Mansidão: Torna o crente apto para evitar pelejas

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1º TRIMESTRE 2017

AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO

Como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente

COMENTARISTA: Osiel Gomes

LIÇÃO 10 – MANSIDÃO: TORNA O CRENTE APTO PARA EVITAR PELEJAS (Ef 4.1-7)

 INTRODUÇÃO

Na lição de hoje falaremos sobre a mansidão – um dos aspectos do fruto do Espírito; traremos uma definição desta virtude; explicaremos que ela está arraigada no caráter divino e que o Espírito a produz naquele que nasceu de novo; veremos também o que a Bíblia nos diz sobre a mansidão; pontuaremos dois grandes exemplos bíblicos de pessoas com esta característica; e, por fim, a sua utilidade nas mais diversas situações que possamos enfrentar na vida.

I – DEFINIÇÃO DA PALAVRA MANSIDÃO

A oitava virtude do Espírito elencada por Paulo em Gálatas 5.22 é a mansidão. O adjetivo “manso” segundo o Aurélio (2004, p. 1269) quer dizer: “de gênio brando ou índole pacífica; bondoso; pacato; sereno, sossegado, tranquilo”. A palavra grega usada para esta virtude do Espírito é “prautes” que segundo Barclay (1988, p. 105) significa: “suavidade”. Pode-se dizer que é o antônimo de aspereza e/ou rispidez.

  • Como atributo divino. O AT nos revela que o caráter de Deus é manso (Sl 18.35; 45.4). Cristo é revelado no NT como alguém manso (Mt 11.29; Mt 21.5; II Co 10.1). A figura de Cristo como cordeiro e ovelha apontam diretamente para a sua mansidão (Is 53.7; At 8.32; Jo 1.29; I Pe 1.19; Ap 5.6). O Espírito Santo, por sua vez, é simbolizado na Bíblia por uma pomba, destacando-se a sua natureza mansa (Mt 3.16; Gl 5.22). Acerca disso afirma Gilberto (2004, p. 122), “Todas estas figuras são símbolos de mansidão – o fruto espiritual da submissão”.
  • Como fruto do Espírito. A mansidão como fruto do Espírito, trata-se da virtude gerada por Ele no crente, proporcionando a habilidade de ser “gentil, humilde, cortês, amável, suave, tolerante”  (1 Co 4.21; Gl 5.22,23; Ef 4.2;   Cl 3.12; Tt 3.2; 1 Pe 3.15). Matthew Henry (2008, p. 45) diz que os mansos: “podem suportar provocações sem se irritar, sem se deixar levar a qualquer indecência; que conseguem ficar tranquilos quando os outros estão acalorados, que preferem perdoar vinte ofensas a vingar uma”. Na Bíblia, metaforicamente, os servos do Senhor são comparados com a ovelha por causa da mansidão (Sl 95.7; 100.3; Jr 23.3; Jo 14,15).

II – O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE A MANSIDÃO

  • No AT. Nas páginas veterotestamentárias, tem diversas promessas feitas aos mansos, tais como: Deus atende as suas orações (Sl 10.17); não lhes deixa faltar o necessário (Sl 22.26); os guia por caminhos corretos (Sl 25.9); os fará herdar a terra (Sl 37.11); os livra (Sl 76.9); os vestirá de salvação (Sl 149.4); lhes dá graça (Pv 3.34); terão alegria sobre alegria (Is 29.19); serão poupados da ira do Senhor (Sf 3).
  • No NT. A mansidão no NT aparece nos ensinos de Jesus, como uma característica daqueles que “herdarão a terra” (Mt 5.5). Paulo faz diversas alusões a esta virtude, dizendo que ela é uma característica na vida daqueles que nasceram de novo (Gl 5.22); que precisa estar presente no seio da igreja (Gl 6.1); que como filhos de Deus, precisamos imitá-lo, agindo com mansidão (Ef 4.1,2); como nascidos de novo, devemos nos revestir dessa virtude (Cl 3.12); exortou Timóteo a buscá- la (1 Tm 6.11); e a ensinar com mansidão as que resistem a verdade (2 Tm 2.25); orientou a Tito que exortasse os cristãos a serem mansos com todos os homens (Tt  2).  Tiago afirmou que a verdadeira sabedoria se manifesta em mansidão (Tg 3.13); Pedro, exortou aos cristãos que respondessem com mansidão aqueles que questionassem a sua fé (1 Pe 3.15).

III – DOIS GRANDES EXEMPLOS DE MANSIDÃO

  • Moisés no Antigo Testamento. O AT diz que “[…] era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm 12.3). A ocasião em que se asseverou isto acerca desse servo de Deus, foi quando Miriã e Arão murmuraram contra Moisés por dois motivos, a saber: por sua esposa estrangeira (Nm 12.1); e, também, porque alegavam ser também porta-vozes de Deus tanto quanto Moisés (Nm 12.2). O servo do Senhor em nenhum momento tentou se defender. No entanto, Deus falou por Moisés, mostrando aos seus irmãos que apesar de também comunicar-se com eles, havia colocado Moisés sobre eles e com este servo do Senhor tinha um relacionamento diferenciado (Nm 12.4- 9). Como punição pela rebeldia, Deus puniu Miriã com lepra (Nm 12.10); talvez por ser a que mais murmurou – nesse texto vemos primeiro o nome dela depois de Arão (Nm 12.1). Moisés, agindo com mansidão, em nenhum momento procurou prevalecer contra seus irmãos, muito pelo contrário, ao ver sua irmã sendo punida pelo Senhor com uma enfermidade, rogou para que Deus a curasse, e o Senhor o ouviu, limitando a punição por apenas sete dias (Nm 13-15).
  • Jesus no Novo Testamento. Evidentemente que Jesus é insuperável a qualquer exemplo de mansidão até mesmo de Moisés (Hb 3.3,4). O profeta Isaías anunciou que o Messias seria manso de caráter e agiria com mansidão em seu ministério (Is 42.1-4). Paulo faz alusão a esta virtude oriunda de Cristo (2 Co 10.1-a). Abaixo destacaremos algumas verdades sobre a mansidão e/ou humildade de Cristo:
  • A mansidão de Cristo na encarnação. Exortando os cristãos filipenses que não se deixassem dominar pela contenda, vanglória e egoísmo, Paulo os exortou a agirem com mansidão e humildade, citando como exemplo a pessoa de Jesus Cristo (Fp 2.5-8). Paulo diz que Jesus mesmo sendo “em forma de Deus” (Fp 2.6); “forma de homem” (Fp 2.8); e, por fim, a “forma de servo” (Fp 2.7). Essa atitude de Cristo foi oposta a de Adão. Cristo sendo Deus se fez homem (Fp 2.6,7); Adão sendo homem, queria ser como Deus (Gn 4-6).
  • A natureza mansa de Cristo. Quando convidou as pessoas para serem libertas (Mt 11.28), Jesus disse que, os que O seguissem, deveriam aprender com Ele sendo humildes e mansos “aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração […]” (Mt 11.29). Acerca de Jesus, Matthew Henry (2008, p. 146) disse: “ Ele é manso, e pode ter compaixão dos ignorantes, com quem os outros poderiam ter algum aborrecimento. Sua maneira de lidar com os seus doze discípulos foi um exemplo disso. Ele era manso e gentil com eles, e aproveitou o máximo deles. Embora eles fossem desatentos e esquecidos, Ele não era extremado, a ponto de destacar as suas tolices” (Mt 14.31; 18.1-4; 26.31,34; Mc 10.35-41; Lc 24,25). Por exemplo: a mansidão de Cristo transformou o vingativo João, no apóstolo do amor (Lc 9.54; I Jo 3.18).
  • O exemplo manso de Cristo. O profeta Isaías, denominado de profeta Messiânico, em suas profecias fez alusões ao Messias como Servo (Is 42.1; 52.13; 53.11). Jesus sempre identificou-se como tal (Mt 20.28; Lc 22.27; Fp 2.7). Jamais algum servo serviu com mais imutável lealdade, abnegada devoção e irrepreensível obediência do que Jesus (Fp 2.8; Hb 5.8). Seus discípulos precisavam entender que eles deveriam servir uns aos outros. O Mestre ensinou isso de várias formas e a mais bela delas foi quando lhes lavou os pés (Jo 13.1-5). Matthew Henry (2008, p. 959) diz que “este era o serviço degradante e servil, e para o qual servos do mais baixo posto eram utilizados” (1 Sm 25.41). Com esta atitude Jesus demonstrou que se Ele sendo Mestre e Senhor lavou-lhes os pés, nós devemos ter a mesma atitude (Jo 13-15).

IV – USANDO A MANSIDÃO PARA EVITAR AS PELEJAS

A palavra “peleja” segundo o Aurélio (2004, p. 1525) significa: “combate, luta, batalha”. A palavra no grego é “erithéia” que quer dizer: “rivalidade, ambição egoísta, discórdias, espírito partidário que se fundamenta no egoísmo” (GOMES, 2016, p. 128). A Bíblia nos exorta a agirmos com mansidão nas seguintes situações:

  • Mansidão para ensinar os resistentes. A igreja de Éfeso estava sendo contaminada por ensinos estranhos ao evangelho, como Paulo havia previsto (At 20.29,30; I Tm 1.3,4). Preocupado com a saúde da igreja, o apóstolo enviou o jovem obreiro Timóteo, para que ficasse nesta cidade a fim de advertir tais ensinadores (1 Tm 1.3). Paulo aconselhou também que Timóteo fosse manso não provocando pelejas (2 Tm 2.23,24), mas que agisse com mansidão com aqueles que resistem a verdade a fim de que estes se arrependessem (2 Tm 2.25), pois os tais estavam sob o laço do diabo (2 Tm 2.26). Sempre existiu na igreja pessoas imaturas na fé que facilmente se deixam levar por novidades (Gl 1.6; Ef 4.14). Para corrigir isso, Deus deu ensinadores a igreja (Ef 4.11,12). E, dentre as muitas virtudes que o ensinador precisa ter, é imprescindível a mansidão a fim de que possa persuadir os que se opõem a sã doutrina (Rm 12; 1 Tm 4.13).
  • Mansidão para corrigir os faltosos. Em Gálatas 6.1, Paulo exorta os irmãos maduros a restaurarem todo aquele que for surpreendido em alguma falta ou erro. A orientação apostólica é que os irmãos devem empreender esta ação em espírito de mansidão, porque eles também estão sujeitos às tentações. Este compartilhamento de cargas cumpre a lei do amor de Cristo. É bom lembrar que corrigir os faltosos não é concordar com o seu pecado, mas ser paciente com o pecador, a fim de que este seja recuperado e sua comunhão com a igreja restaurada (1 Co 1-7).
  • Mansidão da esposa para com o cônjuge não crente. A mansidão é indispensável também nos relacionamentos familiares, sejam os cônjuges crentes ou não (Sl 133.1). Tratando especificamente de um marido não crente, o apóstolo Pedro orienta as mulheres que estejam nessa condição que tenha esse comportamento a fim de evitar atritos, entendendo também que tal atitude poderá persuadir o marido e levá-lo a conversão (1 Pe 3.1-4). Uma mulher rixosa não contribui para a evangelização dos seus parentes por causa do seu mau comportamento (Pv 14.1; 19).
  • Mansidão no uso da apologética. O apóstolo Pedro orientou aos cristãos que, quando fossem interrogados pelos incrédulos acerca da fé que haviam abraçado “[…] estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (I Pe 3.15). Infelizmente, há pessoas que não tem mansidão na evangelização dos não crentes, muitas vezes, não respeitam a pessoa nem a sua religião e usam palavras agressivas, resumindo a discutir doutrinas. Tal atitude em nada contribui para a salvação de uma alma, senão em confusão (2 Tm 2.23; Tt 9). Precisamos falar de Cristo, a verdade que liberta e o único caminho que leva ao Pai (Jo 8.32-36; 14.6).

CONCLUSÃO

A virtude da mansidão está diretamente ligada as virtudes da humildade e da submissão e nosso exemplo maior de mansidão é Cristo que mesmo sendo Deus tomou a forma de servo, a fim de nos ensinar como devemos nos comportar uns com os outros: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.15).

REFERÊNCIAS

  • BARCLAY, William. As obras da carne e o fruto do Espírito. VIDA
  • GILBERTO, O fruto do Espírito: a plenitude de Cristo na vida do crente. CPAD.
  • HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Novo Testamento.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Fidelidade, firmes na fé

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1º TRIMESTRE 2017

AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO

Como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente

COMENTARISTA: Osiel Gomes

LIÇÃO 09 – FIDELIDADE, FIRMES NA FÉ – (Hb 10.35-39)

 INTRODUÇÃO

Nessa lição veremos o significado bíblico de fé como fruto do Espírito, notaremos sua importância em contraste com a natureza pecaminosa, ainda destacaremos que a fidelidade deve ser demonstrada, como também lembrar do  principio da retribuição divina para os que são fiéis.

I – A FIDELIDADE E O SEU SIGNIFICADO 

  • Definição do termo. O Aurélio diz que fidelidade significa: “lealdade, perseverança. Observância rigorosa da verdade; exatidão” (FERREIRA, 2004, p. 894). Do hebraico “emunah”, que quer dizer: “firmeza, fidelidade, verdade, honestidade, obrigação oficial”, desses significados o sentido mais freqüente é “lealdade, fidelidade” (1Sm 26.23). No grego a palavra é “pistis”, que indica “persuasão firme”, sendo também usada com referência à confiança (Rm 3.25; 1Co 2.5; 15.14,17; 2Co 1.24; Gl 3.23; Fp 1.25; 2.17; 1Ts 3.2; 2Ts 1.3; 3.2); à fidedignidade, fidelidade, lealdade (Mt 23.23; Rm 3.3; Gl. 5.22; Tt 2.10) (VINE, 2002,  648). Em seu uso mais amplo, a palavra fé aponta ainda para alguns significados:

(a) A fé salvadora (Rm 5.1,2; 10.17; Ef 2.8); (b) A fé como conjunto de crença, ou seja, aquilo em que se acredita (At 6.7; 14.22; Rm 1.5; 1Co 16.13; Cl 1.23); (c) A fé como fidelidade (Lc 12.42; 1Co 4.2), o que subentende que o crente é fiel para com Deus e também para com o próximo. Essa é uma característica insuflada por Deus, pois aparece como uma das nove virtudes que, juntas, compõem o fruto do Espirito (Gl 5.22,23) (CHAMPLIN, 2007, p.696 – acréscimo nosso).

  • Como atributo Divino. Fidelidade é um dos atributos da Trindade, Deus Pai é fiel (Dt 7.9); o Senhor Jesus é  chamado de fiel e verdadeiro (Ap 19.11); e também o Espírito Santo é fiel (Gl 5.22) (GILBERTO, 2004, p.110). A fidelidade de Deus refere-se à Sua lealdade a si mesmo e a toda a Sua criação (Is 25.1; 1Co 1.9). Ele jamais mudará o Seu caráter (Sl 119.90; Is 11.5; Ml 3.6; 2Tm 2.13; Tg 1.17); nem deixará de cumprir o que prometeu (1Ts 5.24; Hb 10.23). A fidelidade de Deus é claramente demonstrada na Bíblia: (a) Na natureza (Gn 8.22; SI 119.90; Cl 1.17); (b) No cumprimento das suas promessas a Adão (compare Gn 3.15 com G1 4.4); a Abraão (compare Gn 15.4; 18.14 com 21.1,2);  a Moisés (compare Êx 3.21,22 com Êx 12.35,36); a Davi (compare 2Sm 7.12,13 com Lc 1.31-33); etc. (c) Em momentos de tentação (1Co 10.13); (d) Na maneira como disciplina Seus filhos (Sl 119.75; Hb 12.6); (e) No perdão dos nossos pecados (1Jo 1.9) (WILLMINGTON, 2015, 37).
  • Como fruto do Espírito. A palavra fé refere-se normalmente à confiança em alguém ou algo. No entanto, a palavra pode também referir-se ao que produz a confiança e a fé, a saber, a fidelidade e a confiabilidade. Ambos os significados estão no uso da palavra aqui como outra evidência da vida controlada pelo Espírito (TYNDALE, 2010, p.703). De acordo com Gilberto (2004, p.106), “Há quem prefira traduzir fé em vez de fidelidade como fruto do Espírito em Gálatas 5.22, mas, como veremos, a palavra fidelidade é mais precisa. Em seu sentido mais amplo, fé é nossa crença inabalável em Deus e no evangelho, e, portanto, é o tronco, não o fruto. O fruto do Espírito é dado como qualidade ou atributo; fidelidade é o atributo de quem tem fé”. Por essa razão a versão da Bíblia ARA (Almeida Revista e Atualizada), traduz “fé” por “fidelidade”. A fidelidade é a primeira das três características do fruto do Espírito que estão relacionadas ao seu portador, ou seja, consigo mesmo. “Quando a fé como virtude do fruto do Espírito habita no crente o que realmente marca sua vida é a fidelidade, ou seja, ele é uma pessoa confiável, leal” (GOMES, 2016, p.110). A fé, como fruto do Espírito, opera permanentemente na vida do salvo e é caracterizada pela firmeza de propósito, e por uma atitude e devoção de alguém que está disposto a ser “fiel até a morte” (Ap 10)

II – INFIDELIDADE OBRA DA VELHA NATUREZA

Podemos afirmar que a infidelidade é uma das obras da carne. Paulo na lista aos Gálatas, lembra: “[…] e coisas semelhantes a estas […]” (Gl 5.21); mostrando que as obras da carne não se limitam às que são mencionadas diretamente. Segundo Aurélio (2004, p.1102) Infidelidade é: “Qualidade ou caráter de infiel. Procedimento de infiel; deslealdade, traição, perfídia. O infiel é  aquele que não cumpre aquilo a que se obrigou ou se obriga, inexato, inverídico”.  Conforme anunciou o apóstolo Paulo, homens infiéis são uma das marcas dos últimos tempos (1Tm 3.1-4). Encontramos por diversas vezes Deus revelando seu pesar pela infidelidade dos homens em várias áreas:

  • No período Isaías, a injustiça social imperava, ocorria infidelidade no trato com a causa alheia, não havia sinceridade, nem interesse pela verdade, a vida humana era desconsiderada, e isso com vistas ao lucro pessoal (Is 1.21-23). Paulo informa que esse e outros tipos de comportamentos semelhantes, tem como origem a “concupiscência do coração, paixões infames, sentimento perverso” (Rm 1.24,26,28); sendo estes “néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia” (Rm 1.31).
  • A idolatria, heresias, modismos doutrinários etc, são expressões da infidelidade na área religiosa (Js 22.16; 1Cr 10.13; Rm 1.18-23). A palavra idolatria fala de prestar culto a um ídolo e abrange tudo aquilo que usurpa o lugar de Deus. O Senhor abomina qualquer tipo de idolatria sendo destacado que é abominável para Deus (Dt 7.25); tola e sem sentido (Sl 115.4,8). Por esse motivo é que logo no segundo mandamento, por meio de Moisés, O Senhor proíbe qualquer tipo de idolatria (Êx 20.3-5).
  • No aspecto moral a infidelidade é vista por meio da quebra dos preceitos divinos, nos quais se é visto o propósito de Deus na preservação da família, por meio da fidelidade conjugal (1Co 7.10,11,27) conservando o padrão monogâmico de casamento (1Co 7.1-3, 39; 1Tm 3.2, 11,12). A infidelidade é abominável aos olhos de Deus (Ml 2.14-16).

III – FIDELIDADE DEMONSTRADA

A fé como fruto do Espírito não é subjetiva, antes, é verificável. Há pessoas que dizem possuí-la, mas negam com suas obras (Tt 1.16). Tiago ensina que: “a fé, se não tiver as obras é morta em si mesma” (Tg 2.17). A fidelidade é de uma importância vital para a vida cristã em três aspectos, vejamos:

  • Fidelidade a Deus. Para ilustrar a importância da fé e a sua praticidade, o escritor da epístola aos Hebreus reúne na conhecida “galeria  dos  heróis  da  fé”,  exemplos  de   personagens   que   marcaram   sua   geração;   podemos   perceber essa enfase pela expressão repetidamente usada “pela fé”. destacar que essa fé não é estática, ou seja, não ficou no  campo  da  crença,  da  reflexão,  de  forma   teórica,  pois  a  expressão   “pela  fé”  sempre   é  seguida  de  verbos   (Hb 11.3,4,5,7,8,9,11,18,20,21,22,23,24,27,28,30,31,33-37,39); indicando ações que os homens e mulheres de Deus tomaram, para demostrarem sua fidelidade a Deus.
  • Fidelidade ao próximo. Como possuidores dessa virtude do fruto do Espírito, nos tornamos pessoas dignas de confiança, daí a sua importância para o relacionamento interpessoal. O crente deve inspirar confiança aos que estão à sua volta, tendo algumas atitudes, tais como: (a) mantendo sempre sua palavra (Mt 5.37;1Tm 3.8); (b) assumindo as responsabilidades no lar (Ef 5.22-28; 6.1-4; 1Tm 5.8); (c) cooperando na obra de Deus (1Co 4.1,17; 6.21); (d) sendo fiel com o que é alheio (Mt 24.45,46; Lc 16.1-12); como empregado (Ef 6.5-8; Cl 3.22-25); ou como empregador (Ef 6.9; Cl 4.1).
  • Fidelidade a si mesmo. Nesse aspecto a fidelidade é vista quando somos aquilo que dizemos ser. Davi em um de seus Salmos afirma: “Aborreço a duplicidade, porém amo a tua lei” (Sl 119.113). Quem vive uma vida dúbia, é inconstante, não há firmeza nem resistência (Tg 1.8). Deus quer que sejamos o que dizemos que somos, não mostrando duplicidade ou falsidade quanto a nossa devoção a ele (1Sm 24).

IV – FIDELIDADE RECOMPENSADA

Para os que são fiéis Cristo fez uma promessa (Ap 22.12); vejamos alguns exemplos de fidelidade e sua respectiva recompensa:

  • Moisés. Era um homem fiel, e, por isso, foi escolhido para libertar o povo de Deus do Egito (Êx 3.1-10; Hb 3.5). Em Hb 11.24-27 encontramos três atitudes que demonstram claramente sua fidelidade a Deus: (a) Ele recusou ser chamado filho da filha de Faraó, uma posição elevadíssima, para um escravo hebreu; (b) ele escolheu ser maltratado junto com o povo de Deus, mesmo podendo desfrutar de todo conforto do palácio; (c) ele deixou o Egito, não temendo a ira do rei. Somente a fé (fidelidade) poderia fazê-lo tomar tais atitudes e como recompensa foi usado nas mãos de Deus, desfrutando de intima comunhão com Ele (Nm 7,8).
  • Daniel e seus companheiros. Demonstraram sua fidelidade a Deus na corte em Babilônia em diversas ocasiões: (a) quando lhe foi determinado que ele comesse do manjar do rei, que o levaria a desobedecer a palavra de Deus, Daniel intentou no seu coração não se contaminar (Dn 1.8); (b) ao serem obrigados a se prostrar diante da estátua do rei Nabucodonosor, não se curvaram para a adorar a imagem (Dn 3.1-30); (c) diante do decreto real e sua sentença, Daniel perseverou em oração (Dn 6.10). Ele preferiu ser jogado na cova dos leões, e como recompensa foram honrados nas mais diversas áreas (Dn 1.17-21; 3.28-30; 21-28).

CONCLUSÃO

Por ocasião da Queda, o pecado afetou o relacionamento do homem com Deus, consigo mesmo e com o próximo. Mas, a partir da conversão, o Espírito Santo passa a habitar no crente e a produzir o fruto do Espírito, com suas virtudes morais e espirituais, dando-lhe condições de viver em novidade de vida e de obter o caráter e a natureza de Cristo, que é fiel e verdadeiro.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, Norman. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia.
  • GILBERTO, Antônio. O Fruto do Espírito.CPAD.
  • GOMES, Oziel. As Obras da Carne e o Fruto do Espírito Santo.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • TYNDALE, Dicionário Bíblico. GEOGRÁFICA.
  • VINE, W.E et al. Dicionário Vine.
  • WILLMINGTON, Harold L.Guia de Willmington para a Bíblia-Vol.2. ACADÊMICO.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

A bondade que confere vida

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1º TRIMESTRE 2017

AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO

Como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente

COMENTARISTA: Osiel Gomes

LIÇÃO 08 – A BONDADE QUE CONFERE VIDA – (Mt 5.20-26)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos sobre a bondade – um dos aspectos do fruto do Espírito; introduziremos o assunto trazendo uma definição desta virtude; veremos que a bondade é um atributo que caracteriza o caráter divino e que ele compartilhou com o homem quando o criou; pontuaremos a ligação que existe entre a bondade e  a  generosidade; falaremos sobre a maldade como o contraponto da bondade; e, por fim, quais as exortações bíblicas quanto a prática deste fruto do Espírito.

I  – DEFINIÇÃO DA PALAVRA BONDADE

A sexta virtude elencada por Paulo em Gálatas 5.22 é a bondade. O Aurélio (2004, p. 315) nos diz que a palavra bondade significa: “qualidade ou caráter de bom; benevolência; clemência”. Segundo Gilberto (2004, pp. 92,93) “bondade como fruto do Espírito é a tradução de uma palavra grega que encontrada apenas quatro vezes na Bíblia: agathosune (Rm 15.14; Gl 5.22; Ef 5.9; 2 Ts 1.11). A bondade é a prática ou a expressão da benignidade, ou seja, fazer aquilo que é bom. Bondade, então, fala de serviço ou ministério uns aos outros, um espírito de generosidade posto em  ação; diz respeito a servir e a dar”.

1.1 Deus é bondoso. Segundo Jesus a bondade era um atributo e um título próprio da divindade “E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus” (Mc 10.18). Campos (2002, p. 256) diz que a bondade de Deus é: (a) original: a bondade que os homens possuem lhes é comunicada, mas em Deus a bondade é essencialmente infinita; (b) imutável: os homens podem ser bons, mas eles o serão por alguns momentos; mas a bondade do Senhor “dura para sempre” (Sl 52.1); e, (c) necessária: Ele é bondoso e tudo quanto faz é cheio de bondade (Gn 1.31).

II  – ATRIBUTO COMUNICÁVEL

Bondade é um dos atributos comunicáveis de Deus. Campos (2002, p. 256) nos diz que “o termo comunicáveis indica que podemos encontrar em nossa personalidade traços dos atributos divinos. Deus nos criou e comunicou esses atributos ao nosso ser, mesmo que em medida infinitamente menor”.

  • A bondade natural. O homem foi criado com bondade natural, quando foi feito a imagem e semelhança de Deus  (Gn 1.26). No entanto, o pecado distorceu essa imagem, e, se não houver arrependimento e consequente transformação, dia a dia o pecado vai tomando o coração dos homens fazendo com que percam a afeição natural (2 Tm 1-3).
  • A bondade como fruto do Espírito. É natural que o homem não regenerado seja bondoso com as pessoas que lhe são bondosas (Mt 5.46); mas, somente os que foram regenerados podem ser bondosos como Jesus foi e também agir com bondade até com os seus inimigos (Lc 6.27,35; Rm 12.14; 20,21). Portanto, somente após o novo nascimento o Espírito Santo passa a restaurar a imagem moral de Deus no homem, produzindo nele as virtudes de Cristo (Gl 22).

III – CARACTERÍSTICAS DA BONDADE COMO ASPECTO DO FRUTO DO ESPÍRITO

  • Bondade desinteressada. A bondade como fruto do Espírito não é feita em troca de reconhecimento ou de favores. Assim como o amor, a bondade “não busca os seus interesses” (I Co 13.5-b). Ela é altruísta e desprentenciosa, ou seja, não faz o bem como moeda de troca. Segundo Jesus não receberá recompensa diante de Deus aquele que age bondosamente com o seu próximo para barganhar algo (Mt 6.1-4). O verdadeiro ato de bondade consiste em fazermos o bem a quem não tem condições de nos recompensar (Lc 12-14).
  • Bondade imparcial. A bondade como fruto não faz distinção de pessoas, assim como Deus não faz beneficiando até os ingratos e maus (Mt 5.45; Lc 6.35). Jesus disse que se fizermos o bem apenas aqueles que nos amam e nos fazem bem nos assemelhamos aos incrédulos (Lc 6.32-35). A bondade como fruto não faz distinção de cor, raça, sexo, religião, status social. Tiago repreendeu severamente aqueles que davam preferência aos ricos e subjugavam os pobres (Tg 1-4).

3.2 Bondade decorrente do amor. Uma pessoa pode até agir com bondade sem ter amor; mas, ninguém pode ter amor e não agir com bondade, pois o amor é a virtude de onde flui todas as outras. Gilberto (2004, p. 46) diz: “o amor vem primeiro, depois o serviço”. Paulo diz que até mesmo grandes feitos sem amor não tem nenhum proveito “[…] ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria” (I Co 13.3). O apóstolo exorta aos crentes de Corinto dizendo “todas as vossas coisas sejam feitas com amor” (I Co 16.14).

IV – A BONDADE E A GENEROSIDADE

A bondade é um aspecto do fruto do Espírito que envolve ação. Gilberto (2004, p. 97) diz que “uma característica distintiva da bondade cristã no grego agathosune é a generosidade ou liberalidade”. O cristão deve ser uma pessoa generosa, exercendo bondade da seguinte forma:

  • Contribuindo para a obra de Deus. O apóstolo Paulo encorajou a igreja de Corinto a prática de generosidade entre os necessitados. A Judeia enfrentava tempos difíceis como resultado de  uma  escassez  que  deixou  muitos  santos  aflitos (At 11.28-29). Paulo sentiu que as igrejas dos gentios tinham uma divida de gratidão para com Israel e Jerusalém, a Igreja mãe (Rm 11.13-25; 15.27), por seu papel de trazê-los para a fé em Cristo. Precisamos entender que os nossos dízimos e ofertas quando trazidos para a Casa do Senhor também são usados para atender a obra social (Projeto Samuel) e os nossos irmãos que estão passando por Além disto, podemos também ajudar aqueles que estão ao nosso alcance.
  • Auxiliando o próximo. A bondade está entre as três virtudes que estão conectadas diretamente a nossa relação com o próximo: “[…] longanimidade, benignidade, bondade […]” (Gl 22). Auxiliar o próximo é assistí-lo em suas necessidades físicas (Tg 2.15-17; I Jo 3.17,18); mas também visitá-lo nas enfermidades (Rm 12.13); compartilhar sua dor e alegria (Rm 12.15). Paulo também aconselha “[…] admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos, e sejais pacientes para com todos” (I Ts 5.14).

V  – A MALDADE O OPOSTO DA BONDADE

O Aurélio (2004, p. 1254) diz que “maldade” significa: “qualidade ou caráter de mal; perversidade, crueldade, iniquidade”. A maldade está listada entre as obras da carne de forma implícita e explícita (Gl 5.19-21; Rm 1.29). Ela tem origem no mau uso do livre arbítrio (Gn 3.22). Desde a Queda do primeiro casal, que todos os homens foram afetados pela inclinação natural para a prática do mal (Gn 8.21; Sl 51.5; 14.3; 143.2; Rm 5.18,19). No AT observamos que foi pela multiplicação da maldade que Deus trouxe o dilúvio como juízo sobre os homens (Gn 6.5.7). Paulo profetizou que nos últimos dias a maldade estaria mais presente na sociedade (2 Tm 3.1-9). Vejamos quais áreas a maldade está atuando:

ÁREA

2TM 3.1-9

 

1

 

Moral

“… amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, ingratos, profanos, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos…” (2Tm 3.1-3).
2 Religiosa “… irreconciliáveis, mais amigos dos deleites, aparência de piedade…” (2Tm 3.3-5).
3 Familiar “…desobedientes a pais e mães…” (2Tm 3.2).
4 Política “… resistem à verdade, sendo homens corruptos…” (2Tm 3.8).
5 Sentimental “… sem afeto natural…” (2Tm 3.3).
6 Pedagógica “Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade” (2Tm 3.7).

VI  – EXORTAÇÕES BÍBLICAS QUANTO A PRÁTICA DA BONDADE

  • Devemos desejar fazer o bem. No exercício do seu livre arbítrio o homem pode ou não fazer o bem. O Espírito inpulsiona, no entanto, precisamos ceder a esta inclinação e não endurecermos a sua voz (Hb 3.8). Jesus ensinou que podemos auxiliar as pessoas se quisermos (Mc 14.7). Portanto, a questão está mais no querer do que em
  • Não podemos nos cansar de fazer o bem. Há pessoas que porque não são reconhecidos pelos atos de bondade que realizam, desanimam. Todavia, o apóstolo Paulo nos diz “e não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido” (Gl 6.9). Confira também (2 Ts 13). Deus tem a recompensa para aqueles que fazem o bem, tanto nesta vida quanto no porvir (Ap 22.12).
  • A omissão em fazer o bem é pecado. Aquele que conhece a vontade de Deus e não obedece torna-se ainda mais transgressor do que aquele que não conhece (Mt 24.45-51; Lc 12.35-48; II Pe 2.21; Tg 17).

CONCLUSÃO

Devemos no uso do nosso livre arbítrio permitir que o Espírito Santo produza em nós a virtude da bondade a fim de que possamos como filhos de Deus refletirmos o seu caráter em palavras e obras beneficiando os nossos semelhantes de forma imparcial e despretensiosa unicamente motivados por amor.

REFERÊNCIAS

  • CAMPOS, Heber Carlos de. O Ser de Deus e seus atributos. CULTURA CRISTÃ.
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. POSITIVO
  • GILBERTO, O fruto do Espírito: a plenitude de Cristo na vida do crente. CPAD.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • STOTT, John. A Mensagem de Gálatas.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Benignidade: Um escudo protetor contra as porfias

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1º TRIMESTRE 2017

AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO

Como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente

COMENTARISTA: Osiel Gomes

LIÇÃO 07 – BENIGNIDADE: UM ESCUDO PROTETOR CONTRA AS PORFIAS (Cl 3.12-17)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição traremos uma definição da palavra benignidade; veremos que Deus é benigno e elencaremos as demonstrações de sua benignidade em favor do homem; destacaremos também a ligação que há entre a benignidade e outras virtudes do Espírito; pontuaremos a exortação bíblica de que devemos manifestar este fruto nos nossos relacionamentos interpessoais. Por fim, falaremos da porfia, trazendo uma definição desta obra da carne, destacando seu efeito maléfico e destruidor contrapondo com os efeitos benéficos da benignidade.

I – A VIRTUDE DA BENIGNIDADE

A quinta virtude elencada por Paulo em Gálatas 5.22 é a benignidade. Segundo o Aurélio (2004, p. 286) o adjetivo benigno significa: “benévolo, suave, brando, agradável”. No AT a palavra hebraica usada é “hesed” que segundo Vine (2002, p. 183) significa: “benignidade, amor firme, graça, misericórdia, fidelidade, bondade, devoção”. No NT a palavra grega para benignidade é “chrestotes” que segundo Gilberto (2004, p. 90) quer dizer: “bondade como qualidade de pureza e também como disposição afável em termos de caráter e atitudes. Abrange ternura, compaixão e brandura”. Barclay (sd, p.80) diz que “os antigos escritores definiam a ‘crestotes’ como a virtude do homem para quem o bem de seu próximo é tão caro como o próprio”.

  • Deus é benigno. A natureza de Deus é benigna (II Sm 22.6; Sl 18.25; 145.8; Lc 6.35; Ef 4.32; I Pe 2.3). O próprio Deus é chamado de benignidade (Sl 144.2). O  profeta  Miqueias  disse  que  Ele:  “tem  prazer  na  sua  benignidade” (Mq 7.18). A benignidade divina é tão exaltada no AT que faz parte da letra dos hinos de louvor (I Cr 16.34, 41; II Cr 7.6; 20.21; Ed 3.11; Sl 107.1; 118.1-29; 136.1.1-26). No livro dos salmos encontramos vários detalhes sobre a benignidade de Deus, tais como: (a) ela é grande (Sl 5.7; 108.4; 117.2; Jn 4.2; Jl 2.13); (b) é atemporal (Sl 25.6; 89.2; 118.1); (c) são preciosas (Sl 36.7); (d) são abundantes (Sl 86.5; Is 63.7); (e) nos sustentam (Sl 94.18); (f) enche a terra (Sl 119.64); (g) nos consola (Sl 119.76;); e, (h) vivifica (Sl 119.88,159). Segundo Jesus, a benignidade divina é demonstrada para todos os homens indistintamente “porque ele é benigno até para com os ingratos e maus”  (Lc 35).
  • Demonstrações da benignidade divina. A Bíblia revela-nos diversas demonstrações da benignidade de Deus, por exemplo: com José em toda a sua trajetória, principalmente quando injustamente foi para o cárcere (Gn 39.21); Ana recorreu a Deus para que atentasse com benignidade para ela e ele atendeu (ISm 1.11,19); com Davi (Sl 118.1-29); inúmeras vezes para com a nação de Israel (Sl 136.10-26); com a grande cidade de Nínive, mostrando que sua benignidade não está restrita aos judeus (Jn 4.2); por fim, a maior demonstração da benignidade divina se deu quando judeus e gentios foram encerrados debaixo do pecado, Deus achou por bem de misericórdia para com todos (Rm 11.32), quando enviou Jesus Cristo, o seu Filho Unigênito, para com a sua morte nos proporcionar salvação, revelando as riquezas da sua benignidade (Rm 2.4; Ef 2.7; Tt 4,5).

II – A LIGAÇÃO DA BENIGNIDADE COM OUTRAS VIRTUDES

  • A benignidade e o amor. Paulo diz que “o amor é benigno” (I Co 13.4). Falando sobre a salvação, o apóstolo diz que em Cristo “[…] apareceu a benignidade e amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens” (Tt 3.4). Estas duas virtudes estão tão intimamente ligadas que Moody (sd, pp. 34,35) diz que “benignidade é melhor traduzida para amabilidade”. Portanto, o cristão se caracteriza por uma bondade que é amável.
  • A benignidade e a bondade. A benignidade e a bondade estão de tal forma relacionadas que não é fácil distingui uma da outra. Gilberto (2004, p. 89), denominou estas duas virtudes de “fruto gêmeo”. No entanto, é necessário entender que nem todo ato de bondade provém de uma pessoa benigna, mas toda pessoa benigna produz atos de bondade. Portanto, benignidade fala da natureza da pessoa, enquanto a bondade fala das atitudes desta pessoa. Radmacher (2010, p. 511), confirma isso dizendo: “a nova vida nos leva a ser benignos, manifesta-se em atos de bondade e capacita-nos a perdoar as ofensas cometidas pelos outros”.
  • A benignidade e a misericórdia. Frequentemente a virtude da benignidade manifesta-se junto da misericórdia, mostrando que amba estão entrelaçadas (Cl 3.12). Tanto a expressão “hesed” no hebraico quanto “chrestotes” no grego são utilizadas para descrever uma ou outra virtude. No AT hesed aparece na ocasião em que Davi decide beneficiar alguém que restou da família de Saul, por amor de Jônatas seu amigo (2 Sm 9.1,7). A atitude de Davi contraria o costume da  época, pois era normal que um rei ao assumir o trono de alguém que não fosse seu parente, executasse seus descendentes  (2 Rs 10.1-7). Apesar de Davi ter sofrido muitas perseguições de Saul (1 Sm 18.10,11; 21-22,29; 19.1; 9-10) e de ter oportunidade de matá-lo, duas vezes (I Sm 24.3-12; 26.8-11), mostrou-se benigno não lhe fazendo mal nem a sua descendência (2 Sm 7-13). Inclusive chorou pela morte de Saul, mostrando que não tinha ressentimento (2 Sm 1.1-27).

III  – DEFININDO A PALAVRA PORFIA

Segundo o Aurélio (2004, p. 1603) significa: “discussão ou contenda de palavras”. Figuradamente quer dizer: “competição, rivalidade; disputa”. A palavra grega para porfia é “erithia” ou “eritheia” que segundo Vine (2002, p. 884): denota “ambição, egoísmo, rivalidade” e ainda “fazedor de partidos de divisões”. Para o AT a porfia é uma iniquidade tão grave como a idolatria “o porfiar é como iniquidade e idolatria” (I Sm 15.23). Paulo a reprova severamente classificando-a como obra da carne (Gl 5.20; I Tm 6.4), e diz que é um dos males que caracteriza o mundo pagão (Rm 1.29).

3.1 O mau exemplo de alguns membros da igreja em Corinto. Em Corinto, os cristãos estavam deixando a unidade cristã e se reunindo em grupos, causando assim, facções e divisões na igreja (I Co 1.12,13; 3.4,5). Paulo os repreendeu severamente dizendo que pretendia visitá-los mas não queria encontrá-los dessa forma (2 Co 12.20). Não podemos permitir que as obras da carne venham minar a unidade da igreja, pois a comunhão cristã desconhece distinções sociais, culturais e nacionais e é vital à comunhão e à paz da igreja (Jo 17.23; Ef 4.3; Cl 3.11).

IV  – O CONTRASTE ENTRE A BENIGNIDADE E A PORFIA 

BENIGNIDADE

PORFIA

Obra da carne (Gl 5.21)

Fruto do Espírito (Gl 5.20)

É boa (2 Cr 10.7)

É má (I Sm 15.23; I Tm 6.4)

Constrói relacionamentos (Gn 26.27-31; Ef 4.32)

Destrói relacionamentos (Gn 26.20; 2 Co 12.20)

Revela o caráter divino (Ef 4.32; 5.1)

Revela o caráter carnal (Gl 5.19)

Promove a paz (Ef 4.32-b)

Promove a guerra (Gl 5.20)

 V – DEVEMOS SER BENIGNOS

Essas três virtudes estão conectadas com a nossa relação com o próximo. Moody (sd, p. 35), diz que benignidade “é a benevolência nas atitudes, uma virtude visivelmente social”. Stott (2000, p. 135) também afirma que “é uma virtude voltada para os outros e não para Deus”. Abaixo destacaremos porque o crente deve ser benigno:

5.1 Ser benigno é um mandamento. Desde o AT que Deus requereu do seu povo que agisse benignamente (Mq 6.8-a). Paulo em Efésios 4.32 deixa claro que a prática da benignidade é um mandamento “antes sede uns para com os outros benignos” (Ef 4.32-a). Segundo Champlin, (2004, p. 52) a palavra mandamento em português, deriva do latim, “mandare”, ordenar, mandar. O sentido da palavra é ordenar, do ponto de vista de alguma autoridade assumida. O mandamento requer obediência, e, com frequência, repousa sobre algum dever. O apóstolo diz em Colossenses 3.12 que devemos nos revestir da benignidade (Cl 3.12).

5.2.1 O bom exemplo de Isaque. Em Gerar, Deus começou a prosperar tudo o que Isaque punha as suas mãos (Gn 26.12- 14). Por estar sendo bem-sucedido, Isaque despertou a inveja de seus vizinhos que procuraram prejudicá-lo. A Bíblia diz que “[…] os pastores de Gerar porfiaram com os pastores de Isaque, dizendo: esta água é nossa” . No entanto, o patriarca agiu com benignidade cedendo e mudando-se para outro lugar. Deus viu a sua atitude e providenciou-lhe o necessário (Gn 26.22-25). Com Isaque aprendemos que: (a) devemos ser benignos até com aqueles que são malignos (Gn 26.14-17); (b) às vezes é necessário perder para ganhar (Gn 26.17,22-25); e, (c) é possível com a benignidade evitarmos contendas e levarmos os contenciosos a mudarem de postura, estabelecendo a paz (Gn 26.28-31).

  • Ser benigno é imitar a Deus. Segundo Jesus a benignidade divina conosco deve nos levar a sermos benignos com os nossos semelhantes (Lc 6.35). Paulo transmitiu semelhante ensino “antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4.32). Segundo Barclay (sd, p. 111), “a benignidade aprendeu o segredo de olhar sempre para fora, não para dentro. Faz com que perdoemos a outros como Deus nos perdoou. Desta maneira e numa só sentença Paulo estabelece a lei de relação pessoal. E esta lei é que devemos tratar a outros como Cristo nos tratou”.

CONCLUSÃO

A descrição das obras da carne e do fruto do Espírito nos diz o que devemos evitar e resistir, e o que devemos desejar e cultivar. Portanto, evitemos a porfia e cultivemos a benignidade. Somente desta forma imitaremos a Deus e glorificando o Seu Nome com o nosso comportamento.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor      Dicionário TeológicoCPAD.
  • BARCLAY, William. As obras da carne e o fruto do Espírito. VIDA
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • GILBERTO, Antonio. O fruto do Espírito: a plenitude de Cristo na vida do crente. CPAD.
  • MOODY, D.L. Comentário Bíblico de Gálatas.
  • STAMPS, Donald    Bíblia  de  Estudo Pentecostal. CPAD.
  • STOTT, John. A mensagem de Gálatas.
  • VINE, W.E et al. Dicionário Vine.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Paciência: evitando as dissensões

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1º TRIMESTRE 2017

AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO

Como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente

COMENTARISTA: Osiel Gomes

LIÇÃO 06 – PACIÊNCIA: EVITANDO AS DISSENSÕES – (Tg 5.7-11)

INTRODUÇÃO

Nesta lição refletiremos sobre a paciência como virtude do fruto do Espírito, notaremos sua importância à vida do autêntico servo de Deus nas mais diversas áreas, e por fim, veremos algumas exortações bíblicas sobre a motivação que temos, em cultivar a longanimidade.

I – A PACIÊNCIA E O SEU SIGNIFICADO

  • Definição do termo. Do grego “makrothumia” também traduzido por “longanimidade”. É a junção de “makros” que significa “grande ou longo” e “thumos” que quer dizer “ânimo ou disposição” (BARCLAY, 1988 p. 88). Essa palavra grega aponta para a grande paciência, para a grande tolerância, para a persistência em não se deixar arrebatar pelas emoções fortes. De acordo com Champlin (2004, p. 904), há catorze ocorrências dessa palavra grega no Novo Testamento (Rm. 2.4; 9.22; 2 Co 6.6; Gl. 5.22; Ef 4.2; Cl 1.11; 3.12; 1Tm 1.16; 2 Tm. 3.10; 4.2; Hb. 6.12; Tg. 5.10; 1 Pe 3.20; 2 Pe 3.15).
  • Como atributo Divino. A longanimidade ou paciência como atributo de Deus, refere-se ao Seu autocontrole com relação a Sua justa ira diante da rebelião e do pecado (Êx 34.6; Nm 14.18; SI 85.3; 86.15; 103.8; 145.8; Jn 4.2; Rm 2.4; 1 Tm 1.16; 1 Pe 3.20; 2 Pe 3.9). “Um Deus que é santo deve punir o pecado, no entanto, sua natureza amorosa retarda essa punição para dar tempo ao pecador de se arrepender e abandonar o pecado” (1Tm 1.16; 1Pe 3.20). Devemos observar, porém, que, embora a paciência de Deus não conheça limites com relação à Sua profundidade (Rm 5.20), Seu comprimento e largura são limitados (Gn 6.3; Rm 11.22-a) (TYNDALE, 2015, 1101).
  • Como fruto do Espírito. A paciência como fruto do Espírito, trata-se da virtude gerada por Ele no crente, proporcionando a habilidade de suportar, de forma graciosa, uma situação insuportável e resistir, com paciência, o irresistível (2 Co 6.6). Segundo Gilberto (2004, p. 46) “A paciência como fruto do Espírito, capacita o crente a exercer o autodomínio (conter-se ou refrear-se) diante da prova. Não é precipitado em acertar as contas ou punir […] Todos estes aspectos da longanimidade são parte do processo que nos conforma à imagem de Cristo” (2 Co 3.18; Cl 3.10; 2 Pe 1.5-8). Por meio dessa virtude, o cristão tem condições de manter o equilíbrio em meios as provações e diante das afrontas, sem alimentar o sentimento de vingança, antes entregando tudo nas mãos do Senhor (Rm 12.19). “[…] Longanimidade é o amor sofrendo ou suportando” (OLIVEIRA, 1987, p. 140).

II – A IMPORTÂNCIA DA PACIÊNCIA NA VIDA CRISTÃ

O que tem longanimidade é longânimo, do hebraico “erek appayim”, que quer dizer lento em irar-se”, e literalmente, essa expressão significa “comprido de nariz ou comprido de rosto”, e veio a ser associada à idéia de irar-se com dificuldade (talvez devido ao fato de que é no rosto que a pessoa mostra suas emoções fortes, pelo que, a fisionomia seria indicadora dessas emoções) ou então, como outros têm sugerido, o nariz é um indicador da ira, visto que a pessoa respira forte ou mesmo resfolega, quando excitada pela ira (CHAMPLIN, 2004, p. 904). Vejamos a importância de possuir a paciência:

  • No relacionamento interpessoal. As primeiras qualidades do fruto do Espírito – amor, alegria e paz – são ingredientes essenciais de nossa vida espiritual interior, de nossa relação pessoal com Deus; os três seguintes começando com a paciência ou longanimidade, são manifestações exteriores do amor, da alegria e da paz em nossas relações com as pessoas à nossa volta (GILBERTO, 2004, p. 76). Sobre a importância da longanimidade destacamos: (a) O apóstolo Paulo expressa aos Colossenses o desejo de que eles tenham essa qualidade (Cl 1.9-11); (b) uma das características do autêntico cristão (Cl 3.12); (c) deve ser exercitada com todos (1 Ts 5.14); (d) virtude imprescindível para o ministério do ensino (2 Tm 4.2); (e) pacifica as intrigas (Pv 18).
  • Prevenindo contra a dissenção. Sobre a dissenção, já temos visto ser uma das obras da carne listadas pelo apóstolo Paulo aos gálatas. Do grego “dichostasia”, significa “sedição, rebelião”, e também “posicionar-se uns contra os outros”; trata-se daquele sentimento que só pensa no que é seu, e não também no que é dos outros (LOPES, 2011, p. 245). Na igreja que estava em Corinto, Paulo faz uma incisiva advertência sobre esse sentimento presente entre os irmãos; apesar de ser uma igreja fervorosa onde havia manifestações diversas dos dons espirituais (1Co 1.7) contudo, o apóstolo os chama de crentes carnais e não de espirituais (1Co 3.1). “A rivalidade, motivada por egoísmo, só pode resultar em divisões que destroem a unidade da igreja. Aqui, Paulo não está falando de diferenças fundamentadas em crenças sinceras; ele está preocupado com divisões ocasionadas por motivos errados, cuja procedência é determinada pela natureza pecaminosa”. (BEACON, 2006, p.72). Uma vez que havia dissensões no seio da igreja trazendo partidarismo (1Co 1.10- 12; 3.1-4) como também prejuízo à liturgia do culto (1Co 11.17-21); para corrigir esses e outros erros, o apóstolo reafirma a necessidade de possuir o “fruto do Espírito” caracterizado pela sua principal virtude o amor (1Co 1-7).
  • Um remédio contra ansiedade. De acordo com Andrade (2006, p.49) a ansiedade é: “Aflição, inquietação, preocupação. Estado de angústia que induz o ser humano a projetar, no futuro, perigos irreais, nascidos, via de regra, das interrogações do dia-a-dia”. A ansiedade tem sido responsável por grande parte dos problemas espirituais e emocionais de muitos crentes. Segundo Lopes (2007, p. 229): “A ansiedade é a maior doença do século. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, mais de 50% das pessoas que passam pelos hospitais são vítimas da ansiedade”. Em função disso, o Senhor Jesus adverte: Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal” (Mt 6.34). O ansioso geralmente antecipa os problemas. A ansiedade produz o sofrimento antecipadamente; a ansiedade esgota as forças antes do problema chegar; por essa e outras razões precisamos da paciência como remédio para a alma (Fp 4.6; 1Pe 7).

III – EXORTAÇÕES À PACIÊNCIA

No último capítulo da sua epístola, o apóstolo Tiago pontua ricas recomendações e exortações a respeito de diversos assuntos, entre eles está a paciência necessária ao cristão. Destaquemos algumas delas:

 A segunda vinda de Cristo, uma motivação à paciência (Tg 5.7-9). É importante destacar que a segunda vinda de Cristo é mencionada três vezes nessa passagem, por certo, com o objetivo de animar os irmãos a cultivarem a longanimidade ao terem em vista a bendita esperança da volta de Jesus (Tt 2.13). Ao ter essa esperança gloriosa em vista, somos fortalecidos para continuarmos sendo pacientes (Tg 5.8); não menos importante, Tiago lembra que a atitude inversa à vontade de Deus, ou seja, o crente não ser longânimo, será julgada (Tg 9).

  • Exemplos de paciência, uma referência a ser seguida (Tg 5.10,11). Para encorajar os seus leitores ao exercício da paciência, o apóstolo faz alusão a figuras e personagens que servem de modelo a serem seguidos. Vejamos:
  •  O Lavrador. Uma das atividades que mais exige paciência, com certeza, é de agricultor, isso se dá por razões conhecidas, pois, nenhuma planta cresce da noite pra o dia, pelo fato de o lavrador não controla as condições climáticas, etc. Na Palestina, o grão é plantado no outono e recebe a chuva temporã no final de outubro. Ele recebe a chuva […] serôdia em março e abril, pouco antes de estar maduro. Durante todo esse tempo, o agricultor espera pacientemente pela colheita (BEACON, 2006, p.191). Por essa razão Tiago retrata o cristão como um “agricultor espiritual” à espera da colheita espiritual. A razão da sua paciência é sua esperança confiante na colheita, a ceifa faz a espera valer a pena (Tg 5.7). Porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos” (Gl 6.9). Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração” (Tg 5.8). Nesse exemplo a paciência é sinônimo de perseverança em aguardar pelos resultados (Hb 10.36-38).
  • Os profetas. Chamados para serem porta-voz de Deus, geralmente em períodos marcados por crises diversas, foram perseguidos e alguns mortos por sua fidelidade; perseguição essa, denunciada por Estevão diante do Sinédrio: A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que anteriormente anunciaram a vinda do Justo […]” (At 7.52). Os profetas são exemplos de pessoas que suportaram as mais diferentes dificuldades de forma resoluta, para proclamar a verdade de Deus, servindo de referência conforme ensinou o Senhor Jesus: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós(Mt 11,12).
  • O patriarca Jó. Lembrado como exemplo de piedade (Ez 14.14,20), cuja integridade foi atestada pelo próprio Deus (Jó 1.1; 2.3). O patriarca por meio das aflições que enfrentou e venceu, tornou-se também um exemplo daqueles que por meio da perseverança e paciência, alcançam as bençãos do Senhor (Jó 42.10-17). Por meio desses exemplos Tiago deseja estimular os leitores a serem pacientes em momentos de aflições. Como um lavrador, esperamos a colheita espiritual, pois os frutos glorificarão a Deus; à semelhança dos profetas, testemunhamos apesar das perseguições; e como Jó, esperemos o Senhor cumprir seu propósito amoroso, sabendo que jamais causará qualquer sofrimento desnecessário na vida de seus filhos (Rm 28).

CONCLUSÃO

Concluímos que ter paciência é uma necessidade de todo cristão, diante das diversas situações a que estão submetidos, como também nos tornar capazes de suportar e saber agir pacientemente, para conservação da unidade cristã evitando as divisões.

REFERÊNCIAS

  • BARCLAY, William. As obras da carne e o fruto do Espírito. VIDA
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS
  • LOPES, Hernades dias. Comentário Expositivo Gálatas. HAGNOS
  • OLIVEIRA, Raimundo de. As Grandes Doutrinas da Bíblia.CPAD
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD
  • TYNDALE, Dicionário Bíblico. GEOGRÁFICA

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Paz de Deus: antídoto contra as inimizades

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1º TRIMESTRE 2017

AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO

Como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente

COMENTARISTA: Osiel Gomes

LIÇÃO 05 – PAZ DE DEUS: ANTÍDOTO CONTRA AS INIMIZADES – (Ef 2.11-17)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição definiremos teologicamente a palavra paz; pontuaremos as três dimensões da paz; estudaremos como viver a verdadeira paz com Deus, com o próximo e consigo; e por fim, conceituaremos a palavra inimizade e mostraremos como a inimizade pode ser vencida na Bíblia.

I – A INIMIZADE NA BÍBLIA

  • Definição de inimizade. Inimizade significa: “aversão, antipatia, desafeição, ser contrário, sentimento de não gostar de alguém”. No grego, a palavra inimizade é “echthra” e esse vocábulo serve para identificar três tipos de inimizade. a) inimizade para com Deus (Rm 8.7; Tg 4.4); b) inimizade entre as pessoas (Mt 5.21-26; Lc 23.12); e c) hostilidade entre grupos (Rm 1.14; Ef 2.14-16). A inimizade, em geral é resultado da soberba, por isso, o Senhor abomina o coração altivo (Pv 6.16,17). As inimizades são produto da carne, de uma natureza pecaminosa (1Co 1.10-13). Em Gálatas, Paulo apresenta a inimizade, as contendas e as disputas como obras da carne (Gl 5.20). A palavra inimigo vem do latim “inimicu”, onde “in” significa “não” e “amicus” quer dizer amigo, logo, inimigo quer dizer: “não amigo, alguém adverso, contrário e hostil” (GOMES, 2016, p. 65 – acréscimo nosso).
  • A inimizade é muito mais que falta de amizade. É ódio, aversão, malquerença e rancor profundo, como também uma paixão que impele uma pessoa a causar ou desejar mal a alguém. Como obra da carne que é, “echthra” é o antônimo exato de “ágape”, que é um aspecto do fruto do Espírito (Lc 6.27, 35; Rm 12.14; Gl 5.22). Enquanto o amor predispõe a mente e o coração de uma pessoa para exercer abnegadamente a benignidade e a bondade em favor do próximo (1Co 13.1-7), a inimizade é uma atitude mental hostil que provoca e afronta outras pessoas, desejando e fazendo de tudo para prejudicá-las.
  • O pecado de inimizade é grave e típicos de uma vida não regenerada (Rm 8.1-2,5-6,8; Gl 5.16-26; Cl 3.1-11). Esses pecados implicam na perda da comunhão com Deus e com o próximo (Mt 5.21-26; Gl 5.19-21; 1Jo 2.9-11; 3.14-16; Ap 21.8; 22.15). A solução para evitarmos a inimizade é produzirmos o fruto do Espírito (Gl 5.22-26) e seguirmos a seguinte recomendação bíblica: “Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou” (Cl 3.12-13 – Nova Versão Internacional – NVI). O apóstolo ainda diz: “Se o teu inimigo tiver fome, alimenta-o; se ele tiver sede, dá-lhe algo para beber… Não te deixes vencer pelo mal, porém, persiste em vencer o mal com o bem(Rm 12.20, 21).
  • A inimizade é exatamente o oposto do amor (1Jo 2.9, 4.8, 5.1). Os cristãos têm que amar seus inimigos, e não podem imitar o ódio do mundo (Mt 5.46-48). A inimizade já causou incalculável número de tragédias no mundo e em diversos lugares é possível observar conflitos e mais conflitos. Os cristãos, conforme Atos dos apóstolos, deixaram os exemplos de um estilo de vida caracterizado pela união, amizade e solidariedade (At 2. 44,45; 4. 32). Jesus declarou: “Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá” (Mt 25) (GOMES, 2016, p. 65).
  • As inimizades quebram a unidade da igreja (Ef 4.1-6). As inimizades causam muitos outros problemas e hostilidades de todas as formas, tais como as divisões, iras, etc. Ela destrói relacionamentos e leva pessoas a fazerem coisas cruéis. Ela alimenta ódio, brigas, vingança e muitos outros pecados contra outras pessoas. Jesus nos ensina a perdoar e a viver em paz com outras pessoas. Ele nos ajuda a ver nossos inimigos como pessoas que também precisam dele, pessoas que devemos amar (Lc 6.27-35). O amor vence a inimizade e conserta relacionamentos (Mc 12.30,31; Rm 12.19-21; Cl 1.23). O amor sempre vence: “Amai a vossos Inimigo… Bendizei o que vos maldizem… Fazei bem aos que vos odeiam… Orai pelos que vos maltratam…Para que sejais filhos do Pai que estás nos céus” (Mt 5.44,45). Aqui está todo o escopo do ensino de Jesus sobre o amor cristão. Não é amar por Não é ingenuidade. É amor consequente, que tem um objetivo sublime a ser alcançado.

II  – DEFINIÇÃO DA PALAVRA PAZ

2.1 Definição de paz. Segundo o dicionário Aurélio, paz significa: “ausência de lutas, de guerras, de violências ou pertubações sociais, tranquilidade pública, concórdia, harmonia” (FERREIRA, 2004, p. 1514). O termo hebraico para paz é “shalom” que pode significar: “unidade, descanso, feliz, tranquilo, quieto” (GRAHAM apud GOMES, 2016, p. 60). O termo grego é “eirene” que nos dá a ideia de “harmonia, acordo, descanso, quietude”. Espiritualmente falando, paz é uma cultivação (fruto) do Espírito (Gl 5.22) que produz um estado de tranquilidade e quietude interior que não depende de circunstâncias externas (Is 32.17-19; Sl 4.8). Paulo diz que Cristo é a fonte da nossa paz (Lc 16.33; Jo 14.27; Ef 2.14-18; Is 9.6) (ZUCK, 2008, p. 347).

III   – AS TRÊS DIMENSÕES DA PAZ

A paz concedida por Cristo é uma virtude que afasta o pânico, anula a ansiedade, traz ao coração perturbado a  serenidade e nos faz descansar em meio ao sofrimento e às provações da vida (SI 23.4; Jo 14.27; 16.33; 20.19, 21,26). O mundo vive sem paz porque é habitado por pessoas que vivem dominadas pela natureza pecaminosa (Tg 4.1). De acordo com as Escrituras, a paz possui três dimensões. Notemos:

  • A paz com Deus. “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1,2 ver Cl 1.19,20). A paz com Deus só é possível mediante a justificação pela fé (Gl 2.16; Rm 1.17). Pois o pecador, em seu estado de pecado, encontra-se em inimizade com Deus, visto que o pecado é uma violação da vontade de Deus (Tg 4.4). Porém, quando o mesmo se arrepende, aceitando a Jesus como seu único e suficiente Salvador, automaticamente ele é reconciliado com Deus (Rm 5.1). Somos chamados não só a ter paz com Deus por Jesus Cristo, mas também para sermos pacificadores, reconciliando outras pessoas com Deus, de forma que elas também possam obter a paz com Deus (Mt 9).
  • A paz de Deus. “E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações…” (Cl 3.15). O apóstolo Paulo ainda diz: E a paz de Deus, que excede todo o entendimento…”. Esta é a paz interior que Jesus nos deu pelo Espírito Santo (Jo 14.26,27; Rm 15.13). A paz interior substitui a raiva, a ira, a culpa e a preocupação. Sem a “paz com Deus” não pode haver a “paz de Deus”.
  • A paz com os homens. “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.18 ver Ef 4.1-3). Fomos conclamados a seguir a paz e, na medida do possível, ter paz com todos os homens (Sl 34.14; Mt 5.9; Rm 12.18; 1Co 7.15; Hb 12.14; 1Pe 3.11). A paz, como fruto do Espírito Santo é, primeiramente, ascendente, para Deus; depois, interior, para nós mesmos; e, finalmente, exterior, para nosso semelhante (1Pe 3.11). Sigamos o exemplo de Isaque que para evitar um conflito desnecessário com Abimeleque, preferiu cavar outro poço (Gn 26.19-22); e de nosso maior mestre, Jesus, que é o príncipe da paz (Is 9.6). Mesmo na noite em que foi preso injustamente por opositores armados, Jesus mostrou amor por seus inimigos. Nessa ocasião, Jesus estabeleceu um princípio importante que guia seus verdadeiros seguidores até hoje. Pedro escreveu: “Cristo sofreu por vós, deixando-vos um modelo para seguirdes de perto os seus passos… Quando sofria, não ameaçava, mas encomendava-se a Deus” (1Pd 21,23).

IV – COMO VIVER A VERDADEIRA PAZ

As principais atividades do Espírito Santo ao desenvolver o fruto espiritual estão entrelaçadas com a paz (Ap 1.4; 2Co 13.11; Rm 8.6). A paz é uma alegria que sobrepuja a compreensão humana, pois independe das circunstâncias (Tg 1.2; 1Ts 1.6; Sl 126.5). Ela procede do coração de Deus para o coração do crente (Ne 8.10; Sl 51.12; Jo 15.11). Consiste num estado de graça que proporciona comunhão com Deus, auto-aceitação e harmonia nas relações pessoais. A paz proporcionada por Cristo nos dá condições de vivermos em paz com Deus (vertical), com o próximo (horizontal) e de desfrutarmos da paz interior (central). Vejamos cada uma delas:

  • Vertical: Vivendo a paz com Deus. A paz que Jesus nos oferece é diferente da paz ilusória que o mundo dá (Jo 14.27; 16.33). Essa paz cumpre o propósito mais sublime do Senhor para o ser humano: restaurar a nossa paz com Deus (Rm 5.1). Nosso Senhor Jesus é chamado o “Príncipe da Paz” (Is 9.6), a primeira mensagem pregada depois que Ele nasceu foi de paz (Lc 2.14), quando enviou os primeiros pregadores, ele os orientou a pregar a paz (Lc 10.5). Ele pregou a paz (Ef 2.14,17), e pela cruz fez-se mediador entre Deus e os homens, fazendo a paz (1Tm 5).
  • Horizontal: Vivendo a paz com os outros. Todos os que ‘seguem de perto os passos de Jesus’ refletem sua disposição amorosa e bondosa. “E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim ser brando para com todos, apto para ensinar, paciente, corrigindo com mansidão os que registem…” (2Tm 2.24,25 ver Tt 3.2). Quando estamos em Cristo, a paz com Deus é restaurada, e daí passamos a ter harmonia uns com os outros na dimensão do amor de Deus que é derramado em nossos corações (Rm 5.5). Essa paz supera qualquer obstáculo, não se enfraquece quando não é correspondida e busca sempre suprir as deficiências humanas nos relacionamentos (Mc 9.50; Rm 12.9-21; 1Ts 5.12,13). O crente que já recebeu a paz de Deus, em seu coração precisa partilhar dessa paz com todos tornando-se um embaixador da paz (Sl 133.1; Lc 6.27-35; 2Co 5.20). Quem já experimentou a justificação e a reconciliação com Deus torna-se um pacificador (Gn 26.19-25; Mt 5.44,9; Rm 12.18) (BÍBLIA DE ESTUDO APLICAÇÃO PESSOAL, 2003, p. 822).
  • Central: Vivendo a paz com si mesmo. A paz interior é o resultado da promessa de Deus em nós (Jo 14.27). É válido pensar nesses termos porque todos os nossos atos externos procedem do coração (Pv 4.23). A paz interior, provinda de Deus que excede a todo entendimento (CI 3.15), é o remédio contra toda a amargura, todo o ressentimento e qualquer outra obra que o Inimigo tente para nos desviar do propósito de Deus. Lembremo-nos de que essa paz que o Senhor nos dá é a fonte de nossa alegria e o antídoto contra toda e qualquer ansiedade, medo, depressão, etc (Fp 4.4-6). É pela paz e unidade em Cristo que o crente obtêm a santidade e se conserva para a vinda do Senhor (1Ts 5.23; Hb 12.14). “O fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz” (Tg 3.18). A paz interior é para aqueles que confiam no Senhor: “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti(Is 3).

CONCLUSÃO

O ódio é vingativo, retaliatório, produzindo rancor e mágoa em relação às outras pessoas. Além de causar dano às outras pessoas, é prejudicial para aquele que o nutre no coração. Torna o homem amargurado e o corrói por dentro. Praticar essa obra da carne é possuir as qualidades que produzem inimigos. Podemos ter inimigos, mas eles não podem surgir por causa da nossa malfeitoria. Paulo disse: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens(Rm 12.18).

REFERÊNCIAS

  • Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal.
  • GOMES, Osiel. As obras da carne e o fruto do Espírito.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • ZUCK, Roy B. Teologia do Novo Testamento.

Fonte: https://ieadpe.org.br/

Alegria, fruto do Espírito; inveja, hábito da velha natureza

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1º TRIMESTRE 2017

AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO

Como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente

COMENTARISTA: Osiel Gomes

LIÇÃO 04 – ALEGRIA, FRUTO DO ESPÍRITO; INVEJA, HÁBITO DA VELHA NATUREZA – (Jo 16.20-24)

 INTRODUÇÃO

Na lição de hoje, falaremos sobre a alegria – uma das virtudes do fruto do Espírito contrastando com a inveja como obra da carne; iniciaremos trazendo a definição da palavra alegria; destacaremos quais os seus aspectos; e, quais os resultados desta virtude na vida do crente. Veremos também o significado da palavra inveja; quais os efeitos desta obra da carne; e, por fim, quais os contrastes entre a inveja e a alegria.

I  – DEFINIÇÃO DE ALEGRIA

De acordo com o Dicionário Exegético Vine (2002, p. 385) a palavra equivalente para alegria no grego é “chará” que significa: “gozo, deleite, prazer, alegria” (Mc 4.16; At 12.14; Fp 2.29). Também no texto grego aparece a palavra “agalliasis” indica uma alegria mais exultante e diz respeito a: “exultação, alegria exuberante” (Lc 1.14,44; At 2.6; Hb 1.9; Jd 24). Existe ainda a expressão grega “euphrainôque fala sobre: “alegrar, ficar contente, estar feliz, regozijar-se, tornar-se alegre” (Lc 12.19; 15.23,24,29,32). A alegria é a segunda virtude que está classificada entre as que o Espírito produz em nós em relação a Deus “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo […]” (Gl 5.22-a). A fonte da alegria do cristão é Cristo (Fp 3.1). Ele a concede aos seus seguidores (Jo 15.11) pelo Espírito (Rm 14.17; I Ts 1.6). A alegria e o Espírito Santo andam juntos (Sl 16.11; At 13.52; I Ts 1.6).

II  – CARACTERÍSTICA DA ALEGRIA COMO FRUTO DO ESPÍRITO

  • Alegria espiritual. A alegria do Espírito contrasta com a alegria natural. Portanto, é uma alegria decorrente das coisas espirituais, não A Bíblia mostra que essa alegria é: (a) fruto da salvação (Sl 51.12; Is 12.3; 61.10; Lc 1.47); (b) da esperança da ressurreição (Sl 16.9); (c) de possuir o nome escrito no Livro da Vida (Lc 10.20); (d) por sofrer pelo nome de Cristo (I Pe 4.13); (e) pelo retorno de Cristo (Ap 19.7). Beacon (2006, p. 75) afirma que “a alegria é a manifestação externa da paz interna”.
  • Alegria constante. Diferente da alegria natural, a alegria como fruto do Espírito é permanente, duradoura, não circunstancial. Jesus disse isso aos seus discípulos: “[…] vossa alegria ninguém vo-la tirará” (Jo 16.20-22). O apóstolo Paulo que enfrentou diversas dificuldades durante o exercício do seu ministério asseverou: “como contristados, mas sempre alegres” (II Co 6.10). Por isso, mesmo tendo sido açoitado e aprisionado junto com Silas em Filipos, o apóstolo orava e louvava ao Senhor (At 16.22-25). Estando também encarcerado em Roma, Paulo exortou aos cristãos filipenses: “Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos” (Fp 4.4). Paulo estava cheio de alegria por saber que, a despeito daquilo que lhe viesse acontecer, Jesus Cristo estava ao seu lado (Fp 11-13).
  • Alegria abundante. A alegria como fruto além de ser espiritual e constante é também abundante. O Espírito Santo produz alegria abundante no coração do salvo. No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos Lucas descrevendo que os convertidos gentios alegram-se grandemente (At 13.52), a mesma intensidade de alegria sentiram os que ouviram a notícia da conversão dos gentios (At 15.3). Paulo diz que os cristãos da Macedônia: “no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria” (II Co 8.2). Isto se deu quando os macedônios desejaram contribuir na assistência aos santos de Jerusalém (II Co 3-5).

III  – DEFINIÇÃO DO TERMO INVEJA

Segundo Champlin (2004, p. 355), a palavra portuguesa “inveja” vem do latim, “invidere”, que significa “em” (contra) e “olhar para”, ou seja, olhar para alguém com maus olhos, de modo contrário, com base no ódio sentido contra esse alguém. O Dicionário Vine a define como sendo: “um princípio ativo de hostilidade dirigido maliciosamente a outra pessoa”. Inveja é um misto de ódio, desgosto e pesar pelo bem e felicidade de outrem; é o desejo violento de possuir o  bem do próximo. No hebraico a palavra “qinah” significa “inveja”. Essa expressão é aplicada por quarenta e duas vezes no AT (Jó 5.2; Pv 14.30; Ec 4.4; Is 11.13; Ez 35.11). No grego é a palavra “phithónos”. Esse vocábulo ocorre por nove vezes (Mt 27.18; Mc 15.10; Rm 1.29; Gl 5.21; Fl 1.15; 1Tm 6.4; Tt 3.3; Tg 4.5; 1 Pe 2.1).

IV  – OS EFEITOS DA INVEJA

Nos Dez Mandamentos, a Bíblia usa o termo “cobiçar”, que é um sinônimo para “invejar” (Êx 20.17). Deus elencou a inveja como um dos pecados mais graves por saber do seu efeito destrutivo (Dt 5.21). A inveja está entre as obras da carne que atingem o nosso próximo (Gl 5.22). Segundo Champlin, (2004, p. 355) “a inveja é uma das maiores demonstrações de mesquinharia humana, causada pela queda no pecado. Os invejosos chegam a fazer campanhas de perseguição contra suas vítimas, as quais, na maioria das vezes, não têm qualquer culpa por haverem despertado tal sentimento nos invejosos. Geralmente os mal-sucedidos têm inveja dos bem-sucedidos. Essa é uma tentativa distorcida para compensar pelo fracasso, glorificando ao próprio “eu” e procurando enxovalhar a pessoa invejada”. Analisemos  alguns efeitos destruidores deste malígno sentimento:

  • A inveja pode adoecer. A respeito da inveja, o escritor de Provérbios nos faz diversas exortações (Pv 3.31; 24.1,19; 27.4). A mais severa dela nos diz que: “a inveja é podridão para os ossos” (Pv 14.30). Dentre as muitas atribuições dos ossos, uma delas é a de sustentação do corpo. Quando o proverbista afirma que a inveja é a “podridão dos ossos” significa que ela é uma espécie de câncer que começa sutilmente destruindo o homem por dentro. Segundo Aurélio (2004, p. 165), o verbo “apodrecer” quer dizer: “putrefazer”, palavra geralmente usada para descrever um corpo morto em estado de decomposição. Portanto, a inveja é um sentimento nocivo que faz mal principalmente aquele que o abriga em seu coração.
  • A inveja pode matar. Caim, foi a primeira pessoa descrita na Bíblia que foi atingida pela inveja e por suas consequências. O homicídio cometido por ele nasceu deste sentimento que nutria por seu irmão Abel (Gn 3.4,5). Saul quando viu que Davi era melhor guerreiro que ele, intentou algumas vezes matá-lo (I Sm 18.7-11). Os irmãos de José, por muito pouco, não o executaram (Gn 37.11,18). Ainda assim o venderam para o Egito e lá ele poderia ter morrido (Gn 37.28,28; 39.19-20). Jesus também foi vítima da inveja dos grupos religiosos de sua época, que não satisfeitos com a graça que Jesus tinha das multidões, eles procuraram matá-lo (Mt 27.18; Mc 10).
  • A inveja pode impedir o homem de entrar no céu. Dentre os muitos males que a inveja pode causar, o pior deles é o de banir o homem para sempre da presença de Deus. Na lista de vícios elencados por Paulo em Gálatas 5.22, a inveja está entre aqueles que o apóstolo diz: “os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus” (Gl 5.21). Evidentemente que Paulo está falando para aqueles que vivem na prática deste pecado e não estão dispostos a arrepender-se e abandoná-lo.

V  – O CONTRASTE ENTRE A INVEJA E A ALEGRIA

INVEJA

ALEGRIA

Obra da carne (Gl 5.21) Fruto do Espírito (Gl 5.20)
Tem origem em Satanás (Is 14.12-15; Ez 28.12-19) Tem origem em Deus (Sl 16.11; Hb 1.9)
Se entristece com a alegria alheia (Gn 26.14) Alegra-se com os que se alegram (Rm 12.15)
Adoece (Pv 14.30; Sl 73.21) É teurapêutica (Pv 17.22)
Reclama pelo que não tem (I Sm 8.5,6; Sl 73.1-20) Agradece pelo que tem (Fp 4.11-13)
Pode levar a morte (Rm 1.32; Gl 5.21-a) Leva à vida (Rm 14.17)
É temporária (I Jo 2.16) É permanente (Jo 16.22; Jd 1.24)

VI – RESULTADOS DA ALEGRIA

  • Um rosto radiante. O proverbista nos diz que: “o coração alegre aformoseia o rosto […]” (Pv 15.13). Isto significa dizer que os sentimentos interiores da pessoa são expressos no rosto ou pelas atitudes. O cristão cheio de alegria do Senhor exibirá e comunicará essa alegria na aparência exterior. Beacon (2006, p. 75) diz que “o cristão basicamente infeliz é uma contradição. O Reino de Deus é caracterizado por alegria, junto com justiça e paz” (Rm 17).
  • Um cântico de louvor. Quando o Espírito Santo produz no crente a virtude da alegria, seu coração se enche de gratidão e sua boca de intenso louvor (Sl 45.1; Ef 5.19; Cl 3.16; Tg 5.13). Zacarias louvou a Deus pelo cumprimento da promessa de Deus em sua vida (Lc 1.64-79); Maria alegrou-se pelo fato de ter sido escolhida para ser a mãe do Salvador e agradeceu com cântico (Lc 46-55); Simeão e Ana louvaram a Deus pela vinda do Messias (Lc 2.29-32).
  • A força divina. As tribulações da vida tendem a nos trazer desânimo e tristeza (Jo 16.33), no entanto, a alegria como fruto do Espírito traz ânimo e renova as forças do crente (Ne 8.10). Quando Jesus anunciou aos seus discípulos que iria dexá-los a reação foi de imensa tristeza (Jo 16.16-20). No entanto, Ele prometeu que o Pai enviaria outro Consolador e não o deixaria órfãos (Jo 14.16). A palavra “Consolador” (“parácleto”, no grego) significa alguém chamado para ficar ao lado de outrem, com o propósito de ajudá-lo em qualquer Ele nos assiste nas nossas fraquezas (Rm 8.26).

CONCLUSÃO

Como cristãos, devemos diariamente nos despir das práticas pertencentes a velha vida e nos vestirmos da nova vida, do novo homem, criado em justiça e santidade. Evitemos a inveja e conservemos a alegria do Espírito que é espiritual, constante e abundante.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • HOWARD, R.E et al. Comentário Bíblico.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • VINE, W.E et al. Dicionário Vine. CPAD.

Fonte: https://ieadpe.org.br/