Sobre a família e a sua natureza

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

 LIÇÃO 13 – SOBRE A FAMÍLIA E A SUA NATUREZA – (Gn 2.18-24)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição traremos a definição de família; veremos o que a Bíblia nos diz acerca da gênese da família; falaremos ainda dos propósitos de Deus com a família; pontuaremos os ataques que esta instituição tem sofrido e o que devemos fazer para proteger a nossa família contra os ataques de Satanás.

I  – DEFINIÇÃO DE FAMÍLIA

A nossa confissão de fé (2017, p. 203) diz que: a família é uma instituição criada por Deus, imprescindível à existência, formação e realização integral do ser humano, sendo composta de pai, mãe e filho (s) – quando houver – pois o Criador, ao formar o homem e a mulher, declarou solenemente: “Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2.24). Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança e os fez macho e fêmea: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.27), demonstrando a sua conformação heterossexual. A diferenciação dos sexos visa à complementaridade mútua na união conjugal (1Co 11.11), essa complementariedade mútua necessária à formação do casal e à procriação. Reconhecemos preservada a família, quando, na ausência do pai e da mãe, os filhos permanecerem sob os cuidados de parentes próximos (Et 2.7,15; 1 Tm 5.16). Rejeitamos o comportamento pecaminoso da homossexualidade por ser condenada por Deus nas Escrituras, bem como qualquer configuração social, que se denomine família, cuja existência se fundamente em prática, união ou qualquer conduta que atente contra a monogamia e a heterossexualidade consoante o modelo estabelecido pelo Criador e ensinado por Jesus (Mt 19.6).

II  – A GÊNESE DA FAMÍLIA

O livro do Gênesis além de falar do início de várias coisas, dentre elas a gênese (início) da família (Gn 1.26,27). Vejamos algumas considerações sobre isto:

  • Deus fez o homem e a mulher A Bíblia é clara em dizer que tanto o homem quanto a mulher foram feitos por Deus (Gn 1.27); que ambos tem a “imagem e semelhança de Deus”; e, que a ambos foi dada a mesma ordem em relação a terra “e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra” (Gn 1.28).
  • Deus abençoou, os casou e ordenou que se multiplicassem. Ao criar a mulher, Deus trouxe-a a Adão e fez o casamento (Gn 2.22-24). Portanto, “o casamento é uma criação de Deus”. É dito também que Deus os abençoou (Gn 1.28-a). A palavra “abençoou” do verbo “abençoar” no hebraico é “beraka” que significa: “o ato de conceder verbalmente boas coisas” (HARRIS, 2001, p. 221). Esta bênção sobre o casal significa: “Deus voltar inteiramente o Seu rosto de modo favorável para o beneficiário” (KIDNER, 2001, p. 49). Em seguida o Senhor ordenou que eles se multiplicassem: “E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra” (Gn 1.28).
  • Distinções entre o homem e a mulher. Além de diferenças genéticas, fisiológicas e emocionais, existem distinções de papéis e diferenças funcionais entre o homem e a mulher, que foram estabelecidas pelo próprio Criador (Gn 2.15,18). Deus estabeleceu que no casamento o homem fosse o cabeça da relação. A confirmação específica pelo Senhor da liderança de Adão se pode ver claramente no fato de: o homem ter sido feito primeiro (Gn 1.26); porque lhe foi dada a tarefa de lavrar a terra (Gn 2.15); de nomear os animais (Gn 2.19,20); ele próprio nomeou a esposa (Gn 2.23); e, foi chamado a responsabilidade quando pecou (Gn 3.9-12). Geisler (2010, p. 940) diz: “a ordem de autoridade no lar e na Igreja está baseada no fato e ordem da criação”. Quanto a mulher, a Bíblia destaca que ela foi criada por causa do homem (1Co 11.8,9). O ideal divino ao criá-la era de que por meio dela: (a) proporcionar companhia (Gn 2.18); (b) ajudá-lo nas suas tarefas (Gn 1.28); e, (c) gerasse filhos (Gn 1.27,28). Provérbios descreve a mulher virtuosa como uma dona de casa inteligente, sob a autoridade de seu marido (Pv 31.10-31). Paulo e Pedro ensinam que a mulher deve reconhecer a liderança do marido em submissão (Ef 5.22; Cl 3.18; 1Pe 3.1), e, exigem dos maridos amor sacrificial e respeito para com a sua esposa (Ef 5.25; Cl 3.19; 1 Pe 3.7). Os indivíduos que abandonaram de modo claro e específico os papéis estabelecidos por Deus para cada sexo tiveram resultados desastrosos, que culminaram na ruína da família. “Igualdade, distinção, complementaridade e submissão precisam ser mantidos em equilíbrio delicado” (KOSTENBERGER, 2011, p. 32).

III – OS PROPÓSITOS DE DEUS COM A FAMÍLIA

Deus criou a família com propósitos sublimes, para o indivíduo e para toda a humanidade. O Pr. Elinaldo Renovato no livro: “A família cristã e os ataques do inimigo” (2013, p. 08) pontua pelo menos quatro propósitos. Vejamos:

  • Evitar a solidão. Quando Deus se propôs a criar a mulher, fez pensando em oferecer-lhe uma companhia (Gn 18.22; Pv 18.22). A mulher foi criada para ser a amável companheira do homem e sua ajudadora. Daí ela ser participante da responsabilidade de Adão e com ele cooperar no plano de Deus para a vida dele e da família por meio do casamento.
  • Bem-estar social. O homem é um ser gregário por natureza. A palavra “gregário” significa: “que vive em bando” (AURÉLIO, 2004, p. 1004). Ele sente a necessidade de viver em grupo, de socializar-se. Desde o princípio, Deus fez uma comunidade de “macho e fêmea” e lhes disse que multiplicassem a sua espécie em uma comunidade maior (Gn 1.27,28).
  • Bem-estar emocional. Marido e mulher complementam-se em suas necessidades emocionais (Gn 2.23). Nos momentos alegres, compartilham seus sentimentos de felicidade (Pv 5.18). Nos momentos tristes ou difíceis, ajudam-se mutuamente, impulsionados pelo amor conjugal. Pais e filhos, vivendo em família, sentem-se mais seguros do que pessoas que vivem solitárias: “Deus faz que o solitário viva em família […]” (Sl 68.6).
  • A multiplicação da espécie. Quando os fez macho e fêmea, Deus tinha o propósito de tornar possível a reprodução do gênero humano (Gn 1.28-a), visto que dois iguais não se reproduzem, por isso a prática homossexual é vista na Bíblia como uma abominação (Lv 18.22); e, algo antinatural (Rm 1.26,27). Portanto, “o princípio da heterossexualidade estabelecido na criação, continua a ser parte integrante do plano de Deus para o casamento” (KOSTENBERGER, 2011, 40 – acréscimo nosso).

IV – OS ATAQUES PÓS MODERNOS A FAMÍLIA

A palavra ataque refere-se a todo o investimento de Satanás por meio da educação, do sistema político, da sociedade sem Deus e etc, contra a família (2 Co 10.4-5; Cl 2.8; Tg 3.15). Vejamos alguns:

  • Incentivo ao divórcio. A mídia tem dado grande incentivo a prática do divórcio, consequentemente tornando-o prática comum na sociedade. O princípio da “indissolubilidade do casamento” tem sido quebrado em grande escala a cada ano, evidenciando a falta de temor a Deus e do verdadeiro amor e respeito que deve existir entre os casais. A natureza indissolúvel do casamento vem desde a sua origem (Gn 2.24). Jesus disse que esse registro bíblico fala da indissolubilidade do casamento (Mt 19.5,6). O Mestre disse que somente a infidelidade pode legitimar um segundo casamento, o contrário configura em adultério (Mt 19.9). É bom destacar que Jesus nunca estimulou ou encorajou o divórcio. Portanto, o divórcio não deve ser a primeira opção no caso de infidelidade conjugal, mas o perdão (Mt 18.21-35; Lc 17.4).
  • A impureza no leito conjugal. Desde a Queda, o sexo e a sexualidade têm sido deturpados. Por meio da mídia escrita, televisiva e até de alguns ensinadores que se levantaram no cenário nacional, têm havido um ensinamento deturpado do ato conjugal com práticas impuras e inconvenientes, sob o lema de que “dentro de quatro paredes vale tudo”. A Escritura, porém, nos mostra que o sexo foi criado por Deus com propósitos elevados, saudáveis e benéficos para o ser humano, e por isso reprova severamente práticas sexuais corrompidas, tais como: (a) adultério (Êx 20.14; Dt 5.18; Mt 5.27; Rm 13.9); e, (b) outras perversões, que são próprias daqueles que não temem a Deus (Êx 20.17; 1 Co 6.19,20; 1 Pe 3.7; Hb 13.4).
  • A falta de espiritualidade. Em alguns lares a espiritualidade da família está entrando em crise (Mt 24.12). A frieza e a mornidão espiritual têm impedido que os membros da família vivam em comunhão com Deus (Ap 3.15,16). Isto se dá pelo fato de alguns lares, darem pouca importância a oração, adoração e a leitura bíblica no seio Todavia, a Bíblia nos mostra o que devemos priorizar (Mt 6.33; Cl 3.1).

V – PROTEGENDO A FAMÍLIA CONTRA OS ATAQUES DE SATANÁS

Não podemos evitar que nossa família sofra investidas do diabo, mas podemos proteger a nossa família das suas astutas ciladas (Ef 6.10,11). Vejamos como podemos proteger nossa família:

  • Santificando o lar (Lv 20.26; 2 Co 7.1; 1 Ts 7);
  • Praticando o culto doméstico regularmente (Dt 7-9);
  • Mantendo uma vida de oração e jejum (Rm 12.12; Cl 4.2; 1 Ts 17);
  • Ensinando a Palavra de Deus no lar (Pv 22.6; At 42);
  • Frequentando os cultos no templo assiduamente (2 Cr 7.15,16; Sl 1);
  • Vigiando em todo tempo (At 20.31; 1 Co 16.13; Cl 4.2; 1 Ts 6.10; 1 Pe 5.8).

CONCLUSÃO

Deus fez o homem e a mulher e os casou formando a família. Portanto, a família é a primeira instituição divina e a célula-mãe da sociedade. Ela foi criada por Deus para o bem-estar emocional, social e reprodução da espécie humana.

REFERÊNCIAS

  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa.
  • KOSTENBERGER, Andreas J. com JONES,
    • Deus Casamento e Família. VIDA NOVA.
  • KIDNER, Derek. Gênesis: introdução e comentário. CULTURA BÍBLICA.
  • RENOVATO, A Família Cristã e os ataques do inimigo.
  • SILVA, Esequias Soares da (Org.). Declaração de Fé das Assembleias de Deus.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

Proxima Lição

Tema: A Obra da Salvação – Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida

Comentarista: Pr. Claiton Ivan Pommerening

SUMÁRIO:
Lição 01 – Uma Promessa de Salvação
Lição 02 – A Salvação na Páscoa Judaica
Lição 03 – A Salvação e o Advento do Salvador
Lição 04 – Salvação: O Amor e a Misericórdia de Deus
Lição 05 – A Obra Salvífica de Jesus Cristo
Lição 06 – A Abrangência Universal da Salvação
Lição 07 – A Salvação pela Graça
Lição 08 – Salvação e Livre-Arbítrio
Lição 09 – Arrependimento e Fé para a Salvação
Lição 10 – O Processo da Salvação
Lição 11 – Adotados por Deus
Lição 12 – Perseverando na Fé
Lição 13 – Glorificados em Cristo
Lição 14 – Vivendo com a Mente de Cristo

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O mundo vindouro

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 12 – O MUNDO VINDOURO – (Ap 21.1-5)

INTRODUÇÃO

Nesta lição que diz respeito ao Mundo Vindouro, veremos alguns fatos que antecedem a esse evento escatológico; será destacado também, a descrição bíblica do Novo Céu e a Nova Terra; e por fim, indicaremos algumas características da Nova Jerusalém.

I – ALGUNS FATOS QUE ANTECEDEM O MUNDO VINDOURO

Ainda que a Bíblia não ofereça muitos detalhes a respeito do Estado Eterno, assunto pertencente a Escatologia bíblica, ela oferece informações suficientes sobre a esperança vindoura. A Declaração de Fé das AD, assim declara sobre o Mundo Vindouro: “Cremos, professamos e ensinamos que existe um mundo vindouro para os salvos e para os condenados, e que depois do Milênio virá o Juízo Final, conhecido como o Grande Trono Branco” (Ap 20.11) (2017, p. 195 – grifo nosso). Vejamos alguns eventos que ocorrerão antes do Mundo Vindouro:

  • O Milênio. O Milênio é o maravilhoso reinado de Cristo na terra por mil anos (Ap 20.1-6). Jesus reinará sobre todas as nações. Seu reino será literal e universal, pois, todos os reinos do mundo estarão sob o senhorio de Cristo. Israel será uma bênção para o mundo (Is 26.7). Jerusalém será a sede do governo mundial (Is 2.3; 60.3; 66.2; Jr 3.17). De Jerusalém sairão, tanto as diretrizes religiosas como as leis civis para o mundo. Neste período, a vida humana será prolongada como no princípio da história humana e haverá abundância de saúde para todos (Is 65.20,22; Zc 8.4). Haverá muita fertilidade no gênero humano, nos é dito que as praças da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão (Zc 8.5). Os óbitos serão reduzidos (Is 65.20). Haverá também mudanças no reino animal, e até a ferocidade deles será removida e eles não mais atacarão ao homem e nem uns aos outros (Is 11.6-8; 25).
  • A Ressurreição dos ímpios. Está em foco aqui todos os mortos não salvos de todas as épocas, que ressurgirão em corpo para serem julgados. Destacamos porém, que: “ficarão de fora desse juízo os crentes provenientes da era da Igreja e os mártires da Grande Tribulação, pois eles serão parte do Reino de Cristo e estarão com o corpo glorificado. Mas ‘os outros mortos’, aqueles que não fizeram parte da primeira ressurreição”. “Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram” (Ap 20.5), serão ressuscitados nessa ocasião para julgamento” (Declaração de Fé das AD, p. 195 – grifo nosso) (Ap 20.12). Esta é a ressurreição que se referiu o profeta Daniel: “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno” (Dn 12.2).
  • O Juízo Final. A Bíblia diz que o Juízo Final é o julgamento que acontecerá logo após o Diabo ser sentenciado e lançado no lago de fogo (Ap 20.10). Assim, João o descreve: “E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles” (Ap 20.11). Este acontecimento é totalmente diferente da primeira ressurreição com os justos, pois nele serão submetidos apenas os ímpios. O Juízo Final tem como objetivo retribuir a cada um pelos seus feitos (Ap 13). Sem dúvida alguma, o juízo de Deus será imparcial (Dt 10.17; 2Cr 19.17; Ap 20.12). Ele julgará cada um segundo as suas obras, e por isto, no inferno haverá também diferentes graus de sofrimentos (Mt 10.15; 11.22,24; Lc 10.12,14; Hb 10.29). Será levado em consideração as obras, feitos, motivos, memórias e consciências, confrontando tudo com o que está escrito em cada livro (Jo 12.48; Ap 20.12,15).

II  – UM NOVO CÉU E UMA NOVA TERRA

É a realidade que passará a existir após a consumação de todas as coisas pertinentes à dimensão material (Is 65.17; 66.22; 2Pd 3.7-10; Ap 21.1-3). A Bíblia não é explícita se os Novos Céus e Terra serão o resultado do reaproveitamento dos atuais. Em torno do assunto, há muita especulação. De uma coisa, porém, tenhamos certeza: os Novos Céus e a Nova Terra serão uma realidade já antevista (Is 66.22). Segundo depreendemos de Apocalipse 21.2, os novos céus estarão interligados à Nova Terra, formando um todo harmonioso e sem igual. Será uma realidade jamais sonhada pelo ser humano. Uma realidade tão superior a esta dimensão (1Co 2.9). A Nova Terra será apropriada para a presença de Deus (ANDRADE, 2006, p. 118). Chegará de fato o fim do mundo (2Pd 3.7,10-12), que ensejará um novo início, o começo do “dia da eternidade” (Lc 20.35; 2Pd 3.18; Ap 21-22). Nos Novos céus e Nova Terra (Ml 4.1; 2Pd 3.7,10), o pecado terminará o seu curso. Os salvos já estarão glorificados e os perdidos estarão no seu lugar, no Inferno. Céus e terra serão renovados e tornar-se-ão como eram no princípio no Éden antes da Queda (Gn 2.8). Então, Deus será tudo em todos (1Co 15.28), e para sempre continuará o eterno e perfeito estado e todas as coisas terão sido restauradas (At 3.21; Dn 7.18). As infinitas belezas celestiais, começarão a ser conhecidas: “Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam” (1Co 2.9) (GILBERTO, 2007, p. 103).

III  – A NOVA JERUSALÉM, A CIDADE CELESTE

Em adição a estas duas esferas de habitação: “o Novo céu e a Nova Terra” há uma cidade que três vezes é dita descer de Deus, do céu (Ap 3.12; 21.2,10). A conclusão natural é que, de algum modo, essa cidade é separada do Novo céu do qual ela desce. Após o Juízo Final do Grande Trono Branco, o universo dará lugar a esta nova realidade (2Pd 3.13; Mt 5.5), na qual haverá uma Santa Cidade (Hb 12.22; Ap 21.1-3), e ali Deus será tudo em todos (1Co 15.28). A esperança do cristão não está voltada para a Jerusalém terrestre, mas, para a celestial (Fp 3.20; Hb 11.13-16; 12.22) . Lá não existirá mais maldição (Ap 22.3; 21.4,27) (PENTECOST, sd, p. 568). Notemos algumas características desta cidade:

  • A Nova Jerusalém é santa (Ap 21.2,10). A palavra para “santa” no grego é “hagios” que é da mesma raiz de “hagnos” que significa fundamentalmente “separado”. Nesta cidade não haverá pecado, pois há uma separação do santo e do profano (Ap 21.2; 22.15). Nesta cidade não haverá ódio, violência, maldade nem corrupção, pois nela não entrará pecado, pois há uma separação do santo e do profano, nem coisa alguma que contamine (Ap 21.27). A Bíblia é enfática ao dizer que ficarão de fora os feiticeiros, os que se prostituem, os homicidas, os idólatras e todos os que amam e cometem a mentira (Ap 22.15); mas, estará nela: “[…] somente os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Ap 21.27). Esta, sem dúvida, é uma das principais características desta cidade. Desde que o pecado entrou no mundo (Gn 3.1-7), o homem sofre suas consequências. Mas, no futuro, estaremos, enfim, livres da presença do pecado, bem como de toda e qualquer tentação.
  • A Nova Jerusalém tem a glória de Deus (Ap 11). A palavra para glória no grego é “Doxa” que é aplicada para descrever a natureza de Deus em sua revelação, ou seja, o que Ele essencialmente é e faz (Jo 17.5,24; Ef 1.6,12,14; Hb 1.3; Rm 6.4; Cl 1.11; 1Pd 1.17; 5.1; Ap 21.11). Já a palavra grega “Doxazõ” significa: “magnificar, engrandecer, atribuir honra, exaltar”. (Mt 5.16; 9.8; 15.31; Rm 15.6,9; Gl 1.24; 1Pe 4.16). Glória e esplendor é um termo bíblico muito comum para identificar a presença de Deus (Êx 16.10; Lv 9.23; Nm 14.10; 2Cr 7.1,2; Ez 43.4,5). Esta cidade será o tabernáculo de Deus com os homens (Ap 21.3). O tabernáculo, como sabemos, era a tenda em que permanecia a glória de Deus, e onde, no deserto, o povo se reunia para, através de sacrifícios e sacerdotes, aproximar-se de seu Criador (Êx 25.8). Mas, na Nova Jerusalém, o próprio Deus estará com os homens, ou seja, o que no passado era sombra, nesta cidade será realidade (Hb 8.5).
  • A Nova Jerusalém tem iluminação própria (Ap 11). A luz desta cidade é semelhante a uma pedra preciosa. Iluminada pela glória de Deus, sua luz tem a resplandecência do jaspe. Quando o apóstolo João tentou descrever o brilho da cidade, ele o comparou com uma pedra, mas não uma pedra qualquer, e sim, uma pedra preciosíssima como um cristal resplandecente, ou um diamante. Não haverá mais templo, sol, lua e noite (Ap 21.22,23; 22.5). A existência de algum astro não fará sentido, pois a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada (Ap 21.23), ou seja, ela não necessita de luz natural ou artificial, pois, o próprio Cristo a ilumina.
  • A Nova Jerusalém tem dimensão e arquitetura própria (Ap 21.12-14,16). A cidade possui um grande e alto muro com doze portas sendo três de cada lado. João diz ainda que em cada portão há a gravação do nome de uma das doze tribos de Israel (Ap 21.12), e nos fundamentos dos muros estão os nomes dos doze apóstolos (Ap 21.14), o que nos leva a entender que nesta cidade estará a Igreja do Senhor Jesus, que está fundamentada na doutrina dos profetas e apóstolos (Ef 2.20), e que é composta, tanto por judeus como por gentios. O seu arquiteto e construtor é o próprio Deus (Hb 11.10). A cidade é quadrangular: comprimento, largura e altura iguais, ou seja, doze mil estádios de comprimento, de largura e de altura, o que equivale a aproximadamente 2.200 km de comprimento, de largura e de altura (Ap 21.16-21). É uma gigantesca cidade, equivalente a ir de São Paulo a Aracaju, ou quase a metade do continente norte-americano. A grandeza dessa cidade assegura lugar para todos.
  • A Nova Jerusalém tem um tipo de material próprio (Ap 21.18). O livro do Apocalipse traz muitas alusões ao ouro (Ap 1.12, 13, 20; 2.4; 3.18; 4.4; 5.8; 8.3; 9.7, 13, 20; 14.14; 15.6, 7; 17.4; 18.12, 16; 21.15, 18, 21). Em relação à cidade tudo nos leva a crer que o ouro ali descrito refere-se a um material desconhecido aqui na terra, de qualidade infinitamente superior, e que é descrito como ouro apenas para que possamos ter a ideia da beleza que está reservada para os salvos no futuro.
  • A Nova Jerusalém tem um reino próprio (Ap 22.5). O reino de Cristo não está limitado a mil anos, pois, Ele reinará para sempre (2Sm 7.13,15; Lc 1.32,33; Ap 11.15). O reino milenar se funde com o reino eterno, e então os santos são descritos reinando não apenas por mil anos, mas, continuam a reinar pela eternidade (Sf 3.20) (PENTECOST, sd, p. 573).

CONCLUSÃO

Uma das mais belas descrições do livro do Apocalipse é dos “Novos Céus e Nova Terra”, bem como da “Nova Jerusalém”. Apesar de ainda não podermos vê-la, guardamos em nosso coração a certeza de que em breve não só a contemplaremos, mas, também, habitaremos nesta cidade, com o Senhor Jesus, por toda a eternidade.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • PENTECOST, Dwight. Manual de Escatologia: Uma análise detalhada dos eventos futuros. VIDA
  • SILVA, Esequias Soares da (Org.). Declaração de Fé das Assembleias de Deus.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

A segunda vinda de Cristo

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 11 – A SEGUNDA VINDA DE CRISTO – (1 Ts 4.13-18 ; Lc 21.25-27)

INTRODUÇÃO

Nesta lição, traremos a definição teológica e bíblica da palavra Arrebatamento; pontuaremos o que diz a Declaração de Fé das Assembleias de Deus sobre este assunto; analisaremos quais os sinais que antecedem este evento escatológico; pontuaremos alguns elementos atrelados a este rapto da Igreja; estudaremos as principais diferenças entre as duas fases deste acontecimento; e por fim, concluiremos mostrando algumas características do Arrebatamento da Igreja.

I – O QUE É A SEGUNDA VINDA DE CRISTO

A Segunda Vinda de Cristo é um evento a ser realizado em duas fases. A primeira é o arrebatamento da Igreja, antes da Grande Tribulação (1Ts 1.10; 5.9), momento este em que nós, “os que ficarmos vivos, seremos arrebatados(1Ts 4.17); a segunda fase é a sua vinda em glória, depois da Grande Tribulação e visível aos olhos humanos: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá […]” (Ap 1.7). Nessa vinda gloriosa, Jesus retornará com os santos arrebatados da terra: “na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, com todos os seus santos(SOARES, 2017, pp. 185,186 – grifo nosso). Vejamos:

  • A primeira fase da segunda vinda. Esta fase destina-se à Igreja e será invisível, e é chamada de “encontro” ou “arrebatamento” (1Ts 17). Nesta ocasião ocorrerá a ressurreição dos que morreram em Cristo (1Ts 4.16); os crentes vivos serão transformados. Seus corpos se revestirão de imortalidade (1Co 15.51,53) e tanto os crentes ressurretos como os que foram transformados, serão arrebatados para encontrar-se com Cristo nos ares (1Ts 4.17). A palavra arrebatamento deriva da palavra no grego “harpazo” e significa: “raptar”, “levar com ímpeto”, “arrancar”, “resgatar”, “tirar”, “retirar um objeto com força e rapidez inesperada” (VINE, 2002, p. 862).
  • A segunda fase da segunda vinda. Esta fase acontecerá sete anos depois do arrebatamento, ou seja, após a Grande Tribulação. O regresso de Cristo, desta vez, será visível e glorioso e todos verão a Jesus (Zc 12.10; 13.1,2; 14.3,4; Mt 24.30; 26.64; Ap 1.7). Seu primeiro toque a este mundo será no Monte das Oliveiras, como está escrito pelo profeta Zacarias (14.14) e Cristo virá acompanhado com os seus santos e com os anjos (Mt 25.31; Ap 11-16).

II – A IMPORTÂNCIA DA DOUTRINA DA SEGUNDA VINDA DE CRISTO

A Segunda Vinda de Jesus se dará em duas etapas, separadas por um período de 7 anos. Esse período lá no céu é conhecido como as “Bodas do Cordeiro”, enquanto aqui na Terra ocorrerá a “Grande Tribulação”. O Arrebatamento pré- tribulacional ensina que, antes do período de sete anos conhecido como Grande Tribulação, todos os membros do corpo de Cristo (tanto os vivos quanto os mortos) serão arrebatados nos ares para o encontro com Jesus Cristo rumo aos céu.

  • Sua preeminência nas Escrituras. Só NT se refere de maneira direta ao segundo advento de Cristo, mais de 300 vezes. Um em cada vinte e cinco versículos do NT trata da Segunda Vinda de Jesus. Paulo refere-se ao evento umas 50 vezes. Alguém já disse que a segunda vinda é mencionada oito vezes mais do que a primeira. Epístolas inteiras (1 e 2 Tessalonicenses) e capítulos inteiros (Mateus 24 e Marcos 13) são dedicados ao assunto (THIESSEN, 2006, p. 317).
  • É uma chave para a compreensão das Escrituras. A doutrina bíblica, como um todo seria simplesmente ininteligível, caso fosse estudada separadamente das promessas referentes à Segunda Vinda de Cristo. Muitas tipos das Escrituras perdem seus aspectos mais atraentes se não forem vistos à luz da volta de Cristo (At 3.19-24; Mt 16.27; Jo 14.3; Tg 5.8; Hb 10.37) (THIESSEN, 2006, p. 317).
  • É a esperança da Igreja. Paulo fala do retorno de Cristo como a esperança da Igreja. Ao contrário duma esperança escapista, a esperança da Igreja quanto à volta de Jesus, é o testemunho altaneiro (que permanece nas alturas) de que o nosso porvir jaz além dos limites das esperanças e possibilidades deste mundo divorciado de Deus. Este será: pessoal e corporal (At 1.11); visível (Ap 1.7; Mt 24.26 e 27; 1 Jo3. 2,3); e, iminente (Lc 28).
  • É incentivo para o viver cristão. A vinda do Senhor é nos apresentada como a grande esperança da Igreja (At 23.6; 26.6-8; Rm 8.20,25; 1Co 15.19; Gl 5.5; Tt 2.13; 1Pd 1.2,3; 2Pd 9-13).

III – CARACTERÍSTICAS DA SEGUNDA VINDA DE CRISTO

  • Antes do Arrebatamento. Ninguém sabe o dia do Arrebatamento da Igreja, só é possível saber que o evento é iminente, pois os sinais se identificam no decorrer da história. Lembremos sempre das palavras de Jesus: Não vos pertence saber os tempos ou épocas que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder” (At 1.7). O arrebatamento da Igreja reunirá os que morreram em Cristo e permaneceram fiéis até a morte (Ap 10; 1Ts 5.23; 1Ts 4.13). Vejamos alguns sinais que antecedem o Arrebatamento:
    • O aparecimento dos falsos “Cristos” (Mt 24.5; Mc 13.6; Lc 8);
    • O aparecimento de nação contra nação (Mt 24.7; Mc 13.8; Lc 10);
    • O aumento de fomes e grandes misérias (Mt 24.7; Mc 13.8; Lc 11);
    • O aumento de guerras e rumores de guerras (Mt 24.6; Mc 13.7; Lc 9);
    • O aumento de terremotos (Mt 24.7; Mc 13.8; Lc 11);
    • O aumento de epidemias; coisas espantosas e sinais nos céus (Lc 11).
  • Depois do Arrebatamento. Todo o plano de aliança com Israel, ainda não cumprido, torna obrigatória a segunda vinda do Messias à terra. O princípio do cumprimento literal torna o retorno de Cristo essencial. A Bíblia descreve vários eventos antecedem a segunda vinda de Cristo em Glória, e entre eles podemos pontuar alguns. Vejamos:
    • A abertura de sete selos, sete trombetas e sete cálices (Ap 6.1-8.5; 8. 6-11.19; 1-21);
    • Perseguição e mortes para Israel e os gentios que se converterem neste período (Ap 6.9-11; 7.9-14; 7);
    • Deus usará o sofrimento para preparar a nação de Israel (Dt 4.30, Jr 30.7; Ez 20.37; Dn 12.1; Zc 8,9);
    • O aparecimento das 144 mil judeus, doze mil de cada tribo de Israel com exceção da tribo de Dã (Ap 4-8);
    • O aparecimento das duas Testemunhas que serão dois profetas levantados por Deus (Ap 3-14);
    • O aparecimento do Anticristo que é a besta que emerge do mar (Ap 13.1-4, 16,17 ver Dn 7.8,25; 25);
    • O aparecimento do Falso Profeta que é a besta que emerge da terra (Ap 11-15);
    • A segunda vinda de Cristo em glória (Jd 14; Zc 14.5; Ap 14).

IV – CARACTERÍSTICAS DO ARREBATAMENTO

Podemos dizer que os propósitos do Arrebatamento são: a) Livrar a igreja da Grande Tribulação (Ap 3.10; 1Ts 1.10); b) Tratar com Israel (Jr 30.11; Ez 20.37-38; Dn 9.24; Os 2.14; 6.1-3); c) Cumprir o estágio final na vida dos salvos na glorificação do corpo (1Co 15.42-44; 51-53); e, d) Recompensar os salvos por seu trabalho prestado na terra (1Co 3.12-15; 1Jo 4.17; Hb 10.30-b). Vejamos então algumas características do Arrebatamento da Igreja:

  • Uma promessa consoladora. Segundo o dicionário Houaiss (2001, p. 811) consolar é: “aliviar a dor, o sofrimento, a aflição (de outrem ou a própria), com palavras, recompensas, promessas”. A promessa do Arrebatamento aparece nas Escrituras, trazendo uma consolação para a Igreja (Jo 14.1-3, 18, 28; At 1.6-12; 1Ts 13-18).
  • Uma promessa motivadora. Diante da tentação de se afastarem da verdade do evangelho, o escritor aos hebreus os motiva a ir avante, citando uma das maiores promessas: “a segunda vinda de Cristo” (Hb 32-37).
  • Uma promessa segura. O arrebatamento é uma promessa garantida pelo próprio Deus; ainda que escarnecedores tenham surgido ao longo da história com o objetivo de negar essa verdade (2Pe 3.3,4,8,9); sabemos que o arrebatamento é um advento iminente. Jesus em seu sermão profético deixou certa a sua segunda vinda: E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem” (Mt 37).
  • Uma promessa seletiva. Outra característica não menos importante do arrebatamento, é que nem todos participarão dele: “Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro; Estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra(Mt 24.40,41). Ao tratar sobre o arrebatamento, Paulo ensina que dois tipos de pessoas participarão do arrebatamento: a) Os que morreram em Cristo (1Ts 4.16), e b) Os salvos que estiverem vivos (1Ts 17).

V – DIFERENÇAS ENTRE O ARREBATAMENTO E A SEGUNDA VINDA DE CRISTO EM GLÓRIA

É preciso distinguir os dois momentos da vinda de Jesus: o Arrebatamento (nos ares de maneira invisível), para a noiva e a Vinda em Glória (à Terra de maneira visível), com a esposa (Ap 19.7). Vejamos as seguintes diferenças:

ARREBATAMENTO DA IGREJA

SEGUNDA VINDA DE JESUS EM GLÓRIA

Será antes da Tribulação (1Ts 5.9; Ap 3.10); Será depois da Tribulação (Ap 6-19);
O Senhor vem para a Igreja (Jo 14.2,3); O Senhor vem com a Igreja (Jd 14; Zc 14.5);
A igreja encontrará o Senhor nos ares (1Ts 4.17; Tt 2.14); A igreja retornará com o Senhor à terra (Zc 14.4,5; Ap 19.14);
Ninguém sabe o dia (Mc 13.32; 1Co 15.50-54); Se sabe o dia pois, ocorrerá 7 anos após o rápito (Ap 19.11-16);
Será invisível e secreto (1Co 15.52); Será visível e público (Mt 24.29-30; Lc 21.25-28; Ap 1.7);
Será um ato de libertação (1Ts 4.13-17; 5:9); Será um ato de julgamento (Mt 24.40-41);
O Senhor virá para libertar a Igreja (1Ts 1.10); O Senhor virá para libertar Israel (Sl 6.1-4; Zc 12.6-14; 14.1-11);
O Senhor reunirá os seus santos (1Ts 4.15-18; 2 Ts 2.1); Os seus anjos reunirão os remanescentes de Israel (Mt 24.30,31);

CONCLUSÃO

Concluímos esta lição, entendendo que diante dessa gloriosa promessa, da volta do Senhor Jesus em glória, devemos estar vigilantes, vivendo em santidade, esperando o arrebatamento da Igreja para podermos participar deste dia em que estaremos com o Senhor em seu segundo retorno a esta terra, com corpos transformados definitivamente livres de todo sofrimento onde estaremos para sempre com o Senhor em seu Reino Eterno.

REFERÊNCIAS

  • GILBERTO, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.
  • LAHAYE, Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. CPAD.
  • RENOVATO, O Final de Todas as Coisas. CPAD.
  • SILVA, S. da. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. CPAD.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
  • THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática.
  • VINE, W.E, et al. Dicionário Vine. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

As manifestações do Espírito Santo

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 10 – AS MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO – (At 2.1-6; 1 Co 12.1-7)

 INTRODUÇÃO

Na lição de hoje, trataremos de uma importante doutrina “o Batismo com o Espírito Santo e os dons espirituais”. Esclareceremos, a princípio, o que não é o batismo com o Espírito Santo; veremos como a Bíblia classifica essa importante dádiva espiritual; e, por fim abordaremos qual o sinal físico inicial que evidencia o recebimento do poder do alto.

I – O QUE NÃO É O BATISMO COM O ESPÍRITO

  •  O batismo pelo Espírito. Embora a Bíblia chame de “batismo” tanto a inserção do crente no corpo de Cristo (1 Co 12.13), quanto o revestimento de poder (At 1.5), existem diferenças claras entre ambas as experiências, evidenciando que são ministrações distintas uma da outra. “No batismo pelo Espírito Santo, o batizador é o Espírito de Deus (1 Co 12.13); o batizando é o novo convertido; e o elemento em que o recém-convertido é imerso, a Igreja, como corpo místico de Cristo (1 Co 12.27; Ef 1.22, 23). Portanto, o Espírito Santo realiza esse batismo espiritual no momento da nossa conversão, inserindo o crente na Igreja (Mt 16.18)” (GILBERTO, 2008, p. 187).
  • Não é o selo. O selo, a que se refere o NT, não é o batismo com o Espírito Santo, mas a habitação do Espírito no crente, como prova de que o mesmo é propriedade particular de Deus (Ef 1.13,14; 4.30). Embora algumas vezes o batismo com o Espírito Santo seja chamado apenas de “Espírito Santo” (At 8.15,17-19; 10.44,47; 11.15; 19.2), não podemos confundir a habitação do Espírito que se dá na regeneração; com o revestimento do Espírito que se dá após a regeneração com a evidência física inicial do falar em línguas. O Espírito Santo veio para habitar (Jo 14.17), encher (At 13.52; Ef 5.18); e, batizar os crentes (At 2.38). Como podemos ver, estas três atuações são distintas uma da outra. Portanto, todo crente salvo tem o Espírito Santo (Rm 5.5; 8.9; 1 Co 6.19; 2 Tm 1.14).
  • Não é uma língua aprendida. Alguns estudiosos defendem que as línguas prometidas por Jesus como sinais para os que creem seriam línguas humanas naturais ou idiomas, tais como o grego, latim que os apóstolos aprenderiam. Tal opinião é descabida, pois que, todos os sinais descritos em Marcos 16.17 são sobrenaturais. Até porque a palavra “sinal” usada no referido texto refere-se a atos milagrosos, e todos nós sabemos que não há nada milagroso em estudar um idioma e falá-lo, mas, sim, falar algum idioma sem nunca ter aprendido, como aconteceu no Dia de Pentecostes, evidenciando a sobrenaturalidade desta manifestação (At 2.7,12).
  • Não é a regeneração. A regeneração diz respeito há uma mudança no interior do pecador (Ez 36.26; Jo 3.5,6; Tt 3.5; 1 Jo 5.18); já o batismo com o Espírito Santo há um revestimento para capacitação (Lc 24.49). A Bíblia deixa claro que   os discípulos já eram regenerados quando foram batizados com o Espírito Santo (Jo 10; 15.3; 17.12). Portanto, a regeneração não é o batismo com o Espírito Santo; este deve seguir-se à regeneração (At 2.38,39; 19.1-6).

II – O QUE É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

  •  Uma promessa divina. No AT os profetas anunciaram que Deus daria esta bênção ao Seu povo (Pv 1.23; Is 44.3; Jl 2.28). No NT, João Batista disse que batizava com água, mas o Messias batizaria com o Espírito Santo (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16). Jesus, antes de ascender aos céus, anunciou de que esta promessa do Pai viria sobre os seus seguidores (Lc 49; At 1.4). No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre os discípulos, eles começaram a falar em línguas, as pessoas se espantaram, e ao mesmo tempo acusaram os servos do Senhor de embriaguez (At 2.7,12,13). Pedro os respondeu mostrando que aquela manifestação era o cumprimento de uma promessa bíblica (At 2.16-21; Jl 2.28,29). Paulo fez semelhante declaração (1 Co 14.21). Joel anunciou que tal promessa se estende a todo povo: “toda carne”, independente do sexo: “filhos e filhas”; faixa etária: “jovens e velhos”; e, status social: “servos e servos” (Jl 2.28).
  • Um revestimento de Poder. Em uma das vezes que Jesus fez alusão ao batismo com o Espírito Santo o chamou de revestimento de poder (Lc 24.49). Tal capacitação viria sobre os seus discípulos a fim de que executassem a tarefa de evangelização dos povos (At 1.8). Portanto, esse “revestimento” tem como finalidade conceder poder para o serviço, resultando em uma expressão externa de caráter sobrenatural” (PEARLMAN, 2006, p. 311).
  • Um dom do Espírito. O apóstolo Pedro diz que o batismo com o Espírito Santo é um dom (At 2.38; 10.45). A palavra “dom” no grego “charisma”, é usada para indicar os dons do Espírito conferidos para a obra (1 Co 12.4,9,28,30,31). “Dons são capacitações especiais e sobrenaturais concedidas pelo Espírito de Deus ao crente para serviço especial na execução dos propósitos divinos por meio da Igreja” (SOARES, 2017, p. 121).
  • Uma experiência válida para a era da igreja. Embora haja quem advogue que os dons espirituais ficaram restritos ao período apostólico o texto bíblico atesta claramente que tanto o batismo com o Espírito Santo como os demais dons são válidos para toda a era da igreja. O apóstolo Pedro afirmou: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar(At 2.38). Asseverar que os dons só eram necessários enquanto o Cânon não estava fechado é um grave erro, por pelo menos dois motivos: (a) os dons não visam substituir a autoridade e supremacia das Escrituras, visto que seu uso deve estar subordinado ao crivo da Palavra (1 Co 14.37); (b) o texto usado pelos cessacionistas para justificar a “descontinuidade” das manifestações do Espírito (1 Co 13.10), na verdade, não tem este sentido, senão que Paulo está dizendo que os dons só terão utilidade até o retorno de Cristo, afinal de contas, quando formos ao céu teremos deixado o conhecimento imperfeito, pelo conhecimento perfeito. O testemunho bíblico e histórico, confirma que os dons espirituais são vigentes para todo o período da Igreja.
  • Uma porta que dá acesso aos demais dons espirituais. É bom destacar que o batismo com o Espírito Santo é a porta por meio da qual o crente tem acesso aos demais dons listados por Paulo em 1 Coríntios 12.1-8. Isto podemos afirmar pelos seguintes motivos: (a) a “dispensação do Espírito” teve o seu início em Atos 2, quando o Espírito desceu sobre a igreja para ficar com ela como havia sido prometido (Jo 15.26; 16.13); (b) a primeira manifestação do Espírito na Sua vinda sobre a igreja foi com o batismo com o Espírito Santo (At 2.1-4); (c) o livro de Atos nos mostra que os servos de Deus só foram usados nos outros dons a partir do momento em que foram batizados (At 3.6-8; 5.1-16; 6.8; 8.5-7; 9.40,41; 14.10; 11,12). Os dons espirituais são nove e podem ser classificados da seguinte forma:

Dons de Revelação

Dons de Poder

Dons de Elocução Verbal

A Palavra da Sabedoria (1 Co 12.8-a)

O Dom da Fé (1 Co 12.9-a)

O Dom de Profecia (1 Co 12.10-b)

A Palavra da Ciência (1 Co 12.8-b)

Dons de Curar (1 Co 12.8-b)

Variedades de Línguas (1 Co 12.10-d)

Discernimento de espíritos (1 Co 12.10-c)

Operação de Maravilhas (1 Co 12.10-a)

Interpretação das Línguas (1 Co 12.10-e)

III – FALAR EM LÍNGUAS: A EVIDÊNCIA FÍSICA DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

Alguns sinais manifestados no Dia de Pentecostes foram específicos para aquela ocasião (At 2.1-4). No entanto, o sinal fônico: o “falar em outras línguas” (At 2.4), foi o sinal visível e audível que sempre se manifestou quando houve a manifestação do batismo com o Espírito Santo, como podemos ver nas seguintes passagens: (a) em Jerusalém: entre os judeus (At 2.1-4); (b) em Samaria: entre os samaritanos de forma implícita (At 8.17,18); e, (c) em Cesareia e Éfeso: entre os gentios (At 10.44-46; 19.1-7). Portanto, Lucas descreve a dádiva do Espírito Santo, sendo acompanhada e comprovada pelo falar em línguas. A Bíblia nos mostra uma dupla forma da manifestação das línguas. Vejamos:

  • Línguas conhecidas. Os quase cento e vinte discípulos, no Dia de Pentecostes, receberam o batismo com o Espírito Santo e uma manifestação do falar em línguas conhecidas, ou seja, “línguas diferentes da sua língua materna” (At 2.8). Apesar de serem todos galileus (At 2.7), eles de forma sobrenatural começaram a falar das grandezas de Deus nos idiomas conhecidos dos judeus que tinham vindo de várias partes do mundo para a comemoração do Pentecostes em Jerusalém(At 2.5; 9-11). “O termo grego traduzido por língua em Atos 2.6 e 8 é ‘dialektos’ e refere-se à linguagem ou dialeto de um país ou região” (LOPES, 2012, p. 56 – acréscimo nosso). Além do batismo com o Espírito Santo os discípulos nessa ocasião também foram agraciados com a manifestação da xenolalía – “idiomas humanos, reais nunca antes aprendidos por aqueles que falavam” (CARSON, 2013, p. 140). Confira: (At 2.4-11).
  • Línguas desconhecidas. Paulo disse que nem sempre as línguas que se manifestam no batismo são compreensíveis (1 Co 14.2). O falar em línguas não identificáveis é chamado de glossolalía. A Bíblia mostra que existem diferenças entre as línguas faladas no Dia de Pentecostes e as que são manifestadas em outras ocasiões e em nossos dias. Esta diferença não ocorre na fonte das línguas, pois todas “são concedidas pelo Espírito Santo” (At 2.4), no entanto: “a forma” como se manifestam são distintas. Vejamos: as primeiras eram entendidas: inteligíveis (At 2.4,8); a segunda não são entendidas, senão houver interpretação: ininteligíveis (1 Co 14.2,9,14,16,23); a primeira pode ser traduzida (At 2.11); a segunda pode ser interpretada (1 Co 14.5); a primeira acontece esporadicamente (At 2.4); a segunda acontece frequentemente (At 10.44-46; 19.1-7). Sobre as línguas, a Bíblia assevera que o batizado pode: orar em línguas (1 Co 14.15-a); cantar em línguas (1 Co 15-b); falar em línguas de forma equilibrada (1 Co 14.28); e, buscar o dom de interpretação (1 Co 14.13).

CONCLUSÃO

Cremos à luz das Escrituras que o batismo com o Espírito Santo e os demais dons espirituais, foram concedidos pelo Espírito Santo, a Igreja, por ocasião do Dia de Pentecostes e estão disponíveis durante toda a sua trajetória aqui na terra. O termo “pentecostal” evoca as manifestações dos carismas “dons” do Espírito enviado à igreja.

REFERÊNCIAS

  • BRUNELLI,      Teologia    para     Pentecostais. CENTRAL GOSPEL.
  • CARSON, D.A. A manifestação do Espírito. VIDA
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Novo Dicionário da Língua Portuguesa. POSITIVO.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.
  • PEARLMAN, Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. VIDA.
  • STAMPS, Donald      Bíblia   de   Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

A necessidade de termos uma vida santa

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 09 – A NECESSIDADE DE TERMOS UMA VIDA SANTA – (1 Pe 1.13-22)

INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos à luz da Bíblia, a definição e conceito da doutrina da santidade; destacaremos a necessidade de vivermos uma vida santa como verdadeiros servos de Deus; pontuaremos também algumas motivações bíblicas para viver em santidade; e finalmente, algumas características de uma vida santa.

  1. I – A SANTIDADE À LUZ DA BÍBLIA
    1. Definição do termo. O substantivo “qodesh”, que se traduz como “santidade”, bem como a palavra grega “hagiosyne”, significam basicamente: “estado de separação do que é comum ou impuro; é a característica do que é consagrado exclusivamente a Deus” (Lv 20.24-26; At 6.13; 21.28; 1 Ts 13) (WYCLIFFE, 2012, p. 1760 – acréscimo nosso). Segundo Jones (2015, p. 76): o substantivo “qodesh” é usado como raiz das demais formas, incluindo a forma verbal, “qodash”, normalmente traduzida por “ser santo”, “santificar” ou “consagrar”. Santidade e o adjetivo santo ocorrem mais de 900 vezes na Bíblia (TYNDALE, 2015, p. 1656), ficando clara a importância dada pelas Escrituras a tal doutrina.
    2. O Conceito de santidade. O princípio de separação no AT é aplicado em termos gerais, a Deus (Lv 19.2), a objetos (Êx 30.28,29; 40.9), e a pessoas (Lv 8.12; Nm 6.1-11). Deus separou os israelitas para serem uma nação santa (Lv 20.26; Dt 7.6; Dt 14.2). Esse chamado à santidade se fundamentava no fato de agora terem se tornado possessão de Deus, que é santo, e por isso os israelitas deviam estar separados de tudo aquilo que é profano ou comum, tudo o que contamina (SOARES, 2017, p. 117). De acordo com Andrade (2006, p. 326), santidade nas Escrituras tem dois sentidos básicos: “separação do mal e do pecado; e ainda, a dedicação completa ao serviço do Reino de Deus” . Basicamente, santidade é um “corte” ou seja, a “separação” daquilo que é impuro e uma consagração ao que é puro (TYNDALE, 2015, p. 1656). Viver em santidade é uma necessidade para quem quer viver separado da corrupção do pecado e deseja viver única e exclusivamente para Deus, como o fez o apóstolo Paulo (At 27.23).
  2. II  – A NECESSIDADE DE UMA VIDA SANTA A Bíblia mostra claramente a necessidade de vivermos uma vida santa por meio de várias exortações  (Rm 13.13,14; Ef 4.17-24; Fp 4.8,9; Cl 3.5-10). No processo da santificação progressiva o homem não é de todo passivo como na regeneração, antes, os cristãos recebem a ordem de mortificar os desejos da carne (Rm 8.13), nesse texto, Paulo indica que é pelo Espírito que fazemos isso, porém, diz que a atitude é nossa (Cl 3.5). A responsabilidade do crente quanto à santificação, é destacada pelo escritor aos Hebreus (Hb 12.14-a), ao usar o termo “segui”, do grego “dioko”, que significa: “perseguir, pressionar, correr após, esforçar-se por”, palavra usada figuradamente para indicar uma busca moral e espiritual bem definida, tendo um alvo em vista (CHAMPLIN, 2002, p. 647). Sobretudo, a necessidade de uma vida santa é vista ao afirmar que: “[…] sem a santificação ninguém verá ao Senhor” (Hb 12.14-b), ficando claro que os que se moldam às paixões da carne e do mundo, tornam-se reprováveis diante de Deus, não podendo está em sua presença (Sl 15.1-5; 24.1-3; Mt 5.8; Gl 5.19-21; Ap 21.8; 22.14,15). A vontade de Deus tem sido sempre de que seus filhos reflitam seu caráter (Tt 2.14), revelando sua identificação com Cristo (Rm 8.29-30; 2 Co 3.18; 7.1; Gl 4.19; Ef 1.4; 2.10; 4.13; 1 Ts 3.13; 4.3,7; 5.23).
  3. III  – A ABRANGÊNCIA DA SANTIDADE Para um cristão cuja vida é consagrada a Deus, a divisão entre “secular” e “sagrado”, em certo sentido não são duas coisas diferentes. Ao viver para a glória de Deus, a vida do servo de Deus em todos os aspectos deve ser marcada pela santidade, como exorta o apóstolo Pedro: “[…] em toda a vossa maneira de viver” (1 Pd 1.15; ver Sl 103.1; 1 Ts 5.23). Nenhum aspecto da nossa vida está excluído desse imperativo divino, até mesmo atividades comuns, como comer e beber, devem ser realizadas para a glória de Deus, como afirma o Apóstolo Paulo: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1 Co 10.31). Semelhantemente o apóstolo Paulo nos encoraja a nos manter puros no corpo e no espírito (2 Co 7.1; ver 1 Co 7.34). Sendo assim, nosso procedimento deve resplandecer o caráter de Deus, a santidade daquele que nos chamou por Seu Filho para a salvação (Rm 8.29; Ef 1.4) (LOPES, 2012, p.  50 – acréscimo nosso).
  4. IV  – MOTIVAÇÕES PARA UMA VIDA SANTA
    1. A santidade de Deus (1 Pd 1.16). Santidade tanto no AT como no NT, é atributo que no seu sentido mais elevado e absoluto, se aplica a Deus. O Senhor é descrito como “o Santo de Israel”. Esse título aparece cerca de vinte e quatro vezes no livro do profeta Isaías (Is 10.20; 12.6; 17.7; 29.19; 30.11,12,15; 31.1; etc), aparecendo também em outras partes das Escrituras (2 Rs 19.22; Jó 6.10; Sl 71.22; 78.41; 89.18; Pv 9.10; 30.3; Jr 50.29; 51.5; Ez 39.7; Hc 1.12; 3.3), tal título indica entre outras coisas, o fato de Deus estar separado da criação e de estar elevado acima da mesma (At 24,25), como também alude ao contraste com os deuses falsos (Êx 15.11). Santidade é expressamente atribuída nas Escrituras, a cada pessoa da Trindade, ao Pai (Jo 17.11), ao Filho (At 4.30), e ao Espírito Santo (Sl 51.11; Is 63.10; Jo 14.26). O Senhor nos chamou para si, e uma vez que ele é Santo (Lv 11.44; Is 6.3; 1 Pd 1.15,16), devemos ser santos: “Como também nos elegeu nele [em Cristo] antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef 1.14).
    2. A Salvação em Cristo Jesus (1 Pd 1.14,15). O apóstolo Pedro lembra a seus leitores de como eles viviam antes de crerem em Cristo: “[…] não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância(1 Pd 14) e destaca o que eles passaram a ser pela revelação da graça divina em suas vidas (1 Pd 1.13), por meio da fé em Deus (1 Pd 1.21), como Pedro declara (1 Pd 2.9,10). O fato de terem sido resgatados da vã maneira de viver (1 Pd 1.18), pelo precioso, imaculado e incontaminado sangue do Cordeiro, Jesus Cristo (1 Pd 1.18,19), tendo a purificação e regeneração pela ação do Espirito Santo por meio da Palavra (1 Pd 1.22,23). Portanto, a exigência divina é: “[…] como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos […]” (1 Pd 1.15). Lembrando ainda que: a santidade não é o meio para se obter a salvação, mas, podemos afirmar que é a consequência dela.
    3. Característica do autêntico filho de Deus (1 Pd 1.17). A santidade é a marca característica de um verdadeiro servo de Deus, tanto no AT, pois, o caráter santo de Deus deveria ser refletido na vida de Israel (Lv 11.44; Nm 15.40), como no NT, onde nos é dito que a nossa santificação é a vontade direta e perfeita de Deus para nós (1 Ts 3). A afirmativa bíblica é que os salvos são filhos de Deus (Rm 8.16), sendo assim, temos aqui um argumento lógico e simples, os filhos herdam a natureza dos pais, logo, sendo Deus Santo, como seus filhos, devemos ter uma vida santa. Somos participantes da natureza divina e devemos revelar essa natureza em uma vida piedosa (2 Pd 1.4).
  5. V – CARACTERÍSTICAS DE UMA VIDA SANTAO sangue de Cristo (Hb 10.10,14; 13.12; 1Jo 1.7), o Espírito Santo (1 Co 6.11; 2 Ts 2.13; 1 Pd 1.1,2; Rm 15.16) e a Palavra de Deus (Sl 119.9; Jo 17.17; 15.3; Ef 5.26; Tg 1.23-25; 1 Pd 1.23), segundo Pearlman (2009, pp. 255,256 – acréscimo nosso), são meios divinamente estabelecidos para a santificação do homem, interna e externamente, demonstrada por algumas características, entre as quais, destacamos:
    1. Desprendimento (1 Pd 1.13-a). Os povos do oriente usavam túnicas longas, e quando desejavam andar mais rápido ou sem impedimento, prendiam a túnica com um cinto (Êx 12.11). A imagem é a de um homem que prende as pontas do manto a seu cinto, ficando livre, assim, para Aos que desejam viver uma vida piedosa, devem se abster de tudo que sirva de atrapalho em sua caminhada: “[…] deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta” (Hb 12.1), evitando qualquer distração que impeça a sua conduta (2 Tm 2.4), ocupando a mente com o que de fato é puro (Fp 4.8).
    2. Obediência e reverência (1 Pd 1.14,17). Antes da conversão a Cristo o homem por natureza, é filho da desobediência (Ef 2.2). O apóstolo Pedro ressalta que agora, após a experiência da salvação, não podemos mais viver nas práticas do passado que determinavam o nosso modelo de vida (1 Pd 1.14,15), “não vos amoldeis” significa não entrar no esquema, no modelo. Originalmente, a palavra significava assumir a forma de alguma coisa, a partir de um molde de encaixe, os cristãos são chamados a “mudar de forma”, e a assumir o padrão de Deus (Rm 12.2), vivendo respectivamente de maneira reverente, ou seja, tendo a atitude de quem fala cada palavra, cumpre cada ação e vive cada momento consciente de Deus tendo consciência de que nossas atitudes serão julgadas pelo justo juiz (Dt 17; Rm 2.11; 1 Pd 4.17).
    3. Amor sincero (1 Pd 1.22). A vida santa também tem como marca a prática do amor sincero, e isto Pedro afirma como resultado da regeneração: “[…] amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente, pois fostes regenerados […]” (1 Pd 1.22,23 – ARA). Esse amor esperado é o que evidencia que passamos da morte para a vida (1 Jo 3.14), e caracteriza o verdadeiro discípulo de Jesus (Jo 13.35; ver Rm 12.9; 1 Jo 3.18). O amor é a marca do cristão, pois é a evidência mais eloquente da nossa salvação (LOPES, 2012, p. 58).

CONCLUSÃO

A Palavra de Deus, como regra de fé e prática do cristão, descreve os princípios divinos que direcionam e guiam a vida do verdadeiro servo de Deus, independente de sua cultura, status social e época. Para os que desejam agradar a Deus, devem entender a necessidade de ter como estilo de vida, a santidade.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia.
  • JONES, O Deus de Israel: na teologia do Antigo Testamento. HAGNOS.
  • LOPES, Hernandes Comentário Expositivo 1 Pedro: Com os pés no vale e o coração no céu. HAGNOS.
  • PEARLMAN, Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. VIDA.
  • WYCLIFFE. Dicionário Bíblico. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

A Igreja de Cristo

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 08 – A IGREJA DE CRISTO – (1 Co 12.12-20,25-27)

INTRODUÇÃO

Nesta lição traremos a definição da palavra “Igreja”; analisaremos as prerrogativas dadas a ela; pontuaremos a diferença entre a Igreja universal e a local; estudaremos sobre a Igreja militante e triunfante; e por fim, falaremos sobre a nova tendência dos desigrejados pontuando seus postulados heréticos refutando-os à luz da Bíblia Sagrada.

I  – DEFINIÇÃO DA PALAVRA IGREJA

Eclesiologia é a disciplina da Teologia que estuda a igreja, sua fundação, símbolos e missão, conforme as Escrituras. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus (2017, p. 120) define que: “A palavra ‘igreja’ significa, literalmente, ‘chamados para fora’ e era usada para designar ‘assembleia’ ou ‘ajuntamento’ dos cidadãos de uma localidade na antiguidade grega”. O vocábulo igreja é formado por duas palavras gregas: pelo prefixo “ek”, “a partir de, dentro de” ou “para fora de”; e, “klesis”, que significa “chamada, convocação, convite”. Literalmente quer dizer “chamados para fora”. O termo ainda é usado para designar um “grupo local de cristãos” (Mt 18.17; At 5.11; Rm 16.1,5); ou a Igreja universal à qual todos os servos de Cristo em todos os tempos estão ligados (At 9.31; 1Co 12.28; Ef 1.22). Podemos dizer que a Igreja do Senhor Jesus foi fundada durante o seu ministério (Mt 16.18), e inaugurada no dia de Pentecostes (At 2) (BERGSTÉN, 2005, p. 214).

II  – DIFERENÇAS ENTRE A IGREJA UNIVERSAL E A IGREJA LOCAL

A Igreja é um organismo vivo invencível (Mt 16.18), santo, dinâmico e ligado à cabeça que é Cristo (Ef 1.22, 23). A igreja, portanto, vive em duas dimensões: espiritual e social. Na dimensão espiritual, a igreja é universal (invisível), um organismo vivo, o corpo místico de Cristo; mas na esfera social, ela é local (visível), uma organização, um ajuntamento de pessoas ligadas a um sistema de crenças. Vejamos a diferença entre elas:

  • Igreja universal ou invisível. A igreja universal ou invisível consiste de todos os discípulos de Cristo em todo o mundo e em todos os tempos. Somente Deus pode contar e identificar precisamente seus “primogênitos arrolados nos céus” (Hb 12.23). Algumas vezes a Bíblia usa a palavra “igreja” no sentido universal para falar de todo o povo que pertence a Cristo, não importa de onde ele possa Jesus falou da igreja deste modo: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja […]” (Mt 16.18). Ele não está falando apenas de uma congregação local, nem está falando de uma organização ou instituição mundial. Ele está falando de pessoas, “pedras vivas” (1Pd 2.5), construídas sobre Jesus Cristo, a fundação sólida (1Co 3.11). Paulo falou da igreja, neste mesmo sentido universal, quando escreveu: “[…] Cristo é o cabeça da Igreja […]” (Ef 5.23). A Igreja invisível não é um edifício construído com blocos e cimento, mas, um edifício construído com pedras vivas. “Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual […]” (1Pd 2.5). Estas “pedras vivas” são chamadas os santos e membros da família de Deus: “[…] no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito” (Ef 2.19-22). A Bíblia a descreve como um corpo (Rm 12.4-5; 1Co 12.12-27; Cl 1.18,24; Ef 5.23).
  • Igreja local ou visível. Uma igreja local consiste de cristãos que se reúnem num determinado Eles podem ser identificados e contados (At 2.41; 4.4; 8.1; 9.31; Rm 16.1,14,15; 1Co 16.19; Cl 4.15). Frequentemente, a palavra igreja é usada para descrever uma congregação local ou assembleia de santos em um determinado lugar geográfico: “[…] à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos[…]” (1Co 1.2); “E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano” (Mt 18.17); “[…] saudai igualmente a igreja que se reúne na casa deles(Rm 16.5). A igreja pertence a Deus, e é, muitas vezes, chamada “a igreja de Deus” (At 20.28; 1Co 1.2; 10.32; Gl 1.13; 1Tm 3.5,15). Jesus derramou seu sangue para comprar a igreja (At 20.28). Paulo falou de “igrejas de Cristo” (Rm 16.16) e Jesus falou de sua própria igreja (Mt 16.18). O povo de Deus pode ser corretamente descrito como a “igreja dos primogênitos arrolados nos céus” (Hb 12.23).

III – DIFERENÇAS ENTRE A IGREJA MILITANTE E A TRIUNFANTE

A Igreja é a assembleia de santos fundada por Cristo e que, por isso, reúne todos os seus seguidores. Então todos os membros que o professam atualmente na terra ou o professaram e já se encontram salvos (no céu) fazem parte desta Igreja que é militante e triunfante. Notemos uma distinção entre elas:

  • A Igreja militante ou A Igreja militante (da terra) designa os membros que vivem hoje sobre a terra, membros estes que lutam incansavelmente contra os poderes do diabo, do mundo e da própria carne: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4.7 ver ainda 2Co 10.2-5; Gl 5.17; 1Ts 2.2; 1Pd 2.11). Ela está militando em uma guerra constante (2Tm 2.3-12; Ef 6.11,12; Fp 1.27, 30; Hb 10.32; 12.4). O apóstolo Paulo nos diz que: “Ninguém que milita (luta) se embaraça com negócios deste vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. E, se alguém milita, não é coroado se não militar legitimamente(2Tm 2.4,5). Na presente dispensação, a igreja militante é convocada para uma guerra (2Co 10.3), e de fato nela está empenhada: Quem vencer, herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho” (Ap 22.7). Na Igreja militante existe uma luta diária:“[…] Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida […]” (Ap 2.7); “Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo(Mt 24.13; Mc 13.13). O apóstolo Paulo disse: Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, […]” (1Tm 6.12). Militar a boa milícia significa combater o bom combate. É suportar as aflições e sem ceder as tentações (1Tm 1.18-20, 4.8; Hb 10.32).
  • A Igreja triunfante. Ela é composta pelos salvos que “dormiram no Senhor” (1Ts 13,14). Ela já está com o Senhor, onde os brados de guerra se transformaram em cânticos triunfais. A luta é finda, a batalha está ganha, e os santos reinam com Cristo para todo o sempre (2Tm 4.8). Assim sendo, a Igreja triunfante (no céu) designa aqueles membros já falecidos que se encontram salvos, e que têm a alegria indescritível de estar no gozo celeste: “ E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão […]” (Lc 16.22 ver ainda Hb 1.14). A Igreja triunfante é vitoriosa e estará para sempre com Jesus, onde não haverá mais labor, militância e nem regimento algum: “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor […]” (Ap 21.4).

IV – A IMPORTÂNCIA DA IGREJA LOCAL E O SEU MODELO BÍBLICO

Na contemporaneidade tem surgido um movimento heterodoxo chamado de “desigrejados” que podemos definir este grupo como os “sem igreja”. Eles não são filiados a qualquer instituição convencional de culto religioso cristão e são contrários a qualquer tipo de liderança. Os desigrejados defendem que a fé cristã pode ser exercida fora da comunhão da Igreja com o seguinte lema: “Jesus, sim; Igreja, não” usando os seguintes textos: “Ouvi outra voz do céu dizer: Sai dela, povo meu […]” (Ap 18.4), e “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou no meio deles” (Mt 18.20). Os desigrejados posicionam-se contra as igrejas convencionais, históricas, tradicionais e clássicas e suas lideranças. A Bíblia mostrar-nos a igreja como: (a) Igreja de Deus (At 20.28; 1Co 1.2; 10.32; 1Tm 3.15); e, (b) Igreja de Cristo (Mt 16.18; Rm 16.16). Notemos a necessidade de uma Igreja local e qual o seu modelo bíblico:

  • A Bíblia ensina que a primeira igreja local foi iniciada por Jesus. O sistema de congregações ligadas a uma matriz (igreja sede) já era instituído desde os dias apostólicos (Mt 16.18; Mc 3.13-19); por conta disso, ninguém mandava em si mesmo e fazia o que bem entendia, mas respeitava e adequava-se às decisões dos apóstolos e dos anciãos guiados pelo Espírito do Senhor (At 15.22,23). Além do quê, os apóstolos eram os responsáveis pela separação de obreiros para os ofícios do santo ministério, seja diácono, presbítero ou pastor (1Tm 4.14; At 14.23; 6.1-7; 20.28; 1Tm 5.22). A hierarquia ministerial é uma doutrina do NT (1Co 12.28-31; Ef 8-11).
  • A Bíblia ensina a necessidade de uma igreja local organizada. As Escrituras apresenta o modelo bíblico para os cultos: “Por que isto? Deus não é Deus de confusão, mas de paz, na igreja dos santos” (1Co 14.33). A Bíblia nos ensina que: “Não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns […]” (Hb 10.25). Podemos ainda citar a alegria do salmista fazendo uma alusão explícita ao templo: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor(Sl 122.1). A igreja de Cristo é composta por crentes de todas as eras e tempos que se reúnem com cultos, liturgias, ministérios, lideranças, coletas, contribuições e etc (At 2.46,47; 1Co 14.6; 6:1-6; 13.1-2; Ef 4.11-12; Hb 13.17; 1Co 16.1; Rm 15.26; 2Co 9.1-13; Hb 7.8; Lc 11.42). A Igreja é o Corpo de Cristo (Cl 1.24; Ef 1.22-23; 4.12). Assim como o corpo não pode sobreviver separado da cabeça, não podemos viver sem nosso cabeça, Jesus Cristo (Ef 5.23; Cl 1.18). Discípulos de Jesus são membros do corpo (Rm 12.4-5; 1Co 12.12-27; Ef 3.6; 4.16; 30).
  • A Bíblia ensina que o Senhor colocou homens para administrar a sua Igreja. Desde o AT o Senhor instituiu homens para liderar (Êx 18.25,26; Ne 8.4-6; Jr 3.15). A hierarquia ministerial não existe com a pretensão de um ser melhor que o outro, mas para o Altíssimo manter a ordem: “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus […]” (Hb 13.7). Paulo falou: “E rogamo-vos, irmãos, que reconheceis os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam(1Ts 12). Ainda podemos ver: “Os presbítero que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” (1Tm 5.17). O próprio Jesus constitui homens para a liderança do ministério: “E Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores […]” (Ef 4.11-13 ver At 20.24,28, Jo 21.17). Paulo ainda disse: “Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. E a uns pôs Deus na igreja […]” (1Co 12.27,28). Segundo o modelo do NT os pastores representam os fiéis e hão de dar conta do rebanho: “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles […]” (Hb 13.17). Seguir ao Senhor Jesus presume-se em pertencer ao seu rebanho e conquanto tenhamos pastores (Ef 4.11; Hb 13.7; Jr 3.15).
  • A Bíblia ensina que foi dada ordenanças a Igreja. Jesus deixou claro que seus discípulos deveriam além de ensinar, deveriam batizar e celebrar a Ceia do Senhor (Mt 28.19; 26.29). O batismo por imersão atinge quatro objetivos: a) A profissão pública de fé (1Pd 3.21); b) A identificação do batizando com os demais discípulos de Jesus (Mt 28.19); c) A representação da lavagem espiritual (At 22.16 cf. 1Co 6.11); e, d) A representação da morte do crente para o mundo e de sua ressurreição para uma nova vida (Rm 6.4; Cl 2.12). Estas duas ordenanças da Igreja (batismo e ceia) só podem ser exercidas biblicamente em comunidades (congregações) organizadas como ensina a Bíblia Sagrada. A Igreja tem como atribuição precípua, adorar a Deus em espírito e em verdade, respeitar o Seu Santo Nome, tributar-lhe louvores, difundir as Boas Novas do Seu Evangelho. E como nação santa, a Igreja é separada do mundo, a fim de pertencer totalmente a (1Pe 2.9; At 28.20; Tt 2.14).

CONCLUSÃO

Concluímos que a Igreja é o ajuntamento dos santos de todos os tempos e lugares, aqueles que professaram sua fé em Cristo, ela é tanto local (visível) como também universal (invisível). Aprendemos que ela é militante enquanto está na terra em constante luta espiritual, mas também é triunfante ao chegar no céu. Por fim, vimos que a Igreja como povo de Deus não se encaixa no modelo contemporâneo e herético dos chamados “desigrejados”, pois como povo eleito deve viver em comunidade desfrutando da comunhão como os santos como ensina a Bíblia submetendo-se a liderança constituída por Deus.

REFERÊNCIAS

  • BARBOSA, José Roberto O Cremos da Assembleia de Deus. Reflexão Editora.
  • BERGSTÉN, E. Teologia Sistemática.
  • COSTA, Paulo R. da. Manual de Doutrina das Assembleias de Deus no Brasil. CPAD.
  • SILVA, Esequias Soares da (Org.). Declaração de Fé das Assembleias de Deus.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com

 

A necessidade do novo nascimento

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3º TRIMESTRE 2017

A RAZÃO DA NOSSA FÉ

Assim cremos, assim vivemos

COMENTARISTA: Ezequias Soares

LIÇÃO 07 – A NECESSIDADE DO NOVO NASCIMENTO – (Jo 3.1-12)

 INTRODUÇÃO

Nesta lição definiremos o termo bíblico “novo nascimento”; destacaremos porque se faz necessário que o pecador seja regenerado; pontuaremos que este ato espiritual só pode ser experimentado por meio da Palavra de Deus e da ação do Espírito Santo; e, por fim, elencaremos alguns resultados práticos na vida daquele que teve esta experiência.

I – O QUE É O NOVO NASCIMENTO

Teologicamente o “novo nascimento” ou “regeneração” é “o milagre que se dá na vida de quem aceita a Cristo, tornando-o participante da vida e da natureza divinas. Através da regeneração o homem passa a desfrutar de um nova realidade espiritual” (ANDRADE, 2006, p. 317 – acréscimo nosso). A palavra regeneração no grego é “palinginesia” formada da expressão pálin”, ‘novamente’, e “génesis”, ‘nascimento’, significa portanto: “novo nascimento”. O Pastor Eurico Bergstén (2016, p. 174) diz que “a regeneração ou novo nascimento significa o ato sobrenatural em que o homem é gerado por Deus (1 Jo 5.18) para ser seu filho (Jo 1.12) e participante da natureza divina (2 Pe 1.4)”. A doutrina da regeneração é bíblica e foi  ensinada por  Jesus e pelos seus santos apóstolos (Jo 3.3,7; 2 Co 5.17; Gl  6.15; Jo 1.12.13;     Ef 2.1,5; Cl 2.13; Tt 3.5; Tg 1.18; 1 Pe 1.23). A Bíblia destaca algumas verdades sobre isso. Vejamos:

  • Um ato A desobediência humana recebeu como sentença a morte, tanto física quanto espiritual (Gn 2.16,17; Ez 18.4; Rm 6.23; Ef 2.1,5). Essa morte espiritual implica na separação da presença de Deus (Rm 3.23). Portanto, “morto espiritualmente” o homem necessita “nascer de novo” espiritualmente para ter comunhão com Deus. Por isso, no discurso de Jesus com Nicodemos o Mestre lhe diz: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.5). Segundo Beacon (2006, p. 49 – acréscimo nosso) a palavra traduzida como “de novo” é “anothen”, que tem vários significados e um deles é: “de cima”. Acerca disso Wilmington (2015, pp. 362,363) diz que: “o Messias estaria, então, dizendo que o único requisito para viver nesta terra é ter um nascimento físico; igualmente, o único requisito para viver um dia nos céus é ter um nascimento espiritual”. Esse “nascer do Espírito” em nada tem a ver com a reencarnação, que é um ensinamento que não encontra apoio nas Escrituras (2 Sm 12.21-23; Hb 9.27). Aliás, Nicodemos perguntou se a regeneração era vir de novo a vida fisicamente, voltando ao ventre materno (Jo 3.4). Jesus respondeu dizendo “o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6).
  • Um ato Os profetas predisseram este ato sobrenatural (Dt 30.6; Jr 24.7; Ez 11.19; 36.26,27). Embora o Antigo Testamento tenha em vista a nação de Israel, a Bíblia emprega várias figuras de linguagem para descrever o que acontece no novo nascimento. Nestas passagens bíblicas o novo nascimento é comparado a uma “cirurgia interior”. Deixando claro que a regeneração é um ato divino operado pelo Espírito Santo no espírito do homem. Segundo Macgrath (2010, p. 525) “a regeneração altera a natureza interior do pecador”.
  • Um ato instantâneo e distinto. Diferente da santificação que é um processo, a regeneração é um ato instantâneo. A palavra “instantâneo” segundo o Aurélio significa: “que se dá num instante; rápido; súbito” (2004, p. 1113). O apóstolo Paulo nos diz: “assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é […]” (2 Co 5.17). É bom destacar também que a regeneração é uma etapa da salvação distinta da justificação, da santificação e da glorificação. A ordem segue-se assim: primeiro “o pecador é declarado justo” (justificação); em seguida “ele é feito justo” (regeneração); depois “ele vai se tornando justo” (santificação); e, por fim, ele “será perfeitamente justo” (glorificação).

II – A NECESSIDADE DO NOVO NASCIMENTO

Deus criou os seres humanos em um estado de perfeição: “Deus fez ao homem reto” (Ec 7.29-a). Uma das perfeições que Deus concedeu ao homem foi o poder do livre arbítrio (Gn 2.16). O primeiro casal fez uso da liberdade que desobedecer a Deus (Gn 3.1-6). O que seguiu-se a este mau uso da liberdade humana foi um estado de pecaminosidade, do qual não podemos escapar e reverter sem o auxílio divino. Dentre as consequências que o pecado trouxe ao homem, a principal delas, foi a morte espiritual (Gn 2.16,17; 3.2,3; Rm 6.23). A morte espiritual é a separação espiritual de Deus    (Is 59.2). Como toda a humanidade estava representada em Adão, quando ele caiu em transgressão, também toda a humanidade caiu com ele. O apóstolo Paulo deixa isso bem claro quando assevera: “por um homem entrou o pecado […] por isso que todos pecaram” (Rm 5.12). Confira também: (Rm 2.10-12; 3.23; 5.13-16). Geisler (2010, p. 104) acrescenta dizendo: “todo descendente de Adão — toda pessoa nascida de pais naturais desde o tempo da Queda — também está espiritualmente morto”. Diante de tal situação espiritual de morte, faz-se necessário o homem nascer espiritualmente de novo. Portanto, a regeneração é um imperativo (Jo 3.3,5).

  • Sem o novo nascimento o homem permanece morto espiritualmente. Paulo diz que o homem não regenerado “está morto em delitos e pecados” (Ef 2.1,5). Vale salientar que essa “morte” não é a incapacidade de corresponder ao chamado de Deus, mas a separação espiritual da presença dEle (Rm 23). Paulo disse que o homem nessa condição não compreende as coisas de Deus (1 Co 2.14). O pecador só pode ser vivificado, quando exposto a pregação da Palavra que ilumina o seu entendimento (Ef 1.18; 6.4; 2 Co 6.4), até então obscurecido pelo pecado (Ef 4.18) e pelo diabo (2 Co 4.4). No entanto, mesmo sendo iluminado, a pessoa pode optar por aceitar ou rejeitar o plano da salvação (Mt 16.24; Jo 7.37; Ap 22.17).
  • Sem o novo nascimento, o homem não tem acesso ao Reino de Deus. Por melhor que seja uma pessoa, ela não pode produzir sua salvação (Is 64.6; Tt 3.5). Jesus declarou ao religioso Nicodemos três vezes que “é necessário nascer de novo” (Jo 3.3,5,7). Moody (sd, p. 18) diz que esta “não é simplesmente uma exigência pessoal, mas universal”. Segundo o Mestre, o novo nascimento é necessário porque: (a) sem ele o homem não pode ver o Reino de Deus (Jo 3.3); e, (b) tampouco entrar nele (Jo 3.5). O homem do jeito que está não pode ter acesso ao Reino de Deus, pois é “filho da ira por natureza” (Ef 2.3); e andando na carne não pode agradar a Deus (Rm 8.8). Somente quando nasce de novo, este homem é criado em verdadeira justiça e santidade requeridas por Deus para que tenha acesso ao Reino (Ef 24).

III – COMO SE DÁ O NOVO NASCIMENTO

O novo nascimento não é produzido pelo próprio homem, nem pela religião, centros de ressocialização ou  qualquer outro meio terreno. Abaixo destacaremos os meios pelos quais o homem pode ser regenerado:

  • Pela Palavra de Deus. O Mestre Jesus ensinou que o novo nascimento é operado através da Palavra de Deus “Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água […], não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3.5). A água de que fala o Senhor é meramente um símbolo de purificação, como ensinava o Logo, esta água aqui é símbolo da Palavra (Jo 15.3; Ef 5.26) e não as águas do batismo. O batismo em si não pode lavar pecados nem regenerar o pecador. Na verdade a Palavra de Deus é a divina semente (1 Pe 1.23) e o agente purificador (Jo 15.3; 17.17). Quando ela é aplicada em nosso coração pelo Espírito Santo, acontece o milagre do novo nascimento. É o que Tiago nos diz: “[…] ele nos gerou pela palavra da verdade […]” (Tg 1.18). A expressão “palavra da verdade” refere-se ao Evangelho (2 Co 6.7; Cl 1.5; 2 Tm 2.15). Normalmente no NT, o vocábulo “palavra” indica a mensagem cristã. O uso mais comum é “palavra de Deus” (At 6.2; 8.14; 13.46; Rm 9.6; 1 Co 14.36; Ef 6.17; 2 Tm 2.9).
  • Pelo Espírito Santo. A regeneração é mencionada nas Escrituras como uma ação do Espírito. No AT os profetas falaram dessa atividade do Espírito Santo (Is 32.15; Ez 36.27; 37.14; 39.29; Zc 12.10). Jesus disse a Nicodemos que o homem precisa “nascer da água e do Espírito” (Jo 3.5). O apóstolo Paulo também ensinou isto (Ef 4.24; Tt 3.5). O Espírito Santo esteve presente na criação do homem (Gn 2.7; Jó 33.4); de igual modo está presente na recriação deste homem (Jo 3.5; 20.22). A menção ao vento, aludindo a atividade do Espírito mostra que se trata de algo sobrenatural (Jo 3.8). Veja também (Ez 37.9; At 2.2). Zuck (2008, p. 220) é categórico ao afirmar que “alcança-se a regeneração apenas por intermédio da obra do Espírito Santo, não por meio de qualquer esforço humano”.

IV – RESULTADOS DO NOVO NASCIMENTO

Embora a regeneração seja um ato interno, esta mudança interior, gera uma notável e visível mudança exterior. Acerca disso afirmou Pastor Antônio Gilberto (2008, p. 186): “o novo nascimento abrange a regeneração e a conversão, que são dois lados de uma só realidade. Enquanto a regeneração enfatiza o nosso interior, a conversão, o nosso exterior. Quem diz ser nascido de novo deve demonstrar isso no seu dia-a-dia”. Vejamos alguns resultados do novo nascimento, segundo a Bíblia Sagrada:

  1. O crente agora é nova criatura em Cristo e tudo se fez novo (2 Co 17);
  2. O crente agora pratica atos de justiça (1 Jo 29);
  3. O crente já não pratica o pecado como estilo de vida (1 Jo 3.9; 18);
  4. O crente agora ama a Deus e ao homem (1 Jo 4.7; 18);
  5. O crente agora afirma corretamente a divindade de Jesus Cristo (1 Jo 1);
  6. O crente agora é protegido contra o maligno (1 Jo 18);
  7. O crente agora pode vencer este mundo perverso (1 Jo 4).

CONCLUSÃO

O pecado atingiu o homem e o destituiu da glória de Deus. Todavia, Deus tomou a iniciativa de restaurar a comunhão outrora perdida com o homem, através do evangelho, que iluminando o entendimento humano, pode vivificá-lo, transformar o seu interior e levá-lo a ser participante da natureza divina.

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Novo Dicionário da Língua Portuguesa. POSITIVO.
  • GEISLER, Norman. Teologia Sistemática.
  • GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal.
  • MCGRATH, Alister E. Teologia sistemática, Histórica e Filosófica.
  • MOODY, L. Comentário Bíblico de João. PDF.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: http://www.adlimoeirope.com