Perdoamos porque fomos perdoados

  FLAG SPAINFLAG RUSSIANFLAG USAFLAG FRANCEFLAG GREECEFLAG GERMANYFLAG KOREANFLAG JAPANFLAG ITALYFLAG ISRAELFLAG CHINAFLAG INDIA

4º TRIMESTRE 2018

AS PARÁBOLAS DE JESUS

As verdades e princípios divinos para uma vida abundante

COMENTARISTA: Pr. Wagner Gaby

LIÇÃO 07 – PERDOAMOS PORQUE FOMOS PERDOADOS – (Mt 18.21-35)

 INTRODUÇÃO

Respondendo um questionamento de um dos discípulos sobre o perdão, Jesus contou a parábola denominada de “credor incompassivo”, cujo ensinamento principal foi de que assim como Deus perdoa as nossas iniquidades, de forma semelhante devemos exercer misericórdia de forma ilimitada para com aqueles que pecam contra nós.

I – INFORMAÇÕES A RESPEITO DESTA PARÁBOLA

  • Curiosidades. Esta parábola destaca-se entre as demais pelas seguintes características: (a) ela só é encontrada no Evangelho de Mateus (Mt 18.23-35); (b) está entre as classificadas “parábolas do Reino” (Mt 18.23); e, (c) é uma das poucas parábolas que trata acerca do perdão (Mt 18.35), a outra está em Lucas 7.41,42.
  • Pano de fundo. O pano de fundo que levou Jesus a contar esta parábola, foi para responder uma pergunta do apóstolo Pedro. Ele queria saber quantas vezes tinha que perdoar esse irmão: “Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei?” (Mt 18.21-b). O Talmude judaico baseado em Amós caps 1 e 2, ensinava que não se devia perdoar ao ofensor além de três vezes (BEACON, 2008, p. 131 – acréscimo nosso). Talvez querendo mostrar-se generoso, Pedro sugeriu: “Até sete?” (Mt 18.21-c), quem sabe aproveitando uma fala de Jesus em outra ocasião, quando disse que devia se perdoar o irmão até “sete vezes no dia” (Lc 17.3,4). No entanto, a resposta de Jesus foi extremamente confrontadora a perspectiva humana sobre o perdão, mostrando que não deve haver limites para exercê-lo: “Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete” (Mt 18.22). Se sete é um número que representa completude, setenta vezes sete deve ser plenitude absoluta (BOYER, 2009, p. 383).

II – OS PERSONAGENS DA PARÁBOLA

Embora a narrativa parabólica seja fictícia os personagens são figuras presentes do cotidiano de Israel. Vejamos quais os personagens desta parábola:

  • O rei (Mt 18.23). Jesus iniciou esta parábola falando do primeiro personagem: “o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei […]” (Mt 18.23-a). É dito que este rei resolveu ajustar as contas com seus servos, a quem ele havia emprestado um dinheiro (Mt 18.23); que ele era generoso (Mt 18.26,33); mas, também justo (Mt 18.32-34).
  • Um servo (Mt 18.23,24). Quando o rei iniciou o trabalho de prestação de contas entre os seus servos “foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos” (Mt 18.24-b). Sua dívida era muito grande visto que “um talento era o valor equivalente a seis mil denários, o que equivalia a seis mil dias úteis de trabalho ou trinta anos de trabalho. Um único talento era quase a renda de uma vida inteira” (ROBERTSON, 2011, p. 209). Na parábola é dito que ele não tinha com que pagar (Mt 18.25-a). Diante disso, o rei, valendo-se da Lei de Moisés (Êx 22.3; Lv 25.39,47), ordenou que este servo e toda a sua família fossem seus servos a fim de quitar a dívida (Mt 18.25). Ao saber que ele toda a família serviriam ao rei, este servo prostrou-se diante do rei e apelou para a sua misericórdia, rogando-lhe que lhe desse mais tempo para salvar a dívida completamente (Mt 18.26). Diante do pedido do servo, o rei, movido de íntima compaixão, decidiu perdoá-lo da dívida: “Então o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida” (Mt 18.27). Sobre este servo é dito que era apto a pedir misericórdia, mas não de exercer misericórdia (Mt 18.26,33). Por causa dessa atitude ele é chamado pelo rei de “servo malvado” (Mt 18.32-a).
  • O conservo (Mt 18.28). Ao sair da presença do rei com a sua dívida perdoada, o servo encontrou-se com um dos seus conservos (Mt 18.28); e, ao abordá-lo cobrou lhe os “cem dinheiros” ou “cem denários”, que este lhe devia: “e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves” (Mt 18.28-b). O denário equivalia a um dia de trabalho (Mt 20.2) (CHAMPLIN, 2004, p. 474). O conservo diante da cobrança se humilhou e rogou misericórdia para poder saldar o seu débito “[…] prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei” (Mt 18.29). No entanto, seu pedido por generosidade foi negado, e ele foi sentenciado a prisão, até que quitasse a dívida (Mt 18.30). Embora estivesse em seu poder perdoar o conservo, este homem o negou: “Ele, porém, não quis […]” (Mt 18.30). Vejamos abaixo as diferenças entre o servo e o conservo:

SERVO

CONSERVO

Foi chamado pelo rei para prestar contas (Mt 18.23,24)

Foi abordado com violência pelo seu senhor (Mt 18.28)

Devia dez mil talentos (Mt 18.24)

Devia cem dinheiros (Mt 18.28)
Prostrou-se para pedir tempo para pagar e foi perdoado (Mt 18.25-27)

Prostrou-se para pedir tempo para pagar e foi preso (Mt 18.29,30)

III – ENTENDENDO QUEM OS PERSONAGENS REPRESENTAM

Nem sempre os personagens de uma parábola tem significação. No entanto, nesta, percebemos que Cristo lhes dá um sentido. Vejamos:

  • Deus é o rei (Mt 18.35). Embora nem sempre nas parábolas cada personagem tenha um significado, nesta especificamente, fica claro que o “rei” é uma figura de Deus, como o próprio Jesus aplica (Mt 18.35). O rei é o principal chefe ou governante de uma tribo ou nação” (CHAMPLIN, 2004, p. 617). O título de rei, nas Escrituras, tanto é aplicado ao Pai (Sl 10.16; 145.13; Jr 10.10) como ao Filho (Ap 17.14; 19.16). O monarca desta parábola retrata o caráter divino pois é apresentado como um rei que: (a) se compadece: “movido de íntima compaixão” (Ef 2.4,5; Tt 3.5; 1 Pd 2.10; Sl 103.13; Rm 12.1); (b) liberta: “soltou-o” (Ef 1.7; 1 Pd 1.18,19; Lv 17.11); e, (c) perdoa: “e perdoou-lhe a dívida” (Is 55.7; 1 Jo 1.9). Sua bondade em perdoar o servo de sua dívida e sua justiça e juízo de puni-lo por negar misericórdia ao conservo retratam perfeitamente o caráter divino que está disposto a perdoar o pecador arrependido (Mt 9.13; Lc 5.32; Rm 11.32), mas também de punir ao pecador perdoado que se recusa liberar perdão (Mt 6.15; 18.34,35; Mc 11.26).
  • Nós somos os servos (Mt 18.23,35). Os servos do rei são todos aqueles que se submeteram a Cristo como Senhor e Salvador. Isto fica evidente no início da parábola, quando Jesus está falando do Reino de Deus aos súditos desse Reino, ou seja, seus discípulos (Mt 18.23). Assim como este servo tinha uma dívida da qual não tinha condições de pagar ao rei e clamando por misericórdia foi perdoado, ele retrata a nossa condição de pecadores diante de Deus (Rm 3.23) que somente por Sua imensurável graça poderíamos ser restaurados, pois o pecado é uma dívida que o homem contrai, para a qual o único recurso é o perdão (Cl 2.13; 1 Jo 1.9; 2.12).
  • O conservo é o nosso irmão (Mt 18.28,35). O conservo da parábola é o nosso irmão, isto fica claro, a luz do contexto, ou seja, do texto que precede a parábola, quando vemos Jesus falar sobre o tratamento que se deve a “um irmão que peca contra o outro” (Mt 18.15). O rei perdoou o servo a sua dívida e esperava que ao menos o servo perdoado pudesse fazer o mesmo com o seu conservo, por isso disse “Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?” (Mt 18.33). Não podemos agir com o nosso irmão diferente da forma como Deus age conosco (Lc 10.27). Isto Jesus ensinou quando disse “e, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas” (Mc 11.25). O apóstolo Paulo também firmou: “como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também” (Cl 3.13; Ef 4.32); os demais apóstolos transmitiram o mesmo ensino (1 Pd 2.21; 1 Jo 1.7; 4.7).

IV – O PRINCIPAL ENSINAMENTO DESTA PARÁBOLA: O PERDÃO

Mateus registrou os ensinamentos de Jesus mais diretamente relacionados com a conduta dos seus discípulos como membros do Reino trazido à terra por Ele. O reino dos céus tem valores essencialmente diferentes dos que caracterizam as instituições terrenas e as organizações seculares. A sociedade dos perdoados fica sem sentido, se os que são perdoados não perdoam (TASKER, 2006, p. 138). O verbo “perdoar” significa: “renunciar a punir; desculpar; poupar; ver com bons olhos” (HOUAISS, 2001 p. 2185). Sobre o perdão, Jesus ensinou que:

  • O perdão não deve ser limitado (Mt 18.21,22). A resposta de Jesus a pergunta de Pedro quantas vezes se devia perdoar o irmão ofensor com a sugestão de “até sete” (Mt 18.21-c), teve como resposta do Mestre “até setenta vezes sete” (Mt 18.22), o que significa dizer: de forma ilimitada. Assim como Deus amou o mundo de maneira ilimitada (Jo 3.16), devemos reproduzir este amor nos nossos relacionamentos (1 Jo 3.16).
  • O perdão não deve ser negado (Mt 18.35-a). Jesus ensinou que não podemos negar o perdão aquele que arrependido nos rogar, tendo como base o caráter generoso do próprio Deus, que sempre nos perdoa quando sinceramente lhe pedimos. A Bíblia diz que Ele “está pronto a perdoar” (Sl 86.5); e, que é “grandioso em perdoar” (Is 55.7). Veja ainda: (2 Cr 7.14; Pv 28.13; 55.7; 1 Jo 2.1). Portanto, quando perdoamos nos assemelhamos a Deus (Lc 6.36; Ef 4.32 Cl 2.13; 1 Jo 1.9; 2.12).
  • O perdão não deve ser superficial (Mt 18.35-b). Perdoar é mais que palavras (1 Jo 3.18). Jesus ensinou que é preciso que o perdão brote do coração, ou seja, do íntimo do nosso ser (Mt 18.35-b). A Bíblia diz que não podemos guardar ira no coração (Ef 4.26; Tg 3.14), nem permitir que nele brote raiz de amargura (Ef 4.31; Hb 12.15). Como é nele que pode se formar o ódio, é nele que o perdão deve nascer a fim de curar o mal em sua nascente. Ainda sobre o perdão é preciso destacar que: (a) é uma condição para permanecermos em comunhão Deus (Mt 6.12,14-15; 18.35; Mc 11.25,26); (b) ele revela se somos autênticos cristãos (Mt 3.8; 7.20; 12.33; Lc 6.44; Gl 5.22); e, (c) ele é condição para Deus receber a nossa oferta (Mt 5.23,24).

CONCLUSÃO

Jesus ensinou que as ofensas que os homens cometem uns contra os outros são mínimas em comparação às ofensas que todos cometem contra Deus. Se Ele nos perdoa por Sua graça, devemos tratar o nosso próximo com a mesma graça.

REFERÊNCIAS

  • BOYER, Orlando. Espada Cortante. CPAD
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
  • HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. OBJETIVA.
  • HOWARD, E, et al. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
  • ROBERTSON, A.T. Comentário de Mateus e Marcos. CPAD
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: www.adlimoeirope.com

Sinceridade e arrependimento diante de Deus

  FLAG SPAINFLAG RUSSIANFLAG USAFLAG FRANCEFLAG GREECEFLAG GERMANYFLAG KOREANFLAG JAPANFLAG ITALYFLAG ISRAELFLAG CHINAFLAG INDIA

4º TRIMESTRE 2018

AS PARÁBOLAS DE JESUS

As verdades e princípios divinos para uma vida abundante

COMENTARISTA: Pr. Wagner Gaby

LIÇÃO 06 – SINCERIDADE E ARREPENDIMENTO DIANTE DE DEUS (Lc 18.9-14)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos quem eram os fariseus e os publicanos; definiremos um contraste das palavras arrogância e humildade; veremos algumas características negativas do caráter do fariseu; e por fim, notaremos um contraste entre a oração do fariseu e do publicano.

I – QUEM ERAM OS FARISEUS E OS PUBLICANOS

Jesus proferiu três parábolas relacionadas com a oração que são respectivamente: (a) o amigo importuno (Lc 11.5-13); (b) o juiz iníquo (Lc 18.1-8); e, (c) o fariseu e o publicano (Lc 18.9-14). A parábola do fariseu e o publicano é constituída de duas orações feitas por dois homens com dois resultados diferentes. Vejamos alguns detalhes sobre estes dois personagens:

    • Os fariseus. Eram de uma seita judaica que surgiu na segunda metade do período interbíblico (tempo que decorreu entre o encerramento do AT e o início do NT, entre Malaquias e Mateus). No início da formação da seita, os fariseus eram devotos e fiéis, visando conservar viva a fé em Deus, a obediência à sua Lei, manter a pureza moral e espiritual e fortalecer a esperança messiânica (GILBERTO, 1990, p. 7). Não tardou muito e os fariseus tornaram-se legalistas, formalistas e hipócritas, dando mais valor à tradição do que às Sagradas Escrituras. Ao longo de seu ministério público, Jesus condenou a hipocrisia e a incredulidade dos fariseus (Lc 11.39-54). Descreveu-os como devedores falidos, incapazes de pagar sua dívida a Deus (Lc 7.40-50), convidados brigando pelos melhores lugares (Mt 23.13-39; Lc 14.7-14) e filhos orgulhosos de sua obediência, mas alheios às necessidades dos outros (Lc 15.25-32) (WIERSBE, 2007, vol. 1, p. 323).
  • Os publicanos. Eram judeus cobradores de impostos e por isso eram odiados e tidos como traidores porque trabalhavam para Roma que ocupava a terra dos judeus. O termo publicano vem do latim “publicum” porque seu trabalho estava ligado à renda pública. Geralmente eles extorquiam dinheiro, cobrando a mais, e aceitavam suborno dos ricos (Lc 3.12,13; 19.1-10). Eram comparados a: (a) pecadores (Mt 9.10-13; Lc 15.1); (b) meretrizes (Mt 21.31); e, (c) gentios (Mt 10.18; 1Ts 4.5). Eram ainda tidos como impuros porque estavam sempre em contato com gentios (GILBERTO, 1990, p. 7).

II – CONTRASTE ENTRE ARROGÂNCIA E A HUMILDADE

    • Arrogância. Segundo o dicionarista Houaiss (2001, p. 303), arrogância significa: “ato de atribuir a si mesmo privilégio; atitude prepotente de desprezo com relação aos outros; atitude desrespeitosa e ofensiva em atos ou palavras; orgulho ostensivo; soberba; altivez; insolência; atrevimento”. O termo deriva-se do hebraico “zadôn” e significa altivez, orgulho ou soberba (Ml 4.1; Sl 119.51,69,78,122; Jr 43.2). O orgulho é um pecado e é abominável diante de Deus (Pv 6.16,17; 21.4). No NT o termo é alazonia”, que é traduzido por soberba ou orgulho (1Tm 3.6; 1Jo 2.16). É esta obra da carne que podemos ver na pessoa do fariseu.
  • Humildade. Segundo o dicionarista Houaiss (2001, p. 1555), humildade significa: “virtude caracterizada pela consciência das próprias limitações; simplicidade; sentimento de fraqueza e inferioridade com relação a alguém; ausência completa de orgulho; rebaixamento voluntário por um sentimento de fraqueza ou respeito; modéstia; ausência de orgulho, soberba ou vaidade”. O termo deriva-se do hebraico ãnãw”, que quer dizer “humilde” e ãnãwâ” que significa “humildade” (Jó 22.29; Sl 10.12; 138.6; Pv 11.2; 14.21; 15.33; 16.19; 18.12). Nas páginas do NT o termo é tapeinos” (Mt 11.29; Lc 1.52; Rm 12.16; 2Co 7.6; Tg 4.6; 1Pe 5.5). A humildade está associada a uma consciência de que tudo que temos ou somos vem do Senhor (Pv 15.33; 18.12; 22.4; 1Pe 5.5). É este fruto do Espírito que podemos ver na pessoa do publicano.

III – CARACTERÍSTICAS DO FARISEU

O fariseu da parábola tinha religião e religiosidade, mas voltou vazio do templo, porque tudo quanto ele apresentava era mera aparência, estando seu coração tão somente cheio de orgulho e de autojustiça. Ele apenas parecia justo diante dos outros, mas no seu coração nem amava a Deus, nem ao próximo. A autojustiça do ser humano é um mal universal: “Cada qual entre os homens apregoa a sua bondade […]” (Pv 20.6). Jesus usa o método de ensino comparativo, mediante contrastes. Notemos:

  • Confiava em si mesmo. O fariseu usava a oração como forma de obter reconhecimento público, não como exercício espiritual para glorificar a Deus (Mt 6.5; 23.14) Os fariseus eram o verdadeiro exemplo daqueles que “[…] uns que confiavam em si mesmos” (Lc 18.9-a). É o erro de confiar no nosso “eu”: “Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo […]” (Lc 10.29). É um grande erro confiar em sua própria justiça: “E disse-lhes: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração, porque o que entre os homens é elevado perante Deus é abominação(Lc 16.15). Outras coisas fracas em que não devemos confiar são: (a) nas riquezas (Mc 10.24); (b) nos homens (Jr 17.5;3); (c) nos “muros” da vida (Dt 52; 4); (d) nos carros e cavalos (Sl 20.7); (e) nas palavras falsas (Jr 7.8,6); (f) na formosura (Ez 16.15); e, (g) na armadura humana (Lc 11.22).
  • Acreditava que era justo. Em sua oração, em momento algum ele confessou seus pecados e mostrou arrependimento. O fariseu alimentava uma falsa fé quanto à justiça: “[…] crendo que eram justos […]” (Lc 18.9-b). Essa parábola é uma grande advertência sobre autojustiça durante a oração. Aqui está uma das razões de muitas orações não respondidas: irmos a Deus julgando-nos merecedores de alguma coisa, porque somos justos (Is 64.6; Fp 3.8,9). Tudo recebemos de Deus como resultado do seu amor gracioso (Dt 7.6-8; Tt 3.5-7). O fariseu estava em pé de modo soberbo, exibicionista e denotando superioridade e isso revelou o seu caráter: “[…] não sou como os demais homens roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano” (Lc 18.11-b) (WIERSBE, 2007, vol. 1, p. 323).
  • Desprezava os outros. Os outros que não pareciam “justos” a seus próprios olhos, como os fariseus, e quem não agisse como eles eram tidos como pecadores (Lc 5.30; 18.11). Os fariseus se sentiam superiores e mais santos do que os demais homens: “[…] e desprezavam os outros” (Lc 18.9-c). O termo como está no versículo 9 significa: “não fazer caso de alguém, não dar importância, rejeitar, discriminar, considerar o próximo como nada”. Algo muito parecido com o que o Senhor falou pelo profeta Isaías: “E dizem: retira-te, e não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu […]” (Is 65.5). Quem se entrega a Cristo para obter Sua justiça, reconhece que nada é em si mesmo, e sempre está pronto a admitir que os outros são melhores do que ele. Um verdadeiro filho de Deus não despreza ninguém: “Tu também, por que desprezas teu irmão?’’ (Rm 14.10). O orgulho do fariseu condenou-o, mas a fé humilde do publicano o salvou (ver Lc 14.11 e Is 57.15).

IV – CONTRASTE ENTRE A ORAÇÃO DO FARISEU E DO PUBLICANO

Vejamos alguns contrastes entre as orações do fariseu e do publicano:

  • A oração do fariseu. O fariseu agradece a Deus por não ser como os demais homens. Isso significa que ele atribuía a Deus a sua maneira hipócrita de ser, sua autossuficiência de justiça: “Ó Deus Graças te dou […]” (Lc 18.11-a). Ora, agradecer a Deus por isso, significa realmente acusá-lo. Ele estava prestando um relatório dos outros a Deus, e não orando: “[…] não sou como este publicano”. Vemos aqui sua atitude de desprezo pelo próximo, e seu orgulho pessoal. A outra evidência do seu orgulho perverso está nas palavras de Jesus concernentes a esta oração: “[…] qualquer que a si mesmo se exalta” (Lc 18.14). Até aqui o fariseu diz a Deus o que ele era, mas no versículo 12 ele passa a dizer o que ele faz. A sua oração só continha informação e ele jejuava por formalidade; não por necessidade e voluntariamente.
  • A oração do publicano. O caso do publicano ensina-nos como disse o salmista: “a um coração contrito não desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17). “O publicano, porém, estando em pé […]” (Lc 18.13). A construção verbal como está no original, denota atitude humilde, sem qualquer ostentação. O texto ainda diz que o publicano orava “de longe” isto é, longe do templo propriamente dito. No templo mesmo só entravam os sacerdotes para lá ministrar. Em volta do templo havia várias áreas chamadas átrios, onde ficava o povo, dependendo do seu grupo. O átrio onde se fazia oração era o das mulheres. O fariseu postou-se na extremidade desse átrio, próximo ao templo. O publicano postou-se na outra extremidade, distante do templo, reconhecendo a indignidade de aproximar-se do santo lugar (Is 6.5-7; 1Tm 1.15). O publicano: “nem ainda queria levantar os olhos aos céus”. O publicano, de tão convicto, vendo que suas palavras não eram suficientes para expressar o seu arrependimento, batia no peito, mostrando que sua oração partia de um coração quebrantado: “[…] mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” (Lc 3-c). Isso fala de lamento, pesar, aflição (Lc 23.48; Jr 31.19; Na 2.7).

V – LIÇÕES DA PARÁBOLA DO FARISEU E O PUBLICANO

Podemos refletir sobre algumas lições práticas importantes que esta parábola nos ensina. Vejamos:

    • Deus não se impressiona. O fariseu tentou impressionar a Deus; ele fez isso se comparando às outras pessoas e mostrando o quanto era superior a elas. Ele se julgava diferente e acima de todos. O publicano, por sua vez, também se comparou às outras pessoas, mas ele se julgou inferior a todas elas. Ele classificou-se a si mesmo como “o pecador”. O apóstolo Paulo também fez o mesmo: “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Tm 1.15).
    • Deus não dá Sua glória a ninguém. A oração do publicano expressa uma verdade presente em toda a Bíblia, declarando que a salvação, do início ao fim, pertence a Deus e é atribuída à Sua misericórdia e graça (Sl 51.1; Lc 18.13; Ef 2.8; Tt 3.5). O homem é incapaz de justificar-se a si mesmo. A oração do fariseu aparentemente parecia ser uma oração de gratidão. Aos olhos humanos, tal oração poderia realmente representar as palavras de alguém justo e distinto por sua religiosidade. Porém, aos olhos de Deus, tal oração era uma afronta, uma ofensa, pois na verdade ela atacava a glória de Deus.
  • Elogio humano pode ser perverso e enganoso. Quando o fariseu começou a se autocongratular, ele disse que não era um ladrão, um desonesto e um adúltero. Tudo o que o fariseu dizia não ser, na verdade, ele era. O fariseu era o ladrão que naquele exato momento roubava a glória de Deus nas palavras de sua oração. Ele era o homem desonesto que defraudava a si Por último, ele era o adúltero culpado do pior de todos os adultérios, ao apostatar do verdadeiro Deus (Os 1.2; 5.3).

CONCLUSÃO

A Parábola do fariseu e o publicano nos convida a fazer um importante autoexame. Devemos olhar para nossas vidas e avaliar nossa conduta diante da Palavra de Deus, afinal, fariseus e publicanos continuam espalhados por todos os lugares.

REFERÊNCIAS

  • GILBERTO, Antônio. Lições Bíblicas Maturidade Cristã. CPAD
  • HOWARD, E, et al. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • LOCKYER, Herbert. Todas as Parábolas da Bíblia. VIDA
  • WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo Novo Testamento. GEOGRÁFICA.

Fonte: www.adlimoeirope.com

Amando e resgatando a pessoa desgarrada

  FLAG SPAINFLAG RUSSIANFLAG USAFLAG FRANCEFLAG GREECEFLAG GERMANYFLAG KOREANFLAG JAPANFLAG ITALYFLAG ISRAELFLAG CHINAFLAG INDIA

4º TRIMESTRE 2018

AS PARÁBOLAS DE JESUS

As verdades e princípios divinos para uma vida abundante

COMENTARISTA: Pr. Wagner Gaby e Eliel Gaby

LIÇÃO 04 – AMANDO E RESGATANDO A PESSOA DESGARRADA – (Lc 15.3-10)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos duas das parábolas mais conhecidas registradas no Evangelho escrito por Lucas; pontuaremos também algumas de suas principais características, para melhor compreensão de sua mensagem; e por fim, veremos qual a devida aplicação dessa mensagem para a igreja atual.

I – A PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA

Nenhum outro capítulo do Novo Testamento é tão conhecido e tão querido como o décimo quinto de Lucas, de modo a ser chamado de: “o evangelho no evangelho” (BARCLAY, sd, p. 174). A história da ovelha perdida que nesse capítulo está registrada, tem um paralelo em Mateus 18.10-14, cujo contexto focaliza no desejo do Pai celestial de que: “Assim, também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca” (Mt 18.14). Em Lucas, o foco está na ação graciosa de Deus que vai em busca do perdido, no arrependimento como o caminho de volta do pecador ao pai e a sua respectiva aceitação (Lc 15.7,10,18,19,21). Vejamos ainda algumas considerações sobre esta parábola:

1.1 A motivação do anúncio da parábola. O fato de Cristo ser procurado pelos publicanos e pecadores (Lc 15.1), bem como a Sua atitude de em recebê-los comendo com eles (Lc 15.2), resultou na murmuração dos fariseus e escribas. O ódio desses religiosos pelos publicanos e pecadores é bem conhecido nas Escrituras (Mt 9.10,11; Mc 2.15,16; Mt 18.9-11). Eles sentiam que qualquer um que se associasse com estas pessoas desprezadas, o fazia por ter o mesmo caráter. Diante disso, o Senhor Jesus passa a ilustrar e consequentemente justificar o porque de sua atitude amorosa, e qual o sentimento que deveria existir nos fariseus e escribas em relação a estas pessoas.

1.2 O objetivo da parábola. Os fariseus e escribas reputavam aos publicanos e pecadores como pessoas indignas do amor de Deus. Os publicanos (cobradores de impostos) não eram tidos em alta estima, porque não somente auxiliavam os romanos que subjugava os judeus, mas também enriqueciam ilicitamente as custas de seus patrícios (Lc 19.2,8). Já os pecadores eram assim chamados porque não interpretavam a Lei como os escribas e fariseus ou exerciam profissões pouco honrosas. Para corrigir a visão distorcida daqueles em relação aos pecadores, Jesus conta neste capítulo três parábolas (ovelha e moeda perdida e do filho pródigo) que expressam o grande amor de Deus pelos perdidos, mostrando que estes são amados e podem ser aceitos pelo Senhor mediante o arrependimento (Lc 15.7,10,32).

1.3 Personagens da parábola. A figura usada por Jesus nessa parábola é algo muito comum para seus ouvintes, é provável que enquanto ele a contava, era possível ver naquela região de forma muito familiar os pastores cuidando de suas ovelhas. A ovelha da história perdeu-se por irracionalidade. Esses animais têm a tendência de se desencaminhar, por isso precisam de um pastor (Is 53.6; 1Pe 2.25). A imagem do pastor e as ovelhas é muito comum desde o AT para ilustrar o cuidado de Deus para com os seres humanos (Sl 23.1; Jr 23.1-4; Is 40.11; Ez 34.11-16; 37.24).

II – A PARÁBOLA DA DRACMA PERDIDA

As narrativas desse capítulo podem também ser chamadas de: “As Parábolas dos Quatro Verbos – Perder, Procurar, Encontrar, Regozijar-se”. Esses quatro verbos certamente resumem a dinâmica do texto. A mensagem central desta parábola é a mesma da ovelha perdida, e a respeito da parábola da dracma perdida, pontuamos duas informações adicionais:

2.1 Estrutura da parábola. As duas parábolas iniciais desse capítulo possuem uma estrutura semelhante: (a) uma breve indicação dos personagens: “Que homem dentre vós […]” (Lc 15.4-a), “Ou qual a mulher […]” (Lc 15.8-a); (b) uma declaração da perda: “[…] perdendo uma delas [ovelha] (Lc 15.4-b), “[…] se perder uma dracma” (Lc 15.8-b); (c) uma pergunta retórica: “[…] e não vai após a perdida até que venha a achá-la?” (Lc 15.4-c), “[…] e busca com diligência até a achar?” (Lc 15.8-c); (d) uma reação: “E achando-a [ovelha], a põe sobre os seus ombros, cheio de júbilo […]” (Lc 15.5), “E achando-a, […] alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida” (Lc 15.9); e, (e) uma afirmação conclusiva: “[…] assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc 15.7), “Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.10).

2.2 Propósito da parábola. Esta parábola da dracma perdida repete o significado da primeira, no entanto, com uma ilustração diferente. A ovelha perdeu-se por não ter racionalidade, mas a moeda foi perdida por causa do descuido de alguém. A moeda perdida deveria estar com as outras nove, a intensa busca da mulher em procurar a dracma, expressa a intensidade da preocupação de Deus para recuperar os perdidos (Lc 19.10: Jo 10.16). Logo, há mais alegria no céu por um pecador encontrado: “Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc 15.7), isso não quer dizer no entanto, que os justos não sejam amados, pois estes estão seguros condicionalmente no aprisco (Lc 15.4; Jo 10.28,29); mas, que a alegria nesse contexto está reservada para aqueles que são encontrados depois que estiveram perdidos, e é isso que é peculiar sobre esta apresentação do Reino de Deus nessa parábola (NEALE, 2015, pp. 168,169 – acréscimo nosso).

III – A PARÁBOLA DA OVELHA E DA DRACMA PERDIDA E SUA APLICAÇÃO PARA A IGREJA

Um notável traço das parábolas é o fato de retratarem a realidade espiritual do ser humano, como também o caráter e a obra de Cristo, e por inferência o papel da igreja no Reino de Deus. Notemos algumas dessas verdades:

3.1 A necessidade do homem perdido. Tudo o que Deus criou, o fez perfeitamente (Gn 1.31; Ec 7.29). Contudo, por causa do mal uso do livre-arbítrio, o pecado teve o seu lugar na humanidade, manchando (não destruindo) a imagem de Deus (imago Dei) no homem. Em Efésios 2.3 diz o apóstolo Paulo que os efésios eram: “por natureza” filhos da ira, como também os demais”. Nesta passagem a expressão “por natureza” indica uma coisa inata e original, em distinção daquilo que é adquirido (Is 53.6). Então, o pecado é uma coisa da própria natureza humana, da qual participam todos os homens e que os fazem culpados diante de Deus (Is 59.16; Rm 5.12-14), por isso, que todos os homens se acham sob condenação e necessitam da redenção (BERKHOF, 2000, p. 235).

3.2 O amor de Deus pelos perdidos. As parábolas deste capítulo ilustram a consideração de Deus pelos perdidos. Essa narrativa nos dá um quadro impressionante da própria missão de Jesus na terra. Ele veio em busca das ovelhas perdidas, este foi o seu objetivo por todos os lugares onde passou (Mt 9.36; 14.14; Lc 19.10: Jo 4.4). Em cada caso aquele que estava perdido era considerado precioso, valia a pena buscá-los, e também valia a pena se alegrar quando eram encontrados. Jesus estava dizendo que Deus procura os pecadores perdidos! Não é de se admirar que os escribas e fariseus tivessem ficado ofendidos, pois em sua teologia legalista não havia lugar para um Deus desse tipo. Haviam esquecido que Deus procurou Adão e Eva quando pecaram e se esconderam dele (Gn 3.8,9). Apesar de seu suposto conhecimento das Escrituras, os escribas e fariseus se esqueceram que Deus é como um Pai que se compadece de seus filhos rebeldes (Sl 103.8-14).

3.3 A ação de Deus pelos perdidos. Devido à pecaminosidade do homem, este estava destinado a condenação eterna (Jo 3.18; Rm 3.23; Ef 2.3). Mas, apesar dessa condição, Deus por Sua graça e misericórdia (Ef 2.4,5) estabeleceu um projeto salvífico para resgatar o homem (Gn 3.15; Jo 3.16; Ap 13.8). O projeto de restauração do homem, tem como fonte a pessoa de Deus (Is 45.22; Tt 2.11). Na condição de pecador, o homem jamais por si só produziria a sua salvação (Rm 3.10,11; Tt 3.5), por essa razão vemos partindo sempre de Deus a iniciativa de resgatar o homem (Gn 3.9;15,21). A Bíblia diz que: “Deus amou”; “Deus deu”; “Deus enviou” (Jo 3.16,17). Paulo diz ainda que: “[…] a graça de Deus se manifestou […] (Tt 2.11); e que: “tudo isto provém de Deus” (2Co 5.18-a). Deus, por Sua maravilhosa graça decidiu soberanamente salvar o homem caído em pecado, por meio de Jesus Cristo: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo […]” (2Co 5.19), esperando do homem em resposta a essa graça, arrependimento e fé (Mc 1.15; At 2.38; 3.19; 2 Co 7.10; Mc 16.16; Rm 10.9; Ef 2.8).

3.4 A igreja e a busca pelos perdidos. Segundo Horton (2006, pp. 299,300), “a Igreja é uma comunidade formada por Cristo em benefício do mundo. Cristo entregou-se em favor da Igreja, e então a revestiu com o poder do dom do Espírito Santo a fim de que ela pudesse cumprir o plano e propósito de Deus”. Uma igreja que não tem a sensibilidade de ir em busca dos perdidos, está perdida em si mesma, visto que um dos motivos pelos quais a igreja existe, é para evangelizar afirmou o apóstolo Pedro: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9). A Igreja tem diversas atribuições, no entanto, a mais excelente delas é a que justifica a sua presença aqui na terra: a sublime tarefa da evangelização (Mt 28.16-20; Mc 16.15).

CONCLUSÃO

Fica claro por meio dessas duas parábolas o amor de Deus pelos pecadores. Como também uma mensagem bem definida para a igreja atual, que como corpo de Cristo, devemos buscar os que estão perdidos e lhes anunciar a boas novas de salvação. O fervor que Jesus demonstrou deve arder em cada um de nós, e nos alegrarmos com os anjos de Deus pelo pecador que se arrepende.

REFERÊNCIAS

  • BARCLAY, William. Comentário do Novo Testamento. PDF
  • BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. CULTURA CRISTÃ.
  • HOWARD, R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
  • HORTON, Stanley. Teologia Sistemática. CPAD.
  • NEALE, David. A. Novo Comentário Bíblico Beacon. CENTRAL GOSPEL.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: www.adlimoeirope.com

 

Perseverando na fé

  FLAG SPAINFLAG RUSSIANFLAG USAFLAG FRANCEFLAG GREECEFLAG GERMANYFLAG KOREANFLAG JAPANFLAG ITALYFLAG ISRAELFLAG CHINAFLAG INDIA

4º TRIMESTRE 2018

AS PARÁBOLAS DE JESUS

As verdades e princípios divinos para uma vida abundante

COMENTARISTA: Pr. Wagner Gaby e Eliel Gaby

LIÇÃO 04 – PERSEVERANDO NA FÉ – (Lc 18.1-8)

 INTRODUÇÃO

A presente lição comentará uma das mais conhecidas parábolas de Jesus: “a parábola do juiz iníquo”, que fala sobre a importância da perseverança na oração; trataremos desta parábola, destacando o seu propósito, personagens, narrativa e a devida aplicação para a nossa vida devocional.

I – ENTENDENDO A PARÁBOLA

A narrativa parabólica do capítulo 18 de Lucas, tem algumas coisas interessantes que merecem ser destacadas. Vejamos: (a) consta somente no evangelho conforme Lucas (Lc 18.1-9); (b) tem como epígrafe “o juiz iníquo” e não a “viúva perseverante” o que deveria ser pois, trata da perseverança desta; e, (c) junto com a parábola do amigo persistente (Lc 11.5-8), pretendem “ensinar a respeito da oração”. Abaixo destacaremos algumas outras importantes informações sobre esta narrativa. Notemos:

  • O propósito da parábola (Lc 18.1). Assim como toda parábola contada por Jesus tinha um propósito específico, esta do capítulo 18 de Lucas segue a mesma regra. O versículo primeiro mostra o que motivou Jesus a contar esta parábola: “E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer(Lc 18.1). Deus certamente responderá, mesmo que pareça, por algum tempo, que Ele não nos ouve quando pedimos.
  • Os personagens da parábola (Lc 18.2-5). Dois personagens embora reais na cultura judaica, são utilizados hipoteticamente nesta parábola. Vejamos cada um detalhadamente:
    • O juiz. O primeiro personagem que aparece na parábola é “o juiz” (Lc 18.2). Estes eram os indivíduos que tomavam decisões sobre questões civis e religiosas, as palavras envolvidas falam sobre a tentativa de determinar causas (Êx 18.13) (CHAMPLIN, 2004, p. 636). Nos tempos de Moisés, conforme os registros bíblicos, eles assumiam uma grande responsabilidade na aplicação da lei (Êx 18.20; Dt 1.13,15; Dt 16.19). Deus determinou que em cada cidade deveria ter um juiz (Dt 16.18). Exigia-se deles que fossem leais no julgamento das causas do povo (Êx 18.21,22; Dt 1.16,17). No entanto, há registros bíblicos de corrupção nesta função. A exemplo disto temos os dois filhos de Samuel, que foram nomeados por ele como juízes, em Berseba, mas eles perverteram o ofício e aceitavam suborno (1 Sm 8.3). Por isso, quando na parábola Jesus diz que este juiz “nem a Deus temia, nem respeitava o homem” (Lc 18.2-b), podia estar fazendo alusão a corrupção que havia em sua época com esta classe de pessoas. Definitivamente de uma pessoa mau caráter como esta, não se podia esperar justiça nem compaixão.
    • A viúva. O segundo personagem que aparece na parábola é “a viúva” (Lc 18.2). A viúva aparece aqui como símbolo daqueles que precisam ser defendidos contra a exploração alheia, alguém relativamente sem defesa, verdadeiramente dependente da bondade de terceiros para a sua sobrevivência. A viúva, assim como órfão, o pobre e o deficiente estavam entre a classe de pessoas das quais Deus concedia uma atenção especial (Êx 23.6; Lv 19.14; Dt 24.17; 27.18). Com frequência, a viúva era tratada pelo povo de Israel com deslealdade, por isso na lei de Moisés encontramos diversas recomendações quanto ao cuidado que se deveria ter com elas (Êx 22.22; Dt 24.19-21). Deus inclusive orientou que não se deveria perverter o direito da viúva (Dt 24.17), e o que não cumprisse isto seria passivo de maldição (Dt 27.19). Os profetas protestaram contra o povo de Israel quando desconsideravam o direito da viúva (Is 1.17; 1.23; Is 10.2; Jr 7.6; 22.3; Zc 7.10; Ml 3.5). Por isso, na parábola de Lucas 18.1-8, Jesus utilizou-se da figura da viúva que embora hipotética, era um fato comum que viúvas sofressem por injustiças. Alguém poderia ter tirado o pouco que ela possuía. Ou, talvez, a tivesse impedido de receber o que lhe correspondia, o que a levou a clamar ao juiz, pedindo: “Faze-me justiça contra o meu adversário” (Lc 18.3-b).
  • A narrativa da parábola (Lc 18.2-5). Certa viúva que tinha uma causa para ser julgada, foi a um juiz da cidade e lhe pediu socorro. Este juiz que “nem a Deus temia, nem respeitava o homem” (Lc 18.2-b), recusou-se ajudá-la: “E por algum tempo não quis atendê-la” (Lc 18.4). No entanto, a mulher propôs-se a buscar o que desejava até conseguir, e o juiz não suportando a sua insistência a atendeu “[…] hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte […]” (Lc 18.5). Duas virtudes desta viúva são destacadas por Jesus, que são extremamente necessárias para a vida daquele que ora. Vejamos:
    • A perseverança (Lc 18.5). As palavras do juiz a respeito desta mulher mostram o quanto ela era perseverante: “como esta viúva me molesta, […] e me importune muito(Lc 18.5). Estes dois verbos “molestar” e “importunar” mostram que “o juiz estava farto dela”. Essa mulher era persistente a tal ponto que, mesmo o magistrado não temendo a Deus e nem aos homens ia conceder-lhe o que queria, pois estava convencido de que ela nunca pararia de importuná-lo até que seu pedido fosse atendido. A arma dela foi a insistência.
  • A fé (Lc 18.8). A mulher destaca-se nesta parábola não somente por sua perseverança, mas também por sua fé. Essa fé é evidenciada por meio da sua atitude resoluta de insistir em seu pedido ainda que a um homem sem temor, pois cria que mais cedo ou mais tarde, o juiz lhe atenderia. Uma das características da fé verdadeira é que ela não desiste em hipótese alguma. No encerramento desta parábola, Jesus fala profeticamente que os últimos dias que antecedem a Sua vinda, serão dias marcados pela incredulidade: “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lc 18.8-b).

1.4 A aplicação da parábola (Lc 18.6-8). O juiz desta parábola não atendeu a mulher porque sentiu compaixão por ela, senão porque foi vencido pelo cansaço (Lc 18.5). Diante disso, Jesus faz a seguinte ponderação: “Ouvi o que diz o injusto juiz. E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?” (Lc 18.6,7). Ao contrário do juiz iníquo, Deus é apresentado nas Escrituras como o Juiz justo (Gn 18.25; Sl 7.11; 9.8; 19.9; 37.28; 50.6; 75.7; 94.2; 103.6); e, especificamente “Juiz das viúvas” (Sl 68.5). O salmista afirmou que o Senhor é o que “faz justiça aos oprimidos” (Sl 146.7); que por causa da opressão do pobre e do gemido do necessitado, Ele se levanta, para os pôr a salvo (Sl 12.5). Deus é aquele que galardoa aqueles que o buscam (Hb 11.6); Ele “trabalha para aquele que nEle espera” (Is 64.4); pois está atendo ao clamor dos seus filhos (Gn 30.6; Êx 3.7; Sl 12.5; 18.6; 66.19). No entanto, Deus age dentro de um tempo por Ele determinado (Gn 18.14; 21.2; 2 Rs 4.16,17; Gl 4.4; Hb 4.16).

II – A NECESSIDADE DA PERSEVERANÇA NA ORAÇÃO

Em relação a oração ela deve ser feita com perseverança, que é uma atitude que Deus requer do homem a fim de que obtenha resposta daquilo que se está buscando (Rm 12.12; Ef 6.18; Cl 4.2; 1 Ts 5.17). O verbo “perseverar” significa: “ser constante, permanecer, conservar-se” (HOUAISS, 2001, p. 2196). No grego, “hupomoné”, “perseverança”, “resistência”, “constância”. Esse vocábulo grego denota a resistência paciente, sob circunstâncias adversas, com base na ideia de alguém que leva aos ombros uma carga pesada, mas da qual não desiste (CHAMPLIN, 2004, p. 246). Acerca da perseverança na oração é bom destacar que:

  • Não devemos desfalecer. Quando Jesus contou esta parábola tinha o intuito de ensinar “[…] sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer” (Lc 18.1-b). A expressão “desfalecer” segundo o Houaiss (2001, p. 991) significa: “esmorecer, enfraquecer, fraquejar”. É verdade que às vezes por não recebermos a resposta imediata das nossas petições, somos tentados a esmorecer, tal como aconteceu com alguns personagens bíblicos (Sl 42.5-a; 69.3; Pv 13.12). No entanto, a fé verdadeira sobrepõe as emoções e confia no Senhor e na Sua providência cedo ou tarde (Sl 42.5-b; 73.26; 119.81,123). Champlin (2004, p. 173 – acréscimo nosso) pontua alguns motivos pelos quais Deus “tarda” em responder. Vejamos:
    1. O motivo dessa demora não é que Deus deixe de entender-nos, ou que relute em responder-nos. A demora não visa ao benefício de Deus, e, sim, o nosso;
    2. A oração é, por si só, um ótimo edificador do caráter cristão, que nos ensina a buscar as coisas lá do alto;
    3. Deus adia as respostas às nossas orações a fim de que nossos motivos e alvos sejam purificados;
    4. Deus demora em responder-nos a fim de que o nosso desejo seja intensificado.
  • Não devemos ser imediatistas. Nem sempre a nossa oração tem resposta imediata. A exemplo disto temos Davi (Sl 13.1-4; 69.3); Zacarias orava por um filho e só depois de muito tempo veio a resposta (Lc 1.13). Enquanto a oração autêntica não é respondida, ela fica em memória perante Deus (At 10.4). Perseveremos, pois, na oração. Muitos crentes param de orar por não receberem logo a resposta daquilo que pedem a Deus, falta-lhes perseverança (Rm 12.12). É preciso continuar diante do altar de Deus até receber a resposta (Lc 24.49). Abaixo destacaremos alguns exemplos de servos de Deus que buscaram com perseverança até conseguir resposta:
  • O exemplo de Isaque: “E Isaque orou insistentemente ao SENHOR por sua mulher, porquanto era estéril; e o SENHOR ouviu as suas orações, e Rebeca sua mulher concebeu” (Gn 25.21).
  • O exemplo de Ana: “E sucedeu que, perseverando ela em orar perante o SENHOR […]” (1 Sm 1.12);
  • O exemplo de Elias: “E disse ao seu servo: Sobe agora, e olha para o lado do mar. E subiu, e olhou, e disse: Não há nada. Então disse ele: Volta lá sete vezes(1 Re 18.43).
  • O exemplo dos apóstolos: “Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas […]” (At 2.42-a). Veja ainda: (At 2.42; 6.4).
    • Não devemos impor nossos limites. Há pessoas que agem precipitadamente, demarcando tempo para o seu período de oração, achando que “pressionando” Deus vão obter dEle a resposta mais rápido. Tal atitude revela uma tamanha imaturidade, pois Deus só responde quando quer e jamais será forçado ou coagido por alguém, pois “faz tudo o que lhe apraz” (Sl 115. 3). É bom lembrar também que o fato de a Bíblia nos exortar a orar com perseverança até obter resposta, não significa dizer que está resposta será sempre um “sim” (Gn 17.20; Êx 33.17). Deus também responde com um “espere” (Jo 2.4); ou com um “não” (Dt 3.25,26; 2 Co 12.8-9), pois segundo a Sua vontade Ele nos ouve (1 Jo 5.14).

CONCLUSÃO

Vivemos em dias onde as pessoas não somente tem diminuído a prática da oração, como tem deixado de orar com perseverança. Esta parábola visa alertar-nos de que Deus está pronto a nos ouvir e responder no tempo certo.

REFERÊNCIAS

  • CHAMPLIN, R. N. O Antigo Testamento Interpretado – Gênesis a Números.
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e HAGNOS.
  • HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: www.adlimoeirope.com

 

O crescimento do Reino de Deus

  FLAG SPAINFLAG RUSSIANFLAG USAFLAG FRANCEFLAG GREECEFLAG GERMANYFLAG KOREANFLAG JAPANFLAG ITALYFLAG ISRAELFLAG CHINAFLAG INDIA

4º TRIMESTRE 2018

AS PARÁBOLAS DE JESUS

As verdades e princípios divinos para uma vida abundante

COMENTARISTA: Pr. Wagner Gaby e Eliel Gaby

LIÇÃO 03 – O CRESCIMENTO DO REINO DE DEUS – (Mc 4.30-32; Mt 13.31-33; Lc 13.18,19)

 INTRODUÇÃO

Nesta terceira lição, analisaremos duas parábolas contadas por Jesus que tratam sobre o “Reino dos céus”; veremos informações importantes sobre o grão de mostarda e sua aplicabilidade na parábola contada pelo Mestre tratando do crescimento externo do Evangelho; e por fim, pontuaremos os aspectos do fermento na segunda parábola e sua lição utilizada por Cristo para falar do crescimento interno do Reino.

I – A PARÁBOLA DO GRÃO DE MOSTARDA

Jesus contou uma série de sete parábolas sobre o Reino sendo as quatro primeiras pronunciadas à multidão (Mt 13.1,2,36), e as três últimas foram acrescentadas particularmente aos discípulos após Jesus já ter se despedido da multidão (Mt 13.36). Notemos algumas observações da parábola do grão de mostarda:

  • Informações sobre o grão de mostarda. Na Índia, no Egito e na Palestina as sementes de mostarda são utilizadas na culinária há milênios. A palavra mostarda é de origem egípcia sinapis” e aparece nos três primeiros Evangelhos (Mt 13.31; 17.20; Mc 4.31; Lc 13.10; 17.6). O grão de mostarda é uma pequena semente que têm cerca de 2 milímetros de diâmetro sendo uma das menores sementes do mundo com cores que vão do branco amarelado, marrom e preto. Na Palestina da época de Jesus era conhecida a mostarda sinapis nigra (mostarda preta) e a sinapis alba (mostarda branca), mas, a que Jesus provavelmente usou como exemplo foi a sinapis nigra, ou seja, a mostarda negra, que era a mais comum naquela região. A mostardeira, segundo alguns botânicos, alcança facilmente mais de três metros de altura (CABRAL, 2005, pp. 44,45).
  • O grão de mostarda e as outras sementes. Existe um grande contraste nesta parábola: “a menor de todas as sementes” e a “maior de todas as plantas”. Na verdade, o grão de mostarda não é a menor de todas as sementes (Mt 31.32), mas esta era uma expressão proverbial para algo extremamente pequeno (BEACON, 2010, p. 103). Jesus não cometeu erro ou contradição como pensam alguns quando se referiu ao grão de mostarda como sendo “a menor de todas as sementes” (Mt 13.32; Mc 4.31). Hoje sabemos que a semente de mostarda não é absolutamente a menor semente que existe. Jesus não estava se referindo a “todas as sementes existentes no mundo”, mas apenas àquelas que os fazendeiros palestinos de então semeavam em seus campos. Isso está claro pela frase: “que um homem tomou e plantou no seu campo” (Mt 13.31). E é um fato que a semente de mostarda era a menor de todas as sementes que o fazendeiro judeu do primeiro século semeava em seu campo. O que Jesus disse era literalmente verdadeiro no contexto em que ele falou (GEISLER; HOWEP, 2000, p. 217).
  • O grão de mostarda e os Evangelhos sinóticos. A Parábola do grão de mostarda trata do tema principal das pregações do NT que é o Reino dos Céus, mostrando que o reino de Deus teria um começo aparentemente insignificante (pequeno) e depois ficaria muito grande. O elemento surpreendente nessa parábola é o começo insignificante, conforme os homens medem as coisas; uma semente pequenina daria uma grande planta. Em Mateus a semente é plantada no campo (Mt 13.31), em Marcos na terra (Mc 4.31); e em Lucas na horta (Lc 13.19). Lucas coloca ênfase no grande tamanho da planta, enquanto Mateus e Marcos enfatiza o pequeno tamanho da semente. Marcos fala de hortaliças, já Mateus e Lucas falam de árvore. Estas pequenas diferenças na narrativa, em nada alteram o sentido da parábola, ou seja, o ensino permanece o mesmo nos três Evangelhos que se completam com estas informações. Se a parábola do semeador retrata a responsabilidade humana e a parábola da semente mostra a soberania de Deus, a do grão de mostarda, mostra um crescimento abundante (POHL apud LOPES, 2006, 249).

II – O QUE APRENDEMOS COM ESTA PARÁBOLA

  • O grão de mostarda e a simplicidade do Reino. O propósito dessa parábola é mostrar que o início do Evangelho seria pequeno, mas que, no seu final, ele aumentaria grandemente. O Reino do Messias, que estava então sendo implantado, tinha pouca expressão. Cristo e os seus apóstolos, comparados com “os grandes do mundo romano”, se pareciam com a semente de mostarda. Geralmente os homens pensam em grandes conquistas e demonstrações de força (Jo 6.15). Até os apóstolos imaginavam um reino grande e glorioso e desejavam posições de honra e influência (Mc 10.35-37). No entanto, Jesus não iniciou Seu Reino no auge do apoio popular, mas sim, num momento em que quase todos o abandonaram. O começo foi aparentemente insignificante, simples e pequeno com poucos homens e sem importância na sociedade. Eram apenas doze homens, alguns até iletrados e incultos de uma região desprezada (At 7; 4.13), e havia pouco mais de 100 pessoas (At 1.15).
  • O grão de mostarda e o crescimento do Reino. O grão de mostarda, segundo alguns biólogos, é a menor de todas as sementes e em seu estágio adulto se tornava a maior das plantas atingindo o tamanho de uma árvore, com no mínimo três metros de altura, podendo alcançar até cinco metros; e tal foi a Igreja de Cristo no início da sua formação no mundo. Assim, podemos afirmar que a parábola do grão de mostarda, trata do crescimento e desenvolvimento deste Reino na terra. Ao fazer essa comparação Jesus falou de desenvolvimento, crescimento e expansão. Portanto, o “grão de mostarda”, quando semeado, sendo pequeno e diminuto, tem a força para se desenvolver, crescer e transformar-se numa grande árvore (CABRAL, 2005, p. 43). A referência à árvore indica um império em expansão (Ez 17.23; 31.1-9; Dn 4.10-12); os pássaros representam as nações do império (Dn 4.20-22) (SHELTON; ARRINGTON; STRONDAD, 2003, p. 90).
  • O grão de mostarda e o avanço do Reino. Essa planta se torna tão imponente que até mesmo as aves do céu se aninham em seus ramos. A semente foi plantada, e a planta cresceu, pois na mesma cidade na qual Jesus foi morto, quase três mil pessoas foram batizadas em um só dia (At 2.41). Pouco tempo depois, contavam-se quase cinco mil homens (At 4.4). A pequena semente continuou crescendo ainda mais:“E crescia mais e mais a multidão de crentes, tanto homens como mulheres, agregados ao Senhor” (At 5.14). Só em Jerusalém, chegaram a contar milhares de cristãos (At 21.20). A palavra foi pregada ao mundo (Cl 1.23), e o Reino continuou crescendo. O que começou com uma minúscula semente se tornou uma grande planta. Jesus usa a hipérbole para acentuar que plantas grandes podem crescer de uma semente muito pequena, e assim sucederá com o poder expansivo, penetrante e gradual do Reino de Deus (ROBERTSON, 2011, p. 389).

III – A PARÁBOLA DO FERMENTO

A parábola do fermento é uma das mais curtas parábolas de Jesus e só aparece em dois dos Evangelhos sinóticos. Antes de tudo é preciso saber que a parábola do grão de mostarda e a parábola do fermento formam um par. Aqui estão duas parábolas cuja intenção é mostrar que o Reino devia ser muito pequeno no início, mas que ao longo do tempo ela se tornaria um corpo considerável (Mt 13.31-33). Ao contar estas duas parábolas, Jesus estava falando a respeito do crescimento do Reino dos Céus. O escopo é basicamente o mesmo nas duas parábolas para mostrar que o Evangelho deveria prevalecer e ter um sucesso gradual, silencioso, e sem ser percebido. Notemos algumas informações sobre o fermento:

  • Informações sobre o fermento. Existem, pelo menos, dois tipos de fermentos: o biológico e o químico. O fermento biológico é composto por fungos benéficos microscópicos vivos. Apesar de parecer estranho um ingrediente usado em alimentos ser feito de fungos, temos que lembrar que o fungo não é somente aquele mofo desagradável que contamina os alimentos, mas também ingrediente para alimentos como os cogumelos. Existem mais de 850 tipos de fungos comestíveis que chamamos de leveduras. Já o fermento químico é industrializado, e por isso, não é uma levedura natural; é uma mistura de bicarbonato de sódio com ácido não tóxico e é utilizado para dar textura esponjosa à massa.
  • Informações sobre a parábola do fermento. Embora o fermento na Bíblia simbolize o pecado e a corrupção, essa posição não pode ser sustentada nesta parábola, pois contradiz totalmente o contexto dela. Uma regra básica para interpretar textos bíblicos é se atentar ao contexto, pois será ele que decidirá o sentido simbólico empregado no texto, caso haja algum. No caso dessa parábola o contexto deixa óbvio que o fermento representa o Reino do Céu, e em nada está relacionado ao mal ou ao pecado. Esta parábola segue imediatamente após a parábola do grão de mostarda, com quem Jesus compartilha o mesmo tema: “O Reino de Deus que cresce de pequenos começos”. A mulher pegou uma pequena quantidade de fermento, misturou em uma grande quantidade de farinha. Os Evangelhos deixam claro que a mulher utilizou três medidas de farinha, e esta grande quantidade de farinha pode sugerir uma ocasião festiva planejada, pois o pão produzido poderia alimentar muitas pessoas. Como o grão de mostarda e o fermento, o Reino dos Céus teve um começo modesto, mas com um grande e repentino desenvolvimento: “[…] A que compararei o Reino de Deus? É como o fermento que uma mulher misturou com uma grande quantidade de farinha, e toda a massa ficou fermentada” (Lc 20,21 – NVI). Fugir desta interpretação é no mínimo malabarismo exegético.
  • A parábola do fermento e o aspecto interior e exterior do Reino. Uma vez que esta parábola está intimamente relacionada com a anterior, elas bem podem ser interpretadas juntas. Esta parábola é encontrada em Mateus 13.33 e em Lucas 13.20-21, mas não em Marcos. Jesus retratou uma mulher tomando o fermento (levedura) e escondendo-o em três medidas de farinha. O fermento afetou toda a quantidade de massa de pão, de forma que toda massa cresceu. Embora existam duas interpretações principais para estas parábolas, a do grão de mostarda e do fermento, a interpretação tradicional afirma que Jesus está descrevendo aqui a dupla expansão do Reino. A parábola da semente de mostarda se refere ao crescimento exterior do reino do céu, e a parábola do fermento se refere ao crescimento interior do reino. Em outras palavras, a parábola da semente de mostarda foca a expansão aparente do reino, enquanto a do fermento focaliza a atenção no poder interior do reino, que, de forma invisível (Lc 17.20), exerce influência sobre tudo. Esse é o ensino principal dessa parábola (BEACON, 2010, p. 103).
  • A parábola do fermento e o crescimento do Reino. Querer aplicar significados as três medidas de farinha, ou descobrir quem é a mulher que está fazendo a massa é entrar por um estilo interpretativo sem propósito e alegórico, além de tirar o foco do verdadeiro ensino de Jesus nessa parábola. Nesta parábola, Jesus falou sobre o progresso intenso do Reino de Deus no mundo. Assim como o fermento, que penetra e se espalha dentro da massa e a faz crescer, o Reino irá se alastrar pelos quatro cantos da Terra (Lc 17.20,21). A função do fermento é dar volume e qualidade a uma massa, e é quase impossível fazer um bolo, torta ou pão sem que o fermento seja acrescentado. Ao contar essa parábola aos fariseus, Jesus afirma que, no final dos tempos, o Evangelho irá se espalhar por todas as nações e o Reino de Deus causará efeito em toda a humanidade (Mt 24.14). Ele disse: “[…] e toda a massa ficou fermentada”, ou seja, o Reino expandirá em tudo e crescerá absurdamente (Mt 13.31-32).

CONCLUSÃO

Muitos não reconhecem que o Reino esteja em ação, porque está escondido e é considerado insignificante por muitos. Mas não devemos menosprezar o dia das coisas pequenas. Podemos dizer que, de alguma forma, todas as parábolas de Jesus pressupõem o Reino de Deus. Algumas, contudo, tratam especificamente do desenvolvimento e do seu crescimento sobre a terra.

REFERÊNCIAS

  • CABRAL, Elienai. Parábolas de Jesus: advertências para os dias atuais.
  • GEISLER, N; HOWE, T. Manual popular de dúvidas, enigmas e contradições da bíblia.
  • LOCKYER, John. Todas as Parábolas da Bíblia.
  • SHELTON, J. ARRINGTON, F. L.; STRONDAD, R. Comentário Bíblico Pentecostal.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • ROBERTSON, A.T. Comentário de Mateus e Marcos. CPAD.

Fonte: www.adlimoeirope.com

 

Para ouvir e anunciar a Palavra de Deus

  FLAG SPAINFLAG RUSSIANFLAG USAFLAG FRANCEFLAG GREECEFLAG GERMANYFLAG KOREANFLAG JAPANFLAG ITALYFLAG ISRAELFLAG CHINAFLAG INDIA

4º TRIMESTRE 2018

AS PARÁBOLAS DE JESUS

As verdades e princípios divinos para uma vida abundante

COMENTARISTA: Pr. Wagner Gaby e Eliel Gaby

LIÇÃO 02 – PARA OUVIR E ANUNCIAR A PALAVRA DE DEUS – (Mc 4.3-20)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos sobre a “parábola do semeador”; inicialmente veremos algumas informações gerais a respeito dessa comparação contada por Jesus; também destacaremos os elementos principais incluídos nessa passagem e a sua devida explicação; e por fim, notaremos a aplicação dessa parábola no que diz respeito ao anúncio da Palavra de Deus.

I – INFORMAÇÕES SOBRE A PARÁBOLA DO SEMEADOR

Sobre a parábola do semeador é importante destacar que ela não começa com a expressão: “o Reino dos céus é semelhante […]”, pois descreve como o Reino de Deus é chegado, por meio da pregação da Palavra. Notemos ainda algumas considerações sobre esta parábola:

  • Classificação. A parábola do semeador faz parte do conjunto de narrativas denominadas de “parábolas do Reino”, ao seu lado estão: (a) a parábola do joio e do trigo (Mt 13.24-30), (b) do grão de mostarda (Mt 13.31-32); (c) do fermento (Mt 13.33); (d) do tesouro escondido (Mt 13.44); (e) da pérola escondida (Mt 13.45,46); e, (f) da rede (Mt 13.47-50). A parábola do semeador tem seu registro nos Evangelhos chamados sinóticos (Mt 13.1-23; Mc 4.1-20; Lc 8.4-15), sendo ela a mais extensa e uma das mais conhecidas das que foram contadas por Jesus. Ela possui também uma outra característica digna de nota, pois também é incluída no grupo das poucas parábolas cuja explicação foi dada pelo próprio Cristo.
  • Contexto e sua importância. O cenário para a apresentação desta parábola foi à beira-mar (Mc 4.1), que presume-se seja o Mar da Galileia. Novamente a pressão da multidão obrigou o Senhor a falar ao povo de dentro de um barco um pouco afastado da praia. A importância desta parábola fica subentendida quando Jesus indaga: “[…] não percebeis esta parábola? Como, pois, entendereis todas as parábolas?” (Mc 4.13), por meio dessa expressão o Senhor está dizendo que esta parábola é fundamental para o entendimento das outras. Esta unidade de parábolas (Mc 4.3-32) é básica para se discernir tudo o que está acontecendo no Reino de Deus.
  • Propósito. Jesus inicia a parábola dizendo: “Ouvi […]” (Mc 4.3), do mesmo modo finaliza exortando: “[…] Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mc 4.9), ficando claro que Seu propósito, era expor a necessidade da audição atenta dos seus ouvintes, e consequentemente levar as pessoas a reflexão, a fim de que a mensagem pudesse penetrar em seus corações. O verbo ouvir e seus correlatos são usados várias vezes em Marcos 4.1-34. É evidente que Jesus não estava simplesmente se referindo ao ato físico de ouvir, mas sim a ouvir com discernimento espiritual. O ouvir a Palavra de Deus significa entendê-la e obedecer ao que ela diz (Tg 1.22-25).

II – ELEMENTOS PRINCIPAIS DA PARÁBOLA E A SUA EXPLICAÇÃO

Em resposta à pergunta dos discípulos (Mc 4.10), Jesus interpreta a parábola dos solos, acentuando desse modo sua importância como chave para a compreensão de qualquer outra parábola (Mc 4.13). Sua explicação é relevante para aqueles que o ouviram naquele tempo e para nós hoje. Vejamos:

  • O semeador (Mc 4.3). Diferente da parábola do joio e do trigo onde Cristo se identifica claramente como o semeador (Mc 4.37), Jesus não identifica o semeador nesta parábola em apreço. O ponto de partida da interpretação acerca de quem era o semeador tem um caráter particular, porque indica subjetivamente o próprio Cristo como o semeador. Todavia, essa característica particular da interpretação não impede que se dê um sentido genérico aos cristãos como semeadores (Jo 4.35- 38). Não acrescenta nem fere os princípios hermenêuticos que regem a interpretação dessa parábola. Sendo assim, qualquer um que semeie a Palavra está incluído na figura do semeador (1Co 3.5-9; 9.11).
  • A semente (Mc 4.4-a). A semente é identificada como: “[…] a palavra de Deus” (Lc 8.11). Em Mateus 13.19 é chamada de palavra do Reino, isto é, a palavra poderosa que rege o Reino de Deus. Esse termo ainda é utilizado com referência aos ensinamentos de Jesus (cf. Mc 2.2; 8.38; 13.31). Por que comparar a Palavra de Deus a semente? Porque a palavra é: “[…] viva e eficaz […]” (Hb 4.12), uma semente incorruptível (1Pe 1.23), que produz frutos nos que a recebe (Cl 1.5,6; Hb 4.2).
  • Tipos de solos (Mc 4.5). Para cada parábola, Cristo tinha uma lição especial, e na parábola do semeador deixou-nos uma das mais extraordinárias lições sobre os tipos distintos de corações (solos, terrenos), os quais recebem a semeadura. Vejamos:
    • À beira do caminho (Mc 4.4 – ARA). Esse tipo de solo representa pessoas que, embora se diga: “[…] tendo eles a ouvido (Mc 4.15) ou seja, a mensagem do Reino, “[…] não a compreendem” (Mt 13.19 – ARA), sendo vulneráveis ao ataque do diabo tipificado pelas aves na parábola (Lc 8.5), cuja ação nesse caso, é tirar-lhes do coração a palavra semeada, para que não creiam e sejam salvos (Lc 8.12).
    • Entre os pedregais (Mc 4.5). Em lugares pedregosos a semente germina mais rápido, pois a terra é pouco profunda e absorve mais o calor do sol, contudo, essa mesma falta de profundidade a impede de lançar raízes firmes (Mt 13.5). Esse tipo de terreno refere-se a uma classe de ouvintes, que: “[…] ouvindo a palavra, logo com prazer a recebem(Mc 4.16) porém, “[…] creem apenas por algum tempo(Lc 8.13), não perseveram na fé em Cristo e diante das provações desta vida, por não terem raízes (Mc 4.17), o resultado é que: “[…] se desviam(Lc 8.13).
    • Entre os espinhos (Mc 4.7). O terceiro tipo compreende aqueles que: “[…] ouvem a palavra” (Mc 4.18); mas apesar disso: “os cuidados do mundo, a fascinação das riquezas e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera (Mc 4.19 – ARA). O materialismo e o mundanismo são ameaças a vida de cada cristão (1Tm 6.10; Tg 4.4; 1Jo 2.15,16), e foi a causa da morte espiritual de muitos, como por exemplo: (a) o jovem rico (Mc 10.17-24); (b) Judas Iscariotes (Jo 12.6; Mt 22.3-5); (c) Ananias e Safira (At 5.1-11); (d) Simão o mágico (At 8.9-13,18-24); (e) Demas (2Tm 4.10), servindo de exortação para os crentes da atualidade para que não caiam no mesmo erro (Mt 6.24).
    • Em boa terra (Mc 4.8). Esse último solo é o reverso dos outros três. Por isso, a semente lança raízes, não perde facilmente a umidade, e então a seiva e a energia dão vida à planta que, subsequentemente, cresce e frutifica. Esse terreno, diz respeito ao que: “[…] ouve e compreende a palavra” (Mt 13.23), e ainda, “[…] de bom e reto coração, retêm a palavra e produzem frutos com perseverança(Lc 8.15), e de maneira diversificada: “[…] a trinta, sessenta e a cem por um” (Mc 4.20) (ver Jo 15.2,5,8).

III – LIÇÕES PRÁTICAS QUANTO AO ANÚNCIO DA PALAVRA DE DEUS

A proclamação do evangelho é uma tarefa de muita importância dada a Igreja do Senhor (At 1.8). O apóstolo Pedro lembra que a experiência de salvação resulta entre outras coisas, no dever de anunciar as virtudes de Deus (1Pe 2.9). Encontramos nas Escrituras que, após a sua ressurreição Cristo exorta sobre a necessidade da pregação das boas novas a todas as pessoas (Mc 16.15), e quanto a essa tarefa podemos destacar através da parábola do semeador algumas verdades:

  • A imparcialidade no anúncio da mensagem. Uma das importantes lições extraídas dessa parábola, é a dedicação e fidelidade do semeador diante dos diversos tipos de solo existentes e os resultados negativos, que não o fizeram desanimar, como também não alterar o uso da semente em sua sementeira; ou seja, ele não usou tipos diferentes de sementes, ou mesmo deixou de semear mesmo sabendo da possibilidade de ela não vir a frutificar devido ao solo. Na grande Comissão Cristo ensinou de que a mensagem do evangelho deve ser pregada e ensinada a todos (Mt 28.19,20; Mc 16.15), visto que Ele não faz acepção de pessoas (At 10.34; Rm 2.11), e dar a todos igualmente a oportunidade de ouvir e de crer na mensagem de salvação (Tt 2.11; Jo 1.7; Ef 1.13;). As Escrituras exortam quanto a fidelidade dos semeadores (1Co 4.1,2), e da sua incorrupção quanto a pregação (At 20.20,27; 1Co 2.4; 1Ts 1.5), não falsificando o alimento da palavra (1Pe 2.2).
  • A oposição ao anúncio da mensagem. Devido ao poder que a Palavra tem e o que ela pode fazer na vida de quem a recebe (Rm 1.16; 10.17), Satanás se opõe a pregação do evangelho com o objetivo de impedir que as pessoas sejam salvas (At 13.6-10); diz o apóstolo Paulo: “[…] o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2Co 4.4), e em muitos casos usa de meios naturais, como leis e ideologias humanas para que o nome de Cristo não seja anunciado (At 4.2,17,18).
  • A possibilidade de rejeição à mensagem. A vontade de Deus é que todos sejam salvos e venham ao pleno conhecimento da verdade (1Tm 2.4), no entanto o relato bíblico e a experiência prática mostram que nem todos de fato o serão (Mt 7.13), e isso devido à resistência de alguns a ação do Espírito Santo em suas vidas (Jo 16.8; At 7.51), de modo que a culpa não é do semeador nem da semente, o problema é a natureza do solo, o coração humano que não se sujeita a Deus, não se arrepende nem recebe a Palavra, portanto, não é salvo (Mt 23.37; Lc 7.30; Jo 1.11; 5.40; Hb 12.25). A Bíblia é clara sobre a resistência a Cristo e a Sua mensagem quando diz: que Janes e Jambres “resistiram à verdade” (2Tm 3.8), que “nem todos os israelitas aceitaram as boas novas” (Rm 10.16), que alguns “suprimem a verdade pela injustiça” (Rm 1.18), e que os judeus de Antioquia “rejeitaram e não se julgaram dignos da vida eterna” (At 13.46; ver At 17.32).
  • A responsabilidade humana na aceitação da mensagem. Um fato que todo o que semeia a Palavra precisa considerar, é que o resultado da semeadura não é de sua competência, ou seja, nessa parábola fica evidente que os resultados têm a ver com a aceitação de cada pessoa à mensagem do evangelho (Ez 2.5,7). A Palavra de Deus trará fruto na vida de um ouvinte ou não, isso depende apenas da condição do coração de cada pessoa. Como resultado dessa aceitação surge a frutificação: “[…] os que ouvem a palavra e a recebem, e dão fruto, um a trinta, outro a sessenta, outro a cem, por um” (Mc 4.20). O fruto é a prova da verdadeira salvação (Mt 7.16), e inclui santidade (Rm 6.22), caráter cristão (Gl 5.22,23), prática de boas obras (Cl 1.10), testemunho cristão (Rm 1.13), disposição de compartilhar os bens (Rm 15.25-28) e louvor a Deus (Hb 13.15).

CONCLUSÃO

Fica evidente por meio desta parábola que é nosso dever prioritário semear a Palavra de Deus, utilizando os meios necessários, em tempo e fora de tempo (2Tm 4.2), só assim o Reino de Deus se expandirá, pois o Senhor dá semente a quem semeia (2Co 9.10), com vistas a salvação das almas.

REFERÊNCIAS

  • CABRAL, Elienai. Parábolas de Jesus: advertências para os dias atuais.
  • HOWARD, R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: www.adlimoeirope.com

 

Parábola: uma lição para a vida

  FLAG SPAINFLAG RUSSIANFLAG USAFLAG FRANCEFLAG GREECEFLAG GERMANYFLAG KOREANFLAG JAPANFLAG ITALYFLAG ISRAELFLAG CHINAFLAG INDIA

4º TRIMESTRE 2018

AS PARÁBOLAS DE JESUS

As verdades e princípios divinos para uma vida abundante

COMENTARISTA: Pr. Wagner Gaby e Eliel Gaby

LIÇÃO 01 – PARÁBOLA: UMA LIÇÃO PARA A VIDA – (Mt 13.10-17)

INTRODUÇÃO

Neste último trimestre de 2018, estudaremos sobre “As parábolas de Jesus – as verdades e princípios divinos para uma vida abundante”. Introduziremos o assunto definindo a palavra parábola; veremos que das figuras de linguagem que são usadas na Bíblia esta é a mais abundante; pontuaremos quais os dois princípios que devemos utilizar na interpretação das parábolas; e, por fim, finalizaremos destacando quais os propósitos de Jesus ao transmitir os Seus ensinos por meio de parábolas.

I  – DEFINIÇÃO DA PALAVRA PARÁBOLA

O dicionário Houaiss (2001, p. 2126) define “parábola” como: “narrativa alegórica que transmite uma mensagem indireta, por meio de comparação ou analogia”. No AT a palavra hebraica traduzida por parábola é “mashal”, que significa “provérbio”, “analogia” e “parábola”. A ideia central de mashal é “ser como” e muitas vezes refere-se a “frases constituídas em forma de parábola”, característica da poesia hebraica (LOCKYER, 2006, p. 09 – acréscimo nosso). A palavra parábola é composta de dois vocábulos gregos: o prefixo “para” e o sufixo “ballein” ou “bailo”, que significa ‘lançar ou colocar ao lado de’. Portanto, podemos entender que parábola é algo que se coloca ao lado de outra coisa para fins de comparação, ou para demonstrar a semelhança entre dois elementos” (CABRAL, 2005, p. 08). A parábola é uma comparação extraída da natureza ou da vida diária destinada a esclarecer verdades da esfera espiritual (Mc 4.11,12; Lc 8.10). Em resumo ela tem sido definida como: “uma história terrena com um significado celestial”.

II  – O USO DE PARÁBOLAS NAS ESCRITURAS

São várias as figuras de linguagem que a Bíblia emprega, e todas são necessárias para ilustrar verdades divinas e profundas dentre elas está a parábola. Segundo Lockyer (2006, p. 07), “em todo o âmbito literário não há livro mais rico em material alegórico e em parábolas do que a Bíblia”. Vejamos:

  • No Antigo Testamento. As parábolas são utilizadas desde a antiguidade. Isso se confirma pelo fato de figurar no AT em larga medida e sob diferentes formas (Jz 9.7-16; 2Sm 12.1-4; 2Sm 14.6; 1 Rs 20.39; 2 Rs 14.9; Is 5.1-6; Ez 17.3-10; 19.2-9; 24.3-5; 24.10-14). Principalmente os profetas eram usados por Deus para transmitir mensagens por meio de parábolas, como o próprio Deus afirmou: “Falei aos profetas, e multipliquei a visão; e pelo ministério dos profetas propus símiles” (Os 12.10).
  • No Novo Testamento. Quando o Senhor Jesus apareceu entre os homens, como Mestre, tomou a parábola e honrou-a, usando-a como veículo para a mais sublime de todas as verdades, como acerca dEle estava profetizado (Sl 78.2; Mt 13.35). Sabedor de que os mestres judeus ilustravam suas doutrinas com o auxílio de parábolas e comparações, Cristo adotou essas antigas formas de ensino e deu-lhes renovação de espírito, com a qual proclamou a transcendente glória e excelência de seu ensino (Mt 13.34; Mc 4.2,33,34; Jo 16.25). Cerca de um terço do ensino de Jesus nos Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) se apresenta em forma de parábolas.

III – PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO DAS PARÁBOLAS

Durante algum tempo na história da igreja, alguns teólogos começaram a interpretar as Escrituras de forma alegórica, inclusive as parábolas de Jesus. Esta atitude resultou na substituição da simplicidade das Escrituras pela especulação sutil. Na interpretação das parábolas não podemos esquecer a “lição principal”, sem entrar em maiores detalhes, que servem somente para preencher uma história aceitável, mas que nem sempre se revestem de qualquer sentido especial. Por exemplo: na parábola do semeador (Mt 13.18-30), os quatro tipos de solos significam tipos diferentes de receptividade ao evangelho, o semeador se refere a Jesus e a semente, ao evangelho. Aqui, a maioria dos detalhes é alegorizada. Já na parábola do filho pródigo (Lc 15.11-32), porém, os personagens possuem um significado (o pai = Deus, o filho pródigo = os cobradores de impostos e pecadores, o filho mais velho = os escribas e fariseus; Lc 15.1), mas os detalhes (como a fome, os porcos e as alfarrobas) acrescentam vivacidade, não um significado espiritual. Pastor Elienai Cabral em seu livro “Parábolas de Jesus” (2005, pp. 11,12) pontua pelo menos dois princípios que auxiliam na interpretação das parábolas. Vejamos:

  • O princípio do contexto. Todas as parábolas foram precedidas de situações históricas que induziram Jesus a usar esse método para aclarar verdades morais e espirituais. Uma das leis que regem a interpretação de um texto, seja ele sagrado ou secular, é o seu contexto. O contexto cultural e histórico pode facilitar a compreensão do ensino principal da parábola. Nesta, o seu contexto pode ser aquela situação histórica que obrigou o Mestre a contar uma parábola para esclarecer uma verdade discutida. O contexto imediato, antes e depois, oferece ao intérprete a luz sobre o que se queria ensinar.
  • O princípio teológico. As parábolas não têm a finalidade de estabelecer doutrina ou teologia, mas visam a confirmar algum elemento teológico contido numa parábola. O princípio teológico que rege qualquer parábola bíblica é aquele que se insere nos conceitos e verdades espirituais ensinadas. Uma das regras simples de hermenêutica é “o ensino geral da Bíblia” sobre determinado assunto ou doutrina. Por isso, os ensinos das parábolas de Cristo devem ser interpretados sob o princípio do “ensino geral das Escrituras”.

IV – JESUS E AS PARÁBOLAS

Jesus foi um exímio contador de parábolas. Ele aproveitava algum evento do cotidiano de sua época e explorava aspectos especiais daquele acontecimento para ensinar alguma verdade espiritual. Mateus disse que “nada lhes falava sem parábolas” (Mt 13.34). Marcos acrescenta que Ele: “[…] ensinava-lhes muitas coisas por parábolas […]” (Mc 4.2). E, acrescentou ainda: “E sem parábolas nunca lhes falava” (Mc 4.34-b). Mas, porque Jesus ensinava por meio de parábolas? Vejamos:

  • Esclarecer as verdades do Reino para os que queriam ouvi-lo. Os discípulos estavam curiosos sobre a razão pela qual Jesus ensinava as multidões por parábolas. Quando eles lhe perguntaram, Ele respondeu que, embora fosse um privilégio deles conhecer os mistérios do Reino dos céus “Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus” (Mt 13.11). A palavra “mistério” no grego “musterion” significa: “aquilo que, estando fora do âmbito da apreensão natural sem auxílio, só pode ser conhecido pela revelação divina, e é conhecido do modo e no tempo designado por Deus e só àqueles que são iluminados pelo Seu Espirito” (VINE, 2002, p. 795). A palavra mistério é frequentemente usada na Bíblia para indicar alguma coisa que, parcialmente revelada no Antigo Testamento, é plenamente mostrada no Novo (Cl 1.26,27; 2.2) (HORTON, p. 109). Paulo, que recebeu o evangelho por revelação, foi o apóstolo que mais falou a respeito dos mistérios de Deus (1 Co 11.23; Gl 1.12). Aos efésios ele disse: “Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo, o qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas” (Ef 3.5). Vejamos algumas coisas que a Paulo denomina de mistério e que foram revelados pelo Espírito Santo, por meio dos apóstolos:
    • O mistério do arrebatamento (1 Co 15.51-54);
    • O mistério da iniquidade (2 Ts 2.7);
    • O mistério da cegueira de Israel (Rm 11.25);
    • O mistério da fé (1 Tm 3.9);
    • O mistério da piedade (1 Tm 3.16).
  • Ocultar as verdades do Reino para os resistentes. Algumas parábolas também foram utilizadas por Jesus com o intuito de ocultar verdades aos que não tinham predisposição para ouvir, aprender e se converter (Mt 13.11,13). Nesse texto Jesus fez referência ao profeta Isaías que foi avisado da resistência do povo de Israel ao seu clamor profético (Is 6.9,10) que prefigurou o intenso endurecimento que este mesmo povo teria contra o Seu Messias (Mt 13.13-15). Perceba que Jesus disse que: “[…] o coração deste povo está endurecido, e ouviram de mau grado com seus ouvidos, e fecharam seus olhos(Mt 13.15-a). Alguns até entendiam o que o Mestre ensinava mas a reação não era positiva (Mc 12.12). O escritor da epístola aos Hebreus disse que aos hebreus da época de Moisés foram pregadas as boas novas como a nós “[…] mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé […]” (Hb 4.2). Portanto, não existe nenhuma possibilidade em Deus agir de forma arbitrária selecionando alguns para salvação e outros não. Ele “amou o mundo” (Jo 3.16); “quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2.4); e, por meio da Sua graça concede “salvação a todos os homens” (Tt 2.11), no entanto, como este homem reage ao convite divino é uma questão pessoal, pois uma coisa é “conceder” (parte de Deus) outra coisa é “receber” (parte do homem). Isto Jesus deixou isso claro quando falou da Parábola do Semeador (Mt 13.1-9). A semente é a Palavra de Deus que foi semeada em quatro tipos terrenos (Lc 8.11), no entanto, a forma como cada terreno se comportou ao receber a semente, ilustra a forma individual com que cada pessoa reage a pregação do evangelho (Mt 13.19-23). “Portanto, inferir alguma espécie de fatalismo ou determinismo dessa história seria como desviar-se das Escrituras como um todo, pois elas assumem em toda parte uma responsabilidade individual” (BEACON, 2006, p. 102 – acréscimo nosso).

CONCLUSÃO

As parábolas estão recheadas de ensinamentos acerca das coisas espirituais que Deus deseja transmitir ao Seu povo. Portanto, devemos nos debruçar diante da Bíblia com a finalidade de aprofundar nosso conhecimento acerca dos mistérios do Reino dos céus.

REFERÊNCIAS

  • CABRAL, Elienai. Parábolas de Jesus: advertências para os dias atuais.
  • EARLE, Ralph et al. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
  • HORTON, Stanley M. Apocalipse: as coisas que brevemente devem acontecer.
  • HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. OBJETIVA.
  • LAHAYE, Tim. Enciclopédia Profecia Bíblica.
  • LOCKYER, John. Todas as Parábolas da Bíblia.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo. CPAD.
  • VINE, W.E, et al. Dicionário Vine.

Fonte: www.adlimoeirope.com