walter. Teologia para Pentecostais: Uma Teologia Sistemática Expandida. ACADÊMICO.
  • FERREIRA, Aurélio     Buarque    de        Novo Dicionário da Língua Portuguesa. POSITIVO.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.
  • HORTON;       Doutrinas      Bíblicas:     uma perspectiva pentecostal. CPAD.
  • PEARLMAN, Myer. Conhecendo as doutrinas da Bíblia.
  • POMMERENING, Claiton Ivan. A obra da salvação: Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida.
  • STAMPS, Donald Bíblia de Estudo Pentecostal.CPAD.
  • VINE, W.E, et al. Dicionário Vine. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

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Salvação e livre-arbítrio

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4º TRIMESTRE 2017

A OBRA DA SALVAÇÃO

Jesus Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida

COMENTARISTA: Claiton Ivan Pommerening

LIÇÃO 08 – SALVAÇÃO E LIVRE-ARBÍTRIO – (Jo 3.14-21)

INTRODUÇÃO

Nesta lição iniciaremos vendo a definição do termo livre-arbítrio; estudaremos esta doutrina nas Escrituras Sagradas; pontuaremos a soberania de Deus e a livre escolha humana; e finalizaremos analisando a salvação e a eleição divina, bem como a livre-vontade do homem.

I – DEFINIÇÃO DE LIVRE-ARBÍTRIO

  • Definição etimológica do termo. O dicionário Vine (2010, pp. 608,756) diz que livre-arbítrio vem do termo grego “eklego”, “escolher, selecionar, eleger” e “eleutheros”, “liberdade de ir onde quer”. O dicionário Houaiss define como: “possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante”. A palavra livre vem do latim “liber”, que significa “livre” e o termo arbítrio “arbiter”, que é “uma pessoa escolhida para decidir sobre uma questão” (2001, p. 1774).
  • Definição teológica do termo. “Entende-se por livre-arbítrio a liberdade que o ser humano tem de fazer escolhas, tornando-se, consequentemente, responsável por elas e por seus respectivos resultados […]. O poder humano de fazer escolhas é o primeiro assunto de que trata a Bíblia Sagrada […]. O livre-arbítrio é inerente ao homem, o qual não poderia ser julgado, jamais, se as suas decisões fossem involuntárias, e ele fizesse o que não desejasse pelo fato de ser movido por uma força estranha, alheia à sua consciência e vontade” (BRUNELLI, 2016, pp. 293,295). A Declaração de Fé das AD diz: CREMOS, professamos e ensinamos que o homem é uma criação de Deus […], dotado por Deus de livre-arbítrio, ou seja, com liberdade de escolher entre o bem e o mal […] essa escolha continua mesmo depois da queda no Éden (Jo 7.17). Deus dotou Adão do livre-arbítrio com o qual ele era capaz tanto de obedecer quanto de desobedecer ao Criador (SOARES, 2017, pp. 77,99).

II – O LIVRE-ARBÍTRIO NA BÍBLIA

  • O livre-arbítrio nas Escrituras. Tanto no AT quanto no NT a doutrina do livre-arbítrio é claramente defendida, e apesar da expressão “livre-arbítrio” não estar na Bíblia de maneira explícita em diversas passagens do AT podemos ver que Deus dá o poder de escolha ao ser humano (Gn 2.17,16; 4.7; Dt 28.1; 30.15,19; Js 24.15; 2Sm 24.12; Jz 5.2; 1Cr 28.9; Ed 7.13; Ne 11.2; Sl 119.30; Is 1.19,20; Jr 4.1). Também podemos encontrar várias referências que demonstra-nos o livre-arbítrio no NT (Mt 3.2; 4.17; 16.24; 23.37; Mc 8.35; Lc 7.30; Jo 5.40; 6.37; 7.17; 15.7; At 3.19; 17.30; Rm 10.13; 1Tm 1.19; 1Co 10.12; 2Co 8.3,4; 1Jo 3.23; Ap 3.20).
  • O livre-arbítrio antes da Queda. O poder da livre-escolha faz parte do desígnio de Deus para a humanidade, como sendo a sua imagem e semelhança (Gn 1.27). Adão e Eva receberam o mandamento para multiplicarem a espécie humana (Gn 1.28) e se absterem de comer do fruto proibido (Gn 2.16-17). Estas duas responsabilidades implicam na capacidade de respostas. O fato deles deverem fazer estas coisas, implicava que eles poderiam fazê-las (Gn 3.6). A condenação de Deus para a atitude deles deixa claro que ambos eram moralmente livres para tomar a sua decisão (Gn 3.11,13) (GEISLER, 2010, p. 108).
  • O livre-arbítrio depois da Queda. Mesmo depois de haver pecado e se tornado espiritualmente “morto” (Gn 2.17; cf. Ef 2.1) e, portanto, um pecador, em função da sua natureza pecaminosa (Ef 2.3), Adão não se tornou tão completamente depravado a ponto de não mais ouvir a voz de Deus e poder responder de maneira livre (Gn 3.9-10). A imagem de Deus foi obscurecida, mas não completamente erradicada pela Queda; ela foi corrompida (afetada), mas não eliminada (aniquilada). Na verdade, a imagem de Deus (que inclui o livre-arbítrio) ainda permanece nos seres humanos (Gn 9.6; Tg 3.9). Até mesmo a nossa cegueira espiritual é resultado da nossa decisão de não acreditar (Rm 6.16) (GEISLER, 2010, p. 109).

III – A VONTADE DE DEUS E O LIVRE-ARBÍTRIO

  • A vontade permissiva e livre arbítrio. O que faz o homem um ser moralmente semelhante ao Criador, é justamente a capacidade de fazer suas próprias escolhas; e é isto o que se entende por vontade permissiva. Deus tem poder para impedir que o homem faça o mal ou bem, entretanto, lhe dá o direito de escolha mesmo discordando dela (Gn 2.15-17; 3; 4.7; Dt 30.15-20; Gl 6.7-10). Na vontade permissiva, a soberania e a onipotência de Deus não violam o livre-arbítrio humano. No âmbito da salvação, Deus sabe perfeitamente quem o rejeitará, embora jamais interfira nesta decisão. Todavia, o homem pode rejeitar a salvação (Is 1.19,20; Dt 30.19; Js 24.15; Mt 23.37,38; Lc 7.30; 1Tm 1.19; 1Co 10.12). A Bíblia ensina que Deus é todo- poderoso; ninguém pode impor limites ao seu poder (Jó 37.23; Is 40.26). No entanto, ele não usa seu poder para controlar tudo arbitrariamente (Is 42.13,14), ele tolera aqueles que fazem mau uso do livre-arbítrio, mas não para sempre (Sl 10).
  • A vontade diretiva e predestinação. A vontade diretiva de Deus opera em conformidade com a sua sabedoria e soberania. Ele rege o curso da história, e controla o universo de acordo com seus eternos propósitos (Sl 33.11; At 2.23; Ef 1.4-9). Tudo o que planejou certamente será executado (Is 43.13; 14.26,27). É nesse ponto que nos deparamos com a doutrina da predestinação. O Eterno, em seu profundo e inigualável amor, predestinou todos os seres humanos em Cristo à vida eterna . Ninguém foi predestinado ao lago de fogo que fora preparado para o Diabo e seus anjos (Mt 25.41). Mas o fato de o homem ser predestinado à vida eterna não lhe garante essa bem-aventurança. É necessário que creia no Evangelho, e assim será considerado eleito (Rm 8.29; Ef 5).

IV – A SALVAÇÃO E O LIVRE-ARBÍTRIO

  • A salvação e o livre-arbítrio. A Bíblia enfatiza o ensinamento do livre-arbítrio humano (Mt 11.28; Lc 9.23; 13.3; 16.16; Jo 1.12; At 2.21; 17.31; Rm 1.16; 10.13,14; 1Tm 2.3,4; 4.1; 2Pd 2.1,20,21; 3.9; Ap 2.20,21; 3.11). No NT os pecadores são repetidamente ordenados a “arrepender-se” e “crer” (Mt 3.2; 4:17, Jo 5.40; At 3.19, 1Jo 3.23). A ordem “arrepende-te” foi transmitida à maioria das Igrejas da Ásia (Ap 2.5,16; 3.3,19) e, o Senhor disse que deveriam “guardar, reter, conservar” o que tinham, até a morte, para que não perdessem a coroa (Ap 2.10,25; 3.11). Conquanto o Senhor Jesus tenha feito a sua parte, ao nos resgatar, temos de “operar” ou “desenvolver”, a nossa salvação (Fp 2.12; Ef 2.10; 2Tm 2.10; Hb 6.9). Se negarmos o Senhor, Ele também nos negará (Mt 10.32,33; 2Tm 2.12; Ap 3.5) (SILVA, 1989, p. 60).
  • A salvação e a predestinação fatalista. Predestinação fatalista é o ensino antibíblico da determinação antecipada do destino dos homens: uns para salvação outros para condenação. Este ensino só considera a soberania de Deus, e não sua graça e justiça (Rm 11.5; 3.21; 1Tm 2.4; Tt 2.11; 2Pd 3.9). Em Ezequiel 18.23,32; 33.11, Deus assevera o seu desejo de que o ímpio se converta, e não apenas os “eleitos” e “predestinados” (Jo 3.16). Deus jamais predestinará alguém para o inferno, sem lhe dar oportunidade de salvação, pois isso aviltaria a natureza moral de Deus. Se todos já estão predestinados quanto ao seu destino eterno, então não há lugar para escolha, decisão, ou livre-arbítrio por parte do homem, o que contradiz a Bíblia (Dt 30.16-19; Js 24.15; 1 Rs 18.21; Sl 119.30,173; Lc 13.34; Ap 22.17). Não há segurança salvífica fora de Jesus e de seu aprisco, como também não há segurança espiritual para alguém que vive em pecado (Jo 15.1-6; 1Pd 1.5; Rm 1.17) (DANIEL, 2017, p. 402).

V – A ELEIÇÃO DIVINA E O LIVRE-ARBÍTRIO

A escolha de Deus daqueles que creem em Cristo é uma doutrina importante (Rm 8.29-33; 9.6-26; 11.5, 7, 28; Cl 3.12; 1Ts 1.4; 2Ts 2.13; Tt 1.1). A eleição do grego “eklegoe” refere-se à escolha feita por Deus, em Cristo, de um povo para si mesmo, a fim de que sejam santos e inculpáveis diante dEle (2Ts 2.13). Essa eleição é uma expressão do amor de Deus, que recebe como seus, todos os que recebem Jesus condicionalmente (Jo 1.12). A doutrina da eleição abarca as seguintes verdades:

  • A eleição é baseada na presciência divina. A Bíblia assevera tanto a realidade do livre-arbítrio humano como a realidade da presciência divina (ter conhecimento do futuro). A despeito de Deus conhecer antecipadamente, os que rejeitarão seu plano salvífico, sua presciência não interfere nem viola o livre direito de escolha do homem (2Tm 2.10). Deus é onisciente, e para Ele nada está oculto. Ele sabe o futuro desde o passado (Is 46.10; 1Pd 1.2), conhece os nossos dias, sabe quem será salvo mediante a fé, sabe cada pensamento nosso por antecipação. Mas presciência não é preordenação. Deus não decide o nosso futuro, não determina nossas escolhas, Ele apenas sabe o que acontecerá (Sl 139.16; Rm 8.29,30; 1Pd 1.1-2). Paulo alertou os crentes de Corinto a respeito da manutenção da salvação em Cristo (1Co 15.1-2). Notemos que a manutenção da salvação está condicionada à obediência ao evangelho verdadeiro (2Co 11.3,4; Gl 1.8; 1Tm 4.16). E a obediência deve ser voluntária, visto que não somos seres autômatos (DANIEL, 2017, p. 390). A predestinação fatalista contradiz dois atributos divinos: a justiça e o amor. Primeiro, porque torce a justiça divina, pois, nesse caso, Deus destinaria as pessoas antes mesmo de seu nascimento à perdição eterna. E segundo, porque põe em dúvida o ilimitado amor de Deus, por ensinar que o Senhor destinou os pecadores ao inferno sem lhes dar o direito e a oportunidade de arrependerem-se (THIESSEN, 2000, p. 246).
  • A eleição é cristocêntrica. A eleição de pessoas ocorre somente em união com Jesus Cristo. Deus nos elegeu em Cristo para a salvação (Ef 1.4) e, o próprio Cristo é o primeiro de todos os eleitos de Deus: “Eis aqui o meu servo, que escolhi” (Mt 12.18; cf. Is 42.1,6; 1Pe 2.4). Ninguém é eleito sem estar unido a Cristo pela fé, pois esta eleição é feita em Cristo (Ef 1.7). O propósito de Deus, já antes da criação era ter um povo para si mediante a morte redentora de Cristo na cruz. Sendo assim, a eleição é fundamentada na morte sacrificial de Cristo, no Calvário (At 20.28; Rm 3.24-26) (STAMPS, 1995, p. 1808).
  • A eleição é corporativa. Os eleitos são chamados “o seu corpo” (Ef 1.23; 4.12), “minha igreja” (Mt 16.18), o “povo adquirido” por Deus (1Pe 2.9) e a “noiva de Cristo” (Ap 21.9). Logo, a eleição é coletiva (Ef 1.4,5, 7, 9; 1Pe 1.1; 2.9), somente à medida que este indivíduo se identifica e se une ao corpo de Cristo, a igreja verdadeira (Ef 1.22,23). É uma eleição como a de Israel no AT (Dt 29.18-21; 2Rs 21.14). O cumprimento desse propósito para o crente como indivíduo dentro da igreja é condicional. Cristo nos apresentará “santos e irrepreensíveis diante dele” (Ef 1.4), somente se continuarmos na fé. A Bíblia mostra isso claramente (Cl 1.22,23) (STAMPS, 1995, p. 1808).
  • A eleição é universal. Segundo a doutrina da predestinação fatalista, Jesus morreu somente por aqueles que o Pai já havia predestinado desde a fundação do mundo. No entanto, a Bíblia afirma sem deixar dúvidas, que Cristo morreu por todos (At 17.30; Rm 5.18; 1Tm 2.4-6; 2Pd 3.9; Hb 2.9; 1Jo 2.2; Jo 3.16,17; Tt 2.11). Isto torna-se uma realidade para cada pessoa consoante seu prévio arrependimento e fé, ao aceitar o dom da salvação em Cristo (Ef 2.8; 3.17; At 20.21; Rm 1.16; 4.16). Mediante a fé, o Espírito Santo admite o crente ao corpo eleito de Cristo (a igreja) (1Co 12.13), e assim ele torna-se um dos eleitos. Daí, tanto Deus quanto o homem têm responsabilidade na eleição (Rm 8.29; 2Pe 1.1-11). A Bíblia afirma categoricamente que Deus não faz acepção de pessoas, e deseja que todos sejam salvos (At17.30; Rm 2.11; 2 Pd 3.9; 1Tm 2.4; Jo 3.16; Mc 16.15) (STAMPS, 1995, p. 1808).

CONCLUSÃO

Concluímos que o livre-arbítrio é o poder que temos de tomar uma decisão, sem sermos obrigados a escolher uma determinada opção por interferência externa. Também entendemos que por causa do livre-arbítrio, cada pessoa é responsável por suas ações e responderão diante de Deus por suas escolhas livres.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • DANIEL, Silas. Arminianismo e a mecânica da salvação.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.
  • HORTON, S. Teologia Sistemática.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

A Salvação pela Graça

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4º TRIMESTRE 2017

A OBRA DA SALVAÇÃO

Jesus Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida

COMENTARISTA: Claiton Ivan Pommerening

LIÇÃO 07 – A SALVAÇÃO PELA GRAÇA – (Rm 5.6-10,15,17,18,20; 11.6)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição traremos a definição da palavra “graça” tanto no AT quanto no NT; destacaremos que Deus sempre se relacionou com o homem por Sua graça; destacaremos algumas características deste favor divino; e, por fim, pontuaremos que somente pelo favor imerecido de Deus o homem poderá ser salvo.

I  – O QUE SIGNIFICA GRAÇA

A palavra “graça” aparece 217 vezes em toda a Bíblia. No AT: 73; no NT: 144 (JOSHUA, sd, p. 697). O conceito de graça é multiforme e sujeito a desdobramentos nas Escrituras. No AT, “hen”, significa: “favor”. É o favor imerecido de um superior a um subalterno. No caso de Deus e do homem, ‘hen’ é demonstrado por meio de bençãos temporais, embora também o seja por meio de bênçãos espirituais e livramentos, tanto no sentido físico quanto no espiritual (Jr 31,2; Êx 33.19). No NT, é “charis”, que indica graciosidade”, “atrativo”, “favor” (WYCLIFFE, 2007, p. 876 – acréscimo nosso). Em resumo esta palavra significa um: “favor imerecido concedido por Deus à raça humana” (ANDRADE, 2006, p. 203).

II  – DEUS SEMPRE SE RELACIONOU COM O HOMEM POR SUA GRAÇA

Algumas pessoas têm limitado a palavra Lei ao AT e a palavra graça ao NT. Mas isso é um erro muito grave. A graça de Deus é vista ao longo de todas as dispensações na história, como veremos a seguir:

  • Antes da Lei. Já no Éden, vemos a manifestação da graça divina, pois mesmo quando Adão pecou sendo merecedor do juízo, Deus lhe fez a promessa da vinda do Redentor (Gn 3.15); lhe cobriu a nudez (Gn 3.21); e, vedou o acesso a árvore da vida a fim de que o homem não tivesse a sua situação irremediável (Gn 3.22-24). No período antediluviano, Deus decretou que daria um tempo aquela geração de 120 anos até que viesse o dilúvio e consumisse a todos (Gn 6.3). Noé achou graça aos olhos de Deus (Gn 6.8), e o Senhor o livrou junto com a sua família daquela catástrofe (Gn 6.9). Quanto a Abraão foi imputada justiça mediante a fé, evidencia-se um claro sinal da graça (Gn 15.6; Rm 4.3-5). Até o pacto que Deus fez com Ele, não foi baseado em méritos, pois na ocasião, somente Deus passou por entre as metades dos animais (Gn 15.8-17).
  • Durante a Lei. Deus deu a Lei ao povo de Israel, mas sabia da incapacidade deles de observá-la em Sua plenitude, por causa de sua natureza pecaminosa (Sl 14.3; 143.2; Ec 7.20; Rm 7.14-23). Por isso, instituiu o sistema cerimonial de sacrifícios, a fim de proporcionar-lhes perdão por Sua graça (Êx 30.10; Lv 1.4; 4.2,14,21,24). Portanto, a provisão da graça para com o indigno transgressor da Lei existia desde o Antigo Testamento (Êx 33.13; Jr 3.12; 31.2). A passagem de Atos 15.10,11 confirma isso também.
  • Depois da Lei. Apesar de Deus ter sido gracioso em todas as eras anteriores, sempre oferecendo novas oportunidades para a obediência sob Suas novas condições, a Sua benevolência ilimitada foi totalmente derramada por meio de Jesus, nos primórdios deste novo tempo chamado de “dispensação da graça” (Ef 3.2). João diz que “[…] a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1.17-b). Paulo ensinou que Deus manifestou a Sua graça em toda a sua plenitude na Pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo (2 Co 8.9; 13.13; Gl 1.6; 6.18; Ef 2.7; Fp 4.23). O apóstolo Pedro também falou da “graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo” (1 Pe 1.13).

II – CARACTERÍSTICAS DA GRAÇA DIVINA

Paulo foi o principal instrumento humano para transmitir o pleno significado da graça em Cristo. Não é de admirar que mais tarde ele viesse a ser conhecido como “o apóstolo da graça” (SWINDOLL, 2009, p. 19). Com maestria, ele nos falou sobre a graça de Deus de forma abundante. Quase dois terços das ocorrências neotestamentárias de “charis”, normalmente traduzida por “graça”, se encontram em suas cartas. O termo se encontra em todas as treze cartas paulinas tradicionais e é bastante repetido em Romanos. Ele confessou que para isto foi chamado “para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At 20.24). Abaixo destacaremos algumas verdades sobre este maravilhoso favor divino:

  • A graça é um ato soberano (Rm 1.7; 5.15; Tt 2.11). Nos referidos textos, Paulo nos diz que a graça procede soberanamente de Deus. Isto porque o favor lhe pertence e vem dEle, como sua fonte originária (1 Co 15.10; Tt 2.11; 1 Pe 5.10). A graça de Deus brilhou sobre os que estavam nas trevas e na sombra da morte (Mt 4.2; Lc 1.79; At 27.20; Tt 3.4). “A graça divina é, então, Deus mesmo renunciando ao exercício do justo castigo por sua livre e soberana decisão” (ALMEIDA, 1996, p. 28).
  • A graça é imerecida (Rm 3.24; Ef 2.5.7-8). Para falar sobre este favor imerecido ao pecador, Paulo usa a seguinte argumentação: “Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Rm 4.4,5). O apóstolo deixou claro que a salvação é concedida ao homem sem ele merecer. Não há nada que o homem faça para o tornar digno de ser salvo, pois a graça aniquila qualquer obra que visa receber a salvação por mérito (Ef 2.9). A salvação não é uma recompensa por bom comportamento e o homem não tem condições de cumprir a Lei, por causa de seu estado de pecado (Is 64.6; Rm 7.14-21).
  • A graça é suficiente (Rm 3.24; Ef 2.8). Paulo nos mostra que a Lei não é suficiente para salvar o homem. Até porque seu propósito é revelar o pecado e não extirpá-lo (Rm 7.7). Todavia, a graça de Cristo fez por nós aquilo que a Lei nunca poderia (Rm 8.3). Embora a fé seja o caminho dado por Deus para a salvação, não é ela quem nos salva, mas a graça “Porque pela graça sois salvos” (Ef 2.8-a). Portanto, é pela graça, o favor imerecido de Deus, que ele nos concede a bênção da salvação (At 15.11; Rm 11.6).
  • A graça é imparcial (Rm 1.16; 3.29; 9.24). Desde o início, a proposta divina sempre foi estender a bênção da salvação a todos os homens indiscriminadamente (Gn 12.3; Gl 3.8). É errôneo pensar embora “todos pecaram” (Rm 3.23), somente os eleitos serão salvos. Em Tito 2.11 Paulo diz: “[…] a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens. A vinda do Messias mostra claramente que, Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9; 1 Pe 1.17). Portanto, a graça de Deus que nos é oferecida mediante o evangelho, é derramada sobre todos em pé de igualdade, ou seja ela contempla tanto judeus como gentios (Gl 3.14; Ef 6).
  • A graça é resistível (At 7.51; 18.5,6). A ideia de que a graça é irresistível está ligada a Agostinho. “De acordo com ele, a graça de Deus atua incondicional e irresistivelmente nos eleitos, garantindo a salvação deles, produzindo a reação favorável dos homens para com o evangelho e garantindo que essa reação seja absolutamente completa e eficaz” (CHAMPLIN, 2004, p. 957). Nenhum apóstolo ou pai da igreja jamais ensinou tal heresia, pelo contrário, a Bíblia, nos mostra que o homem pode por seu livre arbítrio aceitar ou rejeitar o plano divino para a sua salvação (At 4.4; 9.42; 13.46; 17.4). O povo de Israel é a maior prova de que a graça não é irresistível, pois o apóstolo João diz: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11). Jesus quando estava em frente ao Monte das Oliveiras declarou: “Jerusalém, Jerusalém, […] quantas vezes QUIS EU ajuntar os teus filhos, […] e TU NÃO QUISESTE!” (Mt 23.37). O escritor aos Hebreus por mais de uma vez disse: “[…] se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação […]” (Hb 3.15). Confira também (Hb 3.7,8; 4.7).

III – GRAÇA, A BASE DA SALVAÇÃO

Há quem defenda erroneamente que os crentes do AT eram salvos pela obediência a Lei, enquanto que os santos do NT são salvos pela graça, este é um grande erro. Nenhum homem poderá ser salvo por suas obras, mas somente e unicamente pela graça de Deus (At 15.11; Ef 2.8; Tt 3.7). Paulo enfatizou esta verdade citando dois exemplos do AT, a saber: Abraão e Davi (Rm 4.1-8). Jesus ensinou que: “aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível” (Mt 19.26). Paulo de igual forma asseverou: “Porquanto o que era impossível à lei, […] Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne” (Rm 8.3). O escritor aos Hebreus também atestou: “Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados” (Hb 10.4). Segundo Geisler (2010, p. 158), “apesar da fonte da salvação ser a decisão divina de nos salvar, a natureza da salvação é a graça de Deus. O dom magnífico da vida eterna somente chega até nós por intermédio da graça, e somente por ela”. É bom lembrar que todos os passos para a redenção do pecador são atribuídos à graça de Deus; a saber:

  • A eleição (Rm 11.5,6; Ef 1.4);
  • A regeneração (Gl 1.15,16);
  • A justificação (Rm 3.24; 5,16,18; Tt 3.7);
  • A santificação (1 Pe 5.10);
  • A glorificação (1 Pe 5.10).

CONCLUSÃO

A graça imensurável de Deus, sempre foi manifestada em todo decorrer da história humana. No entanto, por meio de Cristo Jesus, este ato soberano de Deus em relação ao homem caído em pecado, foi mais expressamente demonstrado, a fim de mudar a sua sorte e restaurar o que a Queda causou.

REFERÊNCIAS

  • ALMEIDA, Abraão de. O Sábado, a Lei e a Graça. CPAD.
  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário TeológicoCPAD.
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.
  • HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento. CULTURA CRISTÃ.
  • OLIVEIRA, Oséias Gomes. Concordância Bíblica Exaustiva Joshua. Vol. 03. CENTRAL
  • PFEIFFER, Charles F. et al. Dicionário Bíblico Wyclliffe.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo CPAD.
  • SWINDOLL, Charles R. Paulo. Paulo: um homem de coragem e graça. MUNDO CRISTÃO.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

A abrangência universal da Salvação

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4º TRIMESTRE 2017

A OBRA DA SALVAÇÃO

Jesus Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida

COMENTARISTA: Claiton Ivan Pommerening

LIÇÃO 06 – A ABRANGÊNCIA UNIVERSAL DA SALVAÇÃO – (Jo 3.16-18; 1 Tm 2.5,6)

INTRODUÇÃO

Nesta lição conceituaremos o termo expiação à luz das Escrituras, sendo este uma das palavras mais importantes referentes a salvação; destacaremos algumas razões pelas quais a obra substitutiva de Cristo foi necessária; bem como faremos alusão a conceitos equivocados sobre o alcance da salvação; e por fim, veremos evidências bíblicas a respeito da expiação universal ou ilimitada.

I – A EXPIAÇÃO À LUZ DAS ESCRITURAS

Um dos termos mais importantes atrelados à Doutrina da Salvação, é o termo expiação. De acordo com Andrade (2006, p. 181) expiação quer dizer: “Cancelamento pleno do pecado com base na justiça de Cristo, propiciando ao pecador arrependido a restauração de sua comunhão com Deus”. Como afirma o apóstolo João: “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado(1 Jo 1.7). Vejamos ainda alguns conceitos a respeito da expiação:

  • Conceito no Antigo testamento. O verbo “expiar” refere-se ao sacrifício para purificação e perdão dos pecados, cuja ideia é de cobrir com sangue: “porquanto é o sangue que fará expiação pela alma” (Lv 17.11) (SOARES, 2017, p. 61). Uma derivação do termo em hebraico é “kipper”, que quer dizer: (a) cobrir, isto é, perdoar o pecado (2Cr 30.18; Sl 65.4; 78.38; 79.9; Ez 16.63; Jr 18.23) e, (b) obter perdão (Êx 32.30; Lv 4.26; 5.26; Nm 6.11; Ez 45.20; Dn 9.24). De forma prática podemos afirmar que fazer expiação traz a ideia de unir duas partes que haviam sido inimigas, em um relacionamento de paz e amizade (VAILATTI, 2016, p. 17).
  • Conceito no Novo Testamento. O conceito de expiação no NT está relacionado basicamente a dois termos: “hilaskomai”, que significa: “propiciar, expiar, conciliar” (GEISLER, 2010, p. 205), utilizado duas vezes (Lc 18.13; Hb 2.17), e, “hilasmos”, que ocorre semelhantemente duas vezes como propiciação (1Jo 2.2; 4.10), onde é descrito a ação graciosa de Deus por meio da qual Ele remove a culpa do pecador (VAILATTI, 2016, p. 17 – acréscimo nosso).

II – A NECESSIDADE DA EXPIAÇÃO / SALVAÇÃO

 Universalidade do pecado. Há inequívocas declarações nas Escrituras que indicam a pecaminosidade universal do homem (Sl 14.3; 143.2; Ec 7.20; Rm 3.1-12, 19, 20, 23; Gl 3.22; Tg 3.2; 1Jo 1.8, 10). Várias passagens ensinam que o pecado é uma “herança” do homem desde a hora da sua concepção e seu nascimento, e, portanto, está presente na natureza humana (Gn 6.5). A Bíblia é muito explícita relativamente à extensão (universalidade) do pecado (Sl 51.5; Jó 14.4; Jo 3.6; Rm 5.12). Em Efésios 2.3 diz o apóstolo Paulo que os efésios eram: “por natureza” filhos da ira, como também os demais”. Nesta passagem a expressão “por natureza” indica uma coisa inata e original, em distinção daquilo que é adquirido (Is 53.6). Então, o pecado é uma coisa da própria natureza humana, da qual participam todos os homens e que os fazem culpados diante de Deus (Is 59.16; Rm 5.12-14), por isso, que todos os homens se acham sob condenação e necessitam da redenção (BERKHOF, 2000, p. 235).

  • O caráter de Deus. O Deus que é Santo no sentido absoluto (Is 6.3), não poderia agir com indiferença a respeito do pecado. Para Ele o pecado e o mal, são intoleráveis: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal […]” (Hc 1.13), por Sua justiça exigiria um substituto perfeito para expiar a culpa em nosso lugar (Is 53.5,6). Várias passagens falam da ira divina contra o pecado (Rm 1.18; 2.5,8; 5.9; 9.22; 12.19; Ef 2.3; 5.6; Cl 3.6; 1Ts 10; 2.16; 5.9), indicando que a santidade de Deus torna necessária a punição do pecado, implicando assim, na necessidade de que a ira sobre o pecado, seja aplacada através de um sacrifício perfeito e substitutivo (2Co 5.21).
  • A incapacidade do homem. Devido à pecaminosidade humana (Rm 3.10-12), jamais seria possível o homem atingir o padrão exigido por Deus: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia […]” (Is 64.6), para a expiação do pecado (Rm 3.19). Como afirma Rodman (2011, p. 307):“O homem é um pecador em escravidão. Ele é de fato escravo do pecado, sujeito a seus ditames e incapaz de se libertar do seu domínio”; por essa razão, Cristo Jesus, veio em forma humana com o propósito de fazer a reconciliação entre Deus e os homens: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção […]” (1Tm 2.5,6; ver 2Co 5.19).

III – FALSOS CONCEITOS SOBRE O ALCANCE DA SALVAÇÃO

  • Restrito a um grupo seleto de pessoas. Os que advogam esse tipo de conceito, afirmam de maneira equivocada que a morte de Jesus é expiatória a um número limitado de pessoas, as quais seriam chamadas de: “os eleitos”; nesse caso Ele não teria amado a todos com o mesmo amor, antes teria possibilitado a salvação apenas a alguns e não a todas as pessoas, sendo, portanto uma “expiação limitada”. Tal afirmação não tem nenhuma sustentação bíblica, ainda que as Escrituras afirmem ser verdade que Cristo tenha morrido pelas suas ovelhas (Jo 10.15), amigos (Jo 15.13), e igreja (Ef 5.25), em nenhum momento se é dito que Ele morreu “somente ou apenas” por estes, da mesma forma que não se pode inferir que Cristo morreu apenas por Paulo (Gl 2.20), por sinal, nesses textos não aparecem em nenhum caso o termo grego “monos”, que quer dizer: “somente, apenas” (VAILATTI, 2016, pp. 63,64), somando-se a isso a Bíblia diz em outros lugares que Jesus morreu pelos ímpios (Rm 5.6), pelos pecadores (Rm 5.8), pelos pecados do mundo inteiro (1Jo 2.1-2).
  • Universalismo. Derivado da palavra “apokatastasis”, isto é, “restauração” (At 3.21); é a ideia de que ao final, todas as pessoas serão salvas […] um conceito considerado herético e condenado no Concílio de Constantinopla no ano 553 d.C. (GEISLER, 2010, p. 301). Os que defendem esse pensamento apelam para o Amor de Deus, que é tão perfeitamente bom e perfeitamente soberano que não é possível que Ele sofra a derrota de permitir que uma de Suas criaturas acabe sendo punida eternamente (WILMINGTON, 2015, p. 603). Algo que deve ser considerado é: “que Cristo provou a morte por cada homem (Hb 2.9), não significa automaticamente que todos são libertos da morte eterna, a pena para o pecado, em nenhum lugar a Bíblia diz isso. Os pecadores são convidados e instados a virem a Cristo e crerem Nele. Essa é a responsabilidade do pecador, algo que ele ‘deve fazer’ para ser salvo” (At 16.30) (HUNT, 2015, p. 429 – acréscimo nosso); portanto, o conceito universalista não tem fundamentação nas Escrituras, pois: (a) se opõe a justiça de Deus, que conforme sua natureza deve punir aos que vivem em pecado e em rebelião contra Ele,(Rm 5.9; 9.22), (b) contradiz a condicionalidade da salvação, onde se deve crer para ser salvo (At 2.38; 16.31; Ef 2.8); e, (c) é contrário ao ensino bíblico acerca do Inferno que é um lugar de punição eterna para Satanás e seus anjos, e a todos que morrerem na impiedade (Mt 25.41; Ap 20.10; 2Pd 2.4; Mt 10.28; 23.33; Ap 22.15).

IV – A ABRANGÊNCIA UNIVERSAL DA SALVAÇÃO

  • Pronunciada no Antigo Testamento. Desde o início, a proposta divina sempre foi estender a bênção da salvação a todos os homens indiscriminadamente o que deixou claro por meio da promessa feita a Abraão: “[…] e em ti serão benditas todas as famílias da terra(Gn 12.3; Gl 3.8). Na inclusão de estrangeiros na celebração da Páscoa ou na adoração a Deus de uma maneira geral, por meio de uma condição, a circuncisão (Êx 12.48; Nm 15.14; 2Cr 6.32). A provisão do AT pelo pecado e salvação foi para todo o Israel, e não para um eleito especial entre eles. A desobediência e a incredulidade foram as únicas barreiras que separaram cada israelita da graça de Deus (2Cr 29.24; Ed 8.35; Ml 4.4) (HUNT, 2015, p. 425). Destacamos ainda Deus dando garantia e extensão de salvação a todas as pessoas: “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” (Is 45.22), como também na descrição do alcance da ação messiânica: “Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra” (Is 49.6; ver Is 53.6).
  • Reafirmada no Novo testamento. A vinda do Messias mostrou claramente que, Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9; 1Pd 1.17). Sua graça alcança os judeus e os gentios (Rm 3.29; 9.24,30; Gl 3.14; Ef 3.6), não é limitado a um grupo seleto de pessoas, pois as Escrituras afirmam que Jesus se deu como resgate por todos (1Tm 2.6); e, que provou a morte por todos: “[…] Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos(Hb 2.9) (ver Jo 7.37; 1Tm 4.10; 2Pd 3.9; 1Jo 1.9 – 2.2; 4.14). Diante disso podemos afirmar que: (a) a necessidade de salvação é universal: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores (1Tm 1.15), ou seja, por todas as pessoas, visto que todos são pecadores (Rm 3.23; 5.12); (b) a salvação é universal: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego(Rm 1.16); (c) a expiação é universal (ilimitada): “[…] Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo(Jo 1.29); (d) a graça é universal: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens(Tt 2.11); (e) o amor é universal: “Porque Deus amou o mundo […]” (Jo 3.16); e, (f) o evangelho é universal: “[…] Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura(Mc 16.15); “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações(Mt 28.19).

CONCLUSÃO

Apesar da Queda da raça humana, Deus, por Sua maravilhosa graça decidiu soberanamente salvar o homem caído em pecado, por meio de Jesus Cristo. Esta salvação alcança a todos os homens indistintamente como prova do grande Amor de Deus (Jo 3.16).

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Editora Cultura Cristã.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática.
  • HUNT, Que Amor é este? A falsa representação de Deus no Calvinismo. REFLEXÃO.
  • RODMAN, J. Williams. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal.
  • SILVA, Esequias Soares da (Org.). Declaração de Fé das Assembleias de Deus.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD
  • WILLMINGTON, Harold L. Guia de Willmington para a Bíblia. vol 1. ACADÊMICO
  • VAILATTI, Carlos, Augusto. Expiação Ilimitada. REFLEXÃO.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

A obra salvífica de Jesus Cristo

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4º TRIMESTRE 2017

A OBRA DA SALVAÇÃO

Jesus Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida

 

COMENTARISTA: Claiton Ivan Pommerening

LIÇÃO 05 – A OBRA SALVÍFICA DE JESUS CRISTO – (Jo 19.23-30)

INTRODUÇÃO

Estudaremos nesta lição os quatro aspectos da obra salvífica de Jesus, a saber: substitutiva, redentora, reconciliadora e propiciatória; pontuaremos também os resultados desta grande obra salvadora; e por fim, veremos quais as condições para obra salvífica de Jesus na vida do homem apontando a “ordem da salvação” a partir do sinergismo bíblico.

I – ASPECTOS DA OBRA SALVÍFICA DE JESUS

A palavra “salvação” vem da tradução da expressão grega “soterion” que significa: “ser tirado de um perigo; livrar-se; escapar”. A Bíblia fala da salvação como libertação do perigo de uma vida sem Deus (At 26.18; Cl 1.13). A palavra “salvação”, também tem o sentido de “tornar ao estado perfeito”, ou “restaurar o que a Queda causou”. A salvação, portanto, é um dom de Deus (Rm 6.23) concedido por sua graça (Rm 5.15), e que se destina a todos os homens (Jo 3.16,17; Tt 2.11). Podemos considerar quatro significados principais para essa obra salvífica de Jesus. Notemos:

  • A obra salvífica de Jesus foi substitutiva. Quando o homem caiu e se afastou de Deus, ficou em débito eterno para com Deus. O homem, por si só não poderia resolver seu problema ou pagar sua dívida diante de Deus, a não ser que um “substituto” fosse providenciado, o que está fora do alcance do homem conseguir. Essa atividade, dentro da Teologia, é chamada de “expiação vicária”, que pode ser entendida como “substituição penal” (2Co 5.14, 15,21). A Bíblia ensina que os sofrimentos e a morte de Cristo foram vicários por todos os homens, pois Ele tomou o lugar dos pecadores, e que a culpa deles lhes foi “imputada” e a punição que mereciam foi transferida para Ele (Lv 1.2-4; 16.20-22; 17.11; Is 53.6,12; Mt 20.28; Mc 10.45; Jo 1.29; 11.50; Rm 5.6-8; 8.32; 2Co 5.14, 15, 21; Gl 2.20; 3.13; 1Tm 2.6; Hb 9.28; 1Pd 2.24) (RYRIE, 2017, p. 331).
  • A obra salvífica de Jesus foi redentora. A redenção é um aspecto da morte de Cristo sobre a cruz, que é ligado ao pecado e restrito em seu significado. Como substituição tem o sentido de assumir a culpa, a redenção tem sentido de pagar essa culpa assumida. Ou seja, a redenção é aplicada no que diz respeito ao pecado e o débito que ele causa, que pode apenas ser pago com sangue (Hb 9.22 cf. Lv 17.11). Logo, para que o preço de pecado pudesse ser pago, era necessário derramamento de sangue de um cordeiro sem máculas (Jo 1.29; cf. Is 53.9; 1Pd 2.21-22). A ideia expressa nesse contexto é de prover liberdade através do pagamento de um resgate (Rt 3.9; Os 3.15; Is 43.3,10-14). Cristo é o Redentor da Raça humana e a ideia expressa é de comprar (Mt 13.44, 46; 14.15; Mc 6.36; Lc 9.13; cf. Gn 41.57, 42.5,7; Dt 2.6). “Por que fostes comprados por preço”. A ideia presente neste texto aponta para uma compra de alto valor (1Co 7.23). Assim, podemos concluir que essa compra implicou no pagamento de um preço alto (2Pd 2.1), que é o sangue do próprio Messias (Ap 5.9,10). Assim, por meio do pagamento, o redimido é desatado e está livre (CHAFER, 2010, vol.3, p. 99).
  • A obra salvífica de Jesus foi propiciatória. Deus demonstra sua justa ira para com o pecado (Jo 3.36; Rm 1.18-32; Ef 2.3; 1Ts 2.16; Ap 6.16; 14.10,19; 15.1,7; 16.1; 19.15), de forma que, qualquer que seja a atitude desse Deus absolutamente Santo contra o pecado, é completamente justo e aceitável, pois, devido a seu caráter Santo, não pode deixar impune o mal, nem tão pouco fingir que ele não existe, ou que não tem importância. Contudo, em Cristo é providenciada uma oferta “propiciatória” e assim a ira de Deus contra o pecado é apaziguada (Rm 3.25; 1Jo 2.1-2; 4.10 cf. Êx 25.17-22; Lv 16.14.15) (CHAFER, 2010, p. 99).
  • A obra salvífica de Jesus foi reconciliadora. A ideia de reconciliação é completamente neotestamentária, e só pode ser real por meio da Obra de Cristo. A reconciliação é necessária pelo fato de que o homem sem salvação vive em uma relação de inimizade e hostilidade com Deus (Rm 5.9,10; 2Co 5.18-21), e, como inimigo de Deus está plenamente passível de sofrer a manifestação de sua Ira. Vemos que Deus propõe uma resolução para esse problema por meio da morte do Senhor Jesus. Assim, fomos aproximados a Deus, pois Cristo mudou completamente nosso estado anterior de inimizade e substituiu por um de Justiça e de completa harmonia com Deus (Rm 11.15; 2Co 5.18-21; Ef 2.16; Cl 1.20-21).

II – RESULTADOS DA OBRA SALVÍFICA DE JESUS

Diante dos principais significados da Obra de Cristo a nosso favor é necessário demonstrar que tal Obra tem consequências diretas àqueles que são beneficiados por ela. Vejamos:

  • Justificação. Do grego “dikaiosis”, significa “declarar justo”. A expressão “justificar” carrega o sentido de declarar justo diante de Deus o pecador. Isso não significa que uma pessoa, ao ser declarada justa, seja absolutamente sem falhas, mas que a partir desse momento ela é posicionalmente justa, ou livre de culpa do pecado. “A justificação é o pronunciamento do juiz justo de que o homem em Cristo é justificado; mas esta justiça é uma questão de relacionamento, e não de caráter ético”. A Justificação é um empreendimento do próprio Deus, e aparece como um ato da livre graça de Deus, pela qual Ele perdoa todos os nossos pecados, e nos aceita como justos à sua vista, somente pela justiça de Cristo, imputada a nós, e recebida pela fé somente. É notório que existe uma ligação entre a Justificação e a Lei, por conseguinte com um Juiz, pois Deus não é apenas o legislador, mas o Justo Juiz (2Tm 4.8; Tg 5.9). Logo, o sentido forense da expressão está completo. Diante do Juiz, o justificado tem acesso pela fé a esta graça (Rm 5.2; 9.30), desfruta de um relacionamento de paz com Deus (Rm 5.1) e implica na demonstração de uma conduta concernente com a Nova Posição (Rm 6.7; Tg 2.24) (LADD, 2000, p. 414).
  • Regeneração. Deriva-se do grego “palingenesia” e significa: “gerar novamente” ou “nascer de novo”. É o milagre que acontece na vida daquele que recebe a Cristo, tornando-se participante da vida e da natureza divina. Através da regeneração, ou novo nascimento como também é conhecida, o homem passa a desfrutar de uma nova vida espiritual (Jo 3.1-8; Tt 3.5; 2Pd 1.4; 1Jo 5.11) e torna-se uma nova criatura (2Co 5.17; Cl 3.10). O resultado da regeneração é a mudança de condição – de servo do pecado e do Diabo para filho de Deus (Jo 1.12,13; 3.3; Tt 3.5).
  • Santificação. Santificação é a obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, habilitados a morrer cada vez mais para o pecado e a viver para a retidão. Santificação é o estado de ser separado permanentemente para Deus, e aflora desde a cruz, onde Deus, em Cristo, nos comprou e nos conduziu para Ele (At 20.28; 26.18; Hb 10.10). Santificação implica em renovação moral (Rm 8.13; 12.1-2; 1Co 6.11, 19-20; 2Co 3.18; Ef 4.22-24; 1Ts 5.23; 2Ts 2.13; Hb 13.20-21). O conceito correto de santificação repousa sobre uma tensão muito grande: É uma obra da graça de Deus, mas exige busca pessoal do cristão. Uma ênfase demasiada no primeiro lado dessa tensão, conclui-se que a santificação é passiva. Da mesma sorte, uma ênfase demasiada no segundo lado dessa tensão, a santificação passa a ser encarada com um grau meritório, e fruto apenas do esforço humano, o que é impossível. Por isso, deve-se admitir que a santificação é uma obra sobrenatural (1Ts 5.23; Ef 26; Tt 2.14; Hb 13.20, 21) da qual o cristão participa ativamente (Gl 5.16,25; Fp 2.12,13; Rm 8.13; 12.1,2,9,16,17).
  • Adoção. Adoção era ordinariamente de homens jovens de bom caráter, que se tornavam os herdeiros e mantinham o sobrenome dos ricos sem filhos. Porém, o NT proclama a adoção corteza de Deus a pessoas de mal caráter para se tornar os herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo (Rm 15,17; Gl 3.26, 27; 4.5,6; 1Jo 3.1). Em uma cerimônia legal, ao filho adotado era concedido todos os direitos de um filho natural. Não existe dignidade suficiente no homem que o faça merecer tão graciosa obra da salvação (Ef 1.5; Gl 4.5; Rm 8.15) (ENNS, 1998, p. 35). Segundo Hendriksen, a adoção vai ainda um pouco além, pois: “ela outorga não apenas um novo nome, um novo status legal e uma nova relação familiar, mas também uma nova imagem, a imagem de Cristo (Rm 8.29)”. O adotado não tem nenhum mérito pela escolha do “adotador”, pois a soberania divina exclui com eficácia qualquer mérito (Gl 3.26; 4.4-7). O status de adotado pertence a todos que recebem o Cristo por livre escolha (Jo 1.12). Adoção e regeneração acompanham um ao outro como dois aspectos da salvação (Jo 1.12-13) (FOULKES, sd, p. 41).
  • Glorificação. Do grego “endoxazo” significa: “ato ou efeito de glorificar”. No plano da salvação, a glorificação é a etapa final a ser atingida por aquele que recebe a Cristo como Salvador e Senhor de sua alma (Rm 8.17). No plano da salvação, a glorificação é a etapa final a ser atingida por aquele que recebe a Cristo como Salvador e Senhor de sua alma. O texto de ouro de nossa glorificação encontra-se em 1 João 3.2, que diz: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos”. A Glorificação é o estágio final da salvação e é aplicado a todos os salvos incondicionalmente (1 Co 15.51-54).

III – ETAPAS PARA A OBRA SALVÍFICA DE JESUS

A salvação é um processo de sinergismo, do grego “syn” (união, junção) e “ergía” (unidade de trabalho), que significa um trabalho realizado em conjunto. Da perspectiva da doutrina da salvação é a afirmação de que Deus e o homem “cooperam” para a salvação. Existe um amplo fundamento bíblico em favor do sinergismo, ou seja, de que Deus e homem cooperam para a salvação pessoal, ou seja, que dádiva (Deus) e esforço (homem) estão presentes. As Escrituras apresentam a fé, o arrependimento e a conversão como condições da salvação (Mc 16.16; At 2.38; 3.19; 16.31; 22.16). A “ordo salutis” (ordem de salvação) é o nome latino que se dá a organização lógica e cronológica. Vejamos o significado de cada uma delas:

  • Fé. No hebraico significa “buscar refúgio”, é um ato de crer e confiar (Rt 2.12), se apoiar (Sl 56.3), esperar (Jó 35.14). Já no Novo Testamento, a fé é a “condição estabelecida por Deus a todos aqueles que se aproximam de Deus”. “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6). Fé é um dom de Deus (Rm 12.3, 2Pd 1.1), e no lado humano a fé é produzida pela Palavra de Deus (Rm 14,17; Jo 5.47; At 4.4). “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8).
  • Arrependimento. É a forma de perceber e depois mudar de mente ou propósito. No grego “metanóia” significa uma mudança de ideia, é ter a tristeza pelo ato de pecar, buscando arrepender-se e com o esforço de não mais praticá-lo. Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento(Lc 5.32). Arrependimento era a mensagem dos profetas no AT (Dt 30.10; 2Rs 17.13), também foi o ponto alto da pregação de João Batista (Mt 3.2; 4.17; Mc 1.15), de Jesus Cristo (Mt 4.17; Lc 13. 3,5), dos apóstolos (Mc 6.12; At 2.38; 3.19). O arrependimento é definitivamente uma ordem a todos os homens (At 2.38; 3.19; 17.30).
  • Conversão. É o ato de abandonar o pecado, buscando viver uma vida de regeneração e transformação pelo Poder de Deus. “Testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (At 20.21). A Salvação foi planejada por Deus Pai (Ap 13.8 e 1Pd 1.18-20), o Filho consumou-a (Jo 19.30 e Hb 5.9), e o Espírito Santo aplicou ao pecador (Jo 3.5; Tt 3.5 e Rm 8.2), e tudo por graça (Ef 2.8).

CONCLUSÃO

A obra salvífica de Cristo custou um alto preço ao nosso Senhor – seu próprio sangue derramado na cruz. Sua obra nos garante a salvação porque foi uma oferta completa, perfeita e definitiva. Por causa dessa entrega de amor, temos a garantia da vida eterna e, antecipadamente, podemos desfrutar, neste mundo, dos benefícios dessa salvação.

REFERÊNCIAS

  • GILBERTO, ,    et    al.     Teologia    Sistemática Pentecostal. CPAD.
  • HORTON     M.    Teologia    Sistemática:    Uma Perspectiva Pentecostal. CPAD.
  • STAMPS, D. C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • RYRIE, Charles. Teologia Básica. Mundo Cristão.
  • CHAFER, Lewis Sperry, Teologia Sistmática.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Salvação – o amor e a misericórdia de Deus

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4º TRIMESTRE 2017

A OBRA DA SALVAÇÃO

Jesus Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida

COMENTARISTA: Claiton Ivan Pommerening

LIÇÃO 04 – SALVAÇÃO – O AMOR E A MISERICÓRDIA DE DEUS – (1 Jo 4.13-19)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição falaremos acerca de duas características morais de Deus: o amor e a misericórdia de Deus; inicialmente traremos uma definição sobre estas virtudes; falaremos sobre o amor e a misericórdia divina e suas características; e, por fim, veremos como estas virtudes se manifestaram de forma mais expressiva em Cristo Jesus.

I – DEFINIÇÕES

  • Definição da palavra amor. A palavra “amor” ocorre na Bíblia 276 vezes. No AT: 123 ; e no NT: 153 (JOSHUA, sd, 183). Teologicamente o amor é a “virtude que nos constrange a buscar, desinteressada e sacrificialmente, o bem de outrem” (ANDRADE, 2006, p. 42). Biblicamente, o termo hebraico básico para “amor” é “hesed”, que utilizado para Deus, significa “amável benignidade” ou “suave e amável benignidade”. A palavra grega “ágape”, utilizada para se referir ao amor divino, significa amor “não-egoísta” ou “sacrifical” (GEISLER, 2010, p. 93 – acréscimo nosso).
  • Definição da palavra misericórdia. A palavra “misericórdia” ocorre na Bíblia 158 vezes. No AT: 99 ; e no NT: 59 (JOSHUA, sd, p. 977). A palavra hebraica para misericórdia é “rahamîm” que significa: “entranhas, misericórdias, compaixão”, esta mesma expressão é traduzida para o grego por “eleõ” mostrar generosidade, mediante beneficência ou ajuda (VINE, 2001, pp. 73,480). Teologicamente diz respeito a “uma compaixão suscitada pela miséria do próximo” (ANDRADE, 2006, p. 266 – acréscimo nosso). Gilberto (2008, p. 76) acrescenta dizendo que: “misericórdia é o termo teológico para compaixão; trata-se da disposição de Deus para socorrer os oprimidos e perdoar os culpados”.

II – O AMOR DE DEUS

A Bíblia diz que Deus é amor (1 Jo 4.8,16); que Seu amor é grande (1 Jo 3.1); que é eterno (Jr 31.3) ; que foi provado (Rm 5.8); derramado (Rm 5.5); e, ainda elenca diversas características deste amor. Vejamos:

  • Amor incondicional. Diferente do amor humano que é condicional, o amor divino é superior pois manifesta-se de forma incondicional: “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro” (1 Jo 4.19). A palavra grega usada para descrever o amor de Deus pelo homem é “ágape”. Esse tipo de amor é absolutamente singular, já que ele não depende da beleza do objeto a ser amado. Naturalmente, o amor humano não funciona dessa maneira. Nós amamos outras pessoas porque elas nos amam ou porque vemos nelas alguma beleza ou valor. Deus nos ama independente do nosso amor: “Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós […]” (1 Jo 4.10). Portanto, o amor de Deus por nós não foi motivado por algum amor anterior da nossa
  • Amor imparcial. Desde o início, o propósito divino era revelar o Seu amor e estender a bênção da salvação a todos os homens indiscriminadamente, pois Ele não faz acepção de pessoas (Dt 10.17; At 10.34; Rm 2.11). A vinda do Messias ao mundo mostrou claramente isso (At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9). É necessário entender que: (a) Deus amou o mundo e não apenas uma classe de pessoas (Jo 3.16); (b) o sacrifício de Jesus não alcança apenas um povo, mas o mundo todo (Jo 1.29; 1 Jo 2.2); (c) sua graça alcança tanto os judeus como os gentios (Rm 3.29; 9.24,30; Gl 3.14; Ef 3.6); (d) a ordem de levar as boas novas de salvação é extensiva até aos confins da terra (Mt 28.19; Mc 16.15; At 8).
  • Amor imensurável. Jesus disse a Nicodemos com uma intensidade incalculável “Deus amou o mundo de tal maneira […]” (Jo 3.16). A expressão “tal” segundo o Aurélio (2004, p. 1908) significa: “análogo, semelhante”. A ideia de Jesus é dizer que não há nada com que possa ser comparado (Jo 15.13). Paulo disse que Deus amou tanto o homem que “[…] que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós […]” (Rm 8.32); e ainda falou sobre o “[…] seu muito amor com que nos amou” (Ef 2.3). O apóstolo João, por sua vez, afirmou: “Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai […]” (1 Jo 3.1). Seu amor é maior que de uma mãe por seu próprio filho (Is 15).
  • Amor incompreensível. Há dois questionamentos que geralmente as pessoas fazem em relação ao amor divino. O primeiro: é como Deus pode nos amar? A Bíblia mostra que Deus decidiu nos amar (Jo 3.16). Thiessen (1986, p. 83) diz que o amor de Deus “não é um impulso emocional, mas uma afeição racional e voluntária, sendo fundamentada na verdade e santidade e no exercício da livre escolha”. O segundo questionamento que alguém poderá fazer é: como pode Deus sendo amor, condenar os que o rejeitam? É necessário entender que o pecado tem origem no homem e este por sua vez, foi quem se condenou quando deliberadamente optou por pecar (Gn 2.16,17; Ez 18.4; Rm 6.23-a). Deus como o Grande Legislador e Juiz apenas julgará e condenará o homem por seus próprios atos (At 17.31; Rm 2.16). Portanto, o amor de Deus está em pleno acordo com a retidão e a justiça das exigências de castigo para o pecador. “Se o amor não incluir a justiça, ele não passa de sentimentalismo” (WILMINGTON, 2015, p. 15).

III – A MISERICÓRDIA DE DEUS

O AT diz que as misericórdias do Senhor são muitas (1 Cr 21.13; Sl 51.1; 119.156); são grandes (Nm 14.19; Ne 9.31; Sl 57.10; 103.11); são eternas (Sl 25.6; 100.5; 103.17; 106.1); são boas (Sl 109.21); imutáveis (Is 54.10); são a causa de não sermos consumidos (Lm 3.22). Jesus disse que “o Pai é misericorioso” (Lc 6.36). Paulo disse que esta misericórdia Ele estendeu a todos os homens indistintamente (Rm 11.32); que os gentios devem glorificar a Deus porque foram pela misericórdia incluídos no plano da salvação (Rm 15.9). É dito que Deus é riquíssimo em misericórdia (Ef 2.4). Vejamos algumas verdades sobre a misericórdia divina:

  • A misericórdia é uma atitude opcional de Deus. Assim como o amor é uma atitude voluntária de Deus em relação ao homem, o mesmo se diz da misericórdia. Ele não é constrangido a agir de forma misericordiosa, quando faz, o faz porque quer (Ne 9.31; Sl 78.38; Jn 4.2). Ele disse: “[…] e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer” (Êx 19).
  • A misericórdia é um ato gracioso de Deus. No NT a palavra misericórdia é muitas vezes mencionada ao lado da graça de Deus (1 Tm 1.2; 2 Tm 1.1; Tt 1.4). Segundo Vine (2002, p. 183) a mesma palavra hebraica para graça “hesed” também pode é traduzida como “misericórdia”, dando a entender que ambas são correlatas, porém distintas. Pode-se dizer que “a graça e a misericórdia são lados diferentes da mesma moeda. A misericórdia é o ato de conter a punição merecida, enquanto a graça é o ato de conceder o favor não merecido. Portanto, a misericórdia garante que o pecador não receba o que merece, a saber, o castigo, ao passo que a graça garante que ele receba aquilo que ele não merece, a saber, a benção” (WILMINGTON, 2015, p. 14).
  • A misericórdia é oposta ao merecimento. Sempre que a Bíblia fala da misericórdia mostra-a sendo exercida por Deus em relação as pessoas que não merecem, por isso ela sempre aparece ao lado do perdão “O SENHOR é longânimo, e grande em misericórdia, que perdoa a iniquidade e a transgressão […]” (Nm 14.18-a). O pecado torna o homem indigno das bençãos divinas, no entanto, pela misericórdia, Deus dispensa seus favores para que o homem mesmo nesta condição, retendo a Sua ira (Nm 14.19; 2 Sm 24.14; 1 Rs 8.50; Ne 9.31; 25.7; 51.1). “A misericórdia susta a penalidade que deveria cair sobre o pecador e abre caminho para a obra da graça começar a atua nele” (CAMPOS, 2002, p. 292).

IV – O AMOR E A MISERICÓRDIA REVELADAS EM CRISTO JESUS

Embora a narrativa bíblica nos mostre, em diversos momentos, Deus revelando o Seu amor e a Sua misericórdia com o homem, a nação de Israel e com os gentios, houve um momento histórico em que estas duas virtudes foram evidenciadas como nunca antes, quando Jesus Cristo foi enviado ao mundo para morrer pelos pecadores. Todos os homens, sem exceção, estão sentenciados ao castigo eterno (Rm 3.23; 6.23-a). No entanto, a Escritura nos mostra que a atitude de Deus em relação a humanidade culpada foi diferente da esperada. Vejamos:

  • Jesus Cristo, a expressão máxima do amor divino. No NT encontramos Jesus afirmando a Sua vinda ao mundo, constitui-se na expressão máxima do amor divino “[…] Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito […]” (Jo 3.16-a). Paulo, por sua vez, afirmou que “[…] Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8). Ele ainda afirma que a entrega de Cristo para morrer por ele constitui-se na prova do Seu amor: “[…] o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2.20). E, também: “[…] Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós […]” (Ef 5.2); e ainda: “[…] Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela […]” (Ef 5.25). Pedro, assevera que Jesus foi: “[…] manifestado nestes últimos tempos por amor de vós” (1 Pe 1.20). O apóstolo João por sua vez nos diz: “[…] ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4.10); e, também: “Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos” (1 Jo 9).
  • Jesus Cristo, a expressão máxima da misericórdia divina. Em Sua misericórdia Deus se revela um Deus que tem compaixão dos que se acham na miséria e está sempre pronto a aliviar a sua desgraça. Por causa desta misericórdia, Deus enviou a Jesus Cristo para morrer no lugar do seu povo e, assim, livrou-os de receber pessoalmente a condenação que mereciam (Lc 1.78), pois Ele é o Pai das misericórdias (2 Co 1.3). Portanto, a vinda de Cristo é a manifestação suprema da misericórdia para nos salvar: “[…] segundo a sua misericórdia, nos salvou […]” (Tt 3.5). Paulo ainda diz que: “Deus, que é riquíssimo em misericórdia […]” (Ef 2.4,5). E, também “[…] Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” (Rm 11.32). Definitivamente: “[…] a misericórdia triunfa do juízo” (Tg 13).

CONCLUSÃO

Embora o homem tenha se distanciado de Deus por causa do pecado, Ele decidiu amar e usar de misericórdia, por meio de Cristo Jesus, a fim de salvar a raça humana.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.CPAD.
  • FERREIRA, Aurélio     Buarque     de         Novo Dicionário da Língua Portuguesa. POSITIVO.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática.
  • OLIVEIRA, Oséias Gomes. Concordância Bíblica Exaustiva Joshua. Vol. 03. CENTRAL GOSPEL.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo CPAD.
  • VINE, W.E, et al. Dicionário Vine.
  • WILLMINGTON, Harold L. Guia de Willmington para a Bíblia. Vol. 01. ACADÊMICO.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

A Salvação e o advento do Salvador

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4º TRIMESTRE 2017

A OBRA DA SALVAÇÃO

Jesus Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida

COMENTARISTA: Claiton Ivan Pommerening

LIÇÃO 03 – A SALVAÇÃO E O ADVENTO DO SALVADOR – (Jo 1.1-14)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição destacaremos que o advento do Salvador é um fato incomparável; elencaremos algumas importantes verdades sobre a encarnação do Verbo, à luz do Evangelho escrito pelo apóstolo João; e por fim, pontuaremos alguns propósitos para o aparecimento de Cristo na história da humanidade.

I – O NASCIMENTO DE JESUS, UM ADVENTO INCOMPARÁVEL

De acordo com o dicionário Houaiss (2001, p. 94), o termo advento significa: “aparecimento, chegada de (alguém ou algo)”. O nascimento de Jesus é um advento incomparável na história da humanidade. Sobre o aparecimento de Cristo Brunelli afirma: “Tanto a chegada de Jesus a este mundo como a Sua saída ocorreram atipicamente. Esses acontecimentos (nascimento, ressurreição e ascensão) comprovam que Jesus não era uma pessoa comum” (2016,vol. 2, 50). Seu nascimento é um marco para a humanidade, um divisor de águas; tanto é fato que, ao nos reportarmos a eventos passados da história, usamos frequentemente a expressão: “antes de Cristo” (a.C.) e, “depois de Cristo” (d.C.). Notemos aspectos desse advento, que o tornou incomparável:

  • Um cumprimento profético. Desde o início das Escrituras vemos Deus prometendo enviar seu Filho ao mundo, começando pelo proto evangelho (Gn 3.15), e continuando por todo o AT. Isaías denominado o profeta messiânico assim declarou sobre o nascimento do Salvador: “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel” (Is 7.14; ver Is 9.6). Há mais de trezentas referências do AT que se cumpriram em Jesus. Vejamos algumas:

PROFECIA

PROFETIZADO EM:

CUMPRIDO EM:

O Messias nascido da semente da mulher

Gn 3.15

Gl 4.4

O Messias nasceria de uma virgem

Is 7.14

Mt 1.18; Lc 1.26-35

O Messias seria descendente de Abraão, Isaque e Jacó

Gn 12.3; 17.19; 28.14

At 3.25; Lc 3.23; Mt 1.1-13

O Messias descenderia da tribo de Judá

Gn 49.10; Sl 2.6-9

Lc 3.33,34; Mt 1.2-3

O Messias descendente de Davi e herdeiro do trono

2Sm 7.12-13; Sl 132.11; Jr 23.5

Mt 1.1,6

O Messias nasceria em Belém

Mq 5.2

Mt 2.1-2

O Messias seria chamado do Egito

Os 11.1

Mt 2.15

  • Uma concepção sobrenatural. A concepção de Jesus foi proveniente de uma ação miraculosa de Deus por meio do Espírito Santo no ventre da jovem Maria (Mt 1.18,20; Lc 1.34,35). O mesmo Espírito que no princípio pairava sobre as águas no relato da criação (Gn 1.2), semelhantemente de maneira maravilhosa, agiu na encarnação de Cristo. A respeito do advento de Jesus, o apóstolo Paulo diz: “[…] grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória” (1Tm 3:16).
  • Um nascimento natural. Apesar da concepção de Jesus ter sido sobrenatural, o seu nascimento aconteceu de maneira natural como qualquer outra pessoa. Maria teve uma gestação comum (biologicamente) a qualquer mulher de sua época, por isso é dito que Ele era nascido de mulher (Lc 2.4,5; Gl 4.4). Para os que viviam em Nazaré e desconheciam a sua procedência divina, o nazareno era tão somente um dos filhos de José (Lc 4.22; ver Lc 3.23). Essa informação nos ajuda a entender que sua plena humanidade seria evidente a partir de seu nascimento humano comum, e a sua plena divindade seria evidente a partir do fato de sua concepção no ventre de Maria pela obra poderosa do Espírito Santo (GRUDEM, 2007, p. 250).

II – A ENCARNAÇÃO DO VERBO

  • O fato da encarnação. No início da narrativa do Evangelho, o apóstolo João afirma: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós […]” (Jo 1.14-a). O que significa dizer que Cristo, o Deus eterno, tornou-se humano (Fp 2.5-9). A doutrina da encarnação do “Verbo Divino”, excede todo o entendimento humano. Desse milagre depende a essência do Evangelho. Foi por meio desse milagre que Deus introduziu no mundo o Primogênito (Hb 1.6); que Jesus veio em semelhança de carne (Rm 8.3), foi feito “descendência de Abraão” (Hb 2.16), “em tudo […] semelhante aos irmãos” (Hb 2.17). A encarnação deu a Jesus condições de ser o Mediador entre Deus e os homens (1Tm 5) e ser o fiel sumo sacerdote, para expiar os pecados do povo (Hb 2.17). Os gnósticos (grupo herético do 1º e 2º século), da época do apóstolo João, afirmavam que não houve uma encarnação real, pois pensavam que o corpo de Jesus fosse apenas uma “semelhança”. Para eles, Cristo era, no máximo, uma teofania (uma aparição de Deus em forma humana). Alegavam que o Verbo nunca se tornou carne, realmente. Em oposição, João fez uma declaração simples, direta e poderosa: “O Verbo se fez carne” (1Jo 4.2; 2Jo 7) (BEACON, 2006, p. 30).
  • A rejeição do Verbo. A nação que examinava as Escrituras e que aguardava a vinda do Messias, orando ardentemente por este acontecimento, cantando e profetizando acerca de sua vinda, não o reconheceram e nem o receberam quando Ele veio: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11; ver Lc 19.14). O que João nos ensina claramente é que Deus oferece a salvação por seu Filho Jesus a todas as pessoas (Jo 1.9; 3.16), porém, esse presente pode ser rejeitado (At 7.51,52; 1Pd 2.7,8).
  • A dádiva da encarnação. O homem só tem o poder (o direito) de se tornar filho de Deus, se crer em Cristo: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” (Jo 1.12). Quando o homem crê e experimenta o novo nascimento (Jo 3.1-7), automaticamente passa a fazer parte da família de Deus (Ef 2.19), sendo esse privilégio, mais uma expressão do grande amor de Deus (1Jo 3.1). No entanto, as Escrituras deixam bem claro que, aqueles que o receberam tornaram-se filhos de Deus, não por serem descendentes de Abraão “não nasceram do sangue”, nem por geração natural “nem da vontade da carne”; nem pelos seus próprios esforços “nem da vontade do homem”,“mas de Deus(cf. Jo 1.13), ou seja, através do dom gratuito e sobrenatural da parte de Deus, mediante uma nova vida gerada pelo Espírito Santo (2Pd 1.4).

III – PROPÓSITOS DA ENCARNAÇÃO DE CRISTO

Algumas pessoas ainda insistem em duvidar que Jesus tenha realmente existido; apesar disso, muitos historiadores atestaram essa verdade (ainda que como um personagem histórico), como os historiadores romanos Tácito, Plínio, o historiador judeu Flávio Josefo e até o Talmude, que também se refere a Jesus de Nazaré como uma pessoa histórica. Biblicamente afirmamos que Cristo em sua aparição na história humana, destaca-se também pelas razões que o fizeram vir ao mundo. Notemos alguns propósitos do nascimento de Jesus:

  • Para revelar o Pai. Ninguém pode ver a Deus e viver (Êx 33.20), pois Ele habita na luz inacessível (1Tm 6.16). Uma das razões para que Cristo viesse ao mundo, foi exatamente para revelar o Deus invisível (Jo 4.24; Cl 1.15; 1Tm 1.17). Na encarnação Jesus nos revela o Pai com perfeição: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” (Jo 1.18; ver 2Co 4.4); devido a sua igualdade substancial (Fp 2.6; Cl 1.15; Cl 2.9; Hb 1.3), quem o vê, também vê ao Pai (Jo 14.9), pois afirma: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). A divindade de Jesus em sua humanidade é a chave para o conhecimento íntimo de Deus. Vindo ao mundo, Cristo revelou perfeitamente como Deus é. Morrendo por nós na cruz, ele demostrou quanto Deus nos ama (1Jo 3.1; 4.10,11,19; 5.15) (MACDONALD, 2011, p. 235 – acréscimo nosso).
  • Para desfazer as obras do Diabo. Após a transgressão de Adão (Gn 3), de alguma maneira sua desobediência deu liberalidade para que o Diabo atuasse na raça humana (Ef 2.2), e isso se torna mais evidente pela prática do pecado pessoal (1Jo 3.8-a). Porém, com o advento de Cristo e consequentemente na sua morte, Ele desfez os laços com os quais as obras do Diabo se mantinham unidas: “[…] Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo” (1Jo 3.8-b), Cristo Jesus derrotou e submeteu para sempre os poderes do mal (Mt 12.25-29; Lc 10.18; Jo 2.31; Cl 2.15; 1Pd 3.22). Jesus Cristo, mediante sua vitória, quebrantou o poder das forças do Diabo, e mediante sua ajuda essa mesma vitória pode ser nossa (BARCLAY, sd, p. 89).
  • Para salvar o homem de seus pecados. As Escrituras afirmam que Deus criou o homem reto (Ec 7.29). Porém, por causa do pecado de Adão (Gn 3.1-24) todos os homens tornaram-se destituídos da glória de Deus (Rm 3.23) e estavam debaixo da ira de Deus (Rm 1.18; Ef 5.6), marchando para a perdição (Rm 2.5). Por isso, Jesus se manifestou para aniquilar o pecado pelo Seu próprio sacrifício (Hb 9.28; 1Jo 3.5). Foi o próprio anjo Gabriel que destacou o propósito soteriológico do nascimento de Jesus: “[…] porque ele salvará o seu povo dos pecados” (Mt 1.21); para tanto, foi necessário que levasse em seu corpo os nossos pecados (Is 53.5; 1Pd 2.24), reconciliando o homem a Deus (2Co 5.19; lTm 2.5,6). Assim como por um homem entrou o pecado no mundo (Rm 5.12), e pela desobediência de um só todos foram feitos pecadores; Deus determinou que também por um só homem, Jesus Cristo, viesse o dom gratuito (Rm 5.15), e pela obediência de um, muitos fossem feitos justos (Rm 5.19).

CONCLUSÃO

O grande amor de Deus, que é a essência do seu ser, foi provado ao enviar Seu único Filho ao mundo, com a expressa finalidade de trazer salvação a todos os homens.

REFERÊNCIAS

  • BARCLAY, William. Comentário do Novo Testamento.
  • BRUNELLI, Walter. Teologia para Pentecostais: Uma Teologia Sistemática Expandida. ACADÊMICO.
  • GRUDEM, Wayne. Manual de Doutrinas Cristãs: Teologia Sistemática ao alcance de todos.
  • MACDONALD, William. Comentário Bíblico Popular.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com